N/A: Gente, sinto muitíssimo por essa pausa! Mande esse capítulo para minha beta muito tempo atrás, mas não sei o que aconteceu que perdemos a nossa comunicação! No momento estou sem beta... Se alguém se interessar, pode me enviar inbox! Para compensar toda a demora, vou postar dois capítulos de uma vez (: Já tenho vários prontos, apenas esperando uma betagem para virem para vcs! Agradeço a paciência e espero que não tenham desistido de mim nesses seis meses (:


Capítulo 7

Era hora do jantar na casa do Kazekage. O som de risadas escapava pelas paredes e janelas firmemente vedadas contra o ar frio da noite. Uma senhora passou pela rua e sorriu. Era muito bom saber que se voltara a rir naquela casa. Algo que não se ouvia desde a morte de Karura.

Dentro, no calor do lar, duas garotas terminavam de preparar a mesa. O ensopado fervia no forno, o cheiro impregnando o ar. Enquanto a mais nova colocava os talheres, a mais velha procurava os apoiadores de panela. "É só eu passar um tempo fora que toda a organização cai por terra." Ela pensou com um ligeiro sorriso no rosto. "Bem, pelo menos isso significa que eles não morreram de fome."

- Tem, onde estão os guardanapos?

A loira olhou para sua amiga com uma expressão pensativa. Então uma ideia passou por sua cabeça.

- Por que você não dá uma olhada no quarto do Kankurou? Talvez ele tenha ficado sem papel pra tirar a maquiagem de novo.


Temari suspirou e sentou-se no sofá. Finalmente tudo estava pronto. Por alguns momentos pensara que não conseguiria, a viagem demorara mais do que de costume. "Eu deveria ter previsto isso, Shikamaru não me diria o quanto estava doendo de verdade. Ainda bem que Mitsue pode vir me ajudar..." Falando nisso... Onde estava aquela garota? Já fazia tempo que ela fora procurar os guardanapos.

- Mitsue? – ela chamou em direção às escadas.

Nenhuma resposta veio. Temari franziu as sobrancelhas e se levantou.

Quando chegou ao fim da escada uma faixa de luz saindo do quarto de Gaara chamou sua atenção. Aproximou-se silenciosamente do quarto de seu irmão mais novo e espiou pela fresta da porta.

Mitsue estava parada próxima à cama de Gaara, segurando um porta-retratos em suas mãos, com um ligeiro sorriso no rosto.

- É a foto favorita dele.

Temari viu o corpo de Mitsue tencionar quando ela ouviu sua voz. A garota virou-se de imediato, escondendo a foto atrás de si, um forte rubor subindo-lhe às faces. Temari riu internamente da expressão de culpa da menina, levantou uma sobrancelha e a encarou, pensando em qual desculpa ela inventaria. Mas quando Mitsue falou, não veio uma desculpa, e sim uma pergunta:

- Quem é?

A ninja loira sentiu um calor crescer em seu peito ao olhar para a foto.

- Nossa mãe, Karura.

Mitsue acenou de leve com a cabeça.

- Muito bonita.

- Obrigada. – Ela respondeu docemente. Tudo que se relacionava à sua mãe era doce. – Eu quase não me lembro dela, mas creio que era ainda mais bonita ao vivo. Ela tinha algo de especial. Uma energia. – Temari balançou a cabeça. – Mas minha opinião é suspeita.

- Você era muito jovem quando ela morreu?

- Eu tinha uns três anos. Ela morreu dando a luz à Gaara.

Mitsue baixou os olhos para a foto. Uma expressão de tristeza preencheu seu rosto.

- Sinto muito.

- Está tudo bem. Já faz muitos anos. – então, para levantar o astral no ambiente. – Mas por que você entrou aqui? Era para ir até o quarto de Kankurou.

Novamente a garota corou forte e desviou o rosto.

- Desculpe. – Ela conseguiu dizer. – Como eu não sabia qual era a porta, tentei a primeira que vi. Então a foto chamou minha atenção.

Temari acenou com a cabeça e recolocou a foto de sua mãe na mesa de cabeceira. Sentia um pouco de pena da menina. Ela parecia realmente envergonhada por ser pega no quarto de Gaara. A irmã do Kazekage sentiu um sorriso malicioso espalhar-se por seus lábios. Pegando a mão de Mitsue levou-a até a beirada da janela.

- Aqui tem mais fotos interessantes.


Mitsue engoliu com dificuldade. "Droga, por que me demorei tanto?" Se ela tivesse sido um pouco mais rápida ninguém saberia que estivera ali dentro. O quarto de uma pessoa é algo muito pessoal, não se entra sem autorização. "Mas eu ia entrar no quarto de Kankurou." Mas só por que Temari mandara, e só para procurar alguma coisa... Não para bisbilhotar... Ok, ela admitia, o problema é que era o quarto dele.

Quando ela chegou ao segundo andar resolveu testar a primeira porta que viu. Logo percebeu que não era o lugar certo. Era organizado demais. Então a foto chamara sua atenção. Uma mulher loira, muito bonita. Queria saber quem era ela, por que ela era tão importante para Gaara. Agora ela sabia e uma grande sensação de compaixão se espalhara por seu peito. Ele nunca conhecera sua mãe e, mesmo assim, sua foto era a única ao lado de sua cama. Temari estava falando alguma coisa e pegando sua mão. Mitsue arregalou os olhos ao ver o que lhe era mostrado.

A foto mostrava duas garotas sorrindo. Elas duas. Fora tirada em algum dia de festival, estavam ambas usando Yukatas comemorativos. Sentiu algo quente crescendo em seu peito e seu rosto ardendo loucamente. Ele tinha uma foto dela em seu quarto. Dela. "Calma, deve ser a única foto que ele tem da irmã" pensou consigo mesma tentando desacelerar seu coração. Mas não era bem assim. Ao lado dessa foto tinha uma dos três irmãos. Outra só de Temari e Kankurou e mais uma em que estavam os irmãos, Shikamaru e ela, Mitsue. Um sorriso largo transfigurou seus lábios.

- Gostou das fotos? – A voz da mais velha dos irmãos da areia tirou-a de seus pensamentos. Olhou para a amiga e viu um sorriso provocador na boca desta. Sentiu-se corar ainda mais forte.

- Bastante. – respondeu quando se recuperou. "Que droga, Mitsue, você tem de se controlar!"

Temari a observou contemplativa antes de perguntar com uma voz sugestiva:

- Aconteceu alguma coisa enquanto eu estava fora?

- Não, nada. – Então, recuperando seu senso de humor. – Só o fato de Kankurou ter admitido minha superioridade em Shougi.

A loira acenou a cabeça com um ar entendido.

- Bem, vamos pegar os guardanapos antes que o dito aniversariante chegue.


- Shikamaru, deita e estica a perna. – Temari disse enquanto sentava na outra ponta do sofá.

- Não precisa, eu estou bem.

- Não é um pedido. – Ela disse puxando a perna do namorado.

O ninja da folha suspirou e afastou a mão da garota.

- Já disse que não precisa Temari. Você está exagerando.

- Você se machucou sério na última missão, eu NÃO estou exagerando. Agora deita aí!

- Mas...

- Sem mas! – Temari o empurrou tão forte que ele caiu deitado no sofá.

Shikamaru bufou e esticou a perna no colo da garota. Uma onda de risinhos espalhou-se pela sala.

- Por que você tem de ser tão cabeça-dura? – Ela continuou, zangada.

- Por que você é tão mandona?

- Mandona?! – Ela gritou indignada e lhe deu um soco na coxa.

- Ai! Você vai cuidar de mim ou me machucar?

- Velho resmungão.

- Moleca.

- Folgado.

- Mimada.

Plaft!

- Eu não sou mimada!

Shikamaru suspirou e esfregou a batata da perna que recebera o tapa.

- Viu? – Veio a voz de Kankurou sentado no sofá em frente. – É por isso que eu não preciso de uma namorada.

Todos os olhares se voltaram para ele.

- Explique-se. – Temari disse entre dentes.

- Bem, alguém para mandar e bater em mim já tem a Temari. As outras funções têm milhares de garotas por aí morrendo de vontade de atender sem precisar ser namorada.

O som do revirar de olhos era quase audível.


- Mudei de ideia. Eu quero uma namorada.

Temari riu de leve e voltou a massagear as costas de Shikamaru.

- É um pacote completo. Os tapas e ordens estão inclusos.

O irmão da areia do meio pareceu refletir por uns instantes.

- Bem, não pode ser pior do que te ter como irmã. – Então, passeando os olhos pela sala. – Mitsue, quer namorar comigo?

A garota levantou uma das sobrancelhas.

- Namorar com você? Prefiro morrer!

Uma nova onda de risadas espalhou-se por entre os convivas.

- Ora, vamos, Mitsue, confesse. Você está completamente encantada por mim, toda derretida por esse incrível pedaço de carne andando pela terra.

- Claro, como se você desse conta de uma garota como Mitsue. (like you could handle a girl like her). – Gaara manifestou-se, um quê de ironia em sua voz.

Todos os olhares voltaram-se para ele, chocados. Kankurou sorriu maliciosamente.

- Ah é? E você, maninho? Consegue?

- Claro que eu conseguiria.

- Claro que ele conseguiria.

Mitsue sentiu seu rosto queimar ao perceber o que acabara de ouvir. Sentiu queimar ainda mais forte ao perceber o que acabara de dizer.

Um silêncio constrangido instaurou-se pela sala. Temari e Shikamaru trocaram olhares entendidos. Kankurou não conseguiu evitar sorrir ao perceber que um ligeiro, ligeiríssimo rubor apresentava-se no rosto de seu irmão. Mitsue foi a primeira a se recuperar.

- Ele é o Kazekage afinal das contas.

- É, eu sou o Kazekage. – Gaara completou em um tom de assunto encerrado.

Apesar de o clima ter se tornado mais leve, certo constrangimento reinou no ar o resto da noite. Mitsue não conseguia deixar de refletir sobre o que Gaara dissera. Apesar de uma voz interna lhe dizer que o fato dele acreditar que conseguiria namorar com ela não significasse que ele quisesse isso, não podia deixar de se sentir feliz com a notícia. "Eu deveria era estar com raiva dele. Por ser prepotente..." Mas é prepotência quando é verdade?


- Foi um jantar revelador.

- Você acha? Achei cansativo.

Shikamaru franziu as sobrancelhas e olhou para a namorada.

- Você achou cansativo e eu achei interessante? O que está acontecendo com a gente?

Temari riu e puxou os cobertores para cima dos dois.

- Muito tempo juntos.

- Está reclamando?

- Não, esse é o seu papel.

O rapaz de cabelos negros sorriu e abraçou a garota a seu lado. Temari aconchegou-se de encontro ao seu corpo e passou seus braços por sua cintura.

- É por isso que prefiro as noites de Suna, podemos dormir abraçados.

Ele sorriu e a estreitou.

- Adoro esse seu lado carinhoso.

- Boa noite, Shika.

- Noite, Tem.

Alguns minutos se passaram antes que a voz da garota ecoasse pelo quarto novamente.

- O que você quis dizer com: foi revelador?

- Humn...

- É sério! – Ela o chacoalhou de leve. – Estou curiosa.

- Unhum...

- Shikamaru!

- Hunnf...

- Responda!

- Por que você não continuou no modo carinhoso?

Temari estreitou os olhos e bufou. Era melhor desistir, ele só explicaria se achasse menos trabalhoso do que ignorá-la, e hoje ela não estava com paciência para insistir. Mas, para sua surpresa, ele começou a falar sem mais delongas.

- Foi revelador por que descobrimos que agora eles sabem o que sentem.

- Ah, isso?

- Como assim, isso?

- Eu já sabia.

Shikamaru encarou-a incrédulo.

- Como assim você sabia?

- Ora, eu já tinha percebido.

- Como?

Temari sorriu e voltou a se aconchegar no peito do namorado.

- Percebendo.

A realidade é que ela percebera naquele dia mesmo. Depois de encontrar Mitsue no quarto de Gaara ficara curiosa com o que acontecera enquanto estivera fora. Durante o jantar percebera o modo como ela o estava olhando e, para sua grandessíssima surpresa, o modo como ele a estava olhando. Ela sentiu um sorriso em seu rosto. "Gaara, como você mudou."


O sol escaldava na manhã de Suna. Mitsue enxugou o suor que pingava de seu rosto. "Acho que entendo porque Temari gosta de Konoha." O dia era especialmente quente e ela já estava andando há horas, por isso entrou na primeira sorveteria que conseguiu encontrar na cidade. Mas o que encontrou lá dentro foi muito mais do que sorvetes. Sentada em uma das banquetas, com duas amigas, estava uma das garotas da lista que o Kazekage recebera de possíveis noivas, Ume. A ninja que era capaz de mover objetos em até dez quilômetros de distância com apenas um jutsu. Nível S. E linda. Absurdamente bonita. "Ela tem de ter algum defeito" Mitsue pensou consigo mesma. Se ela fosse perfeita, Gaara-sama poderia escolhê-la. Andou em direção ao balcão, mas uma conversa entreouvida a fez estacar no meio do caminho.

- Ume, o que você vai fazer hoje à noite?

- Putz, hoje eu não posso meninas, minha família vai receber o Kazekage-sama e seus irmãos para o jantar.

- Sério?! Que incrível! Mas qual é o motivo?

- Nenhum específico, é só que meu pai já foi instrutor dos irmãos da areia e eles são grandes amigos até hoje.

Ela sentiu seu estômago afundar. As intenções do pai da menina eram óbvias, ele queria que sua filha fosse a escolhida. E ela provavelmente seria. A garota retirou-se da sorveteria sem nem ao menos se refrescar. Deixou seus passos a guiarem na sua viagem de volta à vila, sentindo-se cansada demais para prestar atenção para onde ia.


- Entre.

Mitsue empurrou a porta e entrou na sala do Kazekage.

- Gaara-sama, aqui estão as informações enviadas pela fronteira leste.

- Obrigado, Mitsue.

- Não tem de quê. É um prazer ajudar.

A garota se dirigiu à saída do escritório.

- Mitsue, só mais uma coisa.

Ela virou-se com a mão na maçaneta da porta.

- Sim?

- Um sorriso cai-lhe muito melhor no rosto.

Pela primeira vez desde a conversa que escutara de manhã, perto da fronteira do país, ela sentiu-se leve. Deixando um sorriso crescer em seus lábios respondeu em seu tom brincalhão de sempre.

- No seu também.

A resposta que recebeu foi o suficiente para apagar de sua memória todos os outros acontecimentos do dia.


Era fim de tarde em Suna. O crepúsculo cegante espalhava-se pelas areias do deserto. Shikamaru bocejou de leve e estremeceu, a temperatura já começava a cair. A viagem de volta de Suna sempre era a mais complicada. Eles saíam no fim da tarde, e assim evitavam o calor, mas passavam um frio intenso na estrada. Shikamaru observou Temari conversando com seus irmãos. Provavelmente estava lhes dando algumas instruções sobre como não destruir sua casa durante sua estadia em Konoha. Ela os deu um abraço rápido e se virou para encontra-lo e seguirem seu caminho. Quando chegou ao seu lado tinha uma expressão pensativa. Ele suspirou. Demonstrações de afeto nunca foram o forte dos irmãos da areia. Alguma coisa relacionada a crescer em um lar em guerra. Mas ele percebia que cada vez mais as coisas tornavam-se mais íntimas, mais carinhosas entre eles. Mesmo que não se abraçassem e beijassem todos os dias. Mesmo que nunca dissessem o quanto se importavam. Gaara aprendia a se relacionar com os outros, Temari preenchia um papel que fizera muita falta a todos e Kankurou garantia que o riso fosse mais frequente que as declarações. Eles finalmente conseguiam ser uma família. Ainda estavam aprendendo a fazer isso, e às vezes se atrapalhavam, mas que família não tem seus altos e baixos? Os irmãos viveram emocionalmente isolados uns dos outros por muito tempo, e Shikamaru ficava feliz por ver que estavam deixando suas barreiras caírem. Eles mereciam essa felicidade.


Tinham andado não mais de cinco metros antes que Temari soltasse um gritinho e voltasse correndo para a vila. Ela precisava encontrar seus irmãos antes que eles saíssem de perto da porta. Avistou-os na primeira esquina e, sem parar de correr, agarrou o mais novo pelos ombros.

- Gaara, você vem comigo.

Gaara olhou assustado para a irmã. Teria ela perdido sua cabeça?

- Eu não posso ir até Konoha! Tenho obrigações!

Foi a vez de Temari soar assustada.

- Ir até Konoha? Por que você faria isso?

- Você que me disse para ir contigo!

- Aaahh, isso. Eu quis dizer que você viria comigo até a esquina para conversarmos.

- Por que não pode ser aqui?

- Porque não!

Gaara suspirou e seguiu sua irmã até onde ela queria. Mesmo o Kazekage não gosta de ir contra a vontade da Rainha do Vento.

Quando estavam longe o suficiente, ela o puxou para perto e sussurrou em seu ouvido.

- Uma vez você me disse que eu deveria agir. Não seja hipócrita e siga seu conselho.

Ela virou-se para ir embora deixando um Gaara extremamente confuso atrás. Mas após poucos passos voltou-se, abraçou-o forte e lhe deu um beijo no rosto.

- E Gaara, eu estou feliz por você.

E foi sorrindo e saltitante encontrar seu namorado.


Gaara sorriu de leve. Alguns passos à sua frente Mitsue ofegava e se apoiava em seus joelhos.

- Se estivéssemos de fato em uma batalha eu teria acabado de te matar.

Ela engoliu mais algumas golfadas de ar antes de responder:

- Se isso fosse uma batalha você teria me matado no primeiro movimento.

- É verdade.

A garota fez uma careta e ele sorriu novamente.

- Mas o ninja que estou fingindo ser não teria.

- Por que você não para de sorrir?

- Eu não estou sorrindo. – Ele fechou a cara.

- Estava sim!

- Acho que eu só estava orgulhoso.

- Orgulhoso do que?

- Do seu progresso.

- Mas eu acabei de morrer!

- Mas demorou muito mais do que de costume.

Mitsue ficou pensativa por alguns minutos, depois, fora de hábito, deu um aceno curto de cabeça.

- Espere para ver o dia em que te colocarei no chão.

Gaara sentiu seu sorriso se alargar novamente e, vendo-o refletido no rosto da garota, pensou consigo mesmo: "Eu adoraria vê-la de baixo para cima".


O Kazekage estava irritado. Andando de um lado para o outro em seu escritório ele procurava um modo de extravasar a raiva. O sentimento era tão forte que sentia que ia sufocar. Ele não deveria ter deixado isso acontecer. Era sua responsabilidade perceber essas coisas, ele era a droga do líder da vila! Deveria ser capaz de proteger seus cidadãos. Mas ele falhara. E que falha mais indigna. Ainda não entendia muito bem como isso era possível, como pudera ser tão cego. Avistou um vaso com flores em cima de sua mesa. Temari o colocara ali algum tempo atrás, dizendo que faltava vida àquele lugar. Sem pensar duas vezes estilhaçou o vaso em suas mãos nuas, mas não foi o suficiente. Fazia anos que não sentia tanta raiva, e a única coisa que antes o acalmava agora o repugnava. Ele não mataria pessoas desnecessariamente. Não voltaria àquilo. Mas isso o trazia de volta a seu problema. Não sabia o que fazer com tanta raiva. Se ele ao menos pudesse colocar suas mãos no desgraçado. Mas ele sabia que isso não era uma boa ideia. Não conseguiria se controlar e era necessário arrancar todas as informações possíveis do espião. Um espião. Embaixo de seu nariz. Quando Mitsue viera lhe falar que tinha um espião entre eles quase não acreditou. Mas ela tinha motivos muito fortes para acreditar nisso, então uma investigação fora realizada. E descobriram que sim, que era verdade. E ele não conseguira ver isso antes. Andou em direção à estante e em segundos reduziu ela e todo seu conteúdo em pedaços, como ainda não estava satisfeito foi em direção à outra estante. "Você deveria se acalmar. Controle-se!" Mas ele não conseguia. Já estava terminando de quebrar a terceira estante quando ouviu uma batida na porta.

- Estou ocupado. – Foi a resposta entredentes que ele deu. Não tinha condições de ouvir nenhum tipo de informação no momento.

Por ser o Kazekage não tinha de explicar a ninguém porque não podiam entrar em seu escritório. Foi por isso que se surpreendeu imensamente quando ouviu a porta abrir. Como assim alguém ousava entrar quando ele não permitira? Olhando irritado para a porta viu Mitsue congelada no lugar. Mas apesar de sua ação temerária, ela não demonstrava medo. Em seus olhos verdes escuros havia apenas determinação. Como da primeira vez que se viram. Aquele brilho que nunca se apagava.

- Eu disse que estava ocupado. – Gaara disse tentando controlar a raiva em sua voz.

- Estou vendo.

Ele fuzilou-a com o olhar. Sabia que não estava irritado com ela e, portanto, ela não merecia que fosse grosso. Mas precisava de um tempo para se acalmar.

- Mitsue, por favor, eu quero ficar sozinho.

- Você tem de aprender a confiar nos outros sabia? Não está mais sozinho, tem pessoas à sua volta que querem ajudar a lidar com seus problemas.

- Eu não preciso de ajuda.

- Bobagem, todos precisam.

- Mitsue, saia, por favor.

- Não vou sair. Vamos conversar sobre isso. – A voz dela era calma e clara. Não soava petulante nem como se estivesse tentando conversar com uma criança mimada. Era apenas uma amiga dizendo a seu amigo que podiam conversar sobre o assunto.

- Eu não quero conversar.

- Gaara-sama, por favor! Você pode ao menos tentar? Por que obviamente destruir sua mobília não está te acalmando.

Gaara respirou fundo. A garota tinha razão. Ele precisava se acalmar, por que não tentar dessa forma. Ele fechou os olhos e segurou a ponte do nariz. Permaneceu assim por alguns instantes até ter certeza de que não seria rude com ela. Então se dirigiu ao sofá e indicou a outra ponta para que Mitsue se sentasse. Ela não demorou a começar a falar.

- O que aconteceu não é sua culpa.

- É claro que é.

- Não, não é. Nenhum outro ninja foi capaz de detectar o espião antes.

- Eu sou mais forte que todos os outros, eu deveria ter sido capaz.

- Você pode ser mais forte, mas não é perfeito.

- Eu sei. Acabei de falhar.

- Não foi isso que eu quis dizer. A questão é que, por mais forte que seja o ninja, tem coisas que ele também não pode perceber. Não havia nenhum indício visível. A história, o chakra, tudo era perfeitamente compatível. O espião era muito bom, não é nenhuma vergonha não ter sido capaz de detectá-lo. Ninguém foi.

- Você o detectou.

- Mas não foi usando nenhuma habilidade ninja. Mencionei um amigo em comum de infância que morreu durante combate na frente dele e ele me disse para mandar beijos para essa pessoa! Então mantive um olhar extremamente atento e fui capaz de perceber. Mas só por que eu já sabia que algo estava errado. Por que senão, nunca desconfiaria!

Gaara pareceu refletir nas palavras da garota. Quando ele falou, sua voz estava mais calma, permitindo que um tom de desapontamento se mostrasse.

- Não muda o fato de que eu não fui capaz de proteger minha vila de um espião.

- Mas isso não foi por culpa sua. Não significa que não é um bom líder.

- Claro que significa! Se eu fosse mais velho, mais experiente, poderia ter descoberto mais cedo.

- Uma coisa não tem a menor relação com a outra. Você é o único que acha que está em dívida com a Vila. Nenhum dos oficiais, dos conselheiros, do departamento de interrogação acha que você ficou aquém do necessário a um líder.

- Como se eu fosse acreditar nisso. Eu sei, Mitsue. Não preciso nem ouvir, eu sinto a desaprovação dos outros. Quando assumi meu posto eu já sabia que seria assim, que teria a desconfiança em cima de mim o tempo inteiro. Por isso eu não podia ser nada abaixo de perfeito. Agora foi provado que todos eles tinham razão. Os outros Kages, a maior parte dos cidadãos. Eu não sou qualificado para esse cargo.

- Bobagem! Isso foi no começo! Você provou a todos que é capaz!

- Não provei. Eu vivo para proteger essa Vila. Essa é toda a minha função nesse mundo. Organizar e zelar por Suna.

- E você faz isso exemplarmente. Gaara-sama, meu objetivo como ninja é lutar e eu faço o melhor que eu posso, mas às vezes simplesmente não dá... – Ela suspendeu o que ia dizer e pensou um pouco antes de completar. – Bem, não é uma boa comparação por que eu deixo muito mais a desejar do que você deixa, mas o sentido é o mesmo. Por mais que a gente tente, não dá para ser perfeito. Todos nessa Vila o admiram imensamente. Na Grande Guerra você era o comandante geral! Eles não te dariam tal posto se não confiassem em sua liderança. – Mitsue agora estava um pouco exaltada. Falava rapidamente, sem nem ao menos parar para respirar.

- Foi só por que eu era o único Kage em batalha. Foi em respeito à minha posição.

- Então por que Onoki permaneceu sem ser líder? E respeito não é uma coisa tão presente durante uma guerra! Eles não colocariam um babaca comandando tudo só por que devem respeito. Se você diz que seu nome foi um dos motivos, foi sim. Mas só por que é sabido que o Kazekage, ou qualquer outro Kage não seria o líder de sua vila se não conseguisse liderar! Nenhum ninja pode ser o mais forte se não souber como guiar sua equipe, no caso Vila, para o sucesso!

- Você realmente acha que sou um bom líder?

- Você é excelente!

Gaara suspirou e fechou os olhos novamente. Quando os abriu percebeu que a garota ainda o olhava intensamente. Como se esperasse que ele fosse explodir a qualquer momento.

- Obrigada, Mitsue. – Ele deu um aceno de cabeça tranquilizador. – Estou mais calmo.

Ela sorriu em resposta.

- Agora... Diga-me, o que conseguiram descobrir sobre o cara.

- Até agora nada, ele é bem resistente.

- Vamos assistir ao interrogatório.


Mitsue suspirou quando finalmente conseguiu sair do escritório. O dia fora extremamente cansativo. Ela trabalhara até tarde acompanhando o Kazekage e alguns oficiais na interrogação e discussão sobre o espião. Nada muito conclusivo fora tirado, sua mente possuía um bloqueio que impedia que informações fossem extraídas, e ele se provou muito resistente a todas as técnicas de interrogação. Fora uma manhã bem decepcionante. Depois ela ficara ajudando Gaara a organizar os arquivos de todos que trabalhavam no escritório ou aparecessem constantemente. Mais tarde fora submetida a uma averiguação de quem era pelo Kazekage e pela equipe de inteligência, todos foram. Apenas alguns ninjas ficaram para outro dia, pois estavam em missões. Até eles terem certeza de que não havia nenhum outro espião todos os dias haveria uma averiguação de quem eram os conselheiros e qualquer pessoa que entrassem em contato com eles ou com o Kazekage. Kankurou ficara extremamente indignado quando fora barrado de falar com seu irmão por ainda não ter passado pela verificação. Mitsue sorriu de leve lembrando-se das palavras de Kankurou em relação ao quão era improvável que ele fosse perder seu tempo em uma fila quando seu irmão mais novo provavelmente precisava de alguém para conversar. Ela fizera questão de assegurá-lo que Gaara já estava bem, e que o saldo era de alguns móveis quebrados, mas ninguém ferido. Ela se surpreendera muito essa manhã. Não imaginava que ele se sentisse tão pressionado. Ele fazia o trabalho parecer extremamente fácil. Nunca demonstrava cansaço, dúvidas ou estresse. Tão logo os documentos chegavam, iam embora, nunca parando em sua mesa por mais de um dia. Mas ela deveria ter percebido. Deveria ter imaginado. É que era tão fácil de esquecer que ele não era, afinal das contas, perfeito. Era óbvio que o trabalho o cansava. Diplomacia é uma das coisas mais difíceis a serem feitas, governar uma Vila era outra. E ainda por cima sendo tão jovem. O medo de falhar havia de ser gigantesco. "Ele bem que merecia um descanso."


- Boa noite mãe, pai.

- Boa noite querida.

- 'Noite.

Mitsue subiu as escadas para seu quarto se arrastando. Estava muito cansada. Tudo o que queria era se jogar na cama e nunca mais levantar. Passou pelo banheiro e tomou um banho para relaxar. Agasalhando-se bem para não se resfriar enfiou-se embaixo das cobertas. Já estava quase adormecendo quando ouviu uma batida de leve. Bufou baixinho e esperou para ver se não era um sonho. Quando a batida se repetiu suspirou.

- Entre.

Mas não foi a porta que se abriu. Uma corrente muito fria de ar formou-se no quarto enquanto ela ouvia a janela deslizar. Sentando-se de imediato Mitsue encarou a janela de seu quarto, e ali, terminando de entrar, estava o Kazekage. Ela ficou tão surpresa que demorou alguns instantes para de fato entender o que estava vendo.

- Gaara-sama? – Ela perguntou incrédula.

Ele não respondeu nada, apenas fechou a janela atrás de si e olhou-a nos olhos. Ele ficou assim, encarando-a por alguns segundos. Em seu olhar havia indecisão e... Medo? Não podia ser. Mas ele certamente estava reunindo coragem para falar algo. Ela observou seus lábios se descolarem de leve e ele passar a língua por eles. Então, em um piscar de olhos, os ditos lábios estavam sobre os seus. Ela demorou pouco mais de um segundo para entender dessa vez, e tão logo conseguiu recuperar-se do susto viu-se retribuindo o beijo ardentemente. Os lábios de Gaara estavam frios e ela logo descobriu que sua face e cabelos também estavam. Em algum canto de sua mente ela registrou que ele estivera na rua. O beijo no começo foi indeciso e um tanto desajeitado, por afobação e talvez inexperiência. Ela tentava acalmar Gaara, impor-lhe outro ritmo, no qual pudessem respirar, mas logo se viu sem desejo nenhum de desacelerar as coisas. Suas mãos embaraçavam-se nos cabelos vermelhos e ele a segurava forte junto a seu corpo.

- Gaara-sama. – Ela suspirou.

Então ele parou e se afastou de leve. A súbita distância entre seus corpos a fez estremecer, suas mãos procuraram trazê-lo para perto novamente. Ela não estava satisfeita. Mas ele colocou suas mãos sobre as dela e apertou de leve. Mitsue ergue seu olhar dos lábios de Gaara para encontrar seus olhos. Na penumbra do quarto ela mal podia distinguir sua feição, mas ele parecia sério. E sua voz certamente soou séria.

- Tire esse sama de meu nome.

Mitsue sorriu largo e o puxou novamente para si. Dessa vez ele não ofereceu resistência. Entre um beijo e outro ela disse:

- Gaara.

E pode sentir quando ele sorriu de encontro a seus lábios. Ela sentiu a temperatura de seu corpo se elevar e o puxou mais de encontro a si, aprofundando o beijo. Ele respondeu apertando-a de volta, suas mãos passeando por seu corpo, suas costas, sua cintura. Ela tinha uma mão em seu peito e a outra base de seu pescoço. Quando ele moveu uma das mãos para enterrá-la em seus cabelos ela aproveitou a brecha para começar a puxar seu casaco para cima. Gaara atendeu voluntariamente ao pedido silencioso para que levantasse seus braços e o manto caiu pesado no chão ao lado da cama. Mitsue passeou as mãos por seu peito e começou a desafivelar seu colete. Impaciente Gaara a ajudou e logo ele também se encontrava no chão. Mas antes que ela pudesse trabalhar em sua jaqueta Gaara reclamou seus lábios novamente e toda a consciência foi expulsa de seu cérebro quando ela derreteu em seus braços. Agora ele estava lhe dando leves chupões na base do pescoço e ela sentia seu corpo tencionar de antecipação. Ele passou as mãos pelas laterais de seu tronco e trouxe sua blusa junto no caminho para cima. Aproveitando o momento em que seus lábios se separaram ela teve sua vingança. Empurrando a cabeça do rapaz gentilmente para um lado começou a morder e sugar levemente seu lóbulo da orelha. Ela sentiu o aperto em seu braço tornar-se mais forte e ouviu um leve gemido escapar dos lábios dele. Passeando as mãos por seu peito ela começou a desabotoar sua camisa. Sentiu Gaara tencionar quando suas mãos tocaram a pele nua, mas foi só por um instante. Ele logo relaxou e, quando essa peça de roupa também foi dispensada, clamou-a com uma enorme intensidade.

As mãos de Gaara agora exploravam seu corpo nu da cintura para cima, e Mitsue sentiu-se fraca embaixo de seus beijos. Lentamente começou a deitar-se em sua cama, nunca o soltando, trazendo-o colado a si. Quando sua cabeça atingiu o travesseiro ela sentiu a pressão do peso de Gaara sobre seu corpo. Era uma sensação maravilhosa. Entre suspiros e gemidos ela entrelaçou suas pernas ao redor da cintura dele e pela resposta eufórica que recebeu de seus lábios percebeu que o movimento fora muito aprovado. Agora ela quase não conseguia mais respirar e sua mente era uma confusão de felicidade e desejo. Seu corpo começava a latejar clamando por ele. Gaara tocava pele sensível e ela o apertava cada vez mais forte contra si. O efeito que causava nele lhe dava ainda mais prazer. Ele tencionava e respondia aumentando a pressão, sugando e mordendo seus lábios com cada vez mais vontade.

Então ela começou a sentir-se sufocar. Tentou afastar-se ligeiramente em busca de ar, mas a pressão mantendo seus corpos unidos era muito grande e parecia aumentar. Ela se deu conta de que seu corpo estava envolto em areia, que a apertava cada vez mais forte contra Gaara. Estava machucando. Desesperada ela tentou chamar a atenção dele, mas ele estava completamente fora de si. Ela podia sentir sua carne gritar nos pontos em que a areia a estrangulava. Não conseguia reunir ar o suficiente para falar, e foi só quando manejou socar o ombro de Gaara que pode lhe lançar um olhar de desespero e pedir para ele parar. Ele imediatamente soltou seu corpo e a olhou confuso. Então, percebendo a situação aliviou de todo a pressão que os mantinha unidos, comandando a areia para que essa voltasse a seu lugar.

Mitsue respirou fundo algumas vezes, recuperando todo o ar que lhe faltara. Gaara a olhava preocupado, uma expressão de culpa evidente em sua face. Ele também estava ofegante, mas procurou se controlar e afastar-se dela. Ela o segurou pelo braço e lhe deu um olhar tranquilizador.

- Não vá. – Disse com a voz fraca.

- Sinto muito. – Ele respondeu rouco.

O tom de sua voz fez com que ela sentisse uma grande onda de excitação percorrer seu corpo novamente. Olhando-o com luxúria murmurou:

- Não tem problema. – E o puxou para um novo beijo.

Dessa vez o beijo foi mais carinhoso e calmo. Dando tempo para que ambos recuperassem suas respirações. Ele foi o primeiro a interromper o contato. Movendo-se de leve para baixo ele deixava beijos pelo caminho, por seu pescoço, clavícula, colo, esterno. Quando chegou à barriga Gaara sentiu um desnível na pele. Levantando-se ligeiramente ele observou o corpo de Mitsue e viu uma marca na pele. Uma cicatriz. Ele sentiu, menos do que soube, que era uma cicatriz deixada pela guerra. Abaixando-se novamente ele depositou um beijo carinhoso bem no meio da marca. Mitsue inspirou fundo e estremeceu, o toque na pele sensível atingindo seus sentidos.

- Gaara, eu te amo. – Ela disse baixinho, meio suspirando.

Ele estacou. Seu corpo inteiro congelou, nem um músculo se movia. Então, abruptamente, ele se levantou, recolheu suas coisas e andou até a janela. Mitsue, paralisada pela súbita ausência de seu corpo só conseguiu encontrar sua voz quando ele já estava começando a sair do quarto.

- Gaara?! – Sua voz soou pequena, tímida e assustada.

Ele parou e, voltando a cabeça para ela, disse friamente:

- É sama.

E saiu do quarto.


N/A: E aí? O que acharam? Me deem um feedback! A história está finalmente chegando ao ponto que eu quis desenvolver (tudo isso até agora meio que foi uma introdução para a história ter sentido) A cena acima foi a primeira que imaginei, espero que ela seja tão interessante para vcs quanto foi para mim ((: