Aflição
Não sei exatamente o que deu na minha cabeça para aceitar a loucura que Harry propôs. Quando dei por mim, estava sentada na mesa dele sem blusa e com a saia levantada. Dessa vez foi algo rápido, mas ainda assim muito bom. Quando estava me recompondo a porta bateu. Olhei para Harry nervosa, e ele me olhou de volta apreensivo.
- Aguarde um pouco. – foi o que ele falou para quem estava batendo. O cabelo dele estava mais bagunçado que o normal e eu estava muito vermelha.
- Seja rápida! – ele ordenou – E tem mais, acho que é o Rony.
Desatei a rir, com a idéia de Rony entrar na sala de surpresa e nos pegar no flagra. Dessa vez Harry morreria... Bem, nem sete anos de casamento e dois filhos conseguem tirar dele o espírito protetor da pureza da pobre irmãzinha inocente e indefesa.
- Gina, riremos depois... Por favor, assuntos importantes... –Harry suplicou atordoado. Ele já estava bem. Quer dizer, eu reconheceria os olhos dele diferentes e a expressão de aventura perigosa. Mas Rony com certeza só é capaz de ver algo que está batendo bem n meio da cara dele. Finalmente ele entrou.
- O que você 'tá fazendo aqui? – ele quis saber.
- Olá, meu querido irmão, como você está? Sua mãe não te deu educação ou você não foi capaz de aprender? – perguntei ao mesmo em tempo que me dirigia a ele e lhe beijava o rosto. Isso o deixava extremamente irritado.
- Oi. O que você está fazendo aqui e por que tem uma mancha vermelha no seu pescoço? – ele questionou com os olhos perspicazes.
- Eu SOU vermelha. SEMPRE. – dessa vez eu não olhei para Harry, ou iria denunciá-lo. Como eu falei Rony é capaz de enxergar o que está na cara dele.
- Mas... – ele ia dizer que eu não respondi a pergunta dele.
- Vim falar com Hermione, a propósito,você sabe onde ela foi?
- Não. Não trabalho com ela.
- Grosso!
- Vocês vão parar de agir como se tivessem 12 anos? – Harry quis saber com o tom divertido. – Há algo para fazermos hoje, Rony, e talvez seja preciso a noite toda de buscas.
- Quem?
- O irmão de Cho Chang, Liu ou Ling, terei que ver o nome dele.
- Ah, saquei. Você veio para cá quando soube que Cho Chang estaria aqui, Gi?
Se eu pudesse teria azarado Rony naquela hora.
- Não, Ronald. Eu REALMENTE vim falar com Hermione e aproveitei para vir falar com Harry. É proibido visitar o meu próprio marido no local de trabalho? Bem, eu estou de saída. Boa sorte para vocês. – e fique bem longe daquela filhote de murta-que-geme, acrescentei mentalmente.
- Obrigada. – Harry e Rony responderam em uníssono.
Quando saí do ministério me dei conta de uma coisa. Fazia quatro dias que havíamos começado a nossa 'semana' e três vezes que nós transamos. Em nenhuma dessas vezes lembro-me de ter beijado Harry na boca, ou vice-versa. Estava com medo do que isso pudesse significar
* H*&*G*
Não encontrei Hermione. Deus sabe onde ela se meteu. Peguei os garotos na escola e fui para casa. Depois de preparar algo para comermos, arrumei os garotos e jantamos. James falou muito durante o jantar, mas minha atenção captou pouco. Depois começamos uma partida longa de Snap explosivo. Quando finalmente vi que passava da hora deles estarem na cama eu encerrei a partida e os coloquei para dormir.
Mas nada, absolutamente nada, completamente nada conseguia desviar os meus pensamentos de onde Harry poderia estar agora, de como ele estaria e com quem. Na verdade, a última questão era a que mais me preocupava. Talvez se não estivéssemos em crise eu não me preocuparia tanto. Deitei imaginando que toda aquela lamuria não passava de fingimento para atraí-lo e depois seduzi-lo e fazer coisas que ela não teve coragem de fazer no passado. E se agora ela realmente conseguisse tira-lo de mim? Acho que seria mesmo capaz de matar o dois. Revirei na cama por horas com todos os pensamentos possíveis sobre coisas que Harry estaria fazendo. Bem, meu lado consciente falava às vezes. Se Rony estava com ele com certeza ele não faria gracinhas. É, mas é muito fácil encanar Rony, sempre foi. E depois qualquer auror bobão sabe usar feitiço de memória. Aos poucos fui adormecendo, mas nem nos sonhos os pensamentos me deixaram em paz.
* H*&*G*
Não sei que espécie de local era aquele, mas não me era estranho. De alguma forma me trazia sensações que eu preferia esquecer. Entrei pela porta enorme que dava par um local escuro. Algo me dizia que Harry estaria ali. Harry e talvez alguém mais. De qualquer forma isso não era uma boa coisa se pensar, não quando se está entrando num local completamente escuro. 'Lumus'. Era um local espaçoso, lembrava o Salão Principal de Hogwarts em dias de treinamento para aparatar. Mas estava coberto por uma gosma verde, lodo talvez. O cheiro era esquisito, como veneno e sangue velho em um local fechado. Como a câmara secreta. Talvez fosse. Talvez não. Eu tinha que andar para descobrir o que levaria Harry a procurar o irmão da Cho(rona) lá. Havia alguns buracos enormes na parede e o barulho dos animais habitantes daqueles buracos estava me deixando um pouco assustada. Olhando para o fim do corredor vi que tinha uma porta. Decidi encarar o que estava atrás dela. Fui até lá, bem devagar para que a pessoa ou a coisa não se assustasse com os meus passos. Abri lentamente. A cena que visualizei me deu um misto de sentimentos: raiva, dor, surpresa, desejo assassino...
Era Harry, transando avidamente em cima de uma cadeira, como nunca havia visto antes, com Cho.
Eu gritei, com todas as forças dos meus pulmões. Minha mente não pensava em outra coisa para fazer, a não ser... AVADA KEDAVRA.
* H*&*G*
- Gina. Você está bem? – senti primeiro o cheiro de sangue e terra.
- Sim... – falei com a voz trêmula.
- Você estava gritando... – era Harry. Abri os olhos e percebi o porquê do cheiro de sangue. Ele estava muito sujo e com o braço machucado.
- Que horas são? Sangue. – falei apontando para o braço dele.
- Quatro e meia da manhã. Isso foi um descuido. Vou tomar banho. – ele beijou minha cabeça suavemente e saiu.
Estou ficando maluca. Daqui a pouco teriam que me internar na seção psiquiátrica do St. Mungus. Que raio de sonho, ou pesadelo, foi esse? O sentimento de culpa estava tomando conta de mim agora. Ele chegou machucado e sujo, com toda a certeza do mundo, aquela cena ou qualquer coisa próximo aquele sonho não aconteceria. Tentei voltar a dormir para evitar perguntas sobre o porquê eu estava gritando. Fato, não consegui. Ouvi os passos de Harry em minha direção e logo depois senti que ele deitou na cama. Tentei me conter para não perguntar nada e parecer que estava com ciúmes. Outra vez, não consegui.
- O que houve?
- O encontramos perto do Tamisa. Ele estava quase morto. Não foi um ataque bruxo.
- Então o ministério não pode fazer muita coisa...
- Ele está no St. Mungus, estão tentando reanimá-lo. Talvez os trouxas não conseguiriam. Eles não vivem como bruxos, Cho está casada agora com um médico trouxa e tem um filho. Esse irmão dela, ao que parece, estava metido com jogos e talvez estivesse utilizando magia para levar vantagem.
- Parece que ele não era tão santo...
- É. Essa será a nossa parte na investigação. O resto fica com a Yard. Kingsley já falou com o primeiro ministro.
- O marido dela sabe?
- De que?
- Que ela é bruxa... Bem, da tragédia toda. – isso era um fato curioso. Ela casou com um trouxa... Será que ela ficou chorando as tragédias da vida dela para seduzi-lo?
- Que ela é bruxa, sim... Não sei do resto. – senti um tom de voz 'chega de perguntas' na voz dele. Decidi parar.
- Hum... Vou deixar você dormir. Boa noite.
- Boa noite.
- Harry... Rony está bem? – fiquei imaginando se aquele idiota tinha se cortado também.
- Sim, mais inteiro que eu.
- Certo.
Apesar de tudo, eu estava feliz. Fazia algum tempo que ele chegava do trabalho e não me contava o que tinha acontecido, assim detalhadamente. Eram monossílabos. Estamos caminhando para um bom final... Talvez.
* H*&*G*
Saí cedo e deixei Harry profundamente adormecido. Talvez ele precisasse de 24h de sono, pois o trabalho dele costuma exigir demais física e mentalmente. Hoje eu acordei bem, com pontadas inexplicáveis de felicidade, apesar do pesadelo ridículo. Torci para que o dia no trabalho fosse bastante tranqüilo por que eu pretendia achar Hermione, onde quer que ela esteja.
- Bom dia, Gina. Tem um pacote em cima da sua mesa. – a garota que estagiava na recepção falou.
- Bom dia, Eloise. Você sabe quem deixou o tal pacote?
- Alguém com a farda do 'Semanário'. Mas não sei do que se trata.
- Ok... Vou verificar.
Talvez fosse a porcaria da entrevista publicada. Esse pensamento me deu calafrio. E se ela realmente fez alguma bobagem, a nível Rita Skeeter...? Entrei na sala. Um pacote bonito com o emblema rosado do Semanário das Bruxas estava bem no meio da minha mesa. Rasguei o belo pacote rapidamente, respirei fundo e olhei a capa.
"Uma entrevista exclusiva e reveladora com Gina Potter"
Droga! O que aquela galinha oxigenada fez?
Abri a revista no índice e procurei a página. Rapidamente pulei até ela. Lá estava, uma foto minha, que ela talvez tenha pego de alguma entrevista que eu tenha feito, pois na blusa estava o emblema d'O Profeta.
"Continuamos brigando muito por ciúmes" diz Gina Potter numa entrevista reveladora.
Por Dana Vance.
"Entrevistar Gina Potter foi a coisa mais importante que me aconteceu desde que cheguei ao Semanário. Ela é uma pessoa extremamente doce e paciente, apesar dos problemas que passa, por causa do marido ciumento. Fui entrevista-la num dia que ocorreu uma das inúmeras brigas entre ela e Harry Potter. A entrevista serviu de desabafo e posso afirmar categoricamente, que ficamos amigas."
- Vadia desgraçada! – como, pelas calças de merlim, eu ia explicar isso a Harry? Já aconteceram coisas assim antes, já distorceram muitas palavras nossas, mas não em tempos tão sombrios do nosso relacionamento. Até por que nunca havíamos chegado ao ponto que estamos hoje. Continuei a ler a entrevista. Era algo que eu precisava conhecer em cada vírgula, para denunciar aquela vaca.
" Dana Vance: Como tem sido lidar com o trabalho e a casa?
Gina Potter: Bastante difícil, quando se tem um marido ciumento como o meu. Vocês não fazem idéia do quanto Harry pode ser ciumento e brigar por isso. Hoje mesmo tivemos uma briga horrível na frente das crianças.
DV: Nossa! Vida difícil... Mas ele sempre foi assim?
GP: Não. Só após o nascimento de James ele passou a discordar que eu tralhasse. Ele gostaria que eu estivesse em casa cozinhando e lavando roupas de baixo e fraldas sujas. Bem, eu jamais farei isso.
DV: A fama atrapalha vocês?
GP: As vezes sim. Não podemos andar sem que as pessoas fiquem nos encarando direto. Outras horas ajuda. Faz com que ele se controle mais..."
Não consegui terminar. Ia pedir a Hermione para me dizer o que tem no resto. Se aquela desgraçada causasse mais uma briga séria entre mim e Harry eu ia matá-la...Mas primeiro tinha que mostrar a Angelina. Saí apressada em direção a sala dela e entrei sem ser anunciada.
- Você viu?
- Vi o que? – ela teve um sobressalto ao me ver entrar bruscamente.
- O que aconteceu com a porcaria de entrevista que aquele desgraçado me obrigou a fazer. Angelina, eu TENHO que falar com ele. – senti meu rosto esquentar, com certeza ele estava vermelho. Meu coração estava apressado.
- Não. Me deixe ver... – ela pediu a revista e eu logo entreguei. Depois de uma olhada rápida ela me olhou com aflição.
- Gina, eu sinto muito. Mas isso já aconteceu antes. Harry não vai acreditar em uma linha sequer. Não se preocupe.
- Eu estou tentando ficar calma, mas não dá. Ele está aí? – me referia a Cavendish.
- Não. Ele não virá hoje.
- Amanhã teremos uma conversa.
- Não vá fazer bobagens... – ela suplicou, mas eu não daria ouvido.
- Não farei. – saí da sala e fui tentar trabalhar direto, até que meu expediente acabasse. Quando isso estava à dez minutos de acontecer, Harry entrou na minha sala.
