Shine a Light

Capítulo 6

POV Sunny

Descíamos os jardins, acompanhando a multidão que seguia para o campo de Quadribol. Mais um jogo, Grifinória contra Sonserina. Claro que Quadribol não me interessava, mas Fred estava lá e tinha pedido para que eu comparecesse.

Bella e eu estávamos juntas, já que Lys não estava num clima de esporte e decidiu ficar – o que fez com que Nick ficasse também. Lola quis ficar com ela, mas Riley conseguiu fazer com que ela fosse para o jogo.

Ao longe, pude ouvir o rugido de leão vindo do chapéu de Luna e eu ri. Luna era a garota mais estranha que eu já conheci, mas ela é tão adorável que é impossível não se simpatizar com ela. Mesmo sendo louca.

- Vão perder, grifinórios! – um grupo de sonserinos passou por nós, rindo rudemente e fazendo gestos obscenos. Revirei os olhos, e um brilho estranho capturou a minha atenção.

Eles usavam broches. Broches escritos "Weasley é o nosso rei".Franzi o cenho, aquilo não podia ser coisa boa.

Arrumamos um lugar nas arquibancadas, junto da torcida da Grifinória. Eu havia arranjado um cachecol da Grifinória, por acaso – de dentro do malão de Fred, que eu peguei enquanto fazíamos nossos deveres.

Não avistei Lola e Riley na multidão, mas logo esqueci deles ao ver o time entrar no campo. A grama estava coberta de gelo, devido à chegada do inverno – mais um motivo para a minha ânsia quanto a vir ao jogo, já que tardes geladas combinam bastante com a sala quente e aquecida da Corvinal.

- VAI, JORGE! – Bella gritou, de repente, fazendo com que eu me sobressaltasse e risse.

- Uma tarde com você e meus tímpanos estão acabados – falei e ela sorriu docemente para mim.

Sorri também e virei-me para os jogadores. Angelina apertou a mão do novo capitão da Sonserina cujo nome eu não sabia. Ele apertou os dedos dela como se quisesse moê-los até que virassem pó... Bem, nada contra.

Eles montaram nas vassouras e Madame Hooch apitou. Os jogadores subiram no ar, junto das bolas. Cada jogador foi para sua posição e deu-se início ao jogo.

Lino Jordan começou a narrar e eu abracei os braços, sentindo um frio repentino. O jogo se desenrolou lentamente. A torcida da Sonserina fez uma música ofensiva para Rony, e eu descobri o significado dos broches.

Weasley não pega nada

Não bloqueia aro algum

Ei, Ei, Ei, Ei

Weasley é nosso rei.

Franzi o cenho, mas que bando de idiotas. Porém, eles estavam conseguindo o que queriam. A música desconcentrava os jogadores, e principalmente Ron, que estava tendo dificuldades em defender os aros.

Weasley nasceu no lixo

Sempre deixa a bola entrar

A vitória já é nossa,

Weasley é nosso rei.

A torcida da Grifinória começou a ficar temerosa, sem saber o que fazer. Não havia nada que pudéssemos fazer, e Rony tinha uma expressão assustada no rosto.

- Bando de imbecis! – Bella crocitou, irritada.

- Rony não parece muito confiante, parece?

- Não – concordou Bella. – Ele parece meio verde...

- Ponto para a Sonserina! – a voz de Lino sobressaltou no meio das vaias e aplausos. – Que falta de sorte, Rony!

WEASLEY NASCEU NO LIXO

EI, EI, EI, EI...

A Sonserina fez dois gols e nós tivemos que ouvir aquela música estúpida, só que desta vez mais alto. Mas então, para a nossa salvação, Harry pareceu avistar o pomo. A vassoura dele estava inclinada para o chão e ele descia a toda velocidade.

Malfoy logo o seguiu. Eles estavam lado a lado, corpo a corpo, e um pequeno borrão dourado logo à frente. Harry estendeu o braço e Draco copiou seu exemplo.

Ansiosa, puxei os binóculos de um aluno primeiranista e coloquei-o sobre os olhos. Os dedos de Harry estavam quase... quase... E, finalmente, eles se fecharam em volta da bolinha.

Harry empinou a vassoura e ergueu a mão, com o pomo. A torcida da Grifinória gritou, aplaudiu, comemorou, e o leão de Luna rugiu mais uma vez.

- ISSO! MOSTRA PARA AQUELES SONSERINOS FILHOS DA...

- Bella! – a repreendi, rindo.

E então... TAPUM.

Um balaço atingira Harry bem na barriga e ele caiu de sua vassoura. Como estava perto do chão, sua queda não foi feia, mas ele ficou estatelado, parecendo estar com falta de ar.

A Grifinória prendeu a respiração enquanto Madame Hooch apitava. Os gritos de aprovação viraram vaias, xingamentos e berros furiosos.

- FALTA! ISSO FOI UMA FALTA! – gritei, enfurecida, surpreendendo-me em seguida. Eu não ligava para esportes.

Os jogadores do nosso time desceram para ver como Harry estava enquanto Hooch repreendia Chris... Carl... Crabbe, seja lá o nome do garoto que atingira Harry com o balaço.

Harry conseguiu se levantar, com ajuda de Angelina. Todo o time estava ali, menos Rony, que parecia estar indo sozinho para o vestiário. Fred e Jorge pararam no meio do caminho para apertar a mão de Harry.

- O que está acontecendo? – perguntou Bella e eu puxei o binóculo do garotinho novamente.

Malfoy estava atiçando o time da Grifinória, era visível na sua expressão. Angelina segurou o braço de Fred e meus olhos se estreitaram.

Harry segurou Jorge e Bella prendeu a respiração. Eles iriam mesmo brigar ali, no meio dos professores?

- Ah, não. – eu falei, com os olhos arregalados.

- O quê?

- Malfoy está xingando os Weasley.

- Como você sabe?

Dei de ombros.

- Sou boa em ler expressões.

- Cadê a Madame Hooch? – Bella perguntou, irritada.

Movi os olhos pelo campo e a encontrei, ainda ralhando com o batedor da Sonserina.

- JORGE, NÃO! – Bella gritou e eu voltei rapidamente a encará-los.

Harry, que estava segurando Jorge, o soltara e agora ambos estavam atracados com Malfoy. Arregalei os olhos, sem conseguir tirá-los de Fred. Pelo menos, o fato de Angelina estar segurando-o não era tãopéssimo.

Madame Hooch pareceu perceber a briga do outro lado do campo e rumou para lá.

- Que é que vocês acham que estão fazendo? – ela berrou e eu consegui ouvir, mesmo através dos gritos vindos das arquibancadas.

Harry fora atingido por um feitiço, provavelmente o Impedimenta. Jorge se afastara, sem parecer ter ferimentos. Malfoy estava deitado no chão, choramingando. E Fred, graças à Mérlin, estava sendo contido por três artilheiros.

Minutos depois, Harry e Jorge saem do campo e Bella fica doida.

- O quê? Agora eles vão para a detenção por que brigaram com o metido a besta do Malfoy? – ela perguntou, enfurecida.

Logo depois, correu para fora das arquibancadas, dando cotoveladas e empurrando quem entrasse em sua frente. Suspirei, olhei para o campo, devolvi o binóculo e corri atrás dela.

Muitas pessoas nas arquibancadas pareceram ter a mesma ideia, o que fez com que a minha saída se tornasse impossível. Acompanhei a multidão e, quando finalmente consegui chegar ao solo, corri até Fred.

- Você está bem? – perguntei, mas ele não parecia me ouvir, estava furioso. – Fred?

Ele virou o rosto para mim, pronto para gritar e xingar, mas, então, sua expressão se suavizou. Só um pouco.

- Desculpe, Sunny.

- Você está bem? Jorge e Harry foram aonde?

- Vão levar detenção ou algo do tipo – respondeu, bufando. – Aquela doninha maldita vai pagar caro pelo que fez!

- Ele xingou seus pais, não foi? – perguntei, abaixando o tom de voz.

- Foi – Fred fechou os punhos. – Meus pais, a mãe de Harry, minha casa...

- Ei, ei, ei, está tudo bem. – tentei tranquiliza-lo. – Respire fundo. Você sabe que Malfoy sente inveja. Ouvi dizer que ele não recebe muita atenção em casa, por isso tenta se aparecer aqui.

Fred desviou os olhos.

- Parece que alguém precisa de um abraço – falei, cutucando seu braço.

Ele balançou a cabeça, sorrindo e eu o abracei.

- Ninguém pode abalar meu Freddie – sussurrei em seu ouvido e ele me afastou.

- Sunny! – exclamou, corado, como se eu tivesse sussurrado algo pervertido.

Ri dele.

- Espero que ninguém tenha ouvido – comentou, enlaçando minha cintura.

E então, como se tivesse se lembrado do que acabara de acontecer, sua expressão ficou amarga e ele se soltou de mim.

- Que bipolaridade – falei, com um suspiro. – Sua capitã quer falar com você.

Indiquei Angelina com a cabeça e Fred beijou minha testa.

- Vá jantar, tenho a sensação de que isso vai demorar.

- E deixar a ladra de namorados número um a solta contigo de noite? Há.

Fred me lançou um olhar cético.

- Tá, tá, eu vou – bufei, enquanto ele me empurrava pelos ombros em direção à saída. – Mas eu vou atrás de você depois!

Fui arrastada pela multidão e só consegui andar por vontade própria quando estava fora do campo de Quadribol. Rumei sozinha para o castelo, sem saber para onde ir. Estariam elas no Salão Principal?

Dei de ombros e fui para lá. Com ou sem elas, eu estava com fome e o jantar estava posto. Quem era eu para deixar a comida esfriar?

Lola, Lys, Ness e Selly já estavam sentadas na nossa mesa e eu, aliviada, fui me sentar com elas.

- Olá – cumprimentei.

- O que houve, Sunny? No campo de Quadribol, digo. – Lola perguntou.

- Malfoy xingou os Weasley – falei, fazendo meu prato. – E Jorge e Harry caíram em cima. Agora, estão na sala da McGonagall. Fred quase foi junto, se não fosse pelo resto do time.

- Puxa, deve ter sido interessante. – Lys disse, com um tédio na voz.

Lola sorriu.

- O jogo mais interessante ever,com toda certeza.

Jantamos sem muitas interrupções. Nossa conversa se limitou aos acontecimentos do dia e aos NIEMs. Mesmo não querendo, os professores já nos faziam estudar para os exames passando trilhões de deveres de casa. Todos eles. Sem nenhuma exceção. Nenhumazinha.

Após o jantar, saí à procura de Fred. O encontrei pouco tempo depois, parecendo muito mais irritado do que a hora que o deixei. Jorge estava com ele, e Bella. Ambos, também, furiosos.

- É contagioso? – perguntei, com uma sobrancelha levantada.

Eles se viraram para mim.

- Eu vou matara Umbridge! – Fred dizia, batendo a cabeça na parede levemente, mas o suficiente para causar um hematoma.

- O que aconteceu?

- Fred, Jorge e Harry estão proibidos de jogar Quadribol – Bella explicou. – Para sempre.

Eles soltaram um grunhido.

- Mas Fred nem fez nada! – exclamei.

- Teria feito, se ninguém me tivesse segurado.

- Isso é completamente inju... Pare com isto, Fred, vai acordar com um galo amanhã... Bem, isso é completamente injusto. Aquele garoto merecia muito mais.

- E você acha que não sabemos? – Jorge rosnou.

- Ei – fiz eu, franzindo a testa para ele, pela sua atitude grossa.

Ele nem ao menos encolheu os ombros.

- Eu teria acabado com aquele merdinha – Fred disse, com uma expressão feroz no rosto.

- Ok, nós sabemos – Bella falou, revirando os olhos para mim. – Não é tão ruim, garotos.

- Comopode não ser tão ruim? Estamos proibidosde fazer a única coisa que gostamos nessa escola!

- Ok, entendemos a indireta – murmurei. – Mas Umbridge não vai durar para sempre. E vocês podem se vingar.

Não acredito que eu, Sunny Weasley, estou atiçando os dois garotos mais travessos da escola a fazer algo com um professor. Mas ela merece.

- Oh, já pensamos em tudo – Fred comentou, com os olhos brilhando de fúria. – Nós iremos comprar bombas de bosta.

- Muitas bombas de bosta – Jorge corrigiu. – E iremos fazer com que a velha fique fedendo.

- Por semanas.

- Meses.

- Anos.

Os dois sorriram marotamente um para o outro. Bella e eu nos entreolhamos, sem saber o que dizer. Eu gostei da ideia, particularmente.

- Então... Vocês já jantaram? – perguntei, tentando mudar de assunto.


Fred, Jorge e eu estávamos nos jardins, num dia em que nevava fraco o suficiente para aproveitarmos. Vários alunos estavam fora do castelo, curtindo a neve. Alunos patinavam no lago congelado, faziam bonecos de neve, anjos de neve, ou simplesmente andavam.

Mas Fred e Jorge não eram esses alunos. Eles estavam se divertindo enfeitiçando bolas de neve e atirando-as nas janelas da torre da Grifinória.

- Para que isso, exatamente? – perguntei, desviando dos restos de uma das bolas que caíram.

- Rony está tentando estudar – Fred disse.

- E Bella também – lembrou Jorge.

Franzi o cenho, enquanto observava-os direcionar as varinhas e milhões de bolas saírem de sua ponta, batendo com força extraordinária na janela.

- Só uns minutinhos... – Fred murmurou.

Ele mal terminara de falar e uma cabeça ruiva aparecera, parecia irritado.

- OI! Eu sou monitor e se essas bolas de neve continuarem a acertar esta janela...

Rony não conseguiu terminar a frase, pois uma bola de neve batera com força em seu rosto. Sua cabeça desapareceu e eu observei os dois ao meu lado, rolarem de rir.

- Viu, só? – Fred se dirigiu a mim. – É divertido ter um irmão, neste caso.

Revirei os olhos, sorrindo.

- MAS QUE DIABOS VOCÊS ESTÃO FAZENDO?

Não precisei olhar para cima para saber que era Bella, berrando a plenos pulmões.

- ESTOU TENTANDO ESTUDAR, SEUS IMBECIS!

- Desculpe, senhorita, mas, de acordo com a lei trezentos e noventa e nove, clausula dois, parágrafo quatro: é completamente ilegal estudar num dia como este. – Jorge gritou, de volta, com um sorriso maroto.

Bella, ainda irritada, estendeu o braço, segurando a varinha.

- Ah, é? Puxa, NÃO ESTOU NEM AÍ! – e então, várias bolas de neve atingiram Jorge no peito, que caiu sentado na neve.

- Ei! Isso não foi nem um pouco legal! – Jorge exclamou.

- Você acha? Eu estou achando bastante cômico, Fred e Sunny também.

Nós rimos dos dois, que iniciaram outra guerra de bolas de neve, mas só deles. Fred me abraçou por trás e seus lábios roçaram meu pescoço.

- Acho que eles querem privacidade – sussurrou.

Era normal em me sentir levemente tonta? Pisquei os olhos, virando-me para encará-lo. Ele estava sorrindo quando juntou nossas testas.

- Ei, Sun.

- Hum? – fiz eu, fechando os olhos.

- Hoje, me perguntaram o que é amor.

- E o quê você respondeu?

- Seu nome.

Abri os olhos, agora, cheios de lágrimas. Os cantos da boca de Fred se arreganharam num sorriso carinhoso.

- Ei, tudo bem, não fique assim...

- Fred – interrompi, sorrindo. – Essa foi a coisa mais linda que alguém já disse.

Ele deu de ombros.

- Eu sei ser romântico, às vezes.

Minhas mãos subiram para seu pescoço, arranhando-o levemente. Fred fechou os olhos, mordendo o lábio. Sorri e puxei-o para mim, levando meus lábios de encontro aos seus.

Seus braços enlaçaram a minha cintura, puxando-me mais para perto. Meus dedos afundaram em seus cabelos ruivos e, estranhamente, macios. Sua mão estava em minha cintura, enquanto a outra subia pelas minhas costas. Senti um arrepio quando a mão de Fred tocou minha barriga. Mesmo com luva, a sensação foi prazerosa.

Afastei-me, com certa dificuldade. Ofegávamos, mas sorríamos.

- Sabia que eu te amo? – perguntei, brincando com seu cabelo.

- Sabia que eu te amo mais?


N/Lys: Olá, olá! Estamos exatamente no meio da Shine! YAY! O que acharam do capítulo? Gostaram? Obrigada pelas reviews, seus lindos. Lys x.

N/Lola: Olá, pessoinhas! Bem, primeiro de tudo: FRENNY! Eles são tão lindos, minha nossa 3 Espero que vocês estejam gostando da fic! Mandem reviews, okay? (: Lola xx