CAPÍTULO 7 – HARRY POTTER

Quando nós quatro nos materializamos na sala de estar da família Tonks, quatro bruxos que antes pareciam estar sentados confortavelmente nos sofás se levantaram em um ímpeto, com gritos de assombro escapando de seus lábios. Em dois segundos, Ted Tonks acalmava o neto no colo que se assustara e tinha começado a chorar; sua filha, Ninfadora Tonks se adiantara em nossa direção, junto do marido, Remo Lupin.

- Hermione... – exclamou Tonks, puxando minha amiga pela mão, que tinha ficado um pouco tonta com a aparatação e acabara por cair na chegada.

- Harry, o que houve? – perguntou Lupin, a voz preocupada e aflita, mas seu tom paternal, de certa forma me acalmava um pouco. Eu estava entre amigos, confiaria em Remo Lupin com a minha vida.

O que me desestabilizou por alguns instantes, no entanto, foi a postura de Andrômeda Tonks, que passado o susto inicial tinha a varinha em punho, apontada para o rosto de Narcisa Malfoy. Suas feições estavam contorcidas, como alguém que lutava muito para expressar frieza, mas nitidamente sentia dor.

- Narcisa Malfoy. – ela sibilou. – E eu que achei que tinha me livrado de todas as minhas irmãs comensais da morte.

Narcisa não respondeu nada, não empunhou a varinha, somente puxou a manga rendada do vestido azul marinho para cima, expondo o antebraço liso, ausente de qualquer marca. Me impressionei com aquilo. Eu tinha visto mais cedo a Marca Negra no braço de Draco Malfoy, marca que eu de certa forma já sabia que existia há anos, e imaginei que sua mãe tivesse uma igual, que assim como ele, Narcisa tivesse sido forçada a recebe-la.

- Você não tem a marca! – a voz de Andrômeda mudou, ela expressava surpresa misturada a um alivio que parecia não caber dentro de si.

- Não tenho. – Narcisa encarou a irmã com firmeza. – Foi o único resquício de dignidade que Lúcio me permitiu manter. Não sei se significa muito, porque ele deixou o Lorde das Trevas marcar meu filho.

- Achei que a Marca Negra era uma honra para quem acredita na sua ideologia. – Andrômeda acusou, com desconfiança.

- Minha ideologia? – Narcisa não se retraiu, mas seu lábio inferior tremeu levemente quando ela tomou folego para continuar dizendo. – Eu tinha quinze anos, não pude nem terminar Hogwarts, era uma adolescente quando nossa família me vendeu a Lúcio Malfoy como se fosse um Pégaso premiado, uma fêmea reprodutora. É isso que você acha que tem sido os últimos dezoito anos? Honra e Ideologia? Sinto muito se não correspondo sua expectativa. Tortura, estupro e humilhação talvez sejam palavras que traduzam muito melhor o espírito do meu casamento.

Olhei para o rosto de Narcisa com compaixão, ela parecia mesmo muito nova para ser mãe de Draco. Se tinha se casado aos 15 e estava há 18 anos casada, o que deveria ser mais ou menos a idade de Draco hoje, significava que depois do casamento ela logo tinha engravidado, e que hoje tinha cerca de 33 anos de idade.

Lupin, Tonks e seu pai refletiam em seus rostos expressões parecidas com as minhas, compaixão, junto a uma boa dose de remorso por nunca termos parado para pensar que aquela era a vida de Narcisa Malfoy. Por termos julgado aquela mulher durante anos como uma Comensal da Morte fiel a ideologia do sangue, tão ruim como seu próprio marido.

Só Hermione tinha uma expressão diferente no rosto. Não era compaixão. Era uma espécie de fúria incontida que poucas vezes eu vira nos olhos de minha melhor amiga. Um ódio poderoso em seus olhos, as mãos fechadas com tanta força que as unhas deviam estar cravando na carne, como se pudesse sentir na pele cada violência que Narcisa sofrera. Como se fosse capaz de arrastar Lúcio Malfoy até o inferno.

- Você... você não queria... não queria se casar? – Andrômeda gaguejava, tinha perdido toda a compostura. Nesse momento, seus traços que as vezes me lembravam muito Bellatrix se afastavam por completo da imagem que eu tinha da falecida comensal. – Por que não me avisou? Eu teria dado um jeito...

- Quando você deixou a família e se casou com um trouxa, mamãe tomou todas as medidas para me impedir de entrar em contato com você. Quando resolveram me casar com Lúcio, me trancaram em casa, eu parei de frequentar a escola. Não tive como mandar um recado por ninguém. – Narcisa explicou, e pareceu se esquecer de todos ao olhar pra irmã. – Mesmo assim, sabia que tinham te informado a data do evento, acreditei que você não permitiria aquele casamento. Eu arrumei minhas coisas, deixei tudo pronto para fugir, acreditei até o último segundo que você viria.

- Cissa... – Andrômeda deu um passo à frente. – Cissa, eu falhei com você. Pensei que a menina que eu tinha conhecido antes de ir embora de casa não existia mais. Achei que Bellatrix tinha mudado a sua cabeça, ela me procurou muitas vezes depois que fui embora, me disse como você tinha se transformado, que não queria mais falar comigo, que estava decepcionada por eu ter me casado com um trouxa.

- Andrômeda, você é minha irmã. Eu continuaria te amando sempre, não importa quem você tivesse escolhido pra casar. – Narcisa falou, como se fosse óbvio.

- Cissa... – Andrômeda parecia prestes a chorar, caminhou mais dois passos na direção da irmã e a puxou pra si.

Vi Narcisa estremecer e deixar o contato com a irmã trazer alguma paz pra si, ela respirava fundo, abraçando-se ao corpo de Andrômeda, que apertava a caçula nos braços.

- Por que não me disse tudo isso antes? Por que só agora? – Andrômeda perguntou, com tristeza. – Assim que tivesse entendido, eu teria acolhido a você e a seu filho.

- Você não conhece Lúcio. – Narcisa se afastou da irmã para olha-la. – Ele vem nos aprisionando, nos chantageando, ameaçando a mim e a Draco. Essa foi a primeira chance real de fuga que eu e meu filho tivemos, graças a Potter.

Ela me olhou com algum agradecimento, mas eu sabia que aquilo era parcial. Eu os tinha tirado das mãos de Lúcio para permitir que Draco caísse nas mãos do Ministério da Magia e fosse entregue aos dementadores.

- Onde está Draco? – Lupin foi o primeiro a perguntar.

- Azkaban. – eu disse, com indignação. – Não consegui salvá-lo.

- Meu filho... meu filho não vai durar uma única noite lá... – Narcisa expressou seu desespero.

- Nós vamos agir. – Hermione disse categórica, a fúria em seus olhos não parecia ter abrandado. – Lupin, você pode, discretamente, ir buscar Rony? Enquanto isso, vamos reforçar as proteções mágicas dessa casa. Não quero correr o risco de que os aurores possam nos surpreender aqui.

Lupin assentiu imediatamente, partindo pela Rede de Flu, que possuía ligação com a Toca. Enquanto isso, nós começamos a fazer os feitiços que de certa forma protegiam a casa de Ted e Andrômeda, colocando alertas para o caso de alguém se aproximar, barreiras mágicas para impedir as passagens. Quando Lupin voltou com Rony, eu e Hermione selamos a entrada pela Rede de Flu, para que não pudesse mais se utilizar.

- Eu estava tão preocupado. – Rony exclamou assim que entrou na sala, olhando para Hermione. – Os aurores estiveram na Toca procurando por você. Disseram que você fugiu com Narcisa Malfoy, que estaria sob o efeito de algum feitiço das trevas. Tentei explicar que não era nada daquilo, que provavelmente você estava tentando ajuda-la, mas eles não quiseram me ouvir.

- Os aurores não estão nenhum pouco interessados em ouvir o que temos a dizer. – disse Hermione, com raiva.

- Por que vocês não nos explicam tudo desde o começo? – pediu Lupin, com calma.

Eu respirei fundo, tentando sintetizar a história, para que rapidamente pudéssemos encontrar uma solução. Contei resumidamente como Draco tinha nos ajudado quando fomos capturados e levados à Mansão Malfoy e depois como ele tinha entrado na Sala Precisa para tentar impedir Crabbe e Goyle de nos atacarem. Expliquei como Narcisa tinha mentido para Voldemort para me proteger na Floresta Proibida, e como eu procurei a ela e ao Draco depois da Batalha Final, sem sucesso, pois ambos tinham sido aprisionados por Lúcio Malfoy.

Contei do bilhete que tinha recebido naquele dia mais cedo, de Lúcio se passando por Draco.

- Como você caiu nessa Harry? – Lupin perguntou, um pouco confuso e inconformado. – Tinha tudo para ser uma armadilha.

- Ele sabia que era uma armadilha. – Hermione respondeu, antes que eu pudesse fazê-lo. – Foi mesmo assim.

- Eu precisava encontra-lo. – eu disse, num folego só. E então me corrigi, quando me dei conta das palavras que tinham escapado da minha boca. – A eles. Draco e Narcisa.

Vi um sorriso discreto por trás dos lábios de Narcisa, que evidentemente não tinha deixado passar minha resposta. Eu não a abandonaria a própria sorte, mas havia uma ligação, uma força muito maior que me puxava quando se tratava de Draco Malfoy.

- Lucio Malfoy queria me usar para fazer um ritual envolvendo Draco. Mas nós três conseguimos escapar e retornamos para o Largo Grimmauld. Foi onde Scrimgeour e os aurores já estavam nos esperando, não quiseram ouvir nada que Hermione tinha a dizer antes de chegarmos, nem nada do que eu disse depois. Nós lutamos, mas eles levaram Draco. – eu expliquei brevemente.

- Vocês lutaram contra Magnus Scrimgeour? – o tom de Lupin era de aviso, referindo-se ao homem que hoje chefiava o Departamento de Execução das Leis de Magia. – Ele não vai deixar isso passar, Harry.

- Como vocês escaparam? – Rony perguntou. – Que ritual era esse?

Hermione me olhou, como se também estivesse curiosa para saber.

- Prefiro não responder a isso. – eu olhei para Narcisa, desconfortável. Ela sabia o que eu tinha tido que fazer. Eu não queria confessar aquilo na frente de todas aquelas pessoas. – Eu tive que... tomar algumas atitudes.

- Você fez o que era preciso para salvar a mim e a meu filho. – ela defendeu. – Mas ninguém precisa saber sobre isso. Basta dizer que escapamos.

- Certo, desculpe, Harry, eu não quis... – Rony me olhou.

Eu só assenti com a cabeça, tocando o braço do meu amigo, sinalizando que ele não precisava se desculpar. Ele fizera uma simples pergunta, afinal.

- A questão é a seguinte, preciso tirar Draco de Azkaban ainda hoje. – eu falei, e então me virei para Tonks. – Você conhece a informação que os aurores tem sobre como visitar Azkaban?

Era evidente que ao menos parte dos aurores teria um meio de chegar a Azkaban. Eles precisavam escoltar criminosos até a prisão bruxa e por vezes fazer visitas, ver se tudo estava em ordem, trazer prisioneiros para depor em julgamentos, etc. Com a varinha oculta atrás de Hermione, mas já firme em minhas mãos, eu esperei pela resposta de Tonks.

- Sim. – ela disse, hesitante.

"Petrificus Totalus" eu fiz o feitiço não verbal, e em meio segundo Tonks caiu no chão, petrificada, com um baque estrondoso.

- O que foi isso? – Andrômeda se sobressaltou ao me ver atacar a filha.

- Harry... o que você...? – Lupin empunhou a varinha, sem saber que postura assumir. Ele me amava como a um filho, mas aquela no chão era sua esposa.

- Ela ia te dizer! – Rony exclamou do meu lado, defendendo Tonks, argumentando como tinha sido injustificado meu movimento, visto que a auror teria me dado a informação.

- Vamos todos ficar calmos. – eu pedi, a voz alta, chamando atenção pra mim. – É melhor assim. Desta forma, se os aurores chegarem até Tonks ela pode permitir o uso do soro da verdade e dar um depoimento dizendo que eu a petrifiquei e li sua mente para extrair informações sigilosas.

- Harry, isso é crime. – Lupin continuava sem ter certeza de que aquela era melhor opção.

- É. – Andrômeda se resignou. – Mas ninguém vai prender Harry Potter. É melhor assim Remo... ele tem razão. Assim, Ninfadora não vai levar a culpa por ter ajudado.

- Ela ficaria arrasada se fosse expulsa da Seção de Aurores. – disse Ted, olhando com carinho pra filha.

Lupin me olhou.

- Você não tem habilidade em Legilimência. – ele argumentou, rígido. – Muito menos para usar contra uma auror.

Ele tinha razão, eu era péssimo em oclumência e nunca tinha tentado feitiços para ler a mente de alguém, mas como o princípio exigia habilidades semelhantes de controle da mente, eu imaginava que não seria muito bom. Eu virei a cabeça na direção de Hermione, minha amiga tinha aprendido, nos últimos anos, a fechar a mente.

- Mione? – eu sugeri.

- Posso tentar... – ela disse, insegura.

- Eu posso fazer. – Narcisa apontou. – Eu sou habilidosa em Legilimência.

- Não. – Hermione cortou.

- Não? – Narcisa parecia disposta a enfrenta-la, respondendo com firmeza. – Eu sei que posso não ter passado essa impressão até agora, mas garanto a você que não sou frágil, Granger. E também não sou dada a orgulhos inúteis. Se estou dizendo que posso fazer isso, é porque realmente consigo.

- Narcisa... – Hermione a chamou pelo primeiro nome, provavelmente porque depois de tudo, assim como eu, estivesse se recusando a chama-la pelo sobrenome do marido. – A impressão que me passou é de que é a mulher mais forte que conheço. Eu só estou tentando preservá-la, se você atacar uma auror, ler a mente dela para extrair informações, não vai ter argumento que te mantenha longe de Azkaban.

- Vou fazer o que for preciso pelo meu filho. – Narcisa respondeu, parecendo um pouco impactada pela defesa de Hermione, que pela segunda vez naquele dia a protegia.

- Eu sei. – Hermione disse, a voz calma. – Mas deixe-me tentar primeiro. Se eu não conseguir, você faz, tudo bem?

- Tudo bem. – Narcisa disse depois de alguns segundos. – Nunca usou o legilimens?

- Não. – minha amiga respondeu, corando. – Mas sou boa em oclumência.

- Certo, é preciso se concentrar do mesmo jeito. Esvazie sua mente do que é seu, foque na pergunta que precisa ter respondida. – Narcisa aconselhou.

Hermione assentiu, e então se preparou, apontando a varinha para Tonks. Ela lançou o feitiço, muito concentrada, parecendo estar realmente sendo capaz de extrair a memória. Algum tempo depois, ela baixou a varinha, me olhando.

- Vamos precisar invadir o Ministério outra vez. – ela falou, incluindo-se. – No décimo andar, no Velho Décimo Tribunal, há uma chave de portal na terceira coluna de mármore que pode ser ativada com um código que se altera diariamente. O código hoje é 1089764.

Repeti o número várias vezes na minha cabeça para memorizar. Alguém fez um feitiço, desfazendo a azaração que petrificava Tonks. A auror se levantou com um sorriso, massageando o pescoço.

- Você me pegou, Harry. – ela riu.

Eu sorri pra ela, feliz que não estivesse chateada comigo.

- Quando saímos? – Rony quis saber.

- Dessa vez vou sozinho. – eu falei e vendo meus dois amigos abrirem a boca para argumentar, continuei. – Preciso que vocês dois em outro lugar.

Rony e Hermione esperaram, me encarando.

- Nós precisamos desaparecer por um tempo. Ao menos eu, Narcisa e Draco... não sei se você... Hermione... – eu falei.

- Eu também, já estou sendo procurada. – ela falou. - E não vou abandonar vocês.

- Eu não posso sumir agora, mamãe está arrasada... Fred... – Rony começou a se explicar.

- Tudo bem, Rony. – eu coloquei a mão no braço dele. – Eu entendo, e preciso que você fique aqui e ajeite tudo pra que a gente possa voltar. Vou te dar um dos espelhos do par que pertencia a Sirius, assim podemos nos comunicar.

- Pra onde vamos? – Narcisa quis saber.

- Vou deixar isso por conta de vocês. Hermione, veja um destino pra nós. Uma cidade longe daqui, em outro país. Vamos ficar entre os trouxas, com o mínimo de magia possível para que não possamos ser identificados por bruxos, não gerar desconfianças. A magia sempre deixa rastros. – eu disse, rapidamente, repetindo um aprendizado que eu levava comigo há anos, um ensinamento de Dumbledore. - Preciso que vocês consigam a maior quantidade de dinheiro trouxa possível, façam cópias mágicas. Vamos precisar de documentos, passaportes para nós quatro, e também malas de viagem com roupas trouxas.

- Eu e mamãe podemos cuidar das malas com roupas. – disse Tonks.

- Minha bolsa de contas... – Hermione falou.

- Está comigo, junto com os nossos pertences. – eu falei, tirando a bolsinha de dentro do bolso da calça. – Eu juntei tudo antes de ir embora do Largo Grimmauld.

- Vamos ajeitar tudo. – minha amiga respondeu, eficiente. – Eu e Narcisa encontramos vocês no Aeroporto de Copenhaga, na Dinamarca. Acho que geograficamente é o mais próximo de Azkaban. Vou comprar as passagens para as 2h da manhã. Se você não chegar, fingimos que perdemos o voo.

- Combinado. – eu concordei.

Narcisa parecia confusa, sem entender muito o que dizíamos. Ela provavelmente não sabia o que era um Aeroporto, um voo, um passaporte, nem nada disso.

- Como você vai tirar Draco de lá? – Narcisa me perguntou. - Não se pode aparatar em Azkaban, e mesmo quando se afastarem um pouco da ilha, ele não estará em condições de suportar uma aparatação.

- Vou leva-lo de vassoura. – eu respondi, com simplicidade.

- Isso é suicídio. – ela arregalou os olhos. – Os dementadores vão segui-los.

- Narcisa, suicídio é deixa-lo lá. – eu apontei.

Ela se calou, sem ter argumentos pra me oferecer. Embora fosse arriscado, ela certamente preferia que eu tentasse. Qualquer coisa era melhor do que deixar Draco lá.

- Antes de eu ir embora, Hermione, existe algum feitiço que permite que a pessoa grave algo como um vídeo?

Minha amiga pareceu pensar um pouco.

- Há o permanet imago. – ela sugeriu. – Vai criar como se fosse uma foto bruxa, mas permite som.

- Vai servir. – eu respondi. - Depois vou precisar que você e Narcisa gravem ela autorizando Andrômeda a, na condição de irmã, falar por ela no Ministério e negociar as questões do julgamento.

- Vamos contratar um advogado assim que vocês partirem para entrar com um processo pela anistia de Draco e Narcisa. – disse Andrômeda, nos tranquilizando nesse sentido.

- Agora preciso que vocês me gravem falando. – eu pedi. – Faça cópias disso, Rony. Por volta das 21h, distribua onde for possível, faça circular. Quero que seja uma comoção pública e ao mesmo tempo que distraia a todos quando eu tiver tirando Draco de Azkaban.

- Pode deixar, os Weasleys vão dar um jeito. – Rony me garantiu.

Eu assenti com a cabeça. Não tinha a menor dúvida de que dariam. Me posicionei em frente a uma parede branca e esperei Hermione fazer o feitiço, enquanto Narcisa segurava a folha de pergaminho (alcançada rapidamente pela irmã) para onde a imagem seria direcionada após o término da "gravação".

A luz azul na ponta da varinha de Hermione indicou que eu podia começar.

- Hoje foi preso injustamente um bruxo chamado Draco Malfoy. Foi preso pelos crimes cometidos por seu pai, que continua em liberdade. É por isso que eu, Harry Potter, venho pedir a todos os bruxos e bruxas que me apoiem na luta por um julgamento justo, pela liberdade de um garoto que se submeteu às vontades de Lucio Malfoy e de Voldemort para proteger a mãe que vem sendo feita prisioneira há anos, e para proteger a mim. – eu respirei fundo, aquela última parte não era exatamente verdade, nem o que eu diria a seguir, mas eu precisava conquistar as pessoas para o nosso lado. Argumentar simplesmente a inocência de Draco, ao que parecia, não convencia ninguém. – Há anos Draco Malfoy me protege, fazendo sacrifícios para que eu pudesse continuar vivo. Por causa de sua ajuda, eu pude cumprir minha missão com o mundo mágico e matar Voldemort. Minha retribuição foi ver o homem que amo ser tirado dos meus braços e ser entregue aos dementadores. Será isso que mereço? É isso que eu e Draco merecemos depois de anos de luta e sofrimento?

Deixei a emoção tingir cada uma de minhas palavras, e quando Hermione finalizou o feitiço, não só ela, mas todos os presentes me olhavam com expressões de choque.

- Você e o Draco...? – perguntou Tonks, abrindo um sorriso malicioso.

- Não. Não há nada assim. – eu respondi apressadamente. Talvez apressadamente demais para ser uma negativa verossímil. – Mas uma simples alegação da inocência dele não surtiu nenhum efeito entre os aurores, era como se minha palavra não valesse nada.

- Entendi. – Lupin ponderou. – Da forma como você colocou, vai causar empatia nas pessoas. Uma coisa é o Eleito dizer que um rapaz com uma Marca Negra no braço é inocente, outra bem diferente é o Eleito dizer que esse mesmo rapaz se sacrificou e talvez tenha aceitado essa própria marca para protege-lo, em nome do amor que sentem um pelo outro.

- Vai ser um fervor muito grande. – Andrômeda se permitiu sorrir. – Foi muito inteligente, Harry.

- As pessoas vão se mobilizar. – Hermione concordou. – Vocês serão como Romeu e Julieta do mundo bruxo.

Eu olhei pra minha amiga, um pouco constrangido. Como eu iria explicar aquilo a Draco? Minha atitude o forçaria a fingir ficar comigo pelo menos durante um tempo quando pudéssemos voltar.

- Eu... Potter... – Narcisa me olhou com intensidade. – Não tenho como lhe agradecer.

- Bom, acho que pode me chamar de Harry. – eu ri, tentando descontrair aquela situação. - Já que acabei de me transformar você na minha sogra.

- Acho que posso mesmo. Merlin sabe que vocês estão todos me chamando de Narcisa como se tivessem convivido comigo a vida toda. – ela deu um pequeno sorriso.

- Ninguém quer chama-la pelo sobrenome. – Hermione respondeu com firmeza. – Achamos indigno da senhora.

Narcisa virou a cabeça para minha amiga, como se não esperasse por aquela resposta.

- Eu... – Narcisa sussurrou. – Eu realmente prefiro Narcisa.

- Ou tia Cissa! – disse Tonks, de brincadeira, também fazendo um esforço em tornar a situação menos tensa.

- Merlin, sou tia de uma mulher adulta. – Narcisa fez uma careta.

Então Tonks riu e sacodiu nos braços um bebê com um tufo de cabelo que mudava de cor, do verde para o laranja.

- Você é tia-avó. – ela riu.

N.A.: Pessoal, sem dúvidas devo desculpas a todos os leitores por todo esse tempo sem atualizar. Sinto muito mesmo. Eu passei por um problema difícil no Mestrado, que se juntou com algumas questões psicológicas que já tenho, tive que mudar medicações no psiquiatra, foi tudo muito complicado. Enfim, espero que vocês não desistam da história. Eu prometo que não desisto se vocês não desistirem.