O avião já havia aterrissado e agora percorria a pista de pouso. Ino estava com a cabeça recostada próximo à janela,quando Deidara tocou seu ombro,na tentativa de acordá-la.

-Ino? Acorda,chegamos.-falou quase em um sussurro,por,na verdade,não querer acordar a irmã,que parecia dormir tão tranquilamente. E,oh,claro,Ino e tranquilidade não haviam se encontrado naqueles últimos meses.-Ino?-repetiu,dessa vez um tom de voz um pouco mais alto. Para facilitar,sacudiu o ombro da Yamanaka.

-Hm?-disse Ino,com os olhos semi-abertos.

-Chegamos.

-Ah,sim.-Ino concertou a postura e passou a mão nos cabelos.-Minha cabeça dói um pouco.

-É de dormir fora da hora e por causa do fuso-horário.

- Hã?

-Ah,esqueça.

-Tá,tá.-Ino pegou a mochila que havia levado com alguns livros e seu celular e levantou-se. Caminhou junto com Deidara até a saída do avião,onde a aeromoça de voz irritante e sorriso indesmanchável olhava-os como se estivesse esperando especialmente por eles.

-Espero que tenham tido uma boa viagem e que nos vejamos de novo.-disse,daquele maneira decorada,como se ela realmente quisesse vê-los novamente.

-Tchau,tia.-disse Ino,antes de descer a escada,seguida por um Deidara que sorria de lado.-O que foi?-perguntou ao irmão.

-Nada.

Ao chegar no quarto de hotel,depois de ter passado (vagarosa e tediosamente) pela recepção,Ino jogou-se na cama. Deidara fez o mesmo na cama ao lado.

-Ei.-Ino chamou.

-Hm?

-Você vai poder mesmo vir pra cá nos fins de semana?

-Uhum. A não ser que eu tenho algo muito importante para fazer por lá.

-Sei.

-Por quê?

-Nada não.-disse Ino,por fim. Ela sabia que não era nada. Ela queria que o irmão estivesse ali. Havia aceitado a morte de Gaara,depois de tanto tempo,mas ainda precisava de alguém para apoiá-la. E Deidara estava ali. Podia não estar com ela todos os fins de semana,mas estava ali. Vocês sabem onde é ali.

É o lugar onde Gaara não está.

-x-

-Tchau,Ino!

-Tchau,Jane!-respondeu Ino à garota que acenava da porta do colégio. Precisava correr para pegar o ônibus,ou teria de esperar uma hora até que o próximo que seguisse pelo caminho da sua casa passasse.

Chegando ao ponto,não precisou esperar muito até que o ônibus chegasse. O que era realmente bom,porque Ino queria muito ir para casa. Precisava. Sentia-se exausta. E quando lembrava da bagunça que a esperava em casa,sentia-se ainda mais exausta. "Era mais fácil quando ainda estávamos no hotel...ao menos a camareira limpava tudo..." pensou.

Bom,pelo menos agora,ela parecia-se com uma garota normal preocupando-se com coisas normais.

-x-

-Ei,Yamanaka!-gritou um garoto alto de cabelos castanhos. Não tinha uma beleza irreal no conceito comum,mas para Ino,ele tinha um brilho realmente especial. Ao olhos dela,ele era realmente bonito.

-Hm?-Ino respondeu,um tanto quanto distraída.

-Posso falar com você?

-Ah,sim.-disse,naturalmente. Todos os garotos e garotas por perto observavam. Bisbilhoteiros sempre estarão presentas. Seja no Brasil,seja no Japão,seja na Inglaterra.

-Mas,bem,poderia ser em outro lugar?

-Eh?-Ino não entendeu inicialmente.-Ah,sim. Podemos ir embora juntos e conversamos,certo?

-Certo!-respondeu com ânimo o garoto de cabelos castanhos. Vale mencionar também que os olhos dele eram também castanhos. Você pode pensar: Ah,isso é tão comum. Aí que você se engana. Não era apenas castanho. Era um castanho cintilante. Brilhavam como estrelas. Olhos com verdadeira vida.

Depois do término das aulas,Ino dirigiu-se ao portão principal,onde encontrou o dono dos olhos castanhos cintilantes esperando por ela.

-Vamos?

-Uhum.

Os dois caminharam em silêncio por quase metade do caminho,quando o silêncio foi quebrado. Não,não foi pelo olhos-castanhos-cintilantes-que-possuem-vida-própria,foi pela Ino.

-Então,o que queria falar comigo?-disse,indo direto ao ponto.

-Bem...é...eu...gosto de você,Ino. Realmente gosto de você. Mais do que como uma amiga. Muito mais.

Ino tinha os olhos bem abertos. Estes,miravam olhos que cintilavam mais que nunca. Cintilavam e transbordavam de sentimentos verdadeiros. O olhar de alguém que se declara corajosamente. Bom,agora eles podem continuar a brilhar ou se apagarem por completo. Tudo depende da resposta da Yamanaka.

-x-

O avião estava a pousar. Ino olhou pela janela aquele já conhecido aeroporto. Estava lá de volta.

Depois de sair do aeroporto e deixar as coisas no hotel,seguiu para o local que visava ir desde que decidiu visitar o Brasil de novo. E lá estava ela,em frente àquele túmulo. O túmulo da pessoa pela qual quase tirou a vida. O túmulo da pessoa que amou verdadeiramente. E até doentiamente.

-Olá,Gaara.-disse àquela pedra polida com o nome do Sabaku gravado.-Quanto tempo,né? Já faz um ano. Estando aqui agora,acho que gostaria de te abraçar novamente. Mas não posso pensar assim. Não posso ficar daquele jeito novamente.-Ino abaixou um pouco a cabeça e riu.-Sabe,acho que cresci. Cresci e fiquei mais forte. Tenho que te agradecer por isso. Não pude me despedir pra você,me desculpe. Naquela época eu ainda não conseguia. Mas,sabe,quero falar agora alguma coisas que não falei antes. Adorei a música. Ela realmente tem um grande significado. Eu fiquei meio confusa inicialmente,mas depois de ler aquilo...-Ino olhou para o lado dessa vez.-...sim,aquilo foi a peça que faltava. Obrigada por deixá-la para mim. Bom,acho que é só. Virei te visitar novamente,mesmo que talvez você não esteja mais aqui. Acho que estou te prendendo demais.-Ino riu melancolicamente.-É melhor eu ir. Tchau,Gaara. Até mais ver.-disse antes de sair andando para onde estava um rapaz de olhos castanhos cintilantes. Ao olhar para o rosto daquele rapaz e sentir seu coração bater mais rápido,sentiu um estalo. Virou-se e correu de volta para o túmulo.

-Ah,Gaara! Só mais uma coisa. Eu me apaixonei de novo!-disse com orgulho.-Espero que esteja feliz por mim. Tchau mais uma vez.-disse,por fim. Voltou a dirigir-se para o garoto de olhos cintilantes. Segurou a mão do mesmo.-Vamos?

-Sim.

O céu estava nublado,mas Ino não achava isso ruim. Um vento frio soprava,mas isso só favorecia-a para que pudesse abraçar o jovem de olhos castanhos cintilantes com mais força. E foi em um dia de chuva que o seu primeiro verdadeiro amor nasceu. Dias de chuvas eram realmente formidáveis,certo? Sim,eram.

-x-

Inglaterra,escritório da residência dos Yamanaka. Em cima da escrivaninha,debaixo de um peso de papel,estavam algumas folhas já conhecidas. Uma delas tinha um aspecto morto. As outras eram folhas de caderno meio amassadas.

Papel número 1: Atestado de óbito de Sabaku no Gaara.

Destaque para: - Causa mortis: Atropelamento.
- Observação da autópsia. (Que veremos no papel número 2 e 3.)

Papel número 2 e 3: Carta pessoal.

Vejamos bem. Ino,quero que leia isto com muita calma. E,por favor,a cada palavra minha,não se desespere. Estou deixando isso como um último recurso para chegar até você. Vamos lá.
A algum tempo eu fui a um nerologista. Minha cabeça dói constantemente. E,mesmo sendo por motivos que você já conhece,não foi estranho eu ter desmaiado na sala daquela vez? Bem,o médico me pediu para fazer uma série de exames. Cada um pior que o outro,acredite.
Semana passada eu retornei ao médico,para apresentar os exames a ele. E sabe o que ele disse? Eu tenho um tumor no cérebro. Maligno. O que significa que não dá mais pra tirar. É,você deve saber disso.
Pode parecer que aceitei em pouco tempo,mas pra mim,foi uma semana bem longa. Eu vou morrer. É,isso é fato. Todos nós vamos,isso também é fato. Mas eu vou morrer antes,enfim.
Hoje eu comprei um cd pra você. Quando você estiver lendo isso,provavelmente eu já terei entregue o cd pra você. Espero que já tenha ouvido ele também. É estranho pensar que você só lerá isso depois que eu morrer,se ocorrer como planejei. Esta carta ficará guardada,e só a acharão se fizerem uma limpa no meu quarto. É,isso só vai acontecer depois que eu morrer.

Olha,Ino,eu quero que você seja forte. Não quero me achar nem nada,mas eu sei que você é muito dependente de mim. E tenho medo disso. Eu já sei que vou morrer antes de você. Então eu tenho medo do que você pode fazer após a minha morte.

Eu te amo. Eu te amo de verdade. Nunca se esqueça disso. E ao se lembrar destas palavras,viva. Viva mesmo sem mim. Viva e encontre novos amores,novos amigos. Viva,Ino! Viva pelo que eu não poderei viver.

Adeus,Ino. Guarde nossas lembranças em um espaço no seu coração que não te impeça de amar outras pessoas.

Sabaku no Gaara.

Talvez tenha sido melhor assim. Talvez tenha sido melhor que ele morresse de outra forma,que não fosse a do tumor que tomava conta do cérebro dele. Ele sofreu menos. E se formos analisar bem,ela também sofreu menos.

O tempo que Ino passou sem Gaara,foi vazio,mas necessário. Ela era fraca e super dependente dele. Ela precisava crescer. Precisava ficar mais forte.

E,se o silêncio dele não lhe dissesse nada,as palavras dele já lhe seriam inúteis.

FIM.

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Ne,minna,é isso. .-. Eu,particularmente,gostei desse final. Espero que vocês também tenham gostado dele. :x

As coisas finalmente foram esclarecidas e eu finalmente pude terminar a fanfic. XD Sinto-me orgulhosa por isso. :B

Realmente espero por comentários dessa vez. XD Elogios ou críticas,o que for.

Agradeço àqueles que leram até o fim,e tiveram paciência para esperar pela minha falta de vontade. Honto ni arigato!

Ja ne! o/