You Think You're a Man
-… Você estava falando sério?
Marcus franziu o cenho, reconhecendo a voz que vinha da porta do banheiro. Então era Oliver quem fizera os ruídos anteriores? Pensando melhor, um monitor não teria sido idiota a ponto de deixar sua presença tão evidenciada. Restringiu-se a manter o olhar numa das paredes da cabina – o jogo de ignorar Oliver continuava.
- Sério sobre o quê, idiota?
Wood queria desesperadamente ser notado por Flint, mas só agora se dera conta de tal necessidade. Carecia do olhar do outro, que nem enquanto beijando-o se deu ao trabalho de encará-lo. Engoliu seco, consciente de que ele não poderia ser o que se aproximaria. Marcus tinha de notá-lo.
- Sobre querer tomar banho sozinho. Eu achei que você queria...
Por um instante, Marcus pôde jurar que se transformara num cachorro com o faro aguçado, tal foi sua feição ao detectar o tom de voz naquela frase. Virou-se subitamente, estupefato. Sua surpresa foi maior ao ver Oliver: estava vestindo só sua camisa do colégio, desabotoada a ponto de entregar todo o corpo dele para o moreno, e sua cueca – que, colada, delineava bem o que interessava a Marcus. Este entrou em transe, seu pênis explodindo de tesão. Tentou se concentrar no rosto de Oliver, mas este parecia mais tentador ainda com uma expressão apreensiva, encabulada e levemente suplicante maquiando a pele áspera do goleiro.
Flint abriu a porta de sua cabina, deixando-se ver por Oliver. Este estacou, surpreso. Já havia visto boa parte do corpo do moreno, mas molhado, com o cabelo escorrido em seus olhos, a boca entreaberta e uma ereção que pedia para ser degustada, Marcus parecia até outra pessoa.
- E então... Você vem? – Marcus abriu os braços, um sorriso sacana no rosto – Ou você vem e vai? Ou você vem e depois vai? Ou você vem e fica?
Oliver mordeu a boca, ofegante, e foi direto para Flint, que o cercou com seus braços sem agarrá-lo. Encararam-se por um minuto, o suficiente para que suas respirações se tornassem uma só, o pescoço de um sentindo o ar pesado sair da boca do outro.
Os cabelos de Oliver se molharam um tanto, fazendo com que escondessem parcialmente seus olhos. Marcus afastou-os bruscamente, pousando a mão sobre o queixo do goleiro. Aproximando-se mais, fez com que suas ereções se esbarrassem, o tesão de um querendo ser liberto pelo do outro.
- Ahh... – gemeu Wood, olhando para o membro desnudo de Marcus contra o seu, que permanecia dentro de sua cueca – Não me provo-
Com força, Flint empurrou Oliver contra uma das paredes da cabina, fechando sua porta. Assim, juntou seus corpos e começou a esfregar seu pênis no do outro, torturando-o vagarosamente. Chegou perto do ouvido do goleiro e sussurrou, as mãos prendendo as deste na parede:
- Você quer continuar, não quer? Eu sei que você quer... – ele mordeu levemente o lóbulo do outro – Você quer bem mais...
- Hmm... Eu, eu... – Oliver tentava raciocinar com todas as forças, mas a única coisa que conseguiu fazer foi inclinar a cabeça, deixando o pescoço livre.
Marcus começou a mordê-lo levemente, da orelha até a curva de seu pescoço, fazendo Oliver gemer e se esfregar involuntariamente contra ele. O moreno agarrou as coxas do goleiro e parou por um momento, subindo os olhos desde a virilha do outro até o rosto, que clamava por mais. Conseguia ver os mamilos de Oliver através de sua camisa branca, naquele estágio já encharcada. Flint lambeu os beiços, aproximando os lábios do goleiro:
- Vamos... – ele soprava na boca do outro, sem tocá-la – Fala pra mim, Woody, fala o que você quer...
O olhar suplicante de Wood já deixava claro que estava completamente à mercê do outro, mas este não se contentaria com algo assim. Ele tinha de submetê-lo por completo, derrotá-lo através de seu tesão. E conseguiu.
Sem pensar duas vezes, Oliver levou as mãos de Flint até sua cintura e foi descendo com elas, forçando o moreno a tirar sua cueca. Só então é que os dois puderam sentir um ao outro, plenamente. Ofegaram em uníssono, observando como estavam ambos duros.
- Me fala o que você quer... – Marcus pegou forte no pênis de Oliver, mas quando estava começando a masturbá-lo, este o parou.
Oliver lançou um último olhar a Flint, mostrando suas íris escravas às do moreno, e começou a mordiscar e beijar todo o tórax deste, até chegar ao pênis. Era tão tentador sentir que poderia controlar o tesão do outro só com sua boca, que poderia senti-lo gozando em si... Não demorou muito para que começasse a chupar Marcus com força, lambendo, por vezes, sua glande, o que fazia o moreno empurrar seu membro contra sua boca.
- Aaaah... Não faz isso... Eu vou... Eu vou gozar...
Oliver continuou chupando-o por um tempo, masturbando-o com as mãos livres. Sentindo que Marcus estava prestes a gozar, voltou a se erguer, os olhos semi-abertos de tanto tesão. Olhava deleitado para o membro do outro, imaginando como seria tê-lo dentro de si.
-... Me – ele sussurrou para Flint, as mãos pousadas no quadril deste – Me fode...
Marcus Flint sorriu, triunfante. Virou Oliver bruscamente, fazendo com que este ficasse de costas para ele. Arrancou sem piedade a camisa do magrelo, beijando cada pedaço de carne virgem que tinha nos braços, e tratou de degustar cada centímetro de suas costas, causando arrepios em Oliver, que segurava a vontade de começar a se masturbar por conta.
Lambendo bem um dos dedos, o moreno desceu a mão.
- Relaxa... – ele começou a introduzir um dos dedos em Oliver, massageando de leve.
- Agh!
Logo, eram dois dedos de Marcus que passeavam por Wood, que começava a se acostumar com a dor de ser penetrado. Não demorou para apreciar aquilo, e tratou de rebolar nos dedos de Flint, sentindo o prazer que deveria.
- Bichinha... Você já quer mais? – desdenhava Flint, tirando seus dedos de lá.
- Uhum... – Oliver gemia, esperando pelo membro do outro.
- Então olha pra mim – Flint voltou a virar Oliver para ele – Eu quero ver sua cara quando eu te foder...
Juntando forças, Marcus ergueu o garoto de cabelos castanhos pelos braços, deixando a passagem livre para que pudesse penetrá-lo. Respirou uma última vez e...
- CARALHO! – berrou Oliver, mordendo os lábios ao sentir o pênis de Flint dentro de si.
Foi uma dor súbita que o acometeu, e o moreno tentava entrar e sair com certa cautela, temendo ferir o outro. Com a boca livre, deu um beijo no goleiro, tentando distraí-lo de sua dor incômoda. Wood, por sua vez, acostumou-se com os dezesseis centímetros e meio de Marcus ali, estocando-o. Ele sabia que estava sendo possuído pelo outro, mas aquilo só o excitava mais e mais. Pela primeira vez, fora dominado de forma prazerosa e desejada, e só tinha que agradecer a Flint.
Já o moreno, este não conseguia mais segurar seu instinto, e tratou de estocar Oliver cada vez mais violentamente, ao passo que largava os lábios deste para desfrutar de seus mamilos.
Oliver gemia cada vez mais, não sabia se pelos chupões no mamilo ou pelo outro o penetrando vorazmente. Seguindo a mesma vontade do outro, começou a se masturbar rapidamente, almejando por um orgasmo conjunto.
- Wood... – Flint tentava coordenar as palavras, mas nunca fora um bom orador.
- Goza... Goza em mim...
- Ah – gemeu Flint, dando uma última estocada – AGH!
Ambos gozaram um no corpo do outro, lambuzando-se de esperma. Deixaram-se cair na cabina exaustos, cada um apoiado em uma parede. Ainda ofegante, Oliver voltou-se para Marcus:
- Você tá todo sujo...
- Você que mira mal.
Ambos sorriram, cúmplices. Após tomarem um banho juntos, Oliver espremeu um pouco a camisa e foram para seu quarto, serenos.
BEEEEP!
- Puta que pariu, Wood – Marcus enfiou a cara no travesseiro, a raiva de ter dormido pouco se manifestando – Vou enfiar essa merda na sua bunda...
BEEEEP!
- WOOD! – enfurecido, o moreno se levantou bruscamente, os olhos cerrados pela claridade – Desliga es-
Espantado, piscou duas vezes: Oliver Wood estava ajoelhado ao lado de sua cama, calmo, segurando o despertador como se não soubesse que o ruído vinha de lá. Marcus ficou ligeiramente sem graça, desviando o olhar para a pilastra da cama que estava próxima a ele.
- Marcus... – começou o goleiro, as palavras relutando em sair de sua garganta. Via-se nitidamente que ambos estavam constrangidos e num clima estranho de "o que devo fazer? Como devo agir?".
- Fala logo que não quer mais. Vai, fala... Fala que é hetero, bichona! – o moreno agora carregava um ar indiferente no olhar, coisa que Oliver achou extremamente sexy.
- Você é um imbecil mesmo! Nem ouve o que eu tenho pra dizer! – irado, Oliver virou o rosto, apertando o despertador com força.
Marcus se esgueirou violentamente para perto de Oliver, deixando que este sentisse sua respiração no pescoço desnudo. Pensou em falar algumas coisas, talvez insultar o goleiro, mas se conteve. Algo o fazia não querer estragar o que tinha conquistado na noite passada.
- Eu... Eu não sei o que deu em mim. Eu nunca fiquei com um moleque, e nunca quis! Nunca achei que gostasse de-
Antes que Oliver continuasse, Marcus cobriu sua boca com um dedo e decidiu continuar por ele:
- Você não precisa falar nada disso pra mim, idiota. Eu não sou sua mãe pra você ter de justificar, e o que eu menos quero saber é do seu passado.
- Mas – o goleiro conseguiu se desvencilhar da mão do outro, e estava decidido a finalizar suas conclusões – Essas... Coisas que aconteceram, elas... Ah, que porra! Quer saber?!
Oliver se ergueu bruscamente, se abraçando com um dos braços, deixando o outro caído. Cada vez mais seus pensamentos tendiam para algo que ele não queria encarar – para o fato de ser gay.
- A verdade é que eu nunca senti tanto tesão na minha vida! Que merda! Porque com você?! Você é um bosta, Marcus! Um egoísta que só se importa com suas vontades e fodam-se os outros, e isso é o que eu mais-
Rapidamente, Marcus se levantou e beijou o garoto, antes que ele pronunciasse aquele verbo que estava acostumado a ouvir e a ignorar, mas que nunca perdoava. Não, Oliver não poderia estar falando sério. Ele sabia que sua estréia na escola não fora nada agradável, ainda mais se levar em conta que seu físico só engrandece sua arrogância, mas não era suficiente para se fazer conhecido. E também, não tinha culpa de levar o futebol mais à sério que os outros idiotas da escola...
Oliver relutou um pouco em retribuir o gesto, mas já havia visto que afastá-lo não ajudaria em nada. Agarrou-o forte e, quando estava começando a acelerar o ritmo de sua língua, quem o parou foi o próprio Marcus.
- Nunca...
KNOCK, KNOCK!
Marcus gostaria muito de ter concluído aquela frase, mas ambos foram forçados a se separarem assim que ouviram batidas na porta, e foi ele mesmo quem se dirigiu a esta, zangado:
- Quem é?
- Senhor Flint, sugiro que se dirija ao corredor de telefones imediatamente! Uma ligação da senho-
- Tá, já tôindo! – ele respondeu, sem deixar a voz do lado de fora terminar o recado – Merda...
- E senhor Wood – a voz continuou, aparentemente ultrajada com a deselegância de Marcus – Espero que o senhor não esteja se deixando influenciar, afinal... É quase hora de sua aula, e já deveria estar em sua sala.
- Sim, senhora! Num momento! – Oliver berrou do fundo do quarto, se trocando tão rápido quanto um amante que está prestes a fugir de um marido furioso pela janela.
Alguns passos deixaram claro para ambos que ela se fora, mas não voltaram no assunto anterior. Arrumaram-se rapidamente e foram, pensativos, cada qual para suas obrigações.
Durante aquele dia e a quinta-feira seguinte, não se encontraram mais. Oliver se ocupou com deveres na biblioteca, conversando com Harry e divertindo-se com outros rapazes do time, enquanto Flint vagava pelo jardim da escola, tentando não voltar para o prédio principal e arrebentar a fiação telefônica daquele lugar.
Nem nas refeições, muito menos no banho, os dois trocaram olhares.
Sentindo seu alarme vibrando, Marcus acordou. Ao contrário do relógio de Oliver, o alarme dele era algo um pouco mais sofisticado, e bem menos berrante. Sexta-feira era um dos dias em que ele saia mais cedo que o goleiro. Levantou-se então, um pouco aturdido com sonhos que tivera, e foi vestir seu uniforme.
À medida que ia abotoando a camisa, começou a acompanhar a linha do corpo de Wood, que estava deitado de costas para este, metade descoberto... O que estaria sonhando? A intervenção da senhora Filch na manhã retrasada os impedira de finalizar sua discussão, e as coisas continuavam turvas como desde a primeira vez que se tocaram.
Oliver se virou, fazendo Marcus acelerar o processo de se vestir – não queria conversar. Era capaz de sua curiosidade acabar levando-o para diálogos e situações que ele não estava disposto a encarar. Por mais niilista que pudesse parecer, todo aquele comportamento era um mecanismo de defesa que desenvolvera ao longo do tempo. Não que se importasse intensamente no fundo; uma boa parte dele realmente só queria saber de prover carne para sua fome sexual, mas algumas coisas eram difíceis de superar e encarar. Tocou de leve o rosto do jovem de cabelos castanhos, desejando que este não completasse nunca aquela frase... Que nunca falasse que o odeia.
Bateu a porta ao sair, fazendo com que Oliver acordasse de leve, mas este não demorou a querer voltar a dormir – tinha mais uma hora antes de ter de ir estudar, e fazia questão de descansar o máximo que podia. Além disso, estar acordado significava pensar, e pensar o levaria a lembrar dos momentos com Flint. Não agüentaria por muito mais tempo viver naquele dilema sexual, naquela briga interna de querer descobrir o âmago de sua fúria sentimental por Flint, por alguém que desde o começo se mostrou egocêntrico e mesquinho.
Abriu os olhos e bateu na própria testa, uma expressão de desgosto se formando.
Não conseguiria dormir se não se livrasse daquilo. Era uma sensação nova e estranha que se apoderava de todas as suas idéias, transformando-as em incertezas e medos, além da sede de decifrar aquela estranha atração. Começou a se arrumar, ciente que sua falta de sono não o abandonaria tão cedo, e tentou fazer algumas lições antes de ir para sua aula. Seria um longo e monótono dia, ainda mais se considerar que a ansiedade para o treinamento de domingo acabava por tirar qualquer interesse que poderia ter pelas aulas de sexta-feira.
A única coisa que ouviu foi sobre tipos de matas, mas não sabia dizer a diferença entre tundra e taiga...
Naquela noite, ocorreu a Oliver de sair um pouco, tomar um ar antes de dormir. Já tinha tomado seu banho e jantado, o que o fazia se sentir mais leve e tranqüilo. Passando pelo corredor de telefones, porém, ouviu algo que o fez parar.
"Chamem o Flint... Sim, é ela denovo. Nunca vi uma mãe tão presente e... Ah, sim, claro! Quarto quatrocentos e um! Mande-o até o telefone três..."
O que será que a mãe dele queria? Seria ela a dona das constantes ligações para ele toda aquela semana? Oliver olhou para seu lado: alguns passos o afastavam do telefone três, e sua curiosidade – em conjunto com um estranho sentimento de estar flutuando na realidade, distante de responsabilidades e conseqüências – o guiou até o gancho, d'onde puxou lentamente o telefone.
- Alô? Filho, é você? – disse uma voz rígida do outro lado da linha.
Pigarreando, Oliver endireitou-se. Tentando engrossar a voz, respondeu:
- Oi, mãe. O que você quer?
- Como assim "o que você quer"?! Acha que sou como seus amigos?! Você sabe porque liguei...
Oliver parou. Não se interara de nenhuma das conversas anteriores entre ambos, então achou melhor lidar com o jogo de forma evasiva, vaga:
- O que tem isso?
- Você sabe que é tudo que me restou, certo? – a mãe de Marcus começava a afrouxar a voz, um tom pedinte nesta – Sabe que, se falhar, seria uma humilhação muito grande para toda a nossa família, e para tudo que lutei para te dar, não sabe? Quer dizer, eu te criei sozinha, e só quero o melhor para você. Isso implica em não causar problemas...
- E que problemas eu te causei, mãe? Tenho feito meus deveres e...
- Me avisaram que você tem se dispersado muito nas aulas. Não me diga que é por conta dele, filho. Não faça isso comigo! Eu não mereço isso... Não mereço!
Instantaneamente, Wood se lembrou da única conversa que presenciou entre os dois, onde Marcus gritava sobre não ter feito nada com ele, e como parecia furioso da mãe continuar insistindo naquilo. Poderia até ser verdade, mas, sendo Marcus, deveria negá-lo.
- Não existe ele, mãe! Eu já te falei mil vezes!
- Pare de mentir para mim, filho! Você não vê como é imundo esse tipo de coisa?! Que vergonha... Continuar com essa atitude só te torna uma pessoa pior!
- Mãe, chega! Quantas vezes vou ter que falar que eu não-
- Nojento! Acha que Narcisa mentiria?! Acha?! Não quero mais pensar nisso! Você já me humilhou o bastante... Por um acaso espera que eu seja como seu pai foi? Ou é você quem vai imitá-lo, hein?! Eu não quero te odiar, filho...
- CALA BOCA! – berrou Oliver, farto daquilo tudo.
Antes que pudesse ouvir os grunhidos da senhora Flint, Wood bateu o telefone com força. Dando-se conta do perigo que seria se o moreno o encontrasse ali, tratou de correr para o lado externo da escola, ajeitando-se perto de algumas árvores do jardim.
Então não era a toa que Flint era do jeito que era: com uma mãe daquelas, imaginou Oliver, até ele mesmo seria um completo animal. E o modo como ela tinha pena de si era pior ainda! Ah, que mulherzinha...
Oliver começou a ligar os fatos: se todas as vezes que Marcus era solicitado nos telefones, que não eram poucas, eram ligações de sua mãe, não era nada espantoso que o moreno agisse de forma bruta. O fato de ser cobrado quase todo dia e a maneira como a mãe colocava a cobrança certamente eram exaustivos para o garoto, e um comportamento assim não é construído de uma hora para outra – a mãe de Flint não estava agindo daquela forma agora, mas devia ser assim desde que este era só uma criança. Marcus merecia, afinal, uma chance.
E, afinal de contas, quem era ele? Teria Flint citado ele, Oliver Wood, o colega magrelo de seu time e quarto, para sua mãe? Estranho...
Ainda dentro da escola, Marcus estacara, absorto. Presenciou quase toda a conversa dali, detrás de uma coluna onde Oliver não poderia vê-lo, e o fato de não ter se manifestado o chocava. Ele daria tudo para evitar enfrentar a mãe, mas... Porque deixou justo aquele garoto se livrar dela por ele? Queria esbravejar, talvez gritar coisas ofensivas e sem sentido para Oliver e, mesmo assim, continuava ali, parado.
Urrando por dentro, foi sua vez de evitar se encontrar com Oliver. Mesmo no sábado, quando uma oportunidade interessante de prosseguirem com a conversa surgiu, tudo o que ele conseguiu fazer foi tentar se focar nos deveres, deixando o goleiro sozinho para almoçar e seguir sua rotina social de conversar com membros do time.
No domingo pela manhã, porém, ambos foram obrigados a saírem juntos para o treino.
