N/A - Primeiro de tudo, um minuto de silêncio para o meu amado Heath Ledger. Um dos meus atores preferidos, ótimo profissional... Enfim, uma grande perda para o cinema. Vá em paz, Heath.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Capítulo VI – ... E coincidências

- Então... – Marlene começou - Lembra quando eu vim assistir a estréia da sua peça, e fui falar com você?

- Claro! – Lily riu – Eu te larguei sozinha no corredor pra fugir do horror que é a minha irmã mais velha.

A morena deu um sorrisinho.

- Sabe, eu não vim parar aqui por acaso.

A outra a olhou de rabo de olho.

- Meu Deus... É disso que eu tenho medo...

- Calma, não é nada de mais... – Marlene disse, rindo – Vi que era um grupo independente, e vim atrás de um ator... Ou uma atriz... Que tivesse bastante talento, mas nenhuma fama. Logo na primeira cena, vi que a pessoa que eu procurava era você.

Marlene era esperta, pensou Lily, ao massagear seu ego escolhendo tão bem as palavras. Isso tudo cheirava a algum pedido escabroso, e ela suspirou, esperando a bomba.

- Continue.

- O ator não podia ser famoso, porque ele cobraria caro, e nós não temos muito dinheiro... Aliás, não temos dinheiro nenhum. – suspirou – Não poderíamos pagar nem cinqüenta libras, imagine então o cachê de uma estrela!

Lily sorriu internamente, por ter acertado a intenção da moça com aquela conversa. Sabia que era algum tipo de pedido, tinha certeza!

- Ok, e o que eu tenho que fazer?

- Claro que vamos recompensar de alguma... – ela parou de falar, piscando várias vezes – Oi?

- Você veio me pedir alguma coisa. – a outra disse, abanando uma das mãos – Você veio, eu sei. O que é?

- Bem... – Marlene balançou a cabeça – Aulas de teatro.

A ruiva se engasgou com a própria saliva, e tossiu repetidamente até os olhos lacrimejarem.

- O quê?

- Ok, você me pegou de surpresa, achei que seria mais difícil... Vou explicar direito – ela pigarreou – Eu curso Medicina no Instituto Hogwarts. Todo ano temos um festival de inverno, onde as universidades da região disputam concursos variados, relacionados à arte e lazer.

Lily coçou um olho, pensando o que ela teria a ver com tudo aquilo.

- Hm.

- E eu estou procurando alguém pra dar aulas de arte dramática. O que você acha?

- O quê? Não! Claro que não!

Marlene sentiu-se desanimar, e enrugou a testa.

- Por quê?

- Tem gente bem melhor que eu, e... – Lily pôs as mãos no bolso do casaco. Suspirou. – Quantas pessoas?

- Não sei. Umas... Cinqüenta, a princípio. O pessoal da minha turma, que vai participar do festival. – a moça se levantou, e alisou a roupa, com a animação já de volta – Onde você mora?

- No Rainha Elizabeth, em Camden, mas por...

- Ok. Te pego sábado, às onze.

- Pra quê? – a ruiva perguntou, também se levantando.

- Festa!!!

X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X

- Festa? – Anya perguntou, enquanto dirigia.

- É. – a outra respondeu – Aonde estamos indo, de manhã, tão cedo?

- Comprar ovelhas – virou à direita numa esquina – Cuidado com esse pessoal, Lils. Travis me disse que eles dão festas ótimas, mas são uns babacas.

Estacionaram na frente do que parecia uma fazenda.

- Danny explicou que os açougues daqui têm ovelhas horríveis, e é melhor comprar direto do produtor. – a loura olhou um extenso gramado cheio de ovelhas, com expressão triste – Coitadinhas. – murmurou, sozinha.

Lily saiu do carro, e foi correndo até a amiga.

- Pra quê você quer uma ovelha? E quem é Travis?

- Duas ovelhas. – Anya corrigiu – Pro jantar no Harry's, hoje. E Travis é o cara que está me dando aulas extras. Já te falei dele.

Elas entraram no local, e foram atendidas por um homem por volta dos quarenta anos.

- Posso ajuda-las?

- Aquele cara...? Com aqueles ombros, e aqueles braços? – Lily murmurou.

- Ele mesmo. Travis. – Anya virou-se para o homem – Oi. Eu encomendei duas ovelhas no nome de Daniel Bennett.

- Ah, claro. Elas estão na fila do abate, quer dar uma olhada? – ele perguntou, apontando para trás de si, e a moça fez cara de nojo.

- Oh, não. Não quero nem ver a cara das coitadinhas. – virou-se para a amiga, e começou a explicar – Elas sentem quando estão pra morrer, sabe? Ficam acuadas, tristinhas... É horrível. Eu me sentiria culpada pelo resto da vida, se matasse um bichinho desses.

O fornecedor a olhou de esguelha, estranhando.

- Certo... Que tipo de corte você quer, moça?

Anya devolveu o olhar, com a mesma estranheza. Depois bateu na própria testa.

- Ahh, não, não... Você pode ficar com a carne das pobrezinhas... Eu só quero os estômagos, os pulmões, os corações, os fígados e os rins.

- Ewwwwww!!! – Lily apertou os olhos, sentindo o estômago embrulhar – Que nojo, Anya! Não esqueça de me mostrar o que é, pra eu não comer de jeito nenhum!

- Se você fosse só um pouquinho mais esclarecida, Lily querida, você não evitaria apenas os órgãos vitais, mas as carnes também. – Anya retrucou – Uma vida vegetariana é uma vida muito mais saudável.

- Sabe que eu nem tinha reparado que você continua com essa frescura?

- Não é frescura! – ela bufou – Eu apenas me recuso a comer o que corria feliz e inocentemente pelos verdes campos, apenas algumas horas atrás! Não entendo como vocês, carnívoros insensíveis, não se corroem de remorso por destruir vidas todos os dias.

Lily revirou os olhos, ignorando as lamúrias da amiga.

- Que seja. Agora vamos logo embora, que hoje é apenas uma reles sexta-feira, e eu tenho aula dupla de temática shakespeareana.

X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X

- E aí, como foi hoje lá no Arpège? – Lily perguntou, depois de invadir a cozinha do Harry's, naquele fim de tarde, e se sentar sobre uma das bancadas, balançando os pezinhos.

- Foi... Ruim. Pierre pediu demissão. – Anya terminou de temperar o cordeiro, e o colocou no forno. Logo em seguida, pegou uma touca descartável, e atirou-a para a amiga.

- Por quê? – ela pegou a touca nas mãos, e fez cara feia – Eu não vou usar isso, é ridículo!

Anya deu de ombros.

- Então vaza da minha cozinha. – a ruiva soltou um muxoxo, mas acabou por usa-la – Parece que Christine contratou um... Sei lá, rival dele, ou algo assim. O fato é que eles se odeiam, e ele ia ser rebaixado a subchef, enquanto o outro ia mandar em tudo...

- Nossa, que chato. – Lily murmurou, desceu da mesa, e pôs uma mão dentro de um vidro de biscoitos, como quem não quer nada.

- Afaste-se dos Shortbreads! – Anya atirou uma colher nela, que desviou – Isso é para a sobremesa! Você não tem mais o que fazer, não?

- Pior que não. Sebastian anda tão ansioso que 'tá expulsando todo mundo do salão, e não pára quieto.

- Vá procurar meus miúdos de ovelha, então.

- Eu não vou nem chegar perto daquilo, pode esquecer! – a ruiva resmungou, abrindo a geladeira. Pegou um potinho de iogurte, depois uma colher, e sentou-se novamente sobre a bancada. – Marquei uma hidratação pra amanhã de manhã, e Lydia disse que você também vai lá.

- Hum-hum. – a loura resmungou, descascando algumas batatas – Vou mudar o corte e as mechas. Candice! Bata os bifes para mim, sim?

Candice – uma mulher por volta dos sessenta anos – assentiu com a cabeça, e se dirigiu a uma bancada livre, para fazer o que lhe fora pedido.

- Enjoou de verde e azul?

- É. Vou cortar a franja de lado, repicar as pontas, e mudar para rosa e roxo...

Lily ia fazer um comentário quando o filho mais jovem do Sr. Bennett adentrou a cozinha, branco feito um fantasma.

- Mas será possível? – Anya resmungou e bufou, atirando as batatas numa panela com água – O que foi dessa vez, Daniel?

Ele se encostou na parede, com os olhos verdes arregalados.

- Quase levei uma cadeirada, só porque disse pro Sebastian que a decoração estava meio feia...

- Bom... – a ruiva pulou da bancada, tirando a touca – Vou ver se ele finalmente me deixa ajudar, então... – passou por Daniel, e deixou a touca nas mãos dele – Vista logo, antes que Anya tenha um treco...

- Mas isso é ridículo! – ele argumentou, um pouco alto demais, e Anya ouviu.

- AHHHH!!! – a moça gritou, e saiu feito uma bala, batendo o pé.

- Pelo visto estão todos muito sensíveis, hoje... – Lily comentou, risonha.

X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X

Depois de engatar uma briga séria com sua mãe, e sair de casa, Sirius pedira abrigo na humilde mansão da família Potter, onde viveu e foi tratado como um filho durante anos, antes de se mudar para um apartamento universitário em Hogwarts, há alguns meses. Tendo herdado uma pequena fortuna com a morte de um tio, Alphard Black, o maroto decidiu que era hora de rumar à sua total independência, e comprar um apartamento só para si. Assim, naquela sexta-feira, os quatro amigos dedicaram a tarde inteira a procurar um lugar interessante.

- Saca só: - Peter chamou a atenção dos outros, erguendo o jornal na frente do rosto – três quartos, sala, cozinha, dois banheiros, garagem para três carros, piscina no prédio, vizinhas gostosas...

Remus começou a rir, e tirou o jornal das mãos dele.

– Que tipo de pessoa escreve isso num anúncio de jornal?

- Parece interessante... – James argumentou.

- Não. – Sirius resmungou, circulando outro anúncio – Que tal esse: dois quartos, copa, cozinha, e demais dependências. Garagem, playground, salão de festas. Ótima localização.

- Qual é, cara! – James fez uma bolinha com sua parte do jornal, e atirou-a no amigo – Aquele é perfeito!

- Claro que não! Grande demais, um inferno pra limpar. – ele parou para pensar – Mas as vizinhas gostosas eram uma boa...

O outro riu.

- Até parece que a minha mãe não vai mandar ninguém limpar o tempo todo, como ela faz nesse seu apartamentinho – rolou os olhos – Vizinhas gostosas, Pads!

- 'Tá 'tá, vamos dar uma olhada. – Sirius suspirou, derrotado, e James se levantou, fazendo uma espécie de dancinha da vitória.

X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X

O jantar transcorreu normalmente. Além do Haggis – feito com os miúdos da ovelha –, os convidados foram servidos de cordeiro, arenque defumado, sopa de tomates, entre outras iguarias escocesas.

O prato principal foi servido de acordo com a tradição: trajes e danças típicas, gaita de foles, declamação do famoso poema que fala sobre o Haggis, e com direito a brinde com legítimo whisky escocês.

Quando já estavam todos satisfeitos, o aniversariante foi "intimado" a fazer um discurso. Tímido, ele tentou de tudo, mas não conseguiu escapar.

- Bem, eu realmente não sei o que falar, e estou muito constrangido. – todos riram – Ok, ok. Tudo começou há muuito tempo atrás, quando o jovem Harry Bennett decidiu sair de sua casinha em Oxfordshire, e se aventurar pela Escócia... Lá ele conheceu uma linda escocesa com reluzentes cabelos louro-prateados, e blábláblá. Casaram-se, mas não tinham TV em casa; e assim surgiram Dustin e Stephen.

Os convidados deram mais risadas, vendo as caras dos irmãos mais velhos de Sebastian.

- Numa romântica e fria noite de fim de inverno – continuou ele – meus pais não tinham muito que fazer, e... – pigarreou – Okay, vamos pular os detalhes, e parar direto na parte em que eu fui concebido.

- O grande erro da vida dos meus pais... – Daniel falou, num tipo engraçado de inconformismo – Bem que eles poderiam só ter dormido, pouparia tantos incômodos...

- Não se mete na minha história, Danny! – Sebastian reclamou, acertando um biscoito na cabeça do caçula – Continuando... Depois de divertidos oito meses e meio na barriga da minha linda mãe, Olivia Bennett, eu nasci; e vinte e cinco anos mais pra frente, aqui estamos todos nós!

- Meu querido irmão esqueceu de dizer que, dois anos depois de ele nascer, nossa mãe teve o orgulho de dar à luz o cara mais bonito do Reino Unido! – Daniel se meteu outra vez, convencido.

- É. E depois do arrependimento por essa besteira, eles finalmente resolveram comprar a tal televisão... – o outro retrucou, causando gargalhadas – Ok, esse é o fim da história. Então parabéns pra mim, e obrigado a todos pela presença. – ergueu os dois polegares, sorridente.

- Esse é o seu discurso de aniversário de 25 anos? – Dustin, o irmão mais velho, perguntou.

- É.

- Cara, que tosco.

Anya tinha lágrimas nos olhos de tanto rir quando decidiu circular pelo salão, ao som do dueto de Lily e Sebastian ao piano. Conversou com várias pessoas, e recebeu alguns cumprimentos pela elaboração dos pratos; mas parou, chocada, quando encontrou uma figura muito conhecida, numa das mesas mais afastadas.

Ele. E mais bonito do que nunca.

- Professor Raisher?

- Anny? – o homem se levantou, e só sentou-se novamente quando ela já estava acomodada na outra extremidade da mesa – Eu... É... Bom te ver.

- Digo o mesmo. – ela respondeu, nervosamente, torcendo as mãos uma na outra – Como vai?

- Por onde você andou? – ele perguntou, fingindo não a ter ouvido – Eu fui te procurar, mas...

- Estive por aí, viajando. – Anya respondeu, sem muitos detalhes. – Já faz muito tempo, professor, vamos só esquecer, e...

- Anny!

- Srta. Dickenson, por favor. Meros conhecidos não se tratam com essa intimidade.

Johnny arregalou os olhos, e a fitou, magoado.

- Nós não somos meros conhecidos. Nunca fomos só isso.

Anya pôs as mãos cuidadosamente sobre a mesa, alisando um guardanapo de linho branco.

- De onde você conhece os Bennett? – desconversou – Não sabia que estava na lista de convidados.

- Meus pais eram vizinhos dos pais de Olívia, a falecida esposa do Sr. Bennett, em Edimburgo. Aliás, como um bom escocês, eu tenho que elogiar não só o Haggis, mas o jantar como um todo. Estava fabuloso.

- Obrigada. – a loura se levantou da mesa – Agora eu tenho que ir, estou meio ocupada, e...

- Anya! – ele a segurou pelo braço, impedindo-a de se afastar dali – Eu saí de casa. Vou entrar com o pedido de divórcio.

A moça ficou encarando-o em silêncio, quase contente, e então falou, sem emoção:

- Bom pra você. Com licença. – desvencilhou-se, e saiu.

X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X

Logo na entrada do prédio, um grupo de garotas passou sorridente pelos quatro, e James se animou instantaneamente.

- Oooooi... – ele falou, piscando um olho. Elas acenaram, dando risadinhas, e saíram pela porta. – Já estou gostando daqui...

Subiram até o oitavo andar, e entraram no apartamento 802.

- É ótimo... – Remus murmurou, passando os olhos pela sala.

Visitaram a cozinha, a sala de jantar, a sacada e o banheiro.

- Aquele ali pode ser o meu quarto. – James sugeriu, apontando a última porta no corredor.

- O quê? Você não vai ter um quarto na minha casa! – Sirius resmungou, dando um tapa na cabeça do amigo.

- Nada mais justo, ué; você tem um na minha...

Sentaram na sacada, e ficaram discutindo sobre como decorariam o apartamento, caso Sirius o comprasse. Depois, levantaram-se para irem embora.

- Como será que são os vizinhos? – Peter perguntou.

- É verdade... – James fez cara de pensativo, apoiando o queixo em uma das mãos, depois deu um sorriso safado – Tomara que sejam daquelas gostosonas que batem na porta do lado só de calcinha e sutiã pra pedir uma xícara de açúcar.

Remus começou a rir, e despenteou os cabelos do amigo.

- Deixa de ser pervertido, cara!

- É... – Sirius concordou – Esse é o meu papel!

Ficaram conversando sobre os prováveis vizinhos durante bastante tempo. Quando o assunto mudou para "garotas", Remus perguntou a James se ele convidaria Amanda para sair novamente.

- Claro que sim! – Sirius respondeu pelo maroto – Mas só depois da festa de Medicina, amanhã, não é, tigrão?

James riu, e deu um empurrão no rapaz.

- Nada a ver, Pads. Eu levaria Amanda comigo, se ela estivesse na cidade, mas foi visitar os pais em Bolton.

- Ela mora sozinha?

- Com duas amigas, eu acho.

- Gatas? – Peter perguntou.

- Solteiras? – Sirius acrescentou, já interessado.

- Acho que sim. Acho que não. – James respondeu.

- Droga. – eles murmuraram.

- Vocês parecem animais no cio! – Remus exclamou, gargalhando.

- Nós somos normais, você que é estranho. Tudo bem ser meio desligado, e tal, mas tão alienado assim? – Sirius revirou os olhos – Por favor, Moony, diga que você ainda gosta de garotas, pelo menos...

- Eu GOSTO, claro! Mas elas dão muito trabalho, e eu não quero me incomodar por um bom tempo. – o maroto disse, e os outros fizeram caras estranhas – Scarlett quer conversar; ela me ligou hoje.

- Será que ela quer voltar? – James perguntou.

- Acho mais fácil ela querer arrebentar a sua cara, Moony. – Peter disse – Parece que ela não aceitou muito bem o fim do namoro, e não quer deixar você pra outra garota.

- Você está me saindo uma bela fofoqueira, Pete. – Sirius riu.

- É o preço que se paga por trabalhar no super Informativo de Hogwarts, o informe universitário mais fuleiro de toda a Grã-Bretanha... Um dia você fala sobre algo legal, no outro você explica porque o branco é o novo preto, e qual a peça-coringa da próxima estação.

Os rapazes riram, e seguiram Sirius para fora do apartamento.

X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X

Anya estava sentada no sofá de sua casa, arrependida por ter largado Lily e Daniel sozinhos na festa de Sebastian, sem ao menos ter se despedido. Um bom cozinheiro não vai embora na metade do evento, mas o jantar já havia terminado, e ela realmente não se sentia bem.

Deu um suspiro, e uma risada triste. Sabia que reencontraria o ex, uma hora ou outra, mas queria poder se preparar primeiro, e não ser pega de surpresa daquele jeito. Não que ainda mantivesse qualquer tipo de sentimento por ele – bom ou ruim -, de qualquer forma, mas precisava se acostumar com a idéia de revê-lo, depois de tanto tempo.

A loura ainda pensava no assunto, quando o telefone tocou. Ela pegou o aparelho, e reconheceu o número no identificador de chamadas. Ficou encarando o visor piscando por longos segundos, antes de atirar o telefone no outro sofá.

Depois de muita insistência, a secretária eletrônica atendeu.

"Você ligou para... Mim, é claro. Mas eu estou ocupada, ou não estou em casa, ou apenas não quero falar com você; então deixe o seu recado após o bip, e talvez eu retorne a ligação". Ouviu-se ainda uma risada, e depois um "bip" bem estridente, obviamente gritado pela garota.

Alguém pigarreou no outro lado da linha, e uma voz masculina pôs-se a falar:

- Anny. Annie? Você está em casa? Bem, imagino que não, não é?! – o homem suspirou – Olha, por favor, não mate a Lily; eu quase tive que a torturar pra conseguir seu telefone, e... – houve um tempo de silêncio – Ok, eu só precisava saber como você está, depois de tudo, e... – mais silêncio – Esquece. Você está bem? Me liga. Só se você quiser, claro; não estou te pressionando. Mas a gente precisa conversar, e... Droga, já estou desabafando com a secretária eletrônica... Eu sinto sua falta. Muito. Demais. – ele, então, desligou.

Anya puxou as pernas para si, e apoiou o rosto nos joelhos, sentindo as lágrimas brotarem nos olhos azuis. Quando Lily chegou em casa, encontrou a TV ligada, e a amiga dormindo no sofá. Cobriu-a, desligou o televisor, e subiu, meneando a cabeça.

X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X

Era sábado à noite, e os marotos estavam prontos para a tão falada festa de Medicina, vestidos elegantemente: James de calça e camisa social pretas, Sirius de calça azul-marinho e camisa social azul-celeste, Peter de jeans e camisa verde, e Remus de calça preta e camisa lilás..

- Mandy não vem mesmo, Prongs? – Sirius perguntou, dobrando as mangas da camisa.

- Não. Ela só chega de Bolton amanhã. – o outro respondeu, enquanto limpava os óculos.

- Ótimo. Então nós vamos buscar a Lailah.

- Você é um abusado, Padfoot! – Remus deu-lhe um empurrão – Vamos logo, ou a festa acaba antes de a gente chegar.

X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X

Lily olhou-se no espelho mais uma vez, satisfeita. O vestido preto logo abaixo do joelho e os olhos escurecidos pela maquiagem deixavam-na bonita, mas discreta.

- Agüenta aí! – Anya disse, e correu até o closet, voltando com uma bolsa e um par de sapatos de verniz, ambos verde-esmeralda – Pra combinar com os seus olhos.

Lily agradeceu, e calçou os sapatos, depois começou a guardar algumas coisas dentro da bolsa.

- Vem comigo, Anny... É o último pedido.

A loura deu um sorrisinho meio triste.

- Ah, Lil, eu não 'tô muito pra festas, hoje... E a Warner vai passar maratona Gilmore Girls, quer coisa melhor?

- Tem certeza? – Lily a olhou, duvidosa.

- Tenho. Agora vai, que a tal McKinnon já 'tá lá fora há séculos! – foi empurrando a amiga para fora do quarto.

- Ok. Cuide-se.

- Eu que tenho que dizer isso! – Anya riu – E beije um loiro lindo de olhos azuis por mim!

- Vou tentar! – a outra gritou, já na porta de saída, às gargalhadas.

-----------------------------------------------------------------------------------------------

N/A – Olá, pessoas do meu coração! Bom, demorei de novo, né? MAS, dessa vez tem explicação! É o seguinte: eu estou trabalhando em DOIS lugares. (SIM! Das dez da manhã às quatro da tarde em um, e das cinco da tarde às onze da noite em outro). Então eu tenho ficado bastante cansada, o que dificultou um pouco a arte de ficar de olhos abertos na frente do pc digitando o capítulo...

"'Tá, e daí?", vc pensa. "E daí que podemos negociar", eu respondo. COMO? De três formas: O cap gigante (!) que vc acabou de ler, um trechinho inho inho do próximo¹, e um dos presentes de natal atrasados².

--

¹ - "O maroto passava os olhos desinteressadamente pelos lados, quando a viu. Ela. A garota do vestido negro. Dos cabelos acaju. Do sorriso encantador."

Sim, minúsculo, eu sei. Mas, como vcs perceberam, é a primeira vez que o James vê a Lily, e eu gosto de mistério hehehehehe xD

--

² - Sobre 'O Presente'. Trata-se, na realidade, de algumas capas, para os casaizinhos de Destiny. Pq temos VÁRIOS triângulos e personagens novos; mais pra vcs saberem como eu os imagino, pelos atores que eu (com ajuda da Fê, pra variar) escolhi.

Antes de qualquer coisa, quero dizer que são montagens cretinas, já que eu não tenho a mínima habilidade com o computador, que não seja orkut msn e (eu fiz as montagens no PowerPoint, e graças à Fê que me ajudou, ou nem isso saía... pra vcs verem como eu sou pata).

Ahh, a primeira capa é da Lily xD O link está no meu profile, já que o ff é chato e não me deixa escrever aqui

--

Bom, como eu tô na correria, dessa vez não vai dar tempo de responder os comentários, então deixo aqui meus singelos agradecimentos a: Thatty, Vicky L. Chan, Jaque Weasley, Fezinha Evans, Miss Moony, Jhu Radcliffe, Oliivia, Diana P. Black, Bella D. Potter, Nina P. Black, InfallibleGirl e Carol Lair. Muito obrigada, vcs fazem os meus dias mais felizes.

--

Só isso, então, essa nota já ficou enorme. Beijos!