A/N: Caramba! Passei um mês na fazenda sem net,por isso estou postando somente agora, decupem-me, prometo não abandoná-los enquanto vida eu tiver.
Esse capitulo foi escrito, em cima do livro lua nova, muito do texto foi aproveitado, por isso não se assuste ao encontrar, trechos parecidos com o original, a idéia era exatamente essa, o filme também foi lembrado, espero que gostem.
Camila Facinelli, fico feliz em ver que você sempre esteve por aqui, o seu review foi primeiro em PPF e eu nunca mais vi outro, vivia me perguntando se você viu toda a história.
E boas vindas a baa cullen, e dani.
Volterra Nunca Mais
Capitulo 7
Volterra
POV Edward
Meus olhos avistavam a luz do sol lá fora, meus ouvidos não capitavam nenhum sinal da minha família, minha dor anestesiava a sensação de medo, soldados estavam a postos numa distância insignificante, somente esperando que eu desse o primeiro passo, eles não permitiriam um escândalo, chegara o momento, todos estavam reunidos a dor e a esperança de reencontrar Bella faziam os meus pés se mover passo por passo, eu podia ouvir os pensamentos dos soldados.
"Ele não será capaz..."
"Por mim já matava logo esse louco..."
"Isso vai ser interessante..."
"Eu não entendo Aro pra que arriscar..."
Eram vários pensamentos ao mesmo tempo e eu não era capaz de discernir todos mas podia entendê-los.
Respirei fundo e dei o meu ultimo passo pra morte, eu podia sentir o calor do sol na minha pele, meus olhos estavam fechados e eu não via nem ouvia nenhum alvoroço da multidão que se encontrava lá fora, não que eu estivesse esperando por isso, na verdade eu sabia que seria detido antes mesmo que alguém me visse.
Senti uma impacto, em seguida braços em volta do meu pescoço, ouvi a doce voz do meu anjo gritar o meu nome, eu não tinha idéia de que eles fossem tão rápidos, eu nem vi a morte chegar, mas em uma coisa meu pai estava certo, o paraíso existia e lá estava ela agarrada a mim por toda eternidade.
Passei meus braços à sua volta, abri meus olhos para vê-la enquanto o sino da terra ainda ecoava em meus ouvidos
"Incrível, Carlisle tinha razão."
Ela não parecia tão bem quanto a mim, trazia um rosto preocupado, talvez estivéssemos no inferno por nos suicidarmos, mas de pouco me importava se ela estava ali comigo.
Edward! Você tem que voltar pra sombra, tem que sair daqui
Nem se quer me movi, eu só queria aproveitar aquele momento, não importava o que ela dizia o que me importava era simplesmente o doce som da sua voz.
"Não dá pra acreditar no quanto foi rápido. Eu não senti nada - eles
foram muito bons"
Meditei, fechando os olhos de novo e
pressionando os lábios no seu cabelo.
"Morte, que sugou o mel da tua respiração, não teve nenhum
poder contra a tua beleza, você cheira exatamente igual, então talvez isso seja o inferno. Eu não me importo.
Eu fico com ele".
Lembrei Romeu e Julieta, e sua voz interrompeu meu devaneio.
"Eu não estou morta e nem você! Por favor, Edward, nós temos que nos mover. Eles não podem estar muito
longe".
Notei que lutava nos meus braços para minha confusão.
"Como é isso?"
Perguntei notando pela primeira vez, seu rosto apavorado.
"Nós não estamos mortos, ainda não! Mas nós temos que sair da luz
antes que os Volturi -"
A compreensão foi penetrou junto com as palavras dela
que ela pudesse terminar de falar, a arrastou da
margem das sombras, girando-a sem esforço até que as suas
costas estivessem espremidas na parede de tijolos, e as minhas costas estivessem viradas pra mim enquanto eu encarava a ruela abrindo os braços para protege-la, pois eles já estavam diante de mim.
"Saudações, cavalheiros. Eu não acho que estarei necessitando dos
seus serviços hoje. Eu agradeceria muito, no entanto, se vocês
enviassem meus agradecimentos aos seus mestres".
Eu nem pude comemorar o que acabara de entender, a razão da minha existência estava viva, e comigo, mas isso não duraria por muito tempo se eu não consertasse essa confusão que eu causei, silenciosamente desejei que meu pai estivesse ali pra isso, eu nem me importaria de levar umas palmadas na frente da Bella e da vampirada toda, se fosse pra salvar a vida dela, e não havia ninguém melhor pra arrumar minha bagunça do que meu pai.
"Vamos levar essa conversa para um local mais apropriado?"
A voz de Felix, sussurrou ameaçadoramente, me fazendo tomar uma postura tensa.
"Eu não acredito que isso vá ser necessário, eu conheço as suas instruções, Felix. Eu não quebrei nenhuma das regras."
"Felix estava meramente tentando apontar a proximidade do sol."
Outra sombra disse com um tom suavizante.
Eles dois estavam ocultos em mantos cinzentos que alcançavam o
chão e balançavam com o vento. "Deixe-nos procurar um esconderijo
melhor".
"Eu estarei bem atrás de vocês Bella, porque você não volta para a praça e aproveita o festival?"
Eu tentei dizer descontraidamente, mas saiu tão seco que até Bella percebeu.
"Não, traga a garota."
Minha falsa civilidade já era, meu instinto me levou a preparar para uma posição de luta.
"Eu acho que não."
Eu disse fazendo Felix tomar uma postura parecida com a minha.
"Felix aqui não."
Demetri o advertiu e olhou pra mim, eu podia sentir Bella tremendo e continuava desejando mais que nunca o compassivo Dr. Carlisle Cullen pra me salvar.
"Aro simplesmente gostaria de falar com você novamente, pra saber se você decidiu se juntar á nossa força afinal".
Eu pensei no que ele faria e respondi educadamente como um Cullen.
"Certamente, mas a garota fica livre".
"Eu temo que isso não seja possível, nós temos regras a obedecer".
Ele insistiu.
"Então eu temo que serei incapaz de aceitar o convite de Aro,
Demetri".
Comecei a jogar como Jasper.
"Isso está bem, Aro ficará decepcionado",
Demetri suspirou.
"Eu tenho certeza de que ele sobreviverá ao desapontamento"
Voltei ao meu normal, pelo visto meu jogo de cintura nem beirava à eficácia do do meu pai.
Felix e Demetri se aproximaram em direção á ponta da ruela, se
separando levemente pra que se aproximassem de mim pelo dois
lados. Eles tinham a intenção de forçar-me a entrar mais na ruela, pra evitar uma cena. Nenhuma luz refletida entrou em contato com a nossas peles deles; eles estavam a salvo dentro de suas mantas.
Não me movi nem um centímetro, estava usando meu corpo pra proteger Bella.
"Você podia tentar se ferrar com menos frequencia?"
Escutei a inconfundível voz da minha irmanzinha, não era meu pai, mas melhor 2 Cullen é melhor que um, todos olhamos para vê-la.
"Vamos nos comportar, sim? Têm damas presentes".
Alice caminhou lentamente para meu lado, sua posição
casual, Não havia nenhum sinal de tensão escondida. Ela parecia tão pequena, tão frágil. Os pequenos braços dela se movimentavam
como os de uma criança, eu tinha tanta saudade que podia esmagá-la num abraço se a ocasião permitisse.
Tanto Demetri quanto Felix ficaram rígidos, suas mantas balançando lentamente quando uma rajada de vento passou
pela ruela. O rosto de Felix se azedou. Aparentemente, eles não
gostavam de números iguais.
"Nós não estamos sozinhos".
Ela lembrou eles.
Demetri olhou por cima do ombro. A alguns metros dentro da praça, a pequena família, com as garotas com os vestidos vermelhos, estavam olhando pra nós. A mãe estava falando urgentemente com o marido, os olhos dela em nós cinco. Ela desviou o olhar quando Demetri olhou pra ela. O homem caminhou alguns centímetros pra dentro da praça e cutucou o ombro de um dos homens com o blazer vermelho, Demetri balançou a cabeça.
"Por favor, Edward, sejamos razoáveis"
"Vamos".
Concordei com uma cara azeda.
"E nós vamos embora silenciosamente
agora, sem que nenhum seja o mais esperto".
Demetri suspirou de frustração.
"Pelo menos vamos discutir isso mais
reservadamente".
Seis homens de vermelhos se juntaram á familia agora enquanto eles nos observavam curiosamente, eu protegia Bella certo de que era isso que estava causando o alarme deles, meus dentes se chocaram audivelmente.
"Não".
Felix sorriu.
"Basta".
Merda, era a vampirinha demônio, aquela pirralha fazia Rosalie de mau Humor, parecer a minha mãe de bom humor.
"Jane."
Suspirei em reconhecimento e resignação, ela podia ser uma pirralha, mas era uma pirralha poderosa demais pra ser desrespeitada.
"Sigam-me"
Jane falou de novo, a voz infantil dela era monótona e irritante.
Ela deu as costas pra nós e se enfiou silenciosamente nas sombras.
Felix fez um gesto pra nós irmos na frente, sorrindo.
Alice seguiu a pequena Jane imediatamente.
"Edward você nem imagina o quanto estamos ferrados, menti para o Jasper, menti para o papai e pra mamãe, roubei um carro pra chegar aqui, e se conseguirmos sair dessa vivos o papai vai te matar."
Passei os braços na cintura de Bella e puxei-a pra seguirmos Alice, meu único pensamento era salvar Bella e minha irmã, de repente comecei a pensar na minha família novamente, onde eu estava com a cabeça? Como ficariam se morrêssemos? Jasper, papai e mamãe...
A ruela fazia levemente um ângulo pra baixo enquanto se estreitava.
Bella me olhou com perguntas frenéticas nos olhos, mas só balancei a cabeça.
Eu não sabia se queria matar Alice por trazê-las para tamanho perigo ou se queria enche-la de beijos por me trazer de volta à razão de viver.
"Bem, Alice, eu creio que não devo ficar surpreso por te ver aqui".
Eu disse respondendo seus pensamentos anteriores, com um tom de 'te pego lá fora'.
"Foi meu erro."
Alice respondeu no mesmo tom.
"Era meu trabalho concertar as coisas".
"O que aconteceu?"
Mantive a educação na voz para o orgulho de mamãe e disfarce, pois nossa conversa estava sendo ouvida.
"É uma longa história".
Ela não precisava responder em voz alta, bastava pensar mas fez questão de incluir Bella olhando pra ela.
"Em resumo, ela pulou do precipício, mas ela não estava tentando se matar. Bella anda praticando esportes radicais
ultimamente".
Senti o cheiro do sangue dela acumulando nas bochechas, Alice enviou um relatório completo dos perigos que Bella correra na minha ausência, por vontade própria, coisas que fariam meu pai arrancar sua pele se já fosse sua filha, pelo visto não tinha cumprido sua parte no acordo.
"Hm",
Foi tudo que eu podia dizer naquela hora, mas saiu mais significativo do que eu pretendia.
Passamos pelo longo caminho, o buraco em que tive que jogar Bella assustada pra Alice, o subsolo frio que fez meu amor bater os dentes e nem assim desagarrar meu corpo gelado, as grades de ferro e portões de madeira com uma aparência que até a mim era assustadora, eu só conseguia imaginar o quanto ela estava aterrorizada.
Dentro do elevador, os Volturi ficaram mais relaxados eles jogaram suas mantas pra trás, deixando o capuz cair sobre seus ombros.
Bella se encolheu com medo num canto, se apertando contra mim, eu esfregava o seu braço e nunca tirava os olhos de Jane.
O passeio no elevador foi curto.
"Boa tarde, Jane".
Disse a humana que trabalhava na recepção.
Felix piscou pra ela e deu uma rizadinha, eu ouvi os pensamentos nojentos dos dois sem querer até que chegamos à outra porta e nos deparamos com o irmão gêmeo de Jane.
"Jane!"
Ele cumprimentou com entusiasmo.
"Alec..."
Ela respondeu, abraçando o garoto, eles beijaram um ao outro
nas duas bochechas, depois ele olhou pra nós.
"Eles te mandam buscar um e você volta com dois... e meio."
Ele notou, olhando pra Bella.
"Bom trabalho".
Ela sorriu o som radiante de deleite como a gargalhada de um bebê.
"Bem vindo de volta, Edward."
Alec me saudou.
"Você parece de melhor humor".
"Marginalmente",
Concordei com uma voz plana, por mais incrivel que pareça eu estava com um humor pior antes.
Alec gargalhou examinando minha garota quando a viu ao meu lado.
"E essa é a causa de todos os seus problemas?"
Ele perguntou ceticamente.
Sorri de sua expressão depreciativa e congelei ao ouvir Felix tendo idéias perigosas sobre Bella, não pude conter o rosnado no meu peito, Alice tocou o meu braço, quando eu quis revidar provocação.
"Paciência."
Ela me avisou, trocamos um longo olhar.
"Você ficou maluco? Caçar uma briga aqui? Como se já não estivéssemos ferrados o suficiente? Olha só o que vai acontecer se não nos matarem."
Ele teve uma visão nebulosa que alternava entre, nós sendo mortos, e nós sendo presos, na visão de sermos presos meu pai vinha nos buscar aqui, nem preciso dizer o que ele faria conosco, só posso dizer que desisti do ataque na mesma hora, morrer seria pior mas não tornava uma surra do meu pai, na frente da guarda, uma opção a ser considerada, respirei fundo e me virei de volta pra Alec.
"Aro ficará agradado em te ver novamente"
Alec disse, como se nada tivesse acontecido.
"Não vamos deixá-lo esperando."
Jane sugeriu.
Acenei com a cabeça uma vez.
Alec e Jane, de mãos dadas, guiaram o caminho para outro grande
corredor ornamentado eles ignoraram as portas no final do corredor inteiramente cobertas de ouro, parando no meio do corredor e deslizando um painel para expor uma porta normal de madeira que não estava trancada, Alec a segurou aberta pra Jane.
Eu puxei Bella pra perto de mim.
A sala não estava vazia. Várias pessoas estavam reunidas numa
conversa que parecia relaxada. O murmúrio de vozes baixas, suaves, eram um gentil zumbido no ar, eu olhava pras portas imaginando que meu pai poderia entrar por elas e com meia duzia de por favores e obrigados, resolver tudo.
"Jane, minha querida, você retornou!"
Aro disse disfarçando surpresa.
Ele deslizou pra Jane, pegou o rosto dela em suas mãos de papiro, e a beijou levemente diretamente nos lábios, e depois deu um passou pra trás.
"Sim, Mestre"
Jane sorriu, a expressão fez ela parecer uma criança angelical.
"Eu o trouxe de volta vivo, assim como você desejou".
"Ah, Jane", ele sorriu também. "Você é um conforto tão grande pra
mim".
Ele virou seus olhos nebulosos na nossa direção, e o sorriso dele
brilhou - se tornou estático.
"E Alice e Bella, também!"
Ele se alegrou, batendo suas mãos magras uma na outra.
"Essa é uma feliz surpresa! Maravilhosa!"
Percebi a surpresa de Bella pela intimidade que soara na voz dele ao citar os nomes.
Ele se virou para o nosso acompanhante grosseiro.
"Felix, seja bonzinho e diga aos meus irmãos que nós temos companhia eu tenho certeza de que eles não vão querer perder isso."
"Sim, Mestre."
Felix balançou a cabeça e desapareceu pelo caminho
por onde havíamos vindo.
"Você vê, Edward?"
Aro se virou e sorriu para mim como se fosse um avô afetuoso dando uma bronca.
"O que eu te disse? Você não está feliz que eu não te dei o que você queria ontem?"
"Sim, Aro, eu estou"
Concordei, apertando meu braço na cintura da minha amada.
"Eu adoro um final feliz".
Aro suspirou.
"Eles são tão raros, as eu quero a história toda como isso aconteceu? Alice?"
Ele virou o olhar para Alice com olhos curiosos, mistificados.
"Seu irmão parecia pensar que você era infalível, mas aparentemente houve algum erro".
"Oh, eu estou longe de ser infalível."
Ela deu um sorriso deslumbrante, ela pareceu perfeitamente tranquila, exceto por suas mãos estarem curvadas em bolas em seus pequenos punhos.
"Como você pôde ver hoje, eu causo problemas com a mesma frequência que os concerto".
"Você é muito modesta."
Aro chiou.
"Eu ví algumas de suas incríveis façanhas, e eu devo admitir que nunca observei nada como o seu talento. Maravilhoso!"
Alice deu uma olhada pra mim.
"Seu idiota, você contou pra eles sobre mim? Ele vaia fazer de tudo pra ficar com agente, sua sorte é que eu não sou dedo duro, ou eu daria mais um motivo pra o papai te matar, mas não se preocupe, ele vai te acabar com sua raça mesmo assim."
Ele não cansava de dizer que meu pai iria acabar comigo, eu já me perguntava se ela tinha visto alguma coisa, isso seria ótimo, significaria que sobreviveríamos, pelo menos até chegar em casa.
Mas o mais provável, é que não era uma visão e sim o fato de conhecer meu pai muito bem, eu também o conhecia o suficiente pra saber que ele não decidiria nada antes de saber que estávamos a salvo.
Aro não perdeu a nossa conversa mental.
"Me desculpe, nós não fomos apropriadamente apresentados, fomos? É só que eu sinto que já te conheço, e eu tenho a tendência de me apressar. O seu irmão nos apresentou ontem, de uma forma peculiar. Veja, eu e o seu irmão dividimos um talento, só que eu sou limitado de uma forma que ele não é."
Aro balançou a cabeça, o tom dele estava invejoso.
"E também exponencialmente mais poderoso"
Eu adicionei secamente e olhei pra Alice enquanto rapidamente me explicava.
"Aro precisa de contato físico pra ouvir os pensamentos, mas ele consegue ouvir muito mais do que eu. Você sabe que eu só
posso ouvir o que se passa na sua cabeça no momento. Aro ouve
cada pensamento que a sua mente já teve".
Alice levantou as delicadas sobrancelhas, e eu inclinei a cabeça pra ela.
Aro não perdeu isso também.
"Mas ser capaz de ouvir á distância..."
Aro suspirou, fazendo um gesto na direção de nós dois, e a troca que havia acabado se passar.
"Isso seria tão conveniente".
Aro olhou por cima dos ombros. Todas as outras cabeças se viraram
na mesma direção, incluindo Jane, Alec e Demetri, que estavam
silenciosamente ao nosso lado.
Felix estava de volta, e atrás dele flutuaram Marcus e Caius.
O trio da pintura de Carlisle estava completo, exatamente o mesmo
de trezentos anos atrás quando o quadro foi pintado.
"Marcus, Caius, olhem!"
Aro sussurrou.
"Bella está viva afinal, e Alice está aqui com ela! Isso não é maravilhoso?"
Nenhum dos dois parecia escolher maravilhoso como a primeira
palavra que vinha na mente deles.
Marcus parecia extremamente entediado, como se ele já estivesse de saco cheio do entusiasmo de Aro. O olhar do outro estava ácido por baixo do cabelo cor de neve.
A falta de interesse não mudou o divertimento de Aro.
"Vamos ouvir a história"
Aro quase cantou na sua voz plumosa.
Marcus se afastou, deslizando na direção de um dos tronos de madeira. O outro parou ao lado de Aro, a alcançou sua mão, a no começo eu pensei que ele fosse segurar a mão de aro mas ele só tocou a palma de Aro brevemente e depois colocou a sua mão de lado, Aro ergueu uma sobrancelha.
Rosnei baixinho, e Alice olhou pra mim, curiosa.
"Obrigado, Marcus"
Aro disse.
"Isso é muito interessante".
Marcus tinha, mostrado a ele, o quanto eramos ligados, acho que na tentativa de fazer Aro desistir daquele circo todo, mas o que realmente fez foi fazer Aro vê-la como um obstáculo para o que ele queria.
Marcus não parecia interessado. Ele deslizou pra longe de Aro para se juntar a Caius, sentado contra a parede.
Aro ficou balançando a cabeça.
"Incrível! Absolutamente incrível".
A expressão de Alice estava frustrada.
"Você não vai me deixar de fora não é maninho?"
Me virei pra ela e expliquei de novo numa voz rápida e baixa.
"Marcus vê relacionamentos. Ele está surpreso pela intensidade do nosso".
Aro sorriu.
"Tão conveniente"
Ele repetiu pra sí mesmo, e então ele
falou pra nós.
"É um pouco difícil surpreender Marcus, eu lhes
asseguro".
Eu olhei para o rosto morto de Marcus, e acreditei nisso.
"É tão difícil de entender, mesmo agora"
Aro meditou, olhando para o meu braço de agarrado em Bella.
"Como é que você consegue ficar assim tão perto dela?"
"Não é sem esforço"
Respondi calmamente.
"Mas mesmo assim - la tua cantante! Que desperdício!"
Gargalhei uma vez sem humor.
"Eu considero isso mais como um preço".
Aro estava cético.
"Um preço muito alto, o preço da oportunidade".
Aro sorriu.
"Se eu não tivesse cheirado ela através das suas
memórias, eu nunca teria acreditado que o chamado do sangue de
alguém pudesse ser tão forte. Eu mesmo nunca sentí nada assim. A
maioria de nós trocaria qualquer coisa por tal dom, e ainda assim
você..."
Eu finalizei com sarcasmo.
"Desperdiça."
Aro sorriu de novo.
"Ah, como eu sinto falta de meu amigo Carlisle! você me lembra dele - só que ele não era tão raivoso".
Pensei comigo mesmo, que Aro nunca o vira com o cinto da disciplina na mão.
"Carlisle me excede em muitos outros sentidos também".
Respondi fazendo reverencia ao meu pai.
"Eu certamente nunca esperei ver Carlisle perdendo o auto-controle
entre todas as coisas, mas você consegue superá-lo".
Ele insistiu e eu retruquei com impaciência.
"Dificilmente".
Estava cansado das preliminares, eu queria partir logo pra luta e tirar Bella de lá, mas ele continuava falando do papai.
"Eu estou gratificado com o sucesso dele"
Aro meditou.
"As suas memórias dele são um verdadeiro presente pra mim, apesar de elas terem me deixado extenuosamente aturdido. Eu estou surpreso de como isso... me agrada, o seu sucesso com os métodos incomuns que ele escolheu. Eu esperava que ele fosse desistir, enfraquecer com o tempo. Eu ridicularizei seus planos de encontrar outros que dividissem a sua visão particular. Mesmo assim, de alguma forma, eu estou feliz por estar errado".
Não respondi.
"Mas a sua resistência!...Eu não sabia que tal força era
possível, ignorar a se mesmo a um chamado tão urgente, não apenas uma vez mas de novo e de novo, se eu mesmo não tivesse sentido isso, eu nunca teria acreditado, só de me lembrar o quanto ela é apelativa pra você...",
Aro gargalhou.
"Eu já fico com sede".
Fiquei tenso, com seu pensamento breve de bebê-la.
"Não fique perturbado, eu não represento perigo pra ela. Mas eu estou tão curioso, sobre uma coisa em particular".
Ele olhou na direção dela brilhando de interesse.
"Posso?"
Ele perguntou ansiosamente, levantando uma mão.
"Pergunte a ela"
Sugeri numa voz plana.
"É claro, que rude da minha parte!Bella, estou fascinado que você é a única exceção para o impressionante talento de Edward - é muito
interessante que uma coisa assim ocorra! E eu estava imaginando, já que os nossos talentos são similares de tantas formas, se você seria gentil de me deixar tentar - pra ver te você é uma exceção pra mim, também?"
Os olhos dela olharam pra mim aterrorizados. Apesar da evidente
educação de Aro, eu não acreditava que ela realmente tivesse uma
escolha, acenei com a cabeça para encorajá-la
"Muito interessante"
Ele disse enquanto soltava a mão dela e voltava pra trás.
Aro continuou a se afastar com uma expressão pensativa. Ele ficou
quieto por um momento, seus olhos passando rapidamente por nós
três, então, abruptamente, ele balançou a cabeça.
"A primeira"
Ele disse pra sí mesmo.
"Eu me pergunto se ela é imune aos nossos outros talentos... Jane, querida?"
"Não!"
Eu rosnei com a palavra, vi em sua mente o que pretendia, Alice agarrou o meu braço com uma mão de restrição e a sacudi, se meu pai tivesse me visto fazer isso com minha irmanzinha, não sobraria nada pra Jasper destruir, ela quase caiu no chão, tamanha minha grosseria, eu sei que ela só queria me ajudar mas eu só queria ajudar a Bella.
A pequena Jane sorriu alegremente para Aro.
"Sim, Mestre?"
Eu estava realmente rosnando agora, o som rasgando e
escapando de dentro de mim, estava olhando pra Aro com olhos
violentos, a sala inteira havia ficado imóvel, todo mundo olhando pasmo de descrença, eu estava cometendo uma falha social grave.
Felix sorriu esperançosamente e deu um passo á frente, Aro olhou pra ele uma vez, e ele congelou no lugar, o seu sorriso se transformando numa expressão mal humorada depois ele falou com Jane.
"Eu estava imaginando, minha querida, se Bella é imune a você".
Fiquei na frente de Bella rosnando furioso.
Caius se moveu na nossa direção, com suas acompanhantes, para
observar e Jane se virou na nossa direção com um sorriso angelical.
"Não!"
O grito de Alice foi tudo que ouvi quando me lancei em cima da menininha, depois disso tudo era dor, fogo queimava em cada fibra do meu ser, não era possível nem sequer pensar, depois disso não sei o que houver só sei que a dor sessou e vi na prisão dos
braços de Alice, ainda lutando sem sucesso.
"Ele está bem"
Alice cochichou com uma voz dura. Enquanto ela falava, eu me sentei, e então saltei levemente para os pés, meus olhos
encontraram os de Bella, e eles estavam golpeados de horror mas em seguida relaxei de alívio nada aconteceu.
Estava do lado dela de novo, toquei o braço de Alice, e ela
me entregou meu amor.
Aro começou a rir.
"Ha, ha, há! Isso é maravilhoso!".
Jane bufou de frustração, se inclinando pra frente como se ela
estivesse pronta pra atacar.
"Não fique chateada, querida ela confunde a todos nós".
O lábio superior de Jane se curvou por cima de todos os seus dentes enquanto ela continuava a encarar Bella.
Aro gargalhou de novo.
"Ha, ha, há! Você é muito corajoso Edward, por ter suportado em silêncio. Eu pedí pra Jane fazer isso comigo uma vez - só por curiosidade". Ele balançou a cabeça com admiração, o encarei enojado, não me admirava em nada meu pai ter abandonado esse sado masoquista, quem iria querer uma família daquelas?
"Então o que fazemos com vocês?"
Aro suspirou.
Alice e eu enrijecemos, essa era a parte pela qual nós estávamos esperando, a parte que decidiria a nossa vida o momento que a presença do meu pai se fazia mais do que necessária, sermos arrastados pelas orelhas pra longe daqui se tornara nosso maior desejo.
"Eu não acho que exista alguma chance de você ter mudado de
idéia?"
Aro me perguntou esperançosamente.
"O seu talento seria uma grande adição para a nossa pequena companhia".
Hesitei, Felix e Jane fizeram careta com isso.
"Eu... prefiro...não".
"Alice? será que você poderia estar interessada em se juntar a nós?"
"Não, obrigada"
Logicamente foi a resposta da minha irmã
"E você, bella?"
Aro ergueu as sobrancelhas.
Ele estava imaginando o quão poderosa Bella seria se transformada.
Foi o Caius quem quebrou o silêncio.
"O que?"
Ele quis saber de Aro, a voz dele, apesar de não ser mais que um sussurro, era plana.
"Caius, você certamente vê o potencial"
Aro o repreendeu afetivamente.
"Eu não vejo um talento tão promissor desde que encontramos Jane e Alec, você pode imaginar as possibilidades se ela se transformar em uma de nós?"
Caius desviou o olhar com uma expressão cáustica. Os olhos de Jane brilharam de indignação pela comparação.
Eu estava quase fora de mim, mas antes que eu reagisse, Bella deu uma resposta, carregada de medo.
"Não, obrigada"
Aro suspirou.
"Isso é uma pena, tanto desperdício".
Eu resolvi falar acabando com o suspense.
"Se juntar ou morrer, não é isso? Eu já suspeitava, quando nós fomos trazidos a essa sala, tanto por suas leis".
Escolhi as palavras com grande cuidado.
"É claro que não nós já estávamos reunidos aqui, Edward, esperando pelo retorno de Heidi, não por você".
"Aro"
Caius assobiou.
"A lei clama por eles".
Olhei pra Caius.
"Como é isso?"
Quis saber, na verdade já sabia o que Caius estava pensando, mas estava determinado a fazê-lo falar em voz alta.
Caius apontou um dedo esquelético pra Bella.
"Ela sabe demais, você expôs os nossos segredos".
A voz dele era fina como papel, assim como a pele dele.
"Tem alguns humanos nessa sua piadinha aqui, também"
Lembrei ele, eu falei da recepcionista bonita lá embaixo.
O rosto de Caius se transformou em outra expressão. Era pra ele
estar sorrindo.
"Sim mas quando eles já não forem mais úteis para nós, eles vão servir pra nos sustentar. Esse não é o seu plano pra essa aí. Se ela trair o nosso segredo, você estaria preparado pra destruí-la? Eu acho que não"
Ele fez escárnio.
"Eu não iria -"
Bella começou e Caius a silenciou com um olhar gelado.
"Você também não tem a intenção de torná-la uma de nós, portanto, ela é uma vulnerabilidade, apesar disso ser
verdade, por isso, só a vida dela deve ser penalizada. vocês podem ir embora se quiserem".
Nada saiu da minha boca se não um rosnado furioso.
"Foi isso que eu pensei"
Caius disse, agradado com alguma coisa, Felix se inclinou para a frente, ansioso pra atacar Bella, eu me joguei nele sem pensar, escutei os gritos de pavor de minha irmã, mas não podia fazer nada além de usar a força física, já tinhamos tentado de tudo e a morte de Bella acabara de ser anunciada.
Poucos movimentos de luta, e me vi sendo atirado na escadaria do trono esmagando minhas costelas nas quinas dos degraus, eu estava fraco e mau alimentado, e acabara de dar um motivo para que Felix me matasse, antes que ele o fizesse ouvi o som do protesto de Bella.
Não ele não, mate a mim, sou eu quem você quer...
"Fascinante..."
Aro disse parando Felix com um gesto.
"Daria sua vida por uma criatura sem alma como nós?"
"Os olhos de Marcus revirarão no óbvio que ele já apontara antes, nossa relação era surpreendentemente intensa como ele havia dito a Aro a minutos atrás, ele já estava entediado com os joguinhos dele para sua própria diversão."
"Não sabe nada sobre a alma dele!"
Ela cuspiu corajosa, como um último ato de coragem pra não morrer como um ratinho assutado e tomou uma postura de entrega, impetuosa e decidida. Eu nunca devia tê-la deixado, estava claro que ela não poderia viver sem mim assim como eu não fui capaz de tolerar a idéia de sua morte, pertencíamos um ao outro da forma mais estranhamente intensa que alguém pudesse pertencer a alguém.
"Felix deixe o rapaz, perdôo suas ações em nome de Carlisle, deixe que o pai do esquentadinho aí de um jeito nos modos dele, pelo que vi nos pensamentos de sua irmã ele tem métodos um tanto eficazes de colocar seus filhos na linha."
Ele deu uma risada gostosa zombando de mim, em sua mente eu me vi no colo do meu pai com as calças nos tornozelos e bunda de fora levando uma palmada, devia querer morrer de vergonha com isso, mas os passos largos de Felix em direção de Bella tornou isso o menor dos meus problemas.
"Não toque nela!"
Meu grito levou Aro a detê-lo.
"A não ser..."
Aro interrompeu, para evidente frustração de Caius.
"A não ser que você tenha a intenção de dá-la a imortalidade".
Torci os lábios, hesitando por um momento antes de
responder.
"E se eu tiver?"
Aro sorriu, feliz de novo.
"Ora, então você pode ir pra casa e dar as minhas lembranças ao meu amigo Carlisle".
A expressão dele se tornou mais hesitante. "Mas eu temo que você tenha que ser sincero".
Aro ergueu a mão na minha frente, Caius, que havia começado e fazer caretas furiosas, relaxou.
"Seja sincero, por favor".
Bella implorou num sussurro, sabia que ela ainda não entendia minhas razões, tive medo que ela considerasse a oferta deles pretendendo fugir depois e se juntar a mim, eu realmente cheguei a considerar por um segundo a possibilidade de pedir ao meu pai para envenená-la.
Eu olhei para a sua expressão torturada.
E então Alice se separou de nós, e foi na direção de Aro. Nós nos
viramos pra olhá-la.
A mão dela estava erguida como a dele.
Ela não disse nada, e Aro mandou seus ansiosos guardas embora
com um gesto quando eles se aproximaram pra bloquear a
aproximação dela.
Aro se encontrou com ela no meio do caminho, e
pegou a mão dela com um brilho ansioso, aquisitivo, nos olhos, ele inclinou sua cabeça na direção de suas mãos juntas, seus olhos se
fechando enquanto ele se concentrava, Alice estava imóvel, o rosto
dela vazio meus dentes se fecharam, ninguém se mexeu, Aro parecia estar congelado em cima da mão de Alice.
A imagem era nítida como em cristal líquido, Bella e eu correndo pelo campo, ela exatamente como eu , o chocolate dos seus olhos transformado em mel, sua pele mais pálida do que era, ela seria transformada por Alice, minha irmã esperta decidira isso pra que pudesse vê-la, em momentos como esse o nome Cullen faz uma diferença enorme, somos conhecidos em encontrar solução pra tudo, muito me admira não conseguirmos dobrar meu pai por muito tempo, mas também, ele é o Cullen maior.
"Ha, ha, há! Isso foi fascinante!"
Alice sorriu secamente.
"Eu fico feliz que você tenha gostado".
"Ver as coisas que você viu - especialmente aquelas que ainda não
aconteceram!"
Ele balaçou a cabeça maravilhado.
"Mas que irão", ela o lembrou, com a voz calma.
"Sim, sim, isso já está bem determinado. Certamente não há nenhum problema".
Caius pareceu um pouco desapontado - um sentimento que ele
parecia compartilhar com Felix e Jane.
"Aro"
Caius reclamou.
"Querido Caius, não tema, pense nas possibilidades! Eles não se juntam a nós hoje, mas nós podemos sempre esperar pelo futuro. Imagine a alegria que a pequena Alice traria para a nossa casa... Além do mais, eu estou tão terrivelmente curioso pra ver como Bella se sai!"
Aro pareceu convencido. Ele não se dava conta de como as visões de Alice podiam ser subjetivas. Será que ele não via que ela podia estar convencida a transformá-la, e mudar de idéia depois?
"Então estamos livres pra ir agora?"
Eu perguntei com uma voz uniforme.
"Sim, sim"
Aro disse, absolutamente agradado.
"Mas por favor, visitem de novo, isso foi absolutamente fascinante".
"E nós também visitaremos vocês", Caius prometeu, os olhos dele
ficaram meio fechados de repente como se fossem pálpebras pesadas de um lagarto.
"Pra ter certeza de que você fará o que promete, se eu fosse você, eu não demoraria muito. Nós não damos segunda chance"
Acenei com a cabeça uma vez.
Caius sorriu e deslizou para onde Marcus continuava sentado, sem se mexer e desinteressado.
Felix gemeu.
"Ah, Felix"
Aro sorriu, divertido.
"Heidi estará aqui a qualquer momento, paciência".
"Hmm...Nesse caso, é melhor irmos logo do que deixar pra depois".
"Sim", Aro concordou. "Essa é uma boa idéia. Acidentes podem acontecer. Por favor esperem aqui até anoitecer, se vocês não se
importarem".
Concordei, enquanto eu me contorcia com a idéia de esperar até o dia terminar pra poder escapar.
"E aqui"
Aro adicionou, fazendo um gesto pra Felix com um dedo, ele se aproximou imediatamente, e Aro tirou a manta cinza que o
enorme vampiro usava, tirando-a de seus ombros. Ele passou ela pra mim.
"Pegue isso. Você parece um pouco suspeito".
Coloquei a longa manta, deixando o capuz abaixado e Aro suspirou.
"Combina com você".
Gargalhei, mas parou de repente, olhando por cima do
ombro.
"Obrigado, Aro. Nós esperaremos lá embaixo".
"Adeus, jovens amigos, papai deve estar ansiosos pra ver vocês dois."
Sua mente reproduzia imagem do meu pai com um cinto nas mãos, ele deu uma gargalhada, eu podia ter ficado d cor de um tomate se em minhas veias corressem sangue ao invés de veneno, mais minha expressão e meus olhos denunciaram meu constrangimento, Bella não percebeu em meio ao seu medo, mas a ficha de Alice caiu na hora e ela ficou tão constrangida quanto eu quando percebeu o que eu devia ter visto na mente de Aro.
"Lembranças minhas a Carlisle!"
Aro disse, com os olhos brilhantes enquanto
olhava na mesma direção.
"Vamos",
Eu disse urgente, Heidi estrava trazendo humanos para a refeição e eu não queria que Bella estivesse presente.
Saímos apresados,eu arrastava Bella o máximo possível
"Não fomos rápidos o suficiente"
Alice murmurou, Bella olhou pra ela, assustada, mas ela só pareceu pesarosa. Foi aí que ouvimos vozes tagarelando - vozes altas, ásperas - vindas da antecâmara.
"Isso não é normal, é tão medieval",
Um esguicho desagradável, uma voz feminina se fez ouvir no fundo.
Uma grande multidão estava passando pela porta, enchendo a
câmara menor, Demetri fez um gesto para que dessemos espaço, nós nos pressionamos na parede fria pra deixá-los passar.
Um casal na frente, Americanos pelo jeito deles, olharam ao redor
com olhos avaliadores.
"Bem vindos, visitantes! Bem vindos á Volterra!"
Eu podia ouvia a voz de Aro cantar de dentro da grande sala redonda, o resto deles, talvez quarenta ou mais, entraram depois do casal, Alguns estudavam panfletos como turistas, alguns deles até tiravam fotos, outros pareciam confusos, como se a história que os guiou até alí já não fizesse sentido. Eu notei em uma mulher pequena, escura, em particular. Ela tinha um rosário ao redor do pescoço, e ela segurava a cruz com força em uma das mãos. Ela caminhava mais devagar do que os outros, tocando alguém de vez em quando pra fazer perguntas em uma língua desconhecida, ninguém parecia entendê-la, e a voz dela começou a parecer mais cheia de pânico.
Puxei o rosto de Bella para o meu peito, mas já era tarde demais, ela já tinha entendido.
Assim que a menor brecha apareceu, a puxei rapidamente
para a porta. Eu podia sentir a expressão horrorizada no seu rosto, e as lágrimas começando a se aglomerar nos seus olhos.
O corredor ornamentado com ouro estava quieto, vazio exceto por Heidi, olhando curiosamente para minha garota.
"Bem vinda ao lar, Heidi"
Demetri a saudou atrás de nós.
"Demetri"
Ela respondeu com uma voz sedosa, seus olhos passando
rapidamente entre o rosto de de Bella e minha manta cinza.
"Boa pesca", Demetri a cumprimentou.
"Obrigada"
Ela mostrou um sorriso formidável.
"Você não vem?"
"Em um minuto, guarde alguns pra mim".
Heidi balançou a cabeça e passou pela porta com uma última olhada curiosa para Bella, comecei a andar num ritmo que a fiz correr pra acompanhar, nós ainda não havíamos conseguido alcançar a porta ornamentada no fim do corredor quando a gritaria começou.
Demetri nos deixou na alegre recepção opulenta, onde a mulhaer
chamada Gianna ainda estava no seu posto atrás do balcão polido.
Uma música brilhante, inofensiva saía dos auto falantes.
"Não deixem até que esteja escuro"
Ele nos advertiu.
Balancei a cabeça, e Demetri se apressou pra ir embora.
Gianna não pareceu nem um pouco surpresa com a mudança, apesar dela ter olhado para a manta emprestada a mim com astuta
especulação.
"Você está bem?"
Perguntei por baixo do fôlego, baixo demais para a mulher humana ouvir, ainda estressado pela nossa situação.
"É melhor você sentar ela antes que ela caia", Alice disse. "Ela está
caíndo aos pedaços".
Alice disse em um tom irritantemente desaprovador tentando imitar a mamãe.
Bella tremia tanto que nem notara nossa silenciosa discussão, a humana também não poderia ouvir tão baixo falávamos.
"Você não é a mamãe então pare de agir como tal."
"E você não é o papai, então não me diga o que fazer."
"Se eles pudessem ver o estado dessa garota ficariam mais malucos do que já estão."
"E dá pra parar de enfatizar que eu vou apanhar como se isso fosse uma novidade?"
Antes que Alice devolvesse uma resposta a altura, senti Bella tremer um calafrio fazendo uns gemidos estranhos.
"Shh, Bella, shh"
Eu disse enquanto a colocava no sofá mais distante da curiosa humana no balcão.
"Eu acho que ela está ficando histérica, talvez você devesse dar um
tapa nela", Alice sugeriu.
Dei uma olhada frenética pra ela.
"Você vai ver quem é que vai ganhar uns tapas na bunda agorinha mesmo."
"Gostaria de ver você tentar, e se você conseguisse eu contaria tudo pra o meu pai."
Você fala como se ele fosse só seu ele é meu também, Princesa Rosalie."
Sussurrávamos uma discussão somente pra nós enquanto tentava acalmar Bella acariciando seus bracinhos delicados.
"Está tudo bem, você está a salvo, está tudo bem"
Eu cantava de novo e de novo.
A coloquei no colo e passei a manta grossa por cima dela, protegendo-a da minha pele fria.
"Todas aquelas pessoas"
Ela soluçou.
"Eu sei"
Cochichei.
"É tão horrível".
"Sim, é sim, eu queria que você não tivesse que ter visto aquilo".
Ela descansou sua cabeça no meu peito gelado, usando a manta
grossa pra limpar seus olhos, respirou fundo algumas vezes, pra
se acalmar.
"Há alguma coisa que eu possa pegar pra vocês?"
Uma voz perguntou educadamente, era Gianna se inclinando por cima do meu ombro, era preocupação profissional, ela não parecia estar incomodada com o fato de que estava a poucos centímetros de um vampiro hostil, ou ela era completamente inconsciente, ou muito boa em seu trabalho.
"Não"
Respondi friamente.
Ela balançou a cabeça, sorriu pra ela, e depois desapareceu.
"Ela sabe o que está acontecendo por aqui?"
Bella quis saber, sua voz estava baixa e rouca.
Ela estava se controlando, sua respiração saindo uniformemente.
"Sim. Ela sabe de tudo"
"Ela sabe que eles vão matá-la um dia?"
"Ela sabe que é uma possibilidade"
Eu disse, isso a surpreendeu.
"Ela está esperando que eles decidam ficar com ela".
Esclareci.
"Ela quer ser um deles?"
Acenei com a cabeça uma vez, meus olhos afiados no seu rosto, observando sua reação.
Ela levantou os ombros.
"Como é que ela pode querer isso?"
Ela sussurrou, mais pra ela mesma do que realmente procurando por uma resposta.
"Como é que ela pode ver aquelas pessoas enchendo aquela sala odiosa e querer ser parte disso?"
Eu não respondi, minha expressão se torceu em resposta ao que ela disse.
De repente ela mudou sua expressão, estava confusa e realizada ao mesmo tempo.
"Oh, Edward"
Ela chorou.
"Qual é o problema?"
Eu perguntou, ainda ansioso, esfregando as
suas costas com palmadinhas gentis, desejando, como sempre, poder ler seus pensamentos.
"É realmente doentio da minha parte estar feliz agora?"
Ela perguntou abraçando meu pescoço, sua voz se quebrou duas vezes.
A agarrei apertado no meu peito duro e gelado
"Eu sei o que você quer dizer, mas nós temos muitas razões pra estarmos felizes, pra começar, estamos vivos".
"Vivos e ferrados, não é só papai que deve estar maluco o Charlie deve estar fumando."
Alice pensou pra mim cortando mais uma vez o meu momento.
"Sim essa é uma boa".
Bella respondeu.
"E juntos"
Completei lançado uma olhar assassino pra minha pequena irmanzinha irritante.
"E, com alguma sorte, ainda estaremos vivos amanhã".
Eu falei em duplo sentido, Bella falava de vapiros e eu me referia aos nossos pais.
"Espero que sim"
Ela disse com dificuldade.
"As chances são muito boas"
Alice nos assegurou.
"Vou ver Jasper em menos de vinte e quatro horas",
Ela adicionou com um tom satisfeito.
Eu olhei de volta pra Bella, acariciando seu rosto.
"Você parece tão cansada".
"Você parece com sede"
Ela cochichou de volta, estudando as manchas roxas embaixo das minhas íris pretas.
Levantou os ombros.
"Não é nada".
"Você tem certeza? Eu posso ir me sentar com Alice"
Ela ofereceu, nitidamente sem vontade,
"Não seja ridícula, eu nunca tive mais controle dessa parte da minha natureza do que agora".
Ela olhava para o meu rosto como se quisesse eternizar aquele momento, e eu fazia o mesmo, tudo que passei com os Volture e tudo que passaria em casa, passado e futuro, não seriam capazes de pagar por aquele presente, ela estava ali, viva e nos meus braços, eu ficaria assim pra sempre.
Mas a voz urgente da minha irmã me tirou do meu devaneio, precisávamos ir pra casa.
"Você está imundo, sem roupa, sem grana, sem documento e nem se quer temos um carro, Aro já deve ter ligado pra o papai dizendo que estamos voltando, a menos que você esteja planejando fujir da ira do Dr. Cullen, é melhor começarmos a planejar um jeito de voltar pra Forks."
Sua voz era rápida e baixa demais pra Bella ouvir, não queria envolvê-la em mais problemas então, respondi da mesma forma.
"Forks? O que houve com Alaska?"
"Depois de saberem que Bella estava viva, nossos pais resolveram acabar com sua birrinha e voltar pra casa de Forks, já estamos até matriculados em Forks High novamente."
"Minha carteira está no bolso detrás da minha calça, eu não sou tão idiota assim, precisei de documentos e dinheiro pra chegar aqui, o problema é que eu gastei todo ele, papai bloqueou meu cartão quando me recusei a voltar do Brasil, eu não tinha intenção de voltar da Itália por isso não me importei em gastar toda a grana na passagem pra vir, cheguei aqui correndo, pois nem me sobrou dinheiro pra alugar um carro ou pagar um taxi."
Ele riu e falou com um tom zombeteiro.
Isso explica porque você está tão sujo assim? Você veio correndo por dentro de algum capo de batalha, por que seus olhos denunciam que você não caçou, sua pele está toda suja com marcas de musgo, barro e sei lá mais o quê.
Olhei meus braços em volta de Bella e percebi o que ela falava.
"Não me importei com isso, estava caçando Victória esqueceu? Tomar banho foi o que menos me importou, minha camisa já estava um lixo quando cheguei, e eu a tirei pra me expor ao sol, você bem que podia me ajudar ao invés de ficar me massacrando, deixa isso pra o papai e pra mamãe."
Ela fez um bico de manha, mostrando pena de mim.
"Suas roupas não serão problema posso comprar outras, mas isso não vai ajudar muito, não teremos tempo de passar em um hotel pra você tomar um banho, e nem tempo pra caçar, mamãe vai surtar ao te ver assim."
"E como vamos sair daqui, você alugou um carro pra vir?"
"Não... eu aproveitei da situação pra roubar um Porshe turbinado, igual aquele que tenho implorado pra o papai me dar e ele disse que só depois que eu diminuir as faturas do meu cartão, eu juro por Deus que se o ele souber eu vou te caçar como um cão."
Ela abandonou o carro chamativo que com certeza já fora encontrado e devolvido ao dono por alguma empresa de seguro especial, estávamos a pé a menos que roubássemos outro.
"Lice, não se preocupe eu nunca entregaria você, não costumo entregar nem a Rose."
Minha boca se encheu de amargura ao dizer o nome de minha irmã mais velha.
"Além do mais, estou te devendo uma, na verdade, estou te devendo todas."
Eu disse voltando os olhos pra razão da minha existência bem ali no meu colo.
"Que conversa foi aquelas sobre cantores?"
Alice perguntou.
"Eles têm um nome pra as pessoas que cheiram como a Bella cheira pra mim, eles chamam de minha cantora - porque o sangue dela canta pra mim".
Alice sorriu.
Bella estava cansada o suficiente pra dormir, mas lutava contra a
inconsciência, parecia não querer perder nem um segundo do tempo que tinha comigo.
De vez em quando, enquanto falava com Alice, eu me
inclinava de repente e a beijava - meus lábios gelados e macios
passavam no seus cabelos, na sua testa, a ponta do seu nariz.
E cada vez era como se um choque elétrico estivesse passando no
meu coração há muito adormecido. Os sons das batidas do dela pareciam encher a sala inteira, era o paraíso - bem no meio do inferno.
Perdemos a noção do tempo.
"Vocês estão livres pra ir agora"
Alec nos disse, o tom dele era tão cálido que se poderia pensar que eramos todos amigos de longa data.
"Nós os pedimos que não se demorem na cidade".
Eu não inventei nenhuma resposta educada, minha voz era fria
como gelo.
"Isso não será um problema".
Alec sorriu, balançou a cabeça, e desapareceu novamente.
"Sigam o corredor direito ao redor da esquina para chegarem no
primeiro pavimento de elevadores"
Gianna nos disse enquanto ajudava Bella a ficar de pé.
"O saguão é dois andares abaixo, e é a saída para a rua. Adeus, agora",
Ela adicionou prazerosamente.
A festa ainda estava com força total nas ruas. As luzes das ruas ainda estavam se acendendo enquanto nós andávamos rapidamente pelas apertadas ruas lotadas.
O céu lá em cima estava de uma cor cinza sombria que estava
desaparecendo, mas os prédios na rua ficavam tão próximos um do
outro que pareciam estar mais escuro.
A festa também estava mais escura, a minha longa e esvoaçante manta eu não nos destacávamos muito do que devia ser mais uma noite normal em Volterra. Haviam outras mantas de cetim preto agora, e os dentes de plástico com as presas que eu vi na criança de praça essa tarde pareciam ser muito populares com os adultos.
"Ridículo"
Murmurei enquanto Alice desaparecia.
"Onde está Alice?"
Bella perguntou em pânico.
"Ela foi recuperar as suas bolsas de onde ela as escondeu hoje de
manhã"
"Ela está roubando um carro também, não está?"
Ela adivinhou.
Abri um sorriso.
"Não até estarmos do lado de fora".
Bella estava tão exausta que quase a carreguei pra fora da cidade, poderia jurar que a senti tremer ao passarmos pelos portões.
Entramos no banco de trás do carro, eu não queria dirijir eu só queria estar com ela.
Alice estava apologética.
"Me desculpem".
Ela fez um gesto vago em direção do painel.
"Não havia muita escolha".
"Está tudo bem, Alice eles não podiam ser todos carros
de emergência Turbos".
Ela suspirou.
"Eu posso ter que adquirir um daqueles legalmente. Foi
fabuloso".
"Eu vou te dar um no natal"
Prometi, imaginando que até lá minha mesada e meus cartões estariam desbloqueados pelo chefe Cullen.
Alice se virou brilhando pra mim,ao invés de manter os olhos na estrada.
"Amarelo"
Ela disse
Eu mantive Bella apertada nos meus braços, dentro da manta
cinza
"Você pode dormir agora, Bella, já acabou".
"Eu não quero dormir. Eu não estou cansada"
Eu pressionei meus lábios no côncavo embaixo da sua orelha.
"Tente"
Encorajei.
Ela balançou sua cabeça.
"Você ainda é uma teimosa".
Eu tinha razão ela era tão teimosa que lutou com as suas pálpebras pesadas, e ganhou.
Em Florença, Alice havia trazido roupas pra mim e deixei a manta
escura em uma pilha de lixo em um corredor do aeroporto.
A viagem até Roma foi curta, a viagem de Roma para Atlanta
seria um problema inteiramente diferente, então ela pediu á comissária de bordo que me trouxesse uma Coca.
"Bella",
Eu disse desaprovando, sabia que ela tinha baixa tolerância á cafeina.
Alice estava atrás de nós. Eu podia ouvir ela murmurando com Jasper no telefone, isso me fez lembrar do que me esperava em casa, eu não podia decidir se agradecia por Alice estar com a mente ocupada pra ver meu futuro, ou sem mandava ela ela desocupar logo pra fazer isso, só uma coisa eu sabia, a essas alturas meu pai já tinha decidido o meu castigo.
"Eu não quero dormir, se eu fechar meus olhos agora, eu vou ver coisas que não quero ver, eu vou ter pesadelos".
Não discutiu com ela depois disso.
Eu continuei valorizando aquele momento, ela devia ter muita coisa pra falar, mas preferiu, como eu, somente regozijar a oportunidade.
Eu fiquei em silêncio, inutilmente esperando que ela fosse dormir, quando nos aproximamos de SeA-Tac eu lancei o meu dom o mais distante que pude.
Meus bebês estão chegando, eu preciso abraçá-los...
Obrigada Deus por trazê-los de volta! Eu prometo cudar melhor dos meus filhos...
Minha Alice... minha vida... minha Alice...
Ele nunca vai me perdoar eu nem devia ter vindo...
Calma minha linda ele vai entender, ele te ama você sabe disso...
Toda a minha famíliaestava lá esperando o avião pousar, meu estômago revirou quando avistei meus pais, olhei nervoso para Alice pra ver se tinha algum vislumbre do futuro, mas sua mente começou a ver coisas nojentas com Jasper, ele foi o primeiro a ser avistado.
Eles se olharam tão fixamente quando se encontraram que nenhum abraço no mundo seria mais intenso.
Papai e mamãe esperavam num canto quieto longe da fila dos
detectores de metal, na sombra de uma grossa pilastra.
Esme veio em nossa direção, abraçando Bella impetuosamente, mas ainda estranhamente, porque eu também estava com os braços ao seu redor.
"Muito obrigada"
Ela disse no meu ouvido dela
Então ela jogou os braços ao redor de mim, e ela estava chorando.
Meu pensamento estava no meu pai que não se moveu pra me abraçar, ele devia estar mais bravo comigo do que com saudade, cara a coisa ia ficar feia lá em casa, tentei ler seus pensamentos.
"Ele está com olheiras ainda mais fundas, olhos famintos, ele não teve o mínimo de cuidado com sigo mesmo desde o Brasil, nem as roupas novas, provavelmente compradas por Alice, disfarçam seu estado deplorável, ao jugar pela sujeira em sua pele, nem banho o menino deve ter tomando a dias, se fosse humano aposto que estaria fedendo, eu seria capaz de lhe dar uma surra aqui mesmo."
Entrei em pânico dentro de mim, me segurei para que Bella não percebesse, dessa vez eu passara dos limites, meu pai ia me matar.
"Você nunca vai me fazer passar por isso de novo"
Ela rosnou pra mim.
"Desculpa, mãe"
Eu disse com um sorrizinho sem graça pra disfarçar na frente da minha namorada, olhei para o meu pai em busca de compaixão depois de ter me desculpado tão humildemente, mas tudo que eu vi em seus pensamentos foi uma única promessa.
"Você me paga moleque!"
Minhas pernas bambearam, meu estômago congelou, o medo era tão evidente que ele se aproximou antes que Bella notasse.
"Obrigado Bella devemos uma a você."
"De jeito nenhum."
Ela murmurou e depois pareceu perder a razão por uma instante, meu pai olhou com cara de médico preocupado, minha mãe ficou nervosa com a situação e me repreendeu.
"Ela está morta de cansaço! Vamos levá-la pra casa."
Mamãe e eu praticamente tivemos que carregá-la até o carro, meu pai deixou que a situação o afastasse de nós, o que foi ótimo, pois ele estava querendo muito arrancar as minhas orelhas ao ver Bella daquele jeito.
Emmett e Rosalie estavam se encostando no Sedan preto, eu enrijeci.
"Não...ela se sente péssima".
Minha mãe falou.
"Ela devia"
Eu quase gritei.
"Não é culpa dela"
Foi a vez de Bella tomar partido na discussão.
"Deixe ela se desculpar"
Esme implorou
"Nós vamos com Alice e Jasper"
No momento em encarei minha irmã, o pensamento do meu pai me veio alto e claro.
"Entre logo nesse carro ou estou indo aí, e ai de você se brigar com a sua irmã! Direto pra casa da Bella, depois direto pra nossa e para o escritório, nem pense em fugir dessa surra, eu vou até o inferno atrás de você, o seu traseiro é meu."
Eu tremi até a base, respirei fundo tentando me recompor da bronca sem que Bella percebesse e entrei no carro.
"Edward"
Rosalie começou.
"Eu sei", o meu tom não era generoso.
"Bella?"
Rosalie perguntou suavemente.
"Sim, Rosalie?"
Bella perguntou, hesitante.
"Eu lamento muito mesmo, Bella. Eu me sinto horrível com cada
parte disso, e muito agradecida que você tenha sido corajosa o
suficiente pra ir salvar o meu irmão depois do que eu fiz. Por favor
me diga que vai me perdoar".
As palavras soaram estranhas, abafadas por causa da vergonha dela, mas elas pareceram sinceras.
"É claro, Rosalie não é culpa sua de jeito nenhum. Fui eu quem pulou da droga do precipício. É claro que eu te perdôo".
As palavras saíram grogues como se ela estivesse segurando um bocejo.
"Isso não conta até que ela esteja consciente, Rose",
Emmett gargalhou.
"Eu estou consciente"
Ele se defendeu do humor fora de hora do meu irmão.
"Deixem ela dormir"
Eu pedi já com um pouco mais de amizade na minha voz, afinal eu era um leitor de mentes e pude ver cada prova consistente do arrependimento sincero de minha irmã, também li o quanto ela estava preocupada com a 'conversa' que meu pai estava esperando para ter comigo, ele lembrou de uma surra que ela ganhara por essa confusão toda, e meu pai dizendo a ela que iria me esfolar vivo.
Ficamos o tempo todo calados, mas eu continuava ouvindo o tormento de minha irmã, cheguei a sentir pena dela, eu precisava falar com ela e deixá-la saber que eu a perdoara de verdade, só não estava pronto pra isso ainda.
"Bella!"
Chalie gritou de uma certa distância, assim que chegamos.
"Charlie"
Ela murmurou tentando sair da letargia.
"Shh... está tudo bem, você está em casa e a salvo. Só durma".
Eu tentei tranquilisá-la mas seu pai parecia mais bravo do que o meu, só parecia, eu duvido que alguém mais no mundo estivesse.
"Eu não posso acreditar que você tem a cara de pau de aparecer
aqui"
Ele gritou pra mim, a voz dele muito mais próxima agora.
"Para com isso, pai"
Ela gemeu, ele não me ouviu.
"Qual é o problema com ela?"
Charlie quis saber.
"Ela só está muito cansada, Charlie, por favor deixe ela descansar".
Eu pedi
"Não me diga o que fazer! Dê ela pra mim. Tire suas mãos dela!"
Eu tentei passá-la pra Charlie, mas ela se agarrou a mim com os dedos trincados, tenazes, enquanto seu pai puxava seu braço.
"Sai dessa, pai! Fique bravo comigo".
"Você pode apostar que eu vou ficar! Vá pra dentro".
Charlie prometeu, eu temi por Bella e tentei ler a mente dele.
"Essa garota tá merecendo umas palmadas onde já se viu sumir desse jeito, ela vai ficar de castigo pra sempre."
"Tá. Me ponha no chão"
Ela pediu.
Má idéia, tive que segurá-la antes que atingisse a calçada.
"Só me deixe levá-la até lá em cima depois eu vou embora.
"Não"
Ela chorou entrando em pânico
"Eu não vou estar longe",
Eu prometi, sussurrando no seu ouvido pra que Charlie não tivesse a esperança de ouvir, Charlie respondeu que sim com a cabeça, apontando a porta com o queixo, a levei até em casa, seus olhos abertos só aguentaram até quando cheguei na escada.
Soltei os dedos dela de minha camisa e fiz meu caminho escadas a baixo, Charlie bateu a porta atrás de mim mas antes disso me proibiu de passar por ela novamente.
Entrei no carro e enterrei a cabeça nos braços cruzados sobre o meu colo, antes que pudesse pensar em como segurar o choro, eu já estava soluçando.
Senti a mão da minha irmã afagar o meu cabelo, enquanto meu irmão dava partida no carro.
"Eu sinto muito maninho... sinto de verdade..."
Seus pensamentos acompanhavam suas palavras numa sincronia perfeita.
"Você vai ver, vocês vão dar um jeito."
"Que jeito Rose, o pai dele me proibiu de voltar, vai deixá-la de castigo pra sempre, já o papai, vai me matar e nunca mais vai deixar o que sobrar de mim sair daquele quarto."
"Eu não garanto nada, mas vou tentar falar com o papai quando chegarmos em casa, quem sabe não consigo acalmá-lo em?"
A quem queríamos enganar? Sabíamos que não tínhamos a menor chance.
Continuei encolhido no banco traseiro, quando meu irmão parou o carro, meu pai já estava furioso na porta de casa com os braços cruzados sobre o peito, e minha irmã desceu sozinha num último esforço pra salvar a minha pele.
Continua...
A/N: Caramba, esse foi cansativo, manter minhas idéias sem fugir do enredo de Stephenie, foi uma experiência e tanto, por favor me digam o que acharam, pra que eu possa postar o próximo capítulo que já está pronto.
