Capítulo 7 – Volta
- Peeta? – Cato chamou, enquanto abria a porta do quarto com cautela.
Já haviam se passado algumas horas desde que o menor havia deixado a sala de reunião do Tordo. O mais alto observava o amigo andar de um lado para o outro no cômodo, recolhendo as coisas pessoais e jogando numa mala pequena que estava aberta sobre a cama.
- Peeta? – chamou novamente quando se sentou na cama, ao lado da mala. – Está tudo bem?
- O que você acha? – o outro questionou, dobrando uma camisa de qualquer jeito e jogando na bolsa. – Claro, Katniss foi raptada e agora estou fora do caso. Estou muito bem, não acha?
- Sei que Jack não foi justo...
- Justo? Cato, sejamos francos. – ele interrompeu com sua voz cheia de sarcasmo. – Você está disposto a sacrificar Clove. Ela é a sua namorada!
- Você a conhece tanto quanto eu. – o maior interveio indignado. – Sabe bem que se fosse eu em seu lugar, ela estaria disposta a abrir mão de mim. Ela iria gostar? Claro que não, do mesmo jeito que detesto essa ideia. Mas quando entramos nesse relacionamento, nós sabíamos os riscos. E prometemos que jamais deixaríamos nossa vida amorosa interferir em nosso trabalho.
Os dois se encararam por alguns minutos, estáticos. Peeta sabia que ele estava certo. Que deveria fazer o mesmo: abrir mão de Katniss em prol da missão. Mas porque era tão difícil?
Desviou o olhar que Cato mantinha e continuou a jogar suas coisas na mala, o que não demorou muito a terminar, já que não havia tantas roupas assim e nada ali lhe pertencia. Fechou a bolsa e jogou-a no chão, sentando-se ao lado do amigo, ainda sem se pronunciar.
- Prometa-me apenas uma coisa. – o menor começou.
- E o que seria?
- Tente salvar a Katniss, sim? Sabemos que ela aceitaria a morte de bom grado, mas não deixe que seu executor seja Snow. Creio que ela não iria querer que sua morte fosse assim, nas mãos dele.
- Prometo que irei salvá-la. Irei salvar a Katniss e a Clove.
- Obrigado Cato.
O mais alto sorriu e o outro retribuiu. A dupla se abraçou e o primeiro deu tapinhas de consolo no amigo, pois sabia que este precisaria. E faria de tudo para cumprir o que havia prometido.
Peeta se separou e ficou encarando o quarto de decoração simples. O amigo fez o mesmo, esperando ver o que ele estava enxergando naquele lugar. O primeiro suspirou e fez a menção de falar, mas se calou em seguida. O homem ao seu lado pareceu captar o que ele iria dizer e riu.
- Você vai ter que seguir em frente mais cedo ou mais tarde, sabia?
- O que?
- Até parece que nós dois não sabemos o que se passa nessa sua cabecinha sem miolos.
O menor riu.
- Dizem que essas coisas acontecem com o tempo. Não é tão fácil quanto parece.
- O velho Peeta sempre colocando dificuldades. Aceitar o fato sempre ajuda, sabia disso? Já seria um bom começo.
- Mas...
- Cara, deixa eu te dizer uma coisa. – Caro começou, como se não houvesse interrompido o outro de dizer qualquer coisa. – Uma vez eu li em algum lugar que a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. Não opte pelo sofrimento. – e apertou levemente o ombro do amigo.
Peeta assentiu e viu o amigo se levantar e antes que alcançasse a porta, ele ainda falou como para se lembrar daquele fato.
- Você sabe que eu a amo, não sabe?
O outro suspirou e espiou sobre o ombro para olhá-lo o suficiente para responder aquela pergunta, antes de ir embora.
- Eu sei. – respondeu, e antes de fechar a porta, complementou. – E é por isso que irei trazê-la de volta.
O mais novo ficou sozinho no quarto, deixando que seus pensamentos voltassem para a mulher cativa na mansão fora da cidade. Rezava para que ela estivesse bem, e que aguentasse um pouco mais até que Cato fosse resgatá-la.
Jack Brutus observava alguma coisa no tablet de Amber Griffin, enquanto supervisionava os membros do Tordo arrumarem suas coisas nos veículos da organização que ainda restava no galpão. Todo o contingente de Sacramento somado aos membros que vieram de Los Angeles dias antes dava um total de vinte pessoas, que seriam divididas entre as duas Land Rover e um furgão, além da Ferrari de Finnick Odair.
Peeta iria junto com Finnick, enquanto Haymitch estaria na Land Rover que seria guiada por Johanna. Ele ficaria em Los Angeles, enquanto o resto do grupo seguiria para Mojave. Perguntou-se o que cada um ali faria sem sua líder e sem um propósito. Contudo, não ousou perguntar, sentindo que aquele assunto não era da conta do loiro.
A tarde ia alta quando os veículos deixaram os galpões. O rapaz olhou pelo retrovisor os membros de sua antiga equipe ficar para trás e procurou não pensar mais naquilo por um momento quando viraram a esquina e os agentes deixaram de ser visíveis.
Diferente das Land Rover, a Ferrari de Odair alcançava a quase trezentos quilômetros por hora, e não demorou muito a deixar a comitiva que seguiria para Mojave para trás assim que alcançou a estrada rumo ao sul. Peeta tentou não se importar com a velocidade, mas duvidava que o outro fosse tomar qualquer providência.
Diferente da viagem habitual de seis horas, a dupla conseguiu vencer a distância de seiscentos e vinte quilômetros em pouco mais de três horas.
- Onde você mora? – o rapaz perguntou, após viajar o tempo todo em silêncio, sem fazer menção de puxar qualquer assunto.
- Deixe-me na sede do FBI. Meu carro está lá.
O outro apenas assentiu e pegou a saída da via expressa que levava ao centro até alcançar a North Hope Street. O prédio já estava visível e um pouco iluminado entre as construções ao redor em meio à noite, que já tinha iniciado e seguia firme em Los Angeles.
A Ferrari de Finnick parou de frente ao prédio, do qual o vermelho do carro brilhava graças à iluminação da fonte que recepcionava os visitantes. O loiro pegou sua bolsa e desceu ao mesmo tempo em que o outro já engatava a marcha para sair.
- Finnick?
Ele se virou para encarar Peeta.
- Você sabe que eles vão salvá-la, não é?
- Adeus Peeta Mellark.
E Finnick Odair deu partida, deixando o rapaz e a sede do FBI para trás. Ele não esperou para ver o conselheiro de Everdeen virar a esquina e desaparecer de vista. Queria apenas pegar as chaves de seu Corolla e ir para casa.
No andar em que trabalhava não havia ninguém e o local estava imerso na penumbra. Apertou apenas um dos interruptores, da qual acendeu a área onde ficavam a sua mesa e a de Cato. Os relatórios do caso de Everdeen ainda estavam na mesa. As chaves de seu carro estavam na primeira gaveta. Não se demorou ali. Amanhã estaria de volta para dar início à sua parte do relatório.
O percurso até o subúrbio, onde ficava seu apartamento, foi calmo. Já era tarde e o movimento que havia encontrado fora quase nenhum. Agradeceu por isso por um momento, enquanto estacionava na garagem do prédio. Contudo, sua tranquilidade foi embora quando uma voz o chamou no momento em que ele abria a porta de seu apartamento.
- Quem é vivo sempre aparece, afinal. – Margot Tatcher comentou.
O loiro teve um vislumbre dela por um momento, e seu cabelo escuro estava amarrado num coque, com a roupa de garçonete escondida sob o casaco longo que usava, com a bolsa pendurada no ombro. Devia estar voltando da cafeteria onde trabalhava. Mas nada aquilo importava, apenas gostaria de se livrar dela.
- Muito trabalho? Senti sua falta nesses últimos dias. – a mulher se aproximou. – Quer que eu prepare um café? Posso dar uma massagem. Vai ajudar a aliviar a tensão.
- Margot... – ele começou, pensando na melhor forma de dispensá-la. – Hoje não estou me sentindo bem, então, por favor, vá embora.
- Posso fazê-lo se sentir melhor. – e o outro percebeu a aproximação dela até chegar a um ponto perigoso. – Apenas relaxe e deixe que eu faça o resto.
Não sabia o que havia dado nele exatamente. Mas seu corpo pesou contra o dela e a prensou contra a parede. Aproximou seu rosto perigosamente do dela. Quase podia sentir a respiração ofegante da outra.
- Vá embora.
O loiro não disse mais nada, apenas se afastou, deixando a mulher oriental sozinha no corredor. Empurrou sua mala para dentro e fechou a porta, trancando-a em seguida.
Cambaleou cansado até o sofá, onde se deitou. Não se demorou tanto, partindo para o banheiro e tomando um longo banho, para afastar a poeira da viagem. Caminhou até a sua cama após colocar uma roupa confortável para dormir e se deixou entregar ao sono sem reclamar.
Os primeiros raios da manhã invadia o quarto vagarosamente, até encontrar a pele clara de Peeta. Os olhos, mesmo fechados, sentiram a claridade e se virou para fugir do sol. Sem sucesso.
O rapaz se sentou e olhou em volta. Aquele quarto não era o mesmo em que despertara nos últimos dias. E as memórias do dia anterior voltaram. A discussão com Jack e a expulsão do caso. Gemeu de desgosto. E isso porque não havia considerado em qual círculo do inferno ele iria cair quando Lyme soubesse de tudo.
Contudo, na situação atual, a melhor opção seria ir para o escritório no centro. Começaria seu relatório e, possivelmente, daria algum suporte, enquanto aguardaria notícias sobre o caso. Aguardaria notícias sobre Clove e Katniss.
Levantou-se e foi para o banheiro, a fim de tomar um banho e fazer sua higiene matinal. Não se demorou na cozinha, limitando-se apenas a duas torradas e colocando num saco, da qual levaria para viagem e comeria quando chegasse ao trabalho.
Como saíra um pouco mais tarde que o habitual, havia trânsito rumo ao centro e demorou uma hora até que alcançasse a North Hope Street. E para a sua infelicidade, o andar da qual trabalhava estava vazio. Brutus devia ter levado todos os agentes para dar apoio ao time tático que Chaff disponibilizaria para a equipe de Los Angeles.
Pegou um café na máquina e se jogou na mesa. Comeu as torradas que trouxe de casa e pegou os papéis referentes a outras informações sobre os protótipos de Everdeen. Releu algumas páginas, antes de se virar para o computador, onde estariam os registros de Snow que a líder do Tordo havia mostrado semanas antes.
Depois de um tempo, deixou os papéis de lado e seguiu rumo às escadas. Desceu dois andares e viu que a porta da sala de Madge Undersee estava aberta. Ele parou na soleira e bateu na madeira da porta encostada. A legista estava sentada sobre sua escrivaninha, de cabeça baixa, entretida com alguma coisa, antes de levantar para ver sua visita.
- O que diabos faz aqui? – a forense questionou surpresa. – Achei que estava em Sacramento. Jack viajou ontem para lá.
- Longa história. – o outro disse com um ar cansado.
- Café?
- Já bebi.
- Pegarei mais mesmo assim.
E Madge deixou a sala, mas antes, acenou uma cadeira para que sua visita se sentasse. Ele apenas obedeceu, ignorando o cheiro de antisséptico do local. O local estava limpo e a área de exame estava arrumada. Parecia não ter havido tantas novidades durante sua ausência.
A loira voltou com dois copos grandes de café. Depositou um da mesa, enquanto bebericava o outro com goles curtos devido à temperatura elevada do líquido. Sentou-se na sua cadeira e observou o outro, enquanto ele experimentava o café.
- Amargo demais. – o rapaz comentou fazendo uma careta. – Como consegue gostar disso assim?
- Ajuda a clarear a mente. – ela respondeu, dando de ombros, enquanto se acomodava na cadeira giratória. – Agora me conte exatamente o que aconteceu.
Então Peeta começou a contar tudo o que tinha acontecido desde a operação no Plaza. Contou sobre a ligação para Alma Coin e o nome que obtivera dela. Da missão que Jack havia concedido e das consequências que teria se desse tudo errado. Falou da liberação temporária de Katniss Everdeen, do acordo que fizeram e da viagem por Mojave até um complexo isolado. E com pesar mencionou a viagem para Sacramento, o encontro com Snow e a armadilha na qual caíram em seu baile.
- Ela está sendo mantida refém? – Madge questionou como se tentasse absorver todas as informações que recebera. – E Clove também? Estamos falando de Blake?
- Sim.
- E porque voltou? Elas precisam de você mais do que nunca agora.
- Com a situação delicada, Jack pediu ajuda ao escritório de lá. Uma equipe tática se juntou a nós para dar suporte. Chaff está...
- Aquele babaca é o líder da equipe tática de Sacramento?
Peeta assentiu, e de repente se lembrou de que a forense era, na verdade, de Sacramento, e viera para Los Angeles após uma transferência solicitada pela loira há dois anos. Nunca soube exatamente o motivo que a levou a fazer tal pedido, mas não achava necessário perguntar. Contudo, algo o dizia naquele momento que Chaff estava ligado ao real motivo da mudança.
- Bem, após a chegada da equipe, Jack quis montar uma operação de assalto à mansão de Coriolanus Snow. O objetivo é capturar o velho.
- E quanto ao resgate?
- Aparentemente Chaff não vê o resgate como prioridade um, e sim como uma consequência, caso elas não sejam mortas no processo. Jack não está nada contente sobre tudo isso.
- E o que acontecerá agora?
- Não sei. Tenho que ficar e esperar, enquanto torço para que tudo dê certo. É provável que Lyme queira me enfiar no inferno. Toda essa missão é culpa minha.
- Não acredito nisso Peeta Mellark. – Madge falou incrédula, enquanto colocava o copo de café, ainda pela metade, sobre a mesa. – Você quase morreu por aquela mulher, e agora vai dar para trás só porque Jack disse que deveria ficar aqui? Achei que não tinha medo dele, ou até mesmo de Lyme e seu pessoal de Washington.
E foi como se uma chama se acendesse dentro de seu peito. Em sua mente, uma lâmpada se acendeu. Um meio sorriso brotou de seus lábios. Aquilo parecia tão óbvio, que não soube por que não pensara nisso logo de cara.
- O que foi? – a média questionou, arqueando uma sobrancelha, ao ver um jogo de expressões tomarem conta do rosto do outro. – Em que você está pensando?
- Madge, você é um gênio! – ele falou simplesmente.
- O que eu disse?
- Eu não posso fazer nada. Não sozinho. Jack disse que eu deveria ficar de fora do caso. Ao menos do caso com eles. Ele não mencionou nada sobre...
- Peeta! – a outra estalou os dedos, e ele a encarou. – Agora que está aqui, não seria melhor tentar não se meter em mais confusão do que já está?
- Mas você disse...
- Eu achei que você deveria ter insistido mais para ficar.
- Não importa Madge. Eu não vou deixar as meninas serem tratadas como peças descartáveis. Só preciso que me cubra por aqui quando Jack procurar notícias minhas. Por favor, prometa que fará isso.
A forense encarou os olhos azuis do outro. Contudo, ela sabia que aquele homem na sua frente era quem conhecera. Sabia que aquele pedido poderia arruinar não somente a carreira dele, mas dela também. E tendo consciência disso, a mulher deu uma resposta a ele.
- Irei cobri-lo. – soltou, desviando o olhar e suspirando. – Faça com que eu não me arrependa disso Peeta.
- Obrigado Madge!
O rapaz deu a volta pela mesa e a abraçou. Depositou um beijo na testa da amiga e se despediu, saindo apressadamente da sala da legista. Voltou pelo corredor até a escada e subiu até seu andar. Não se preocupou em mascarar seus sentimentos, já que não havia ninguém lá.
Alcançou sua mesa e abriu a gaveta. Buscou por outro celular, este não rastreado, que usava para manter contato com Alma Coin. E com Finnick Odair. Selecionou o número do membro do Tordo e pôs o telefone no ouvido. Aguardou. Após quase um minuto inteiro, quando já achou que o outro não atenderia, a voz dele soou.
- Finnick?! É o Peeta.
- Ah merda! – o outro exclamou com um tom desgostoso. – Você tem dez segundos para explicar o motivo dessa ligação antes que eu desligue...
- Eu sei um jeito de salvarmos Katniss de Snow. – o loiro disse de uma vez. – E para isso vou precisar da sua ajuda.
- Minha ajuda?
- Ajuda de todos do Tordo. Podemos somar força e preparar um plano de...
- Tudo bem. Você me convenceu. E o que eu devo fazer? – Finnick questionou, tentando disfarçar a sua curiosidade.
- Precisamos nos encontrar e conversar. Eu e o conselho. – explicou. – Também teremos que ter uma equipe forte, mas discreta. Não queremos chamar atenção...
- Veja bem Mellark. – o outro o cortou, suspirando antes de falar. – Convocarei a reunião. Por motivos de segurança, iremos preparar tudo e partiremos ainda hoje, antes mesmo do anoitecer, para Los Angeles.
- Podemos usar a casa alugada por mim durante o caso. Fica em Malibu. Johanna Mason sabe como chegar. Irei esperar por vocês lá.
E sem demorar um minuto a mais, Finnick desligou o telefone, deixando Peeta sozinho do outro lado da linha. O rapaz guardou o aparelho de volta na gaveta e voltou sua atenção para os papéis. Quando a noite caísse, após seu expediente, iria para a casa de veraneio alugada em nome do FBI.
O dia passou arrastado. Exceto pelas ligações de Jack e Cato, da qual não soube qualquer status sobre o caso, não havia acontecido nada. Achou que a noite não chegaria nunca. Mas quando deu sua hora de ir embora, ele pegou as chaves do Corolla e o celular não rastreado na gaveta, assim como o seu pessoal.
Levou quase uma hora para chegar a Malibu, mas ao se aproximar da casa, que estava escura, percebeu ser o primeiro a chegar. Estacionou na garagem e entrou na casa, acendendo a luz dos fundos.
A casa estava um pouco empoeirada. Mas não havia mais motivo para manter a limpeza depois que a missão aparentemente chegara ao fim. O contrato de aluguel talvez devesse finalizar no mês seguinte, não sabia dizer ao certo. Porém, qualquer coisa que pudesse fazer deixou de ter importância ao ouvir o som de motores parando nas proximidades da casa. Observou através de uma fresta na janela e viu o vermelho da Ferrari que pertencia a Finnick Odair.
Dirigiu-se a porta de entrada e abriu. Finnick estava ladeado por Johanna Mason e Haymitch Abenarthy. Ele pôde observar atiradores nos carros e supôs que outros deveriam estar posicionados no perímetro da casa, a fim de garantir a segurança e até mesmo causar um cerco caso o loiro pretendesse algum mal.
- Estamos aqui Peeta Mellark. – o rapaz no centro falou quando alcançou a varanda da residência.
- Entrem. Temos muito que discutir.
A comitiva atravessou a soleira e o loiro pediu para que ignorassem o estado do lugar. Todos se acomodaram na sala de estar, onde meses atrás, Peeta e Katniss se entregaram nos braços um do outro tantas vezes, conversando, namorando ou até mesmo deixar que a presença do outro acalmasse qualquer dúvida ou temor que rodeava o casal.
- Jack Brutus está em Sacramento. – o agente do FBI informou. – E ele não tem planos para resgatar Katniss Everdeen, tampouco Clove Blake, sua própria agente.
- E o que quer que façamos? Iremos nos juntar a ele após ter nos expulsados de lá e deixar que nossa líder fique a mercê da sorte? – Haymitch questionou, bebericando algo em seu cantil.
- Não iremos nos juntar a eles. Acompanharemos a equipe tática de assalto, sim. – o loiro explicou, olhando a rua pela janela. – E quando eles atacarem, nós entraremos em ação. Nossa prioridade será salvar as garotas.
- Só há uma falha nesse seu plano, bonitão. – Johanna falou e todos voltaram a sua atenção para ela. – Não conhecemos a mansão. Ao menos, eu nunca estive lá muitas vezes.
- Conheço um pouco da planta do lugar. – Haymitch se pronunciou. – Mas não tenho ideia de onde elas estariam sendo mantidas. Com certeza no porão, contudo, não faço ideia de como iremos alcançar Everdeen sem haver baixas.
- Precisaríamos conhecer muito bem a planta. - Peeta concluiu, tentando não soar frustrado para os outros.
- Ou – Johanna voltou a falar, atraindo os olhares dos presentes. – precisaríamos de alguém que conhecesse bem a planta da mansão.
- Apenas Katniss conhece aquele lugar. – Haymitch rebateu.
- Não. Outra pessoa também conhece. Precisamos entrar em contato. – a atiradora continuou, olhando para todos. – Só não vai ser fácil fazê-lo voltar. Não depois de tudo o que aconteceu. – e lançou um olhar significativo para Peeta, que não entendeu o que aquilo queria dizer.
- Precisamos arriscar. – Finnick falou, olhando para a amiga. – Independente do que tenha acontecido, ele não iria abandoná-la a esse ponto. Não na situação em que a Kat se encontra.
Peeta continuou sem entender, mas observou os três entrarem em um acordo silencioso. Queria perguntar sobre quem eles estavam falando, porém, não achou que seria bom fazer essa pergunta nesse momento.
Johanna sacou o próprio celular e, pelo movimento rápido que os dedos fazia no touch screen, Peeta percebeu que ela parecia procurar alguma coisa. Em seguida, ela colocou o telefone na orelha e aguardou.
- Gale? – a morena perguntou antes de continuar. – A Katniss precisa de você.
