Capítulo VII
Era um dia frio de Inverno, as enfermeiras corriam com medicamentos nas mãos, como se da própria vida se tratasse. Penso que seja o suposto acontecer em um cenário de guerra como esse, principalmente depois do último ataque.
Meu corpo Doí. Alguma enfermeira que eu não consigo lembrar o nome, disse que passaria logo. Eu sei que ela está mentindo, mas meu cérebro quer muito acreditar nisso, porque a dor é mais do que posso suportar.
Uma bala a mílimetros do coração.
Sim, eu era um idiota com sorte, no final de tudo. Ou então o filho da puta que atirou em mim não tem tanta pontaria como deveria.
- Edward – ouvi alguém chamando.
Virei minha cabeça o mais lentamente possível.
Doí.
Jasper estava me olhando, sentado em uma cadeira e sorrindo.
- Cara, eu nunca conheci alguém com tanta sorte – ele começou, rindo.
Eu ri com ele, mas doeu demais em meu peito e eu precisei parar. Então Jasper ficou sério e procurou alguma coisa em seu bolso.
- Sério, o que isso fazia em seu bolso eu não sei, mas que salvou sua vida, salvou. Aparentemente, isso desviou a bala e impediu que ela perfurasse seu coração – ele disse enquanto me dava uma pedrinha branca, lascada em uma de suas margens – No bolso certo, na hora certa.
Eu peguei a pequena pedrinha e passei meus dedos onde lascou. E eu lembrei...
"Ágata Dendrita é seu nome. É uma pedra da sorte que afasta os obstáculos e nos dá mais determinação. É minha forma de lhe pedir para que se mantenha determinado por aí e nunca perca seu rumo."
É uma pedra da sorte que afasta os obstáculos...
Bella.
Não lembro de outro momento em que meu corpo precisasse tanto de um abraço de alguém tão especial. Eu me sentia ridículo, parecendo uma criança precisando de colo, mas quem se importa? Eu queria deitar minha cabeça em seu colo e sentir seu cheiro. Suas mãos mexendo em meu cabelo e me dizendo que tudo ficaria bem. Eu acreditaria nessa enfermeira.
Eu a queria aqui, do meu lado, mais do que nunca.
Eu pediria desculpas por não ter cumprido minha promessa de ficar seguro, talvez ela aceitasse esse pedido. Eu queria que ela aceitasse.
Queria ir para casa, me enrolar em mil cobertores e ouvir a chuva cair enquanto sentia Bella do meu lado. Isso seria pedir muito? Eu merecia isso? Talvez não, mas quando eu fecho meus olhos, é tudo o que posso imaginar.
- Foi ela, não foi? – Jasper perguntou – Quem te deu essa pedra, foi ela?
Eu assenti e apertei a pequena pedra em minha mão.
- Ela sabe sobre você – ele disse devagar – O Sargento Hurley precisava avisar alguém e ela é a única escrevendo para você. Eu o ajudei a encontrar o número de telefone através do endereço, não foi tão difícil assim – ele sorriu fraco e então ficou mais sério – Nós fizemos o certo? Avisando sua Bella?
Eu não saberia dizer se isso era o certo. Eu não queria preocupá-la. Queria ter sido eu escrevendo para ela, explicando que tudo não passou de um susto, um grande susto, mas que agora tudo estava bem. Que eu fiquei seguro...
- O que ela disse? – eu perguntei.
Jasper sorriu largamente.
- Bem, você tem uma menina forte, sabe? – ele começou – Hurley não é o melhor dando essas notícias, mas ela se aguentou. Chorou, mas se aguentou forte. Ela é toda decidida também. Eu falei com ela quando ela pediu informações mais detalhadas sobre seu estado. Bella queria saber se você estava sendo medicado com uns remédios e me obrigou a perguntar a todas as enfermeiras sobre isso. Aparentemente, você não está sendo tratado corretamente, segundo ela.
Eu ri. Não porque era engraçado, mas porque pela primeira vez em minha vida, alguém estava se preocupando comigo e querendo saber como eu estava.
E apesar de toda a chuva que caia lá fora, eu me senti quente.
Olhei para Jasper sorrindo.
- Será que você pode ligar para Bella? Eu queria falar com ela – expliquei.
Ele hesitou por segundos e respirou fundo.
- Essa é a parte que você não vai gostar de ouvir – ele começou - Como eu disse, ela é bem decidida. Ela está vindo para cá... agora mesmo.
Eu sorri bobo. Isso era efeito do sedativo? Meu cérebro estava demorando muito tempo para entender as consequências dos atos de Bella.
Ela estava vindo para cá.
Como ela estava vindo para cá?
Meus olhos se abriram mais e meu sorriso bobo desapareceu.
- Isso é um cenário de guerra – eu disse – Como ela está vindo para cá?
- Eu expliquei isso – Jasper disse – E eu disse a ela que era praticamente impossível passar as fronteiras, mas você sabe que a fronteira com o Irã está permitindo a entrada e a saída de qualquer um. Eu não disse isso para ela, mas Bella parece inteligente. Logo ela descobre por onde pode entrar no país. É isso Edward, ela está vindo para cá.
Se o efeito do sedativo não fosse tão forte e eu conseguisse mexer meus braços e pernas, eu teria saído daquele hospital na mesma hora. Mas eu era inútil nesse momento, meu corpo não estava me obedecendo mais.
- Edward, se acalme – Jasper pediu, quando percebeu minha vontade – Nós estamos em Cabul, a situação está controlada por aqui. Além disso, Bella está viajando com medicamentos, talvez eles nem deixem que ela entre no país. Sabe como é isso de viajar com esse tipo de substâncias.
É... talvez ela nem consiga entrar no país.
Meu coração estava dividido exatamente no meio. Uma parte pedia, gritava que Bella não conseguisse passar a fronteira, que ela fosse obrigada a voltar para casa, onde tudo era mais seguro. Mas a outra metade... a outra metade gritava que precisava de Bella agora mesmo. Era uma metade irracional, mas estava vencendo.
Se eles realmente tinham me enviado para o hospital de Cabul, então essa zona é controlada. Há policiais e militares por todos os lados, muito mais do que estamos acostumados a ver. É uma cidade calma, não há tantos ataques...
Mas há ataques...
Bella nunca deveria ter saído de casa. Minha menina não está pronta para ver o que isso é. Isso é Cabul, mas ainda existem homens armados por aí e a possibilidade de ataques. Ela não está pronta.
- Eu preciso falar com ela – eu disse – Ela disse o número do celular?
- Ela disse, mas isso é complicado. Ela está cruzando as fronteiras, o celular pode nem estar funcionando.
- Apenas me deixe tentar.
*.*.*.*.*.*.*.*
Só duas horas depois de pedir uma comunicação, é que eu a consegui.
Agora eu tinha o celular de Bella em uma mão e os números pareciam tornar minha menina mais real.
Eu disquei o número lentamente, pedindo que o celular estivesse funcionando e que minha voz não fosse a voz sedada que meu cérebro ouvia sempre que eu falava.
E aquilo que pareceu uma eternidade, provavelmente foram apenas segundos até que sua voz encheu meu coração com algo quente que eu não poderia explicar.
- Sim, quem fala?
Não era uma voz calma. Era uma voz apressada, ansiosa e curiosa. Mas ainda assim, era suave e preenchia cada pedaço vazio em meu coração como se nunca tivesse existido.
E eu nunca poderia ter me preparado para o que veio em seguida. Para a forma como tudo parecia ter se encaixado onde sempre deveria ter estado.
- Edward – ela disse baixinho, chorando – Eu estou tentado, eu juro que estou tentando chegar a você. Como você está? Só me diga como você está, porque esse aperto em meu coração não desaparece e eu só queria conseguir abraçar você. Me diz que você está bem, por favor.
Bella soluçou enquanto dizia tudo, se atrapalhando na maioria das palavras. E eu solucei também e chorei. Não porque Doía, não porque essa bala tinha penetrado minha pele ou porque pessoas estavam morrendo lá fora. Eu chorei porque eu a queria do meu lado agora mesmo e porque eu estava cansado de esperar e viver longe de onde eu sempre deveria ter estado.
- Eu tentei ficar seguro – eu disse
Ela riu, ainda chorando.
- Você ficou vivo, isso é o mais importante para mim.
Nós ficámos em silêncio depois disso. Não porque não havia assunto para ser falado ou porque não havia intimidade o suficiente para isso. Apenas entendendo e absorvendo a informação de que nós Dois existíamos muito além da tinta e do papel das cartas que trocámos tantas vezes.
- Eu vou conseguir, Edward – Bella acabou dizendo.
- Eu quero que você consiga – eu confessei, apesar de meu cérebro continuar gritando que eu tinha ligado para fazer Bella mudar de ideias sobre vir até aqui.
Mais algum tempo de silêncio.
- Você nunca respondeu – eu lembrei.
- Eu respondi. Quando você foi baleado, eu tinha terminado de escrever minha carta.
Novamente eu era uma criança curiosa, segurando forte o aparelho em minhas mãos. A expetativa de uma resposta fazendo meu coração bater mais forte do que antes.
- O que você respondeu?
Eu podia sentir Bella sorrindo.
- Fique seguro, Edward – ela me pediu, mais uma vez – Eu prometo que vou conseguir responder aquela carta enquanto você olha em meus olhos.
Eu soltei o ar, que não sabia ter em meus pulmões.
- Irã – eu disse – É a única fronteira que vai deixar você entrar no país.
- Eu vou tentar. Fique seguro, Edward... você é a única pessoa que eu preciso do meu lado agora mesmo, então... fique seguro – Bella pediu, mais uma vez.
- É uma promessa, eu vou ficar seguro, meu amor.
*.*.*.*.*.*.*.*
Oi, meus amores. Lamento a demora, mas meu irmão mais novo matou meu computador e minha fic não estava gravada em nenhum outro local. Então eu precisei escrever de novo. Ou seja, estou postando no computador da minha mãe e escrevendo cada capítulo de novo. Enfim, a vida é uma merda mesmo.
Por isso os capítulos vão ficar mais demorados. Peço desculpa.
Respondendo Reviews:
Catherine Menezes: Oi, esse Edward é divertido e espontâneo porque é a forma de ele ser, mas também porque ele precisa ser assim para não deprimir com essa guerra toda. E Bella está apaixonada, PONTO FINAL. Ela demorou para entender, mas ela está apaixonado SIM! Aliás, os dois estão, por isso que eles conseguem ser tão leves um com o outro mesmo com essa guerra.
KellyKarina: Oi, eu sou má mesmo! Hahaha, não, eu não sou! Espero que a ansiedade tenha sido boa, quando você leu o capítulo novo ;)
Tali: Oi, exatamente... imagina que ele tinha morrido mesmo *impossivel eu matar Edward, mas ok* ele nunca teria confessado o que sentia e isso sim seria triste.
Jana Mi: Oi, mate a autora mesmo! Porque ela acabou assim e porque demorou para postar! Eu teria atirado nela, na hora! hahah. Esqueça a carta, quando eles se virem vai tudo ser melhor
carla oliveira m: Oi, não matei! Viu só? Ele está lá... vivo. hahaha
Guest: Oi, fico feliz que tenha AMADO TUDO (viu? eu fiz caps lock também ;)
Manu matos: Oi, eu não machuquei ninguém! Haha, fique tranquila, nosso Edward está vivo!
Nicole2712: hahaha, eu tenho muitos desses momentos também!
Guest: Oi! Eles não sofreram muito, viu? Os dois estão bem e seguros. Enfermeira particular? Você já viu ela levando remédios para ele, o que você acha?
Bah83: Eu não machuquei ninguém! Não morra não, ele está vivo e seguro! E eu não fui má!
Guest: Acho que já respondi sua pergunta no capítulo, mas é muito fácil saber o número com o endereço
jana: Oi, nossa... calma! Ele está vivo! Nunca recebi tantas ameaças em minha vida!
vailda: Oi, chorou? Meu Deus! NÃO CHORE! E não fique de coração apertado, ele está seguro! Que bom que está participando no projeto, boa sorte! Eles vão agradecer muito essa ajuda!
monicaalexr: Oi, não morra de curiosidade! Não quero minhas leitoras morrendo!
AndrezzaF: Oi, pois é... ele nunca soube a resposta dela! Isso é muito triste :/
MaluPattz: Oi, agora você já sabe o quão ferido ele está. Não se preocupe, ele está vivo, isso é o que importa.
Co0kie: Oi, eu voltei! Espero que tenha gostado
Guest: Parabéns pela 100ª review. Parabéns para mim também *.* Que emoção!
pollyanna cullen: Oi, espero que tenha gostado desse novo capítulo ;)
Maraisa Oliveira: Oi, não se preocupe, vou contar você como minha segunda 100ª review, ok?
Catherine Menezes: Oi, de novo (agora respondendo a review do capítulo 6). A Bella é bobinha e apaixonada sim, mas nossa situação dessas ela precisa pensar na realidade de tudo o que está acontecendo. Haha, adorei a parte que você implora par a autora. Fique tranquila e aguarde pelo resto da fic. Eu sou uma dramática por natureza, se prepare...
Patricia. OH MEU DEUS. Greve de reviews? NÃO! Não faz isso não. Ele está vivo, eu fui boazinha!
joci: Fico feliz que esteja gostando ;)
Meus amores, é isso. Estarei postando no próximo fim de semana, já que agora preciso escrever os capítulos todos de novo! Beijo
