Harry Potter e a Tábula de Transmora

Capítulo 7 - A queda
Os dias seguintes transcorreram sem grandes incidentes. Harry conseguiu sair do quarto de Hermione antes que seus colegas do sétimo ano notassem sua falta. Ele e Rony foram para a aula dupla de Adivinhação na quinta e Trelawney previu a morte de Harry novamente. Gina continuou a correr com Malfoy, apesar dos avisos de Rony para que ela o evitasse. Hagrid anunciou, sob olhares de reprovação dos Sonserinos, que já que eles estavam no sétimo ano, ele os levaria para uma visita a floresta proibida para visitar algumas criaturas mágicas em seus habitats naturais. Snape deu detenção a Neville por destruir seu décimo quinto caldeirão quando sua poção de adormecimento se transformou numa gosma vermelha fundida. Hermione continuou a trabalhar com afinco em suas tarefas de monitora-chefe. Harry começou treinos regulares de Quadribol com o time da Grifinória. Rony e Megan passavam muito tempo sozinhos no fundo da biblioteca flertando e sem estudar muito, para grande irritação de Hermione.

Eles passaram o fim-de-semana como geralmente passavam os fins-de-semana - estudando, contando piadas, conversando, praticando, trabalhando, rindo, e sonhando. Na tarde de domingo, eles tomaram um chá na cabana de Hagrid, falando da Professora Monroe, da Floresta Proibida, e do Clube de Duelos que estava vindo.

Quando finalmente chegou a noite de quinta, Rony foi o primeiro a ir ao Salão Principal onde seriam as aulas de Esgrima de Bruxo. Harry, Simas, Neville, Parvati, Lilá e Colin se juntaram a ele. Hermione estava terminando algumas tarefas de monitora-chefe e disse que os encontraria lá; ela estava atolada de trabalho por causa da preparação do Torneio de Xadrez de Casas.

Quando chegaram ao Salão Principal, perceberam que as quatro longas mesas das casas não estavam lá. No meio do Salão onde Maddie esperava - com duas espadas na mão - estava uma esteira longa e estreita. Ao longo da parede mais próxima estavam pilhas de feios trajes cinza acolchoados, junto de pilhas de grandes capacetes de malha. Isso lembrou Harry dos equipamentos usados na Esgrima Trouxa. Talvez Esgrima de Bruxo fosse mais parecida com a trouxa do que Harry esperava.

Do outro lado do salão Principal estava uma prateleira com as espadas. Elas pareciam ter pouco menos que um metro de cumprimento e tinham pontas protetoras. Elas brilhavam sob a luz das tochas, e Harry tinha a impressão de ouvir um som musical baixo, místico, vindo delas. Alguns alunos foram olhar as espadas mais de perto, mas Maddie os parou antes que pudessem chegar muito perto.

Uns quarenta alunos estavam reunidos no Salão Principal. Ela lhes disse para se prepararem para aula, vestindo um traje acolchoado , luvas e capacete. Enquanto eles procuravam pelos tamanhos certos, ela explicou que esse traje era uma medida de precaução. Já que todos eram iniciantes, ela não queria que eles saíssem furando os olhos um dos outros ou sofrendo nenhum ferimento interno por ser atingindo muito forte por uma espada. Rony e Harry riram de como seus colegas estavam engraçados com o traje. Era difícil dizer quem era quem e alguns alunos mais novos se perderam de seus colegas na multidão.

Quando a aula ia começar, Malfoy entrou apressado no Salão Principal, uma expressão de orgulho em seu rosto. Ele viu Maddie fazendo um gesto para que se juntasse a ela, e tirou as vestes da escola, dobrou as mangas antes de ir até ela. Eles trocaram algumas palavras, ele fez que sim com a cabeça enquanto ela entregava a espada, e eles então viraram para o grupo de alunos na frente deles.

Maddie olhou em volta do Salão e se dirigiu aos alunos, "Agora que todos se vestiram apropriadamente, vou explicar algumas coisas antes de dar uma demonstração. Depois vocês escolherão uma espada para usar e formar pares para praticar." Maddie disse, enquanto olhava os alunos.

"Temos a sorte de ter um aluno em nosso meio que é experiente em Esgrima de Bruxo. Draco estuda isso desde que tem idade suficiente para segurar uma espada, então ele vai me ajudar com demonstrações bem como ajudar os alunos que precisarem com a postura." ela acenou na direção de Malfoy que piscou e sorriu. Harry rolou os olhos apesar de ninguém poder ver seu gesto através da máscara que usava.

"Permitam que eu de uma pequena aula sobre Antigo Duelo de Bruxos. Como falei recentemente em aulas, o duelo era a forma mais popular de se resolver disputas sérias entre bruxos antes do Ministério de Magia ser criado. Um duelo é um desafio feito entre um bruxo ou bruxa contra outro bruxo ou bruxa. Uma vez que o desafio de um duelo é lançado, não pode ser revogado, mas pode ser recusado. Se aceito, regras são estabelecidas por ambas as partes, e cada um dos lutadores tem direito de um padrinho para servir como conselheiro. Existe apenas uma exceção para essa regra, e ela dá muito trabalho a nós Aurores quando acontece. Um desafio lançado para salvar a vida de alguém deve ser obrigatoriamente aceito pela outra parte. Nesse caso, o duelo é até a morte. Meu conselho a vocês é que evitem essa situação se puderem."

"Existem muitas formas para um duelo. A maioria está acostumada com o combate usando varinhas, já que a forma mais praticada hoje em dia, apesar do tratado internacional que bane duelos. A forma mais popular na época em que Hogwarts foi fundada é essa que vou ensinar hoje. Uma razão para estar ensinando Esgrima de Bruxo é a conexão interessante que tem com matérias ensinadas em Hogwarts. Vocês podem aprender mais de História da Magia, mais sobre esgrima trouxa em Estudos Trouxas, e mais sobre estratégias em Defesa Contra Artes das Trevas." Maddie continuou sua palestra, observando os alunos a sua frente.

"Agora, Draco e eu não estamos usando trajes de proteção porque temos experiência nesse esporte. Se eu pegar alguém tentando participar sem o equipamento necessário, vai haver conseqüências. Essas espadas estão realçadas magicamente para não causar ferimentos mortais, mas elas ainda podem arrancar olhos e deixar marcas muito feias se você não souber o que está fazendo. As pontas deixam marcas vermelhas que só saem com um contra- feitiço que eu vou ensinar a vocês. Quando for marcado quinze vezes, sua espada ficará vermelha e significa que você perdeu a partida." ela continuou.

"Os que estivem familiarizados com esgrima trouxa, vão notar várias similaridades com o que vou ensinar. A maior diferença é que a esgrima trouxa desenvolveu técnicas mais complicadas para substituir as diferenças de força física. Na Esgrima de Bruxo, se enfatiza a força mágica combinada com a técnica. Quanto mais puder concentrar sua energia na espada, mais fácil vai conseguir derrotar seu oponente. Agora, deixe-me mostrar diferentes formas de segurar a espada, posições e passos." Maddie disse, sinalizando para Malfoy.

Com assistência dele, ela mostrou o básico. Quando um dos dois conseguiu acertar o outro, uma marca vermelha viva apareceu na roupa. Depois de um tempo, as energias dos alunos começavam a se aglomerar, enquanto todos começavam a querer experimentar esse novo esporte.

"Agora gostaria de pedir que um voluntário se apresentasse para tentar isso aqui na frente. Alguém?" Maddie disse, olhando ao redor do salão. Harry pensou em se candidatar, mas não queria parecer um idiota na frente de seus colegas, particularmente contra Malfoy, então se conteve. Seguindo o olhar de Maddie, ele virou e notou que um aluno no fundo tinha levantado a mão. Ele não sabia quem era, mas achava que talvez fosse Simas pela altura, que era a única característica distinguível pelo traje e pelo capacete.

"Você, aí atrás," Maddie chamou o aluno, "por favor venha à frente e junte- se a nós." O aluno veio até a frente do grupo em silêncio e se juntou a Malfoy e Maddie.

Maddie foi até a estante com as espadas e escolheu uma. Entregou a espada ao aluno, e eles trocaram algumas palavras, sussurrando, e depois Maddie sorriu. Ela depois posicionou o aluno em frente a Malfoy, cuja expressão lembrava muito a de Snape quando ele duelou contra Lockhart durante o segundo ano de Harry.

"Agora, primeiro cumprimentem seus oponentes, colocando o punho da espada à altura do nariz, a espada na vertical e os nós dos dedos para fora." Maddie comandou. Eles fizeram como ela disse.

"Agora, duelem!" Maddie gritou, indo para trás. "E vá com calma, Draco. Não queremos machucar ninguém." ela falou em tom baixo.

Malfoy fez o primeiro movimento. Era o ataque menos agressivo que ele conhecia. Seu oponente bloqueou e contra-atacou, manchando o suéter da escola dele com uma marca vermelha. A expressão de Malfoy mudou de ameaçadora para surpresa. Ele olhou descrente para Maddie antes de voltar sua concentração para o duelo. Ele recuou vários passos para evitar que fosse atingido novamente, pois seu adversário atacou outra vez, errando por menos de um centímetro.

Os alunos começaram a torcer. O treino ficou mais agressivo. Harry podia ver pequenas gotas de suor se formando na testa de Malfoy... que, obviamente, estava com dificuldades. Malfoy saiu da linha para investir para frente, mas seu oponente se antecipou, desviou da sua investida, e habilmente deu um giro para trocar de lados, as espadas se cruzando entre eles, fazendo um barulho estridente. Esse movimento animou os expectadores. O Salão estava cheio com a energia que assistir a uma briga traz. Maddie não parecia nem um pouco inclinada a impedir que isso acontecesse; na verdade, ela tinha um sorriso de puro contentamento no rosto, as mãos nos quadris, numa postura muito relaxada.

Depois de uns cinco minutos de disputa, durante os quais Malfoy tentava se defender das avançadas agressivas de seu oponente, ele deu um passo para trás em diagonal e tropeçou quando sua espada foi empurrada com força contra seu peito. Ele agora estava caído no chão, sua espada ainda segura em postura de luta, seu cotovelo esquerdo mantendo a parte de cima de seu corpo para cima. Ele estava ofegante e seus olhos estavam bem abertos, impressionados. Com um rápido movimento, seu adversário mandou sua espada pelos ares, para longe de sua mão, e Maddie a segurou com facilidade quando ela passou por cima de sua cabeça. Malfoy então olhou para a ponta da espada de seu adversário, que estava pressionada firmemente sobre seu coração, seu queixo caiu. O Salão explodiu em aplausos.

Quando o barulho começou a sumir, Maddie foi até eles, batendo palmas e sorrindo. "Muito bem," ela disse, impressionada. "por favor, revele quem é." ela disse para o aluno mascarado.

Harry sorriu ao ouvir isso. Ele tinha uma boa idéia de quem era, e suas suspeitas foram confirmadas quando o oponente de Malfoy tirou o capacete. Era Hermione.

Enquanto Harry batia palmas junto com os outros, seu rosto corou e sua temperatura subiu, resultado de uma combinação de orgulho, admiração e desejo. Ela estava ofegante, a boca um pouco aberta, com os cantos levemente inclinados num sorriso esperto. O cabelo estava preso no pente que ele dera de Natal no quinto ano e algumas mechas escaparam e emolduravam seu rosto corado. Seus olhos castanhos estavam estreitados em concentração, focalizados no ponto onde sua espada apontava para o coração de Malfoy. Ela colocou o capacete embaixo do braço esquerdo, e continuou na posição como se esperasse alguma coisa.

"Você se entrega?" ela finalmente disse quando os aplausos cessaram.

Malfoy não parecia capaz de responder no início. Ele apenas olhava para ela com um olhar estranho, a boca um pouco aberta enquanto ele lutava para recuperar o fôlego. Por um instante, Maddie olhou de um para o outro, como se decidisse se deveria interferir. Ela pareceu decidir que não, porque saiu da esteira e cruzou os braços, esperando.

Em menos de um minuto, Malfoy encontrou a voz e se entregou. Hermione puxou a espada e o saudou sob outra rodada de aplausos. Harry notou que algumas pessoas não aplaudiam - provavelmente sonserinos.

Maddie veio à frente e levantou os braços para que fizessem silêncio. Ela foi até Malfoy e lhe ofereceu a mão para levantar. Ele olhou feio para ela e se levantou sozinho. Harry teve a impressão de Rony ter dito algo como, "Bem feito, Malfoy."

Hermione parecia um pouco preocupada quando Maddie veio até ela, quase como se esperasse que gritasse com ela ou que lhe desse uma bronca. Ao invés disso, Maddie tinha um sorriso forçado.

"Bem, bem," ela disse tensa, "parece que talvez tenha escolhido o aluno errado para me ajudar com a aula. Estou certa em assumir que aprendeu a duelar assim em aulas de Esgrima trouxa?"

"Sim, pratico esgrima desde que tenho idade suficiente para segurar uma espada." Hermione respondeu secamente, olhando para Malfoy que rolou os olhos.

"Você é muito boa." Maddie disse num tom que não demonstrava nenhum elogio ou admiração, mas apenas comunicava uma observação. "Gostaria que me ajudasse com essa aula se não se importa. Talvez deva começar com o Sr. Malfoy ali." ela levantou uma sobrancelha e fez um gesto na direção de Malfoy, virando para olhá-lo de cima a baixo, sorrindo cruelmente. Ele corou bastante e passou uma mão pelos cabelos, olhando para os pés. Harry desejou ter uma câmera para capturar a magia desse momento. Rony sussurrou quase a mesma coisa quando eles se posicionaram para praticar ataques e defesas.

Quando a turma estava se envolvendo, Maddie fez uma coisa que ninguém esperava. Ela desafiou Hermione pra um duelo - com fins de demonstração, obviamente.

Hermione que estava ajudando Eddie Blythe com a postura, virou para Maddie com uma expressão de surpresa.

"Tem certeza que é necessário, Professora?" ela perguntou educadamente. "Acho que Draco fez um bom trabalho se defendendo quando duelamos. Foi demonstração suficiente, não acha?"

A turma toda parou esperando a resposta de Maddie. Ela era conhecida por não ser muito tolerante com alunos que não acatavam seus pedidos. Maddie deu um sorriso fechado para Hermione e foi até uma longa caixa de ébano com o puxador em bronze, que estava apoiada na parede mais próxima.

"Sim, você provavelmente está certa, Srta. Granger." ela disse, enquanto se curvava para pegar a caixa.

"Bom," Hermione respondeu. Ela deu as costas a Maddie para pegar a espada que Eddie largara.

"Claro, nós sabemos a verdadeira razão para você não querer tentar." Maddie zombou, a voz bem detrás de Hermione. Isso a surpreendeu, fazendo com que ela consertasse a postura e virasse devagar. Ela se encontrou a centímetros do rosto da Professora, a mulher que aprendera a desprezar nas últimas semanas.

"E qual é?" Hermione disse, o rosto e cordas vocais esforçando-se ao máximo para conter a irritação com a postura e tom e de Maddie. Ela não queria dar um mau exemplo aos alunos que agora estavam tão quietos que dava pra pensar que ela e Maddie eram as únicas pessoas no Salão Principal.

"Você tem medo que eu te vença e pareça que você é ruim. Você sabe que eu sou melhor que você e não gosta de falhar na frente dos outros. Você não gosta de mim e não quer demonstrar isso." Maddie disse friamente, soando muito mais do que nunca como a Sonserina que dizia ser.

Hermione queria recuar. Ela não queria se tornar um espetáculo para seus colegas. E pra dizer a verdade, ela não queria perder. Mas Maddie acertara em cheio num ponto fraco de Hermione, e ela respondeu de um jeito que surpreendeu até ela mesma. Seu orgulho fora atingido e ela queria se vingar de Maddie pelo que ela fizera a ela e Harry.

"Certo, eu aceito." Hermione disse firme, seus lábios apertados, seus dentes cerrados e sua ansiedade aumentando. Ela ia dar o máximo para provar que essa mulher estava errada, mesmo que precisasse de toda sua força e habilidade.

Maddie sorriu zombeteira, o rosto cheio de uma felicidade quase infantil. Hermione recuou um passo quando ela abriu a caixa de madeira em sua mão, revelando um par de espadas de duelos prateadas, decoradas com elaborados entalhes em ouro e com várias esmeraldas em cada cabo. A única espada comparada a essas era a que Harry tirara do chapéu seletor no segundo ano. Todos alunos se impressionaram com as armas que Maddie mostrava a eles.

Ela fechou a caixa e a colocou embaixo do braço. "Você não vai precisar disso aí." ela disse, olhando para os trajes de proteção que Hermione ainda usava. Com um sacolejo de sua varinha, eles caíram aos pés de Maddie, formando uma pilha. Hermione dobrou as mangas da blusa para que não atrapalhassem, e torceu pra não precisar de nenhum movimento que fizesse sua saia subir.

Ainda sentindo-se surpresa pelo que Maddie tinha feito, Hermione sentiu uma mão em seu ombro e virou. Harry, que havia tirado o capacete, a olhava nos olhos, preocupado.

"Ela não é muito normal, Hermione, por que você não deixa pra lá? Ela não pode te obrigar a lutar com ela." Harry sussurrou quando ela se inclinou para perto dele.

"Vai ficar tudo bem." Hermione disse, tentando parecer convincente.

Harry levantou as sobrancelhas ao ouvir o tom de sua voz. Hermione sabia que Harry queria apóia-la, mas também estava lutando contra a vontade de protegê-la. Ela sorriu tranqüilizando-o e ele recuou.

"Escolha sua arma." Maddie disse, abrindo a caixa outra vez e mostrando-a para Hermione.

Com o estômago revirando e formando um nó, Hermione respirou fundo antes de esticar o braço e escolher a espada da direita. Ela instintivamente decidiu que direita era melhor porque ela era destra. Maddie sorriu, tirou a outra espada, e a segurou com a mão direita.

"Concentre, Hermione. Concentre," Hermione disse para si mesma. Alguns risos atrás dela indicavam que ela provavelmente dissera isso mais alto do que planejara. Ela virou para encarar os alunos que se amontoaram ali e viu que todos tinham tirado o capacete e estavam assistindo ela e Maddie com muito interesse. Podia ver a ansiedade no rosto de Harry e de Rony. Olhando a multidão, viu Gina, que levantou as mãos para mostrar os dedos cruzados a ela, e depois piscou. Depois seus olhos pousaram sobre Malfoy, escoltado por Crabbe e Goyle e ele também piscou para ela, mas de um jeito muito diferente. Era uma piscar de paquera. Ele parecia estar se divertindo quase tanto quanto Maddie.

Dando as costas para seus colegas, ela viu Maddie na distância regular a sua frente, posicionada pra o duelo. Seu coração batia forte no peito agora, ela se lembrou mais uma vez de concentrar, e levantou a espada para a testa para cumprimentar.

Hermione estivera em várias competições de esgrima desde que começara a praticar o esporte aos seis anos. Nenhuma delas se comparavam à competição acirrada que se dava entre ela e Maddie agora. Ela podia ter sido campeã Regional Júnior de Esgrima, mas isso não a ajudaria muito contra um Auror completamente treinado, que provavelmente já fizera isso pra valer, até a morte.

Como era de se esperar, o estilo de Maddie era impetuoso e agressivo. Ela avançou audaciosamente em Hermione assim que o duelo começou, mas soube exatamente quando recuar para evitar de ser atingida quando Hermione esquivou. As espadas se cruzaram de novo, e Hermione podia sentir a magia passando nela e resistindo à força de sua oponente. Ela puxou a espada, algo que Maddie não esperava. Com um rápido passo para trás, Hermione fez com que Maddie se lançasse para frente descontrolada e conseguiu atingi-la rapidamente no braço direito. Maddie nem olhou para o braço para ver o ferimento, mas Hermione desviou o olhar pra lá. Esse lapso de concentração foi um erro, pois Maddie se aproveitou para atacar, golpeando o ombro de Hermione.

Harry assistia ao duelo entre Mddie e Hermione com a cabeça latejando de ansiedade. Não ajudava o fato de Malfoy estar ao alcance de seus ouvidos, fazendo comentários nojentos sobre o que estava acontecendo.

À medida que aumentava intensidade do duelo, começaram gritos e torcidas dos alunos que estavam assistindo. Um rápido olhar revelou a Harry que alguns professores tinham vindo assistir o acontecimento, provavelmente graças a um dos irmãos Creevy. Harry estava observando Hermione tão intensamente que mal notou as pequenas apostas que estavam sendo armadas por Simas Finnegan, pra ver quem ganharia o duelo. Aparentemente Rony tinha chance de ganhar muito, porque apostou bastante que Hermione ganharia com o mesmo movimento que usara em Malfoy.

Ela parecia ter movimentos brilhantes pelo que Harry podia ver. Isso não era surpresa. Desde antes deles namorarem, Harry sabia que Hermione estudava esgrima durante as férias de verão. Seus pais se conheceram competindo um contra o outro numa liga amadora de esgrima quando estavam na universidade. Querendo passar o amor pelo esporte pra sua filha, os Granger a matricularam em aulas de esgrima quando ela tinha idade suficiente. Agora que ela estava em Hogwarts, era mandada para um programa intensivo de um mês todos os verões, o que a preparava pra várias competições na liga. Ano passado, ela ganhou o Campeonato Regional Junior.

"Ei, Harry?" sussurrou Rony, que bateu palmas junto com os outros quando Hermione fez um movimento bastante agressivo.

"O que?" Harry disse sem tirar os olhos dela.

"Você está tão surpreso quanto eu com Hermione?" ele perguntou.

Harry tirou os olhos do duelo por um milésimo de segundo para olhar Rony. Seus olhos estavam arregalados, sem acreditar no que viam, e ele também estava concentrado em olhar Hermione se defendendo da seqüência de ataque de Maddie.

"Não, Rony. Sabia que ela praticava esgrima já há um tempo. Você nunca perguntou a ela o que fazia durante o verão?"

"Perguntei," Rony disse, um pouco distraído. "Mas quando ela disse que estudava esgrima, pensei que abrisse um livro e lesse sobre o assunto. Naturalmente, não perguntei mais sobre o assunto. Até hoje, não sabia que ela praticava de verdade."

Harry deu uma pequena risada pelo nariz. Logo voltou a se concentrar, olhando cada movimento de Hermione ansiosamente. Ele imaginou se era assim que ela se sentia quando o viu lutar contra Voldemort no sexto ano, ou quando ele jogava Quadribol ou quando ele fazia qualquer coisa que tivesse qualquer perigo.

O comentário idiota de Malfoy quebrou sua concentração. Ele tinha ido até onde ele e Rony estavam.

"E aí, Potter?" Malfoy disse, cutucando as costelas dele com o cotovelo. "Isso é a coisa mais sexy que já viu, ou o quê?"

"Cai fora, Malfoy." ele disse, sem nem olhar para ele.

"Olhá-la assim não dá ainda mais vontade de transar com ela?" ele disse num tom baixo e profundo.

Harry virou a cabeça para encaram Mafoy, ainda assistindo ao duelo com a visão periférica. Ele não ia deixar um comentário desse passar.

"Eu disse pra você cair fora. E eu não gosto que faça comentários desse tipo sobre Hermione. Vocês dois não tinham concordado numa trégua? Parece que não está cumprindo com sua parte, não é?"

Malfoy sorriu se divertindo, encarando Harry. Ele depois virou para olhar o duelo, observando intensamente.

"Certo, Potter. Vou deixar você em paz. Mas me deixe esclarecer duas coisas antes. Um. Eu fiz uma trégua com Hermione, não você. E dois, eu não estava falando de Hermione, estava falando da Professora. Mas agora que você mencionou..."

Antes que Harry pudesse responder notou Hermione tinha alguns problemas e virou para assistir melhor. Ele cuidaria de Malfoy depois. Agora ele precisava se concentrar em Hermione.

Ela estava cansando e começando a fazer alguns erros amadores. Parecia que Maddie tinha melhor resistência para disputas mais longas. Mas também, ela não tinha duelado contra Malfoy menos de uma hora antes. Hermione segurou sua espada num ângulo de quarenta e cinco graus e preparou-se para responder à ofensiva de Maddie com uma seqüência de ataque com a qual ganhara várias lutas antes. Ela agradecia a existência de feitiços de proteção porque por mais que ela odiasse Maddie, não queria causar nenhum ferimento fatal nela e essa seqüência era bastante perigosa sem o tipo certo de equipamento de segurança.

Funcionou melhor do que ela esperava. Ela conseguiu parar, atacar e contra- atacar de uma vez só. O movimento de Maddie para frente foi interrompido e ela teve que recuar alguns passos depois que Hermione a atingiu no lado das costelas. Parecia que finalmente ela estava ficando sem energia.

Quando Hermione estava se recuperando da alegria do ataque bem sucedido, Maddie deu um sorriso sarcástico e falou enquanto o duelo continuava.

"Agora, Srta. Granger, vou pôr um ponto final nesse duelo."

Antes que Hermione pudesse responder, suas espadas se cruzaram, o barulho de metal contra metal ressoando. Maddie empurrava com força contra Hermione, seu peito pressionado contra o lugar onde as duas espadas se encontravam. Para resistir à força sem ser empurrada pra trás, Hermione teve que vir para frente, também empurrando com força contra a junção das espadas. Seus rostos estavam a centímetro.

Mais de perto, Hermione teve a impressão que Maddie parecia um pouco nervosa. Sua testa pingava de suor e suas pupilas estavam dilatadas. Ela podia sentir a respiração quente em seu rosto quanto ela sussurrou de forma que mais ninguém ouvisse.

"Você quer que eu diga o que realmente aconteceu entre Harry e eu esse verão?"

Esse comentário a perturbou. Ela não esperava que Maddie usasse esse tipo de golpe. Com um engasgo, Hermione empurrou com mais força ainda contra ela e decidiu não responder. Ela não queria deixar isso quebrar sua concentração.

"Bem, digamos que ele foi perfeito." Maddie disse baixo, com uma sobrancelha arqueada depois de não receber resposta.

"Você... sua...!" Hermioe gritou. Com uma sacudida brusca, ela foi empurrada pra trás; caindo estendida na esteira, a espada sobre o peito. Ela fez menção de se levantar, mas Maddie já estava perto dela, sorrindo maliciosa. Sua espada estava posicionada sobre sua jugular.

"Se entrega?" ela perguntou, falando alto para ser ouvida por cima das palmas e gritos.

"Sim." Hermione disse entre os dentes cerrados. Ela sentia seu rosto queimando e estava com tanta raiva e tão envergonhada que estava com medo de transformar sem querer Maddie num gambá se não controlasse seu ódio. Ela não fazia mágica descontrolada desde o verão no segundo ano quando fizera as roupas de Troy McLean desaparecerem, deixando-o apenas de cuecas. Ele era um garoto chato do acampamento de esgrima de verão que deixara sua amiga Sara tão chateada que ela decidiu desistir. O incidente fora tão constrangedor que ela nunca falara isso a ninguém, nem mesmo a Harry.

"Lição número um, Srta. Granger," Maddie disse, sem sorriso em seu rosto corado, "não deixe seus sentimentos interferirem em sua concentração. Você perdeu não porque eu sou melhor que você, mas porque eu pude achar sua fraqueza." Ela continuou numa altura que só Hermione podia ouvir. "Você deixou seus sentimentos por Harry interferirem."

Houve uma pausa desconfortável, durante a qual Maddie manteve a espada no pescoço de Hermione, movendo-a de um lado para o outro levemente sobre a pele. Os olhos de Hermione se arregalaram numa combinação de medo, raiva e descrença.

"Ele foi perfeito - um perfeito cavalheiro, Hermione. Nada mais." Maddie completou gentilmente, olhando para Harry e sorrindo.

Maddie então puxou a espada e deu as costas para Hermione, dizendo um feitiço que fez suas marcas vermelhas desaparecerem. Harry e Rony imediatamente vieram para o lado de Hermione. Ela se apoiou sobre os cotovelos, todo seu corpo dolorido.

"Hermione, você está bem?" Harry perguntou, a voz cheia de alarme. Quando Rony chegou perto dela, seu rosto se encheu de preocupação, Harry a segurou a ajudou a levantar, seus olhos procurando os dela.

A visão familiar dos olhos verdes de Harry e o jeito firme que ele segurava seus ombros a fizeram sentir melhor por um segundo antes que ela fosse atingida por uma onda tão forte de náusea que ela pensou que fosse passar mal bem ali.

Harry deve ter adivinhado como ela se sentiu, por que ele a colocou nos braços e praticamente a carregou para fora do salão Principal, em direção ao banheiro da Murta que Geme, com Rony abrindo caminho na frente deles.

********

Era a oportunidade perfeita que ele esperava e veio bem na hora que ele estava se preocupando se precisaria de um novo plano.

Quando Potter e Weasley estavam carregando Hermione pra fora do Salão Principal, uma coruja voou para dentro do Salão Principal e largou uma carta na mão aberta de Maddie.

Ela pareceu surpresa e abriu-a rapidamente. Enquanto lia a carta, seu rosto ficou mais vermelho do que na hora do duelo. Draco observava intensamente quando ela colocou uma mecha de seu cabelo castanho atrás da orelha, mordendo o lábio ansiosa.

Apesar do fato dela ser professora e ter feito ele de bobo no início da aula, Draco ainda se sentia atraído pela professora de Defesa Contra Artes das Trevas. Ele tinha zombado de Potter com isso, mas havia um pouco de verdade no que dissera, a diferença era que era sobre ele mesmo. Alguma coisa em vê-la se mexendo daquele jeito fazia seu sangue ferver. Mesmo com ela se esforçando para ser amiga dele, até mesmo pedindo que a chamasse de Maddie quando estivessem sozinhos, ele não confiava nela. Ele não gostava do fato de estar atraído a ela como um ímã. Felizmente, ele era esperto suficiente para saber que essa reação era exatamente o que ela queria. A conversa que ele ouvira entre ela e Moody no início do ano, o levara a concluir que ela era bem valente, e isso o fez levantar a guarda por dentro, apesar de manter uma amizade calma e fácil por fora.

"Draco," Maddie disse, levantando os olhos da carta e percebendo que ele olhava para ela. "Preciso sair do castelo imediatamente por problemas urgentes. Não vou demorar mais que uma hora, mas preciso sair agora. Posso contar com você para que as coisas fiquem limpas e bem organizadas?"

"Claro, Professora." Draco respondeu. "Vou me assegurar que tudo fique em boa ordem, pode contar comigo." Ele sorriu, sem demonstrar a vontade de pular de alegria por causa dessa oportunidade.

*******

A floresta é amável, escura e profunda.

Mas tenho promessas a cumprir,

E milhas a percorrer antes de dormir,

E milhas a percorrer antes de dormir. - Robert Frost

"O que está fazendo aqui?" ela disse nervosa, apertando sua capa a seu redor. "Essa visita é, no mínimo, não recomendada. Explique-se."

"Precisamos de uma atualização. Você não manda sua coruja regular a dias e estávamos ficando preocupados." respondeu uma voz masculina, grave. Seu capuz estava puxado bem pra frente do rosto, de modo que ela não podia ver sua expressão.

Ela suspirou alto, o que o fez temer um pouco. "Está tudo sob controle. Disse que mandaria uma coruja se houvesse algum problema. Não houve nenhum. Que parte disso você não entendeu?"

"Então você conseguiu? Ele está pronto a se juntar a nós de uma vez por todas?" ele perguntou irônico, sabendo a resposta para essa pergunta.

"Ainda não. Mas se Trelawney estiver certa sobre o aniversário dela, armei uma pra ele que não escapará. Ele não resistirá, por mais que tente."

Ele remexeu desconfortável com o tom da voz dela. Ela era assustadoramente boa em descobrir as fraquezas das pessoas, e ele sabia muito bem disso.

Depois de uma pausa na qual ele teve a impressão de ter ouvido a Floresta Proibida sussurrando para ele, ela deixou escapar um som de impaciência.

"É só isso? Preciso voltar ao castelo antes que comecem a fazer perguntas." ela disse tensa. Olhou por cima do ombro para a grande estrutura, suas luzes piscando na noite fria.

Ele parou por quase um minuto antes de considerar o que dizer. Isso era maior que ele, maior que ela, maior que todos eles.

"Os ataques começaram. Uma bruxa nascida trouxa desapareceu no Beco Diagonal e eles estão pondo a culpa em um grupo de jovens Comensais da Morte. Vão tentar encobrir, mas acho que não vão conseguir por mais de dois dias. Claro, eles não conseguirão localizar os atacantes. Achei que devia saber." ele disse pesadamente.

"Bem, isso sempre foi parte do plano, não é? Não é prazeroso, mas no fim das contas vai ser o melhor." ela disse friamente.

"Essa é uma das razões deles quererem que eu viesse. Alguns estão questionando sua capacidade de se manter leal durante todo o tempo."

"Minha lealdade? Nunca vacilou, apesar do que eles pensam. Depois que faço um juramento, eu o mantenho. Você já devia saber disso."

"Sim, eu disse a ele, mas ele não acreditou."

"Isso não me surpreende." ela disse séria. "Mais alguma coisa?"

"Eu..." ele começou, mas sua voz começou a falhar e suas mãos a tremer.

"O que foi?" ela perguntou impaciente. Ele podia ouvir a bota dela batendo sobre as folhas espalhadas no chão da Floresta Proibida.

"Cuidado." ele sussurrou grosseiramente, desejando que ela olhasse diretamente para ele. Ele apenas olhou para o céu e riu.

"Se eu ganhasse um galeão cada vez que você me diz isso, estaria rica!" ela disse cruel. "Você acha que eu me importo? Você acha que realmente importa? Acabou. Esqueça."

"Você não superou!" ele disse, mais alto do que pretendia.

"Sim, bem, isso implicaria que existe alguma para superar, não é mesmo? Boa noite." ela disse rude.

Ela girou em seus calcanhares e o deixou em pé, olhando-a ir embora sob a luz pálida da lua.

********

Depois que o Salão Principal voltou a sua decoração normal, Draco foi até a ala do castelo onde os aposentos dos professores ficavam. Ele fora até lá várias vezes antes, para reuniões com seu pai e Snape. Nos últimos dois dias, ele seguira Maddie até seu quarto e observa detrás de uma estátua de Carlo, o Confuso, enquanto ela desfazia os feitiços e trancas que ela colocara. Não era surpresa que alguns pareciam bastante complexos, e que Draco precisaria de sorte para passar por eles sem se machucar, mas precisava arriscar. A missão era muito importante para que isso o impedisse.

Chegando à porta sem ser visto, ele respirou fundo e segurou a respiração alguns segundos para se acalmar. Ele fez a seqüências de feitiços e encantos para destrancar o quarto e ficou surpreso quando pareceu funcionar sem falhas. Ele abriu a porta devagar e entrou no quarto quase completamente escuro. Fechou a porta atrás dele e acendeu a varinha para olhar em sua volta. Ele não tinha muito tempo e precisava achar o que queria e sair dali antes que ela voltasse.

Pelo que parecia, o quarto de Maddie era bem similar em forma e tamanho ao de Snape. Mas era aí que as semelhanças terminavam.

Enquanto os móveis e a decoração de Snape eram bem Espartanos, os de Maddie eram modernos e sofisticados. Ela parecia gostar de preto, prata e do verde Sonserino, já que tudo no quarto era de uma dessas cores, desde o chão multicolorido ao teto preto. A cama, que estava no centro do quarto, era enorme e tinha cortinas de um material preto transparente que combinava com as cobertas e travesseiros pretos que decoravam a cama. Sem tocar a colcha, Draco suspeitava que os lençóis eram de seda, conhecendo Maddie.

A lareira a sua esquerda estava apagada, o que era estranho para um quarto de Hogwarts. Ela provavelmente não deixava os elfos-domesticos entrarem por causa de sua paranóia de Auror. Isso podia explicar porque ele não conseguira usar pó de flú quando tentou chegar ali do salão comunal de Sonserina. Sobre a lareira estavam várias fotos e Draco não conseguiu segurar a curiosidade e as olhou mais de perto. Uma foto em particular chamou sua atenção. Era de uma linda mulher que parecia muito com Maddie. Mas ele não tinha tempo de examiná-la mais; precisava achar o que queria.

Depois de uns tensos dez minutos de procura tediosa pelos armários, embaixo dos móveis e até atrás de quadros, ele achou uma gaveta escondida na mesa de madeira. Era uma gaveta pequena, mas parecia estar aumentada magicamente porque tinha mais itens dentro do que parecia poder acomodar por fora. Ele achou por sorte, procurando ali pois seu pai tinha uma mesa similar na mansão que ele usava pra guardar algumas de suas poções e livros mais obscuros.

Não levou muito tempo para ele achar o que estava procurando. Era uma pequena lata rotulada com "Pó". Ele abriu a lata, prendendo a respiração para não inalar e colocou um pouco do pó num pequeno saco de couro que trazia com ele. Fechou a lata cuidadosamente e colocou exatamente onde encontrara. Se ele estivesse certo sobre a personalidade de Maddie, ela notaria algo se estivesse meio centímetro fora do lugar.

Quando estava fechando a gaveta, ouviu sons do lado de fora que indicavam que alguém estava à porta. Ele sabia que era Maddie e ela estava falando os feitiços e encantos que ele usara pra entrar no quarto. Eles funcionariam? Ele não colocara as proteções de volta quando fechou a porta. Ela descobriria que alguém invadira? Maldita fosse por ser tão rápida no que quer que tenha feito. Olhando para o relógio, Draco notou que só se passaram quarenta e cinco minutos desde que ela deixara o Salão Principal.

Os olhos dele correram pelo quarto enquanto ela dizia o último encanto. Não havia lugar para se esconder. O banheiro era pequeno e ele logo seria descoberto. O armário pareceu uma possibilidade, mas ele notou que havia uma fechadura complicada, que ele não tinha tempo para descobrir como funcionava.

Ele precisava sair dali e precisava ficar acima de qualquer suspeita. Uma inspiração repentina o atingiu assim que a porta abriu. Ele fez as acrobacias e feitiços necessários enquanto ela entrava no quarto.

"Incêndio." ela rosnou, e a lareira acendeu com chamas dançantes instantaneamente. Seus olhos se arregalaram e seu queixo caiu de choque ao vê-lo ali. Ele estava segurando a espada de duelos que estava pendurada na parede dela momentos antes e estava sentado na ponta da poltrona perto da lareira.

Em menos de um segundo, ela tirou a varinha e a apontava para o peito dele. "O que está fazendo aqui?" ela falou, já em cima dele. Ela parecia confusa e suspeitando.

"Estou sentado na sua poltrona segurando uma espada de duelos." Draco respondeu secamente. Maddie deu um sorriso forçado.

"Muito engraçado, Draco. Eu já notei isso. Explique-se." ela disse, a varinha suspensa sobre ele. Draco lutou contra a vontade de desviar os olhos para mesa dela; ele desejou desesperadamente que ela não o revistasse e achasse o saco de pó que ele recolhera.

"Queria falar com você sobre me ajudar com minhas habilidades com a espada." ele disse, tentando soar confiante.

"E então invadiu meus aposentos?" Maddie rosnou.

"Eu precisava muito falar com você Maddie." ele sorriu. "E não queria esperar lá fora. Alguém poderia me ver lá e querer saber porque. Pra ser franco, foi bem humilhante perder para a Granger."

"Foi bem feito." Maddie respondeu, a varinha ainda apontada para ele.

"Você vai ficar apontando essa varinha para mim?"

Maddie olhou para ele com os olhos estreitados. "Expelliarmus." ela disse e a varinha dele e a espada que segurava voaram para a mão dela.

"Você não confia em mim." Draco disse gentil.

"É meu trabalho não confiar em ninguém." ela respondeu. "Não é nada pessoal." Ela deu um sorriso amigável. "Vai mais pra lá."

Draco abriu espaço para ela se sentar. Devido ao tamanho da poltrona, ela estava bem próxima a ele. Ele sentia o cheiro do perfume apimentado dela. Parecia laranja e canela e grama cortada. Ele sentiu seu coração bater mais rápido.

"Meu pai disse que todas as mulheres são frágeis, fracas e não se pode confiar nelas. E acredito nele, por isso é surpreendente conhecer alguém como ela. Ela parece desafiar as regras, como você." ele disse, olhando para ela.

"É isso mesmo que pensa das mulheres?" Maddie disse, um pouco de raiva em seu tom. Ele deveria ter tido mais cuidado.

"Quase todas." ele respondeu sincero.

Maddie sorriu novamente, mas dessa vez pareceu forçado. "Você admite que já lhe provaram o contrário, mas ainda não aceita. Quando estiver procurando defeitos, você os encontrará. Ninguém é perfeito. Nem homens, nem mulheres e com certeza, nem você."

"O que eu tenho a ver com isso?"

"Você tem tudo a ver, Draco. Você muda de amante como muda de roupa, pelo que ouvi."

Draco fez uma careta. Ele precisava mudar o tema dessa discussão; ele não gostava do rumo que isso estava tomando e isso não o tiraria do quarto. Talvez se ele a irritasse o suficiente, ela o expulsaria. "Ouvi a mesma coisa de você." ele disse.

Maddie jogou a cabeça para trás e riu de um jeito muito sexy. Quem ele estava enganando? Tudo o que ela dizia ou fazia era sexy. Ele tinha que sair dali antes que se fizesse de idiota ou perdesse completamente o respeito dela.

"Que bom que achou engraçado, eu não quis dizer nada com isso." ele disse se desculpando, rindo um pouco também.

Os olhos de Maddie ficaram distantes e ela balançou a cabeça. Ela colocou o queixo nas mãos, os cotovelos apoiados nos joelhos e sua expressão de repente mais séria. "Draco, Draco. Claro que ouviu falar isso de mim. Estaria desapontada se não tivesse. Mas nos desviamos do tema. Acredito que estava me pedindo algo." Ela levantou a cabeça e o olhou nos olhos.

"Só quero saber se vai me ajudar a ficar melhor que ela, só isso."

"E o que eu ganho em troca?" Maddie perguntou.

"Em troca? Você quer algo? Você é uma professora de Hogwarts, não devia ensinar de graça?"

"Bem, sou uma bruxa muito ocupada." ela disse, examinando as unhas sob a luz da lareira.

"O que você quer?" ele perguntou, sentindo-se muito nervoso. Ele não tinha certeza de que lado ela estava, e ele não ia perguntar a ela agora e revelar demais. Ainda bem, o pedido dela foi simples.

"Quero que se encarregue das corridas matinais - você e Gina Weasley. Uma coisa aconteceu. Tenho que me assegurar que o caminho fique livre de... perigos. Vou correr na frente, mas vou ficar muito longe pra vocês me verem. Posso contar com você?" ela perguntou.

"Claro, Maddie. Vou fazer isso. Fico feliz em ajudar." ele respondeu, tentando esconder o alívio.

"Eu realmente gosto de você, Draco. Acho que você é esperto suficiente para perceber um dia que seu pai estava enganado sobre as mulheres. Até lá, lembre que estou de olho em você. Agora sai daqui e vá para cama. Quero você descansado para corrida de amanhã. Você não quer desapontar a Srta. Weasley."

"Desapontar - ?" Draco começou a dizer, mas ela o calou e levantou, indo até a porta.

Quando ele ia saindo, ela segurou seu braço. "Não sei realmente por que você estava aqui, Draco. Essa cena que armou não me convenceu nem por um segundo. Sugiro que tome mais cuidado da próxima vez ou vai arruinar tudo. Boa noite."

Confuso pelo que ela disse, ele saiu sem dizer mais nada e logo estava na torre de Astronomia, uma hora adiantado para seu encontro com Lilá.

Uma estranha combinação de emoções revirava dentro dele enquanto andava pela torre, cheia de casais para namorar nas salas da escola. Um casal da Grifinória que ele pegou, lançou olhares de desprezo, mas ele não estava com vontade de tirar pontos hoje. Ele sabia que devia estar sentindo o triunfo de sair ileso do quarto de Maddie, mas ao invés disso ele se sentia confuso, irritado, enganado e com muito desejo. Ao menos Lilá poderia ajudá- lo com o último, ele pensou, enquanto sentava na sacada Torre de Astronomia agora vazia e contemplava o efeito da luz da lua sobre as terras da escola e arredores.

Mas a bela visão não o confortava de seus tormentos. Outra vez em sua vida, Draco se sentiu sozinho. O pensamento que Lilá estava a minutos dali apenas aumentava o vazio dentro dele.

*****

Para grande surpresa de Gina, a Professora Monroe pediu que ela tomasse mais liderança nas corridas matinais. Isso seria muito bom, não fosse o fato de seu parceiro ser Draco Malfoy.

A Professora sairia cinco minutos antes dos outros corredores para que pudesse patrulhar o caminho à frente deles. Quando Gina perguntou o porquê da mudança, ela se recusou a explicar, mas disse para ela ler o Profeta Diário durante o café nos dias seguintes e ela descobriria por si.

Gina olhava a Profesora correndo enquanto ela e Malfoy guiavam a turma durante os exercícios de aquecimento que foram adicionados ao programa.

"Pelo que vejo, Weasley," Malfoy falou por cima do ombro enquanto faziam polichinelos, "Devia deixar que eu fizesse o mais importante. Acho que a Professora Monroe quer que você aprenda como ser um bom líder comigo. Apenas faça o que eu digo e vai ficar tudo certo."

"Dá licença," Gina disse, sem virar a cabeça, "mas acho que ela disse que somos co-lideres. Ela não me disse nada sobre como aprender a liderar com você. Na verdade, ela me alertou para não deixar você ficar mandão. Então, fique avisado. Você está mandão." Ela abafou um riso e ficou surpresa quando ele não respondeu com um de seus comentários de costume. Talvez ele estivesse um pouco distraído hoje.

Depois que eles estavam correndo por uns quinze minutos, Gina teve a impressão de ouvir Malfoy falando algo pra si mesmo. Ele estava mais quieto de costume essa manhã, e ela se encheu de curiosidade para saber o que provocara essa mudança.

"O que há, Malfoy?" ela perguntou, se preparando para o sarcasmo dele.

Ao invés de responder, ele olhou para ela com uma expressão magoada. Isso a surpreendeu tanto que ela quase tropeçou num galho.

"Você não se importa, então pra que perguntar?" veio a resposta.

"Claro que me importo." Gina disse. "Não gosto de ver ninguém magoado, mesmo que seja alguém como.." ela parou.

"Alguém como o que?" ele falou.

"Alguém como você." ela respondeu.

"O que te faz pensar que sabe como eu sou?" ele disse friamente.

"Eu não disse.."

"Esqueça, Weasley. Apenas esqueça. Você talvez tenha conseguido que a Professora Monroe brincasse de cupido pra você, mas eu não vou cair nessa. Você é a última pessoa na Terra com quem eu ficaria. Ela está errada e você é só uma garotinha boba." ele disse zombando.

Gina engasgou de fúria. Ela não conseguia se lembrar de ter sido tão insultada. Tentou achar as palavras, qualquer palavras para jogar nele. Precisava se defender contra essas acusações falsas. Tudo o que conseguiu fazer foi fechar a boca e apertar os dentes para não chorar.

"Isso mesmo, Weasley. Vejo que está se preparando para tentar negar. Você acha que eu sou tão idiota parar não perceber as tentativas de conversar comigo todo dia? Não tenho idéia do que está aprontando mas com certeza está doida." ele continuou.

"Por que você acha que eu gostaria de ficar com alguém tão odiado, malvado, ruim e cruel como você?" ela gritou, finalmente encontrando a voz para mandar palavras em cima dele com força.

Ele a ignorou. Continuou com o mesmo tipo de ataque. "Viemos de mundos diferentes, Weasley. Você é pobre. Eu sou rico. Você é uma adoradora de trouxas e eu os odeio. Você é uma Weasley, pelo amor de Merlin. Você acha que eu desceria a esse nível? Que patético!"

Isso foi a gota d'água. Quando ela se zangava, era igual a sua mãe. Falava demais e perdia completamente o controle.

"Para seu governo, Malfoy, a única discussão que tive sobre você com a Professora Monroe foi sobre como te agüentar e como fazer você parar de me insultar e de me assustar. Eu te odeio e gostaria que ela não me fizesse correr com você!"

"Boa estória." Malfoy respondeu, mantendo sua voz irritantemente calma. "Você só -..."

Mas ele não terminou a frase, pois tropeçara numa grande raiz que aparecera do nada no caminho deles. Gina parou e olhou para Draco deitado no chão, apertando o tornozelo. Ela levara a mão à boca em descrença e horror. Em sua raiva, ela tinha feito a raiz sair do chão e derrubá-lo! A última vez que ela fizera magia assim foi quando Fred e Jorge tiraram Glenda, a boneca trouxa amiga e a usaram como alvo quando ela tinha sete anos.

Ele parecia estar com muita dor. Seu rosto normalmente pálido estava muito vermelho, seus olhos estavam bem fechados e ele se balançava no chão, respirando rápido. Gina ajoelhou no chão junto a ele e tentou dar uma olhada em seu tornozelo, pra ajudá-lo de algum jeito. Ela estava com medo de falar com ele porque não queria aborrecê-lo ou machucá-lo ainda mais.

À medida que os alunos os alcançavam, iam se reunindo em volta deles.

"O que está acontecendo?" ela ouviu a voz de Hermione.

Gina levantou os olhos, ainda chocada e viu Harry abrindo caminho pela multidão, seguido por Hermione e Rony.

Quando eles alcançaram Gina e Draco, ficaram parados por um momento, chocados.

"Draco, você está bem?" Hermione respondeu, agachando junto a ele. Ele ainda apertava o tornozelo e não parecia perceber o que ocorria a sua volta. Ela olhou para Gina esperando uma resposta.

"Ele tropeçou naquela raiz ali," ela falou, apontando a raiz exposta. "Acho que ele machucou o tornozelo."

"Grande conclusão, Weasley." Draco disse com muito esforço, assustando todos. Eles não esperavam que ele falasse por parecia que ele estava com muita dor.

Seus olhos agora estavam abertos e ele olhou a sua volta para a reunião. "Por favor voltem a correr. Estou bem. Serão tirados pontos de suas casas se não forem embora em cinco segundos." ele gritou. "Agora saiam daqui, todos vocês." ele disse a última parte encarando Harry, Hermione, Rony e Gina.

"Vocês vão embora," Hermione disse calma, mas firme. "Eu cuido disso."

"Tem certeza?" Harry perguntou. Hermione deu a ele um olhar que Gina reconheceu. Ela o usava para dizer que estava impaciente com uma pergunta ou ação.

"Você sabe como me chamar se precisar." Harry disse em resposta, apertando o ombro de Hermione. Ele virou e falou para Gina e Rony. "Vamos."

"Mas eu," Gina disse hesitante. "Acho que devia ajudar. Isso é minha culpa."

"Não se preocupe Gin," Harry disse, pegando-a pela mão. "Hermione tem tudo sob controle. Precisamos liderar os corredores. Vamos, só que você pode diminuir o passo para gente poder acompanhar." Ele disse com um sorriso amigo.

"É Gina," Rony entrou na conversa, "quem quer ficar com um Malfoy machucado. Ele já é nojento suficiente quando não está com dor. Não dá pra imaginar como ele deve ser chato quando está sofrendo de verdade. Dê uns golpes com sua espada se ele te causar problemas, Hermione."

Muito hesitante, Gina seguiu seu caminho com Harry, para longe do acidente e correu o resto do caminho para o castelo.

*******

"Olhe isso." Harry disse, indicando o Profeta Diário na frente dele. Hermione parou de passar manteiga em sua torrada e se inclinou para ler. Uma olhada rápida na manchete fez com que ela derrubasse a faca, o que chamou a atenção de Rony.

"Hermione, o que foi?" ele perguntou, acidentalmente enfiando o cotovelo em seu prato quando esticou o braço pra se apoiar e olhar o jornal na frente de Harry.

Hermione pegou o jornal da mesa e começou a ler em voz alta, chamando a atenção de alguns alunos que tomavam o café tão cedo numa manhã de sábado.

Bruxa desaparecida atacada no Beco Diagonal, possível tentativa de esconder ataque de Comensais.

Hogsmeade - 12 de setembro de 1997

Várias testemunhas dizem ter visto a bruxa desaparecida Miranda Keller de 16 anos ser atacada num corredor escuro do Beco Diagonal no início da noite de terça, 9 de setembro. Uma dessas testemunhas, que pediu anonimato, revelou exclusivamente ao Profeta Diário que os apoiadores dos Comensais da Morte lhe disseram que ele seria morto se não ficasse quieto sobre o que vira.

Fontes dizem que um jovem rapaz seguiu a vítima até uma rua deserta entre a Travessa do Tranco e a loja Galeões por Galochas. Lá, ele começou a atingi- la com várias maldições e feitiços machucadores, inclusive um que pareceu a Maldição Cruciatus. Todos sabem que a utilização da Maldição Cruciatus em outro ser humano dá ao agressor uma pena de prisão perpétua em Azkaban.

A Srta. Keller, uma bruxa americana que visitava parentes para um casamento na família, foi dada como desaparecida na manhã de quarta, dez de setembro. O Ministério, que nega ter conhecimento do ataque, diz que está trabalhando com todas as forças para ajudar a família trouxa a achar sua filha.

"Temíamos que ela tivesse fugido com um garoto que conhecera quando estava comprando novas vestes de Quadribol em Hogsmeade, no início da semana." disse um oficial do Ministério.

Tentativas do Profeta Diário de encontrar e entrevistar um Comensal da Morte para confirmar ou negar esses fatos não tiveram sucesso. Se o que as testemunhas dizem é correto, então o Ministério deve trabalhar mais, garantindo que todos cidadãos, famílias e convidados estejam salvos de ataques, seqüestros e mesmo assassinatos num mundo onde Você-Sabe-Quem está livre.

Dezenas de rostos cheios de terror olhavam para Harry depois que Hermione terminou de ler o artigo. Ele tinha a impressão de ouvir uma jovem bruxa chorando à sua esquerda. O medo a seu redor era como um gás pesado e venenoso e Harry sentia seu nariz arder cada vez que inspirava.

"Queria saber o que os Comensais da Morte querem com uma garota de dezesseis anos." Rony disse quase sussurrando. Harry notou aliviado que essa quebra no silêncio encorajou os que estavam olhando a voltar a tomar café.

Hermione soltou um som de impaciência. "Não é obvio, Rony? Ela é nascida trouxa. Eles não precisam de muito mais que isso, não é?"

"Como você sabe que não é um ataque aleatório? Talvez ela estivesse no lugar errado, na hora errada. Não é como se ela tivesse 'Nascida trouxa' tatuada na testa. Com eles podiam saber?"

"Eles sabem essas coisas, Rony." Hermione disse, irritada. Ele se inclinou para frente, olhando significantemente para eles. Harry e Rony também se inclinaram pra frente, para ouvi-la sussurrar, "Isso parece calculado demais pra ser um ataque aleatório."

"Era exatamente isso que ia dizer." Harry murmurou. "Por que eles iam tentar esconder se não fosse importante? Eles devem ter tido muitas dificuldades para manter quieto e quase conseguiram."

"Já sei!" Rony gritou, fazendo Harry e Hermione recuar rápido. "Desculpe," ele completou, numa voz mais baixa quando eles se aproximaram de novo. "Aposto que esse informante que falou no jornal é armação. E se essa Mirando for uma Comensal da Morte e eles estão tentando explicar a ausência dela?"

"Por eles iam fazer isso?" Harry perguntou, olhando de Hermione para Rony.

"Talvez esse rapaz com quem pensavam que ela tinha fugido fosse um membro importante dos Comensais. Talvez eles pudessem identificá-lo e estivessem perto de descobrir que ela era parte deles." Rony disse, animado.

"Eu não acho, Rony," Hermione murmurou. Ela tinha o ar distante no rosto que aparecia quando estava pensando profundamente. "Diz que ela é americana e estava visitando a família. Como ela teria tempo de se juntar aos Comensais?"

Rony e Harry deram os ombros e todos ficaram em silêncio, pensando.

Depois de alguns instantes, Harry olhou para mesa da Sonserina. "Provavelmente foi Malfoy." ele sussurrou baixo, fazendo Rony rir. Hermione não pareceu achar engraçado.

"Quem?" ela perguntou.

"O cara que ela conheceu em Hogsmeade. Aposto que foi Malfoy que conversou com ela."

"Não importa quem foi," Hermione sussurrou, "mesmo que ela tenha conhecido alguém, duvido que tenha alguma coisa a ver com seu desaparecimento."

"Sabe o que acho estranho," Harry disse, pensando numa coisa de repente, "é que a Professora Monroe começou a correr na frente desde quarta. Imagino se ela sabia."

"Bem lembrado!" Hermione exclamou num sussurro alto. Ela abaixou a voz. "Isso explicaria, não é? Ela deve estar correndo na frente para checar se há atacantes ou armadilhas... o que ela sabe?"

Eles ficaram em silencio de novo, perdidos em seus pensamentos.

"O que isso significa?" Rony disse, devagar, balançando a cabeça e olhando entre seus dois amigos.

Harry sentou direito na cadeira e respirou fundo, sem olhá-lo nos olhos. Ele pegou o vaso mais próximo de suco de abóbora e encheu seu copo e o de Hermione. Colocando o vaso de volta na mesa, ele levantou os olhos e acenou com a cabeça, olhando Rony nos olhos e depois olhando de lado para Hermione, que parecia ansiosa.

Significa que eu logo serei chamado para fazer o que devo fazer." ele disse, jogando o guardanapo na mesa. "Isso não pode continuar."

Seguiu uma pequena pausa, antes que ele completasse, "Vou falar com Dumbledore."

E com isso, ele arrastou a cadeira para trás, levantou e saiu do Salão Principal.

*******

Rony não viu Harry novamente até a hora do almoço. Ele não parecia tão chateado quanto estava depois que leu o artigo no Profeta Diário, mas se recusou a falar mais sobre isso.

"Estou ficando cansada da Professora Monroe." Hermione disse. "Ela sempre me persegue na aula, e ela se veste como, como é que você chama, Rony? Mulher Escarlate"

Rony quase cuspiu seu suco de abóbora quando eles riram. Era uma descontração bem vinda, depois da seriedade da manhã.

"Eu não ligo pro jeito com que ela se veste." Rony disse, tentando parecer sério. "Acredito que as bruxas devam se vestir acentuando seus pontos positivos. E nossa, ela tem vários pontos positivos para acentuar."

Hermione lhe deu um sorriso forçado, que indicava que não tinha achado a menor graça. Ele teve a impressão de ter ouvido Harry rir baixo e virou para confirmar.

"Bem, então acho que aprova o jeito que Gina se vestiu hoje." Hermione disse casualmente, sem tirar os olhos de seu livro.

"O que?" Rony perguntou, olhando diretamente para Hermione.

"Se você gosta realmente do jeito que a Professora Monroe se veste, então não vai se importar com aquilo." Hermione disse, apontando para porta do Salão Principal.

Ele e Harry viraram para olhar o que ela estava indicando e seus queixos caíram. Era Gina. Mas ela não estava vestida com uma das roupas que geralmente usava nos fins de semana. Ela usava um top preto feito com algum material brilhante, muito apertado e bem decotado, e uma saia bastante curta que parecia pintada na pele. Ela mexia nervosa em seu cabelo e ajeitava sua saia, muito consciente. Rony se controlava para não ir até lá e se jogar na frente dela.

"Meu Deus, Rony." Harry disse, trazendo o foco de Rony de volta pra mesa. "Você devia falar com ela. Ela não devia estar se vestindo assim é, é..."

"Ficou sem palavras, foi?" Hermione disse secamente. Harry respirou fundo e olhou para Hermione, limpando a garganta.

"Não, é só que se minha irmã se vestisse daquele jeito, receio que ela seria uma presa fácil para alguém como..."

"Malfoy!" Rony gritou, levantando de sua cadeira abruptamente e andando rapidamente ate onde Gina estava, logo na entrada do Salão Principal. Harry se apressou em seguí-lo.

Enquanto caminhavam, ficaram olhando Malfoy, que agora estava logo atrás de Gina. Os olhos dele pareciam que iam sair das órbitas enquanto ele olhava para ela. Ele deu um tapinha no ombro dela e ela virou, seu rosto cheio de surpresa e timidez. Ela se atrapalhou com a mochila no ombro e derrubou uma pena quando ele disse algo que Rony não pôde escutar.

Assim que chegaram até onde Gina e Malfoy estavam, Harry se abaixou para pegar a pena e bateu a cabeça na de Malfoy que também estava se abaixando.

"Ai, seu idiota! Não devia estar fazendo isso em outro lugar?" Malfoy falou, massageando a cabeça e levantando devagar, segurando uma ponta da pena.

"Sai fora, Malfoy!" Harry respondeu, também massageando a cabeça e segurando com força a outra ponta da pena. "Me dá isso."

"Deixa isso com ele, Malfoy." Rony disse ameaçador. Ele estava preparado para usar a força para fazê-lo devolver. Ele não gostava que ele olhasse daquele jeito para Gina, e odiava a idéia dele fazer qualquer coisa por ela.

Os olhos de Gina estavam arregalados e ela mexia nervosamente em seus cabelos. Ela tinha a mesma expressão de quando Fred e Jorge brigavam com Percy ou quando a Mãe gritava pra todos arrumarem. Rony pensava se ela ia dizer ou fazer alguma coisa.

Voltando sua atenção para Harry e Mafoy, notou que os dois puxavam tentando ganhar o controle da pena, os braços dos dois tremendo por causa da força que usavam. Os olhos de Harry se estreitaram com determinação e Malfoy parecia tão malévolo como só um Malfoy podia parecer.

"Eu disse deixa com ele, Malfoy." Rony disse novamente, dessa vez com os dentes cerrados.

"Certo." Malfoy disse. Ele de repente largou a pena, o que fez Harry cair de costas dolorosamente.

Gina correu para Harry, que ainda segurava a pena e fazia uma careta de dor. Rony se virou para Malfoy.

"Eu quero que você fique longe de minha irmã, Malfoy." Rony disse, os braços cruzados. Ele queria realmente que ele insultasse ou que desse um murro para que tivesse uma boa desculpa quando Hermione gritasse mais tarde com ele por causa da briga. Malfoy apenas o ignorou. Ele estava olhando para Gina de novo.

"Por que você fez isso, Draco?" Gina disse irritada do lugar de onde estava ajoelhada junto a Harry. "Você está bem?" ela disse, virando para Harry, que sorriu para ela e depois olhou para Malfoy, balançando a pena de Gina pelo ar.

"Estou bem, Gin." Harry disse, levantando e oferecendo a mão para ajudá-la a levantar. Com muita dificuldade - com certeza por causa da saia - ela levantou e ficou ao lado de Rony.

Rony virou para irmã. "E você! Acho que vou contar a mãe sobre isso! O que raios você está vestindo?"

"Bem, quem quer que tenha desenhado, você pode dar o nome à Lilá? Aposto que ela também vai ficar sexy de..."

"Cala boca, Malfoy." Rony e Harry gritaram. Malfoy olhou por cima dos ombros dele e algo deve ter chamado sua atenção, pois sua expressão mudou.

"Adoraria ficar e conversar sobre o figurino dos Weasley, ou sobre o fato de Harry estar de olho em sua irmã, mas tenho coisas mais importantes a fazer. Se me dão licença." Malfoy zombou. Ele piscou para Gina e foi até a mesa da Sonserina.

Rony virou para Gina, lutando para conter sua raiva.

"O que é isso?" ele disse, apontando para as roupas dela.

"O que é o quê?" Gina respondeu, encarando-o.

"Se me dão licença, vou voltar para meu almoço." Harry disse, indo embora. Nem Rony nem Gina deram sinais de terem ouvido o que ele disse.

"Essa roupa!" Rony continuou. "Onde está o resto dela?"

"Isso é tão insultante!" Gina respondeu. "Minha roupa está dentro das regras da escola de roupas para o fim de semana. Pergunte a Hermione se não acreditar."

"Está vestida como uma prostituta. Quero que vá trocar agora mesmo e nunca mais se vista assim. Entendeu?" Rony disse.

"Como uma prostituta?" Gina praticamente gritou. "Me esforcei bastante para fazer essa roupa e acho que está ótima. Você só não gosta do fato de eu estar crescendo e que agora os garotos me acham atraente! E não fale como se fosse o papai! Vou vestir o que eu quiser, quando eu quiser!"

"Acredite quando digo isso, Gin, os garotos não vai sair com você pela sua personalidade se você se vestir assim. Você não quer isso, quer?" Rony estava tentando de todo jeito colocar um pouco de juízo em Gina e estava surpreso por conseguir segurar sua raiva durante o processo. Ele fez uma anotação mental de agradecer a Megan por sua influência positiva nesse aspecto.

"E importa o que eu quero?" Gina gritou, "Todos vocês querem que eu seja do jeito de vocês, não do jeito que eu quero!"

E com isso, a irmã de Rony saiu chorando do Salão Principal, deixando-o divido entre ir atrás dela e ir até a mesa da Sonserina amaldiçoar Malfoy pelo que tinha dito e feito. Ele não fez nenhum dos dois, se contentando em voltar para onde Harry e Hermione estavam e terminar seu almoço.

*********

Não demorou muito para que ela encontrasse o livro que precisava. Seu conhecimento de como a biblioteca era organizada só era menor que o de alguns professores e da própria Madame Pince. Estava grata por isso, pois o livro que ela puxou da estante não era do tipo que ela teria coragem para pedir ajuda para procurar.

Estava na seção Restrita, por razões óbvias. Hogwarts era bastante antiquado com alguns assuntos. Hermione rolou os olhos e disse o feitiço que desacorrentava o livro da estante para que pudesse leva-lo para a mesa nos fundos da biblioteca. Ali ela poderia ler o conteúdo sem ser interrompida. Precisaria fazer anotações. Isso precisava ser feito com muita precisão. Havia muito em risco para não ser hiper-cautelosa.

Colocando o livro embaixo do braço, ela abriu a grade e saiu da Seção Restrita. Passando apenas com alguns oi e sem parecer suspeita, ela chegou a sua mesa particular, soltando a respiração que ela nem percebera que estava prendendo.

"Sabia que ia te encontrar aqui." disse uma voz familiar, assim que ela abriu o livro. Ela levantou os olhos sorrindo, seu coração disparado. Era Harry.

Ela rapidamente fechou o livro e o enfiou embaixo da mochila, tentando parecer ocasional.

"O que tem aí?" ele perguntou, uma sobrancelha levantada enquanto puxava uma cadeira para levantar.

"O que? Isso?" Hermione apontou inocentemente para o livro. Ela sentiu suas bochechas corarem. Isso era idiota. Por que ela estava tentando esconder isso dele? Ele era o motivo para ela estar consultando esse livro. Mesmo assim, ela continuou a se sentir constrangida.

Harry parou por um instante e a examinou com aqueles olhos verdes fatais. Ele sempre fazia isso quando ela se sentia mais desprotegida. Como ele sabia?

"Certo. Acabou a brincadeira, Hermione. O que está tentando esconder?" ele perguntou, tentando olhá-la nos olhos.

"Nada. Verdade. Você vai achar chato." ela disse, casual, olhando em sua mochila como se procurasse algo que perdera tempos atrás.

Harry levantou de repente, surpreendendo-a. Ele deu a volta na mesa, olhando o livro. Antes que ele pudesse pegar o livro, ela levantou e fez isso mais rápido que ele. Abraçando-o contra o peito, ela recuou enquanto ele continuava a avançar sobre ela, um sorriso de brincadeira iluminando seu rosto. Ela tentou desencorajá-lo a fazer isso olhando séria para ele, mas só conseguiu incitá-lo mais com isso.

As costas dela agora estavam contra a parede fria e dura da biblioteca e Harry se aproximava mais. Se ele não parasse, iria pressioná-la contra a parede com seu corpo. O que Madame Pince diria se os visse assim? Como ele reagiria se visse o título do livro que ela estava segurando como se fosse seu grande tesouro?

Harry colocou uma mão de cada lado dela, bloqueando qualquer tentativa dela escapar pela direita ou pela esquerda. Seu sorriso de brincadeira perdera o lugar para um sorriso de flerte. Seus olhos estavam iluminados por malícia e por aquele olhar de fogo que ele tinha antes de beijá-la. Ela engoliu tão alto que pensou que toda biblioteca ouvira. Então ela não pensou mais nada quando ele abaixou o rosto para o dela e deu um beijo firme que a deixou sem fôlego.

"Acho que você nunca me deixou te beijar desse jeito na biblioteca antes." Harry sussurrou antes de terminar o beijo. Seus narizes estavam a centímetros de distância e os lábios dela formigavam, ansiosos por mais.

"Você deve estar escondendo alguma coisa importante. Entendo se não quiser dizer o que é, mas talvez tenha que torturá-la com outro beijo como punição." ele sussurrou no ouvido dela, fazendo-a tremer involuntariamente e apertar o livro ainda mais contra si.

"Sabe, beijar você é muito diferente de uma tortura." Hermione sussurrou em resposta, decidindo que contaria o que estava escondendo. Ele ia saber mais cedo ou mais tarde, por que não agora?

"Então, o que é?" ele disse, entortando a cabeça para um lado. "Não estou estragando nenhuma surpresa, estou?"

"Não." ela respondeu, sorrindo para ele, fazendo com que ele ficasse aliviado. Como ela ia dizer isso? O melhor jeito era ser direta, como sua mãe sempre dizia.

Ela segurou o livro de um jeito que ele pudesse ver o título, e o rosto dele corou imediatamente. Estava claro que ele sabia o que ela dizer depois, o que deixou as coisas mais fáceis.

"Esse livro tem vários feitiços bons para controle de natalidade. Estava investigando os melhores métodos para diminuírem ao máximo a possibilidade de eu engravidar se a gente decidir ter relações."

"Ah." foi tudo o que ele conseguiu dizer. Ele estava olhando para os pés, e aquilo era um sorriso que ela viu no rosto dele? Quando ele levantou o rosto, ela viu que era.

Ele pegou o livro dela e colocou sob o braço esquerdo. Com a mão direita, ele colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha dela, olhando bem em seus olhos. O sorriso não estava mais lá, mas seus olhos continuavam gentis.

"Sinta-se livre para ler o quanto quiser, mas já tem um tempo que resolvi isso." ele disse.

"Já?" Hermione perguntou, sua surpresa óbvia em seu tom de voz.

"Bem sim." ele disse.

"Há quanto tempo? Ou melhor, por que não disse nada?"

Harry riu, parecendo um pouco constrangido também. "Se lembra quando Sirius ensinou uns passos de dança uns dois anos atrás?"

Ela afirmou com a cabeça.

"Bem," ele continuou, sorrindo, "ele também me deu informações detalhadas sobre tudo isso. Pra completar, achei o caderno de maroto de meu pai com as outras coisas de meu pai. Tem várias anotações de como cortejar uma garota. E tinha uma seção completa dedicada a..."

"Certo, certo." Hermione interrompeu, rindo. "Já entendi." Harry sorriu para ela e por um instante ela pensou que ele ia dar um murro de brincadeira em seu braço como sempre fazia com Rony.

"Nunca disse nada antes, porque o assunto nunca foi discutido," ele disse. "Mas fico feliz que finalmente falamos sobre isso. Ficava imaginando como essa conversa ia começar."

"Pode contar comigo." Hermione disse irônica, sentindo-se um pouco boba por ter se sentido tão constrangida sobre isso.

"Você sabe que amo isso em você," ele disse, "você é muito atenciosa e sempre cuida de nós." Ele ajeitou o livro sob o braço.

"Obrigada." ela disse, corando um pouco. Ele sempre tinha um jeito de fazê- la sentir menos tola sobre suas inseguranças.

"Então, só por curiosidade, quando você pretende usar os feitiços do livro?" ele perguntou rápido. Ela sabia pela expressão dele que ele se importava mais com a resposta do que deixava transparecer.

"Só queria estar preparada, só isso." ela respondeu. "A gente conversou sobre esperar, e ainda acho que é o melhor a se fazer. Não acha?"

Harry suspirou e contraiu os lábios. "Eu não sei, Hermione. Um dia tenho certeza que a melhor coisa a se fazer é esperar e daí eu te beijo e sinto vontade de jogar tudo o que penso pela janela. Isso vai ficar mais difícil depois de seus aniversário."

"Eu sei."

"Acho que me sentiria melhor se pudesse prometer que sempre estaria aqui para você. Mas não sei o que o futuro trará, e não quero te decepcionar ou te deixar sentindo que me deu tudo e terminou com nada."

"Mas eu te daria tudo mesmo que soubesse que só poderia te ter mais um dia. Às vezes tenho a impressão que já te dei, Harry."

"Eu sei."

O livro caiu no chão, e ele envolveu os braços trêmulos ao redor dela, enfiando o rosto no cabelo caído no ombro esquerdo. Ela o abraçou forte e chorou.

******

Estava uma tarde de sábado preguiçosa e Gina teve sorte de conseguir uma cadeira confortável, com um encosto alto, na biblioteca. Ela estava reclinada sobre ela, lendo um de seus livros favoritos. Era uma coletânea de poemas de autor trouxa chamado Robert Frost. Ela muitas vezes achava que quando sua cabeça estava cheia, ler sozinha era quase tão bom quanto longas corridas.

Uma das melhores coisas nesse lugar era que ela podia virar a cadeira e admirar uma bela paisagem pela janela dos terrenos da escola. Entre os poemas, ela parava para tirar os olhos de sua leitura e se perder na vista de tirar o fôlego. Algo em ler Frost com os pés no parapeito de uma janela, aninhada no couro macio, marrom escuro a fazia sentir-se em paz.

Quando ela estava quase cochilando, o livro escorregando vagarosamente de seu colo, ela ouviu alguém se aproximando. Entreabriu um olho e viu Draco em sua frente. Ela rapidamente o fechou por completo e fingiu estar dormindo. Não queria conversar com ele agora. Ainda estava com raiva das insinuações que ele fizera enquanto estavam correndo e com o comentário nojento que fizera antes do almoço. Ela também estava se sentindo culpada por tê-lo feito quebrar o tornozelo. Por sorte, ele não corria desde o incidente e ela pôde evitá-lo totalmente até hoje. Ele podia apenas ir embora.

Ela era realmente bonita, Draco pensou quando parou em frente a sua cadeira favorita, encontrando Gina dormindo nela. Nos dois últimos dias, ele se achou pensando muito sobre ela. Provavelmente porque sentia falta das corridas diárias enquanto esperava a autorização de Madame Pomfrey para voltar a correr. Ela estava extracuidadosa ultimamente por causa de reincidências de quebras com pacientes que queriam fazer muito, rápido demais.

A presença dele pareceu não despertá-la. Draco aproveitou essa oportunidade para fazer uma avaliação melhor sem ninguém olhando, sem nada para distraí- lo. Ele precisava provar a si mesmo que podia olhar para ela sem sentir nada.

Isso foi um erro. Ele devia ter ido embora. Ao invés disso, ele ficou preso onde estava, com dificuldades para controlar sua reação. Isso foi o pior; uma parte do que ele sentia era algo completamente novo, algo que ele nunca vira antes e o atingia com uma força incapacitante paralisante.

Ele já experimentara desejo, então uma parte era bastante familiar. Ele mudou de posição para não ficasse muito óbvio para alguém que passasse ou se ela acordasse.

Mas havia mais nessa sensação do que puro desejo. Se comparava com a emoção que ele sentia antes dele dormir pela primeira vez com uma bruxa- algo que ele experimentara mais vezes que qualquer um que conhecia. A cada primeira vez, ele se enchia com um sentimento de antecipação, espera e desejo tão grande que parecia que ia morrer. Lilá uma vez o acusou de ser viciado nessa sensação e na época ele rira pela patética tentativa dela tentar entendê-lo. Mas havia mais nessa sensação que esse ímpeto intoxicante.

Havia algo mais, algo mais poderoso, algo indefinível nessa sensação. Talvez passasse se ele ignorasse.

Mas, mesmo quando ele prometeu a si mesmo ignorar, se achou olhando para ela, desenhando uma imagem mental de como ela estava nesse instante. Seu rosto estava mais relaxado do que ele já vira. Havia também um pequeno sorriso brincando em seus lábios e ele se perguntou se ela sempre sorria enquanto estava dormindo. A pele dela parecia tão macia e brilhante que ele teve que lutar contra o impulso de passar sua mão contra a bochecha dela. Ela usava um suéter verde simples que deixava seu cabelo mais brilhante que o de costume. A calça preta que vestia apertava nos lugares certos e acentuavam sua silhueta. Seu livro escorregava de seu colo e a cabeça dela estava inclinada para trás como se esperasse um beijo.

Por alguns minutos, ele ficou tão quieto que ela pensou que ele tinha ido embora. Mas ela sentiu que seu livro estava preste a cair. Ia esticar a mão para impedir isso quando ele caiu de seu colo fazendo barulho. Ela abriu os olhos rapidamente e sentou. Draco estava segurando seu livro, passando as páginas com curiosidade.

"Uma... escolha única para leitura, Weasley." ele falou, fechando o livro com força. "Se o quiser de volta, vai ter que sair da cadeira."

"O que?" Gina disse, esfregando o sono de seus olhos. Por que ele estava olhando para ela?

"Se quiser seu livro de volta, sugiro que sai de minha cadeira." Draco repetiu devagar, segurando seu amado livro para que ela visse o título.

"Essa não é sua cadeira." ela respondeu, colocando o cabelo atrás das orelhas e se endireitando. "Além disso, se fizer alguma coisa com o livro, vou contar a Hermione. Ela não vai pensar duas vezes antes de tirar pontos da Sonserina."

"Isso mesmo. Vá correndo para Hermione. Grande plano. Parece que você nunca vai conseguir se defender sozinha, pequena Gina. Primeiro você foi criada com um bando de irmãos superprotetores, e depois se alia com perdedores como Potter e Granger para completar sua coleção de guardiões. Diga, o que pretende fazer quando se formar? Acho que vai voltar para aquela coisa que chama de casa que seus pais têm e viver a vida como uma entregadora de café muito bem paga do Ministério de Magia."

"Você é o pior bruxo que existe, Malfoy! Eu te odeio! Vá embora e me deixe sozinha!" Gina gritou, fazendo Draco olhar por cima do ombro.

"Quer manter a voz baixa, Weasley?" ele respondeu calmamente. "Tem uma coisa que preciso te dizer e já tem uns dois dias que quero fazer isso."

"Ah, é mesmo?" Gina disse, seus olhos coçando por causa do esforço para não chorar. Por que ela estava deixando que ele a atingisse novamente? Ela precisava tomar o controle da situação e ultrapassar seu medo. "Se eu deixar você dizer, você vai embora e nunca mais falar comigo?"

Draco pausou. Parecia que ele travava alguma luta consigo mesmo. Estava magoado com o que ela dissera? Ela começou a se sentir culpada de novo. Ela precisava se desculpar pelo que fizera, mesmo que tenha sido sem querer, e mesmo que ele tenha merecido.

"Antes que você diga alguma coisa, por mais que você tenha sido ruim, acho que preciso me desculpar pelo que aconteceu com seu tornozelo." Gina começou, meio incerta.

"Por que precisa se desculpar por isso?"

"Acho que fui eu que causei." ela respondeu rapidamente.

Ele fez uma careta de descrença. "Certo. E Dumbledore é um Comensal da Morte."

"Não!" Gina disse, num sussurro alto, olhando para suas mãos. "Me sinto constrangida em admitir, mas acho que fiz aquela raiz sair do chão para derrubar você. Não fazia mágica descontrolada daquele jeito desde que sou muito nova. Só queria dizer que lamento."

"Por que se desculpar se você nem liga?" ele perguntou.

Ela olhou para ele, impressionada. Ele não entendia. Mesmo que ela o odiasse como o odiava, ainda assim tinha que se desculpar por ter feito mal a ele. Talvez fosse ingenuidade, mas ela achava que a maioria das pessoas faria o mesmo.

"Se você se importasse, teria me visitado na enfermaria," Draco começou.

Ela continuou a olhar para ele, imaginando se esse seria um sonho bizarro que estava tendo enquanto cochilava na biblioteca.

"... e você não teria corrido com Potter nos últimos dias, arruinando seu treinamento fazendo com que eu tenha que esperar por você quando voltar a correr."

"Se eu não te conhecesse bem, Draco," Gina disse, finalmente se controlando e lançando-lhe um sorriso sonso, "pensaria que foi você que pediu à Professora Monroe para nos juntar."

"O que?" dessa vez foi Draco quem perdeu o controle e subiu a voz para um volume acima do aceitável na biblioteca.

"Você me ouviu." Gina disse, sentindo uma audácia que não era familiar.

Draco apenas riu e olhou para ela, balançando a cabeça descrente, aparentemente sem conseguir encontrar as palavras para jogar contra ela.

"Saiba que eu tentei visitá-lo para me desculpar, mas Crabbe me impediu na porta e disse que você não queria nada comigo ou com qualquer outro da Grifinória." Gina disse.

"Ele disse isso?"

"Bem, ele não usou tantas sílabas, mas foi isso que quis dizer." ela respondeu.

"Talvez tenha sido por isso que Lilá não me visitou." Draco falou baixo. Depois levantou os olhos para checar se Gina o ouvira. Ela sorriu.

"Sabe, eu não sou tão frágil quanto você pensa, Draco." ela disse tímida.

"Se você soubesse." ele disse baixo outra vez, olhando para o chão.

"Soubesse o que?" Gina perguntou, assustando-o. Aparentemente ele não esperava que ela ouvisse isso também.

"Acho que vou perguntar à Professora Monroe se posso liderar a corrida com outra pessoa. Não confio em você e também não acho que tenha a dedicação necessária." Draco disse, ignorando a pergunta dela.

"Isso é porque estou correndo com Harry?" Gina respondeu, "Está com ciúmes? É isso?"

"Ciúmes? Dele? Claro!" Draco ironizou, estreitando os olhos maliciosamente. Ele recuou um passo.

"Você está!" Gina disse triunfante com o que descobrira. "Por que mais teria feito uma cena tão infantil no Salão Prinicipal? Por que mais se importaria de eu estar correndo com ele? Está com ciúmes. E, e...!" Ela corou e rapidamente tirou os olhos da frente da calça dele. Ele virou rápido, seu rosto ficando vermelho vivo.

Malfoy não pareceu capaz de responder na hora. Ele se limitou a olhar para ela, com um olhar estranho, sua boca entreaberta, balançando a cabeça. Pelo estado dele, ela estava com medo dele amaldiçoa-la ou até mesmo lhe dar um tapa. Ele tinha o mesmo olhar de quando Rony o irritava muito. Ela não ia deixar que isso a interrompesse.

"Por Merlin, Draco. Não sabia que se importava." Gina ironizou audaciosa, piscando escarnecendo. Se ele tentasse machucá-la, ela iria se defender.

"Sabe, estava enganado sobre você, Gina," Draco retrucou nervoso, "Você não vai ser a garota do café. Você vai fazer uma tentativa patética de ser uma comediante. Que piada!"

E com isso, ele virou de repente e foi embora, seus passos rápidos e calculados. Ela esperou um momento e depois olhou por cima da poltrona para ver se ele tinha ido embora antes de levantar os braços acima da cabeça e comemorando silenciosamente seu triunfo.

Ela vencera Draco Malfoy em seu próprio jogo. Ele tentara intimidá-la, constrangê-la, fazê-la se sentir idiota e ela virou a mesa sobre ele! Ela aprendera algumas coisinhas desde a primeira corrida na qual a Professora Monroe dera alguns conselhos em como lidar com seus medos.

Ele não a assustava nem um pouco agora. Ou assustava? Ela abaixou os braços e refletiu em como se sentia. Sua alegria diminui e estava sendo substituída por outra coisa que a fez se sentir muito desconfortável. Talvez se ela ignorasse, isso passasse.

E ele estava com o livro dela, maldito Draco.