Autora: Blanxe
Revisora: Andréia Kennen
Casal: SasuNaru
Gênero: Yaoi, Romance, Angst, MPREG, tragédia
Aviso: Trechos em itálico e negrito indicam falas internas entre Kyuubi e Naruto.
Eu começarei a gostar das mudanças do presente,
Mais do que o passado que carrego em meu bolso.
(Tsukiko Amano – Idea)
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Naruto deixou Sasuke antes que os guardas acordassem. Rumou, rapidamente, de volta ao hospital, aonde havia deixado um bushin fingindo estar dormindo para poder enganar Sakura ou quem quer que viesse checá-lo.
Sorria enquanto fazia o caminho; um sorriso bobo – alegre – de quem havia ganhado mais do que satisfação corporal. Em seu peito batia um coração totalmente inflado daquele sentimento cuja denominação mundana era muito parca para defini-lo.
Sasuke dissera que também o queria; correspondia e mostrara-se tranquilo em relação ao bebê. Lembrou-se de como ele tocara sua barriga e sentiu o rosto esquentar.
- Tome vergonha, 'ttebayo! – criticou-se, dando tapinhas na própria face para afastar o rubor. – Depois acha ruim que o teme te trate como uma garota.
Mas não conseguia evitar e, muito menos, fazer com que aquele sorriso desaparecesse de seus lábios. Afinal, Sasuke, após três longos anos, estava em casa e, dessa vez, para ficar. Por ele.
O que mais poderia pedir?
- Umas tigelas de ramem… - murmurou, levando a mão ao estômago ao ouvi-lo roncar alto. – Umas não… Várias! Dattebayo, ai que fome…
Infelizmente, não podia ficar zanzando por Konoha para encher sua barriga no Ichikaru, pois entregaria sua escapada, depois. Pediria para Sakura ou a vovó Tsunade para lhe conseguir comida… mas não aquela gororoba que serviam no hospital.
Quando entrou no quarto escuro, pela janela, deu uma risadinha por ver, mesmo na penumbra, a forma que seu bushin fazia em baixo do lençol, enquanto fingia dormir. Estava tudo tranqüilo, da mesma maneira que deixara antes da escapulida para ver Sasuke.
Entretanto, assim que deu o primeiro passo em direção à cama, as luzes do quarto se acenderam, revelando perto da porta: uma Sakura frustrada, Tsunade com uma expressão de poucos amigos; e Sai, que tinha um sorriso parvo na boca, enquanto segurava o bushin de Naruto.
O loiro olhou para o quarto iluminado e notou que na cama só havia travesseiros que foram cobertos por um lençol. Encolheu-se, ao escutar seu nome ser silabado num grunhido pela Godaime, enquanto a mesma socava - com um movimento brusco do braço -, a cara do bushin ao seu lado, fazendo-o se desintegrar.
- Na-ru-to!
- Baa-chan, Sakura-chan, - o jinchuuriki riu nervosamente. – eu posso explicar.
- Acho que se você ficar calado irá ganhar mais, Naruto-kun. – Sai aconselhou.
- Cala a boca, Sai! – esbravejou Sakura para o companheiro de time, olhando irritada para o loiro. – Eu dou as costas por um instante e você some achando que ia nos enganar com esse bushin?!
Naruto tentou encontrar rapidamente uma desculpa para se livrar sem denunciar onde estivera, e a única ideia que lhe surgiu na mente, foi a que usou.
- Sakura-chan, eu 'tava com fome e fui catar algo pra comer. Nada de mais. – Naruto viu uma veia saltar na têmpora da amiga, desconfiando assim, que sua mentira não estava vingando, ao mesmo tempo em que sua barriga escolhera o momento errado para mostrar o quanto estava vazia. – He He… talvez não.
- Você foi atrás de Sasuke Uchiha, não foi, Naruto? – Tsunade perguntou, acusadoramente.
Naruto deu-se por vencido, ao perceber que não conseguiria enganar os três elementos naquele quarto do hospital, que esperavam por uma resposta sua. Nem se importava com sermões das duas mulheres a sua frente, muito menos com os deboches de Sai, só não queria que seu ato prejudicasse ainda mais a posição de Sasuke em Konoha.
- Baa-chan, eu precisava ver como o teme estava. – confessou, sincero.
O rosto da quinta Hokage se contraiu em descontentamento e, em seguida, ela fez questão de ressaltar, com ênfase no tom ríspido, sobre as condições de Sasuke dentro da Vila da Folha.
- Sasuke está isolado até o julgamento, Naruto! Ele continua sendo um criminoso e uma ameaça potencial para Konoha!
Naruto fechou o semblante no momento em que Tsunade denominou o Uchiha como um bandido. Algo dentro de si se contorcera e, incapaz de conter seu instinto de proteção em relação ao moreno, Naruto o defendeu:
- O teme garantiu que não vai mais se vingar de Konoha e vocês não podem mantê-lo preso apenas por algo que sequer se concretizou. A única coisa que o teme fez foi se livrar de dois criminosos que a própria vila caçava e queria mortos.
Não era surpresa alguma que Naruto defendesse tão ferrenhamente o Uchiha. Vinha sendo assim desde que Sasuke abandonara Konoha e essa postura só se intensificara depois que reencontrara o amigo no esconderijo de Orochimaru.
Mas Sai, desde aquele instante, até o devido momento, continuava desaprovando a forma como Naruto considerava o moreno, que sequer valorizava aquele sentimento e devoção. Para o membro da Anbu Raiz, que continuava tentando entender no que se baseavam os laços que o jinchuuriki lhe falara, julgava ser completamente errado - com base em tudo o que lera a respeito - que Sasuke fosse considerado de maneira tão querida quando não compartilhava do mesmo sentimento.
- Você está sendo ingênuo e otimista como sempre, Naruto-kun. – Sai apontou, seriamente. – Sasuke-kun é perigoso.
- Cala a boca, Sai! – o loiro rebateu, irritado por estarem duvidando de seu julgamento.
- Naruto, eu não quero saber o que você pensa sobre a situação. – Tsunade chamou-lhe a atenção, mantendo a postura inabalável e severa. – Eu não estou dando a mínima para o futuro desse garoto Uchiha. Estou proibindo você de deixar o hospital, até segunda ordem e, qualquer desrespeito a essa determinação, será considerada como um desacato a sua Hokage.
A simples ideia de ter que ficar confinado em um quarto dentro daquele hospital, era claustrofóbica para Naruto. Ser privado de ver Sasuke, ele poderia suportar, afinal, passara três anos sem a presença do outro em sua vida. Só mais uns dias, até o julgamento, não fariam diferença. Porém, ser obrigado a viver entre aquelas quatro paredes por tempo indeterminado, o afligia.
- Mas por que, Baa-chan? Eu 'to bem! – disse atribulado. - Olha! Olha! Eu só preciso comer.
Tsunade estreitou os olhos e cautelosa, indagou:
- Você tem noção do que tem dentro de você?
Naruto congelou. Olhando diretamente nos olhos amendoados da mulher que passara a considerar como uma mãe, viu exatamente sobre o que ela se referia e temeu. Por mais estúpido que parecesse ser, sentia-se inseguro de falar ou revelar o segredo que guardava dentro de si. Mesmo sendo um homem e nada menos que um ninja, a opinião dos outros importavam e durante anos fora o que mais o ferira. A reação das pessoas quando soubessem que estava esperando um filho, era o que o amedrontava internamente.
Por isso, mesmo sem graça, tentou acobertar sua insegurança com uma ironia.
- Kyuubi no Youko?
Tsunade pareceu perceber a insegurança e nervosismo no jeito de falar do garoto e suspirou, perdendo um pouco da rispidez que, até então, erguera para tentar lidar com a situação que tinha nas mãos. Quando Sasuke trouxera Naruto de volta, machucado e inconsciente, assim que se certificou que o Uchiha seria preso sem qualquer resistência e de que o mesmo não estava blefando para atacá-los repentinamente, ela fora para o hospital o mais rápido possível, checar as condições do jinchuuriki.
O garoto era querido para si, muito mais importante do que Naruto julgava ser e, por isso, fez questão de tratá-lo e ter certeza que ficaria bem. Depois de constatar que os ferimentos superficiais não eram nada de preocupante, estranhou que Naruto estivesse desacordado e tão pálido. Foi por meio de uma rápida ressonância, feita através dos seus poderes, que Tsunade descobriu que havia dentro do rapaz algo de incomum.
A princípio, pensou que estava ficando louca, pois o que identificara no ventre do adolescente, era supostamente impossível, porém, estava lá, era real. Isso só fez com que sua preocupação duplicasse. Dissera a todos que as condições de Naruto não melhoravam porque este desenvolvera uma anemia - o que não deixava de ser verdade -, mas fora apenas para contornar as preocupações, até que pudesse inquirir o loiro, como naquele momento.
- Isso não é uma brincadeira, Naruto. A sua vida pode estar correndo risco. – ela o criticou. – Quero saber como, exatamente, aconteceu essa gravidez.
O baque da revelação atingiu Sakura, que arregalou os olhos, confusa e surpresa, enquanto Sai franziu o cenho, olhando para a Hokage com estranheza.
- Gravidez? – a garota de cabelos róseos indagou, perplexa.
- Eu sabia que o Naruto-kun não tinha pinto, mas engravidar já é um exagero. – o jovem ANBU NE, comentou sorrindo.
- Cala a boca, Sai!!! – os três outros ocupantes do quarto gritaram em uníssono.
O moreno levantou as mãos em rendição, permitindo que Tsunade falasse em seguida:
- Diga, Naruto, como infernos conseguiu meter uma criança aí dentro?
Sem conseguir se conter, Sai novamente se manifestou:
- Eu vi isso num livro, Tsunade-sama. Quer que eu desenhe?
- Sai! – Sakura lhe chamou a atenção.
- O que foi? – Sai questionou, verdadeiramente ingênuo. - Saber como meteram uma criança lá dentro é fácil, e também é óbvio que quem meteu foi o Sasuke-kun.
Naruto fitou Sai, com olhos arregalados e acabou por se denunciar quando indagou:
- Como sabe disso, 'ttebayo?
- Lendo sobre relacionamentos. – Sai explicou, indiferente ao aturdimento das duas mulheres presentes. – Seu empenho em sempre defendê-lo, o jeito obcecado de correr atrás dele, sua linguagem corporal toda vez que falava nele ou estava pensando no Sasuke-kun. Eram todos sinais distintos de uma garota completamente apaixonada.
- EU NÂO SOU UMA GAROTA, BASTARDO! – Naruto explodiu, irritado, mas nem seu descontentamento, intimidou Sai, que começou a contar nos dedos.
- Naruto-kun está apaixonado por um garoto; está grávido do dito garoto; é histérico e lhe falta o pinto. – sorrindo, Sai finalizou: - Pra mim, se enquadra como uma garota.
- Ora, seu… - Naruto estava pronto para partir para cima de Sai, mas a voz trêmula de Sakura o fez desistir de qualquer intenção de fazer Sai engolir a ofensa.
- Naruto… isso é verdade? – a garota mostrava-se abalada e perdida, tentando conseguir uma confirmação, que nem sabia ao certo se desejava saber. - Você e o Sasuke-kun…
Naruto mordeu o canto interno da boca, sentindo seu âmago se revirar pela culpa. Aquele sentimento o corroia sem piedade agora que olhava nos belos olhos verdes que demonstravam mágoa enquanto esperavam por uma resposta sua. De todas as pessoas que amava, Sakura seria a última que permitiria que se machucasse, ironicamente, acima de suas expectativas, era ele, Naruto, quem causara a dor na menina por quem fora apaixonado por tanto tempo. Pensou em se desculpar, mas a Godaime não permitiu, ao se intrometer e censurar a aluna.
- Sakura, agora não é hora pra isso. – voltando seu foco para o loiro, a Hokage exigiu: - Naruto, explique-se.
Naruto dedicou um último olhar pesaroso com um pedido mudo de desculpas para a amiga, antes de desviar o mesmo para o chão, respirar fundo e começar a contar. Fez um resumo, sentindo-se constrangido ao falar sobre estar interessado em Sasuke além de uma simples amizade, corando imensamente ao revelar que entrara em um cio depois que Kyuubi terminou de mexer com seu organismo, e que encontrara com Sasuke pouco antes dele ir matar Itachi e que desse encontro fora concebido o pequeno que crescia dentro de si.
- E foi isso o que aconteceu, Baa-chan. – resmungou, contrariado por ter que expor tudo aquilo.
Tsunade achou muita ingenuidade Naruto ter confiado na raposa de nove caudas, mas não podia negar, pelo menos para si mesma, que o loiro realmente tinha sentimentos puros e verdadeiros pelo moreno, afinal, aceitar mudar sua estrutura interna apenas para abrigar um herdeiro para Sasuke, era mais do que uma prova do quanto estava apaixonado pelo outro.
Mas, infelizmente, as coisas não eram tão simples, os problemas surgiriam e não seriam solucionados facilmente, ainda mais por Naruto ser um garoto que exibiria em breve, algo totalmente fora do comum, algo impossível para qualquer ser humano. Tsunade temia por muitas coisas, mas, acima de tudo, pensava no bem-estar daquela vida que Naruto trazia dentro de si.
- E como pretende criar esse filho, Naruto? – ela perguntou, querendo mostrar ao jovem as complicações que teria pela frente.
- Está tudo bem. – ele replicou, sorrindo. – Eu vou dar um jeito.
- Não está nada bem! – Tsunade se zangou, cansada de ver o loiro agir como se tivesse nas mãos algo simples de lidar. – Você é uma criança idiota e despreparada! Você deveria ter pensado nas consequências.
Naruto olhou para a mulher com ressentimento, porém não rebateu. Mesmo querendo, não o fez. No fundo, sabia que seria difícil de seu estado ser aceito, por vários motivos diferentes. Isso não amenizava a decepção de não ter o apoio das suas pessoas mais queridas. Por isso, as palavras que deixaram sua boca, foram ditas carregadas de um timbre ofendido.
- Baa-chan… você faz parecer que é tudo tão errado.
- E você acha o quê, Naruto? – Tsunade retorquiu, sendo observada em silêncio pelo rapaz moreno e a jovem de cabelos rosa.
- O que eu acho? – Naruto fez uma pausa apenas para sorrir levemente, como se tivesse pela primeira vez constatando algo bom. - Eu acho que agora vou ter uma família, uma só minha.
O semblante da Hokage suavizou-se. A vontade de Naruto construir uma família lhe trouxe a lembrança de que o garoto tivera um passado de solidão e descaso. Tsunade sensibilizava-se pela ânsia do loiro em encontrar aquele tipo de apego que lhe fora negligenciado desde que nascera, porém, não poderia fechar os olhos para a realidade.
- Gaki, isso é uma loucura.
- Não importa que seja uma loucura. Nunca fui considerado normal mesmo. - Naruto confessou. - E eu quero, Baa-chan, eu quero mesmo isso.
Tsunade viu, como sempre, a determinação nos olhos azuis de que nada o faria mudar de ideia ou entender a razão que tentava lhe passar. Naruto era assim: cabeça-dura e otimista demais para seu próprio bem. Portanto, a Godaime foi obrigada a se render ao futuro incerto que o garoto impusera a si mesmo.
- Ok, Naruto. Vamos ver no que isso vai dar. – disse ainda com insatisfação. - Mas até segunda ordem, está confinado a essa cama. Quero monitorá-lo e entender essa sua… gestação. Ainda mais porque temos que pensar no futuro parto.
Os olhos de Naruto brilharam em desentendimento e uma das sobrancelhas loiras se ergueu.
- Parto?
- É, vai me dizer que não pensou nisso? – Tsunade questionou, mas já confirmando, pela feição atribulada de Naruto, que o jovem ainda não cogitara tal possibilidade.
- É, Naruto-kun, entrou tem que sair. – Sai debochou, vendo o companheiro se retrair.
Naruto assimilava a ideia de parto à sua condição. Certamente que não pensara no momento em que a gestação terminasse e… Balançou a cabeça negativamente, num gesto que indicava pânico ao levar ao pé da letra o que Sai insinuara e a única coisa que conseguiu fazer foi gritar mentalmente para aquele que o estimulara a adquirir aquela gravidez.
- Kyuubi!!!
oOo
Sasuke fora informado que seu julgamento se daria em alguns dias. Disseram que teria a chance de falar e criar uma defesa para ter fugido de Konoha e pelos rumores de conspirar contra a Vila da Folha, bem como lhe seria dada a oportunidade de pedir perdão para tentar anular a pena. Quase riu bem diante de Ibiki quando lhe veio com essa possibilidade, porém, se conteve em toda sua indiferença, mentalmente debochando da sugestão feita.
Como poderia pedir perdão por algo que não se arrependia?
Acima de tudo, os únicos que deveriam pedir perdão eram eles, Konoha.
Ainda assim, mesmo que suplicassem por tal, dificilmente seria capaz de ceder-lhes esse privilégio: o perdão não estava na lista de seus intentos quando resolvera se render a Konoha. Jamais os perdoaria. O que o motivava a estar ali a suportar aquela gente e realidade, era o loiro por quem ansiava ter por perto.
Precisava ver Naruto antes do maldito inquérito e fazer com que seus planos fossem concretizados.
Seu foco de pensamento foi cortado quando a porta da sala, onde era mantido, se abriu. Por um instante se excitou com a possibilidade de ser o loiro, novamente se esgueirando para poder encontrá-lo, entretanto, surpreendeu-se ao ver que quem entrava, era ninguém menos que sua antiga companheira de time.
O guarda informou-lhe o tempo limite que a garota poderia ficar e deixou-os a sós.
Em sua passividade, sentando no catre, com as costas contra a parede e um dos joelhos flexionados sobre o colchão fino, Sasuke a encarou. Não foi difícil notar a ansiedade e nervosismo naqueles olhos verdes. Nunca gostara de verde, na verdade, sua cor favorita sempre fora azul. Recordando-se brevemente do último encontro que tivera com a garota antes de partir de Konoha, perguntava-se mentalmente se aquela tola ainda nutria sentimentos por si, mesmo depois de tanto tempo.
Dado seu silêncio, Sakura iniciou o diálogo timidamente, sem sorrisos, esboçando apenas uma seriedade entristecida, a qual Sasuke encarou com curiosidade.
- Eu estou vindo do hospital. – ela informou. - Tsunade-sama me deu permissão para falar com você.
Dizer que vinha do hospital, implicava que provavelmente ela estivera, até então, com Naruto. Poderia ser que aquele sentimento que a via expressar estivesse ligada a condição do loiro? Acreditava que Naruto estaria bem, mas a preocupação insistia em desafiar seu lado racional.
Impaciente e incomodado com a presença da garota ali, Sasuke inquiriu:
- O que você quer, Sakura?
Ela se retraiu perante o tom de voz seco, porém, logo perguntou:
- É verdade, Sasuke-kun? É verdade que Naruto e você… que vocês…
Sasuke estalou a língua no céu da boca em um gesto de aborrecimento. Pelo jeito, a condição de Naruto fora descoberta, e certamente seu nome já fora determinado como responsável pela mesma. Achava isso bom, muito bom de fato. Não se importava com a decepção de Sakura, mas apreciava que soubessem que Naruto se entregara a si e que agora era seu.
- É verdade. – respondeu diretamente.
Aqueles olhos verdes se arregalaram em surpresa por sua crua e impassível sinceridade e com um sorriso amarelo, Sakura confessou:
- Saber disso é realmente desconcertante.
Acreditava que seria mesmo algo constrangedor saber que os dois melhores amigos, sendo um deles a sua maior paixão, tinham feito sexo e, acima de tudo, gerado uma vida.
- Pensei que tinha superado essa sua paixonite infantil, Sakura. – Sasuke debochou, não se contentando em somente ver o quanto a garota de cabelos rosa se mostrava sem chão perante a realidade. Sempre a achara patética e fraca, e tudo o que menos queria era ver os conflitos de Sakura em relação aquilo tudo. - Se veio apenas pra isso, me poupe de seus dramas e me deixe em paz.
Ela o fitou, ainda insegura, e falou:
- Eu só quero que me diga uma coisa: essa coisa que ocorreu com o Naruto, foi apenas um momento, somente uma brincadeira de mau-gosto, não foi?
- Vá embora. – Sasuke ordenou, estreitando os olhos para a garota.
A sugestão de que teria usado Naruto para brincar, o deixara irritado. A presunção de Sakura era infantil e desesperada, dando a Sasuke o direito de sequer lhe oferecer uma resposta. Entretanto, o que era insegurança no semblante da discípula de Tsunade se transformou em resolução e as palavras que foram proferidas com dureza, surpreenderam o moreno
- Ele é importante pra mim, Sasuke-kun. Não me subestime. – ela revelou e, em seguida, ameaçou: - Se eu ver o Naruto triste, por sua causa, acabo com a sua raça.
Sem dizer mais nada, a garota que um dia conhecera sendo frágil, irritante e obcecada, deixou a sala. Sasuke ficou por alguns segundo olhando para a porta por onde ela passara – agora fechada – e sorriu levemente, balançando a cabeça negativamente. Sakura não era a mesma menina idiota de três anos atrás e era irônico que o garoto que ela sempre repudiava – Naruto Uzumaki – tivesse se tornado aquele a quem ela mais queria proteger.
Naruto, definitivamente, tinha o poder de mudar as pessoas.
oOo
Continua...
Resposta das reviews sem email:
Gab! - Que bom que estou conseguindo passar sentimentos entre ele, Gab!... E o Naruto pode ser que se arrependa ou não... ohohohho... depende do ponto de vista... mas concordo, com uma motivação daquelas, não ceder é dificil... Espero que tenha gostado de mais um cap! Obrigada por comentar!
Thais - Que bom que gostou da historia! Obrigada pelos elogios, Thais! Como disse pra Gab! vai depender mt... a reação do Naruto vai depender muito da lábia do Sasuke quando ele explicitar sobre o que se trata a promessa... Agradeço por comentar!
