Ela dormiu em frente ao espelho. Tentou evocá-lo novamente depois de um tempo, querendo apenas falar com ele, tentando se comunicar de alguma forma. Quando Edward se foi, ela se sentiu tão sozinha. Mas ele não voltou, não importando o quão desesperadamente Bella tentou chamá-lo invocando qualquer tipo de emoção. Talvez ela só pudesse chamá-lo para vir até ela uma vez por dia. Com esse pensamento em mente, ela puxou os cobertores ao seu lado no chão e dormiu.
Quando acordou na manhã seguinte, o espelho estava como sempre. Ver isso a deixou um pouco triste. Ela tomou banho e vestiu-se e, em seguida, voltou para o quarto, estranhamente relutante em deixar o espelho sozinho. Ele sentiria falta dela? E se isso não estivesse relacionado à emoção afinal? E se ele veio apenas para vê-la?
Alice apareceu algumas horas mais tarde, desta vez sem quaisquer doações de alimentos. Bella não tinha certeza se ela estava grata ou um pouco triste com isso.
— Grande dia hoje! — cantarolou.
Isabella parou onde estava e serviu o café para elas na cozinha.
— Grande dia? Como assim?
— Ah, muitas coisas grandes acontecendo — disse ela, pegando o copo que Bella lhe oferecia. — Mas primeiro me diga ... Seu agradável jovem deu uma passada por aqui novamente na noite passada?
Ela corou, perguntando-se quanto Alice sabia.
— Demorou um pouco, mas eu fui capaz de chamá-lo de novo.
— Emoção forte — disse Alice, cantarolando com prazer. — Eu disse! Ele deve gostar muito de você para continuar a voltar. A maioria só o vê uma vez.
Os pensamentos de Bella voaram para ontem à noite, com as mãos dele segurando seus quadris, seu pau batendo em sua carne enquanto ela gritava com um dos muitos orgasmos. Ela certamente esperava que ele gostasse dela.
— Sim, eu acho que nós temos... uma ligação de algum tipo.
Alice Muffin bufou.
— Mais como atração animal, se você me perguntar.
Não era possível seu rosto ficar mais vermelho. Bella tocou o rosto com as costas da mão, ruborizando de vergonha, mas não conseguiu deter o sorriso que atravessava seu rosto.
— Pelo menos você não acha que eu sou louca.
— Louca? — Alice colocou uma mão no peito com indignação. — Meu Deus, não. Eu venho tentando encontrar para aquele menino uma garota simpática e normal durante séculos. Ele é um tipo exigente.
Séculos? Definitivamente Alice estava louca.
Bella balançou a cabeça um pouco, ainda sorrindo enquanto pensava do espelho. Talvez ela pudesse passar-lhe um livro, ensiná-lo a ler. Eles poderiam se comunicar por um quadro branco ... Seus pensamentos corriam à frente. Ter um relacionamento com um homem preso em um espelho não era a coisa mais inteligente a fazer, mas ela o queria, e faria o que fosse preciso para mantê-lo em sua vida.
— Você acha que a tia Vitória me deixaria comprar o espelho para levar para casa comigo?
Alice sorveu seu café e, em seguida, olhou para Bella.
— Por que se preocupar com isso?
Por que me preocupar com isso?
Bella piscou.
— Bem, eu só vou ficar aqui por algumas semanas, lembra? Então terei que voltar para os Estados Unidos.
Alice acenou com a mão para ela.
— Ele vai estar muito longe antes disso, minha querida.
O medo enrijeceu os músculos de Bella, e ela sentiu o tempo parar em torno dela.
— Longe...?
— Ah, sim — disse Alice. — O aniversário do grande incêndio está chegando. Hoje. Ou amanhã. Talvez na próxima semana? Não me lembro, mas, neste dia, ele vai desaparecer por mais um ano ou dois, ou dez... — Ela franziu o nariz, pensando muito. —Eu esqueço quanto tempo exatamente.
Um ano? Dez anos?
—Ele não... Morre no incêndio?
Alice encolheu os ombros.
Seu coração doeu só de pensar nisso, e ela sentiu as lágrimas se acumularem em seus olhos.
— Há algo que eu possa fazer?
— Não, a menos que você possa viajar através do tempo e salvar o pobre homem de assar como um peru.
Bella se encolheu. Ela pensou no espelho, no modo como tinha se aberto para deixá-los se tocarem, mas quando eles terminaram, ele os empurrou, separando-os novamente. Se ela pudesse puxá-lo para o outro lado. Ele era real. Ele não estava ... Não podia estar morto.
Alice continuou tagarelando, terminando seu café e ignorando as respostas tímidas que Bella lhe dava. Ela finalmente se foi, prometendo voltar amanhã com mais assados. Mencionou uma torta de xadrez, e Isabella estava disposta a apostar que ela iria encontrar uma torre ou um peão como recheio da massa, era o tipo de coisa que Alice Muffin faria. Ela sorriu para a garota com rosto de fada que ia pela estrada.
Assim que a porta estava fechada e Bella sozinha, ela correu para a loja de presentes. Ela tinha que saber mais sobre o incêndio que Alice tinha mencionado. Certamente haveria algo, qualquer coisa, em um dos livros que contaria os detalhes. O dia em que aconteceu. Ela precisava saber.
O terror transpassou-a, mas ela lutou contra isso, alcançando o primeiro livro.
Várias horas depois, ela tinha passado entre pilhas e pilhas de livros obscuros mais uma vez, lendo para obter detalhes sobre o incêndio. Como ela não encontrou nada, voltou e começou a reler de novo, na esperança de que tivesse perdido alguma coisa importante. Cada livro sobre Stonewood Abbey contava sobre as famílias que a habitaram, mas não muitos detalhes. Os que mencionavam o fogo não mencionavam uma data.
Ela precisava dessa maldita data. O pânico rastejou por ela, começando com uma pequena faísca e aumentando para um incêndio no momento em que Bella repassava cada livro uma terceira vez. Ela tirou os cabelos de sua testa frustrada, querendo gritar. Olhou para as pilhas de livros por todo o chão, então suspirou e pegou o mais próximo de novo. Ela só tinha que continuar procurando.
— Que diabo está acontecendo aqui?
Bella ergueu a cabeça rapidamente, e olhou para a pequena figura da tia Vitória, usando seus óculos escuros e rolando uma mala atrás dela. Ela estava na porta da loja, olhando para Isabella com a boca aberta.
—Oh, oi — disse ela, fechando o roupão. Deus! Quando foi a última vez que ela tinha usado algo sem ser pijama? Ela tocou o cabelo, percebendo que estava totalmente despenteada. — Isso deve parecer estranho — disse ela, pulando em pé e olhando com desânimo para a bagunça ao redor dela. Em sua necessidade desesperada para descobrir o que havia acontecido com Edward, ela praticamente demoliu a loja de presentes. — Eu posso explicar.
— Você estar bêbada explicaria melhor—, disse ela em uma voz aguda, caminhando para frente e olhando com desgosto para a bagunça que Bella tinha feito. — Você deveria manter a casa limpa, não bagunçá-la enquanto eu estava fora. Foi bom eu ter voltado mais cedo! Nunca deveria ter escutado sua mãe quando ela disse que você estava apenas triste. Você está claramente desequilibrada.
— Isso não é verdade — Isabella começou a falar.
— Deixar você cuidar da casa foi uma péssima ideia de minha parte, e eu vou ter que pedir para você sair. Hoje.
— Ah, mas eu não posso sair — disse, pensando no espelho e no incêndio. Ela tinha que tentar ajudar Edward.
— Eu vou mudar a sua passagem. Não se preocupe com o dinheiro, — Tia Vitória disse, recusando suas preocupações. — Eu quero você com suas malas prontas e fora daqui até o final do dia. Entendeu? E eu vou te pagar as três semanas completas, Bella. Apenas... Você precisa ir para casa e conseguir ajuda. — A voz de sua tia se suavizou com preocupação. — Me desculpe, mas eu não acho que você deveria ficar aqui por mais tempo.
Ela não podia ir para casa. Ela precisava ver Edward novamente. O pânico a tomou, mas ela forçou-se a sorrir e acenar.
— É claro — ela murmurou. —Eu vou subir e pegar minhas coisas.
Tia Vitória seguiu-a enquanto Bella subia as escadas, claramente não confiando em deixar a jovem sozinha na casa.
Ela subiu lentamente as escadas, sua mente acelerada, e em seguida para o corredor, arrastando cada passo.
Vitória seguiu-a de perto. Quando ela chegou à porta, o celular de sua tia tocou, e ela parou para atender.
— O que você quer dizer com não consegue encontrar minha mala? Eu preenchi um pedido. — Ela lançou um olhar irritado a Bella e acenou para ela seguir, depois, colocou o dedo em um ouvido e virou as costas, falando em seu telefone. — Não, é uma mala azul. Azul.
Que alívio. Isabella entrou em seu quarto e hesitou. Sua tia ainda estava no corredor, de costas para ela. Bella olhou para o espelho com saudade... E uma ideia lhe ocorreu.
Ela fechou a porta do quarto e trancou-a.
— Ei — ela ouviu o protesto da tia Vitória, com a voz abafada pela porta. —O que você está fazendo?
Ela empurrou a cadeira sob a maçaneta segundos antes de sua tia sacudi-la.
— Sinto muito, tia, mas não posso sair. Agora não.
A tia deu um grito ultrajado do outro lado da porta.
— Você está louca! Deixe-me entrar! — Ela tentou abrir a porta de novo, e de novo, e quando as sacudidas não funcionaram, ela começou a bater. — Deixe-me entrar, Bella. Se você não fizer isso, eu vou contar para sua mãe!
Como se a sua mãe pudesse fazer alguma coisa para ela. Ela tinha vinte e sete anos, pelo amor de Deus. Afastou-se da porta e foi para o espelho. Oh, por favor, por favor, deixe-o estar lá.
Mas não havia luz, parecia um espelho normal para ela. Bella moveu-se para ele, colocando a mão no vidro.
— Por favor, Edward, se você pode me ouvir, por favor...
Por favor, o que? Por favor, apareça e dou-lhe um aperto de mão antes de sair? Ela não podia falar com ele, não poderia dizer-lhe como se sentia, como ele a fazia se sentir viva, mesmo se fosse apenas um fantasma em um vidro.
Mas ela ainda queria vê-lo uma última vez, para saber que ele estava bem, para ver que a história de Alice sobre o incêndio era apenas isso: uma história. Sua palma bateu contra o vidro e quando o espelho continuou como estava, Bella descansou a testa nele com frustração.
Por favor, por favor, Edward. Por favor, mostre-me que você está bem. Eu preciso saber que você está bem antes de deixar você para sempre.
Ela fechou os olhos e concentrou –se forte, tão forte que sua cabeça começou a latejar, mas continuou imaginando a imagem dele no espelho, pensando na maneira como a tocou na noite passada.
Vitória continuou a bater na porta, furiosa.
— Estou conseguindo uma merda de chave de fenda e vou arrancar essa porta fora do batente, Bella. Então, Deus a ajude, se não sair daí agora!
Ela ignorou-a, pensando apenas em Edward.
Por favor, Edward. Por favor. Eu preciso de você.
O cheiro de fumaça tocou suas narinas. Bella empurrou-se para trás, assustada, piscando. Ela estava imaginando coisas? Mas uma rápida olhada no espelho mostrou que nuvens de fumaça estavam saindo dele, o brilho do espelho tão pálido e escasso que ela quase imaginou ser um truque de sua imaginação.
Em seguida, ela piscou e viu Edward.
Ele estava morrendo. Agachado diante do espelho, a palma da mão pressionada contra o vidro no outro lado, ele esperava lá. O quarto em que ele estava, cheio de fumaça e escuridão.
Ela chegou tarde demais.
— Ele entrou por algum motivo — Alice tinha dito. — Mas todo mundo estava fora do castelo, então... Se ele não voltou atrás de alguém, o que era tão importante que ele morreu por isso?
O horror fez um nó em sua garganta. Ele voltaria para vê-la uma última vez. Para passar seus últimos momentos segurando a mão dela.
— Não!— ela gritou, mesmo quando o alcançou através do espelho para agarrá-lo. O espelho não a deixaria passar. Ela bateu o punho contra o vidro, a raiva crescendo dentro dela. —Deixe-me tocá-lo! Deixe-me passar! Deixe-me passar!
Com cada palavra, ela batia novamente. Na última palavra... Seu punho atravessou o vidro e ela se encolheu, esperando ouvir o espelho quebrar. Mas não havia nenhum som, apenas o cheiro de fumaça pesada enchendo a sala.
— Edward — ela chamou, segurando sua mão e sacudindo-o, tentando fazê-lo responder. — Edward, por favor!
Ele deitou imóvel contra o espelho.
No fundo, ela via chamas lamberem a parede chegando até ele, e a fumaça subindo. Um soluço subiu em sua garganta. Ela tinha que salvá-lo. Precisava conseguir. Experimentalmente, ela empurrou seu braço através do vidro, e depois o outro braço, sentindo o calor contra sua pele, mesmo através do espelho. O castelo do outro lado estava quente como o inferno.
Ela colocou os braços ao redor dele, desesperada para puxá-lo completamente. Seu peso era enorme em seu abraço, e Bella cambaleou. Ela deu-lhe um puxão, mas ele não se moveu, seu corpo deslizando contra o vidro do outro lado.
Vitória bateu na porta novamente.
— Isabella! Deixe-me entrar agora! Neste instante! Estou pondo esta porta abaixo!
Bella puxou Edward, lágrimas descendo pelo rosto.
— Por favor, Edward. Por favor. Acorde e me ajude. — Ele era muito pesado, muito pesado. As chamas se arrastavam mais perto, e a fumaça enchia seu próprio quarto. Ela tossiu, puxando-o. Não conseguia respirar através da fumaça, mas se saísse da sala, a tia Vitória nunca mais iria deixá-la voltar.
Se Bella saísse da sala, Edward iria morrer. Ela se esforçou novamente, tentando puxá-lo através do espelho. Nada. Ele estava firmemente preso no outro lado.
A porta atrás de si ficou em silêncio, e então ela ouviu o som de uma chave de fenda elétrica, vibrante e irada.
— Estou tirando a porta das malditas dobradiças, Bella! E uma vez que tiver feito isso, estarei chutando seu traseiro para fora daqui! Espere até eu falar com sua mãe, mocinha!
A fumaça continuava a derramar-se para dentro do quarto. A porta bateu e balançou atrás dela. Ela tossiu e puxou novamente, mas não adiantou. O espelho não o deixaria passar, não o deixaria entrar no mundo dela. Eles estariam para sempre separados pelo espelho.
Espelho maldito.
A raiva queimou-a por dentro, e ela colocou os braços ao redor de seu torso.
— Eu não vou deixar você levá-lo de mim— disse ela ao espelho, pontuando cada palavra com um puxão em seu corpo. — Ele me pertence.
A chave de fenda zumbiu novamente, e balançou a porta, com força.
—Ele... me... pertence ! — Ela gritou, e puxou-o com toda a sua força, apoiando os pés contra o espelho. — Eu finalmente encontrei algo pelo qual quero lutar. Eu o quero. Você não conseguirá ficar com ele!
Bella sentiu o espelho lutando contra ela, sentiu a estranha sensação e por um momento, notou o intenso calor do fogo em seu rosto.
E ela puxou. E puxou.
— Edward — ela ofegou, envolvendo seus braços apertados ao redor de seu torso uma última vez. — Vou mover céus e terra para trazê-lo para mim. Eles não levarão você de mim. Não agora. Nem nunca.
E ela deu um puxão, o último, colocando tudo o que tinha, toda a sua força naquele último instante.
Edward caiu através do espelho.
Eles voaram para trás, tropeçando pelo quarto pequeno. Edward caiu em cima dela, seu corpo mole. Bella estremeceu, observando quando o brilho no espelho recuou e o vidro voltou ao normal em um piscar de olhos. A fumaça desapareceu. Suas mãos se apertaram ao redor dos ombros de Edward.
Ele não desapareceu.
Depois de um momento, ele tossiu e se mexeu, e ela gritou com alegria, envolvendo os braços em torno dele e abraçando-o.
Ele viveria. Ele viveria e ela estava aqui com ele, tocando-o. Sentindo sua pele quente pressionada contra ela. Bella tinha encontrado algo que queria o suficiente para lutar, e venceu.
Uma sombra pairava sobre ela, e Isabella viu Vitória de pé sobre eles, bloqueando a luz.
— Então — ela disse em uma maliciosa. — Tudo foi por isso. Você está escondendo um homem aqui.
Risos borbulharam na garganta de Bella, e ela apenas abraçou Edward apertado.
Trinta minutos depois, ela estava em pé do lado de fora de Stonewood Abbey, sua mala cheia de roupas apressadamente embaladas. Edward estava ao lado dela, olhando ao redor como se tivesse caído em outro mundo. O que, se supunha, ele tinha.
Agora que ambos estavam deste lado do espelho, ela se sentia um pouco estranha. Só porque eles fizeram sexo através de um espelho - através de um espelho! - não significava que ele devia alguma obrigação a ela. Bella salvou sua vida, mas era um motivo muito pobre para começar um relacionamento. E será que ele sabia o que fazer consigo mesmo no século XXI? E se o choque fosse demais para Edward? Preocupação a corroeu.
Ainda pior, o que eles fariam agora que eles haviam sido banidos da Abadia? Tia Vitória estava tão furiosa que não estava mais falando com Bella. Ela jogou a mala no gramado, sem sequer um adeus.
— Iuuuhuuu — chamou uma voz. — Aqui.
Bella se virou e viu Alice vindo na direção deles, acenando um lenço branco rendado. Ela usava uma blusa de lantejoulas douradas com franjas, cheias de lantejoulas também. Tudo isso sobre uma legging e um par de botas de cowboy rosa Pink.
— Aí estão vocês dois — chamou. — Em cima da hora, também. Eu estava começando a ficar preocupada.
Edward se virou e lançou um olhar confuso para Bella, em seguida, virou-se para a mulher.
— Marguerite?
Alice sorriu com afetação e acenou com o lenço rendado para ele. —Oh, você, garoto bobo. Eles me chamam de Alice aqui.
Ele olhou para Bella e gesticulou para Alice, recitando uma ladainha de sílabas sem sentido que Bella não entendia.
Isabella balançou a cabeça para ele.
—Eu não falo... gaulês? Se isso for gaulês... — Talvez fosse inglês antigo. Ela não tinha ideia. A derrota começou a cair sobre ela. Mesmo sem o espelho para separá-los, ela não poderia falar com Edward.
— Não é um problema — disse Alice, e tirou o longo bastão de madeira clara. A fita no final dançou quando ela tocou a mão dele, e em seguida, balançou-o no ar. É... parecia uma varinha. Alice acenou novamente e, em seguida, tocou a ponta do nariz dela e sorriu. —Tente agora, meu querido.
— Eu perguntei o que você faz aqui neste lugar estranho, Marguerite?— Edward falou, suas palavras com um sotaque melodiosamente sexy. Ele pareceu surpreso com sua voz e, em seguida, olhou para Bella. —Estou falando a sua língua?
— Basta um pouco de magia para consertar isso. — cantarolou. — E me chame de Alice, queridinho. Todos neste momento o fazem. — Ela se inclinou, como se ele fosse surdo e segurou a mão em concha sobre a boca, gritando. —A-L-I-C-E.
— Muito bem — Edward sorriu e, em seguida, virou-se para Bella, seu sorriso tornando-se ainda mais amplo. — E como você se chama?
— Pode me chamar de Bella — disse ela suavemente, sentindo-se subitamente tímida. Com o aceno dele, Isabella voltou-se para Alice. — Você quis dizer... magia? É uma varinha mágica?
Alice lançou-lhe um olhar indignado.
— É claro que é mágica. O que mais você espera de sua fada madrinha e um espelho mágico?
Bella sentiu-se fraca, colocando a mala na calçada.
— Sinto muito, você disse fada madrinha?
—Sim, eu disse. Vocês dois foram designados para mim. Eu tenho tentado arranjar um par para ele — ela disse, acenando com a mão para Edward — durante séculos. Ah, e falando nisso, isso é para você.
Ela estendeu a carteira para ele.
Ele tomou o pequeno quadrado de couro marrom na mão e olhou para o objeto.
—Abra! — ela disse com a voz impaciente. — Não tenho a noite toda, meu querido.
Bella moveu-se para o lado dele e lhe mostrou como abri-la. Dentro havia uma carteira de motorista – do Alaska - com nome completo de Edward sobre ela, sua idade e seu endereço. Também tinham os cartões de crédito, um cartão de seguridade social, e alguns outros documentos.
— Como você...
— Magia — disse Alice de novo, seu tom irritado. —O passaporte está na minha casa. Vocês podem passar a noite lá antes de voltarem para casa amanhã. — Ela apontou o dedo no rosto de Bella — E não fiquem se pegando contra os meus espelhos, seus passarinhos obscenos. Mantenha-os limpos.
O rosto de Isabella ficou vermelho, de um tom brilhante.
— Mas... que ... não ...— Ela se virou para Edward. — Você quer ir comigo?
Ele moveu-se para o lado dela e tocou seu rosto, roçando o polegar sobre a pele macia enquanto olhava fixamente em seus olhos. Foi-se o olhar triste no rosto do homem. Um pequeno sorriso tocou sua boca novamente.
— Mais do que qualquer coisa.
Ela devolveu-lhe o sorriso.
— Eu quero isso também.
— Ouvi dizer que há uma companhia agradável contratando no Alasca — Alice disse intencionalmente.
Bella sorriu.
— Entendi. Eu vou dar uma olhada.
Alice passou entre eles e levou a mala de Bella, descendo a estrada com ela.
— Sigam-me, vocês dois. A casa é por aqui.
Cora olhou para Edward, e ele virou-se para ela, suas mãos se movendo até a cintura. Ele a puxou contra seu corpo e a mão de Bella foi até o peito masculino. Edward parecia muito grande e real e tão maravilhoso apertado contra ela... Seus dedos roçaram seu coração e com certeza, sua pulsação era firme e quente.
—Isto é real, não é?
Ele se inclinou em direção a ela.
— Eu acho que é. Se for real e não um sonho, o que vamos fazer agora?
Bella olhou para ele, um sorriso curvando sua boca.
— Bem, eu acho que nós poderíamos começar com o felizes para sempre.
E ela finalmente, finalmente, beijou-o.
