Desculpem, desculpem, desculpem, desculpem, desculpem, desculpem, desculpem, desculpem, de coração. Eu sei que a demora não tem explicações, mas eu me afundei tanto nos meu problemas ultimamente, que acabei negligenciando a Adaptação. Me desculpem mesmo, não foi proposital, eu juro.
Curtam o Capítulo, e amanhã tem mais
Bjs ;*
Capítulo IV
— Acho que finalmente chegou a minha vez de dançar com a senhorita. — Bella ergueu os olhos para o major Emmett. — A senhorita está pálida. Prefere descansar um pouco? Eu ficaria feliz em acompanhá-la ao outro salão, onde podemos beber algo.
— Sim, por favor.
Deixar o salão de dança era uma proposta tentadora. Bella fazia de tudo para manter a compostura, mas era difícil, com tantos olhares sobre ela.
A sala destinada aos comes e bebes estava bem mais fresca. O único casal que estava lá saiu assim que Bella e Emmett entraram. Bella se sentou em uma cadeira enquanto o major ia buscar uma bebida.
Ela não deveria ter se surpreendido tanto com as palavras de Riley. Elas só vinham confirmar o que seu pai e as irmãs Stanley tinham dito sobre os nobres ingleses.
— Desculpe, srta. Swan — Emmett lhe entregou um copo de limonada —, mas não pude deixar de notar que a senhorita estava dançando com Riley Cullen. Aquele salafrário lhe disse algo inoportuno?
Bella balançou os ombros de leve.
— Pelo pouco que conheci do sr. Cullen, não esperava por nada muito diferente. Ele mencionou um apelido que Sua Graça recebeu.
— É mesmo?—Emmett pareceu perplexo por um momento.
— Ah, o apelido de "Monge". Cullen colocou esse apelido em Edward na época da universidade. Ninguém mais o chama assim.
— Entendi. — Bella pousou o copo sobre a mesa.
— Desculpe, mas a senhorita não deveria se deixar aborrecer por uma bobagem dessas.
— Não, é claro que não. E por favor, me chame de Bella. — Ela olhou para a própria bebida. A infelicidade que estava sentindo era por culpa sua apenas. Durante as semanas que passara em Masen se deixara iludir, fantasiando que Edward não passava de um americano com um sotaque esquisito. Tola. Conhecera o homem na cama, afinal. E nu. Obviamente não se tratava de um sujeito que tinha pudores para tirar a roupa.
Quantas das mulheres presentes no baile já não tinham se deitado com o duque de Masen?
— Então me chame de Emmett. — O major interrompeu os pensamentos de Bella. — E você não deveria se aborrecer por causa de Riley. Ele é um verme que a sociedade, infelizmente, ainda não pôde exterminar. Quando se casar com Edward, Cullen será esquecido por todos, como já deveria ter sido. Até lá, evite o sujeito. Como eu.
— Foi o que tentei fazer. — Bella suspirou. — Me diga uma coisa, Emmett. Por que os ingleses insistem nesse sistema de primogenitura? Isso só serve para jogar irmão contra irmão, primo contra primo.
— Não julgue os ingleses pela conduta de Riley. Eu sou o segundo filho e não odeio meu irmão, nem invejo seu título. Na verdade sinto pena de meu irmão.
— Pena? Mas por quê?
— Porque ele não é mais dono da própria vida. — Emmett se inclinou, apoiando os cotovelos sobre a mesa. — Ele é o marquês de Knightsdale. Este é o seu título, mas pode ser seu nome também. Ele nunca foi Carlisle McCarty apenas. Nasceu conde de McCarty e se tornou Knightsdale quando ainda estava em Eton. Ele parece contente com tudo isso. Mas nunca teve escolha.
— Sim, entendo.
Bella realmente entendia. Edward também tinha sangue nobre e terras. Mas não tinha escolha. Tinha de proteger Masen. Tinha de se casar, mesmo que isso significasse se casar com uma americana de cabelos castanhos. Mas isso não significava que ele tivesse de se limitar à cama da esposa apenas.
— Considero minha vida muito melhor que a do meu irmão. Eu tenho liberdade para ir e vir para onde quiser. Se tiver vontade de ir para a América amanhã, como fez seu pai, eu posso. Sinceramente, espero que meu irmão tenha vários filhos e uma vida longa.
Emmett terminou de beber sua limonada.
— Acho que eu estava seco para tomar esta coisa. Mas agora, o que preciso mesmo é de uma boa taça de champanhe. Você gostaria?
— Nunca experimentei. — Emmett riu.
— Então acho melhor deixar para Edward a honra de lhe apresentar ao vinho. Não seria delicado de minha parte embebedar a noiva de meu amigo.
— Não sou noiva do duque!
— Certo. — Emmett se recostou na cadeira. — Mas deveria considerar a idéia. Estaria se colocando em uma posição confortável e fazendo um favor a Edward. Ele precisa se casar logo por causa de Riley. Naquela noite, no Green Man, Edward estava pensando em pedir a mão de Tânia Denali. Mas ele certamente merece algo melhor.
Só então Bella entendeu por que a duquesa de Fairbanks viera falar-lhe e o motivo do tratamento frio que lhe dispensara.
— Ah, finalmente a encontrei.
O coração de Bella disparou ao ouvir a voz de Edward. Ela olhou por cima do ombro e deixou escapar um sorriso antes que pudesse se conter.
— Só estava dando um descanso a Bella, Edward — Emmett disse. — Você sabia que ela nunca bebeu champanhe?
Edward ergueu uma sobrancelha.
— E você deu um pouco para ela?
— Não. Deixei isso para você. — Edward assentiu.
— Gostaria de experimentar, Bella?
— Sim, por favor.
Ela baixou o olhar enquanto Edward foi buscar a bebida.
— Está tudo bem? — Emmett indagou. — Você está pálida novamente.
— Estou bem.
Tão bem quanto uma mulher que acabara de descobrir que estava apaixonada por um conquistador inveterado. Edward retornou e entregou-lhe a taça. Bella tomou um gole e sentiu as bolhinhas fazendo cócegas na ponta do nariz.
— Você está bem, Bella? — foi a vez de Edward indagar.
— Sim, estou apenas um pouco cansada.
Ela tomou outro gole e olhou para Edward de soslaio. Os cabelos bronzes brilhavam à luz das velas, e a linha elegante do maxilar se ajustava com perfeição sobre o laço elaborado da gravata. Ele era lindo. Pecaminosamente lindo. É claro que as mulheres o desejavam. Ela o desejava.
— Acho que Cullen aprontou outra das suas — disse Emmett.
— O que ele fez? — Edward olhou no mesmo instante para Bella. — O que ele fez, Bella?
Ela tomou mais um gole do champanhe antes de responder.
— Nada. Acho que ele queria me assustar. Mas eu disse que éramos apenas amigos. Só não sei se ele acreditou. — Tomou outro gole.
Emmett contorceu o rosto.
— É claro que ele não acreditou. Vocês praticamente incendiaram o salão durante a valsa.
— Droga! — A resposta de Edward emanou algo de frustração e aborrecimento.
Será que ele já tinha beijado Tânia Denali, Bella se perguntou. Provavelmente, pois se até considerara a idéia de ficarem noivos... Ela tomou outro gole de champanhe.
— Odeio saber que Riley se aproximou de Bella. — Edward ergueu o tom de voz. — Mas por mais que eu queira, não posso expulsá-lo de Londres. Pelo menos, não agora. Eu o vi indo embora quando estava vindo para cá.
Bella ouvia as vozes dos homens vagarem no ar enquanto olhava para as borbulhas do champanhe e saboreava o efeito cítrico em sua língua e a sensação de leveza que começava a tomar conta de seus membros.
— Acho que já tomou o bastante, querida — disse Edward, tomando-lhe a taça das mãos. — Vamos dançar?
Bella tinha a nítida sensação de que sua cabeça estava flutuando acima dos ombros. Sorriu para Emmett e disse:
— Com sua licença, major.
Quando eles entraram no salão, a orquestra estava começando outra valsa. Bella sorriu. Tinha adorado a valsa, mais do que os outros ritmos, especialmente se estivesse dançando com Edward. Ele a tomou nos braços e ela fechou os olhos, apreciando a música, sentindo-se leve e graciosa, protegida pela força de Edward. Não queria estar em nenhum outro lugar do mundo.
— Está com sono?
— Não. — Bella abriu os olhos, ainda sob o efeito que a proximidade com aquele homem lhe causava. No canto dos lábios ele tinha um sorriso tentador.
— Continue olhando assim para mim, meu amor, e a sociedade nunca irá se recuperar do escândalo que estou prestes a protagonizar.
Cada centímetro da pele de Bella corou. O corpo todo tremia e as pernas estavam fracas.
— Edward! — ela exclamou, com languidez. Ele riu.
— Já estamos causando escândalo suficiente apenas dançando juntos. Sugiro uma diversão mental. Talvez você pudesse recitar a Declaração da Independência.
Bella simplesmente não conseguia se lembrar. Tudo que conseguia fazer era olhar para os lábios de Edward. Ela sabia que não devia, mas era inevitável.
— Acho que não consigo me lembrar.
— Bem, admito que estou lisonjeado por ter conseguido deixá-la nesse estado, querida, mas precisamos mudar de assunto. Meu corpo está reagindo mais do que deveria.
— O quê?
— Esqueça. O que exatamente meu primo lhe disse? — Bella errou o passo e Edward a amparou, trazendo-a para perto de si um pouco além do necessário.
— Nada — ela sussurrou. — Nada mesmo.
Jasper foi o último convidado a ir embora. Assim que a porta se fechou, Alice deu um abraço apertado no irmão.
— Foi maravilhoso! — Ela girou o vestido, graciosa, em torno do vestíbulo. — Não perdi nenhuma dança! Estou tão animada que acho que nunca mais conseguirei dormir.
— Então acho que teremos de dispensar os rapazes que virão visitá-la amanhã — disse Irina, pisando no primeiro degrau da escada. — Diremos que você está indisposta.
Alice deteve a senhora.
— Oh, não! Não faça isso! — Carmem riu.
— Então é melhor ir logo para a cama, se não quiser receber seus admiradores com olheiras no rosto. — Ela deu o braço a Alice e olhou por cima do ombro para Bella. — Venha você também, Bella.
Edward segurou a mão dela.
— Bella e eu precisamos ter uma conversa, tia. — Carmem revirou os olhos.
— Não pense que me engana, Edward. Já fui jovem, por mais incrível que possa parecer. Tomem cuidado para não se perderem na conversa. Estou ansiosa para vê-lo casado, mas não quero que nenhum dos convidados fique contando os meses que faltam para seu herdeiro nascer.
Edward riu.
— Tia! Por favor, seja mais discreta. Bella e Alice estão vermelhas como dois pimentões.
— Vamos, Alice. Deixemos os pombinhos sozinhos. — Alice piscou para Bella e ajudou a tia a subir os degraus. Em seguida, Edward levou Bella para sua biblioteca. Ela sabia que não era uma boa idéia, mas seu cérebro não estava em condições de obedecer a nenhum comando. Algo mais a guiava, uma necessidade que ela não entendia de onde vinha.
Edward fechou a porta assim que entraram. Bella olhou-o de cima a baixo, medindo as linhas e os ângulos dos músculos e da força emanada. Seus olhos percorreram então os traços do rosto, parando nos lábios. E tudo que queria era tocar aqueles lábios, senti-los em contato com sua pele.
A sala estava iluminada por uma vela, apenas. Edward a conduziu até a cadeira de couro atrás da escrivaninha, onde ele se sentou, acomodando-a no colo.
— Hum, adoro seu perfume. — As palavras de Edward retumbaram nos ouvidos de Bella enquanto os lábios dele roçavam o lóbulo de sua orelha, descendo até a base do pescoço. — Pensei que fosse enlouquecer quando a vi dançando com outros homens. Senti ciúme até mesmo de Emmett quando os encontrei conversando na sala de jantar, e ele é um dos meus melhores amigos.
A língua de Edward subiu para brincar no sulco entre os lábios. Bella respirou fundo. Estava surpresa, mas acabou se entregando ao momento. Estava totalmente tomada pela intimidade, pa¬ralisada pela suave aspereza da língua roçando contra a sua, pelo perfume quase tangível do homem.
Em seguida, ela recostou a cabeça no ombro protetor. Todo o seu corpo pulsava e entre as pernas havia um calor úmido. Edward tocou nos seios de Bella, e ela respondeu com um gemido. Então se acomodou no colo aconchegante, tentando ficar ainda mais próxima. Com a ponta do dedo, ele acariciou o mamilo.
Era uma carícia suave, mas que fez todo o corpo de Bella reagir, sobrepujando até mesmo o efeito do champanhe. Bella enrijeceu e o empurrou, com as duas mãos contra o peito. Os braços de Edward desceram no mesmo instante e ela se endireitou, ofegante e trêmula.
— O que foi, Bella?
— Riley me contou que seu apelido é "Monge".
— Ele contou?
Não havia nenhum tipo de inflexão na voz de Edward, mas a fisionomia confirmava que era tudo verdade. Ele afastou as mãos de Bella. Ela ainda estava sentada em seu colo, mas agora era como se estivesse em uma cadeira qualquer.
Nem era preciso perguntar nada, mas ela o fez assim mesmo.
— Isso é verdade?
— Sim — ele disse. — É verdade.
Edward ouviu a porta se fechando logo atrás de Bella. Ele deveria ter se levantado quando ela o fez, mas as boas maneiras o tinham abandonado por completo. Na verdade, nem conseguia se mover. A dor de ter sido rejeitado por Bella o deixara paralisado.
Agora, olhava perdido para o fogo na lareira. O que tinha feito de errado? Ele podia jurar que Bella estava correspondendo. Sentira o calor emanado pelo corpo dela, ouvira os gemidos de prazer. Será que entendera errado? Será que estava tão cego de paixão a ponto de não perceber?
Quando ela se afastou, ele imaginou que a tinha assustado, que tinha ido rápido demais. Mas então ela jogara em sua cara o maldito apelido.
Edward recostou a cabeça e fechou os olhos, lembrando-se dos tempos de Cambridge, e de Riley, claro. Depois que ficara sabendo da desastrosa visita de Edward ao Dancing Piper, o primo se encarregara de espalhar a história por toda a universidade.
Era uma lembrança que Edward preferia esquecer. Em seu aniversário de dezesseis anos o pai resolvera que já era o momento de iniciar o filho nos prazeres mundanos e o levara ao famoso bordel, frequentado pela nobreza inglesa. Ele próprio, inclusive, era um freguês assíduo da casa.
Mas a experiência se mostrara catastrófica. Quando Edward se vira na cama, ao lado de uma prostituta chamada Victória, tudo que queria era sair correndo o quanto antes daquele lugar.
Fora demais para ele. O cheiro de suor, de sexo e dos cabelos sujos da mulher lhe causara náusea. Ele acabara esvaziando o estômago em um balde sujo que estava no quarto.
Edward abriu os olhos, balançando a cabeça para dispersar as lembranças. Após tantos anos a cena até parecia engraçada, agora. Ele se levantou para apanhar um conhaque, lembrando-se do restante que viera completar o desastre total.
Depois de sair do quarto da prostituta, amparado por duas mulheres, ele encontrara dois amigos de escola no salão principal e assim a notícia se espalhara. Na manhã seguinte, Riley já sabia de todos os detalhes, e fora então que batizara o primo com o novo apelido.
Mas isso não explicava por que, na verdade, Edward realmente passara a agir como um monge. Nem ele próprio sabia ao certo explicar. Sexo era algo que passava na cabeça do adolescente inúmeras vezes, é claro, mas Victória se encarregara de deixar uma péssima impressão dos bordéis, e ele não gostava nem um pouco da idéia de se deitar com uma mulher usada por outros. Não foram poucas as criadas que se insinuaram ao futuro duque, mas não seria certo se deitar com elas. Um dia, ele seria um duque. Não podia usar as jovens para satisfazer seus instintos. Era sua obrigação proteger seu povo, não abusar. E ainda que não fosse uma criada de Masen, isso não significava que ela não merecesse respeito.
A verdade era que, até ver Bella deitada em sua cama, ele nunca se sentira realmente tentado.
Mas Bella... ele a queria como um homem faminto ansiava por alimento.
O pedido de casamento acabara se transformando em algo muito mais significativo do que um simples acordo. De alguma forma, o rapaz sonhador que existira antes da visita ao Dancing Piper estava de volta. Aquele ingênuo que acreditava no amor e na bondade das pessoas estava assombrando o presente. Seu coração, que até então fizera um excelente trabalho mantendo-o vivo, agora ansiava por algo mais.
Por Bella e seu amor.
— Ele a deseja.
Diego Gadner colocou o dedo entre as páginas do jornal que estava lendo, para não perder. Recostou-se na poltrona de couro e ergueu o olhar para Rileu.y
— Por que você acha isso? Ele acaso se afogou no decote da mulher em pleno salão de baile?
— Quase. — Riley foi até o balcão para se servir de uma dose de conhaque. — Se não estivessem no salão, ele teria entrado embaixo das saias da vadia americana.
— O que exatamente ele fez?
— Dançou com a vagabunda! — Riley bebeu o conhaque de um só gole.
— Mas quantas vezes? — Se Edward tinha perdido o decoro de acordo com as insinuações de Riley, então a situação era realmente séria.
— Uma vez! Talvez mais uma antes de o baile acabar. Mas vim embora antes e não sei ao certo.
— Uma vez! Pelo amor de Deus, Riley, ele só dançou uma vez com a moça?
— Mas foi o suficiente. — Riley se jogou na poltrona ao lado de Diego. — Conheço meu primo, Diego. Você sabe disso. Céus, eu o observei durante anos. Vi como ele olhava para a mulherzinha enquanto dançavam. Por isso posso lhe garantir que ele a deseja.
— Desejo não significa necessariamente casamento. — O raciocínio de Diego era rápido. Ele precisava pensar logo em um plano antes que Riley fizesse alguma estupidez. — Por que não espera para ver se o interesse não passa?
— Não vai passar. — Riley tamborilava os dedos sobre o braço da poltrona. — Não a tempo. Ele acabará levando a rameira para a cama se não fizermos algo para evitar.
— Mas talvez ela não esteja interessada. Trata-se de uma americana, e aquele povo odeia títulos. Quem sabe ela não queira se casar com um duque.
Riley se levantou para mais uma dose de conhaque.
— Dancei com a mulher. Ela disse que não está interessada em Edward, mas não acreditei. Algo a impede de se entregar, mas não é falta de interesse. Vi isso nos olhos da vadia enquanto eles dançavam. — Ele admirava as nuances de âmbar do conhaque na taça. — Mas plantei a semente da discórdia entre eles. Disse à sirigaita que Edward é um conquistador.
— Edward, um conquistador? — Diego riu.
— Mas creio que isso não será suficiente para acabar com o romance. Ainda acho que é preciso matar a garota.
Diego se inclinou para a frente.
— Riley, se você matar a srta. Swan, as autoridades não farão vista grossa como fizeram no caso do Green Man. Estamos em Londres, e a moça é prima do conde de Hale, além de amiga do duque de Masen.
— Posso contornar a situação.
— Não pode. Tem de haver outra saída.
— Posso matar Edward.
— Não. Esse plano já falhou mais de uma vez.
Fazia meses que Diego vinha tentando desviar a idéia de assassinato da cabeça de Riley. Mas o homem parecia incapaz de compreender o simples fato que se Edward morresse em circunstâncias sinistras, as autoridades olhariam para ele como o principal suspeito. Afinal, quem se beneficiaria nesse caso senão o próprio Riley?
— Temos de encontrar outra saída.
Riley permaneceu calado por um tempo, e, de repente, soltou uma risada sinistra.
— Eu poderia levar a americana para a cama de tal forma que Edward pensasse que ela foi por vontade própria.
Diego se levantou.
— Não, Riley, não faça isso. Edward o mataria.
— Edward? Meu priminho, Edward?
— Seu priminho é um herói de guerra que recebeu várias medalhas por bravura e coragem nos campos de batalha.
— Você se preocupa demais, Diego.
— E você se preocupa pouco. — A mente de Diego viajava com rapidez. — Se quer fazer isso, precisamos encontrar alguém.
— Estou cansado de lidar com incompetentes.
— Ouvi dizer que Black está na cidade.
— O cafetão americano?
— O próprio. Ele é competente para o serviço e ao mesmo tempo elegante para ir aos bailes londrinos.
— De fato. — Riley saboreou o conhaque. — Mesmo assim ainda acho que seria um prazer deflorar a eleita de meu primo.
Diego se inclinou e tocou no braço de Riley.
— Por favor, Riley. Black fará o serviço e você estará livre de quaisquer riscos.
Riley parou, olhando para a mão de Diego em seu braço. Diego estava com medo de que Riley fosse afastá-lo com rispidez. Isso iria doer muito. Mas ele vinha sofrendo em demasia nos últimos anos, que diferença faria agora?
Mas ao contrário do esperado, Riley tocou na mão de Diego com carinho.
— Você realmente se preocupa comigo, não é? — Havia um tom de vulnerabilidade na voz de Riley que fazia muito tempo que Diego não ouvia.
— Sim, eu me preocupo.
— Depois de tudo que fiz? — Diego apertou o braço de Riley.
— Sim — disse. — Eu amo você. — Riley levantou o olhar.
— Prove, Diego. Por favor.
Era o convite que Diego esperava ouvir havia anos.
— Eu provarei.
Bella estava parada atrás de uma palmeira, esperando o sr. Mike lhe trazer um copo de limonada. O salão de baile do conde de Easthaven estava quente e repleto de convidados. Ela já tinha dançado todas as músicas até o momento, mas em vez de estar feliz, sentia-se apenas cansada.
Desde a noite fatídica do baile de Alice, ela e Edward mal se falavam. Bella tentava se convencer de que era melhor assim, mas ainda sentia algo diferente quando cruzavam o caminho. Por isso estava meio escondida, atrás da palmeira. O sr. Mike poderia ter alguma dificuldade para encontrá-la, mas isso era melhor do que correr o risco de esbarrar com Edward.
— Você acha que Masen vai pedir a mão da americana? — Bella paralisou, então virou a cabeça lentamente para ouvir a conversa de uma dupla de cavalheiros que estava do outro lado do vaso, e não tinha notado sua presença.
— Essas são as apostas no White's — respondeu um dos homens, rindo. — Não entendi por que o Monge se interessou por aquela americana magrela.
O outro riu.
— Deve gostar do tipo. A mocinha Denali também não tem muita carne.
— Pare com isso, Nigel! A americana deve ser mais quente do que a Rainha do Mármore.
— Ouvi dizer que ela não tem dinheiro.
— Masen tem o suficiente para os dois, não precisa de uma esposa rica para encher o cofre.
— É verdade. — O sujeito baixou o tom da voz. — Talvez a americana tenha outros encantos. Quem sabe não tenha aprendido algo diferente com os índios? Algo selvagem!
Os dois ficaram em silêncio por algum tempo. Bella temia que as folhas da palmeira pudessem pegar fogo a qualquer momento, tamanho o rubor de suas faces.
— Você acha que ele irá dividir isso? Depois que tiver um herdeiro, é claro — um dos homens sussurrou.
— Não sei. Eu entraria na fila, especialmente depois que o Monge tiver ensinado todos os truques que conhece. Ele já deve ter feito de tudo.
— Ouvi dizer que ele já se deitou com três prostitutas ao mesmo tempo, e elas não eram magrelinhas.
— Três?
— Srta. Swan?
Bella teve um sobressalto, e virou-se rapidamente para se deparar com ninguém menos do que Tânia Denali, olhando para ela por entre as folhagens da palmeira.
— Oh... lady Tânia.
Bella saiu do esconderijo. Ainda estava distraída por causa da conversa que tinha acabado de ouvir. Não tinha entendido muito bem o que os homens disseram, mas captara o suficiente.
Tânia torceu os lábios num arremedo de sorriso.
— Que sorte encontrá-la escondida atrás dessa palmeira, srta. Swan. Gostaria de lhe apresentar ao sr. Jacob Black. Ele é seu conterrâneo.
Riley tinha se encarregado de apresentar o charmoso americano a Tânia, incumbindo-a da missão, por sinal aceita com entusiasmo, de apresentá-lo a Bella.
— Oh.
Bella olhou para o cavalheiro alto parado ao lado de Tânia. Era o homem mais lindo que já vira. Os cabelos eram castanhos-bem escuros, os olhos pretos como a noite, e as feições bem esculpidas. Uma pequena cicatriz no canto esquerdo da boca e uma discreta elevação no alto do nariz eram os únicos pontos que afastavam o rosto da total perfeição.
— Como vai?
Ele tomou a mão de Bella e levou-a aos lábios.
— Muito melhor agora. É um prazer conhecer uma conterrânea. A senhorita me daria a honra da próxima dança?
Bella se sentiu desconfortavelmente lisonjeada. Havia algo quase predatório nos gestos do homem.
— Bem, estou esperando pelo sr. Mike
— Aqui está a limonada, srta. Swan.
Mike tinha retornado.
— Sr. Mike — Tânia interveio —, que prazer em vê-lo. Eu fico com a limonada, se não se importar. A srta. Swan estava indo dançar com o sr. Black.
Mike arregalou os olhos e o pequeno queixo balançou sob o nariz proeminente, assentindo.
— Fiquem à vontade, srta. Swan, sr. Black. O sr. Mike me fará companhia.
Bella ainda olhava para trás, incerta, enquanto era praticamente arrastada por Black para o salão de baile.
— Suspeito que lady Tânia, assim como muitos de meus amigos ingleses, não saiba a diferença entre Boston e Baltimore. Afinal, de onde a senhorita é?
Bella riu.
— Da Filadélfia. E o senhor?
— De Nova York, mas já estive na Filadélfia.
— Então o senhor é muito mais viajado do que eu. Nunca tinha saído da minha cidade natal até embarcar no navio que me trouxe para Liverpool.
Jacob era um exímio dançarino e tinha uma conversa agradável. Bella gostou de dançar com ele. E acabou percebendo o quanto estava com saudade de casa e do sotaque americano. Era um alívio poder discutir política com alguém que, como ela, não acreditava na monarquia ou na primogenitura. Mesmo assim, havia algo em Jacob que a deixava inquieta. Era agradável, educado e inteligente, mas nada lhe tirava da cabeça que toda aquela polidez não passava de pura atuação, que o belo rosto e os modos bem cultivados eram uma máscara para ocultar algum segredo sombrio.
Bella riu, espantando as fantasias. Se era uma máscara, era uma muito bonita. As outras mulheres olhavam para eles, curiosas. Tudo que tinha a fazer era aproveitar a companhia até o final da música e se divertir um pouco com a inveja feminina.
Edward também os observava. Será que estava com ciúme? Ele vinha ignorando-a a tal ponto que Bella já estava começando a pensar que tinha se tornado invisível.
Assim que a música chegou ao fim, Edward se aproximou.
— Olá, Bella. Apresente-me ao seu novo amigo... — Não havia muito mais que fazer.
— Edward, este é o sr. Jacob Black, de Nova York. Sr. Black, Sua Graça, o duque de Masen. — Edward fez um aceno de cabeça.
— Black. Se nos der licença, creio que a próxima dança é minha.
Bella sabia que não, mas não iria desmentir Edward. Suas mãos enluvadas tomaram a mão dela.
— Obrigada pela dança agradável, sr. Black. Espero que nos encontremos novamente.
Edward inalou o doce perfume de Bella e seu corpo ficou ainda mais enrijecido. Precisava senti-la em seus braços novamente. Já não aguentava a frieza com que vinha sendo tratado desde o baile de Alice. E a visão de Bella nos braços do tal Black foi algo que o atingira profundamente.
Edward conduziu Bella até um local mais reservado do jardim.
Ela aceitou, e isso já era um bom sinal. E lá eles valsaram lentamente, girando em círculos, aproveitando a música que escapava das amplas janelas da mansão. As plantas escondiam a cidade, dando a impressão de que estavam de volta a Masen.
— Senti saudade de você. — A voz de Edward soou como um sussurro rouco aos ouvidos de Bella.
— Hum?
Ele baixou o olhar e viu que ela estava de olhos fechados, os lábios curvados em um leve sorriso.
Será que seria oportuno abordar o assunto sobre o maldito apelido? Edward não entendia por que aquilo a aborrecera tanto. Por que ela se importaria com o fato de ele nunca ter se deitado com outra mulher antes? De acordo com a reação que ela tivera no Green Man ao se ver na cama com um estranho, a única conclusão plausível era de que ela não gostava de conquistadores.
Edward sorriu ao se lembrar da cena, pensando que não se importaria nem um pouco de reviver o momento, mas com um final feliz. Se era tão importante para Bella ter um marido mais experiente, ele não se importaria de começar com ela. Quem sabe, agora mesmo.
Bella estava feliz, pois estava exatamente onde queria estar: nos braços de Edward. Ali, na penumbra do jardim, longe dos olhos curiosos de todos, ela podia fingir que estava na Filadélfia e que Edward era um bom americano.
O ar estava levemente frio. Ela tremeu, e as mãos grandes de Edward a trouxeram para mais perto. Ela aceitou o abrigo com prazer, pois se sentia segura nos braços daquele homem.
Uma ilusão. Ele era um conquistador. Tinha admitido o apelido estúpido sem dar nenhuma desculpa.
Bella sentiu os lábios do duque roçando em sua pele e ouviu a voz profunda e rouca, inalando com ardor o perfume másculo.
Se ao menos ele fosse um americano e eles estivessem na Filadélfia... Lá poderiam sair para passear nas tardes de domingo ao longo da Chestnut Street ou na margem do rio. Edward então seria gentil e correto. Certamente não a levaria para um jardim escuro e não a beijaria daquela maneira perturbadora. Não roçaria os lábios ao longo de seu rosto, até parar atrás da orelha e sugar de leve a pele. E certamente as mãos dele permaneceriam no devido lugar, não vagando tentadoras pelas suas costas.
Edward tentou afastar os pensamentos luxuriosos da mente. Pelo visto Bella não ia impedi-lo de prosseguir, portanto o melhor era se conter. Ele a desejava, como a desejava! Mas não no jardim dos Easthaven, onde qualquer idiota poderia surpreendê-los.
— É melhor você voltar sozinha para o salão.
— O quê? — Bella indagou, espantada. Certamente ela ainda não tinha retornado do lugar maravilhoso onde eles estavam. Ou aonde, pelo menos, ele esperava que eles tivessem ido juntos.
— Volte para o salão sozinha, Bella. — Edward recuperou a postura e impôs certa distância entre eles. — Esperarei aqui um pouco.
— Mas por quê?
Porque ainda que o vestido de Bella não estivesse amarrotado e os cabelos estivessem perfeitamente penteados, a calça de Edward denunciaria o que eles estavam fazendo na penumbra do jardim.
— Porque as pessoas podem se perguntar o que estávamos fazendo aqui se entrarmos juntos, meu amor.
— Oh. — Se houvesse luz o suficiente, Edward tinha certeza de que veria as faces coradas de Bella.
— Entre pela porta lateral. Ela a levará diretamente ao toalete das senhoras.
— Está bem.
Edward ficou olhando sua amada percorrendo os jardins e desaparecendo na porta indicada. Só então ele relaxou e se recostou no tronco de uma árvore. Todo o seu corpo doía. Não apenas uma determinada parte pulsava frustrada, mas a mente, o coração, até mesmo a alma clamava por Bells.
— Bella, estávamos à sua procura.
Carmem e Irina estavam no vestíbulo do toalete.
— Onde você estava? — Carmem a testa. — Vimos Edward deixando o salão de braço dado com você. Não posso imaginar o que se passou na cabeça de meu sobrinho.
— Eu posso. — Irina olhava fixamente para o pescoço marcado de Bella. — Vamos apanhar nossos casacos, agora mesmo.
Bella se olhou no espelho de relance antes de sair correndo atrás das senhoras. Uma pequena marca vermelha brilhava logo abaixo do pescoço, no exato ponto onde os lábios de Edward tinham estado, pouco antes.
— Lady Carmem, eu gostaria de falar com a senhora sobre o meu futuro.
Carmem e Irina ergueram ao mesmo tempo o olhar do chá que bebiam. Bella terminou de entrar na sala de estar de lady Carmem. Era um local agradável e ensolarado, mas ela estava nervosa demais para prestar atenção aos detalhes da decoração.
— Parece-me que você e Edward discutiram o tema, ontem à noite, no jardim dos Easthaven. Já tomaram uma decisão, suponho.
Bella enxugou as palmas das mãos no vestido.
— Não marcaram a data, ainda? — Irina se adiantou. — Você está enlouquecendo o pobre Edward. Ele normalmente não é muito indiscreto. Costuma manter em segredo o que se passa em sua cama.
— Irina está certa, Bella. Edward nunca cortejou uma moça abertamente, antes. As pessoas estão comentando.
— O sr. Cullen também notou isso, lady Carmem. E ele não quer que o primo se case. — Finalmente Bella criou coragem de falar.
— Riley quer ver o primo morto, Bella, mas isso não quer dizer que Edward irá se curvar à vontade do outro. Não se preocupe com Riley. Edward cuidará do primo.
— Mas a senhora acha que Edward realmente quer se casar comigo?
— Não diga bobagens! — Irina interveio. — Que homem não quer se casar? Certamente todos gostam de dar umas escapulidas aqui e ali. Mas Edward já deixou mais do que claro que está interessado em você. Sabe que se quiser algo mais terá de se casar.
— Mas a fama de Edward...
— Que fama? Oh, deve estar se referindo àquele apelido ridículo de "Monge".
Carmem virou-se para Irina.
— Que apelido é esse?
— Você sabe, Carmem. Aquela história de Edward já ter se envolvido com metade das damas da sociedade e das prostitutas de Londres.
Carmem riu.
— Aquelas histórias ainda andam na boca do povo?
— Elas pioram a cada temporada. — Bella foi tomada por uma onda de alívio.
— Então elas não são verdadeiras?
— Claro que são, querida — Carmem garantiu. — Edward já tem vinte e oito anos.
Irina assentiu e assumiu a conversa:
— Pelo menos em parte, Bella. Uma das histórias mais ridículas que correm é sobre um passeio de Edward pelo Tâmisa, acompanhado de meia dúzia de mulheres ao mesmo tempo. Tenho certeza de que não passavam de duas, no máximo três. — Ela fez uma pausa. — Bem, quatro, talvez. Edward é um rapaz excepcional.
— Certamente.
A resposta de Carmem ecoava um certo orgulho das aventuras sexuais do sobrinho.
— Mas Edward sabe das obrigações que a posição de duque exige, Bella. — Carmem sorriu. — Não se preocupe. Ele será discreto com as atividades extraconjugais. Você não terá motivos para embaraço.
— Se você deixar o rapaz cumprir com o dever — Irina completou. — Diga "sim", Bella, e tire-o dessa penúria. Episódios como o da noite passada servem para levantar rumores e deixar os homens frustrados.
Carmem franziu o cenho.
— Sim, Bella. Se você não tem intenção de se casar com Edward, então não deveria provocá-lo.
— Mas você pretende se casar com ele, não pretende, Bella? — inquiriu Irina.
Bella olhou para as duas senhoras sem saber o que dizer. Estava confusa e com os sentimentos abalados.
— Não sei.
Edward estava acabando de sair de seu escritório quando foi abordado por Irina.
— Não pretendo lhe dizer como você deve conduzir sua vida amorosa, rapaz, mas arrastar uma virgem para o jardim certamente não é nada decente.
— Como?
— Oh , não se faça de desentendido, Edward. O pequeno escândalo que causou no jardim dos Easthaven. As pessoas estão comentando. Eu o aconselho a manter distância de Bella e os botões da calça bem fechados.
— Lady Irina! A senhora já foi longe demais.
— Você foi longe demais, meu jovem. Se queria beijar a moça, não precisava deixar uma marca no pescoço dela. Não se perguntou por que Bella está usando um vestido de gola alta, hoje?
Recostado contra uma das colunas do salão de baile de lady Wainwright, Edward observava a distância Bella dançando com Black. Ele tivera uma semana infernal. Não tinha conseguido uma oportunidade de conversar a sós com ela. Por algum motivo, a tia e lady Irina resolveram bancar as acompanhantes perfeitas.
Bem, talvez, no fundo, soubesse os motivos, mas elas queriam que ele se casasse, não queriam? Como poderia cortejar Bella se não tivesse oportunidade?
E digamos que no jardim dos Easthaven ele tinha sido bem persuasivo. Mais alguns minutos e ele perderia o controle.
— Vossa Graça, que prazer em vê-lo! — Edward olhou para o lado e tentou sorrir.
— Olá, lady Tânia.
— Vejo que está observando a srta. Swan e o sr. Black. Eles não formam um belo casal?
Edward resmungou algo que Tânia preferiu entender como uma aprovação.
— Eu os apresentei, sabia? O sr. Black também é americano. Pareceu-me formarem o par perfeito.
Edward nunca sentira vontade de agredir uma mulher, mas a idéia de torcer o pescoço de Tânia lhe parecia bastante atraente, no momento.
— A senhorita o apresentou?
— Sim.
— Não conheço Black. O que sabe sobre ele? Afinal, a srta. Swan é minha hóspede e por isso me sinto responsável por ela.
Tânia encolheu os ombros.
— Bem, não sei muito, na verdade. O seu primo, o sr. Cullen, deve saber mais. Foi ele quem me apresentou ao sr. Black. — Sinos de alarme soaram na mente de Edward
— Sei. Nesse caso, acho melhor ter uma conversinha com Riley.
Edward não encontrou o primo, mas viu Bella retornando do toalete das senhoras. Ele a segurou pelo braço, puxando-a para uma sala deserta e fechando a porta.
— Edward! O que é isso? — Bella olhou ao redor. — Está louco? Se formos encontrados aqui, você terá de se casar comigo!
Mas Edward não estava ouvindo. Ele pôs as mãos nos ombros de Bella, puxando-a para mais perto, inalando seu doce perfume. Céus, como a desejava!
Em seguida soltou-a e recuou dois passos.
— Fique longe de Black. — Bella o olhava espantada.
— Como disse?
— Disse para você se afastar de Black.
— Ele é um homem encantador e muito interessante. Por que eu deveria manter distância?
— Ele não está interessado em você!
Bella contraiu os olhos e ficou muito vermelha.
— Não está interessado? Quer dizer que não sou suficientemente atraente?
— Não! — Edward tentou esquecer o desejo para poder raciocinar com mais clareza. A conversa estava tomando um rumo oposto ao planejado. — Bella...
— O sr. Black é encantador e dançarei com ele se quiser. Não tente me impedir, Edward.
— Senhor do céu! — Edward já tinha ouvido o suficiente e, num ato impulsivo, puxou Bella para perto de si novamente, calando as palavras ácidas com um beijo ardente.
Ela enrijeceu e o empurrou.
— Pare com isso! — Seus olhinhos estavam cheios de lágrimas. — Deixe-me em paz!
As mãos de Edward cederam ao pedido, e Bella deixou a sala no mesmo instante.
Maldição.
Edward permaneceu parado no exato lugar onde estava, tentando conter as emoções. Mas isso parecia impossível. Estava se tomando cada vez mais insuportável estar tão próximo de Bella e não poder tocá-la.
Precisava sair dali. Se não fosse embora imediatamente, iria explodir e não tinha certeza de que tipo de explosão seria.
Uma coisa era certa. Precisava investigar o tal Black. Já deveria ter feito isso desde a primeira vez em que o sujeito cruzara os portões dos Easthaven. Edward tinha suas fontes para descobrir o que quisesse.
— A senhorita me parece um tanto solitária.
— Sr. Cullen. — Bella preferia o isolamento à companhia de Riley.
Ele estendeu a mão.
— Vamos dançar?
— Estou um pouco cansada. Obrigada, acho que prefiro ficar aqui.
Riley manteve a mão estendida. Logo Bella ouviu alguns murmúrios e sentiu os olhares curiosos pousando sobre eles.
— Está bem.
— Sábia escolha, srta. Swan. A senhorita não gostaria que aquelas harpias escutassem a nossa conversa, não é? — comentou Riley, assim que a música começou.
— Não?
— É claro que não. — Ele olhou ao redor do salão. — Não estou vendo meu primo.
— O duque estava aqui havia pouco. Estou certa de que ele deve ter ficado triste pelo desencontro.
— Duvido. — Riley forçou um giro. — Espero que a senhorita tenha levado a sério o meu aviso.
— Que aviso?
— Sobre Edward continuar solteiro. Não se lembra? Pensei que tinha sido por isso que Edward parou de cheirar as suas saias. — Bella olhou profundamente nos olhos frios de Riley.
— Vejo que seus modos não melhoraram em nada, sr. Cullen. — Ele soltou um riso sarcástico.
— Garanto que a senhorita deveria se preocupar com outras coisas bem mais importantes do que os meus modos, srta. Swan. Como manter suas pernas fechadas para o meu primo, por exemplo.
Bella sabia que estava ruborizada. Por sorte, seus pés ainda se moviam automaticamente.
— A senhorita tem se mantido longe da cama do meu primo, não tem? — Riley a encarou. — A senhorita ainda está com aquela carinha característica das virgens. Estou certo?
— Sr. Cullen!
— Está, sim. É impossível fingir essa expressão. Respire fundo, srta. Swan, e preste atenção ao que vou lhe dizer. É melhor a senhorita se manter virgem, pelo menos no que diz respeito ao meu primo. Tentar se tornar uma duquesa seria um erro muito grave.
Nisso, Riley baixou as mãos e abandonou Bella no meio da pista de dança. Os outros casais olhavam pasmados, e o burburinho teve início imediato.
Continua no Capítulo V...
