NOTAS IMPORTANTES:Naruto não pertence a mim, pertence ao Masashi - Kishimoto, essa história é somente para o divertimento dos fãs alucinados por histórias de amor e drama.

LEGENDA:

Os primeiros raios de sol da manhã incendiavam a rua por pouco escura =Narração normal.

- = Mudança de espaço ou de tempo, vocês entendem.

"Não vivíamos para morrer, vivíamos para matar, porque o gosto do sangue nos lábios e nas mãos era muito convidativo." =Citação de algum personagem, no caso de Pain.

- A tarefa foi cumprida? = Fala ao telefone

QUANDO A LETRA FOR MAIÚSCULA NA HISTÓRIA SIGNIFICA QUE ELA É IMPORTANTE.


Antes do Amanhecer

Por Yuuki ai

Capítulo VII – Rastro de lágrimas

"Em um mundo onde existem anjos e demônios, você não pode me pertencer, ainda que eu te deseje." Pain

Flashback

"O sol estava se pondo tingindo o horizonte com cores vivas nos tons rosados, alaranjados e avermelhados. A brisa cálida abraçava os dois corpos que estavam sentados no banco de mármore a sombra da cerejeira observando os últimos raios de sol do dia.

A garota dos cabelos azulados sorria afetuosa para o rapaz a seu lado que a observava. Konan estava ocupada demais admirando as ladeiras e o lago muito a frente onde um grupo de mulheres estava lavando algumas roupas e crianças brincavam correndo atrás umas das outras.

- Algum dia.. Você já foi assim? – Perguntou ainda sorridente, mas agora encarava os olhos apáticos do líder.

Pain olhou para ela ainda com os pensamentos vagando ao longe e seus olhos mudaram de frios para acolhedores.

- Um dia. – Respondeu voltando a encarar o sol que já tinha se esvaído por completo dando lugar a lua cheia.

Tremeu involuntariamente pela brisa que passou balançando os cabelos e agitando as flores jazidas no chão a seus pés levando-as para longe numa dança sincronizada. O ruivo olhou para a garota que fechou os olhos um pouco acuada com a face serena.

Abriu a capa dando um espaço para a garota, e puxou seu braço fazendo-a se assustar e corar ao chegar perto o suficiente para que ele passasse os braços por seus ombros. Konan aconchegou-se mais a proximidade e encostou o rosto no peito másculo emoldurado pela camiseta de redinhas.

Inalou o cheiro gostoso emanado da pele dele e suspirou deixando que a mente viajasse para kilômetros de distância dali, em um lugar onde os sonhos eram a realidade explícita.

O líder da Akatsuki observou o rosto da garota deitada sobre si e franziu as sobrancelhas, o que ele estava fazendo deixando com que ela se aproximasse? Ninguém jamais tinha conseguido contestar seu jeito frio e distante de ser, mas o que ela estava fazendo furando as barreiras?"

Flashback

"Encontravam-se no jardim de inverno. O ruivo organizava alguns papéis espalhados pela mesa, enquanto a garota estava sentada na poltrona com as pernas encolhidas e o queixo apoiado nos joelhos lendo um livro qualquer.

Já era madrugada e Konan insistira para ficar ali junto com o jovem, por seu aniversário de quatorze anos. Não mantinham exatamente um dialogo, Pain apenas se limitava a responder alguma pergunta que a azulada lhe lançava sem muita vontade, a presença dela o deixava extremamente irritado, e nem ele sabia o por que.

- Pain, quando eu poderei sair daqui? – Indagou abaixando o livro. – Quero dizer.. Sair para ir a algum lugar? – Sorriu se levantando para se sentar em cima da mesa de frente para o mesmo.

- Não pode sair daqui jamais. – Proferiu com uma irritação evidente. Largou os papéis sobre a mesa e virou um pouco o rosto para a esquerda encarando os grandes e suplicantes orbes azulados.

- Por favor... – Pediu com a voz embargada de choro. Viu o líder revirar os olhos em um sinal de rendição, e sorriu de leve.

Começou a observar a face do ruivo cuidadosamente, e contou quantos piercings o mesmo tinha no rosto, como seria ele sem nenhum deles? Tocou o que ele levava abaixo dos lábios inferiores. Pain arqueou uma das sobrancelhas diante do toque suave.

- O que tanto olha? – Perguntou tirando a mão dela de seu queixo provocando um certo formigamento.

- E quando eu poderei ter um desses? – Sorriu divertida diante da expressão fria como gelo ser quebrada por uma surpresa quase tangível.

- Nunca! – Disse parecendo um pouco alterado, onde aquela menina estava com a cabeça querendo colocar um piercing com quatorze anos?

- Por Favor... – Usou o mesmo artifício de antes com o rapaz. Mas dessa vez ele pareceu não se importar com a voz embargada de choro.

- Não.

- Pain-sama... – Suspirou virando-se para a estufa observando o próprio rosto no vidro. Alguma cosia faltava ali, e ela queria algo que pudesse complementar. – Eu quero um!

O rapaz largou novamente os papéis que tinha voltado a examinar e abaixou a cabeça massageando as têmporas. Era um gesto que ele andava fazendo muito desde que a garota fora morar com eles a um ano.

- Você tem quatorze anos garota. – Tentou persuadi-la.

Konan voltou-se para ele sentando-se novamente na mesa mas dessa vez bem em frente ao jovem que a encarava seriamente com o cenho franzido. Ela era muito abusada.

- E você tem dezoito. Pelo tanto de piercings que você tem, acho que não colocou muito mais velho do que eu. – Retrucou com as bochechas coradas em irritação.

- Você é você, e é uma pirralha. – Murmurou voltando-se para os papéis dos quais ela tinha se sentado em cima.

A adolescente bufou aborrecida diante das palavras dele, não era nenhuma pirralha. Sabia como provoca-lo perfeitamente.

- Se você não colocar em mim, eu peço para Tobi nii-san, tenho certeza que ele faria. – O Akatsuki voltou os orbes negros para ela e os fechou diante da face desafiante e risonha de Konan.

- Em três dias. – Sussurrou cansado ainda de olhos fechados. O rosto corado da jovem iluminou-se e num ato inpensado abraçou-o com força enterrando os cabelos cheirosos no rosto sem expressão do líder.

- Obrigada Pain-sama! – Disse em meio às risadinhas. O mesmo permaneceu sem ação, apenas envolvido pelos braços pequenos. Sentiu-se estranhamente satisfeito por tê-la feito sorrir, depois de ser sempre muito duro com a mesma.

E três dias depois, Konan estava reclamando pela casa da dor abaixo dos lábios por não conseguir nem ao menos falar direito devido ao inchaço, o que deixou a maior parte da organização extremamente aliviada e feliz."

- Pain! – Praticamente gritou uma voz máscula a sua frente. E como se saísse de um transe, olhou para o homem que o encarava com a expressão impassível, mas ainda sim um pouco preocupada com o estado do líder.

- O que quer Itachi? – Perguntou impaciente. Virando-se para encará-lo. Itachi apontou para a mão do líder que tinha um canivete, e respingava sangue. – O que? Mas que merda! – Vociferou enquanto largava o canivete que estivera segurando com tanta força na mesa levantando-se para pegar alguma gase no quarto.

Itachi o seguiu pelo corredor sem dizer nada. Naquele momento era bom que não dissesse nada estúpido em relação ao envelope que Pain acabara de receber. Encarou o papel em suas mãos e adentrou o aposento.

O líder estava sentado na cama enrolando a mão na atadura enquanto encarava o Uchiha friamente.

Merda de machucado, merda de memórias, merda de Konan que não saía de sua cabeça.

- Não vou repetir a pergunta. – Disse ainda não tirando os orbes dos olhos rubros do rapaz.

O Uchiha mais velho era realmente um assassino magnífico. Manipulava sentimentos de tal forma, que era quase imperceptível – menos para Madara e Pain – ver qualquer emoção que ele demonstrasse sem ter que dizer palavra alguma. Havia aniquilado a família inteira – exceto Madara e Sasuke – somente para poder entrar na máfia e fazer parte daquele "Inferno".

Era do conhecimento de todos que Madara e Itachi eram da mesma família, eram primos. Ainda que não fossem próximos, Madara havia fugido quando a guerra contra Itachi se iniciara, não queria fazer parte daquela merda de organização, mas no fim, acabou não tendo escolha quando foi posto na parede por Itachi. Ou entrava, ou morria.

Também havia deixado para trás o querido irmão mais novo. Que se tornara um dos maiores traidores da Máfia se juntando a cobra que sempre esteve a espreita querendo o poder em suas mãos. Desejo que sempre lhe fora negado desde que havia idade suficiente para assumir todo aquele império.

Orochimaru acabaria com tudo que eles haviam levado séculos para construir em alguns meses. Suas formas de se conseguir algo a força, eram totalmente fora do comum. Que tipo de pessoa realiza experiências com pessoas do mesmo gênero? Que tipo de pessoa depravada e insana tinha em mente criar exércitos de andróides a base de corpos humanos? Era uma idéia totalmente fora de cogitação.

Podia ser dono de uma mente brilhante, mas com certeza seus desejos e ambições eram capazes de superar qualquer inteligência.

O moreno apenas estendeu a ele um envelope vermelho sangue com o carimbo de uma cobra. Pain franziu as sobrancelhas ao notar o objeto.

- De onde veio isso? – Indagou visivelmente irritado.

- Estava jogado no chão da sala. – Respondeu friamente. Entregou nas mãos do líder o papel, e dirigiu-se para a porta. – Preciso ir. Sakura esta me esperando. – A porta foi batida com alguma força.

O líder continuou encarando a porta. Então alguém tinha mesmo conseguido ganhar o coração do frígido Uchiha Itachi. A moça dos cabelos róseos devia ser realmente habilidosa, pois ele jamais havia visto mulher alguma - a não ser prostitutas - que tivesse ousado chegar perto do rapaz. Mas afinal, até os assassinos se apaixonavam. Não importando que fossem. Pain era a prova viva.

Voltou-se para o envelope em suas mãos e o abriu sem cautela alguma retirando de dentro dele um papel branco dobrado perfeitamente. Abriu-o e observou a caligrafia caprichada de Orochimaru.

"Nossas dúvidas são traiçoeiras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.

Tentaria você me matar Pain quando eu possuísse seu bem mais precioso?

Orochimaru."

- Desgraçado. – Murmurou jogando o papel sobre o lençol negro de seda.

Levantou-se indo para a porta rumando para o jardim de inverno. Precisava ligar para Kakashi. Necessitava de novas informações urgentemente. Com passos rápidos chegou ao local desejado abrindo a porta com um estrondo.

Sentou-se na poltrona vermelha de sempre e encarou o próprio telefone apertando a discagem rápida. Logo uma voz perceptivelmente cansada atendeu o telefone como se já esperasse.

- Kakashi. – Sibilou entre os dentes.

- Recebeu mais uma não é mesmo? – Indagou o homem de cabelos prateados do outro lado da linha suspirando.

- Como sabe? – Questionou impaciente.

- Recebi também. – Disse como se explicasse algo para uma criança pela milésima vez. - Isso está ficando cada vez mais perigoso. – Completou num tom mais sério.

- Preciso de mais informações, quero saber onde esse porco está, antes que algo mais grave ocorra.

- Preocupado Pain? – Do outro lado Kakashi sorriu ternamente vendo em Pain a mesma preocupação que ele já tivera anos atrás com a amada Rin.

- Talvez. – Admitiu enfadado. – Sinto que ele esta cada vez mais próximo de fazer algo contra ela. E isso eu não permitiria. Não novamente. – Cerrou os orbes negros.

- Acho que gostaria de saber como ela está, certo?

- Não posso ir até lá. Quero que ela quebre os seus laços comigo. – Respondeu firme.

- Mas o que acontece se você não quiser quebrar os seus com ela?

- Isso não importa. – Tentou em vão mentir, era claro que importava, e muito.

- Nesse caso, mandarei Madara verificar, aproveitando que tenho dívidas com uma certa pessoa em Londres. – A voz ficou atroz.

- Contrabandistas? – Questionou.

- Certamente.


Na manhã seguinte o Akatsuki estava pronto para embarcar no jato particular de Kakashi que tinha conseguido permissão especial para sobrevoar naqueles dias nublados que começaram a se estender pelos céus do Japão.

Eram aproximadamente quase dez da manhã e o vento soprava gélido nos rosto do rapaz que tinha os cabelos esvoaçados pronto para adentrar a nave, apenas esperando os últimos contatos do piloto Yamato com a central.

Com passos lentos adentrou a nave jogando-se em uma das poltronas confortavelmente macias e relaxou os músculos suspirando. Um sorriso tingiu-lhe os lábios. Notícias de Konan eram sempre boas, ainda mais com ele indo visitá-la.

A nave decolou alguns minutos depois alçando vôo no céu que parecia esfumaçado como em algum desenho. O avião perdia-se em meio às cores acinzentadas e o balançar do jato era leve. Já havia soltado os cintos e agora observava janela a fora o avião pairar sobre as nuvens espessas.

Tudo parecia maravilhosamente pequeno de onde estava. Voltou-se para o interior e aconchegou-se mais ao assento ligando a pequena tela instalada na poltrona a sua frente, e foi até o frigobar servindo-se de uma dose dupla de Whisky. Suspirou cansado e alargou a gravata no pescoço, jogou-a em um canto qualquer do local, aquelas vestes definitivamente incomodavam. Queria poder vestir sua capa preta.

Acabou adormecendo, entregou-se a um sono sem sonhos, um sono tranqüilo. Quando deu por si e piscou os orbes escuros algumas vezes, o avião já havia atravessado o oceano como era indicado no painel com o mapa. Tinha apenas mais cinqüenta minutos de viajem para pensar.

Algum tempo depois, o aviso para colocar os cintos acendeu-se indicando que os solavancos pelo pouso se inciariam, aquela era a única parte ruim daquele meio de transporte, todo aquele chacoalhar que a aeronave produzia quando tocava o chão nada discreta.

Desceu assim que a permissão lhe foi dada e adentrou o aeroporto abarrotado, eram mais de meio dia, estava com um leve desconforto de fome lhe preenchendo o estômago. Tomou um táxi o mais rápido que pôde entregando ao senhor de cabelos grisalhos o endereço do colégio da garota.

O táxi permaneceu rodando por algum tempo, tentando se livrar do trânsito que atrasava e o fazia cobrar tarifas mais caras – O que na maioria das vezes não era aceito pelos clientes. – gerando no jovem uma inquietação constante.

Arrumou a gravata novamente ajustando o colarinho. A mistura perfeita, terno grafite escuro, camisa branca, e gravata preta. Suspirou encarando desinteressadamente o movimento na parte exterior do veículo. O Sol se chocava com a pele das pessoas dando a elas um leve brilho corado. Notou que onde quer que fosse, se qualquer pessoa colocasse um dos pés para atravessar as ruas, o trânsito todo parava esperando com que passassem.

E após mais alguns quartos de hora, finalmente estava em frente ao seu destino, o Institute Professional Academic. Pegou sua pequena mala para apenas uma noite, e adentrou as portas do grande colégio.

Uma senhora dos cabelos grisalhos e sorriso juvenil sorriu-lhe ao abrir a porta, e logo seguiu para a secretaria do colégio. Parou em frente ao balcão esperando por alguém. Quando percebeu que todas as moças ali presentes olhavam para ele - inclusive as secretarias - tratou de dar um pigarro como se limpasse a garganta, o que foi suficiente para que elas acordassem de seus devaneios que envolviam na maior parte, ele sem roupas com qualquer uma delas rolando por uma cama.

- Posso ajudar senhor? – A voz feminina entrou pelos ouvidos. Quando encarou a morena, esta lhe sorria formalmente. Não parecia estar sonhando, e se estivesse, sabia disfarçar muito bem, devia ser a experiência.

- Estou procurando Mikuyashi Konan. – Respondeu com um meio sorriso.

- Claro senhor... ? – Parou diante da falta de informação.

- Uchiha Madara. – Proferiu a voz grossa do rapaz.

- Sim Sr. Uchiha. – Saiu da parte de trás do balcão e fez um gesto para que ele lhe acompanhasse. – Por aqui. – Disse com um sorriso tímido pintando os lábios rosados.

Seguiram em silêncio até chegarem em frente a uma sala ampla perfeitamente iluminada. A morena encaminhou-o até um dos sofás e fez com que ele se sentasse. Questionou se ele gostaria de beber algo, mas o Akatsuki negou.

- Preciso de um favor. – Soltou rapidamente.

- Sim senhor, o que deseja? – Indagou a jovem.

O rapaz ergueu-se do sofá sussurrando-lhe algumas palavras ao ouvido. A moça expressou espanto, mas logo fez uma reverência e saiu caminhando pelo corredor com o barulho dos sapatos estalando. Iria voltar com Konan assim que a encontrasse.

Quando a secretária já estava bem longe, levantou-se do sofá indo até a janela encarando a paisagem ali proporcionada. Viu algumas garotas com uma saia de uniforme minúscula para o que deveria ser considerado decente. Mais ao longe, avistou um grupo de garotos que pareciam jogar algum esporte, e como sempre, havia dois brigando com uma irmã tentando em vão separá-los.


Estava revisando as anotações das aulas de química. Era mais difícil do que havia previsto. Não imaginava que professores particulares seriam tão mais atrasados do que uma escola comum, mas pensando bem o IPA não era um colégio comum.

Suspirou irritada por não conseguir entender como se fazia aquele exercício. Queria mandar a escola para o inferno e ficar apenas dando uns bons beijos e amassos em Nagato. Sim, aquela seria uma boa idéia. Sorriu maliciosa pensando nisso enquanto o lápis era levado a boca passeando pelos dentes enquanto ela o mordia inconscientemente.

Tinha sido a opção certa dar uma chance a Nagato, afinal, o ruivo fazia o possível e o impossível para vê-la feliz. Chegava a ser exageradamente estranho. Nunca havia recebido aquele tipo de atenção. Chegava a ficar até envergonhada por não saber se portar normalmente perto dele.

Afinal, a sua experiência era a de implorar por afeto, não recebê-lo toda vez que visse o rapaz. Uma gota se formou na parte lateral de seu rosto, ela tinha muito que aprender, tinha que aprender a se portar com um garoto normal.

Sua linha de pensamentos foi interrompida por batidas na porta do quarto. Achou estranho, afinal, a algumas semanas tinha sido designada para o dormitório solitário. Pois as companheiras alegavam que Konan era demasiado fechada e estranha, além de ser mais bonita que as outras três juntas, completou em pensamento.

Destrancou a porta e sorriu falsamente quando a secretária da escola a olhou meio vacilante. Shizune agarrou a barra da saia e um sorriso bobo pintou-lhe as faces.

- Konan, a senhorita tem uma visita! – Disse mais animada que o normal. Konan não entendeu muito bem o porquê daquele tom com ela, o que tinha demais receber uma visita?

- Quem é Shizune? – Indagou encostando-se ao batente da porta cruzando os braços no peito.

- Um rapaz moreno e muito bonito. – Respondeu com um brilho sonhador pintando-lhe os orbes negros.

Tinha pena de Shizune, era uma boa moça. Mas o trabalho a consumia, pois fazia suas obrigações além de ter de fazer das outras funcionárias desleixadas e preguiçosas. Não tinha muito tempo para namorar, embora sempre suspirasse quando encontrava um casal de alunos se beijando por algum dos corredores da instituição.

- Moreno? – Ponderou alguns minutos com um dos dedos tocando os lábios enquanto encarava o teto. Sorriu consigo mesma, só poderia ser Madara. – Madara! – Gritou enquanto arqueava as sobrancelhas.

- Isso mesmo, esse era o nome dele. – A outra concordou. - Vamos? Ele te espera na sala de visitas, disse que precisava te ver.

Konan trancou a porta do dormitório e disparou pelo corredor no encalço da secretária. O que deveria ser tão importante ao ponto do rapaz ir vê-la em outro País? Saudades? Não era possível.


Andava pelas sombras dos corredores intimidando qualquer pessoa que ousasse passar por seu caminho. Passos apressados do sapato estalando no piso eram os únicos sons naquele corredor. Era horário de aulas, e não tinham alunos corajosos o suficiente para burlar as regras do colégio para passearem livremente pelo corredor matando aulas.

Precisava agir rapidamente, não tinha todo o tempo do mundo para designar a tarefa que lhe havia sido dada. E para ela precisaria daquele ruivo estúpido, cego e manipulável que era próximo o bastante de Konan, de que outra maneira a convenceria de que Pain era um miserável?

Estancou em seu lugar no corredor ao passar por uma porta com uma pequena janela de vidro. Abaixou-se cautelosamente e cerrou os olhos para poder visualizar o corpo dentro da sala. Surpreendeu-se ao ver uma figura masculina de costas para a porta observando a janela calmamente.

Não podia ser. Ia se levantando enquanto se preparava para tocar a maçaneta, mas passos muito próximos de onde estava foram ouvidos vindo em sua direção, e praguejou por não poder surpreender o homem. Ocultou-se na sombra que separava os corredores, correndo na mesma direção de onde tinha vindo um pouco antes.

Konan olhou na direção do corredor escuro a sua frente e jurou ter ouvido e visto algo correndo pelas sombras deste. Estava ficando louca só podia, era horário de aulas, não tinha como ter alguém espreitando aquele corredor.

Ainda sim, uma pequena dúvida em ter visto alguém não lhe abandonou os pensamentos até Shizune os interromper com um sorriso malicioso no rosto, o que aquela funcionária estaria insinuando?

- Bom, eu acho que aquele rapaz deve ser seu namorado, vou deixá-los a sós. – Sorriu enquanto tava um tapinha no ombro de Konan que a fitava confusa. – Se comporte senhorita. – Deu uma piscadela para a garota e saiu andando na mesma direção de onde haviam vindo.

Antes que Konan pudesse sequer dizer algumas palavras, a morena já havia desaparecido no corredor. Antes de olhar para a janelinha de vidro, suspirou cansada olhando para os próprios pés. Tinha que estar feliz em ver Madara, afinal, ele era um dos únicos de demonstrava se preocupar por ela.

Tocou a maçaneta levemente e empurrou a porta revelando o interior da sala. Era grande e espaçosa. Tinha dois sofás de um lugar um de frente para o outro e um sofá de três lugares entre os dois. Eram todos de um tom arenoso. As paredes eram brancas, e uma grande mesa oval de madeira estava no outro lado da sala sendo ornamentada por oito cadeiras. As janelas davam uma luminosidade natural ao local deixando-o aquecido e aconchegante.


Olhava para a escuridão a sua frente observando ao longe um tanque enorme onde corpos boiavam em um líquido muito estranho. Sorria consigo mesmo pensando no quanto a idéia era boa. Com certeza ele não teria chance quando resolvesse contra atacar.

Digitou alguns códigos no computador ao seu lado fazendo as luzes do tanque apagarem-se enquanto rumava para fora do laboratório com os olhos fechados. Os cabelos balançavam ao lado do corpo franzino.

- Senhor. – Chamou um subordinado vindo da direção que ele tomava.

- Diga. – Respondeu seco intimidando o homem que o encarava temeroso.

- Ligação. – Disse apenas estendendo o aparelho de última geração ao chefe.

Ele já imaginava quem poderia ser. Atendeu sem vontade o telefone e a voz soou no silêncio dos corredores subterrâneos.

- O que quer?

- Um deles está aqui. – A voz parecia surpresa.

- Como? – Pensou não ter entendido muito bem o que o jovem dissera, não era possível que tivesse a par de algo era?

- Está aqui no instituto. Será que descobriram algo? – Indagou ansioso.

- Provavelmente não, mas fique na cola, espreite, quero saber ainda hoje, ou no mais tardário amanhã o porquê da visita. Eu não esperava por ela. – O homem passou a mão pelos cabelos nervosamente e desligou o telefone sem ao menos se despedir. A irritação o fez pegar uma arma que estava escondida por dentro das vestes e dispara-la com toda fúria na cabeça do empregado sem ao menos olhar para ele.

Aqueles desgraçados não tinham como saber, não era possível, de onde eles teriam arrancado informações?


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Continuou encarando o chão até ter coragem o suficiente para erguer os orbes azuis, afinal por que estava hesitando tanto? Por que tinha tanto medo de levantar o olhar e fitar Madara?

Talvez estivesse com vergonha de olhar para o mesmo depois de haver dito diversas vezes que amava Pain e agora estava lá, como uma vadia se atracando com outro.

Suspirou e por fim ergueu os orbes oceânicos que chocados instintivamente se romperam em lágrimas grossas e pesadas. Não havia uma figura morena ali. Somente uma figura de cabelos ruivos dentro de um terno parado de costas para ela.

Era como se todas as suas memórias voltassem para sua mente em um baque o qual não estava preparada para receber. Ofegou quando percebeu que havia esquecido de respirar e as sobrancelhas se franziram juntamente com o cenho, dando a ela uma carranca nada amigável.

Shizune havia a enganado? Provavelmente a idéia não deveria ter sido daquela mente boba da mulher. Só não entendia o porquê. Tinha ele medo de que ela não quisesse a visita caso soubesse que era ele? E sim, isso de fato ocorreria.

Tentou dizer algo, mas a tensão do momento a engoliu e dominou sem pedir permissão alguma. Sentiu as pernas fraquejarem e o ar lhe escapar novamente dos pulmões quando o ruivo se virou para fita-la, agarrou-se a mesa encostando-se a ela para não tombar no chão diante da dormência que suas pernas demonstravam.

Aqueles orbes negros penetrantes estavam olhando para as lágrimas de Konan esperando para quando ela gritasse seu nome e corresse em sua direção o abraçando.

Surpreendeu-se quando ela não se moveu e apenas proferiu:

- O que faz aqui? – Indagou visivelmente irritada diante da aparição repentina do ruivo.

Quando finalmente seu subconsciente e principalmente seu consciente estavam começando a fazer o trabalho de repudiar e odiar Pain, ele como se pressentisse que ela o estava deixando para trás, voltava para assombrá-la novamente.

- Não te devo respostas. – Retrucou grosso olhando para a jovem encostada a mesa de mogno.

Por trás daquela máscara agradecia aos céus por ela estar bem, por ver que o namoradinho de quem Madara lhe falara ainda não houvesse feito mal algum a ela. E talvez nem fosse fazer, ele que estava se precipitando deixando seu subconsciente achar coisas a respeito da vida da garota.

Encarou a mesa onde estava e depois olhou em volta sorrindo negativamente enquanto balançava a cabeça no mesmo gesto. Por fim, olhou diretamente naqueles olhos negros que já havia tanto adorado.

- Quem você pensa que é para vir atrapalhar a minha vida? – Aquelas palavras foram cuspidas com agressividade para o rapaz a sua frente. Quem ele pensava que era? Oras, ele era simplesmente alguém que estava apenas tentando manter a segurança daquela mal criada.

- Quem você pensa que é para falar assim? – Os olhos encararam-na frios tentando ler por trás daquele brilho irritado que ela exalava.

- Alguém que finalmente conseguiu ver todo o mal que você causou. Alguém que sofreu na sua mão perdendo tudo o que tinha! Alguém de quem você levou toda a felicidade! – Pausou e tomou ar percebendo que estava se descontrolando. - Alguém de quem você matou os pais diante dos olhos sem escrúpulo algum! É isso que queria ouvir? – Hostilidade e cólera expressadas nas palavras da adolescente enquanto as lágrimas continuavam a rolar pelo rosto bonito.

O ruivo a princípio não entendeu o que ela queria dizer. Konan nunca havia dito aquele tipo de atrocidade, nem nos dias seguidos à morte dos pais. Ela nunca havia realmente expressado aquele... Ódio. Ponderou o porquê daquelas palavras. O que ela tinha?

- Quero que você saia da minha vida. – Nenhum indício de tristeza diante daquelas palavras, e já não tinha nenhum brilho lacrimoso nos orbes cerúleos. Nada. Konan estava no todo, vazia. – Agora! – Encarou-o com as safiras flamejando de raiva por trás daquela máscara.

- Tudo isso é culpa do seu novo namoradinho? – Inquiriu com o ego claramente ferido. Para a azulada expressar todo aquele ressentimento, o rapaz que ganhara seu verdadeiro coração deveria ser no mínimo muito.. Digno.

- Como sabe do.. – Ia dizer o nome, mas refreou-se surpresa por saber que Pain tinha conhecimento de Nagato. Como? Só podia ter uma explicação. Madara.

- Não tem haver com você. – Pronunciou fria com os orbes cerrados. Continuaram se encarando por longos minutos. Pain jamais imaginaria que ela o receberia daquela forma, imaginou beijos, abraços, sussurros apaixonados... Não fazia idéia de que ela não iria querer vê-lo, que ia apresentar tanta resistência a ele.

A azulada virou-se para ir em direção a porta quando ouviu os passos masculinos atrás de si.

- Não quero que me siga. Vai pro inferno seu desgraçado! – Gritou antes de correr em direção ao próprio dormitório.

Suas pernas eram apressadas, como se tivesse medo de ser alcançada por aquele.. Assassino, embora soubesse que Pain jamais faria algo contra ela. Não ligava para quem ele já havia sido em sua vida, não ligava para como se sentia somente de estar perto dele, ou de como um dia fora boa a sensação de sentir abraçada por aqueles braços fortes, e talvez até... Amada. Besteira, quem Pain amaria além do próprio ego e do gosto em ver o sangue de suas vítimas? Ela que não.

Havia ficado tão perdida em seus pensamentos, que quando notou estava parada diante da porta do próprio dormitório. Era horário de aulas, e não havia ninguém por ali. Encostou-se a parede ofegando enquanto curvava a cabeça para trás e fechava os orbes. Como havia sido estranho negar Pain enquanto o mesmo estava bem a sua frente!

Bruscamente sentiu-se ser prensada a parede por um corpo maior e mais forte. Uma das mãos ásperas estava pousada sobre a cintura de Konan, puxando-a para perto impedindo que se afastasse, e a outra estava tocando levemente o pescoço da colegial. Os lábios do ruivo roçavam o lado direito do maxilar da jovem, chegando perigosamente perto do lóbulo da orelha sussurrando algumas palavras num timbre rouco.

- Duvido que ele possa te fazer gritar como eu posso. – Beijou-lhe de leve o espaço atrás da orelha e deleitou-se ouvindo um suspiro da jovem. – Duvido que ele possa te fazer sentir assim... – A mão antes no pescoço desceu para a coxa, infiltrando-se dentro da saia para apalpar a tez macia das nádegas. – Duvido que ele te faça suspirar, ou gemer tão alto. – A mão escorregou para a parte da frente alcançando a feminilidade tocando-a timidamente a princípio. – Duvido que ele possa te fazer ser uma mulher de verdade. – Continuou proferindo, mas dessa vez, contra os lábios macios e entre abertos.

Konan o olhava com um misto de raiva, excitação, medo, e desejo. Por mais que quisesse parecer que não queria aqueles toques, ela sabia que seu corpo clamava por outra coisa. Queria odiá-lo e repudia-lo como havia conseguido estar fazendo nas últimas semanas, ou pelo menos havia se esforçado e conseguido um pouco de resultado. Mas com ele ali, acariciando-a daquela forma tão profana, tão impudica, a fazia mandar seus pensamentos coerentes para o inferno. Não queria saber de odiá-lo, queria que ele a possuísse!

- N-não me toque.. – Tentou ainda ser um pouco racional quando percebeu o rumo dos próprios pensamentos. – Fique longe de mim... – Suspirou quando os lábios foram tomados para um beijo. Pain não era carinhoso. Suas línguas se enroscavam numa carícia lasciva e sem pudor algum. Estavam famintas, e a única coisa que podia saciá-las, eram uma a outra.

A azulada fechou os orbes com força mentalizando para que aquilo fosse apenas um sonho. Mas ao perceber a umidade em suas partes baixas, percebeu ser muito real. Em um gesto de resistência ao que viria a seguir, mordeu a língua do ruivo, não com muita força apenas o suficiente para que ele a soltasse.

Abriu a porta de seu quarto passando para dentro rapidamente enquanto Pain reprimia a expressão de dor. E antes que pudesse batê-la com toda a força, uma mão a segurou fazendo força para que ela se abrisse. Ele não desistiria tão fácil de Konan.

- Não vai fugir. – Pronunciou pelos lábios um pouco molhados pelo pouco de sangue que escorria de sua língua. Adentrou o quarto olhando-a seriamente enquanto trancava a porta. Konan encolheu-se quando ele chegou perto.

- Não me toque! – Disse em voz alta quando ele a puxou para si. E suas barreiras de resistência foram caladas pela boca ansiosa do Akatsuki. Konan ainda se debatia nas mãos fortes do ruivo que se fechavam ao seu redor não permitindo que escapasse.

Pain separou-se dela apenas para olhar nos orbes azulados por alguns instantes.

- É isso que quer? Se quiser, eu irei embora. – Sussurrou por fim diante da expressão confusa de Konan. Ela tinha as maçãs um pouco coradas e os cabelos levemente bagunçados. Os orbes oceânicos se encheram de lágrimas ao constatar que nem ela mesma sabia o que desejava.

- Eu queria seriamente te odiar Pain... Você me faz mal! – Murmurou com a voz extremamente baixa. – Você.. Tirou meus pais, eu corri perigo por sua causa, você conseguiu me fazer te amar quando eu não consegui fazer o mesmo, e eu percebi o quanto isso era um fardo para você. – Abaixou a cabeça não querendo fitar aqueles orbes negros penetrantes. – Eu só não consigo...

Surpreendeu-se ao sentir que ele a apertou mais contra si, e tomou sua boca novamente. Não num beijo lascivo. Mas numa carícia calma. Ele explorava cada canto da boca pequena sem resistência alguma de Konan. Estava rendida. Havia decidido que se preocuparia depois, naquele momento era melhor que aproveitasse o que seu subconsciente lhe dizia que era o certo.

Uma das mãos masculinas entrou um contato com a maciez da pele alva da barriga lisa, desabotoando aos poucos os botões da camisete que ela usava. Explorava sem pressa alguma a região apenas com os dedos, e a cada novo roçar, podia sentir a garota se arrepiar diante do toque.

Não entendia o porquê de estar fazendo aquilo. Não era justo com Konan, ela estava confusa. E no seu interior, sabia que o melhor para ela, era com certeza longe dele. Mas todas aquelas ameaças que ele andava recebendo... Tudo só ajudava para que ele quisesse mantê-la estreitada em seus braços. Para que ninguém pudesse arrancá-la dele.

Sentou-a na escrivaninha ao lado da cama encaixou-se em meio as pernas longas e firmes. Uma das mãos puxava a cintura para perto, e a outra explorava a tez por baixo da saia de pregas. Sem se conter, Konan puxava aqueles cabelos cada vez mais para perto rodeando seu pescoço com os braços.

Saudades, como aqueles corpos haviam sentido falta de tal toque.. Como desejaram por noites e noites ter novamente aquele calor gostoso emanado um do corpo do outro... E agora estavam saciando o desejo que os havia consumido a muito.

Konan ainda não entendia muito bem o que estava fazendo. Cedendo mais uma vez a aquele que a magoaria e não dando devida importância ao fato. Pain era mesmo capaz de fazê-la esquecer a própria raiva que demorou a cultivar.

Desceu os lábios ansiosos para a pele macia do pescoço deixando marcas arroxeadas que anunciavam que ela era DELE, e de mais ninguém. A jovem soltava gemidos baixos e cada vez mais extasiados. Jogou a cabeça para trás e apoiou uma das mãos na mesa enquanto a outra se encarregava de puxar o líder para mais perto, esse havia descido mais um pouco e explorava o busto emoldurado pelo sutiã branco.

A cada movimento, sentia o membro se alterar mais um pouco, latejando de dor. Konan sentia algo sendo friccionado aos poucos em sua feminilidade ainda coberta pelo fino tecido.

- Diga o nome dele pra mim... – Sussurrou o ruivo contra o zíper para abrir a saia.

- Hmm... – Gemeu baixinho em total rendição aos carinhos do ruivo. Apertou-lhe os ombros com as unhas provocando marcas avermelhadas na pele pálida.

Sorriu maliciosamente satisfeito, Konan estava pensando apenas nele. Não tinha mais nenhum bastardinho ocupando nenhuma parte dos pensamentos. Continuou trilhando sua linha de beijos por todo o corpo feminino.

Algumas horas depois, Konan acordou sobressaltada. Olhou em volta e verificou que estava em seu quarto. Sorriu levando uma das mãos à testa. Por um minuto pensou ter mesmo visto Pain no colégio, e pensou que ela tinha mais uma vez cedido a ele.

Assustou-se quando uma voz tremendamente conhecida chamou-a fazendo com que ela abandonasse seus devaneios e olhasse para seu corpo. Estava nua, não fora somente um sonho.

- Konan. – Chamou novamente. A garota ergueu os orbes e o encarou chorosa.

- Não devíamos ter feito isso... Eu... Eu... – Tentou formular palavras de arrependimento para dizer ao ruivo sentado na cadeira da escrivaninha em frente a ela, no entanto, não conseguia achar nenhuma.

Mas algo a fez se lembrar do por que deveria se arrepender. A culpa a inundou quando lembrou-se do namorado que ela tinha traído.

- Nagato! – Gritou levantando-se em busca de suas roupas fazendo com que as lágrimas que antes molhavam seu rosto espalhassem-se pelo chão. – Que horas são? – Perguntou aflita para o líder que a encarava confuso.

- Quase sete e meia. – Murmurou com a voz fria de costume.

- Ah meu Deus, estamos atrasados meia hora! – Gritou puxando Pain para que ele se levantasse. Terminou de abotoar a camisete e foi correndo para o banheiro tentando arrumar os cabelos um pouco bagunçados.

- Para que? – Questionou Pain encostado a porta de braços cruzados observando-a com cautela.

Konan havia esquecido as lágrimas de antes, e agora terminava de arrumar-se. Não queria sentir culpa quando se encontrasse com Nagato, e muito menos queria que ele e Pain se matassem. Estava confusa, bem mais confusa do que antes da visita inesperada de Pain.

- Te apresentar a Nagato. – Sorriu marota diante da expressão séria sendo quebrada por duas sobrancelhas levemente arqueadas.


O ruivo e a azulada andavam apressadamente pelos corredores da escola. Konan puxava a manga do terno quando Pain começava a enrolar um pouco não querendo ir ao encontro com o namorado da jovem. Revirava os olhos demonstrando uma expressão de tédio a cada palavra que ela mencionava sobre Nagato.

O líder parou em frente a uma sala e quando olhou de relance pelo vidro, pareceu avistar uma cabeleira acinzentada presa em um rabo de cavalo alto e um brilho de luz refletido de óculos. Colocou a mão na maçaneta e ia empurrar a porta quando Konan a sua frente viu que ele não a seguia e voltou correndo puxando-o.

- Vamos Pain! – Gritou fazendo força para mexer o corpo masculino. Pain olhou para Konan e franziu as sobrancelhas.

- Espere, tem algo que eu quero ver. – Sussurrou.

- Depois você vê! – Fez um bico e continuou a puxá-lo. O Akatsuki olhou novamente para a sala e não viu mais nada. Suspirou e se deixou ser guiado pela adolescente.

- Você vai adorá-lo! – Disse Konan animada enquanto continuava a puxá-lo para a porta do dormitório de Nagato onde ele os esperava.

Parou animada dando um selinho no namorado, e Pain fez uma careta de desagrado o que não passou despercebido por Nagato. Este sorriu para Konan e enlaçou sua cintura trazendo-a para perto afastando-a do Akatsuki.

- Pain, este é Nagato. – O líder da Akatsuki mediu rigorosamente cada parte visível do ruivo franzino a sua frente. O que ele tinha que Konan pudesse gostar?

Estendeu a mão para ele ainda com os orbes frios esperando intimidar o garoto que não pareceu ter efeito sobre aquele olhar destruidor.

Nagato não arregalou os orbes lilás em surpresa para manter a imagem distante. Nunca havia visto ninguém com tantos piercings espalhados pelo rosto, no nariz, nas orelhas, abaixo dos lábios... Chegava a ser intimidador somente na aparência, antes de conhecer a personalidade fria do Líder da Akatsuki. Ele devia ser um tipo de sádico que via prazer no sofrimento das pessoas, e devia matar sem escrúpulos. Somente pelo que Konan havia dito, os métodos dele não eram os mais "amigáveis".

Jamais imaginou que sentiria tanto ódio quando encontrasse com o homem de quem Konan tanto falava. Queria poder pular no pescoço dele, e arranca-lo junto com todas as veias para jogar aos corvos em um lixão qualquer. Esse tipo de pensamento nunca tinha rondado a cabeça de Nagato, ele não sabia por que, mas queria aquele infeliz morto, e faria qualquer coisa que estivesse a seu alcance para que aquilo ocorresse. E o mais rápido possível.

Pegou na mão do Líder segurando a fortemente como se fosse um gesto de afronta. Encarou os orbes lilás. Pain percebeu algo de errado. O que era todo aquele ódio nas íris de cor incomum? Arqueou uma das sobrancelhas e soltou bruscamente a mão do jovem voltando-se para Konan.

Colocou uma das mãos no ombro da garota e murmurou baixo mais suficientemente alto para que o namorado da mesma pudesse ouvir.

- Voltarei para Tókio amanhã de noite, se precisar, é só ligar. – Virou-se rapidamente para o garoto que ainda o encarava com os orbes em chamas. – Venho te pegar as nove para jantar.

- Obrigada senhor Pain, mas tenho certeza que Konan não precisará. – A garota beliscou-lhe levemente sorrindo nervosa diante da afronta com a qual Nagato estava revidando. Mas ele não se deixou calar. – Eu posso muito bem cuidar dela como venho fazendo há meses, diferente de uma pessoa. – Alfinetou ácido.

- Tenho certeza que essa pessoa moleque, teve seus motivos. – Por um minuto, a raiva estava lhe subindo a cabeça, Pain não era alguém fácil de perder a calma, mas aquele garoto, ele tinha alguma coisa que o instigava a se sentir um tanto ameaçado.

Podia não ser diretamente ele, mas e caso ele estivesse junto com Orochimaru para pegar Konan? Não se perdoaria se estivesse sendo tão burro ao ponto de cair naquele jogo. Não se perdoaria caso aquele rosto inocente – tirando os olhos – fosse tudo uma farsa. Não se deixaria ser enganado tão facilmente.

Deu as costas para o casal, e a passos largos, desapareceu na bifurcação do corredor em alguns segundos. A imagem de Pain saindo do local, fez com que um clima ainda mais tenso se espalhasse entre os dois.

Mais uma vez, Naruto Shippuden OST – Despair.

A azulada virou-se furiosa para Nagato fuzilando-o com o olhar. Suspirou e encostou-se a parede sentindo o garoto aconchegar-se ao lado dela se sentando enquanto abria os braços para que ela se juntasse a ele. Abaixou-se e se sentou ao lado do ruivo permitindo-se ser abraçada.

- Por que o provocou dessa forma Nagato? – Era evidente que ela estava magoada por mais que não conseguisse ver seu rosto de porcelana.

- Eu simplesmente não suporto a presença dele Konan... – Virou-se para ela afagando-lhe o rosto. – Eu vejo como você fica perto dele.. Ainda que você mesma não perceba. – Inclinou o rosto para beijar-lhe suavemente os cabelos. – Você parece conectada a ele de alguma forma estranha que eu não tenho experiência para descobrir. E ele também não fica para trás do modo com que a olha.

Então eram ciúmes da parte do garoto? Sorriu pesarosa soltando o ar aos poucos. Ajoelhou-se em frente a ele igual ao dia em que se conheceram. Inclinou-se um pouco apoiando as mãos nos joelhos dobrados do rapaz que a encarava absorto na beleza angelical.

- Me desculpe Nagato... Sabe que eu não posso evitar. – Algumas lágrimas escorreram pelo rosto bonito deixando um rastro – Por mais que eu goste de você, eu também ainda gosto de Pain, mais do que eu imaginava. – Apoiou a testa nos joelhos do garoto onde antes suas mãos estiveram e se permitiu chorar. – Me desculpe! Eu sou horrível. Foi apenas eu vê-lo para todo aquele inferno recomeçar.

Passou as mãos pelos cabelos dela acariciando os fios azulados enquanto reprimia suas próprias lágrimas. Fechou os orbes com força sentindo-se extremamente culpado diante do que estava fazendo.

- Konan, você quer parar de amá-lo por você, ou por ele? – Questionou olhando para um ponto vazio do corredor.

- Que tipo de pergunta é essa? – Ergueu os olhos para encará-lo.

- Apenas responda. Você quer parar de amá-lo, por que pensa que ele não se importa com você, e você é um fardo, ou esta fazendo isso porque acha que será o melhor para você? – Franziu o cenho limpando algumas lágrimas que ainda escorriam do rosto de sua pequena.

A pergunta a pegara de surpresa. Por quem estava querendo fazer aquele sacrifício?

- Não sei.. Acho que é mais por Pain. – Segredou com a voz muito baixa.

- Então, comece a fazer por você também. – Sorriu tímido quando Konan voltou os orbes cerúleos chorosos para ele.

- Obrigada Nagato!

Abraçou-o com força e ergueu o rosto o suficiente para roçarem os lábios numa carícia prazerosa que foi intensificada pelo jovem. Invadiu-lhe a boca reconhecendo-a, faziam alguns dias que não trocavam carinhos devido as aulas na parte da tarde e os exames que se aproximavam. Estavam em meados de Setembro e as provas do terceiro bimestre começariam em algumas semanas.

Soltou-se da azulada apenas para se levantar e puxou o corpo feminino junto ao seu encostando-o a parede cuidadosamente. Pressionou as formas masculinas contra as curvas e continuou de onde haviam parado o beijo.

Ao longe um par de olhos negros os observava. Aquilo estampado nas íris aborrecidas era ressentimento? Sentiu o corpo praticamente rugir para andar até lá e afastar a garota dos braços daquele desgraçado. Alguma coisa não estava certa com Nagato, e ele descobriria o que era.


Já havia ido ao hotel e naquele momento estava de volta ao colégio. Como prometido iria levar Konan para jantar em um dos restaurantes por perto para apreciar uma saída daquela prisão - como a mesma chamava - pela primeira vez em oito longos meses.

Havia ligado para a recepção do hotel avisando que o serviço de aluguel de automóveis iria deixar o veículo na rua a frente por volta das oito da noite.

Pegara o carro – Porsche Gemballa – E estacionou em frente aos portões de ferro do colégio.

Estava sentando na mesma sala de antes observando os detalhes de madeira do teto. Suspirou cansado massageando as têmporas. A dor de cabeça pela preocupação estava presente desde que pousara naquele maldito país.

Estava fazendo tudo errado. Primeiramente, ele não deveria estar ali. Deveria ser Madara em seu lugar, mas o moreno se recusara veemente a tirar os pés do país alegando que Kami estava dando a Pain mais uma oportunidade de se encontrar com Konan e ele não deveria desperdiçá-la.

Chegou a cogitar a idéia de mandar seu segundo melhor homem de confiança, Itachi, mas despediu-se da idéia quando o mesmo alegara que ele já tinha uma garota com quem deveria estar, e era Sakura.

Não queria pedir a mais ninguém daquela organização, excluindo completamente Deidara e Zetsu, sobrando assim: Hidan, Kakuzu, e Kisame. Nenhum deles era boa opção. Sabia que Hidan tentaria converter Konan na sua religião satânica e Kakuzu não se interessaria em saber o estado dela querendo apenas realizar a missão que lhe fora designada para conseguir sentir o cheiro do dinheiro. Ficava somente Kisame.

Por motivos óbvios ele não podia ser visto entre as pessoas normais. Kisame era fruto de uma experiência mal realizada de Orochimaru, assim como Zetsu. Ambos haviam fugido juntos das garras daquele monstro insano e haviam entrado na Organização com o propósito de vingarem pelo que seus corpos haviam virado.

Kisame havia sido fundido com genes de tubarões, gerando anomalias em seus dentes, pele e coloração, adquirindo dentes pontiagudos, guelras que não precisavam ser utilizadas e sua pele tinha uma estranha cor azulada.

Zetsu havia sido fundido com genes de plantas carnívoras gerando algo como uma proteção aos lados de sua cabeça que quando ameaçado, fechava-se instantaneamente.

Era horrível pensar no que Orochimaru era capaz de fazer. E não existiam apenas eles de cobaias. Nos desníveis subterrâneos do covil, havia um laboratório especializado no qual ele realizava as experiências com vítimas humanas. E pelos números que lhes foram designados na época em que estiveram em cativeiro – Kisame, 1234; Zetsu, 1657 – A essa altura, ele deveria ter milhares delas.

Afastou de sua mente certos pensamentos. Tinha algumas memórias que não gostaria de lembrar de Orochimaru. Seu corpo instintivamente tremia com o ódio circundando em todas as terminações nervosas.

Ouviu alguns passos pelo corredor e uma conversa em tom sussurrado. Ergueu uma das sobrancelhas não dando atenção alguma até ouvir um nome que lhe interessou, Konan.

Ergueu-se da poltrona onde estivera repousando o corpo e chegou perto o suficiente da porta para conseguir ouvir pelo vidro fino. Olhou discretamente pelo mesmo a figura esguia de Nagato bem à frente no corredor andando de um lado para o outro em gestos nervosos. Ele parecia estar suando frio.

Encostou-se a porta fazendo silêncio para captar informações.

- Nagato, é você garoto? – Perguntou a voz em um tom de deboche.

- S-sim senhor. – Gaguejou o rapaz arrancando de seu superior uma risada nervosa.

- O que tens para me dizer? – Esperou paciente pelo que o ruivo queria dizer, era algo urgente como outro de seus subordinados já havia avisado.

- Ele realmente está aqui. – Pausou respirando – Veio ver como ela está. E ela pareceu.. Muito feliz em vê-lo. – Sussurrou enquanto passava a mão pela franja farta retirando alguns fios do olho.

- Esse é o intuito. Quando nos livrarmos dele, ela precisará de alguém que a apóie certo? – Desafiou a voz querendo saber a resposta do jovem, que naquele momento estava totalmente surtando.

- C-certo.. Mas não sei se seria uma boa idéia.. – Tentou argumentar mais para si mesmo do que para o líder.

- Esta querendo desistir? Quer deixá-la ir com aquele cretino assassino? – Definitivamente não queria.

- Se eu quisesse não estaria aqui. - Franziu o cenho e retrucou mal educado. A voz pareceu satisfeita com a resposta.

- Isso mesmo, já disse que pode confiar em mim, eu jamais faria algo que te prejudicasse. – Passou um falso ar de segurança.

- Sim..

- Até quando ele ficará? – Indagou interessado.

- Konan me disse que seria até amanhã. Ele vai levá-la para jantar daqui a pouco. – Informou.

- Ótimo, depois desse jantar reúna mais informações úteis, preciso delas. Nesse tempo eu precisarei fazer algumas mudanças de planos. – Suspirou cansado com os pensamentos altos. – Adeus garoto.

O telefone ficou mudo, e Nagato tremeu ao encarar o aparelho. Encostou-se a parede levando a mão à testa e ofegando pesadamente. Afastou-se a passos rápidos rumando para seu próprio dormitório.

Sentia como se algo não estivesse certo. Como se futuramente, aquela brincadeira não fosse terminar bem.

O que ele estava fazendo? Começou a se questionar. Entregando assim uma parte da felicidade de Konan para alguém cujo rosto o mesmo nem ao menos conhecia? Não era certo. Mas a cada vez que ouvia Konan dizer que também amava Pain – E mais do que esperava – um monstro de dor aguda crescia dentro de seu peito chamuscando a culpa ali presente, fazendo o mesmo sentir raiva pela garota não ser inteiramente dele.

Por mais que os fins não justificassem os meios, aqueles eram os únicos meios para tê-la perto de si. E eles não eram realmente os melhores.

Pain continuou absorto na conversa de alguns minutos antes ainda absorvendo as informações. Agora estava provado que havia algo errado com aquele garoto. Ia sacar o telefone do bolso interno do paletó para comunicar-se imediatamente com Kakashi quando uma voz doce ecoou pela sala entrando pela porta.

- Pain? – Olhou para os dois lados até encontrá-lo encostado a uma das paredes ao lado da entrada da sala com os olhos fechados.

Observou o rapaz, ele estava devidamente elegante. O smoking negro combinava perfeitamente bem com os olhos que pareciam penetrá-la. Os cabelos estavam um pouco mais bagunçados do que o normal dando um ar despojado ao visual. A aparência se completava com a testa livre da bandana que estava sempre ali, deixando-o um pouco mais leve, e nem a quantidade enorme de piercings conseguiam interferir na imagem sóbria.

Encarou a moça observando-a de cima baixo. Não achava uma palavra certa para conseguir descreve-la. Pensou em angelical quando viu as bochechas coradas, mas o vestido sereia tomara que caia azul marinho não parecia a veste de um anjo. Os cabelos estavam presos em um coque um pouco frouxo com alguns fios, a franja lhe caindo pelo rosto e a maquiagem não estava carregada. Estava... Deslumbrante.

Deu um ínfimo sorriso de canto ao direcionar o olhar para a boca rosada e deparar-se com o piercing abaixo do lábio inferior brilhando. Era como se lembrasse novamente daquela memória de quando ela lhe pediu.

Aproximou-se e tocou-o de leve com as pontas dos dedos deixando a azulada ainda mais corada. Continuou observando a face confusa da garota e retirou de seus olhos alguns fios teimosos que insistiam em estar ali.

- O que foi Pain? – Perguntou sentindo-se vasculhada coração a dentro.

- Estava apenas me lembrando de quando você me coagiu para tê-lo. – Tocou novamente o piercing arrancando uma risada baixa e melodiosa da voz de soprano.

- Não é minha culpa se você é fácil de ser convencido. – Sussurrou perigosamente perto dos lábios do ruivo. Deu-lhe um selinho demorado passando os braços pelo pescoço do líder.

Quando se separaram, a face séria de Pain a fitou com uma das sobrancelhas erguidas sondando-a.

- Não tem remorso de beijar um homem estando com outro? – Perguntou com o hálito quente soprando no rosto da jovem esquentando-o.

- Não se ele for você. – Respondeu simplesmente beijando novamente, mas de uma maneira mais intensa.

Agarrou-lhe a cintura moldando as formas perfeitas ao seu corpo, como se ela fosse feita especialmente para ele. A outra mão foi de encontro à nuca cuidadosamente para não estragar o penteado que ela devia ter demorado a produzir.

Não adiantava negar. Ele a queria.


Estacionaram em frente a um restaurante bem iluminado na fachada. Era um restaurante italiano, indicação que Kakashi lhe dera dizendo que a comida ali era ótima. Tinham algumas plantas aos lados do tapete vermelho que levava a entrada onde o porteiro esperava elegantemente vestido.

Saiu do veículo indo em direção ao banco do passageiro para pegar a mão de Konan tirando-a do carro. Assim que a jovem desceu, um carro a toda velocidade cruzou a avenida com alguns bêbados que buzinaram e gritaram. Se Pain estivesse com uma arma ali, naquele momento os pneus teriam sido furados e o carro estaria capotando.

Konan sorriu diante da expressão de irritação que ele esboçou e tocou se braço fazendo-o despertar e conduzi-la até a entrada. Uma das mãos espalmou as costas de Konan enquanto paravam em frente ao porteiro.

- Tenham uma boa noite. – Disse com um sorriso que soava um pouco falso. Era um rapaz extremamente branco com os cabelos negros.

- Para o senhor também. – Responderam polidamente em um uníssono.

Adentraram o recinto que tinha uma iluminação mais sofisticada. Haviam várias mesas espalhadas pelo salão, e o local estava abarrotado de pessoas. Algumas esperavam de pé alguma mesa vagar. A esquerda, bem no fundo, tinha um palco onde havia um homem cantando.

Pain olhou para a direita bem na porta, e uma garçonete devidamente vestida – Trajava um vestido marrom longo e colado ao seu corpo – os encarava com um sorriso. Os olhos âmbar brilhavam visualizando a imagem do líder, e os cabelos estavam presos em dois coques ao lado da cabeça.

- Boa noite, o senhor tem reserva? – Perguntou com as mãos habilmente sobre o computador esperando.

- Sim, Nakamoto Pain. – Disse tentando não parecer rude.

A moça digitou no computador algumas palavras e chamou um dos garçons ali perto.

- Leve o Sr. Nakamoto até a mesa reservada.

O rapaz sorriu malicioso quando os orbes pousaram sobre a imagem de Konan, e imediatamente Pain agarrou com mais força o corpo feminino para si, mostrando que ela estava acompanhada, e bem acompanhado.

Chegaram até uma mesa a direita do salão um pouco afastada, e acomodaram-se observando os cardápios postos a suas frentes. Konan sorriu enquanto os olhos passeavam por todos os nomes diferentes até que escolheu Capeleti ao molho branco.

Pain pediu o mesmo, e o garçom se retirou. Observou a azulada que parecia maravilhada com o local. Os orbes passavam por todos os cantos cuidadosamente e o brilho de excitação parecia cada vez maior. E atingiram um ponto máximo quando miraram a imagem do ruivo a sua frente fazendo-o ruborizar levemente.

- Obrigada Pain. – Ele arqueou uma sobrancelha. – É uma noite especial para mim. – Sorriu passando os dedos levemente na mão alva do rapaz que descansava sobre a mesa.

O mesmo apenas assentiu com um gesto de cabeça imaginando que a noite não seria mais tão especial quando ele dissesse a ela o que havia ouvido de Nagato. Com certeza Konan não acreditaria, a acabaria aos gritos dizendo que ele queria acabar com sua felicidade.

A expressão se fechou pensando naquele problema e Konan percebeu chamando-o algumas vezes fazendo com que ele despertasse e a encarasse. A jovem arqueou as sobrancelhas esperando uma resposta do por que dele estar daquela maneira, mas tudo que recebeu foi um dos pequenos sorrisos de canto que tanto adorava.

Resolveu deixar para contá-la depois, quando o jantar acabasse. Não a deixaria entristecida naquele momento, Konan parecia demasiadamente feliz apenas em estar ali com ele, ainda que não tivessem trocado mais de algumas palavras.

Conversaram sobre a escola nova de Konan, que questionou o ruivo sobre ele ter estudado no IPA. Pain acabou dizendo a ela que havia estudado no colégio por dois anos, mas retornara ao Japão para assumir a Akatsuki aos dezesseis anos.

Konan pareceu surpresa, dezesseis anos. Ele estava na Akatsuki a mais de quatro anos, tendo acabado de completar vinte anos de idade há algumas semanas atrás. A jovem pareceu entristecida quando soube que havia sido aniversário do ruivo e ele não dissera a ela.

Continuaram trocando mais algumas conversas sobre banalidades até o pedido chegar. Apreciaram a música cantada pelo homem no palco enquanto degustavam da deliciosa culinária italiana. Konan se encantou com o Capeleti, fazendo um biquinho infantil quando acabou.

O líder esboçava um pequeno sorriso de vez em quando, rindo internamente dos comentários de Konan. Terminaram o jantar, Pain pagou a conta e estavam seguindo tranquilamente enquanto a jovem tinha um sorriso terno no rosto.

Sentiu-se culpado em saber que logo aquele sorriso desapareceria. Assim que entraram no carro Pain encarou a garota seriamente com uma as mãos segurando firme o volante, e os olhos congelados.

- Pain, esta tudo bem? – Questionou quando o ruivo abaixou a cabeça encostando a testa ao volante onde as mãos estavam e suspirou pesado.

- Tem algo que precisa saber Konan. – Proferiu sem dar muita atenção o que ela lhe perguntara.

- Me diz então. – Pediu.

Pain olhou novamente para ela que tinha se virado no banco olhando diretamente em seus orbes ônix.

- Você não deve confiar em Nagato. – A voz era firme. – Tem coisas erradas nele Konan, eu ouvi uma conversa antes de sairmos, e ele mencionava nós dois.

- O que isso tem demais? – Franziu o cenho. – Ele poderia estar falando com qualquer pessoa. – Disse um pouco indignada diante da expressão séria.

- Ele não estaria totalmente nervoso falando com qualquer pessoa Konan. – A azulada pareceu ainda mais irritada com aquelas palavras.

- Olha Pain, se você não gosta do Nagato, tudo bem. Mas não vou admitir que fale coisas sem saber com quem ele estava conversando, eu vou perguntar a ele com que ele estava falando. Tenho certeza que é um mal entendido. – Suspirou virando-se para frente olhando a rua movimentada. – Se está com ciúmes. – Deu um pequeno sorriso. – Deveria me dizer, não ficar falando esse tipo de coisa.

O Akatsuki segurou ainda mais firme o volante com uma das mãos, e a outra foi para os cabelos alaranjados despenteando-os mais um pouco. Konan era impossível. Queria bater nela se fosse preciso para que entrasse em sua cabeça que ela não deveria ficar com Nagato.

- Não estou com ciúmes. Isso é ridículo. Por que eu teria ciúmes? – Questionou, mas Konan deu de ombros.

- Vamos logo para o colégio, você realmente tem o dom de acabar com a minha felicidade Pain. – A voz estava um pouco embargada.

Fez o que ela pediu e deu a partida indo rapidamente de volta para o instituto. A viagem foi silenciosa, tirando os soluços que Konan dava de vez em quando. A visão estava embaçada pelas lágrimas que ela lutava para conter sem sucesso. A cada vez que piscava, mais e mais lágrimas desciam silenciosas pelo rosto de porcelana.

Pararam em frente ao colégio e o ruivo virou-se para ela encarando-a enquanto se inclinava um pouco. A adolescente continuava olhando para frente sem lhe dar muita atenção, até que uma das mãos puxou seu rosto fazendo-a olhá-lo em meio à água em seus olhos.

- Konan.. Só quero que fique bem. Só isso. – Murmurou ternamente. E foi um pouco estranho escutar aquelas palavras do ruivo. Ele não era muitas vezes paciente com ela, e quando era, ele o fazia com gestos, não com palavras.

- Então pare de falar esse tipo de coisa Pain. Você me pediu para ser feliz longe de você. Eu só.. – Parou um pouco abaixando a cabeça para que os lábios masculinos tocassem seus cabelos. – Só estou tentando..

- E está indo bem. – Admitiu por mais que aquelas palavras não fossem tão bem aceitas em seu interior.

- Talvez. – Voltou-se para ele passando os braços por seu pescoço trazendo-o ainda mais para perto.

Pain puxou o corpo feminino fazendo com que ela se sentasse sobre seu quadril, com as pernas uma de cada lado do corpo e o vestido subido até a cintura dando mobilidade. Continuaram conectados pelo olhar, safiras e ônix em um só, até que a garota quebrou o contato visual beijando-o ternamente ainda com lágrimas escorrendo.

Beijavam-se carinhosamente. As mãos de Pain uma no quadril de Konan, e a outra acariciando a face chorosa. A colegial estava com ambas as mãos sobre o paletó de ruivo. E não contaram quanto tempo ficaram ali, apenas se beijando cada qual com seus pensamentos, até que a dona dos orbes cerúleos se afastou apenas para fita-lo, com as mãos agora fazendo um carinho terno na lateral do rosto adorado.

- Preciso voltar à escola. – O líder retraiu a expressão e a abraçou forte pela cintura, a cabeça virou de lado encostando-se ao peito feminino enquanto Konan abraçava-o firmemente pelo pescoço passando os lábios pelo cabelo macio.

- Quando vamos nos ver de novo? – Indagou ainda incerta da resposta.

Levou alguns minutos pensando na resposta enquanto apreciava o carinho em seus fios ruivos, não sabia se a veria de novo.. Talvez.. Somente se algo acontecesse, o que ele torcia para que não.

- Não sei se nos veremos de novo... – Sussurrou por fim desencostando-se da jovem em seu colo. E para sua surpresa, Konan estava sorrindo ternamente.

- Então dessa vez não vou implorar para que me leve. Pois da outra vez, você me disse que não nos veríamos mais, no entanto você esta aqui. – Abriu a porta do carro passando a outra perna para o mesmo lado da qual se encontrava livre para sair. – Sei que nos veremos. – Concluiu certa de suas palavras.

Beijou o rosto ainda surpreso de Pain e ajeitou o vestido rumando para fora do carro, que teve a porta fechada segundos depois. A silhueta feminina parou em frente ao portão do colégio e disse algumas palavras para o interfone.

Logo ela já estava dentro dos limites do IPA afastando-se rapidamente em direção a porta de madeira. Pain observava atônito a figura de Konan afastar-se se perdendo na noite. Virou o rosto para frente, e ainda podia visualizá-la ali sobre ele beijando-o. As mãos formigaram, e o coração pareceu se apertar ao lembrar das palavras de Konan.

Abaixou a cabeça mais uma vez encostando-a ao volante enquanto pensava. Ele podia estar errado afinal, talvez Nagato estivesse falando mesmo com outra pessoa, mas tinha alguma coisa que não o deixava abandonar a idéia de ser Orochimaru... Poderia ser o medo que o garoto parecia sentir a cada palavra que dizia.. Ou a culpa..

Suspirou e voltou a pensar na garota. Ela parecia tão certa de que se veriam novamente, mas ele não estava certo disso. Quando alguém precisasse ir até o instituto, ele faria qualquer um ir, menos ele.

Queria apenas mantê-la em seus braços, queria poder fazer parte de uma vida tranqüila. Uma vida onde poderia ficar somente com ela sem se preocupar com sangue ou mortes. Mas Konan era um anjo, e ele um demônio.

Poderia um demônio amar um anjo?


OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOI GENTE *-*

Gostaram do capítulo? Eu gostei desse, ficou bem do jeito que eu queria. Desculpe se eu não consegui enganar vocês deixando vocês pensarem que era o Madara, essa era a minha intenção, hahahaha. Não sou nada boa com suspenses. Vocês tem 20 páginas com 10.893 palavras no word, record *-*

Bom, eu quis explorar um pouco a confusão da Konan em relação aos dois, tipo, ela gosta do Nagato, mas para ela esquecer alguém de quem ela gostou dois anos é complicado, ainda mais quando a pessoa diz que eles não se verão mais, e acabam se encontrando. E agora, o Pain esta mais suscetível a Konan, ele esta com Medo de perdê-la, por causa das ameaças do Orochimaru. Ele gosta dela, ainda que não admita, e como ele quer que ela fique segura, tenta se manter afastado ao máximo!

Enfim, deixando isso de lado, quero saber a sincera opinião de vocês, vocês estão gostando? Eu não posso opinar, por que claro que eu vou falar que eu gosto, afinal se um autor não gostar da própria obra né? Hahahaha.

A partir do próximo capítulo, as coisas irão ferver, e talvez, lá pelo capítulo 9 ou 10 não tenho certeza ainda, o rated seja mais que M, devido a quantidade de violência que será abordada. Mas isso é só para avisar vocês para se prepararem, por que se vocês acharam fortes emoções até agora, irão ver de verdade depois do cap 8. Sou uma autora malvada!

Quero agradecer especialmente a todos os meus leitores que me mandam reviews e me deixam muito feliz com seus comentários. Kahli hime, Lell ly, Lyric T, Gustavo Kerezi, Izziany, Jord, FranHyuuga, Sabaku no Hidura, Mayumi Haruno chan, Nanaka-sama, Jade Amorim. Obrigada gente, vocês são demais.

É isso, até o próximo capítulo, beeeijo grande galera :**