CAPÍTULO VII
Edward ignorou o cumprimento sedutor da bela loira sentada no balcão do bar e procurou uma mesa de canto no ambiente mal iluminado. Sempre odiara bares e evitava frequentá-los, pois os achava deprimentes. Para ele, representavam um refúgio apenas em casos de emergência.
Não viera ao bar do hotel para beber. Quando o garçom se aproximou para atendê-lo, pediu uma soda e um celular. Eram onze e meia da noite, no horário de Utah. Com um pouco de sorte, Jasper ainda estaria acordado. E mesmo que já estivesse dormindo, Edward precisava conversar. No décimo toque, o amigo atendeu o telefone.
— Edward, o que aconteceu? Você nunca liga a essa hora, a não ser para falar de assuntos pessoais.
— Vou me mudar para Laramie na semana que vem.
— Você já me contou isso. Como vai o seu filhinho?
Fechou os olhos.
— Nicky é a única coisa nessa confusão toda que faz algum sentido. Eu não fazia a menor idéia de como é amar uma criança, até ele aparecer. — A voz tremia.
— Você tem sorte. Estou ansioso por conhecer o bebê. Assim que chegar a Wyoming, telefone-me que irei até lá. E Bella? Como estão as coisas, amigo?
— Jasper, gostaria de poder responder sua pergunta, mas nem mesmo eu sei o que dizer. Quando penso que estamos nos entendendo, ela faz algo que estraga tudo outra vez.
— Sabe de uma coisa? Acho que não sou a pessoa certa para você conversar. Nas duas vezes em que fui noivo, não consegui me casar e, na verdade, senti até um alívio quando me separei.
— Claro que nenhuma das duas mulheres era a garota certa para você. Pelo menos, teve a coragem de ir embora antes de arruinar a sua vida. Gostaria de ter tido a sua segurança. Gostaria de conseguir mandar Bella para o inferno e tomar outro rumo na vida, sem olhar para trás.
— Ela ainda está receptiva, você sente que ainda tem chances?
Em pensamento, Edward reviveu as cenas do quarto do trailer.
— Sim.
— Mas continua com a intenção de se casar com aquele paspalho no mês que vem. — Jasper parecia tão indignado quanto Edward.
— Isso é que não consigo entender. Acho que ela não faz a menor idéia do que seja um verdadeiro amor. Quanto mais convivemos, mais tenho certeza de que é imatura para assumir um compromisso. Claro, ela mesma já cansou de me dizer isso, mas eu não quis acreditar.
— Ela é uma boa mãe para Nicky?
— É uma mãe incrível.
— Tem certeza de que ela vai mesmo se casar?
— Está usando um anel de noivado. Já a ouvi falar no telefone com ele. Disse que o amava.
Edward achou que nada poderia ser pior do que isso, já sofrera demais, mas estava enganado.
— Notou algum sinal dos preparativos? Ela está fazendo listas de convidados e cuidando daquela infinidade de detalhes, aquelas coisas que toda noiva faz para se preparar para o grande dia?
Edward surpreendeu-se por ainda não ter pensado naquilo.
— Não, pelo menos na minha frente, não.
— Teria percebido. É impossível deixar de notar esse tipo de preocupação.
— Como ela tem um filho, é bem provável que tenham decidido se casar sem nenhum estardalhaço.
— Vai conseguir superar isso?
— Não sei. Já contei para você o trato que fizemos. Até agora, Bella cumpriu a parte dela. Disse que se o noivo pusesse os pés no meu trailer, nosso contrato seria anulado. Ele não apareceu por lá, isso significa que terei de cumprir a minha parte.
Jasper não sabia o que aconselhar ao amigo.
— Se formos dividir a custódia, um de nós terá de se mudar para poder ficar perto de Nicky — Edward continuou a falar, como se estivesse sozinho.
Houve um longo silêncio.
— Não consigo imaginá-lo vivendo em San Diego. Aquela cidade lhe traz muitas lembranças.
— Nem me fale! Mas duvido que o noivo dela esteja disposto a fazer concessões. Então, se eu quiser ter um relacionamento mais íntimo com meu filho, terei de me mudar para a Califórnia.
— Edward?
— O quê?
— Antes de tomar qualquer decisão, deveria tentar conversar com Jacob.
— Para quê? Só iria me fazer mal. O garoto teria que fazer um esforço danado para conseguir um emprego. Seria um desastre para ele mudar-se para um lugar onde não tem conhecido algum.
— Ei, meu amigo! Você não me entendeu bem. — Edward franziu a testa.
— O que quis dizer?
— Acho que deve ter uma conversa séria com ele sobre Nicky. Então você poderia avaliar até que ponto o rapaz está disposto a se casar com Bella, sabendo que você estará envolvido para sempre na vida deles. Se não for suficientemente maduro, vai dar o fora. Em um primeiro momento, vai poupar Bella de fazer um casamento que no final daria errado e, a longo prazo, seria melhor para Nicky.
Depois das sábias sugestões de Jasper, Edward estava pronto para entrar em ação. Levantou-se e pôs algum dinheiro sobre a mesa.
— Sabe de uma coisa, Jasper? Para alguém que se considera a pessoa errada para conversar sobre esse assunto, até que você me ajudou muito. Quando estivermos instalados em Laramie, vou seguir seu conselho. Irei até San Diego e terei uma conversa séria com esse tal de Jacob.
Jasper parecia grato.
— Com certeza, não vai fazer mal a ninguém.
— Tem razão. Obrigado por atender o telefone.
— De nada, Edward. Vejo-o na semana que vem.
Depois de desligar, Edward acenou para o garçom, pagou, saiu do bar e voltou para o quarto do hotel. Desde que Nicky entrara em sua vida, criara o hábito de olhar o bebê antes de se deitar.
O bebê dormia tão tranquilamente que chegou a pensar que estivesse inconsciente. Mas, ao colocar a mão sobre a face macia, notou o calor de sua respiração e percebeu que o filho estava bem. Era muito estranho imaginar que havia apenas uma semana nem sabia da existência de Nicky. Agora, esse pedacinho de gente tinha sobre ele um enorme poder e, assim como a mãe, ocupava um lugar muito especial dentro do seu coração.
Por mais que também tivesse vontade de se aproximar de Bella, não ousaria, pois sabia que, se fizesse isso, acabaria por tocá-la. Se isso acontecesse, seria obrigado a dividir a cama com ela. No íntimo, pressentia que ela também o desejava, mas não o amava.
Agora que tinham um filho, mais do que nunca o coração dele se recusava a aceitar qualquer união que não fosse sacramentada pelo amor. Já que não era o caso, estava determinado a não ceder à tentação, pois se assim o fizesse, poderia ter que pagar com a própria alma.
Atordoado com a idéia, preparou-se para se deitar, sem ousar olhar para o corpo da bela mulher que dormia na cama ao lado. Quando finalmente entrou debaixo das cobertas, virou-se para a parede e tentou dormir para esquecer a dor que sentia.
Ao voltarem para o sítio arqueológico, na manhã de domingo, Edward resolvera conversar sobre a viagem a Wyoming, que fariam no dia seguinte. A viagem levaria de três a quatro dias, por isso, achou que seria melhor dormirem em motéis e comerem em restaurantes e cafés pelo caminho.
Bella concordou. Teriam que esticar as pernas de vez em quando. A noite, Nicky estaria exausto de passar tanto tempo na cadeiririnha do carro, e ela poderia pegá-lo no colo. Ao chegarem ao trailer, ela trocou a fralda do bebê, antes de limpar a geladeira. Decidiu jogar tudo fora. Quando chegassem a Laramie, iria ao mercado e faria novo estoque de comida.
Edward encontrara um recado do dr. Banner pregado à porta, pedindo que tivessem um último encontro no trailer, depois do almoço. Depois de acorrentar o trailer à perua, Edward banhou-se, vestiu uma camisa esporte caqui e calça jeans, disse a Bella que iria sair e que não sabia a que horas voltaria.
Desde que retornaram da cidade, a hostilidade dele aumentara mais do que o normal. Com medo de tornar as coisas ainda piores, simplesmente concordou com um gesto de cabeça, sem parar de lavar as verduras e frutas.
Por causa do clima de frieza entre os dois, a saída de Edward, de certa maneira, fora um alívio. Ele, que sempre se preocupava em não acordar o bebê, desta vez bateu a porta ao sair. Por sorte, Nicky dormia profundamente em seu berço e nem escutou o barulho.
Meia hora mais tarde, concluiu que a reunião de Edward poderia levar a tarde toda e decidiu começar a fazer uma das malas, com os lençóis de Nicky e outras coisas que só usariam depois que chegassem em Laramie. Depois de cheia, colocou a mala no porta-malas, junto com o carrinho de bebê e a caixinha de música. Quando voltou ao trailer, olhou ao redor em busca do que empacotar a seguir, mas uma inesperada batida na porta interrompeu sua concentração.
Como era o último dia que passavam ali, imaginou que fosse um dos alunos de Edward que viera se despedir. Esquecendo-se de perguntar quem era antes de abrir, destrancou a porta e preparou-se até mesmo para ver Jéssica, mas quase desmaiou ao ver a única pessoa no mundo que esperava nunca mais encontrar na vida.
A mãe de Edward estava ali elegantemente vestida com um casaco de seda azul. Os cabelos claros e brilhantes, presos com belíssimas fivelas prateadas e a maquilagem impecável formavam uma moldura perfeita para seus olhos verdes, que encaravam Bella com um ar de malícia.
— Srta. Black? — disse Jéssica, com um nítido sorriso de satisfação. — A mãe do dr. Cullen está procurando por ele. Eu falei que sua secretária deveria saber onde ele está, já que passa o dia e a noite cuidando do filho dele. Todo mundo no sítio sabe que agora o dr. Cullen não vai a lugar algum sem seu querido filho Nicky.
Só então Bella percebeu a intensidade do ciúme que Jéssica sentia.
Quanto à mãe de Edward...
Era como se Bella fizesse parte do enredo de uma novela, em que finalmente a vilã e a heroína se encontravam na cena final. Esse era o momento pelo qual os espectadores da tevê haviam esperado durante o ano todo para assistir. Todas as mentiras e os segredos seriam por fim revelados para que a verdade prevalecesse.
Desde o dia anterior, quando a mãe de Edward telefonara, Bella sentiu que esse encontro seria mesmo inevitável. Só não esperava que acontecesse tão cedo.
— Obrigada pela ajuda, Jéssica. Entre, sra. Cullen, Edward está almoçando com o dr. Banner e deve voltar logo.
A mãe dele passou por Jéssica sem agradecer e entrou no trailer. Ignorando a expressão curiosa de Jéssica, Bella seguiu a sra. Cullen e fechou a porta atrás de si.
— Por favor, sente-se — disse, apontando para o sofá.
A sra. Cullen, paralisada, parecia em estado de choque. Sua atitude intransigente nunca ficara tão evidente. Olhou ao redor. Com a maioria das coisas de Edward já em pacotadas, restavam espalhados pelo chão apenas os brinquedos de Nicky, o cercado, uma colcha de retalhos e a chupeta sobre o balcão. O álbum de fotos do bebê estava sobre a mesa.
— Onde está ele?
— Edward ou Nicky?
— O seu filho bastardo.
O veneno ferino daquela mulher, capaz de tudo para manter o controle sobre seu filho preferido, não era novidade para Bella. Seria até de se espantar se aquela mulher dominadora mostrasse alguma doçura ou houvesse mudado para melhor desde a última vez que a vira, quase um ano antes.
Por algum motivo que ela mesma desconhecia, Bella sentiu uma estranha sensação de calma. Quando se encontrara anteriormente com a sra. Cullen, ainda não tinha a experiência de ser mãe. Agora, seria capaz de tudo, até de entrar em um edifício em chamas, para salvar seu filho.
Respirou fundo antes de responder.
— Você sabia que bastardo significa uma criança de origem duvidosa ou inferior? Nicky é um Cullen. Ele tem o sangue do seu filho preferido, quer você goste ou não da idéia. Se Edward ouvi-la se referir a Nicky como bastardo, pode ter certeza de que nunca mais verá seu querido filho. Ele jamais lhe perdoaria.
A sra. Cullen encarou Bella com ódio mortal e, sem dar satisfação, ela começou a andar pelo trailer. Bella não a impediu. Movida pela vontade de ver para crer, a mãe de Edward se dera ao trabalho de sair de sua mansão em Long Island exclusivamente para ver quem era o bebê que ouvira chorar pelo telefone.
Não demorou muito e estava de volta do quarto, agora com um andar já não tão firme, o rosto pálido sob a maquilagem. Encarou Bella por tanto tempo que parecia ter tido um infarto.
— Acho que a subestimei no passado. Quanto quer receber?
— Pelo quê?
— Para deixar o bebê aqui e desaparecer para sempre.
— Quanto trouxe? — perguntou, sem alterar o tom de voz.
— O suficiente para você nunca mais precisar se prostituir desse jeito, fazendo com que meu filho caísse na armadilha dos seus tentáculos mercenários.
Bella cruzou os braços.
— Posso ser uma garota que não pertence ao seu meio, de quem se envergonharia se fosse vista em público com Edward, mas mesmo uma plebéia, de classe baixa como eu, tem necessidades que seu dinheiro não pode comprar.
— Você não ouviu a minha oferta ainda.
— Nem quero ouvi-la, sra. Cullen. Nenhum dinheiro do mundo fará com que eu me separe do meu filho.
Os belos traços endureceram, dando lugar a uma horrível expressão de raiva.
— Edward não percebeu que tipo de mulher era você, quando a levou para nossa casa. Você se considera muito esperta, deu-lhe um filho, mas não importa. Não vai pôr a mão em nenhum tostão do dinheiro dele e sabe bem por quê.
Sim, Bella sabia o porquê. Fora esse o motivo que a obrigara a romper o noivado e desaparecer da vida dele.
— É óbvio que não acredita em mim, mas não quero e nem preciso do dinheiro do seu filho. Em menos de dois meses, estarei casada com outra pessoa.
Estendeu a mão para que a sra. Cullen pudesse ver o solitário de brilhante. Não era nada, em comparação com o sofisticado anel de dois quilates que Edward lhe dera e que ela deixara em seu quarto quando partira da casa dos pais dele, na última vez que estivera em Nova York.
— Jacob Black, meu noivo, vai cuidar de mim e de Nicky. Não queremos nada de vocês. Vim para Warwick com o único propósito de saber se Edward gostaria de dividir a custódia do filho. Um pai tem o direito de conhecer e de amar seu filho. Se os visse juntos, poderia compreender o que estou falando. Edward adora Nicky, e Nicky venera o pai.
Com raiva, a mãe de Edward jogou para trás os cabelos.
— No seu caso, dividir a custódia significa extorquir dinheiro.
— Do seu ponto de vista, talvez... — murmurou Bella. — O que quer que Edward resolva dar para o filho, quanto está disposto a gastar com Nicky, isso não me diz respeito. — A segurança de Bella chamou a atenção da sra. Cullen.
— Você assinaria um documento nesses termos, elaborado pelo meu advogado, na frente de uma testemunha?
— Sim.
Aparentemente, a mãe de Edward estava surpresa, ao ver que ela mordera a isca.
— Quando?
— Quando quiser.
Olhou para Bella, como se quisesse estudar sua ex pressão.
— Você tem noção do que não poderá voltar atrás depois de assinar um documento?
— Já rompi nosso noivado, não rompi? — Ao se lembrar do sofrimento que isso significara para ela, sua voz tremeu.
— Mas reapareceu com todas as cartas na mão, para a última jogada, trazendo junto algo que meu filho quer muito. — Mais uma resposta cortante na ponta da língua.
— Era a coisa mais certa a fazer.
— Vamos ver se você diz mesmo a verdade e se realmente vai assinar o documento.
— Pena que não trouxe o advogado com a senhora, pois poderia assinar agora mesmo.
Na tentativa de controlar a dor e a raiva que sentia, o corpo todo de Bella estava molhado de suor. Os torturadores da inquisição eram nada perto da sra. Cullen. Bella rezava para que ela fosse embora.
Mas em vez disso, a mulher, já de certa idade, coçou a cabeça.
— Você é mais esperta do que eu pensava.
— Eu poderia dizer o mesmo da senhora, mas não vou fazer isso, porque pensaria que a estou bajulando. — Como uma mulher com aquele caráter poderia ter educado tão bem Edward?, perguntou-se Bella.
Como se o pensamento dela tivesse o poder de atraí-lo, Edward apareceu à porta, de repente, parecia estar sem fô lego. Olhou direto para Bella, e teve a impressão de que naqueles olhos verdes e profundos havia sinais de angústia. Em seguida, ele dirigiu o olhar à mãe.
— Mãe? Jéssica me disse que estava me procurando. O que está fazendo aqui?
Ela sorriu para o filho, ansiosa.
— É assim que me recebe? Bella deve estar se perguntando onde foram parar as suas boas maneiras.
Ele levou as mãos à cintura.
— Quando conversamos ontem, não disse que viria a Warwick.
— Você também não me disse que tinha um filho — repreendeu-o, embora não houvesse agressividade em seu tom de voz.
Mais uma vez, Bella se surpreendia com a capacidade que aquela mulher tinha de usar sua inteligência para manipular as pessoas.
— Depois de desligar o telefone, lembrei-me de que conhecia aquela voz. Era de Bella! De repente, percebi que não fazia sentido a sua decisão de deixar uma mulher estranha ficar em seu trailer com um bebê. Quando me dei conta de que era o meu neto que estava chorando do outro lado da linha, resolvi vir até aqui para conhecê-lo pessoalmente. — Ela sorriu nervosamente. — Ele é a sua cara quando você era bebê, Edward! Não vejo a hora de ele acordar, para poder segurá-lo no colo.
Uma doçura invadiu o olhar de Edward.
— Nicky é um verdadeiro milagre. — O amor contido em sua voz fez com que os olhos de Bella se enchessem de lágrimas.
— É mesmo — concordou a mãe. — Eu estava justamente dizendo a Bella que admiro a honestidade dela por ter lhe contado sobre Nicky. Nos dias de hoje, muitas garotas nessa situação não levariam em consideração o pai da criança. Bella poderia ter se casado com o noivo dela e você jamais ficaria sabendo que tem um filho. Quando você chegou, ela estava me explicando que vocês estão planejando dividir a custódia. Acho que está certo.
O esforço que Bella fazia para controlar sua raiva diante daquela mulher tão falsa e hipócrita causou-lhe náuseas.
— Pena que vocês não conseguiram se entender no ano passado. É claro que não tinha de acontecer. Mas você deve estar contente de ver que seu filho está sendo criado por uma mulher tão honrada quanto Bella.
Mais uma vez o olhar atônito de Edward buscou os de Bella, agora como se quisesse comprovar algo.
Como no ano anterior, Bella não teve outra escolha, a não ser dançar conforme a música.
— Disse a sua mãe que pai e filho devem ficar juntos.
A sra. Cullen tocou-o no braço.
— Esta é uma ocasião solene, querido. Certamente a notícia sobre Nicky é boa demais para permanecer escondida da família por mais tempo — declarou, em tom de felicidade, como convinha.
— Edward, Bella concordou em ir na semana que vem com você ao aniversário de seu pai. Será uma noite inesquecível.
Bella arregalou os olhos. Virou-se e percebeu que Edward também tinha uma expressão de espanto, enquanto ela sentia calafrios só de pensar que teria de pôr os pés mais uma vez na mansão dos Cullen a fim de assinar aquele documento. No entanto, fizera uma promessa e teria de cumpri-la.
— Vocês podem ir de avião para Nova York no sábado e voltar no dia seguinte.
— Por favor, Edward — Bella insistiu. — Desde o dia que Nicky nasceu, minha família teve a chance de ficar perto dele. Pense na alegria que a sua família terá ao vê-lo ainda assim recém-nascido!
— Depois que eu for embora de Laramie, estarei ocupada com os preparativos do meu casamento e não terei tempo para mais nada. Vamos aproveitar essa oportunidade quando eu ainda o estarei ajudando com Nicky.
Alguma coisa muito intensa estava perturbando Edward. Ela podia ver o movimento acelerado do seu peito.
— Vou pensar sobre isso. — Foi tudo o que ele conseguiu dizer.
A sra. Cullen sorriu.
— Sei que estarão lá, mas não vou contar nada para ninguém ainda. Quando chegarem com nosso neto, será o maior presente-surpresa de aniversário que seu pai já recebeu. Agora, meu querido, é melhor eu ir. Você me acompanha até a limusine? O motorista está me esperando para me levar ao aeroporto.
Sem dizer nada, ele concordou com um gesto de cabeça.
— Bella — a mãe dele virou-se —, embora eu não esperasse vê-la de novo, posso dizer que foi um prazer conversar com você. Sem dúvida, a maternidade só lhe fez bem.
Atônita com a própria calma, Bella tinha que desempenhar o papel com o mesmo sangue-frio até o final da cena.
— Obrigada. Tem certeza de que não quer que eu acorde Nicky para pegá-lo no colo?
— Oh, não, querida! Tive três filhos. Sei o que é acordar no meio da noite, por isso aproveite enquanto ele dorme, para fazer alguma coisa para você. Terei muito tempo para ficar com ele na semana que vem, quando forem à minha casa. — Ela deu um passo em direção a Bella, para beijá-la no rosto, antes de sair do trailer.
Edward seguiu-a, mas não sem antes olhar de soslaio para Bella.
Ela não soube decifrar o significado daquele olhar.
Agora que a sra. Cullen fora embora, sentia uma sensação de alívio. Tinha enfrentado o seu maior medo e sobrevivera! Quando em sua vida poderia imaginar que pediria para Edward para comparecer a uma festa na casa dos pais dele! Sabia que isso teria sobre ele um impacto emocional muito grande, mas, para que ninguém descobrisse seu segredo, assim tinha de ser.
Pelo menos, quando viajassem para lá na semana seguinte, ele estaria perto do filho e ter o menino em seus braços seria reconfortante. Disso, não tinha dúvidas.
Antes que Nicky acordasse, e Edward voltasse, pegou roupas limpas e correu para tomar um banho. Precisava urgentemente se livrar do suor que cobrira o seu corpo no momento em que vira a sra. Cullen ao lado de Jéssica.
— Há quanto tempo minha mãe estava aqui? — perguntou Edward, alguns minutos mais tarde, quando Bella saía do banho com uma toalha enrolada no corpo.
Ele ficara do lado de fora, dando uma mamadeira para Nicky, que devia ter ouvido o barulho do chuveiro e acordara chorando, pedindo leite.
Bella passou correndo em direção à cozinha, com o secador de cabelos na mão.
Como um caçador, Edward usava o seu instinto para saber que havia alguma coisa errada ali. Não sossegaria enquanto não conseguisse obter as respostas que procurava.
— Talvez uns dez minutos. — Deu as costas para ele, enquanto punha o fio na tomada, com a mão trêmula.
— Há um ano, quando recebi aquele telefonema dos infernos, corri de volta para Nova York, para ver se eu descobria por que você tinha terminado nosso noivado. Minha mãe sempre jurou que não teve nada a ver com isso e que ninguém sabia que você partira até a tarde do dia seguinte. Em nenhum momento, ela falou uma palavra de ruim a seu respeito. — Ele suspirou. — Conheço minha mãe e sei que esta atitude simplesmente não combina com a personalidade dela, assim como o comportamento de hoje. O que aconteceu de fato entre vocês duas naquela noite?
Bella virou-se devagar, o secador na mão.
— Absolutamente nada.
Ele a encarou, olhos nos olhos.
— Não acredito.
Bella desenrolou a toalha, deixando os cabelos molha dos caírem sobre os ombros.
— Acha isso porque não compreende quanto ela o ama. Agora que me tornei mãe também, compreendo que tipo de amor é esse. Faria qualquer coisa para garantir que meu filho me amasse até a minha morte. Sua mãe sabia quanto você estava apaixonado por mim. Você acha que ela diria ou faria alguma coisa contra mim, sabendo que se fizesse isso você se voltaria contra ela com todo o seu ódio? Acha que ela seria capaz de fazer algum mal contra a mãe do próprio neto, agora que sabe que eu dei à luz Nicky? — perguntou, tremendo. Ele permaneceu quieto e pensativo.
— Não faria uma coisa dessas, Edward! Não ousaria fazer nada que pusesse em risco a relação dela com você.
Ele não se movia, nem mesmo piscava.
Se isso é verdade, então porque você sempre fica apavorada, quando ouve o nome dela?
Se fico apavorada é porque o nome dela me lembra da coisa terrível que fiz ao romper nosso relacionamento e desaparecer sem deixar rastro.
— Para onde você foi, afinal?
— Para o sítio de um amigo do meu pai, no Arizona.
Ao dizer isso, detectou em Edward um olhar melancólico que provocou uma dor intensa em seu coração. Bella tentava evitar as lágrimas, mas elas insistiam em rolar.
— Não posso acreditar que lhe fiz tanto mal, logo você que sempre foi tão maravilhoso comigo. Parece que foi preciso eu me tornar mãe para perceber quanto fui injusta e desumana com você.
Edward a fitava, ainda não estava convencido de que Bella contava-lhe a verdade.
— Você pode não acreditar, mas quando cheguei do hospital com Nicky, chorei muito. Tentei não chorar na frente dele. Quando decidi lhe contar que tínhamos um filho, meus sentimentos de culpa diminuíram, e as lágrimas também. Quando olho para você com Nicky nos braços, sei que tomei a decisão certa. Não posso consertar a dor que lhe causei no passado, mas espero que um dia seja capaz de me perdoar. Sua mãe, pelo jeito, já me perdoou, caso contrário não teria me convidado para ir à festa de aniversário do seu pai. Pense um pouco, será melhor para Nicky se ele crescer em um ambiente de paz, sem que exista qualquer desentendimento entre a sua família, a minha e a de Jacob, claro. Se fizermos tudo direitinho agora, será bom para o futuro de Nicky.
O menino se mexeu no colo do pai, estava inquieto.
— Sei que você nunca me contou certos detalhes de sua vida, sobre os problemas que teve com seus pais no passado. Mas o que quer que tenha acontecido, acredito que a existência de Nicky possa ajudar a cicatrizar essas velhas feridas. Ele é tão adorável!
Um silêncio profundo tomou conta do ambiente. Mesmo que não acreditasse em uma só palavra do que ela dizia, não estava disposto a contestá-la, pelo menos por enquanto.
Sem forças emocionais para continuar a conversa, ela simplesmente apertou o botão e começou a secar o cabelo.
Edward deu-lhe um último olhar, antes de sair da sala com Nicky nos braços.
Capítulo 7 postado!A mãe do Edward apareceu! Tadinha da Bella... eu tenho medo dessa Esme...
A fic está no final já... só faltam 3 capítulos
Até semana q vem, bjs!
