Títulos: Versos Brancos
Autora: Ryeko_Dono
Série: Final Fantasy VII
Resumo: Havia poucas regras nos anos de convivência, mas para Sephiroth e Genesis elas eram suficientes. (SephxGen. Lemon.)
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Versos brancos: Versos que possuem métrica, mas não utilizam rimas.
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Capítulo 7
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Fincou a espada no chão.
O ar que partiu de seus lábios foi uma lufada quente e dolorosa. Genesis a sentia, cada músculo de seu corpo pulsando naquele mesmo ritmo.
A dor não era insuportável. Um soldado era treinado para resistir à dor, mas a dor constante o estava consumindo. Podia sentir a degradação, a fraqueza se espalhando pelo seu corpo.
"Cada músculo do meu corpo... cada maldita célula...!"
Lentamente corrompidos.
Genesis cobriu o ferimento no ombro esquerdo. Difícil ignorar. Até mesmo a respiração estava pesada, o corpo cansado mesmo tendo treinado por tão pouco tempo.
"Droga..."
A porta do centro de treinamento se abriu. Genesis estranhou a interrupção, lembrando-se perfeitamente de tê-la trancado. Logo ficou claro porque ela se abria. Apenas um Soldier 1a classe poderia fazê-lo, de qualquer modo.
"Sephiroth..."
Há uma semana não o via. Havia ignorado a visita do General em seu quarto, ignorado as ligações. Impossível ignorar para sempre. Genesis arrumou a postura e arrancou a Rapier do chão com firmeza.
"Tseng me informou que estaria aqui."
Genesis não respondeu, apenas controlou. A visão de Sephiroth, sempre tão altivo, o fez sentir um ódio inexplicável pelo soldado perfeito.
"Não me parece boa idéia que volte a treinar tão cedo."
A raiva escapou em um vislumbre, brilho perigoso nos olhos azuis. Genesis desviou-os para sua Rapier.
"Você está bem?"
"Se eu estou bem???"
O ruivo respirou fundo. Seu rosto não estava ruborizado, apesar das poucas gotas de suor denunciarem que esteve treinando. Sephiroth percebeu o quanto elas reforçavam a recente palidez de seu rosto.
"Eu me sinto... humano, talvez. A dor não é de todo desagradável."
Os olhos verdes se comprimiram. Sephiroth não entendia, irritado pela completa falta de informação.
"O que está acontecendo, Genesis?"
O General estava tentando entender. Genesis estava distante dele e de Angeal, muito estranho desde quando voltou daquela missão com Hollander. Até mesmo o moreno se mostrara preocupado, dando a entender que conversaria com o rapaz.
Então tudo melhorou. Genesis voltou a procurá-lo, voltou a caminhar com eles e a recitar as detestáveis linhas de Loveless em seu ouvido. Tudo voltou ao normal até o dia do treinamento em que o ruivo se feriu.
Sephiroth mal conseguia acreditar. Ele e Angeal se perguntavam como a situação evoluiu de um arranhão, de um acidente tolo, para uma semana de tratamentos intensivos na ala médica.
"E você me pergunta o que aconteceu...?" Genesis se aproximou vários passos. O Soldado ruivo parecia bem, não fosse um desafio estranho na voz calma. "Realmente quer saber?"
Sephiroth não respondeu. "Desde pequeno... Desde sempre... Eu nunca perdi uma luta. Nunca me machuquei, nunca temi pela minha vida." O rapaz umedeceu os lábios. Sephiroth reparou que estes estavam rachados. "Por quanto tempo você consegue ignorar os fatos?"
A fala era uma ameaça. "Não é engraçado? Eu pensei que estivesse seguro da verdade aqui, com você... com o grande herói Sephiroth... Mas eu sempre desejei saber..."
Genesis riu, apoiando a Rapier em seu ombro esquerdo. "Quando os deuses querem nos punir... eles obedecem a nossas preces... Conhece o ditado?"
"Eu não acredito em deus algum. Você sabe disso."
Genesis encarou-o. O silêncio foi mantido duramente e Sephiroth queria repetir a pergunta.
"O que nós somos, além de Soldiers?" As palavras de Genesis se tornaram ironicamente calmas. Sephiroth podia vê-las queimarem dentro de seus olhos. "O que determina quem é um herói? Todos têm o direito de sonhar?"
"Alguma poesia nova?"
"Não... apenas uma improvisação."
Genesis se aproximou. A lentidão dos passos era uma tortura. O que ele deveria responder? Como sempre os passos de Genesis o levaram para muito perto. O soldado ignorou as câmeras e tocou no rosto do General, roçando a ponta dos dedos pela face e pelos lábios do rapaz.
"Toda poesia é uma mentira..." Sussurrou. "Assim como todo... herói deve fingir que sente dó dos colegas feridos, não é verdade?"
Os olhos verdes se arregalaram levemente. A provocação ardeu no orgulho do General, nas perguntas silenciosas e no desejo estranho de dizer que se importava. A raiva excedeu à preocupação e Sephiroth agarrou o pulso do soldado.
Genesis esperava a ação, experiente em irritar até o contato da pele. O conhecimento não o impediu de se afastar, recuando com uma velocidade que lhe rendeu uma pontada de dor no ombro ferido.
"O que está acontecendo, Genesis?!"
O ruivo não respondeu. Genesis seguiu para a porta sem olhar para trás, ignorando a dor no ombro. Ignorou também uma outra vontade e se odiou por perceber que ela era praticamente tão forte quanto seu orgulho. Apertou os olhos azuis com muita força em seu rosto, tão forte quanto se pudesse feri-los.
Sephiroth não compreendia. O que Genesis esperava dele? O que sentia por ele? O ódio sempre esteve lá, presente nos olhos azuis? O General queria dizer algo, mas as palavras eram encurraladas, incapazes de ganharem vida. Apenas nos olhos verdes elas existiam.
Sephiroth assistiu o ruivo se afastar com passos largos e orgulhosos.
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Os cacos lhe encararam em resposta.
Dezenas de versões de si mesmo. Dezenas de olhos azuis, insatisfeitos com o que viam. Genesis sentou-se em sua cama. O PHS tremeu novamente em cima da escrivaninha, anunciava a chegada da 5a ou 6a mensagem de Angeal. O ruivo havia parado de contá-las.
Não que ele não quisesse falar com o amigo. A solidão era amarga, quase tanto quanto os pensamentos. Queria sair daquele quarto, encontrar Angeal e compartilhar suas dúvidas com o rapaz, mas não o faria.
"Orgulho ou consideração...? Que piada... Eu prefiro morrer a ver a preocupação no rosto de Angeal."
Genesis pegou alguns cacos do chão. Sentia uma estranha vontade de apertar os dedos ao redor deles e ver o sangue escorrer pelo seu punho. Um masoquismo tolo. Tudo o que o impedia de fazê-lo era a noção de ridículo, e o resto de orgulho por trás das olheiras.
"O que vocês estão olhando?" Perguntou aos cacos.
Genesis também não procuraria Sephiroth. Não visitaria o quarto do General. Genesis mataria o desejo dentro dele e se não conseguisse, - e ah, ele não conseguia-, o Soldier socaria alguma coisa até a dor afastar as lembranças.
Caminhou um pouco pelo quarto, um pensamento em especial mordiscando cada parte de seu corpo. Pegou a edição de Loveless em cima da escrivaninha, a mesma que o General havia deixado com ele no hospital.
"E agora eu assisto, de camarote, à destruição de meu próprio corpo... É assim que deve terminar?"
Largou os cacos, preferindo se dedicar a um tipo mais refinado de autodestruição.
"Temo que esse é um final que eu não posso aceitar."
Genesis buscou sua Rapier, decidido a trinar seu corpo doente até cansá-lo. Havia pego gosto por se esforçar até a dor do ombro fazê-lo a se agachar. Aquele dia não foi diferente. Genesis fez questão de consultar a agenda no PHS e viu que um treinamento obrigatório estava agendado para os 1a classe. Ajeitou o sobretudo de couro sobre os ombros e dirigiu-se para um dos centros, certo de que não encontraria Angeal ou Sephiroth pelo caminho.
O ruivo caminhava em silêncio, como um fantasma. Desde as palavras com Hollander Genesis caminhava assim. Ele não queria ser reconhecido. Não queria ser parabenizado ou temido. Abriu a porta do centro em completa discrição.
Infelizmente este não estava vazio.
"....E Sullivan? Como podem esquecer dele...? Vocês não se recordam como ele se feriu em Taipei?"
Três vozes distintas conversavam no centro de treinamento. Genesis não ligaria se não se tratassem de sussurros rancorosos.
"Por incompetência daquele gordo do Heidegger... Nunca vou me esquecer... O comandante ordenando que a gente avançasse... Como eu gostaria de alguns momento a sós com aquele filho da puta..."
Genesis se aproximou silenciosamente. Havia 3 soldados reunidos, sussurrando algumas verdades sobre a Shinra. Um deles era um 2a classe que Genesis não conhecia e os outros dois eram 3as que ele às vezes cruzava no corredor.
"Eles pensam que nós somos o que?" Questionou um terceiro. "Escravos?!
Nesse momento um deles viu Genesis. Ele alertou os outros, engolindo muito em seco. Prontamente os 3 se viraram para um dos Generais e fizeram um cumprimento militar, sem fitá-lo nos olhos.
O Soldier se aproximou.
"O que foi? Têm medo de falar mal da Shinra na minha frente?"
Genesis ficou ofendido. Ele sentia tanta raiva da companhia que não sabia como contê-la. Pensar que se negavam a falar mal da Shinra por conta de seu cargo era algo que o irritava verdadeiramente.
"Sinto muito, senhor."
A resposta foi polida e tensa. O 3a classe ainda não conseguia olhar em seus olhos e apenas então Genesis percebeu; Não era por temerem sua reação que estes se calavam, mas sim porque não conseguiam falar diretamente com ele. O herói da guerra de Wutai lhes fitava nos olhos e estes não ousavam.
"Da mesma maneira que olhavam para Sephiroth quando eu cheguei aqui..."
Um pensamento estranho. Inédito. Genesis pegou sua Rapier e os três se afastaram, cedendo o lugar imediatamente. O ruivo encarou-os e virou para o 3a classe que se pronunciou. "Qual o seu nome, garoto?"
Apesar do status o Soldier parecia novo, ainda mais do que ele quando se juntou à divisão. Seu cabelo era negro e muito liso, caindo sobre seu rosto. "Yori Minami, senhor."
"Soldier há muito tempo?"
"Não, senhor."
Genesis fitou o rapaz nos olhos. Os outros dois não ousavam falar, apenas escutavam, como que aguardando ordens. O ruivo umedeceu os lábios. "Por que se juntou aos Soldier?"
A resposta tardou a vir. Yori engoliu em seco e ousou fitá-lo nos olhos enquanto respondia. "Para ser como o senhor."
Genesis compreendeu a hesitação. O moreno logo desviou os olhos, incomodado com a revelação, quase ruborizando. O ruivo não conseguia esquecer... seu primeiro dia na divisão...
"Me diga uma coisa, Yori... você sabe por que eu me juntei aos Soldier?"
O rapaz se sentiu mais confortável ante seu olhar. "Para ser como Sephiroth."
Na verdade era.
"Soldiers... os heróis da Shinra." Genesis fechou os olhos e deu alguns passos, apertando fortemente a bainha da espada. "Quantos outros rapazes não terão se juntado a companhia por causa de nosso exemplo? A tropa de elite da empresa... heróis da SHinra... O que essa empresa já fez por nós? Além de..."
Uma pontada de dor no ombro o fez calar o depoimento. A própria palavra soldier lhe trazia um asco absurdo, fazendo seu sangue ferver. Genesis cerrou os dentes, contendo a dor. Capturou o olhar preocupado de Yori e se conteve em nome dele.
"Se você pudesse escolher dois amigos pelo qual morreria... Quais seriam?"
A pergunta surpreendeu o rapaz. O moreno prendeu o ar longamente, então confirmou as suspeitas de Genesis. O 1a classe apenas sorriu quando o garoto apontou os colegas, timidamente.
"Peguem suas armas."
Os três se entreolharam. As palavras não foram ameaçadoras, foram quase gentis. Genesis segurou sua Rapier e ordenou que os três o atacassem de uma vez, tentando feri-lo.
A resposta ainda demorou um momento. Os três se aproximaram, um pouco confusos com o que deveriam fazer. "Vamos... O que estão esperando? Uma ordem? Eu não sou Heidegger, caso não tenham percebido."
Os três sorriram, então atacaram. Genesis achou fácil desviar dos golpes, tendo de defender apenas o golpe circular de Yori. Saltou e revidou rapidamente, lançando um 2a classe loiro para longe. Rebateu o golpe do moreno e não se virou quando o terceiro rapaz o atacou por trás.
Genesis aparou o golpe com o cano da espada e segurou bem firme no pulso do mais velho entre os 3. "Se quer atacar por trás não abra tanto sua guarda."
O rapaz concordou e afastou-se do superior, ainda sentindo o formigar de seus dedos no contato com o pulso. Yori o atacou de cima e Genesis desviou facilmente, parando sua Rapier muito próxima do pescoço do 3a classe. Se quisesse, Genesis poderia tê-lo arrancado. O moreno engoliu muito em seco.
"Não ataque de cima com uma arma tão pesada. Ou você nunca vai conseguir se recuperar a tempo do próximo golpe."
O rapaz assentiu. O treinamento seguiu dessa maneira por bastante tempo. Genesis sempre corrigia a postura dos 3 rapazes. Estes pareciam acostumados a treinar entre si e o fizeram esquecer seu inferno celular durante quase uma hora.
"Vocês são maravilhosos soldados."Anunciou no final da sessão, amparando disfarçadamente o ombro. "A Shinra não merece seus heróis."
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Genesis não disse nada.
O General quase se surpreendeu de vê-lo parado à sua porta. O ruivo apenas o encarou, os olhos azuis perguntando se poderiam entrar. Sephiroth abriu a porta, observando de soslaio o Soldier que o procurava depois de tantos dias.
"Você estava dormindo?"
"Não."
O ruivo tirou o sobretudo de couro. Ele usava uma camiseta por baixo, não a usual regata. Retirou também todas as partes complicadas da própria armadura.
Sephiroth quis perguntar. Juntou as palavras dentro dos lábios, desencontradas e fracas.
"Você está bem?"
Genesis apenas sorriu antes de se aproximar. Tinha de olhar para cima para rivalizar a altura do General, porém os olhos azuis nunca se incomodaram. Olhando de baixo a expressão do ruivo tornava-se ainda mais provocativa.
Uniu seus lábios, respondendo de outra maneira à pergunta. Sephiroth não entendia. Genesis o ignorava há semanas, sempre cercado de 2as e 3as classes, tratando a ele e a Angeal como se fossem completos estranhos.
O beijo, porém, era familiar. Sephiroth pressionou os lábios do soldado com firmeza, agarrando a nuca do ruivo com uma delicadeza estranha. Parecia difícil acreditar naquela ação. Sentia que a qualquer momento Genesis o atacaria ou provocaria.
Os beijos diziam o contrário. O ruivo conseguiu tirar o seu sobretudo de couro e os olhares se encontraram de novo.
"Nunca estive melhor"
Sephiroth agarrou a nuca do ruivo, agora com força, trazendo o rosto do rapaz para um beijo violento. Desceu o toque e uniu todo o corpo do soldado ao seu, possessivamente. Genesis não se incomodou. Pelo contrário. O ruivo passou a explorar o pescoço do General, beijando e mordiscando a pele quente. Seus dedos tentavam abrir a armadura de Sephiroth e este o ajudou, lembrando-o do som que as ombreiras faziam quando alcançavam o chão.
Quando forçou o corpo do soldado contra seu guarda-roupa Sephiroth esqueceu de algumas perguntas. As semanas faziam sua vontade queimar mais forte e Genesis sempre sabia como tornar as coisas mais rápidas quando assim queria. O General forçou sua coxa sobre o membro do ruivo, gostando de sentir o corpo menor se contrair com aquele estímulo.
O encontrão trouxe uma pontada de dor no ombro de Genesis, expulsando o ar de dentro de seu peito. Agarrou mais forte no braço do mais velho, sempre excitado de sentir os braços fortes de Sephiroth disputando o controle em um de seus jogos.
"O que você quer, Genesis?"
Sephiroth percebeu a dor naquele gemido roubado. Na realidade, este fez Sephiroth sentir uma urgência que ele não havia compreendido de todo até aquele momento.
Agarrou o pulso do rapaz e pressionou insensível, querendo sentir a pele do ruivo. Difícil explicar, sequer entender como se sentia com a distância de Genesis. Observou o rosto bonito do soldado, os olhos azuis brilhando a mesma malícia, uma familiaridade que mesmo então parecia que ia durar para sempre.
"O que você acha que eu quero?"
Genesis beijou-o novamente, contendo um gemido no meio dos beijos. Este escapou quando os lábios tomaram seu pescoço, o joelho de Sephiroth roçando habilidosamente, tornando a calça de couro bastante desconfortável para o poeta.
Um calafrio se espalhou pelo corpo do General. Sephiroth queria punir os lábios por fugirem dos seus por tanto tempo. O rapaz percebeu que não se importava com a natureza dos gemidos. Não queria se importar. Por um instante o rapaz olhou bem no rosto mais magro de Genesis, procurando o prazer e a dor no meio das atitudes incoerentes.
"O que foi?" Provocou Genesis. O silêncio era doloroso para ele, por um motivo ou dois. "Viu um fantasma?"
Os olhos verdes se comprimiram, ainda assim Sephiroth não teve tempo para respostas. A boca de Genesis atacou a sua, todo o corpo do rapaz se juntando ao seu, o toque buscando pelo membro do General, pelos botões de sua calça.
Os passos se direcionaram para a cama. Alguns cintos e zíperes resolvidos no meio do caminho. A cada beijo, mordiscado e saudoso, Sephiroth procurava a pele por debaixo da camiseta negra e Genesis o impedia de alcançá-la.
"Não tire."
"Por quê não?"
Genesis não respondeu. Sephiroth já estava impaciente demais, sem vontade alguma de esperar a boa vontade do soldado. Empurrou o corpo de Genesis para cama e calou o leve gemido de dor com um beijo sedento. Tentou uma última vez se livrar da camiseta, mas Genesis o impediu. O azul brilhou mais ameaçador e Sephiroth estava excitado demais para desejar a discussão.
Livraram-se de armaduras e calças, cintos e qualquer outra peça de roupa que não a camiseta. Ainda assim Sephiroth ergueu-a para passar a língua pelo abdômen do soldado, tentando não pensar no quão mais magro estava o seu ruivo. Tentava não compreender a respiração presa toda vez que roçava em seu ombro, ignorando olheiras e incômodos.
Se Genesis queria daquele jeito; desesperado e insensível, Sephiroth não questionaria.
O ruivo cobriu os seus lábios e inverteu as posições, apoiando os joelhos um de cada lado de seu corpo. Genesis inclinou seu tronco para tomar os lábios do rapaz e gemeu quando Sephiroth envolveu seu membro. Arqueou o tronco para trás e buscou uma das gavetas, o olhar brilhando a mesma malícia. Por um momento sentiu-se absolutamente confortável, como se toda a situação, seu próprio corpo e mente, uma vez mais, estivessem sob seu controle.
"Sentiu minha falta, Sephiroth? Eu certamente senti a sua..."
O general apenas observou. As idéias perigosas de Genesis sempre o excitavam. Mesmo naquela situação, depois de tanto desespero, ele ainda se pegava observando, quase surpreendido pela malícia do ruivo. Este espalhou lentamente o lubrificante, estimulando cada centímetro de sua ereção, fazendo Sephiroth conter a respiração com o toque. O General umedeceu os próprios lábios, observando o rapaz menear o quadril levemente contra seu sexo, impacientando-o ainda mais. A imagem sempre fazia seu sangue correr mais rápido, inevitavelmente, quando percebia quão longe o ruivo estava disposto a ir.
Genesis gemeu alto. Até mesmo Sephiroth, extremamente silencioso, deixou o prazer escapar de seus lábios. O calor ao redor de seu sexo era insuportável, deliciosamente apertado por conta das semanas. Uma sensação maravilhosa e não compartilhada pelo soldado. Genesis teve de morder os próprios lábios para não gritar. Moveu-se muito devagar para cima, seu corpo tornando a envolver o sexo do General, lenta e dolorosamente.
Os dedos de Sephiroth se agarraram nos lençóis, a outra mão buscando a coxa de Genesis, forçando o corpo do rapaz. O ruivo deveria estar completamente louco para agir daquele maneira, mas Sephiroth perderia igualmente a razão se o interrompesse. Seu corpo queimava uma urgência tão intensa que nada mais existiu além do rapaz magro, movendo-se sobre si como se a dor e a devassidão o excitasse tanto quanto os movimentos contra seu sexo.
Genesis gemeu ainda mais alto, comprimindo os ombros quando o General passou a estimulá-lo. A mão do ruivo cobriu a dele, exigindo um ritmo intenso, meneando seu corpo a cada investida. Sephiroth assistiu ao prazer distorcido do rapaz, à dor que o fazia gemer ainda mais alto.
Se era assim que Genesis queria, o General não iria protestar.
Sephiroth empurrou o ombro do ruivo contra o batente da cama, puxando Genesis para seu colo com um movimento brusco. Empurrou ainda mais o ombro do soldado, encostando-o ao batente e penetrando-o com força, tomando cada centímetro de seu corpo.
Genesis agarrou no estrado, gemendo cada vez mais alto. Uma de suas mãos procurou a própria ereção, os olhos se fechando, cerrando a dor e o desejo. Sephiroth não se importou. Investiu mais algumas vezes, sem saber se era mais forte o desejo ou a raiva. Além do prazer absurdo que sentia, era como se cada assalto pudesse punir o soldado pela ausência, por sofrer sozinho. Cada investida, forte e constante, cada gemido que roubava dos lábios do ruivo. Cada gota de suor, ou onda de prazer era para o General não somente fruto de seu desejo, mas também da sua completa incapacidade de dizer como detestava a distância do soldado.
Os dedos de Genesis se agarraram com força em seu braço, machucaram sua pele. Sephiroth não se importou. Investia com força, sem se atentar para a natureza dos gemidos. Dor e prazer; Desde que fosse ele que a causar aquelas sensações em Genesis... Desde que fossem estes os jogos que jogavam... Assim que deveria ser.
O prazer lhe veio tão intenso quanto os movimentos. Sephiroth jogou seu tronco para frente, agarrando as costas do ruivo e unindo cada centímetro de seus corpos. Em seu orgasmo havia apenas os corpos suados encostados um ao outro, a sensação maravilhosa ecoando pelo seu corpo, ondas bem pouco culpadas pelo próprio prazer.
Genesis ainda tinha os olhos fechados. Sephiroth não se afastou, porém se surpreendeu ao ver que o ruivo havia alcançado o ápice antes dele. O rapaz estava completamente exausto. Ele se agarrava no General com a mesma força que este se agarrava nele e apenas as respirações ecoavam pelo quarto. Densas, ritmadas e palpáveis.
Sephiroth até tentou se afastar para dar algum espaço para o ruivo, porém este o impediu. Genesis abriu os olhos e apertou os dedos ao redor de seu braço.
"Não..."
O sussurro foi seguido de um beijo lento, exausto depois de tamanha loucura. Genesis apoiou a cabeça em seu ombro depois do beijo, permanecendo daquele jeito por vários segundos.
Sephiroth não disse nada. Apenas observou, procurando algo mais no rosto do soldado. Procurava motivos, tudo o que assombrou o ruivo nessas semanas caóticas. As perguntas morreram em sua garganta, e os lábios secos pelo esforço não conseguiram dizer o quanto ele realmente se importava.
Genesis afastou seu rosto e segurou o queixo de Sephiroth, roçando os dedos delicadamente pelo seu rosto.
"Legend shall speak of sacrifice at world's end." Genesis suspirou, então beijou-o lentamente. "The wind sails over the water's surface. Quietly, but surely"
Os olhos azuis encontraram os seus, uma profundidade nas esferas que Sephiroth não compreendia de todo.
"A próxima é a ultima parte, Sephiroth... Você está ansioso para saber o final?" Ele não respondeu. O toque formigava em seu rosto. "Hm... Eu também."
O General correspondeu ao beijo, sentindo nos lábios secos do soldado bem mais que poesia. A doença e a loucura tingiam o gosto do ruivo, e Sephiroth queria perguntar, descobrir o que exatamente aquele Soldier inconseqüente sentia por ele.
Na manhã seguinte Genesis não estava mais lá.
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"Nós também não queremos assumir que há um traidor, mas parece a única resposta plausível."
Lazard retirou os óculos e limpou as lentes. Angeal e Sephiroth estavam de pé, Scarlett tinha as pernas cruzadas sensualmente e Hollander sentava-se com as costas recurvadas durante a reunião.
"Vazaram informações sobre as cópias. O departamento de pesquisa confirmou isso essa manhã. Eu não consigo imaginar como esta invasão possa ser cometida sem apoio interno."
Sephiroth e Angeal se entreolharam. O General havia comentado com Angeal que vira Genesis, citara as palavras estranhas, algumas ações enlouquecidas. O moreno também relatava uma impressão semelhante. Os dois estavam preocupados, mas preferiam aguardar que o soldado se recuperasse do ferimento antes de o pressionarem.
A informação trouxe uma leve suspeita entre eles. Partiram em silêncio da reunião, mas nenhum dos dois teve coragem de começar o assunto. Faltavam palavras entre eles. Genesis sempre fora responsável por elas, por trazer espontaneidade ao trio. Sem o ruivo sobrava entre os dois apenas o respeito e um silêncio confortável.
Sephiroth resolveu caminhar por Midgar, algo extremamente raro. O dia estava tranqüilo na empresa e as ruas estavam vazias por conta do tempo. As nuvens de chuva se reuniam no céu, o que o recordou daquele penúltimo dia na praia. Estranho pensar naquilo. Estranho se importar. Sephiroth buscava as palavras nas nuvens, nas lembranças e encontrava apenas a reação enlouquecida do soldado.
De volta à Shinra tudo estava calmo. O acordo de Wutai estava para ser assinado naquela tarde o que tornava as expectativas administrativas tensas. Os soldados, por outro lado, jogavam cartas e trocavam banalidade. Sephiroth atravessou por um grupo de troopers e entreouviu um assunto curioso.
"Eu sempre achei que poesia era coisa de bichinha, mas até que essa peça não é de todo mal..."
O General esboçou um sorriso extremamente discreto. Certamente o comentário seria evitado se Genesis estivesse presente.
"É, eu até gostei do final... ficou bem bacana, não acha?"
"Sei não..." apontou um moreno. "Todos esses finais de Loveless ficam meio forçados... essas batalhas grandiosas. Acho que eu até gosto que não tenha final."
Sephiroth parou de caminhar. A lembrança o atingiu em cheio. Genesis já havia comentado com ele tantas vezes... como podia ter esquecido? O General se virou para o trio de soldados. "Do que vocês estão falando?"
Os três se calaram, trocando olhares confusos. Um deles arriscou um cumprimento. "Desculpe, senhor?"
"Do que vocês estão falando?" Repetiu Sephiroth. Em sua mente a lembrança retornava com perfeição, mas ele ainda precisava ouvi-la da boca de outra pessoa.
"É uma peça, senhor... Loveless... Nós.."
O final. O final inventado, inexistente. O autor morrera antes de completá-la, sem instruir a ninguém o que pretendia. Sem anotações ou roteiros. Sephiroth prendeu a respiração.
"A próxima é a ultima parte, Sephiroth... Você está ansioso para saber o final?"
Ele não se surpreendeu com o alarme. As luzes de todos os corredores se tornaram vermelhas e piscavam anunciando uma invasão. Os três soldados se perguntavam se era um treinamento e o PHS anunciou uma nova mensagem.
Sephiroth não se surpreendeu.
O final... Ele deveria saber que Genesis o escreveria. De uma maneira ou de outra. Dentre tudo o que estava escondido nos olhos azuis... o ruivo não aceitaria a loucura passivamente. Genesis iria até o final.
Mais que qualquer outro, Sephiroth deveria saber disso.
Prendeu a respiração e correu para a ala Norte. Era lá que estavam as pesquisas com Mako, sobre clonagem e envenenamento. Tudo fez sentido; a obsessão de Genesis e a presença nojenta de Hollander. Lembrou-se de Angeal, de sua suspeita e dos relatórios que o moreno contou encontrar no quarto do ruivo.
Ao chegar na entrada do laboratório foi recebido por três corpos.
Os 3 Soldiers haviam sido cortados por uma espada. Sephiroth olhou em volta e escutou tiros. Percorreu um segundo corredor e viu no final dele um inimigo completamente trajado de negro. Uma máscara na frente de seu rosto ocultava sua expressão, mas Sephiroth reconheceu o sangue em suas vestes.
O General atacou. A espada do inimigo bloqueou a Masamune, porém o tronco do assassino não era a mira de Sephiroth. Se afastou um passo, atacando de raspão a máscara negra.
O soldado tropeçou alguns passos. A máscara se partiu e o sangue escorreu da sobrancelha machucada, escorreu pelo cabelo ruivo, muito próximo do olho azul. Escorreu até o canto dos lábios macios e o General prendeu a respiração.
"O quê...?"
Passos foram ouvidos atrás dele. Uma divisão de Soldiers comandada por Angeal. O moreno hesitou por quase um minuto inteiro. Seus olhos iam dos Soldiers mortos até a face lívida de Genesis. Ele encarava Sephiroth como se pudesse encontrar uma resposta na imagem do General.
Esse não respondeu, tampouco aguardou. A Masamune foi revidada fracamente e Sephiroth fincou-a na barriga do ruivo, impiedosamente. O soldado largou a espada quando o sangue lhe subiu até a garganta e o General segurou o corpo antes que esse caísse no chão.
"SEPHIROTH!" Angeal se aproximou dele com os olhos arregalados, completo horror em sua voz. "O que está fazendo??? Você está louco???"
Sephiroth o encarou com fúria e então rasgou a parte de cima da roupa do ruivo, revelando em seu ombro uma pele livre de imperfeições.
O moreno engoliu em seco. Muito em seco. Tentou controlar a respiração antes de se aproximar, convencendo a si mesmo que o rosto idêntico realmente não era o do amigo.
"Uma cópia..."
Sephiroth largou o corpo do clone e o alarme foi interrompido. Os outros Soldiers pediram por ordens, mas nenhum dos dois generais se pronunciou. Uma gota de sangue escorreu da ferida do soldado morto, escorreu por todo o caminho de seu rosto até o chão.
Nenhuma palavra mais foi dita entre os dois.
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O próximo é o último! Espero que estejam gostando.
