Ah, vocês se lembram daquele Naruto obscuro que apareceu numa cachoeira (aquela que mostra seu verdadeiro "eu")? Eu nada mais fiz do que basear-me naquele Naruto para fazer o atual, não é como se eu tivesse tirado essa personalidade dele do nada. ~ Divirtam-se.


Encarcerado

Chapter VII

[ANTES – oito horas depois]

Era noite quando Sasuke saiu de seu apartamento em direção ao hospital. Ele jamais gostou muito desse horário, o céu escuro sempre lhe lembrava de coisas que escondia dentro de si e que não compartilhava com ninguém – ao menos, a seu despeito, não havia lua no céu de hoje. Ele sabia que ela foi continuamente uma testemunha silenciosa nos melhores e – com toda a certeza – nos piores momentos de sua vida.

Imaginou o que poderia aguardá-lo no prédio que, agora, depois de dez minutos de caminhada, estava a sua frente. Era certo que com Naruto e Sakura não poderia ter acontecido nada. Então, lhe sobrara Kakashi, provavelmente o homem voltara de sua missão e estava gravemente ferido. Tinha que ser isso.

– Em que quarto Hatake Kakashi está hospitalizado? – o Uchiha perguntou ao chegar ao balcão de entrada.

Uma recepcionista nervosa engoliu em seco e apontou para o rosto dele.

– Poderia tirar o capuz, por favor? Não sei se está autorizado a entrar.

Contrariado e arqueando a sobrancelha, Sasuke tirou o capuz do moletom, o mesmo com o qual dormira até uma hora atrás. A jovem olhou um segundo para ele e baixou a cabeça, pegando algo de dentro de uma gavetinha.

– Aqui, Sasuke-san – ela entregou-lhe um cartão. "Visitante autorizado", dizia. – É preciso ter isso em mãos. Não perca, por favor, é uma medida preventiva.

Diante disso, o Uchiha franziu as sobrancelhas. Nas paredes havia papéis retangulares semelhantes a papéis-bomba, provavelmente usados para inibir a ação de henges¹ dentro do hospital, já que o corpo de um ninja guarda muitos segredos e é inadmissível que uma vila não proteja os seus. Principalmente após experimentarem o horror do Edo-Tensei.

O Uchiha pegou-se pensando se aquela não era a resposta de sua pergunta não feita. Kakashi estava morto, afinal?

– Ala sul. Segundo andar, sala 980, Sasuke-san.

Sem olhar novamente para a recepcionista, Sasuke andou pelos corredores. Era um local incrivelmente grande, com um cheiro particular que não lhe dava escolha a não ser franzir o nariz. Ao menos, era bem iluminado, mas sem aquela luz branca cegante que costumava ter. Após errar o corredor pelo menos uma vez e subir quatro lances de escadas, o vingador finalmente chegara próximo ao seu destino.

Seu indicativo fora a voz de Sakura. Meio abafada. Muito triste. Sasuke escondeu-se na esquina que dobrava o corredor. Não conseguiu dar um passo a frente e confirmar a notícia. Não queria que eles percebessem que aquilo o afetava – mesmo que sinceramente não tanto quanto deveria.

Ele já estava acostumado.

– Eu sequer pude tentar salvá-lo, Naruto.

– Sakura-chan, você não poderia ter feito nada, mesmo se quisesse. Kakashi-sensei já estava sem vida... há um dia e meio. – O resgate demorara horas para chegar, e quase um dia para trazer a todos os ninjas até Konoha. O único sobrevivente estava num quarto isolado, recebendo tratamento.

Sakura soluçou.

Os dois amigos estavam abraçados – o Uchiha notou –, porque as vozes saiam abafadas, como se escondessem o rosto no pescoço um do outro. Eles se consolavam, como irmãos. Como Sakura havia dito que eles eram. Perguntou-se se o Naruto ainda desconhecia que o luto da Haruno não era apenas por uma ligação sensei-aluna. Perguntou-se o que lhe importava isso. A vida de seus, por ora, companheiros, não era da sua conta.

Eles eram o verdadeiro Time Sete, ele estava à margem disso, embora aquela não tivesse sido sua posição outrora. Isso estava claro. Mesmo assim, era o melhor, o jeito mais sábio de lidar com um novo status ao qual ele próprio se colocou. O Uchiha sabia que manter essa ideia em mente lhe manteria são o suficiente para levar seus ideais até o fim, sem medo de sacrificar peças necessárias.

– Oh, Kakashi... – a garganta de Sakura sussurrou, rasgando-se de pesar. O sensei foi seu porto seguro, ele a tratara melhor do que merecia. E, agora, ela nunca o teria. – Não podia me deixar sozinha.

Escorando-se na parede fria, Sasuke apertou o cartão em sua mão e trincou os dentes. Provavelmente, depois que a perícia verificou os ferimentos e tipos de jutsus usados contra Kakashi, agora outros médicos estavam preparando o corpo do sensei para que fosse enterrado no dia seguinte ou ainda esta noite, já que era muito possível que já houvesse entrado em estado de decomposição.

Aquele havia sido o homem que lhe ensinou a importância do trabalho em equipe, que lhe deu o chidori como um presente único, serviu-lhe de broncas e um ombro amigo – que o vingador sempre rejeitou –, era o mais próximo de um pai que Sasuke chegou a ter depois do massacre, ainda que o Uchiha nunca tenha deixado minimamente claro que considerava o antigo sensei. Ainda que, com o passar do tempo, já não o tivesse em tão alta estima assim.

– Eh? Sasuke? – Naruto, de olhos arregalados e segurando a companheira pelos ombros, apontou para o amigo. – O que faz aí?

Sasuke relaxou os músculos e olhou calmamente para o loiro, ocultando qualquer emoção que pudesse transparecer.

– Chamaram-me

– Há horas, eu ouvi.

Ele deu de ombros. Reparando em Sakura, que limpava o nariz num lencinho branco.

– Que importa? Eu estou aqui.

– Bem, precisávamos de você desde antes. Pode ficar com a Sakura-chan um minuto? Um de nós precisa preencher uns documentos.

Sasuke olhou desgostoso para a Haruno, que esfregava os cantinhos dos olhos e vez ou outra assoava no lenço. Ela quase parecia uma perfeita viúva. Se não fosse as circunstâncias de relacionamento entra ela e o sensei, imaginou que quem estaria neste estado seria o Uzumaki, uma vez que ele era mais próximo do Hatake do que ambos. Os personagens trocados não eliminavam, mesmo assim, os sinais de choro de Naruto.

– Eu fico com os papéis – o vingador declarou. Naruto soltou uma risada imprópria com um bufo descrente e exausto.

– Eu preciso respirar um pouco, teme. Não vai te custar nada ficar com ela.

– Naruto, eu sou adulta, não preciso do Sasuke – Sakura pronunciou-se, com uma voz conciliadora. – Logo a Ino sairá do necrotério, eu vou dormir com ela hoje.

– Mesmo assim, eu não quero deixá-la sozinha. Você não parece bem, Sakura-chan.

– Mas ficarei. – Sakura tocou o rosto de Naruto e lançou um olhar em direção ao Uchiha, que permanecia sério e inatingível. A Haruno sentou-se num afastado banquinho branco, em frente a sala em que Ino, outros médicos e o sensei estavam. Olhava para a porta com um olhar vago e distante.

Naruto voltou-se para Sasuke.

– Apenas... apenas fique de olho nela. Há rumores estranhos no hospital sobre os dois, se for verdade... eu acho que sentirei pena da Sakura-chan, ela vai acabar vendo esse sentimento, e, certamente odiará, só a fará mais triste.

– Hn.

Naruto revirou os olhos e ficou mais sério.

– Eu sei que você não liga, ou, pelo menos, finge muito bem que não, mas é da minha amiga que estamos falando E se ela foi capaz de te enfrentar há alguns meses, eu farei o mesmo, Sasuke. Então, se puder deixar esse seu fodido orgulho de lado um segundinho, eu ficaria muito grato. Cuide da Sakura,

"Cuide da Sakura", o Uchiha lembrava-se de já ter dito essa mesma frase para o próprio loiro.

Sasuke cruzou os braços, sem responder ao Uzumaki, que carregava um olhar com o qual o Uchiha já havia se deparado antes, uma mirada tão feroz capaz de arrancar o coração de alguém à força. Assim como antes, havia sido apenas uma fração de segundo, pois o loiro já saíra andando. Como antes, o motivo havia sido Sakura e o comportamento absurdo e desgarrado de Sasuke.

Saindo de sua esquina, o shinobi se apoiou no extremo da parede e mirou Sakura, com seu cabelo rosa jogado e com a cabeça entre as mãos. Já não olhava a porta, mas seus ombros sacudiam. Ela chorava silenciosamente, bateu nos joelhos uma ou duas vezes. Voltou a olhar a porta e usar o lencinho.

Olhando para uma demonstração de fraqueza tão grande, Sasuke remexeu-se.

O que isso tem a ver comigo? Sequer sentia pena dela.

Teria sido melhor ficar em casa. O Uchiha pensou nisso. E hesitou antes de dar meia volta no corredor, procurando a saída do hospital. Ele não tinha por que obedecer ao Naruto ou consolar Sakura, eles viviam sua vida separadamente, afinal. Quanto ao ex-sensei, o vingador ainda o teria no cemitério para o resto da vida.

Não há motivo para pressa. Kakashi poderia esperar.

.

.

[AGORA – três horas depois]

Não importava o quanto ela odiasse aquele local, sempre precisaria confrontar-se com ele; pela primeira vez, hoje, era de sua escolha pessoal estar ali. Passou pelos guardas com o rosto sério, sabendo que eles lamentavam que a sua bata branca cobrisse suas pernas, longas e bonitas. O mais jovem deles deixava sua decepção amplamente clara.

Ino evitou se incomodar com isso, estava acostumada com a atenção, podia-se dizer. Mas a prisão tinha uma influência sombria sobre seu humor, talvez ainda mais acentuada por estar frente a cela 41. A do criminoso Uchiha Sasuke.

Lá estava ele sentado em sua cama, de costas para a Yamanaka, tinha o rosto levemente inclinado para o lado. As mangas da blusa estavam arregaçadas até o cotovelo, revelando o padrão espiral do selo que bloqueava seu chakra e sharingan. Isso, adicionado aos selos nas paredes de pedra, talvez inibissem a capacidade do Uchiha de perceber a presença de outras pessoas, já que ele não havia dado sinais de que a notara.

Yusuke estava certo. Sasuke agora parece uma sombra.

Ino engoliu em seco e agarrou uma barra da grade com a mão.

– Uchiha, é Ino.

– Não estou doente – a voz de Sasuke, levemente rouca, lhe respondeu. Ele não se mexera.

– Não estou aqui como médica – Ino olhou-o expectante, esperando uma reação.

Recebeu sua resposta numa pergunta, que veio tardia e simples.

– Não?

– É por Sakura.

O encarcerado encrespou-se, apertando os punhos e virando-se devagar para a Yamanaka. O que aquela vaca queria? Realmente não era suficiente? Deviam deixar claro logo qual era o objetivo naquilo tudo ao sempre insistirem em tocar no nome de Sakura, sabendo – com certeza – que ela era o próprio carma do Uchiha.

– Se veio pelo mesmo motivo de Naruto, é melhor dar o fora. Já sei o que tem a dizer, se quiser me culpar, culpe de sua casa confortável, não aqui.

A médica controlou sua raiva como pôde, chamou Sasuke de estúpido baixinho e apertou a barra com força. Não podia sair dali sem contar-lhe a verdade, embora não gostasse do que o shinobi era agora, Ino não ignoraria seu dever como cidadã e médica.

O Uchiha levantou-se de sua cama – tão simples e rude – e veio em sua direção. Em resposta, Ino largou as grades imediatamente, recuando um passo.

– Sente medo agora que posso andar com as próprias pernas? Não é necessário tanto.

Ela não tinha medo dele. Mas da aura estranha que vinha dele. Parecia que o segredo do mundo estava em suas costas, que carregava o luto de mil pessoas, talvez – considerando-o por um momento – ele realmente levasse consigo tal fardo. No fundo, Ino sabia que era por Sakura. A garota sempre tão invejada, cujo lugar em que estava agora ninguém ousaria almejar.

– Ela está viva. Sakura.

Sasuke comprimiu os olhos e parou a três passos do limite da cela.

– Isso é um tipo de jogo para os filhos da puta de Konoha? Não, um jogo seu e de Naruto?

– Eu não perderia meu tempo vindo aqui para contar mentiras.

– Hmp.

Naruto, então, possui muito tempo livre. Sasuke pensou em dizer, mas se Sakura estava realmente viva, então nem tudo estava acabado. Ele poderia esperar pacientemente o momento certo e, enfim, contra-atacar. Konoha não perdia por esperar. Você vai devolver o que é meu, Folha.

– Era tudo que eu tinha a dizer – Ino terminou, percebendo pequenos traços de alívio no rosto de aspecto pouco saudável do Uchiha. Daria seu salário por seus pensamentos e, ao mesmo tempo, desejou nunca ter dito a verdade, nunca devia ter aliviado o peso sobre os pulmões de Sasuke.

A medic-nin girou com um movimento brusco, mas em seu segundo passo teve o braço retido por uma mão.

Sasuke!

Ignorando o calor insuportável emanado pela grade e que, em breve, formaria bolhas em sua pele – reação provocada pela interação do selo em seus braços e os selos na cela –, o Uchiha agarrou o pulso de Ino, que se voltou para ele, assustada, atordoada, considerando atacá-lo.

– Como posso confiar em você? – Sasuke questionou-a, seu semblante voltando a ser duvidoso, ameaçador.

– Eu não sou o Naruto.

– Entendo.

O Uchiha soltou-a devagar, encolhendo o braço para dentro da cela, a pele da região estava avermelhada, as bolhas provavelmente não viriam dessa vez, mas dor seria sentida com intensidade. A Yamanaka ignorou o ferimento do homem, sem pretensão de curá-lo. Não sentiria pena dele. Não poderia. Por Sakura, ela odiaria o vingador com todas as suas forças, ainda que soubesse que a Haruno jamais desejaria um agora tão vazio para seu amado.

Estive aqui por você, Sakura, mais do que dizer a verdade a ele seria pretensioso demais até para mim. Não há mais nada que eu possa fazer por Uchiha Sasuke.

.

.

[ANTES – dois dias depois]

Lançar kunais e acertar o alvo – não importa como – é uma das primeiras lições que um ninja de academia recebe. Itachi sempre foi excepcional nisso, Sasuke crescera para admirá-lo fazendo exatamente o que ele tentava reproduzir agora. Nove alvos dispostos ao longo de um espaço no campo de treinamento. Um deles localizado num ponto cego. O Uchiha saltou, posicionou as nove kunais entre os dedos enquanto estava em queda livre e disparou-as.

Nove sons ocos vieram.

Acertou todas, obviamente. Mas, ao contrário do shurikenjutsu de Itachi, impecável, uma das suas kunais não acertou exatamente do centro, desviando-se uns quatro centímetros. Com uma expressão desgostosa, Sasuke recolheu as armas uma a uma, pronto para tentar novamente.

Até que usou uma delas para acertar uma castanheira próxima. Olhou para ela e para a sombra ao seu lado.

– Suigetsu.

– Porra, Sasuke, como me descobriu? Karin está escondida com Juugo ocultando nossos chakras, nem assim você não me dá o prazer de surpreendê-lo – reclamou o espadachim, recolhendo a kunai da árvore com um puxão forte.

– Muito barulhentos. – O Uchiha respondeu, guardando suas ferramentas na aljava. – O que faz aqui? Mandei nunca vir me procurar. É perigoso.

Suigetsu não parecia convencido.

– Hm, perigoso, você diz? Fui anistiado pela minha própria Mizukage, sou um cidadão livre. Já os outros dois são tão insignificantes que ninguém liga.

– Juugo teve algum ataque? – Sasuke cortou-o.

– Ele não tem se estressado mais, não há motivo, então vive conversando com seus passarinhos. Na minha boa opinião, ele deveria arranjar uma foda para prevenir.

O Uchiha arqueou a sobrancelha. Suigetsu teria vindo até os limites de Konoha apenas para ficar de papo furado sobre Juugo? Provavelmente o espadachim trazia consigo boas ou más notícias. Pelo seu rosto risonho Sasuke não saberia dizer, o rapaz sempre era indecifrável.

– É bom que não baixe a guarda com Juugo mesmo assim, não estou por perto – o vingador disse, estendendo a mão e recebendo a kunai desgarrada das mãos de Suigetsu. – No entanto, o que realmente me importa é o motivo que os trouxe aqui.

– Caralho, nem nos convida para o almoço, sua temporada com os floridos de Konoha não te deixou amável, Sasuke?

Sasuke franziu a testa, prestes a ir embora.

– Espera! Tudo bem, é só que, ahn, más notícias. Perdemos quatro dos nossos para um grupo shinobi da sua vila.

O Uchiha imediatamente voltou-se para Suigetsu, uma veia transparecia em sua testa, enquanto perguntava baixinho e ameaçador:

– O quê?

O ninja assumiu uma pose entediada, tentando fingir que aquele Sasuke não lhe assustava.

– Nosso grupo se dividiu em dois, Sasuke, o menor foi seguido por um grupo de Konoha, e só depois que se uniram novamente é que perceberam a presença deles. Atacaram imediatamente, é claro. Se Karin, Juugo ou eu estivéssemos com eles, no entanto, isso não teria acontecido. Achamos que eles saberiam que confrontar ninjas a essa altura ainda era um erro; pelo menos eles apagaram todos os rastros na fuga, Acham que somos todos simples nukenins, não se preocupe.

A mente do vingador virou um caos, no fim, mal escutava o espadachim com atenção. Ocupou-se em ligar pontos e perceber que o pior havia acontecido. Kakashi. Não, ele ainda não tinha certeza de nada. Não podia imaginar que, agora, tinha uma ligação indireta com a morte do homem que lhe ensinou tantas coisas. Não era para ter acontecido. Era para que os idiotas sequer demonstrassem que existiam.

– Qual o número de pessoas no grupo?

– Quatorze, agora dez. Mas o que isso importa?

– Os ninjas da Folha, quantos eram?

– Quatro. Um sobreviveu, mas um dos nossos alegou que era um garoto patético que nem conseguiria descrevê-los, principalmente depois que o líder do grupo morreu para salvá-lo.

– Então, foram vocês que o mataram – a boca de Sasuke transformou-se numa linha amarga de desagrado.

– Hum? Quem?

– Vocês, imbecis filhos da puta, mataram meu sensei. Mataram Kakashi.

.

.

[AGORA – quinze minutos depois]

– Eu o encontrei hoje, Sakura. Revelei as mentiras de Naruto.

Mesmo ao ouvir seu nome, a Haruno não desgrudou os olhos além da janela. Olhava, mas não via nada. Ouvia, mas nada escutava. Respirava, mas não vivia. Sua mente estava longe demais para que qualquer recurso civil ou shinobi pudesse alcançá-la.

Às vezes, Ino tentava conectar-se à consciência de Sakura usando seu kekkei genkai, mas tudo que encontrava era uma sala vazia com uma porta branca. Tentava abri-la com as mãos, no entanto, estava sempre trancada. Algumas vezes usava golpes mentais para arrombar a porta. Espiava pela fechadura. Contudo, era inútil. Tinha certeza de que a kunoichi brilhante que sua amiga era escondia-se atrás daquela passagem. A loira lutava para transpô-la todos os dias, mesmo que fosse em vão.

Ino deu a volta pela cadeira onde Sakura estava sentada, e agachou-se à sua frente, abrigando as mãos frias da Haruno dentro das suas. Os olhos verdes não tinham brilho, ela piscava devagar. A boca tinha um tom rosado saudável, assim como as bochechas, parecia uma boneca – em todos os sentidos. Era uma sorte a rosada ainda conseguir fazer gestos aleatórios, como ficar de pé sozinha, pentear os cabelos e até escovar os dentes, como se seu corpo soubesse da rotina de cor.

Afora isso, era uma casca oca. Por que fez isso consigo mesma?

– Sakura, você precisa voltar para nós. Precisa nos dizer o que aconteceu.

Mas a Haruno estava longe de entender a súplica da amiga. E mais ainda de se libertar de suas amarras. Pois, apesar de todo aquele conforto, Sakura não deixava de estar presa, como um pássaro cujas asas foram cruelmente cortadas, proibido de reivindicar o céu que lhe pertence.

A Yamanaka piscou os olhos umedecidos.

Oh, Deus, você também é uma encarcerada.

To be continue...


¹ ~ henge: técnica de transformação.


Notas:

Não tenho conseguido fazer capítulos menores, bom pra vocês. E, pronto, praticamente entreguei 60% da história, hoho. Será que agora algumas coisas fizeram sentido ou fodeu tudo de vez? Eu tô morrendo, porque quero logo ir pro SasuSaku. Ç,ç Dica: Sasuke é vilão e herói da própria história. E, sim, Ino é uma personagem importante.

Reviews:

Ana Carolina Ogata: Você é, então, aquela pessoa que ama o personagem acima das circunstância. Tão lindo. *-* kkkk, eu também sinto uma peninha do Sasuke. Mas infelizmente esse mal é necessário. Também estou sofrendo com a morte do nosso Kakashi, por isso pedi as fanfics, para que eu possa suportar esse vazio. Aliás, excelentes dicas, tô gostando de todas. *-* Agradeço muito mesmo a PM. Obrigado por sempre comentar e dar seu apoio.

Wonderje: Menina, super review. Será que ter o banquinho de volta não foi exatamente algo bom? Bem, eu lamento dizer, mas o que o Sasuke fez só será revelado mais a frente. No entanto, continuarei dando dicas. Umas mais substanciais que outras, certamente vocês vão adivinhar o que é antes até mesmo que eu diga. Infelizmente o Naruto deseja vingança, eu não o vejo como um personagem vingativo (e ele nem é), no entanto, tenho para mim que se ele alimentar esse sentimento será uma coisa negativíssima para ele. Foi o caso aqui. E, uau, linda frase. *-* Aham, o que você disse é certo. Naruto é um pilar moral para todos. Então, e se nesse tempo todo ele só estava fingindo ser um cara forte? E se o pilar da vila vai ao chão? E eu não conheço esse autor, mas vou procurar algo dele. É livro acadêmico? Enfim, concordo muito com a frase dele. ^^ Sasuke é assim, finge que não liga, que não se importa, mas no fundo isso é falácia. Ele liga. Do jeito dele. E, uau, que resposta sincera, aprecio isso mais do que qualquer coisa. É realmente difícil amar uma pessoa que, possivelmente, te fará mal. kkkkk, é, por que será que agora faz sentido? Deixa quieto. xD Até o próximo, agradeço muito sua participação sempre ativa e comentários que sempre me acrescentam algo. *-*

Mra Ichinose: Não se preocupe com isso, eu sei que é difícil. xD É, eu morro de vontade de contar o que vai acontecer toda vez que me perguntam, mas eu lembro que não posso, então sento e choro. Uau, Itachi, o menino de ouro. Um personagem muito especial, entendo você não conseguir abandoná-lo. kkkkkk, como assim? kkkkk, bem, vai que o Konohamaru é mesmo desses? Vou deixar no ar, porque ele realmente ficou secando o Sasuke. xD Obrigado por comentar. *-*

Tia Cellinha: Uau, seja bem-vinda. Mande um olá para suas amigas, é uma sensação diferente saber que uma fanfic minha é um tema de conversa, incrível. *-* Infelizmente a fanfic pede um Sasuke assim, eu tentei trabalhá-lo na arrogância, sinceridade e indiferença, no entanto, ele tem ficado frio e cruel. Pelo menos a patada que ele deu na Sakura recentemente (parece que o Sasuke implicante voltou) resgatou um cadinho no Sasuke de encarcerado. kkkk, a ideia era todo mundo pensar mesmo que ele tinha matado o pobre Kakashi mesmo, eu venci na vida. Agora o que motivou a esses dois ninjas a estarem tão transformados... é algo que vou deixar para depois, kkk. Acho que vamos precisar de um trabalho de ambos os lados - Sasuke e Sakura - para ultrapassar essa muralha de gelo. Eu espero saber conduzir isso com lógica. *-* Agradeço muito o comentário e a sinceridade.

Koorime Hyuuga: Buda, é a menina da caverna. Eu lembro disso e começo a rir. Mostrei para my sunshine e acho que a criatura faleceu. Conseguirei ou não parar de rir e responder seu review? Eis a questão. [Alguns minutos depois]: Oi. Ai, porra, eu não duvido nada que ele tenha tido mesmo uma ereção, até eu se tivesse no lugar do Konohamaru (que? não!), acho que foi por isso que ele nem demorou na casa do homem, rolaria um hentai (e não precisamos dizer quem é que iria ser violado). Fico feliz que ainda não esteja odiando o Naruto, assim ele pode fazer mais merdas e você não vai ficar muito puta com isso. E a Hinata, eu até gosto dela, mas acho sonsa demais, preferiria que ela fosse mais espertinha. Aaah, mas se eu revelar a causa dos pitis de Naruto o que será de mim? Não senhora, segredo. xD Mas garanto que o motivo não é bobo e Kakashi não tem muito a ver com isso (e falo considerando o capítulo hoje também). E vou chamar meu peixe de mielina. *-* Você não apenas mudou minha concepção de KakaSaku, você a arruinou. Estava lendo as fanfics que a Ana me passou e em algumas passagens (os hentais) eu lembrava disso de caverna e, enfim, tira que parar para rir. kkkkkk, ganhei nobel! Vou agradecer a todos, mas principalmente meu peixe Mielina, minha inspiração. *-* Sim, vou manter a regularidade de postar uma vez por semana, quero o grammy. *-* Uau, isso que eu acho lindo. Amar o Sasuke, principalmente, é um desafio, ele é cheio de nuances e sempre faz suas fãs sofrerem. Espero que o Sasuke atual esteja te dando alegrias, pelo menos ele finalmente está recebendo um foco no mangá, tava meio largado. KKKKKK, sobre seu comentário de QI e marcações de tempo, isso é REALMENTE um alívio. Agradeço muito por me fazer rir tanto e pelo carinho nos reviews. Ai, ai, cavernas.

Ziza: Oi, Ziza! Claro que eu me lembro, como poderia esquecer? Sempre atenciosa nos comentários e gosta deles centralizados, kkkk. Eu já tinha feito o doc com os comentários daqui respondidos agorinha, mas eu senti que deveria verificar mais uma vez e, oh! Aqui está mais um para responder, fiquei tão feliz *-* Caralho, assim eu derreto e me apaixono pelos leitores, que eu descubro a cada capítulo que são pessoas especiais e dedicadas. Eu tenho muita, muita sorte mesmo. E conheço a Mra Ichinose, ela comenta por aqui. ^^ Eu nunca li nada dela, mas se você diz, eu vou guardar a dica aqui para ler, kkk. Hoje sai continuação! Obs, Essa minha conta é de fevereiro, sofri muito para aprender, é realmente chatinho. Também reparei que no Nyah há mais comentários. xD Não sei dizer o motivo. Obrigado por sempre comentar, você é um amor. *-*