N/A: Esta é uma historia antiga. Comecei a publicá-la em julho de 2006. Muito tempo antes de DH, então ignorem o livro para ler esta história.

Disclaimer: Harry Potter e seus personagens não me pertecem. E sim, a Lady Rowling, e sua editora. O propósito aqui é diversão. Se me pertencessem, a Warner tá fu**** na minha mão.

SELVAGEM: A ARTE DA GUERRA

A Harry Potter Fanfic by Ligya Ford

CAPITULO SETE – QUANDO O FRIO É QUASE QUENTE

Anthony deixou Harry, Ron e Draco em um prédio baixo de apartamentos. Tinha seis andares e janelas grandes. Ficava no East Village, o bairro reduto dos artistas e escritores conceituados de Nova Yorque.

Anthony entregou a Draco uma chave, e retirou a bagagem do trio do porta-malas.

- Bom, na chave há o número do apartamento, se não me engano é o 64. É no último andar. É o único com três quartos. Acho que vocês são muito "vips" pra ficar em um apartamento comum. – ele põe uma última mala no chão. – O prédio inteiro é residência de aurores e agentes da UCT.

- Parece que ele tá caindo aos pedaços. – disse Harry.

- É só um feitiço. Na verdade, ele é bem novo. Ah, outra coisa. Sr. Dylan disse que a mulher que mora no segundo andar é amiga de vocês.

- Mesmo? Quem? – perguntou Ron.
- Bom, é a Mia. Mia Uckermann.

- Não conheço ninguém que esse nome. – disse Harry. Ele olhou para Draco e Ron, que levantaram os ombros. Também não faziam idéia de quem era.

- Bom...

- Como ela é? – perguntou Draco. – Eu acho que conheço a maioria das garotas de Hogwarts, mesmo que não lembre o nome dela.

Harry soltou um riso.

- É isso aí, garanhão!

- Mia é loira, de olhos azuis. – Anthony respondeu.

- Não lembro de ninguém assim.

- Eu lembro de uma loira de olhos azuis, – disse Ron. – mas esse não é o nome dela.

- Quem? – perguntou Harry.

- Luna.

- Luna e Mia não são exatamente nomes parecidos.

- Eu sei, Draco, só disse que lembro dela. – se defendeu Ron.

- Bom, muita gente aqui tem nome falso. Sabe, por segurança. Talvez seja ela, nunca se sabe.

- É. – disse Harry. – O que essa Mia faz?

- Ela é negociadora da UCT, uma das mais graduadas. Vai ser a próxima chefe, tenho certeza.

- O que? – gargalhou Draco. – Agora a gente tem certeza que não é a Luna.

- Por que?

- Por que? – Draco repeteu, achando aquilo um absurdo. - A Di-Lua Lovegood? Nunca.

- Por que? É bem possível. A Luna foi embora logo depois da nossa formatura. – diz Harry.

Junto com Ginny. – ele lembrou.

- Mas Harry... quase chefe? Eu concordo com Draco. A Di-Lua era avoada demais para chegar a esse ponto.

- Acho que pode ser ela mesmo. – disse Anthony, rindo. – A Mia é bem... excêntrica.

- Será? – se perguntou Ron.

- Bom, senhores, eu lhes deixo aqui. Como disse, é no último andar. Tudo o que precisarem encontrarão lá, inclusive uma geladeira abastecida. Uma carro irá buscá-los amanhã ás nove, para o início do treinamento. Boa tarde! – entrou no carro e sai cantando pneu.

O trio virou as costas e encarou aquela nova situação. O prédio parecia velho e decadente. Pegaram as malas e entraram no prédio.

Entraram no minúsculo saguão e o trio observa o recinto. A direita havia uma porta de vidro, e um pequeno corredor. À esquerda, uma parede com caixas de correio. Cada uma com um número de apartamento.

A sua frente havia uma escadaria escura.

- Ah não, não tem elevador!

- Deixa de ser preguiçoso, Ron. – exclamou Harry.

- Eu disse. Eu disse. – resmungou Draco.

- Disse o que? – Ron perguntou chateado.

- Eu disse que as acomodações eram um lixo. – exclamou chateado, subindo as escadas.

Depois de tantos lances de escada, o trio chegou no último andar, cansados, vermelhos e sem fôlego.

- É o número 64, mesmo. – disse Draco. Harry procura uma porta com o número, e a encontra no fundo do corredor, bem afastada das outras portas.

Draco andou até lá, e enfiou a chave na porta, que abriu com um clique.

Ao contrário do que imaginavam, o apartamento não estava sujo e cheirando a mofo. Tinha sido limpo ao extremo, tendo o chão reluzente e um agradável perfume de lavanda.

- Bom, é maior que eu pensei. – disse Draco, tendo Harry e Ron atrás dele.

Á direita, havia um balcão, onde se podiam ver uma enorme geladeira de duas portas e um microondas de última geração. Haviam prateleiras com utensílios domésticos, que provavelmente nunca seriam usados.

À esquerda, podiam ver um enorme sofá preto, e uma televisão que "poderia dar inveja a Tio Valter", pensou Harry.

Ron se jogou no sofá, resmungando algo sobre estar muito cansado.

Harry largou as malas no chão e andou até a enorme varanda, atrás da televisão. Podia se ter uma boa vista do sul da ilha de Manhattan, inclusive um pedaço dos prédios famosos de Nova Yorque, como o Empire State e o Chrysler Building.

Ele sorriu, e lembrou das dezenas de filmes que viu, com Nova Yorque como pano de fundo. Nova Yorque era a Big Apple, a terra das oportunidades, onde os sonhos se realizavam. Mesmo com todo o problema que aquela cidade passava, ele tinha um pressentimento de que algo mudaria na sua vida ali.

Era um sentimento de realização. Sentia que um pouco de seu destino estava ali. Não sabia que era. Mas com a morte de Voldemort, sabia o que queria fazer com o resto da sua vida: ser feliz. Procurar a felicidade.

E sua felicidade tinha nome e sobrenome: Ginny Weasley.

Agora pensava claramente. Via como o quanto tinha modificado seus planos. Nada do que tinha planejado quando saiu para caçar Voldemort, e o que viria depois, deu certo. Acabou que tudo aconteceu por acaso. As coisas estavam no lugar certo, na hora certa.

Acabou acreditando em destino. Como aquele ditado: 'Deus escreve certo por linhas tortas". Aquele era o fim, mesmo que os meios tinham aparecido de forma desordenada.

Mas algo não encaixava ali. O embuste para pegar Voldemort não dera certo. E acabou perdendo Ginny por isto. Conseguiu pegá-lo, mas não conseguiu reavê-la.

"Reavê-la". – ele pensou e riu.

Como se ela fosse um objeto. Um objeto que ele pudesse descartar, e pegar de volta.

Por isso era parecia odiá-lo. Por isso aquele comportamento tão hostil na Toca. Como se ela quisesse, o tempo todo, subjugá-lo. Colocá-lo no lugar. Ter certeza de impor a presença dela.

Será que seria tarde demais?

Seria tarde demais dizer a verdade? Dizer que fez tudo para chegar a um único fim? Será que o fim justificava os meios?

Harry sentiu uma mão no seu ombro. Era Ron.

- Harry! – ele se virou no susto. – Quer escolher o quarto?

Harry nega com a cabeça.

- Faça como vocês quiserem. – ele murmurou.

- Viu, Weasley? O que foi que eu disse? Potter não se importa se o quarto é o mais perto do banheiro, ou se é o primeiro que bate o sol de manhã.

- Tá, tá certo. Eu fico com o do fundo.

- Por mim, tudo bem. São todos iguais. – ignora Draco.

Harry suspirou. Ron percebeu.

- O que foi? – ele perguntou.

- Nada. Só cansado. Só cansado. – ele murmurou novamente, alcançando as malas e entrando no corredor. – Só preciso de um banho. – Olhou para as portas, confuso. – E aí, qual é o meu?

XxLFxX

Ron, estirado no sofá, assistia um jogo de beiseball.

- Pelo que eu entendi, você bate com aquele bastão de madeira em uma bolinha,e aí, o pessoal do outro time tem que pegar a bolinha, enquanto o jogador que bateu na bolinha, tem que passar por vários pontos, até voltar ao lugar onde ele bateu a bolinha.

Draco gargalhou. Ron era ótimo pra explicar as coisas.

- Entendi tudo, Weasley! Só não me pede pra repetir o que você disse. – disse Draco, encostado no balcão da cozinha, lendo o "New York Times". – Pelo jeito você não ouviu nada o que eu disse.

- O que você disse? – perguntou Ron, olhando para trás.

- O que foi que você disse? – um Harry amassado repetiu, só de calça de abrigo, aparecendo na sala.

- O "Twelve Riders" atacou um grupo de jornalistas ontem. Ninguém foi encontrado. Ninguém sabe se é seqüestro ou assassinato. – disse Draco, firme. – Caras, isso tá me saindo muito complicado. E eu não me sinto bem com isso.

- Pelo fato de ser complicado? – perguntou Harry, mexendo nos armários da cozinha.

- Não. Não gosto de entrar numa briga sem conhecer totalmente meu adversário.

- Também estou com um mau pressentimento. – disse Ron. – Harry, quando você foi dormir, eu liguei para Mione. Nós fomos num... num... ore... orei...

- Orelhão. – corrigiu Draco.

- Isso! Um ore... ore... – ele tentou de novo, e então desiste: - E ela andou investigando esse grupo, e descobriu que eles tem uma fortuna avaliada em 150 milhões de dólares. Eles são um grupo de assassinos, Harry. Eles não se importam com bruxos, trouxas, nada, nem ninguém.

- Exato. – disse Harry. – É aí que nós entramos. Precisamos destruir esse grupo. Ao contrário de vocês, eu sinto um pressentimento muito bom. - disse ele, engolindo um gole de suco. – Eu posso sentir isso.

XxLFxX

Os dias se passavam com uma monstruosa velocidade, de acordo com o cansaço e estafa do trio.

Acordavam bem cedo e iam direto, ou para a UCT ou para a academia do Ministério. O treinamento era pesado e rigoroso. A parte da manhã era dividida entre informática ou armamento. Em seguida, um intervalo para o almoço, em que era servido uma refeição balanceada com carboidratos e proteínas. Na opinião do trio, era ração de cachorros.

- Como é que alguém pode comer isso? - reclamou Ron.

- É repugnante. – disse Draco, concordando, fazendo cara de nojo.

- Tem gosto de pé! – Harry berrou, enjoado.

Na parte da tarde, aprendiam direção defensiva e artes marciais. Era ministrado por um bruxo jovem e musculoso com uma arcada dentária inferior um tanto grande, que Ron tinha apelidado de "Javali". O apelido tinha saído no meio de exclamações de baixo calão e resmungos de dor.

Ron era tão ruim que só apanhava. Seus reflexos de goleiro pareciam ter sido esquecidos em Hogwarts.

Chegavam no apartamento tão exaustos, que acontecia do trio ir dormir sem jantar.

As vezes, Harry sentava no sofá com bolsas de gelo nos ombros, nas costas, ou nos joelhos. Ligava a televisão, mas não prestava muita atenção no que passava, apenas ficava remoendo suas dores e seus pensamentos.

Naquele dia, depois de engolir um analgésico para parar a dor nas costas, ficou deitado no chão gelado, tentando de alguma maneira manter as costas retas para aliviar a dor.

Mantinha os olhos fechados, tentando se concentrar na sua respiração, nas batidas do seu coração, e no som ambiente. Aquilo era o inicio de meditação e de yoga, a única coisa que tinha tirado de bom do seu casamento. Cho praticava sempre.

Mas na verdade, não conseguia relaxar e meditar. O som ambiente não ajudava. Era uma mistura de sons: buzinas, latidos, vozes, britadeiras, o vizinho com rádio no último volume, e podia jurar que tinha ouvido um rugido. E pra piorar, ouvia Draco cantando no chuveiro.

Abriu os olhos devagar, e fitou o teto branco.

Suspirou profundamente.

A sensação de pressentimento o preenchia novamente. Era algo calmante, algo confortável, lhe dava um grande bem estar. Era quase terapêutico. E aquele prazer, lhe trazia um pensamento: Ginny.

Será que ela fazia parte daquele pressentimento bom?

Ainda não tinha tido a oportunidade de ver Ginny. Eles chegavam tão cansados, que não tinham coragem, ânimo, nem forças nas pernas pra isso. E aquele bilhete não saia da sua mente. O que ela queria dizer com aquelas palavras?

"Verdade". Que verdade seria?

O que será que ela escondia? Ela tinha que esconder alguma coisa. Afinal, aquela Ginny voluntariosa estava tão irreconhecível que alguma coisa não se encaixava ali. Não estava certo.

"Mas o que estava certo?"

Ele voltou a fechar os olhos, e lembrou novamente daquela noite de sexta-feira. Lembrou do seu perfume, dos olhos azuis penetrantes, da maciez da sua pele...

- Você tá morto?

Harry ouviu aquela voz, e abriu os olhos, encarando Ron quase debruçado na sua direção.

- O quê?

- Ah, sei lá. – disse Ron, e Harry se espreguiça no chão. – Você tá deitado estático no chão há muito tempo. Achei que o Javali tivesse lhe quebrado as costelas, ou lhe dado um traumatismo craniano.

- Estou com dor nas costas. – respondeu ele.

Ron abriu a geladeira e tirou uma bandeja com uma refeição pronta: filé com molho de anchovas, batatas assadas e arroz. Retirou o filme plástico e o colocou no microondas.

- Você quer jantar?

Harry levantou o tronco e se sentou, apoiando as mãos no chão atrás de si.

- Até quero. O que tem aí?

- Vamos ver… - Ron remexeu as bandejas de comida congelada. – Tem frango com queijo, tem peixe com batatas, carne ao molho de champignon... e ah, se eu soubesse que tinha...

- O que?

- Tem filé a parmegiana.

- Eu quero esse. – disse Harry se levantando. A dor abrandara um pouco.

- Hey, eu soube que temos o fim de semana livre. – disse Ron, esperando a comida dele esquentar.

- Jura? – disse Harry animado. Ron confirmou. – É perfeito. Um descanso merecido.

- É. Eu sei que conserto meu nariz com um feitiço, mas tô cansado de sentir a dor dele quebrando.

Harry deu uma gargalhada.

- Você vai ter que treinar mais, Ron. Você ainda não consegue desviar de um murro.

- Nem vem, tá. Eu tô indo bem. – disse ele tirando a bandeja do microondas que tinha acabado de apitar avisando que estava pronto. Ele imediatamente colocou a bandeja de Harry, e digitou o tempo de preparo.

- Hey, a gente pode ver a Ginny agora. – disse Harry.

- É verdade. A gente devia ter anotado o número de celular dela, né? – disse Ron. – Ao menos nós poderíamos falar com ela, se a gente não encontrar ela em casa.

- É. – ele abriu a geladeira e tira uma caixa de suco, em seguida, servindo ele e Ron. – Bom, ao menos hoje é quinta-feira, amanhã é mais um dia de trabalho, e poderemos dormir no sábado até a hora do almoço.

- Isso é tudo que me conforta. – disse Ron, com a boca cheia.

- Draco! – gritou Harry. – Você tá no chuveiro à quarenta minutos!

- Tô saindo. – Draco berrou de dentro do banheiro.

Harry tirou sua comida do microondas, e sentando ao lado de Ron, começou a comer.

Seu coração disparou. "Vou ver Ginny!"

XxLFxX

O vento gelado balançava as árvores na enorme floresta. As árvores eram antigas, e muitos troncos e galhos caiam, fazendo um toldo de folhas pelo caminho feito na terra.

Ao longe podia se ver uma cabana, iluminada apenas pelo luar. Tinha o teto de palha, e saia fumaça de uma pequena chaminé.

Um homem percorria aquele caminho. Andava com elegância. Usava terno, gravata e sapatos impecáveis. Um chapéu panamá, como Humpfrey Bogart sempre usava, quase lhe caia da cabeça, lhe fazendo uma bonita figura.

Ele era alto, tinha cabelos negros curtos e olhos também negros. Possuía um sorriso largo, exibindo dentes brancos e um ar sedutor.

Ele bate na porta com leveza, e logo recebe uma resposta:

- Entre, seu merdinha.

O homem sorriu levemente, rindo por dentro da ofensa vinda do interior da casa.

Abriu a porta e entrou. A cabana estava inundada numa luz amarelada vinda da lareira. Um homem estava sentado numa poltrona, lendo. Ao redor dele, encostados nas paredes, em cima de mesas, estantes e espalhados no chão, havia uma infinidade de livros.

O homem sentado se levantou e encarou o outro.

Ele aparentava ter uns sessenta anos, tinha cabelos levemente grisalhos e olhos verdes bem vivos.

- O que você tem pra me dizer? – perguntou numa voz grossa e áspera.

- A ratoeira está pronta. – disse o outro homem.

- Não poderá ter falhas desta vez, Summers.

Cash Summers abriu novamente um sorriso.

- Não se preocupe, senhor.

- Sua auto-confiança me assusta, Summers. O orgulho em certos casos é desastroso.

- Senhor, este serviço está sob microscópio. A minha equipe sequer imagina, que estou planejando isto.

- Nem mesmo sua protegé?

- Não. Jéssica é meu braço direito.

- Então por que não contou a ela? – Cash não respondeu. O velho deu um sorriso enviesado. – Não confio nela. Ela é uma grande oclumente. Não gosto de não saber o que ela pensa.

- Não se preocupe, senhor.

- Você sabe que me preocupo, Summers. Isto é mais importante. Você sabe que eu também preciso me reportar a alguém.

- Sim, senhor.

- O meu nome está envolvido nisso. Eu fundei os Riders pra isso.

- Compreendo. Em dois meses, o rato estará morto. A área ficará limpa da sujeira e os gatos farão a festa.

O velho sorriu. Ele andou até o bar e serviu dois copos com bourbon. Entregou um a Cash.

- Espero que sim, Summers. – ele bebeu um gole. – Espero que sim.

Cash sentiu um arrepio ao observar a marca negra tatuada no antebraço do velho Nutley.

O olhar dele era afiado como um punhal. Por um segundo, Cash estremeceu caso algo errado pudesse acontecer.

Cash engoliu o bourbon numa única golada. Respirou fundo e anuncia:

- Em dois meses, esse país é nosso.

XxLFxX

O sábado começou ensolarado. Era setembro, e logo o outono entraria, derrubando folhas e deixando o tempo agradável, nem quente nem frio.

Ginny acordou com o som do toque do celular. Pegou o aparelho e viu que era uma ligação de Dylan pelo canal seguro. Ela atendeu para que o celular pudesse parar de tocar.

Olhou para o lado direito da cama e viu que Cash não havia acordado com o barulho.

Rapidamente ela pulou da cama e se refugiou no banheiro, ligando o chuveiro.

- Oi, Dyl... como?... eu sei, eu sei, mas tudo está muito complicado aqui... não é assim que funciona... simplesmente não posso soltar os jornalistas... Dyl, confia em mim, você sempre confiou... calma, ok? ... eu sei, eu sei... relaxa, tchau. – e desligou.

Ginny se olhou no espelho e suspirou:

- Ótimo. Isso é... ótimo.

Desligou o chuveiro, voltou ao quarto e entrou no closet. Vestiu um roupão, atravessou o quarto e reparou que Cash continuava a dormir tranqüilamente. Dormia de boca aberta, parecendo um menino.

- Grande Ginny. – ela murmurou, saindo do quarto fechando a porta cuidadosamente, evitando fazer qualquer tipo de barulho.

Eram quase nove da manhã, e agora estava desperta. Mesmo que se obrigasse não conseguiria voltar a dormir.

Desceu as escadas para o segundo andar, seguindo na direção do refeitório. Encontrou-o vazio, somente com uma mulher morena, baixinha com um óculos torto, sentada numa das enormes mesas tomando café e lendo jornal.

- Bom dia, Lis! – disse ela.

- Bom dia, chefa! – ela respondeu.

- Não, por favor. Não me chama de chefa. Me faz parecer uma megera.

- Tá certo, chefa, quer dizer, Jess. Tá se sentindo melhor?

Ginny estreitou os olhos.

- Por que?

- Ah, é que ontem você estava reclamando de dor nas costas, e de cabeça...

- Ah, tá, é verdade. Eu já tomei... um remédio.

- Pensei que você não gostasse de remédios.

- É, na verdade, foi um negócio que aprendi na escola. Uma poção. Meu professor de Poções me ensinou. Eu sempre tinha dores de cabeça no sétimo ano.

- O ano da queda do Lorde das Trevas?

- É. Na verdade, acho que foi a única coisa que aprendi naquele ano. Logo, eu me juntei ao grupo de Comensais e... bom, você sabe o resto.

- É.

Ginny já tinha contado aquela história diversas vezes. A mentira tinha sido pregada, logo após sua chegada nos Riders. E graças a Merlin, todos haviam acreditado que ela tinha se juntado aos Comensais com dezessete anos para lutar ao lado de Voldemort.

- E aí? Quem está lá embaixo? – Ginny perguntou.

- Hills.

- Com os gêmeos mórmons?

- Os próprios. – disse Lis rindo. – Tivemos progressos. Cash te contou?

- Não, por causa da poção eu dormi cedo. O que foi?

- O presidente vai fazer um pronunciamento.

Ginny gargalhou.

- Duvido.

- Desta vez parece verdade.

- Assim como das outras vezes.

- Não, acho que desta vez, falaram a verdade.

- Em se tratando do governo atual, a diferença entre falar a verdade e inventar uma verdade é uma linha tênue.

- Jess, vamos supor que o governo nos forneça o que queremos. Que informe a população sobre as reais intenções do DEICAB. O que teremos que fazer, vai ser libertar os jornalistas.

Ginny balança a cabeça, concordando. Lis continuou:

- O que nos garante que o DEICAB sofrerá algum tipo de abalo? Afinal de contas, o grande público não se importa muito se o mundo bruxo sofre conseqüências, contanto que a lei anti-bruxa funcione.

- Mas isso é só o primeiro passo, Lis. Conscientizar a população. O passo seguinte será forçar o governo a uma atitude mais drástica em relação ao Senador Cooper e o DEICAB.

- Não acho que as coisas vão funcionar assim, Jess. O Senador Cooper praticamente manipula o Presidente Sexton. Se eu não soubesse, diria que o Senador Cooper é bruxo, e o Presidente está sob a Maldição Imperius.

Ginny deu uma risadinha fraca.

- É. – e suspirou. – A única solução é conscientizar o Presidente. Ele é a maior autoridade do país. Teríamos que mostrar pra ele que essa lei anti-bruxa não funciona. E que, fazer testes em bruxos não é só pura crueldade, como vai contra o que ele mesmo pregou na sua campanha pra se eleger.

- Tenho certeza que ele não está se importando com isso. Todos nós sabemos que ele se elegeu simplesmente porque o Senador Cooper estava lhe apoiando indefinidamente. E o Senador já tinha a reputação de maior inimigo dos bruxos, e já tinha o projeto da lei anti-bruxa, e da lei de registros.

- E taí, outra pedra no nosso sapato.

- Por isso que eu digo, Jess. Destruir os laboratórios do DEICAB não é suficiente. Temos que cortar o mal pela raiz.

- Não queria fazer isso, Lis.

- Mas é a única coisa que daria certo. – Lis a observou mais atentamente. – O que há com você? Antigamente isso lhe daria um prazer a mais. Antigamente você adoraria fritar o cérebro do Senador Cooper.

- É, eu adoraria, mas jamais conseguiremos paz assassinando alguém.

- Acho que é muito tarde pra reclamar. E outra coisa: paz? Que paz, Jess? Só teremos "paz", quando não houver a população trouxa. Olhe os mutantes, por exemplo. Eles estão fazendo a mesma coisa conosco que fizeram com eles. E vivem em pé de guerra. Morreram mais mutantes depois da Lei de Registros do que antes. Simplesmente não podemos deixar as coisas assim.

- E o que você prefere, Lis? Matar metade da população trouxa, pra que a nossa possa sobreviver?

- Se isso tiver que acontecer, eu vou fazer. Tenho certeza que eles não se importam nenhum pouquinho, se tiver que matar algum bruxo.

Ginny se levantou, chateada. Era isso o que ela temia. Não queria realizar nenhum massacre pra destruir o DEICAB e os Riders.

O DEICAB era um grupo de elite da polícia. Nele faziam parte, especialistas de todas as áreas: médicos, físicos, biólogos, todo o tipo de cientista que possa "limpar" o mundo da infestação de bruxos. O DEICAB era o responsável por matar, torturar, fazer testes, cirurgias, e todo o tipo de experiências em bruxos.

Era o alvo "número dois" do Riders. Obviamente, o "número um" era o Senador Cooper. Foi usando isso que ele se elegeu senador, e foi usando isso que ele conseguiu eleger o Presidente Sexton.

As coisas estavam mais complicadas do que antes. Não queria ter que usar a força. Usar violência não chegaria a lugar nenhum. Não funcionaria apenas matar o Senador Sexton. Provavelmente seus projetos contra a Comunidade Bruxa, seriam continuados por alguém. Ainda mais, tendo o Presidente Sexton como seu aliado.

- Não vai tomar café? – perguntou Lis.

- Não, eu vou num Starbucks.

Lis faz uma cara de indignada.

- Você está fazendo pouco caso do meu café?

- Estou. Você é ótima, na verdade, a melhor em Planejamento e Estratégia, mas não sabe fazer café.

Ela a olhou, com a boca aberta, ofendida.

- É, não sei mesmo. – confessou. - Você vai só até um Starbucks, ou vai pra outro lugar depois?

- Acho que vou ver a Mel. Mais tarde eu volto. Vou trocar de roupa. – ela se levanta.

- Acorde o Cash. Temos que fazer contato.

- É, nós temos.

XxLFxX

N/A: Desculpem a demora. Mas meu PC está com vírus (ainda está, na verdade). Então estou tendo uma bruta dificuldade de escrever alguma coisa. Ah, acho que no próximo capítulo, o Trio Ternura já chegará aos Riders. Espero que esse capítulo tenha explicado a vocês, um pouco sobre o que move os Riders, quais são suas acões.

N/A2: O nome de "Mia Uckermann" é uma homenagem a minha amiga Lê, que é apaixonada por Rebelde (hahaha, ela vai ficar furiosa porque to espalhando isso pra vocês!).