TEMPO FORA DE LUGAR


Sétimo Capítulo: Animar Alguém

Ele piscou, e refletiu se tinha ido para o Céu. Tudo à sua volta era branco, branco, branco... Então a dor o assaltou, e ele percebeu que aquilo definitivamente não podia ser o paraíso. Ele grunhiu levemente.

Ele sentiu alguém pegar sua mão. Outra mão foi posta na sua testa. Harry sentiu um calor atravessar o seu corpo; ele gemeu e se mexeu, tentando chegar mais perto das mãos em questão.

- Fique quieto Harry, ou as coisas só vão ficar piores. - disse uma voz que Harry conhecia bem demais.

O rosto de Draco apareceu sobre ele, seus lábios formando um pequeno sorriso torto. Harry estava surpreso, para falar o mínimo, com a repentina mudança de essência do comportamento do loiro em relação a ele. Ele ainda se lembrava de como Draco agira antes... antes do seqüestro. As lembranças o abarrotaram, e ele se lembrou dos Hanawalts, das crianças chorando, da mãe, do sr. Hanawalt, dos Comensais da Morte, de como o sr. Hanawalt fora forçado a atirar nele, e ele lê lembrou de dor, dor e mais dor...

Harry fechou seus olhos bem apertados, tentando bloquear as memórias, mas elas apenas vieram com mais força.

- Os Hanawalts estão num hospital trouxa. - Draco disse, parecendo ler os pensamentos de Harry. - Colocamos proteções neles para assegurar que eles não possam ser tocados, e uns caras trouxas em uniformes estão os vigiando. - Draco se sentou e tirou as mãos de perto de Harry. O Garoto-Que- Sobreviveu gemeu quando a sensação calorosa desapareceu.

- Volta aqui. - ele sussurrou silenciosamente, sua garganta seca com um deserto. Podia até imaginar o sorriso pontudo de Draco crescendo já que admitira que precisava dele. Ainda assim as palavras tiveram o efeito desejado, já que o sonserino pusera suas mãos nele de novo, dessa vez colocando-as na sua lateral. Ele tremeu quando o loiro encostou na área machucada e dolorida onde a segunda bala o atingira.

- Relaxe. - Draco falou. - Vai doer no começo, mas vai ser bom para você.

Harry se deixou seguir o conselho de Draco e relaxou. Cedo o bastante, a ótima sensação quente estava correndo pelo seu corpo de volta. A dor diminuiu ao que a energia curativa fez seu caminho até a outra ferida de bala.

Ele se sentiu ficar sonolento de novo, seus olhos se fechando contra sua vontade própria. Ele ouviu a voz suave de Draco murmurando: - Durma, Harry. Eu vou ficar aqui. - e no instante seguinte ele se deixou derivar no sono.

Harry acordou no que devia ter sido horas depois, pela mudança que a luz no quarto tinha sofrido. Ou talvez fosse só o seu cérebro confuso que não tivesse interpretado as imagens direito? Ele não sabia, mas de acordo com o relógio na parede - um relógio trouxa, por sinal - era agora cinco da tarde. Ele também percebeu, pela aparência do quarto e pelo jeito da cama em que estava, que aquele era um hospital - muito provavelmente o Hospital de St. Mungus. Harry duvidava que o pusessem num hospital trouxa. As paredes eram pintadas num cinza chocho, as cobertas brancas e finas. O camisolão de hospital que estava vestindo combinava; era tão branco quanto. Na mesinha ao lado da cama estava a única coisa que dava alguma cor ao quarto: um buquê de gardênias brancas, com florzinhas azuis e folhas verdes a toda a sua volta.

Ele deu um grande bocejo, se espreguiçou e então ofegou de dor quando as áreas machucadas ao redor das suas feridas se esticaram.

Ele viu uma figura pelo canto do olho, parada à janela.

- Fique quieto, Potter. - Draco lhe disse - Ou então você vai fazer essas feridas abrirem de novo.
Harry murmurou por entre a sua respiração.

- Não, - o loiro lhe respondeu - eu posso não ser sua mãe, mas fui eu quem esteve tomando conta de você por três dias seguidos, e não é lá muito divertido sentar e ficar olhando uma pessoa em coma.

Harry lhe passou um sorriso presunçoso. - Então você esteve preocupado.

- Todo mundo esteve preocupado. - Draco falou, desviando da pergunta. - E todo mundo esteve aqui. Granger e Weasley, Dumbledore, os gêmeos e –

O moreno se sentou abruptamente, e a dor o cutucou uma vez mais. - Então eles estão vivos?!
Draco o encarou, ignorando a pergunta. - Você quer ficar aqui por mais uma semana com buracos sangrando ou está fazendo isso só pra me irritar?

O sonserino pegou uma poção do seu cinto e molhou um pano com ela, e então tocou levemente a ferida de Harry com ele. O machucado fechou, mas ainda latejava. Harry não achava que seria de alguma valia pedir a Draco um anestésico. O loiro não parecia completamente... estável... no momento, ele pensou.
Depois de Draco fazer Harry se deitar de novo, o moreno perguntou: - Os gêmeos, eles estão vivos?
O loiro lhe atirou um olhar esquisito. - Sim, eles estão vivos.

Harry olhou para fora da janela, imensamente aliviado com as notícias. Ele disse baixinho: - Eu achei que os Comensais tinham matado os dois quando pegaram os Hanawalts. Como eles conseguiram fazer isso?
Draco olhou para o chão. - Você está parcialmente certo, já que os Comensais da Morte mataram alguém. Os gêmeos conseguiram enganar os Comensais se fingindo de mortos, então eles foram embora. Mas... Rhonda está morta.

Harry fechou os olhos e respirou pesadamente. Ele queria tão desesperadamente que os ruivos estivessem vivos que nem ao menos dispensara um segundo pensamento para a garota lufa-lufa. Ele se sentiu horrível por não ter nem ao menos a considerado.

Draco ficou parado silenciosamente ao lado de Harry. O silêncio no quarto não se quebrou até que uma batida na porta se fez ouvir. Harry se forçou a abrir os olhos e Draco disse: - Entre.

Eram Hermione e Rony. Ela trazia um buquê de margaridas do campo e o olhava alegremente. Harry tentou responder ao sorriso, mas ele sabia que não ia parecer nem um pouco sincero. Hermione pôs as flores num vaso ao lado da cama e se sentou dou outro lado de Harry com uma expressão preocupada no rosto. Rony ficou de pé atrás dela enquanto Draco foi para o fundo do quarto. Harry imediatamente sentiu falta do calor que o loiro trazia ao que a dor voltou.

Hermione afastou uma mecha de cabelo do rosto dele - Como você está, Harry? - ela perguntou.
Ele lhe ofereceu um sorriso pequeno e triste. - Rhonda está morta. Os Hanawalts foram seqüestrados e torturados. Eu estou ótimo.

Ela segurou sua mão, seus olhos mostrando condolência. - Não é sua culpa. - ela falou, sabendo que Harry estava se culpando por tudo que tinha acontecido. - Foi... uma operação que deu errado, e todos nós temos parte nisso. Não foi você.

As lembranças do seqüestro o inundaram com força total. Primeiro a escuridão, na sala pequena, onde ele e o sr. Hanawalt tinham acordado... A expressão assustada do sr. Hanawalt quando o Comensal da Morte entrou no lugar... E depois, as crianças, a menininha incapaz de falar... A mãe deles, gritando enquanto os Comensais a estupravam e torturavam... Harry teve uma ânsia incontrolável de vomitar.
Ele viu Draco se encolher ao dividir a sua agonia, mas o loiro se manteve afastado dele dessa vez. Ele sabia que Harry precisava enfrentar as memórias sem a ajuda da sua energia curativa.

- A menininha está bem? - o moreno perguntou por fim, ainda que se recusando a olhar para os outros.
Hermione assentiu. - Jorge quebrou a maldição, e Draco a acalmou. - ela contou. Harry viu as bochechas de Draco ficarem um tantinho rosadas.

- Eu não fiz tanto assim. - ele murmurou.

- Você acalmou a família inteira. - Hermione respondeu. - Você fez muito. E isso foi depois que você curou o Harry...

O Garoto-Que-Sobrevivou olhou para Draco, mas não disse nada. Ele adivinhou que agora devia sua vida ao sonserino, pelo jeito que Rony e Mione tinham ao olhar para o loiro e como ele se recusava a olhar para eles, ao invés disso examinando o chão intencionalmente, seu rosto vazio. Ele imaginou o que devia achar sobre estar em dívida com o outro, mas decidiu não pensar sobre isso, não agora.

- Como vocês nos acharam? - Harry perguntou de outra gama de instantes silenciosos.

Hermione sorriu. - Esse também foi um trabalho do Draco. Ele seguiu o Laço do Coração de vocês, e os outros apenas o seguiram.

"Laço do Coração?" - Harry pensou. "O que é um Laço do Coração?" Algo forte, obviamente, se Draco podia seguir isso e achar Harry quando ele estava cativo em um lugar-qualquer subterrâneo. Ele mirou o loiro, mas Draco deu de ombros em resposta e o moreno presumiu que ele não sabia mais sobre o Laço do Coração do que Harry sabia. Provavelmente ele só tinha seguido o instinto naquela hora, assim como ambos fizeram na hora de curar.

- Mas nos tomou um tempinho pra chegar lá, entretanto. Voldemort e aqueles paga-paus dele gostam de usar os lugares mais inconvenientes. - Rony disse, tentando aliviar um pouquinho o clima. - E então nós entramos lá de verdade. Por sorte os guardas não estavam lá muito... ligados, então nós demos um jeito de apagá-los de vez. Então tivemos de te achar lá. Draco estava com tanta dor por causa do Laço que mal podia andar, já que nessa hora eles já tinham dado o primeiro tiro. Nós pisamos fundo e conseguimos ouvir o segundo tiro também.

- Eu ouvi... vozes. - Harry disse incertamente. - Alguém me disse pra agüentar firme. Então veio um calor, e eu achei que estava mesmo morrendo.

Rony sorriu. - Nanão, não íamos deixar uns Comensaizinhos de nada te arrasarem ainda. - ele disse. - Foi tudo o Draco. Ele correu pra você assim que te viu e enfiou as mãos nos ferimentos.
Draco jamais iria encarar Harry nesse momento, e continuou olhando para o chão como se ele fosse a coisa mais interessante do mundo. O que o moreno podia ver em seu rosto ainda era uma máscara vazia, mas ele podia sentir seu desconforto.

- E quando nós tivemos quase certeza de que você não sangraria até a morte, eu aparatei com você aqui. Os medi-bruxos estavam um pouco surpresos com as suas feridas; eles não têm que tratar de buracos de balas todo dia.

- Podem passar a tratar logo-logo. - Harry murmurou.

- Verdade, mas mesmo assim eu ainda não consigo entender o que aquele doido quer com armas assim de repente. - Hermione falou e Rony pareceu igualmente confuso.

- Eu vou ter umas lições. - Harry informou quando o silêncio novamente tomou conta do quarto.
A cabeça de Draco disparou pra cima e ele olhou nos olhos de Harry pela primeira vez em meia hora. - Você vai fazer o quê?! - ele perguntou.

- Eu conversei com o sr. Hanawalt, e decidi ter lições de tiro. - Harry explicou e deu de ombros. - Pareceu uma boa idéia. Mas eu nem mesmo sei se eu vou fazê-las agora; eu duvido que o sr. Hanawalt queira ver minha cara outra vez.

O loiro o mirou com uma certa surpresa. - O sr. Hanawalt e sua mulher perguntaram sobre você toda hora enquanto eu estava... hm, curando-os. - ele disse. - Eles estavam muito preocupados. Eu tenho certeza de que se soubessem onde St. Mungus fica, eles estariam aqui agora mesmo.

- Mas... por quê? - Harry perguntou.

- Eles se acham tão culpados quanto você, especialmente o sr. Hanawalt. Ele acha que você foi levado junto num seqüestro em que não tinha nada a ver, e acima disso, ele foi forçado a atirar em você. Oh, e falando nisso, se você puder muito gentilmente parar com coisas como ser atingido por balas, eu ficaria muito contente. Foi muito complicado de curar.

- Oh sim Malfoy, porque eu planejei levar tiros, você não acha? - Harry lhe passou uma carranca, e os olhos de Draco suavizaram.

- Desculpe. - ele sussurrou.

- Não se preocupe com isso. - Harry disse. - Se eu puder escolher, eu gostaria de deixar dessa coisa de levar tiros tanto quanto você.

Draco sorriu levemente. - Bom. Então nós concordamos com isso, pelo menos.

- Nós realmente concordamos com alguma coisa. Estou chocado. - Harry falou, seu sorriso crescendo.
Hermione se pôs de pé. - Nós devíamos te deixar descansar um pouco. - ela falou. - Vamos voltar amanhã. Eu acho que você vai ter alta amanhã à tarde, se Draco fizer o seu melhor em te curar.

Harry lhe ofereceu um sorriso pequeno. - Obrigado por vir, Mione.

Ela se curvou e beijou sua testa. - Claro.

Harry corou com a demonstração de afeição dela, se encolhendo um pouco. Hermione seguiu para a porta enquanto Rony dizia: - Te vejo amanhã, Harry. E Draco, seja legal e trate dele direitinho, tá?
Draco sorriu vagamente. - Pode deixar.

- Até amanhã. - Harry se despediu, e seus dois melhores amigos tinham desaparecido.

Harry e Draco se acharam sozinhos outra vez. O moreno achava que o sonserino parecia definitivamente desconfortável, mudando o apoio do corpo a todo instante e olhando para todo lugar que não Harry. Ainda assim, ele parecia melhor do que da última vez em que o vira, antes do seqüestro. Isso fora quando ele ainda não estava falando com Harry, ainda o ignorando completamente e ainda se recusando a olhá-lo na cara.

- Você está bem agora? - Harry perguntou.

Draco olhou para ele, mas não disse nada. Emoções estavam correndo pelo seu rosto numa velocidade alucinante, contudo Harry podia ler algumas delas - medo, tristeza, preocupação, mas aí vinha alívio, e mesmo que muito brevemente, um pouquinho de felicidade. Então ele voltou a parecer abatido e encarou o chão novamente.

- Fale comigo. - Harry disse suavemente. - Eu sei que não sou a pessoa com que você gostaria de guardar os seus segredos mais profundos, mas nesse momento sou tudo disponível.

Draco encontrou o seu olhar e disse, baixinho: - Eu só estava preocupado com você.

Harry sorriu para si mesmo. - Eu fico feliz que você estava, porque de outro modo eu estaria morto agora.

- E-Eu me senti tão estranho. - o loiro continuou com a mesma voz baixa, e Harry sabia que interromper seria estúpido. - Doía dentro de mim, e eu conseguia sentir você ficar cada vez mais fraco... E meu corpo inteiro estava gritando para te achar, te curar... te abraçar. Foi a coisa mais esquisita do mundo quando ficamos próximos... A dor ficou pior, mas ao mesmo tempo diminuiu porque eu estava chegando perto de você. Então nós ouvimos o primeiro tiro e eu... eu caí no chão. A dor era tão forte, mas eu sabia que era dez vezes pior para você e isso me fez continuar... O segundo tiro foi disparado quando nós estávamos descendo o corredor. Rony e Fred estavam me segurando e eu acho que era bom, porque se ele não estivessem, eu teria caído no chão com aquela segunda bala, e não seria capaz de levantar... Você... Você estava completamente sem vida, pendurado lá nas cordas da parede... E havia sangue para todos os lados, a mulher estava gritando, os Comensais estavam rindo e você parecia morto...

Ele estava chorando, mas Harry duvidava que ele soubesse disso. Harry estendeu seu braço, e o sonserino se aproximou até que o moreno pudesse pegar sua mão. Ele podia sentir a dor e a infelicidade radiando de Draco em ondas intensas.

- Eu nem sabia o que estava fazendo quando pus minhas mãos em você; tudo o que eu sabia era que eu precisava fazer aquilo parar de doer... Você estava desmaiado, e eu fiquei assustado quando você não respondeu a nada do que eu estava fazendo. Eu não sabia o que estava fazendo, e eu tinha tanto medo de que estivesse fazendo a coisa errada... de que eu estivesse piorando tudo...
Ele parou de repente, olhando para outro lado, aparentemente envergonhado agora que notara as lágrimas marcando seu rosto.

- E eu me lembro de ter pensado que você tentou ser legal comigo e eu não queria ouvir, e eu não queria que essa fosse a última lembrança que você tinha de mim. - Draco terminou, parecendo ter pensado que se já tinha confessado aquele tanto, ele devia contar tudo para Harry.

Harry ficou quieto e apenas ficou olhando Draco. Draco Malfoy, sua nêmesis da escola, seu inimigo por seis anos. A situação presente era pra mais de surreal, o Garoto-Que-Sobreviveu pensava. Quatorze dias no futuro - três deles passados em coma por Harry, mas que fosse - foi todo o necessário para sacudir essas estruturas. Harry imaginou, se eles - quando, ele disse para si mesmo - voltassem para casa, se seriam capazes de voltar à sua velha relação. Ele imaginou se iriam querer isso.

Draco continuou de pé ao lado da cama, tentando o seu melhor para afastar lágrimas das maçãs do seu rosto tão disfarçadamente quanto possível.

- Obrigado por salvar minha vida. - Harry disse num sussurro. Ele não sabia o que mais poderia fazer depois da explosão de Draco, ainda assim ele tinha que, de algum modo, quebrar o gelo de novo.

O loiro o encarou, agonia em seus olhos. - De nada. - ele murmurou numa voz que soava muito mais como o jovem Malfoy que Harry conhecia. Ele sorriu levemente para o moreno, e Harry lhe ofereceu a mesma tentativa de sorriso.

- Apenas não crie o hábito de se meter nessas situações. - Draco disse.

- Tarde demais, eu já criei. - Harry replicou, se aproveitando do ânimo um pouquinho melhor de Draco.

- É, eu percebi.

- Ei, fui eu quem caiu berrando por causa de uma visão, então não me diga que eu sou o único nesse quarto que se mete em confusão.

- Eu não me meti em confusão com aquela visão; aquilo só, hm, doeu.

- Certo.

- É verdade!

- Eu sei que é, eu senti. - Harry disse, decidindo levar a conversa para as suas interessantes habilidades curativas.

- O quê?! - Draco perguntou, do jeitinho que ele tinha imaginado.

- Eu disse que senti. - Harry falou. - Lembra do que eu disse que recebi partes da visão também? - o loiro assentiu. - Bem, eu não acho que realmente tive a visão. Acho que foi só você.

- Você está me confundindo, Potter. - Draco grunhiu, sentando-se numa cadeira perto da cama.

- Não é tão confuso assim. - Harry disse e o loiro lhe atirou um olhar de descrença. - Verdade, não é! Você estava em agonia; um monte de agonia; e eu sou um Curador. Eu senti sua dor, e por causa de toda essa dor eu recebi partes da visão também; ou quem sabe foi por causa dessa coisa de Laço do Coração ou sei lá o quê. De qualquer jeito, você teve a visão; eu meio que compartilhei dela.

Draco o encarou. - E o que te fez chegar a essa conclusão?

- Os Hanawalts. - Harry disse. - Quando nós estávamos... lá em baixo... Eu podia sentir a dor deles. Eu senti o medo das crianças e dor quando os Comensais da Morte torturaram a sra. Hanawalt. Eu vomitei quando o sr. Hanawalt entrou; ele estava em péssimas condições e eu estava fraco.

- Fraco? - Draco perguntou. - Por quê?

Harry deu de ombros. - Eu acho que é porque eu estava entre tantas pessoas sofrendo, e eu não os curei, e isso me deixou fraco.

- Então, para futura referência, fique longe de pessoas doentes se você não pode ajudá-las? - Draco disse.

Harry assentiu com a cabeça e então percebeu uma coisa. - Como nós podemos estar num hospital e não ficar fracos?

- Oh. - Draco respondeu. - Isso deve ser graças a Rony e Dumbledore. Nós estamos numa parte especial do hospital, um tipo de área restrita. Não há outros pacientes numa área de cinco minutos de caminhada. Eu não podia entender o porquê quando chegamos aqui, mas acho que peguei a coisa agora.

- É, eu provavelmente nunca conseguiria melhorar se estivesse perto de um monte de gente doente... E você provavelmente nunca conseguiria se concentrar em me curar, também.

- Ainda assim me custou três dias para você acordar, mesmo quando eu estava basicamente sozinho com você. - Draco disse. - Não acho que sou um Curador muito bom.

Agora era a vez de Harry encarar Draco. - Você não acha que é um Curador muito bom?! - ele perguntou, a descrença aparente em sua voz.

- Bem... - Draco replicou, passando uma mão pelos cabelos. - Você ficou num bruto coma por três dias.

- Atiraram em mim! Duas vezes! - Harry exclamou. - O fato de que eu esteja vivo por si só já é incrível, e tudo isso é graças a você.

Harry se sentiu cansado de discutir, especialmente por algo tão ridículo como aquilo. Draco era um Curador maravilhoso; ele tinha de ser para Harry ainda estar vivo. Ele não sabia quais os danos que as balas tinham feito nele, mas ele tinha certeza de que se o loiro não tivesse chegado no exato momento em que chegara, o moreno estaria morto agora. Alguma coisa lhe dizia que ele estivera a um centímetro de morrer. De novo.

Ele suspirou, fechou seus olhos e os abriu de novo para olhar para o sonserino. - Olha Draco, eu sei que você não vai acreditar quando eu disser que você é um ótimo Curador, mas eu vou falar de qualquer jeito. Você é um ótimo Curador. Eu não estaria vivo de outro jeito. A coisa é, eu não acho que a história toda tem a ver com ser um bom Curador ou não; eu acho que tem alguma coisa a mais, e eu acho que isso tem a ver com porque você... nós ficamos fulos um com o outro antes.

Draco olhou para o chão, e Harry continuou: - Nós precisamos falar sobre isso, do começo ao fim, mas eu não posso fazer isso agora. Eu estou caindo no sono enquanto conversamos, e isso não vai funcionar comigo roncando no meio de uma conversa dessas.

Draco lhe ofereceu um pequeno sorriso com sua tentativa de melhorar o clima. - Devo ir embora? - ele perguntou.

Harry sacudiu a cabeça. - Não, eu acho que você deve ficar. E se você quiser pôr suas mãos em mim... - ele parou, só agora reparando o que dissera. - Eu só quero dizer que se você quiser...

- Cala a boca, Potter. - Draco disse com seu sorriso torto. - Você já foi fundo demais.

Harry suspirou de novo. - Eu culpo isso em ter tomado esses tiros. - ele balbuciou enquanto seus olhos se fechavam irresistivelmente.

- Eu culpo isso em você ser você. - Draco disse numa voz suave, colocando uma mão na testa de Harry e pegando a mão direita dele na sua outra. Um sorriso pequeno apareceu nos lábios de Harry enquanto ele caía no sono, se sentindo completamente contente e seguro.


N/T: Oioioioioiiiiii... Primeiro de tudo, desculpas GIGANTESCAS pelo atraso, minha vida anda bastante complicada e eu tive que ir devagar com algumas coisas... Ainda assim, eu devo a todo mundo que lê essa tradução desculpas sem fim. Eu fui muito irresponsável e eu vou procurar não fazer mais. Além disso, um avisinho extra pra galera - gente, mail pra Cosmic é só em inglês (ou, se alguém aí souber, em sueco.), blz? Ela andou recebendo review em português e teve que repassar pra mim, o que aconteceria de qualquer jeito. Então pessoal, mandem as reviews pra MIM se for em português, meu trabalho é mesmo esse de traduzir a review e passar pra ela. Quem souber escrever em inglês manda pra ela, mas quem não, por favor, manda pra mim, tá? Poupa trabalho pra todo mundo. Muito obrigada, mesmo. Bjassuuuuuuuuuuu, e valeu pelo apoio, Rafi n'ha Doria.