Capítulo Sete – Clube dos Duelos
Os seus dedos giravam distraidamente de um lado para outro sobre as bordas do copo, onde o suco de abóbora jazia praticamente esquecido. Na outra mão se apoiava o seu queixo; seus olhos corriam todo o Salão Principal, praticamente vazio.
Harry não tinha dormido bem, e a conseqüência era seus olhos volta e meia se fechando pelo sono que o consumia pela manhã. Não sabia se era por causa do turbulento dia anterior, mas ele tivera apenas um sono superficial, povoado por sonhos esquisitos, que acabou esquecendo ao acordar. Ele odiava quando isso acontecia.
Como estava sozinho, sem ninguém para conversar e nada para fazer (Rony ainda dormia quando ele acordou, e Hermione estava sabia-se lá onde), ele se ocupou em observar a sala ao redor. Era desanimador. Estava com um aspecto muito diferente do que era de costume; poucos professores estavam na mesa e, ao mesmo tempo, poucos alunos também conversavam, aos sussurros, nas mesas. Harry ficou imaginando se as coisas sempre seriam daquela maneira dali para frente.
Sem fome, irritado, e sem nada para fazer, ele abandonou seu prato de ovos mexidos e revirou sua mochila em busca de algo para se distrair e sorriu ao lembrar o que Rony lhe diria... que provavelmente Hermione não era uma boa companhia e blá, blá, blá... Foi então que Harry bateu os olhos em um livro fino, encadernado em couro. Suspirou irritado e levantou os olhos, alcançando a mesa da Sonserina – Willians não estava lá. Tinha colocado o livro na mochila para se lembrar de devolver a ela, mas ainda não achara a garota. Aliás, ele estava formulando um plano para entregar o livro a ela; barrá-la em algum lugar, provavelmente onde ninguém os visse, para que não comentassem depois; então, ele devolveria o livro, diria algumas besteiras para ela por ter sido tão estúpida de esquecer o maldito livro e depois iria embora, feliz por ter descarregado sua irritação matinal em algum sonserino idiota. Ele só não sabia por que estava com a sensação de que seu plano daria errado, antes mesmo que começasse a colocá-lo em prática.
Ele segurou o livro por alguns instantes. Reconheceu como sendo de suspense, escrito por um dos autores que ele mais gostava, dentre aqueles que Sirius tinha colocado em seu quarto. Bem, ao menos a garota não tinha um gosto tão ruim. Instintivamente, ele olhou ao redor para checar se estava mesmo sozinho. Não que achasse que estivesse fazendo algo errado... Bem, não era muito certo mexer nas coisas dos outros, mas era culpa da idiota da Willians ter esquecido o livro na cabine, não? E ele estava entediado, precisava de algo para se distrair.
Harry folheou as primeiras páginas e encontrou uma dedicatória escrita à mão, com uma letra corrida e inclinada; a curiosidade foi maior, e ele leu essas palavras:
Cara Kat...
Uma conto misterioso para uma garota misteriosa. Algum dia descobrirei todos os seus segredos!
Lembranças da sua amiga mais maluca,
Lau
- Lendo?
Harry tomou um susto enorme, como se tivesse levado uma descarga elétrica, e fechou o livro com estrondo. Assim que levantou a cabeça para reconhecer quem tinha falado com ele, a sua irritação matinal duplicou.
- Ah, é você, Gina?
- Até a última vez que me olhei no espelho pelo menos. – ela zombou ironicamente.
Harry fez uma careta e guardou o livro na mochila.
- Está melhor? – perguntou, lembrando-se do dia anterior.
Ela demorou alguns instantes para responder, como se considerasse a pergunta, e depois falou:
- É, o efeito já passou.
- Hum... que bom.
E ele voltou a beber seu suco esquecido. Ao seu lado, Gina percebeu que ele estava sendo frio, murmurou algo e foi se sentar no outro extremo da mesa.
Harry pousou o copo na mesa, novamente entediado, mas foi quando notou algo diferente. Próxima à porta, ele enxergou sua amiga Hermione, mas ela não estava sozinha; conversava simpaticamente com um garoto alto, de olhos claros e cabelos louros. Harry imaginou, divertido, qual seria a reação de Rony ao ver aquilo; por um instante, ficou feliz pelo amigo não estar ali, ou então ele assistiria a mais uma disputa "Granger versus Weasley".
- Bom dia, Harry. – Hermione disse com um sorriso no rosto quando se aproximou.
Ele a encarou por cima dos óculos.
- Bom dia... – e pigarreou. – Aquele cara com quem você estava falando... é da Corvinal, não é?
- Humhum. – ela concordou, servindo-se de torradas. – É o Brendon, ele é o novo monitor-chefe. – ela levantou os olhos, nervosamente. – Acabei nem te contando, não é?
Harry agitou as mãos, como se espantasse uma mosca, displicentemente.
- Eu já sei... Rony me contou. Parabéns, Mione!
Ela sorriu encabulada, agradecendo, mas em seguida olhou mais nervosa ainda para o amigo.
- Você e Rony conversaram sobre isso?
- Sobre...
- A monitoria-chefe... Eu achei que o Rony ficou um pouco... chateado.
Harry engoliu o que tinha posto na boca vagarosamente, arranjando tempo para pensar. Não queria comentar o que Rony e ele tinham conversado, aliás, ele não gostava de se meter no relacionamento dos amigos – só se fosse para juntá-los depois de uma briga. Finalmente, quando engoliu, Harry disse:
- Não conversamos muito... estávamos cansados, entende?
- Ah, claro... mas você achou que ele estava chateado?
- Hum... não sei, Hermione... – ele respondeu esquivo. – Por que vocês não conversam mais tarde?
- É, acho que vou fazer isso mesmo. – ela falou, cruzando os braços, pensativa. – Ai, às vezes o Rony fica chateado com cada besteira...
Harry não quis dizer nada, mas, naquele momento, não achou que os motivos de Rony fossem uma bobagem completa. Dava para entender o que ele provavelmente estava sentindo, colocando-se em seu lugar.
Dois minutos depois, várias corujas entraram no salão, competindo entre si para entregarem suas cartas aos donos. Harry sabia que era muito cedo para Edwiges lhe trazer algo e se surpreendeu quando Hermione chamou sua atenção para a coruja branca como a neve, que tinha acabado de pousar suavemente na mesa, ao lado da travessa de pudim.
- Ei, o que você tem pra mim, Edwiges? – ele perguntou à coruja, examinando o que ela trazia amarrado à pata, enquanto ela começava a bicar o resto dos ovos no prato do dono.
Eram duas cartas; uma delas, em papel rosa bebê, e a outra, em pergaminho normal. Quando Harry desamarrou-as, acabou vendo primeiro a cor-de-rosa, que era a mais diferente e esquisita; ele notou um selo trouxa no canto superior direito do envelope e teve uma vaga idéia de quem poderia ser a autora daquela letra garranchosa e tremida.
Em sua carta, com poucas palavras, Agatha dizia que estava com saudades e que catara muitas conchinhas na praia para ele naquele dia. Perguntava como ele estava, se tinha saudades e quando voltaria. Harry sorriu; como deveria ser bom ser ainda uma criança, sem tomar conhecimento de todos aqueles problemas...
O segundo envelope continha uma carta bem mais longa e, preocupado, Harry reconheceu a caligrafia de seu padrinho. Não pôde deixar de sorrir também ao notar que metade da carta era para saber como Harry estava depois do incidente do trem, demonstrando a preocupação de Sirius com o afilhado. No entanto, a parte que mais intrigou Harry foi o final da carta, onde o padrinho dizia:
"Fique atento, Harry. Infelizmente, "incidentes" como esse podem voltar a acontecer com mais freqüência. Hogwarts não é mais tão segura...
Pelo que eu sei, provavelmente, hoje o castelo terá visitas. Não posso adiantar muita coisa, mas acho que talvez, ao ler essa carta, você já saiba ao que me refiro."
- Hermione...
- Sim? – ela perguntou, engolindo rapidamente um grande gole de suco que tinha posto na boca.
- Sirius está comentando aqui na carta que o castelo receberá "visitas" hoje... Você sabe...
- AH! – ela exclamou. – Sim, eu soube. Eles são...
Não foi possível que ela terminasse a frase. O salão silenciou à medida que entravam no Salão Principal um grupo de mais ou menos seis ou sete pessoas, todos parecendo muito sérios e preocupados. Acompanhando-os vinha a Profª. McGonagall, conversando atentamente com um homem alto, corpulento e negro. Perto deles vinham outros homens e mulheres, todos com capas longas e pretas. Na realidade, a única pessoa que destoava no grupo era uma mulher jovem, de cabelos curtos e, por incrível que parecesse, rosa choque; ela vinha observando o salão com quase nostalgia, mas parecia, ainda assim, com os ouvidos atentos à conversa dos outros.
Harry se virou intrigado para Hermione.
- Quem são eles?
- Aurores do Ministério. – ela falou pesadamente. – Eu soube hoje, parece que eles vieram verificar como está o castelo... E alguns permanecerão nas redondezas, para garantirem a segurança dos alunos.
Harry cruzou os braços sobre a mesa e observou novamente o grupo, que agora se dirigia à mesa dos professores. Ele estranhou a ausência de Dumbledore, mas logo imaginou que o diretor estivesse atolado de problemas depois do incidente do dia anterior. Naquele instante, Harry se lembrou das palavras de Sirius na última carta... Hogwarts não é mais tão segura... Ele, Harry, sempre comprovara na pele que Hogwarts nunca fora muito segura, ao menos para ele, mas ver todos os outros alunos, seus colegas, em perigo era muito diferente.
Enquanto os aurores se dirigiam à mesa, Hermione se virou para Harry, mordendo os lábios com nervosismo.
- Ainda há alunos na ala hospitalar... – ela disse. – Primeiranistas, em sua maioria.
- Eles ficaram assim tão mal? – Harry perguntou, lembrando-se, por um instante, do que Willians dissera sobre o gás "As crianças são as primeiras a serem afetadas". Como aquela garota poderia saber tanto sobre o tal gás? Fosse como fosse, Harry também gostaria muito de saber mais sobre aquilo...
- Ah, parece que eles já estão bem melhor... – Hermione respondeu. – Mas não vão ter aula hoje, aliás, somente os alunos do terceiro ano para cima terão aula... E os primeiranistas serão selecionados à noite, e não será mesmo em público.
- Você não acha estranho que nem todos tenham sido afetados por esse gás, Mione? – o rapaz perguntou subitamente, olhando de esguelha para a mesa dos professores e enxergando, agora, a Profª. Sprout conversando com um bruxo jovem do grupo de aurores. – Digo... por exemplo, eu e você não sentimos quase nada, mas Rony ficou tão mal...
- Bem, eu não faço muita idéia do que seja, Harry. O que eu sei, já te disse; esse tipo de gás era muito usado na primeira guerra contra Você-Sabe-Quem...
- Quando vocês vão falar o nome dele, afinal? – Harry disparou subitamente.
Hermione fez uma careta e desviou do assunto.
- Mas, então, como eu dizia... Você sabe aqueles gases utilizados em guerras de trouxas?
- Claro, eram usados em atentados terroristas, não é?
Ela assentiu.
- Parece que esses gases funcionam quase do mesmo jeito, mas têm propriedades mágicas, o que os tornam muito mais perigosos... É como se fossem enfeitiçados para atingirem certas pessoas apenas. Eu já li isso em algum livro, acho que vou procurar na biblioteca para saber mais.
Harry não estava mais prestando atenção. Seus olhos focavam, agora, Remo Lupin, que atravessou o vão entre as mesas da Corvinal e da Lufa-lufa afobadamente; ele se dirigiu diretamente onde estava McGonagall, cochichou algo no ouvido dela, e a professora assentiu, preocupada. Ela disse algo ao auror negro que estava ao seu lado e, então, ela, Remo, o auror e mais aquela outra de cabelo rosa seguiram para fora do salão, deixando o restante dos aurores na mesa junto aos outros poucos professores.
Talvez Remo pudesse saber algo mais sobre o tal gás..., Harry pensou, observando-o se afastar junto aos outros. Ou talvez Dumbledore soubesse... não, ele não perturbaria Dumbledore. Perguntaria mais a Remo assim que tivesse uma oportunidade.
- Cadê o Rony? – Hermione perguntou subitamente.
- Anh, ele ainda estava dormindo quando eu saí do quarto... – Harry a informou.
A amiga fez uma expressão desconsolada e, dali em diante, ficou vigiando a entrada do salão até que Rony aparecesse. Dali a alguns minutos, o rapaz entrou, parecendo muito bravo ou chateado ainda e, diferente do que fazia de costume desde que começara a namorar Hermione, ele se sentou ao lado de Harry na mesa, e apenas murmurou um seco "bom dia" para os amigos.
Hermione se remexeu, parecendo um tanto incomodada. Harry ficou um pouco constrangido. Enquanto isso, Rony apenas pegou algumas torradas e começou a comê-las distraído, bebericando leite de vez em quando.
- Ah... quando vêm os horários do sétimo ano? – Harry perguntou de súbito, apenas para quebrar o silêncio.
- Não faço a mínima idéia. – Rony disse rabugento. – Quem deveria saber disso era a Hermione.
E lançou um olhar rápido para a garota, como se a incriminasse, o que ela respondeu com um "humpt" indignado.
- Parece que vai ser o monitor do quinto ano que vai entregá-los dessa vez... – ela explicou, ainda olhando meio brava para o namorado. – O Brendon me disse algo a respeito ontem, quando eu me reuni com ele para combinarmos os assuntos da monitoria-chefe.
Foi a vez de Rony pronunciar um "humpt", mas ele se limitou a isso.
Dali a pouco, como Hermione previra, uma menina meio rabugenta do quinto ano veio entregar-lhes os horários da semana. Os três suspiraram aliviados quando viram que não haveria Poções na segunda-feira, mas em compensação as aulas seriam, como sempre, duplas com a turma da Sonserina e no dia seguinte, terça.
- Dois tempos de Feitiços, História da Magia, Trato de Criaturas Mágicas, Transfiguração... – Hermione lia em voz alta seu horário. – E dois tempos de Defesa Contra as Artes das Trevas no final do dia! – ela exclamou animada. – Nossa primeira aula com o Prof. Lupin depois de tantos anos!
No entanto, ao invés de animado, Rony tinha ficado branco como papel. Harry e Hermione olharam intrigados para o amigo.
- Que foi, Rony?
- Vocês viram isso? – ele respondeu a Harry com uma nova pergunta, apontando para o papel, seus olhos arregalados e sua face pálida. – Vocês leram isso direito?
Harry, que tinha apenas passado os olhos sobre as aulas do dia, apanhou rapidamente seu horário. Hermione, porém, ainda estava com o seu na mão e correu imediatamente os olhos para o papel, ficando quase tão branca quanto Rony no mesmo instante. Ao ler o que estava escrito, em letras miúdas, Harry quase teve um ataque do coração.
"Defesa Contra as Artes das Trevas – todas as turmas
Profs. Remo Lupin e Severo Snape"
- SNAPE?! – Harry exclamou tão alto, que alguns alunos próximos na mesa olharam torto para ele.
- Snape... – Hermione disse com a voz fininha.
- Snape! – Rony falou, fazendo um som de nojo. – Dumbledore ficou doido de vez!
Harry não conseguiu produzir nenhum som, devido ao seu estado de choque. Rony piscava várias vezes e coçava os olhos com força, como se duvidasse do que via. Hermione foi a única que conseguiu formular uma frase.
- O que querem dizer com "todas as turmas"?
Rony olhou espantado para ela.
- Nós aqui, tendo espasmos de horror diante da perspectiva de ter aulas a mais com Snape, e você se preocupando com isso?
- Mas é estranho, não é?
- Estranho é alguém colocar Snape para dar aula de Defesa junto com o Lupin! – Rony exclamou indignado. – Não é só estranho, é maluquice! Eu tô dizendo... o Dumbledore não tá batendo bem... Deve ser outro parafuso que se soltou...
Harry ainda estava paralisado. Ele nem ao menos conseguia imaginar Snape dando aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas, sua matéria preferida... Já tivera uma pequena noção de como isso era horrível no terceiro ano, quando o odiado professor substituíra Remo. E, além disso, ele teria aulas a mais com Snape, já que Poções continuava sendo com ele. Definitivamente, sua vida viraria um inferno.
- Bem... – ele murmurou, ainda em choque. – Talvez "todas as turmas" signifique que teremos aula junto à todas as casas...
- Pior! – Rony exclamou desesperado. – Pior do que ter mais uma aula com Snape é ter mais uma aula com Snape e com a Sonserina!
- Pode ser... – Hermione disse pensativa, ignorando o comentário de Rony. – Mas pelo que eu sei as aulas ainda são normais para os outros anos... Talvez essa mudança tenha sido feita somente no sétimo ano, por causa dos N.I.E.M.s...
- Droga de exames idiotas! – Rony disse só por dizer.
Harry se dirigiu, mais tarde, para a primeira aula do dia, Feitiços, ainda em estado de choque. Não parava de pensar no inferno que seria conviver ainda mais com Snape, principalmente depois de tudo que ele descobrira sobre o odioso professor. Ainda tinha vontade de vomitar ao lembrar que, anos atrás, ele tinha gostado de sua mãe e, ainda por cima, tinha participado de um plano para separá-la de seu pai. Aliás, ele tinha vontade de vomitar ao lembrar de muitas coisas que descobrira no final do seu sexto ano em Hogwarts.
Até então, não se esquecera daquela conversa que teve com Dumbledore, um pouco antes de partir do castelo antes das férias de verão. E isso continuava tirando o seu sono, por várias noites. Harry jamais conseguira comentar com mais ninguém o que descobrira, que era neto de Voldemort, e mais, que era o herdeiro ao qual a Profecia Sagrada se referia. Horas ele passou na sua cama, à noite, repassando mentalmente o conteúdo da profecia, tentando chegar a uma resposta, mas não conseguiu sequer uma única pista de como derrotaria Voldemort. No final, ele acabou achando que ou era burro demais para conseguir entender aquelas palavras, ou não era mesmo para entendê-las; talvez, como Dumbledore mesmo dissera, ele só conseguisse interpretá-la quando chegasse a hora... E ele não sabia se queria que essa hora chegasse.
Às vezes, olhava para seus amigos e ficava imaginando se eles ainda o tratariam da mesma maneira se soubessem que ele era neto de quem era. Mas, depois, enxergava que Rony e Hermione sempre foram muito leais e companheiros para terem coragem de se afastarem dele se soubessem a verdade. Por outro lado, ele ainda tinha aquela sensação de sujeira, como se estivesse infectado por algo asqueroso e não pudesse se descontaminar; e se sentia mal por esconder isso de seus amigos, de nem ao menos dar a chance a eles de escolherem se queriam ou não permanecer junto a ele.
Não tinha como negar a si mesmo: Harry tinha muito receio do dia em que eles, inevitavelmente, descobrissem a verdade.
Em contrapartida, a aula de Feitiços foi apenas um aperitivo leve do que os esperava naquele sétimo ano. Harry e Rony ficaram tontos só de ver quanto trabalho já tinham acumulado apenas na primeira aula. O miúdo Prof. Flitwick, de pé sobre sua montanha de livros habitual, passou pelo menos uns vinte minutos de sua aula conversando com os setimanistas da Grifinória sobre o que os reservava no seu último ano em Hogwarts, e passou tantos deveres no final, que até mesmo Hermione saiu em pânico depois da aula, tagarelando sem parar enquanto caminhavam para a sala de História da Magia:
- Vocês ouviram aquilo? – ela disse pela milésima vez. – Os professores vão revisar TODA a matéria, desde o primeiro ano! E ainda vão ensinar matéria nova!
- Eu estou me sentindo um nada menos coisa nenhuma... – Harry murmurou desanimado.
Rony o olhou intrigado, mas parecia tão desconsolado que nem teve forças para retrucar o que o amigo tinha dito. Ao invés disso, ele se limitou a resmungar:
- Mas eu não estudo todas aquelas horas todos os dias nem que me pagem!
Hermione o encarou chocada.
- Mas você precisa, Rony! Você viu o que o Prof. Flitwick disse! Os N.I.E.M.s são muito mais rigorosos do que o N.O.M.s! Virão especialistas do Ministério da Magia para julgarem nosso desempenho!
- Eu é que não vou pirar! – ele retrucou. – Não vou ficar que nem você, Hermione!
Ela deixou o queixo cair, suas bochechas assumindo um leve tom avermelhado. Harry, que estava entre os dois, começou a sentir que aquele não era um lugar muito seguro; poderia ser atingido pelas faíscas que saíam dos olhos dos dois amigos.
- Você está me chamando de maluca?
- Eu... – ele parecia procurar alguma palavra boa o suficiente. – Ora, nem vem, Hermione, você é paranóica! Estamos só no primeiro dia de aula, eu é que não vou me descabelar pelo que os professores tão dizendo...
- Paranóica! – ela exclamou com a voz aguda, seus olhos se arregalando de fúria a um tamanho assustador. Harry se encolheu ligeiramente, desejando mais do que tudo que chegassem logo à classe, ou ele poderia sair ferido por estar entre aqueles olhares em chamas que os amigos lançavam um ao outro. – Você é que é um irresponsável!
- Prefiro do que ser maluca!
- É exatamente por isso que você não foi nomeado monitor-chefe, Rony!
Foi imediato. O silêncio era tão grande, que era quase possível compreender o que diziam os alunos que conversavam no andar de cima. Harry percebeu que Hermione tinha ido longe demais com aquela frase; talvez ela também tivesse notado, pois virou o rosto e se agarrou ainda mais aos livros. Rony também desviou o olhar e não disse mais nada.
Eles não se falaram o resto da manhã; na aula de História da Magia, o único som que interrompia o monótono falatório interminável do Prof. Binns era o rabiscar do papel pela pena de Hermione. Harry, que tinha se sentado entre os dois amigos, sentia os olhos se fecharem e, após cinco minutos do começo do blá-blá-blá do professor fantasma, ele já estava com o queixo apoiado na mão, sua concentração totalmente esvaída, o pensamento vagando pelos jardins ensolarados que conseguia enxergar pela janela, sonhando em estar lá fora, talvez voando no luminoso campo de quadribol, visitando Hagrid ou refrescando os pés à beira do lago.
Para a satisfação dos alunos do sétimo ano da Grifinória, a aula seguinte era Trato de Criaturas Mágicas, longe das abafadas salas do castelo, aproveitando o sol que iluminava a grama brilhante por onde caminhavam. O céu estava tão azul e resplandecente que Harry nem se importou com as caras feias que Rony e Hermione faziam ao seu lado; ele apenas sentiu a brisa leve que batia em seu rosto, já planejando mentalmente logo começar os treinos de quadribol do time da Grifinória, apenas para poder voltar a sentir aquele vento na face e voar, para esquecer de todos os problemas que povoavam sua mente.
As aulas de Trato de Criaturas Mágicas já não eram mais com os alunos da Sonserina e sim com os da Corvinal, o que era um alívio para qualquer um. No entanto, certas coisas nunca mudam, e Hagrid trouxe, como sempre, animais que ele chamava de "engraçadinhos" para a aula. Na realidade, pareciam um cruzamento de urubu com lagarto, com penas e escamas misturadas. Os alunos foram divididos em trios e Harry, Rony e Hermione tiveram a impressão de que tinham ficado com o bichinho mais feio e mais irritado. Ele quase arrancou o dedo de Rony quando ele tentou oferecer coração de sapo para o bicho comer.
Foi quando Harry se levantou, para buscar mais comida, que ele aproveitou para se aproximar de Hagrid e fazer umas perguntas:
- Ei, Hagrid...
- Umas gracinhas, não são? – o amigo disse sorrindo, olhando feliz para o animal que Neville cuidava, que parecia ter-se revoltado contra ele e o perseguia pelo jardim. – Muito dóceis, foi uma sorte encontrá-los.
Harry fez uma careta, mas não quis desanimar o amigo dizendo a verdade sobre os bichinhos dele. Ao invés disso, ele apenas pegou um punhado de pedaços de coração e comentou, como quem não queria nada:
- Anh... você viu os aurores que vieram hoje na escola, Hagrid?
Imediatamente, a expressão dele passou a ficar mais séria.
- Ah, claro que vi... Mas eu já sabia que viriam, Dumbledore nos avisou ontem, na reunião que... bem, ele nos disse.
- Reunião? – Harry pressionou. – Reunião da Ordem da Fênix?
A parte do rosto de Hagrid que não era encoberta pela enorme barba ficou ligeiramente avermelhada; ele se virou de costas para classe, que ainda penava para cuidar dos seus animais, e disse para Harry num sussurro sigiloso:
- É, foi... mas não é para você ficar se metendo, Harry. Preocupe-se com o seu ano de N.I.E.M.s que já faz muita coisa!
Harry ficou imaginando se Hagrid tinha idéia de que, para ele, era impossível não se preocupar com aquilo, se ele estava envolvido até o pescoço naquela história. Ao invés de comentar qualquer coisa, ele voltou a pressionar o meio gigante:
- E Dumbledore tem idéia do que possa ter sido aquele gás do trem? Quero dizer, quem o soltou... por que só atingiu algumas pessoas...
- É claro que ele desconfia. – Hagrid falou. – Mas você sabe, não se pode acusar ninguém sem provas, e muito menos Dumbledore faria algo assim... E pare de fazer perguntas, Harry!
Dois minutos depois, ele já estava de volta, tentando enfiar coração de sapo goela abaixo do seu exemplar do "urubu-lagarto" desconjuntado, aturando os constantes bufos que Rony e Hermione, alternadamente, soltavam.
Na hora do almoço, todos os professores estavam de volta aos seus costumeiros lugares, exceto Dumbledore; Harry também notou a ausência dos tais aurores do Ministério. A chegada de Simas, Dino e, mais tarde, Neville, foi providencial para que o almoço de Harry não fosse completamente perdido. Os quatro ficaram conversando sobre quadribol, enquanto Rony e Hermione continuavam de caras fechadas. Dino estava bastante interessado no time da Grifinória, já que ele fora artilheiro substituto nos dois últimos jogos da temporada do ano anterior.
- E você já sabe quem vai preencher a vaga que está sobrando de artilheiro, Harry?
Rony pareceu finalmente sair do seu estado de mau humor e levantou os olhos, prestando atenção à conversa. A pergunta de Dino despertou algo em Harry que ele ainda não tinha se dado conta: a vaga na artilharia tinha sido preenchida por Gina no começo do ano anterior, porém, devido aos seis meses que a garota passou no Hospital St. Mungus, Dino ficou como artilheiro nos dois últimos jogos. No entanto, a posição ficara novamente vaga quando Dino desistiu dela, após a derrota contra a Corvinal, quando também perderam a taça. Harry ainda sentia uma leve contração involuntária e desagradável no estômago ao se lembrar da derrota.
- Ué, eu pensei que a Gina fosse voltar ao time. – Neville comentou. – Ela era a artilheira no começo, não é?
- E agora ela parece estar muito bem, não? – Simas completou, jogando um olhar cobiçoso para a ruivinha do sexto ano, sentada algumas mesas além. Rony subitamente deixou o garfo escapar bem na direção do colega, seu olhar soltando brasas. – Ei, cuidado aí, Rony!
Harry também direcionou seu olhar para Gina, que conversava animadamente com seus amigos do sexto ano, porém teve a cautela de ser mais discreto que Simas. Por um momento, esqueceu da conversa sobre quadribol. Ficou surpreso consigo mesmo por não ter-se importado com a piadinha do colega sobre a garota, afinal, meses antes, sua irritação chegaria ao ponto de ebulição. Ao mesmo tempo, não poderia discordar de Simas; Gina parecia muito atraente naquele momento, rindo com seus amigos, seus olhos castanhos amendoados brilhando. Seus cabelos, mais curtos, davam a ela uma aparência mais madura, porém, ao mesmo tempo, a irresistível impressão de uma doce menina travessa...
Harry se aproveitou que Dino tinha requisitado sua atenção para voltar à conversa e esquecer Gina.
Mais tarde, quando os colegas já tinham se afastado e faltava pouco para terminarem o almoço, Rony tocou novamente no assunto:
- Você já pensou nisso, Harry?
- Anh... o quê, Rony? – o rapaz perguntou distraído.
Hermione, lendo um livro encostado na mesa, parecia concentrada nele, mas Harry percebeu que seus olhos pararam de se mover.
- Sobre a vaga de artilheiro no time da Grifinória... – ele respondeu impaciente. – Tá dormindo, cara?
O rapaz emburrou um pouco a cara devido ao tom ríspido do amigo. Ele não tinha culpa se ele e Hermione viviam às patadas.
- Não, eu não pensei. – respondeu rabugento, olhando para qualquer outro lugar do Salão Principal.
- Mas você vai substituir Gina? – Rony pressionou. – Ela já está em condições de jogar novamente, não precisa...
- Ela não comentou nada comigo sobre isso no verão. – Hermione falou subitamente, seus olhos ainda no livro. Rony olhou feio para ela, como se a recriminasse por se meter na conversa. – Mas provavelmente quer voltar ao time, só deve estar sem graça de vir falar com você a respeito, não acha, Harry?
Ele revirou os olhos. Rony se voltou novamente para ele.
- Você não vai conversar com ela? Decidir se ela permanece no time?
- Olha, Rony, se você quiser falar com a sua irmã, vai você, porque eu não vou! – Harry retrucou violentamente, levantando-se da mesa com tamanha brutalidade, que Rony e Hermione se assustaram. – Se ela quiser voltar para o time, ótimo, menos trabalho para mim fazendo testes! Se ela não quiser, dane-se! Mas eu não vou ficar me arrastando aos seus pés pedindo que ela volte!
E ele bateu os pés, afastando-se com raiva, mas se lembrou que tinha esquecido a mochila. Irritado, ele voltou, jogou a mochila nas costas com estrondo e encarou os olhos arregalados dos amigos.
- E eu já estou de saco cheio das brigas de vocês! Pelo amor de Deus, é só o primeiro dia! Eu é que não vou mais ficar mediando as discussões bobas de vocês! Entendam-se sozinhos!
Dez minutos depois, quando estava sentado sozinho numa carteira ao fundo da sala vazia de Transfiguração, ele já tinha se arrependido de tudo que havia dito. Pior, estava achando que dera um ataque estúpido e desnecessário. Sabia que aquela não havia sido apenas mais uma discussão boba dos amigos, e que eles tinham lá seus motivos para estarem bravos um com o outro.
Ele passou todo o tempo que restava do intervalo tentando entender por que ficara tão aborrecido à simples menção da vaga de artilheiro no time. Depois, ele se deu conta de que não estava bravo com isso, mas sim como fato de que aquela vaga era de Gina, e que era obrigação dele conversar com ela se a garota gostaria ou não de permanecer no time. Mas ele não estava com nenhuma vontade de fazer isso, mesmo que soubesse que era preciso.
- O que já faz aqui, Potter? – a Profª. McGonagall, que tinha acabado de entrar na sala, perguntou.
- Cheguei mais cedo... – ele respondeu chateado, levantando a cabeça, que tinha apoiado sobre os braços todo o tempo que ficara sozinho.
Estranhamente, a professora se aproximou dele e sentou-se na cadeira da frente. Seu olhar parecia até mesmo carinhoso, perto da sua habitual rigidez. Harry olhou intrigado para ela, e mais intrigado ainda ficou quando McGonagall perguntou, com a voz suave:
- Você está bem, Harry?
Ele piscou para ela, as sobrancelhas se levantando.
- Estou, professora.
Ela suspirou profundamente e olhou para os lados, como se certificasse de que estavam realmente sozinhos. Harry achou aquilo realmente esquisito. Então, ela se voltou para ele, com o olhar sério.
- Dumbledore quer que você vá até a sala dele.
Harry subitamente sentiu-se agitado. Será que era para dizer algo sobre o tal gás do trem? No entanto, ao se lembrar de como Hagrid estava esquivo ao comentar o assunto, ele descartou a possibilidade. O que poderia ser então?
- Hoje?
- Não, amanhã. Depois das aulas. Hoje ele está muito ocupado com os aurores.
- Mas, qual é o assunto? – Harry perguntou, enquanto os primeiros alunos barulhentos começavam a entrar na sala.
- A senha é "Pena açucarada". – a professora disse, encerrando a conversa e se dirigindo para a frente da sala.
Hermione e Rony chegaram depois de algum tempo, um após o outro. A amiga foi a primeira a chegar e se sentou ao lado de Harry, olhando-o com repreensão.
- Não precisava falar daquele jeito, Harry! – ela disparou.
- Desculpe... – ele murmurou envergonhado. – Eu... exagerei.
- Porque Rony estava falando da Gina?
- Vamos mudar de assunto?
Ela se ocupou em abrir seu exemplar de Transfiguração, olhando de esguelha para o amigo.
- Mas você vai ter que falar com ela.
- Eu-já-disse-que-quero-mudar-de-assunto! – ele disse sem pausa para respirar.
- Tá bom, não precisa brigar comigo!
- E você e o Rony?
- Vamos mudar de assunto.
Logo depois Rony chegou com a mesma cara emburrada do almoço. Como Hermione, ele olhou aborrecido para o amigo e disparou, entredentes:
- Não precisava falar daquele jeito!
Harry quase riu, mas se controlou para não piorar a situação e pediu desculpas. Rony sorriu de lado, fez uma careta e deu de ombros. Enquanto a Profª. McGonagall se ocupava em passar na lousa os objetivos do curso àquele ano, e Hermione rabiscava freneticamente seu caderno, Harry murmurou para o amigo:
- Ei, Rony... eu queria te pedir um favor.
O ruivo fez uma nova careta, pensou por alguns instantes e falou:
- Depende do favor. Não estou muito bem hoje.
- Sério, eu não tinha notado! – Harry disse ironicamente, ao que Rony respondeu mostrando a língua e mandando o amigo ir para um lugar que ele não mandaria se a Profª. McGonagall não estivesse distraída.
- Diz logo o que você quer!
- O.k. Você pode conversar com... a sua irmã... sobre o que comentamos no almoço?
Rony ergueu as sobrancelhas.
- Diga você a ela!
- Ah, Rony, por favor...
- Eu, não! – ele retrucou, esquivando-se da responsabilidade. – Não vou me meter. Resolve você o problema!
Harry também mandou o amigo ir para aquele lugar, mas teve que fazer isso tão baixo (a professora tinha se virado para a classe), que não teve certeza se Rony tinha mesmo escutado.
A próxima aula era a tão esperada (e agora temida) Defesa Contra as Artes das Trevas. Harry, Rony e Hermione se dirigiram junto com a massa de alunos da Grifinória para o Salão Principal. Parvati Patil e Lilá Brown os avisaram que a sala tinha sido mudada para lá, devido às aulas serem agora divididas entre todas as turmas. Ninguém parava de comentar o assunto e, principalmente, o fato deplorável de Snape dividir as aulas com Lupin. Neville estava decidamente atemorizado diante da perspectiva, e Hermione tentou animá-lo, dizendo que ele era bem melhor em Defesa do que em Poções, ao que Neville respondeu que era ruim em qualquer coisa que Snape ensinasse.
À porta do Salão Principal estava Remo Lupin e mais uma daquelas aurores, especificamente aquela de cabelo rosa que Harry notara pela manhã. Aliás, ela definitivamente não conseguia passar despercebida. Lilá e Parvati aproveitaram para fazerem comentários maliciosos sobre o cabelo da mulher, dando risadinhas.
A auror e Remo conversavam aos sussurros, porém, não com aquele mesmo tom sério que todos assumiam pela manhã; na realidade, pareciam até mesmo velhos amigos. Harry se surpreendeu quando Remo fez sinal a ele para que se aproximasse.
Após avisar os amigos que iria conversar com o professor, Harry se dirigiu até onde estavam os dois adultos. Apesar de ainda manter um sorriso alegre nos lábios, fruto de sua conversa com Remo, a auror olhava com curiosidade para Harry, seus olhos correndo diretamente para a cicatriz em forma de raio na sua testa. Harry rapidamente achatou a franja. Remo sorriu.
- Esta é Nimphadora Tonks, Harry. – Remo apresentou. – Ela é uma dos aurores que estão visitando Hogwarts hoje.
- Somente "Tonks", pelo amor de Deus! – a jovem mulher suspirou. – E aí, beleza? – ela cumprimentou jovialmente, virando-se para Harry e piscando para o rapaz. – Você nem precisa se apresentar, todos conhecem o famoso Harry Potter!
E ela soltou um risinho breve. Remo se virou para ela, quase rindo também. Era impressionante como as olheiras de cansaço dele pareciam quase desaparecer quando ele ria daquela maneira.
- Eu vou ter que ir para a aula, Tonks. – ele avisou, enquanto entrava o grupo de sonserinos que Harry mais detestava. Ele e Draco Malfoy trocaram olhares de desprezo, ao mesmo tempo que o sonserino erguia uma sobrancelha ao ver Tonks e lançava, depois, um olhar de desdém para Remo. Harry sentiu as entranhas se contorcerem. – A gente conversa melhor mais tarde.
Tonks piscou para Remo e Harry, e depois, sorridente, afastou-se. Remo parecia muito feliz quando se virou para falar com o rapaz:
- Eu só te chamei porque ela queria te conhecer... Você não se incomoda, não é?
O jovem deu de ombros.
- Já estou acostumado.
- Que bom... – Remo disse, parecendo bastante aliviado. – Anh, vamos entrar?
- Espera um pouco, Remo. – Harry pediu, antes que o professor passasse pela porta. – Eu queria perguntar uma coisa pra você.
- Ah, claro, Harry... Se eu puder responder...
- Aquele gás. – o rapaz foi direto ao ponto. – Você pode me explicar algo sobre ele? Por que ele afeta somente algumas pessoas?
Remo pareceu relutante. Ele olhou para os lados, esperando um grupo de meninas risonhas da Lufa-lufa entrar no salão antes de começar a falar, aos sussurros:
- Eu não tenho muita certeza; é muito difícil deduzir algo já que não estávamos presentes no trem. Mas eu, pessoalmente, suspeito que possa ser algum tipo de restrição que tenham imposto ao efeito do gás, isso pode ser feito através de alguns feitiços de magia negra...
- Restrições? De que tipo?
- Ah, depende... O gás só afetaria os mais jovens... ou então, pessoas com alguma disfunção do organismo... Eu cheguei a pensar que possa só ter afetado pessoas enfeitiçadas, mas é só uma hipótese.
- Como assim?
Ele baixou ainda mais o tom da voz, e Harry teve que fazer leitura labial para entendê-lo.
- Somente as pessoas submetidas a algum tipo de feitiço recentemente poderiam ser afetadas, entende? Mas é só uma hipótese, não temos certeza de nada. Olha, eu nem deveria estar comentando isso com um aluno, só estou fazendo isso porque é você, Harry! Não vá comentar nada por aí! – e ele completou: – Nem com seus amigos!
Harry assentiu, um pouco mais animado por ter finalmente tido informações concretas (apesar de incertas) sobre o tal gás. Remo apoiou uma mão no seu ombro, forçando-o a entrar na sala, para em seguida entrar também.
O Salão Principal não estava nem de perto parecido com o habitual. Aquilo fez Harry se lembrar de uma certa ocasião, em que as mesas das Casas também estavam encostadas à parede: o Clube dos Duelos que Gilderoy Lockhart organizou no seu segundo ano. No entanto, não havia nenhum tablado como da outra vez, onde se realizavam os duelos. Os alunos apenas estavam espalhados, em grupos, geralmente divididos por Casas. Harry divisou, com desgosto, a figura de Severo Snape ao fundo do salão, de pé sobre a área mais alta onde geralmente se localizava a mesa dos professores, observando os alunos como uma raposa à espreita da caça. Por um momento, o olhar de Harry cruzou com o do mestre, e ele sentiu novamente aquele desprezo nos olhos negros do professor; por sua vez, Harry tentou dirigir a ele seu olhar mais sujo e, posteriormente, tratou de ir logo se juntar aos amigos.
- O que significa isso aqui, afinal? – ele perguntou, assim que se aproximou de Rony e Hermione, que estavam perto de outros alunos da Grifinória.
- Eu ia fazer exatamente essa mesma pergunta pra você. – Rony falou, observando com desgosto o grupo de sonserinos mais adiante. – Não entendo por que essa besteira de juntar todas as Casas.
- Não está óbvio? – Hermione perguntou, com seu jeito arrogante de sabe-tudo.
- E por que estaria assim tão óbvio, Srta. Sabichona? – Rony voltou-se para ela, pela primeira vez desde que brigaram; no entanto, seu tom era irônico. – Poderia explicar para os seus pobres colegas desfavorecidos com sua inteligência suprema?
Harry ergueu as sobrancelhas. Hermione, por um instante, abriu ligeiramente a boca, estarrecida, mas logo se recompôs e recomeçou a falar com o mesmo tom:
- Eles farão um Clube dos Duelos!
- Se eu dissesse que cheguei a pensar nisso... – Harry começou. - ...vocês acreditariam em mim?
- Não. – Rony respondeu, ainda utilizando o tom irônico. – Está óbvio que só alguém com sabedoria sobrenatural como a Srta. Esperta poderia pensar numa coisa dessas!
- Francamente! Será que você não poderia calar essa sua boca grande, Rony?
- Ah, esqueci que um ser normal como eu não pode manifestar suas opiniões tão ridículas perto da Srta. Inteligência Estupenda!
Harry não conseguiu mais segurar a risada. Tanto Rony quanto Hermione olharam bravos para ele.
- Você tem convivido muito com os gêmeos, Rony! – ele conseguiu dizer, após um demorado ataque de riso. O amigo revirou os olhos, mas não conseguiu esconder um leve sorriso presunçoso. Hermione, no entanto, parecia mais aborrecida a cada segundo.
- Como eu estava tentando explicar... – ela começou num tom seco. – Teremos dois professores, aulas com todas as turmas e aqui no Salão Principal. É claro que eles nos ensinarão a duelar! Além disso, estamos no sétimo ano, e provavelmente aprenderemos os feitiços mais complexos agora.
Harry não deixou de achar aquilo muito interessante. Ele olhou para o lado e divisou Draco Malfoy falando algo para o seu grupo, fazendo-os rirem feito idiotas; imaginou-se transformando-o em algum tipo de inseto nojento e asqueroso, para depois esmagá-lo impiedosamente... É, definitivamente aquelas aulas seriam bem mais divertidas se ele tivesse a oportunidade de duelar com alguém como Malfoy.
Quando Harry voltou à Terra, abandonando seu doce sonho, ele viu que a realidade ainda era a mesma; provavelmente Rony retorquira a lógica de Hermione, e os dois estavam discutindo novamente. O rapaz decidiu que não se importaria mais, talvez ainda conseguisse imaginar mais maneiras de espezinhar Malfoy se não prestasse atenção ao falatório dos dois.
Entretanto, não houve muito tempo a mais para que Harry conseguisse ter boas idéias de diversão. Remo subiu no tablado dos professores, ao lado de Snape, que permanecia de braços cruzados e extremamente zangado, como se estar ali fosse definitivamente seu último desejo na face da Terra. Diferente do colega, Remo parecia muito bem humorado e disposto apesar das olheiras, e chamou a atenção da classe, permanecendo com aquele sorriso calmo no rosto. Os alunos, que estavam espalhados, se aproximaram lentamente para ouvirem com maior clareza.
- Aposto como muitos de vocês já devem ter percebido qual o intento dessa aula peculiar.
Alguns sonserinos murmuraram besteiras, provavelmente zombando do professor, e riram baixinho em seguida. Harry olhou feio para eles, bem como vários alunos que estavam próximos. Por sua vez, Remo sorriu novamente.
- Todos vocês aqui estão no sétimo ano, o último aqui em Hogwarts e, portanto, o mais difícil e mais importante. – o professor prosseguiu, sério. – Será um ano muito penoso para vocês, mas tenho certeza que se sentirão recompensados no final. Para tanto, precisam se esforçar o máximo que conseguirem. É neste ano que vocês aprenderão, não somente em Defesa Contra as Artes das Trevas, como em todas as outras matérias, os conceitos mais complexos da magia.
Snape, ao lado de Remo, parecia extremamente enfadado. Remo respirou fundo, observou os alunos por alguns segundos e prosseguiu:
- Na minha matéria, especificamente, Dumbledore decidiu inovar esse ano. Além de ensiná-los os feitiços mais complexos de Defesa, ele decidiu que deveriam, também, utilizá-los entre si, em duelos, para que treinem também.
Um aluno da Corvinal levantou sua mão. Harry reconheceu-o com sendo o monitor-chefe, Brendon Summerfield. Poderia ser apenas impressão, mas Harry achou que tinha ouvido Rony murmurar "idiota".
- Mas isso não será perigoso, professor?
Mais à frente, Harry ouviu perfeitamente quando Malfoy disse para os amigos:
- Perigoso é termos aulas com um mestiço como esse! Imaginem, um lobisomem dando aulas em Hogwarts! Dumbledore está mesmo lelé da cuca...
Alguns alunos do grupo riram. Harry fechou os punhos involuntariamente, furioso. Snape obviamente também ouviu o comentário, mas ele fez questão de permanecer em silêncio. Remo voltou lentamente seu rosto para os sonserinos, surpreendentemente, com um sorriso ainda maior no rosto:
- Acho ótimo que o senhor ache o perigo divertido, Sr. Malfoy. Sei que, então, não se importará em ser o voluntário para nos ajudar na demonstração dos primeiros feitiços hoje.
O sorriso idiota no rosto de Malfoy se desfez em segundos. Ainda sorridente, Remo se voltou para o monitor-chefe, respondendo sua pergunta:
- É exatamente para evitar acidentes que os duelos serão supervisionados por dois professores, eu e o Prof. Snape aqui. – ele indicou o aborrecido Snape, que bufou e olhou atravessado para Lupin, que nem se importou. – Além disso, é claro que vocês terão vários trabalhos ao longo do ano... Ou vocês pensaram que seriam apenas aulas práticas?
Vários murmúrios desconsolados dos alunos puderam ser ouvidos. Obviamente, a grande maioria imaginou que seria uma matéria a menos para se preocuparem, mas parecia que a cada minuto a pilha de deveres deles só acumulavam. E eles só estavam no primeiro dia de aula...
- E ainda há mais uma coisa a ser explicada. – Remo prosseguiu, agora bem mais sério. – Vocês sabem muito bem o momento difícil que vivemos no mundo da magia, com a guerra contra Voldemort cada vez mais sangrenta. – não foram poucas as reações adversas ao nome do bruxo. – Defesa Contra as Artes das Trevas não é apenas mais uma matéria curricular, e sim uma ajuda para que se protejam contra os perigos que os aguardam fora desses muros e, infelizmente, até mesmo dentro deles...
Ele fez uma pausa, como se esperasse observar os efeitos daquelas palavras. Muitos alunos se remexeram, entreolhando-se com desconfiança.
- E durante esses tempos negros, é importante que nos unamos, e é exatamente por esse motivo que as aulas serão dadas para todas as turmas juntas. A finalidade é que as Casas se unam e, conseqüentemente, se fortaleçam contra o mal que estamos enfrentando. – ele respirou fundo. – Por isso, para ajudá-los com esse estremecimento de relações, serão formadas duplas, escolhidas por mim e pelo Prof. Snape, que trabalharão juntas durante todo o ano, para obterem as notas.
Vários alunos se entreolharam, confusos, e alguns murmúrios começaram a se espalhar. Hermione levantou rapidamente sua mão. Harry já estava imaginando quando ela faria isso. Remo voltou-se gentilmente para ela.
- O senhor quer dizer que nós seremos separados em duplas, que permanecerão juntas até o final do ano? Nós faremos juntos os trabalhos e duelaremos entre si?
- Exatamente, Hermione. – ele sorriu. – E nós fazemos questão de escolher as duplas, pois teremos o cuidado de colocar, em cada uma delas, um aluno de uma Casa junto ao de outra. E não importa que sejam Casas rivais. – ele completou, frisando a frase e olhando com repreensão especialmente os alunos da Grifinória e da Sonserina.
A primeira aula foi dedicada à uma revisão dos feitiços mais básicos, como o de Desarmamento, e somente naquela vez foi permitido que os alunos escolhessem suas próprias duplas. Harry se ofereceu para ser a dupla de Rony, pois se o amigo e Hermione duelassem, ele tinha medo de que algum "acidente" acontecesse. Hermione teve Neville como parceiro, e era óbvia a superioridade da garota, apesar do garoto ser bastante esforçado.
Na segunda vez que Harry desarmou Rony, a varinha do amigo voou até o outro lado do Salão, e Rony teve que ir buscá-la, reclamando mais do que a boca. Enquanto esperava, Harry ficou observando as duplas. Já era a terceira vez que Simas caía no chão, atingido por um feitiço de Lilá; o garoto não parecia muito disposto a acertar a namorada. Do outro lado do Salão, Draco Malfoy se divertia paralisando as pernas de Goyle e tirando o feitiço em seguida, para aplicá-lo novamente, fazendo o parceiro cair diversas vezes no chão com seu traseiro gordo. Próximo a eles, Katherine Willians tinha acabado fazer aparecer furúnculos no rosto de Emília Bulstrode, mas isso não ajudou a garota a ficar menos feia. Furiosa, ela largou a varinha e partiu para a briga, e Remo teve que vir apartar as duas garotas; não foi preciso, pois Willians começou a "brincar" com a colega, jogando um feitiço esquisito no chão que sempre a fazia escorregar. As duas levaram detenções separadas.
Ao final da aula, não houve muitas escoriações, no entanto, muitos alunos saíram indignados com o novo esquema de aulas. Rony era um deles.
- Eu não vou fazer dupla com alguém da Sonserina! Nem pensar! Já imaginaram se eu tenho o azar de sobrar para o Malfoy? – ele exclamou horrorizado. – Um ano inteiro convivendo com uma criatura dessas?
- Mas se os professores o escolherem, você não poderá reclamar... – Hermione comentou.
- Como não? É injusto!
- Mas são as regras!
- Regras são estúpidas!
Harry, que apenas ia caminhando ouvindo a décima discussão dos amigos no mesmo dia, viu pelo canto do olho, bem atrás, Katherine Willians caminhando sozinha, parecendo irritada como sempre. Ela procurava, atrapalhada, algo na sua mochila, sem sucesso. Sentindo seu estômago revirar, Harry se lembrou com desgosto que ainda estava com o livro da garota. Repetiu mentalmente o quanto ela era idiota de tê-lo esquecido no vagão. Ele deu uma desculpa qualquer para os amigos para que seguissem na frente e, ao menos daquela vez, eles não fizeram perguntas – estavam muito mais interessados na acalorada discussão. Harry, pelo menos naquele momento, achou oportuna a briga dos amigos.
Ele se escondeu em um armário de vassouras que encontrou pelo caminho e ficou olhando pelas frestas da porta, esperando a garota passar, achando-se ridículo por estar fazendo tudo aquilo só para devolver um maldito livro. Parecia até mesmo um daqueles filmes trouxas policiais, no qual o protagonista sempre fica se escondendo nos lugares mais idiotas para não ser descoberto. Quando Willians passou, distraída, pela porta do armário, Harry abriu-a rapidamente, puxou a garota pelo braço e fechou a porta, antes que alguém pudesse notar o que tinha acontecido.
A primeira reação da garota foi soltar um sonoro palavrão.
- Ei, limpe sua boca, Willians... – Harry zombou, rindo.
Ao ouvir a voz dele, ela pareceu finalmente reconhecê-lo; apesar da penumbra, Harry enxergou os olhos dela aumentando de tamanho, e ele soube que seus ouvidos doeriam depois daquilo.
- QUE IDÉIA IDIOTA FOI ESSA, POTTER?
- Calma, calma, eu só...
- SEU FILHO DA MÃE, FICOU DOIDO DE VEZ? QUE...
Mas ela se calou quando Harry deu uma batida de leve com o livro na cabeça dela. Com um gemido, ela levou as mãos ao cocuruto, fazendo uma careta.
- Mas, o que você...?
Harry mostrou o livro para ela, com uma cara de "entendeu-agora-sua-burra?". Mesmo à meia luz, ela reconheceu o objeto e rapidamente tentou apanhá-lo, mas Harry se aproveitou de sua altura para impedi-la e se divertir mais um pouco com a irritação da garota.
- Devolve isso, seu imbecil! – ela exclamou, dando pulinhos inúteis para alcançar o livro. Harry caiu na gargalhada quando, devido ao pequeno espaço do armário, ela acabou metendo o pé num balde, o que fez com que chutasse uma das vassouras, que se desequilibrou e bateu sonoramente do cocuruto dele, no mesmo lugar onde Harry tinha batido antes. – Ai, saco! Dá pra parar de rir?
Com a barriga doendo, Harry encostou na parede, sentindo falta de ar de tanto rir. A garota se aproveitou do momento para arrancar o livro das mãos dele.
- Como você conseguiu isso, Potter?
- Você... – ele começou, arfando. – ...deixou... na minha... cabine... ontem... – ele respirou fundo. – Só sendo... muito... estúpida... mesmo...
Ela olhou feio para ele, e depois revirou o livro e folheou algumas páginas, como se checasse se estava mesmo tudo certo. Seu olhar era gelado quando se dirigiu a Harry novamente.
- Você não andou lendo isso aqui, não é?
Harry ficou em silêncio. Ela pareceu notar essa involuntária confissão de culpa; seus olhos ficaram do tamanho de limões.
- Eu só li... a dedicatória... Foi a Lauren que te deu o livro?
- Foi... – ela disse rabugenta e completou. – Seu intrometido!
Ela abraçou o livro, como se temesse que ele saísse correndo, olhou feio de novo para Harry e já ia saindo quando ele fez questão de provocá-la novamente:
- Ei, mas que falta de educação... Como se responde quando alguém faz um favor?
Ela respirou muito fundo, olhou para cima, como se pedisse paciência a um ser maior, e disse muito rápido e muito baixo:
- 'Brigada.
- Eu não escutei...
- OBRIGADA!
Ele caiu na risada de novo. Quase conseguia ver como o rosto dela estava roxo de fúria. Ainda ouviu ela murmurar "idiota" antes de sair.
Quando Harry deixou o armário, logo após, ele quase caiu pra trás de susto. Willians também parecia petrificada. À frente deles estava ninguém menos que Severo Snape.
Ele olhou com profundo desdém para Harry, que ficou esperando pelo pior. Depois, voltou a encarar Willians, parecendo profundamente decepcionado.
- Que lástima, Srta. Willians... Uma sonserina se envolvendo com um... – ele pigarreou e novamente encarou Harry como se olha para um verme particularmente nojento. – Vinte pontos a menos para a Grifinória, Potter. Por fazer o que não deve dentro de um armário de vassouras...
Quando Snape já estava longe do campo de visão e audição deles, Willians se virou para Harry, seus olhos faiscando de raiva, e apenas disparou:
- Culpa sua, imbecil!
Harry deu de ombros, sorrindo irritantemente de propósito. Ela pareceu se enfurecer ainda mais e saiu batendo os pés, no sentido contrário.
Cinco minutos depois, quando já estava dizendo a senha à Mulher Gorda, Harry achou que aqueles vinte pontos foram bem gastos só para ver aquela sonserina patética se enfurecendo com as suas provocações...
Notas da autora:
Só vim agradecer muito mesmo ao pessoal que deixou reviews, vocês são maravilhosos ;)Diu-chan:
Claro que me lembro de você!!! Você deixa reviews em todas as minhas fics!!! OBRIGADAAAA!!! Hehehe :) Você deixou aquela review GIGANTE na TdS, hehehe, valeu msm ;) Que bom que tu curtiu o Harry e o Sirius, eu adoro eles também... meus personagens favoritos! :) Às vezes eu consigo escrever alguma coisinha engraçada, mas é difícil, eu não sou muito humorística, ehehhe ;) Eu também adoro a Agatha, ela é meu xodozinho! Você descobre um pouco sobre o trem nesse cap aqui, mas ainda não toda a verdade. E sobre a Kat, bem, ela tem muitos mistérios mesmo... Você vai entendê-los, ao longo da fic... heheheLolo:
Ai, também tô com MTA saudade de ti, cumadi!!! MTA, MTA, MTA MSM!!! Tá complicado aqui mesmo... aproveita bem teu primeiro ano, mulher! Hehehe, que bom que tu gostou do cap ;) Eu sei bem o que tu quer, hehehe :D Mas, vc sabe que eu sou muito chata... e só revelo as coisas no final! Huahuahuaha a volta do capeta bêbado!Alicia Spinnet
: Nossa, eu nem sei o que dizer!!!! Você me deixou sem palavras com a sua review! Só posso dizer obrigada milhões de vezes!!! Brigada, brigada, brigada!!! Espero sinceramente que continue a gostar tanto assim e que eu não te decepcione! E eu vou tentar ler suas fics, mas não prometo ser rápida... minha vida tá uma loucura aqui, terceiro colegial é uma droga! Mas desde já te desejo muita boa sorte com suas fics!!! ;)Morgana
: Puxa, que diferente seu nome! Mas é legal, gostei!!! :) E obrigada mesmo, que bom que você gosta das fics!!! Eu leio Agatha Christie sim, amo de paixão os livros dela!!! O nome da Agatha eu peguei dela mesmo, e o sobrenome, Prescott, também. Já o nome Cavendish veio naturalmente na minha cabeça, não sei porque... Mas eu geralmente, quando estou sem criatividade para nomes, pego alguns dos livros da Agatha que eu tenho aqui :)