Capítulo Sete – James Potter e Seu Grande Poder de Persuasão
Estava há dez minutos naquela tortura. Era sua melhor amiga, aquela que sabia de todos os seus segredos. Exceto aquele. Por que não contava logo a ela? Sabia que iria ouvir um sermão qualquer e se colocaria no lugar de Gina. Era sempre ela que dava as broncas, levá-las seria terrível.
Ainda assim, sabia que a ruivinha não era como o irmão. Não acreditaria em seja lá qual baboseira Harry havia dito para Rony.
- Hermione, se você pensa que sou tão tola quanto o Ron... – Iniciou novamente a conversa enquanto a morena afundava o rosto no travesseiro, deitada em sua cama. Adorava fins de semana. - Eu não caí nessa, está bem? – Era esse o grande fato.
- Não é nada, Gina. Eu e Harry Potter estamos apaixonados. – Disse com toda ironia que possuía em suas entranhas. A ruiva riu amarga.
- Pensei que fosse sua melhor amiga. – Aquele tipo de chantagem emocional era tão baixa quanto eficaz. A morena se sentou na cama e largou o travesseiro de lado enquanto, por dentro, Gina Weasley sorria vitoriosa.
- Ok. Você venceu, Weasley. – Deu ser por derrotada rolando os olhos impaciente. – Meu pai e o James Potter são sócios... – A ruiva vez uma falsa expressão de surpresa. – E assinaram um maldito contrato de seguro onde a cláusula dizia que só poderiam pegar o dinheiro caso houvesse a união de um membro de cada família. – A de cabelos vermelhos prestava atenção com uma expressão pasma.
- Mas por que eles assinaram isso? – Indagou num misto de indignação e incredulidade.
- Porque acharam nunca precisar, mas... Para a minha sorte – Fez uma careta. – eles precisam agora.
- Céus, que loucura... – Comentou levando uma das mãos ao ombro da morena. – Então quer dizer que vocês vão...
- Casar. – Completou chateada. A ruiva lhe puxou para um abraço que excedeu suas expectativas. Esperava que a amiga lhe arrasasse por se casar por um motivo tão louco.
- Escute, estamos juntas nessa. – Disse afagando as costas da amiga de forma consoladora. Hermione estava em uma grande cilada.
- Estou perdida, Ginny. – Lamentou respirando fundo e lhe abraçando de volta. – Por favor, não conte para ninguém. – Pediu num tom baixo e a ruiva assentiu.
- Claro que não irei. – Lhe garantiu.
Ela estava pronta no dia seguinte. Era o grande evento da semana e muita gente conhecida estaria por lá. Fora, definitivamente, uma novidade para todo mundo. Ainda assim, todos entendiam como uma jogada financeira óbvia. A junção de duas famílias muito, muito ricas.
Mirou-se no espelho. Adorara seu novo vestido e o par de sapatos. Havia considerado comprar novos para o "grande evento". Estava muito bonita. Sabia disso, apesar de, no fundo, desejar estar horrorosa para envergonhar Harry. Todavia, não iria por o nome de sua família em jogo. Os Granger eram conhecidos por todo seu prestígio, perfeccionismo e inteligência. Deveria dar seguimento a sua geração.
Olhou-se pela última vez antes de girar a maçaneta para sair do quarto. No andar debaixo da sua casa todos esperavam à futura Sra. Potter.
Odiava ter que vestir um terno. Não era nem seu casamento ainda. Era apenas o noivado. E ainda assim tinha que enforcar a si mesmo com uma maldita gravata. Seus cabelos, sempre bagunçados de uma maneira moderna, agora estavam penteados para trás e cheios de gel. Ideia de James. Segundo ele, inspirava mais confiança.
Estava ali, trancado na biblioteca dos Granger. Jogado numa poltrona qualquer, mirando o nada com um copo generoso de whisky nas mãos. Queria ficar sozinho, mas sabia que a qualquer hora alguém iria ali lhe chamar para a maldita festa de noivado. Não podiam apenas prestar atenção na noiva e fingir que o noivo não estava ali? Ouviu o ranger da porta e se virou para trás sem muito ligar. Era Hermione. Ela estava insegura e linda. Não se lembrava de tê-la visto tão bonita.
- Oi. – Ela disse indo até ele e sentando-se no sofá, de frente pra ele. O moreno deu um sorriso breve. Ele estava bonito com aquele terno.
- Quer? – Perguntou lhe indicando o copo e ela o pegou dando um gole rápido. – Vamos precisar de bastante. – Comentou ajeitando a gravata e ela sorriu.
- Pois é. O que acha de declararmos trégua apenas por hoje? – Propôs ao moreno que riu e lhe devolveu o copo.
- Tudo bem. – Assentiu balançando a cabeça. - Só por hoje? – Gostava de brigar com ela.
- Só por hoje. – Ela sorriu e recostou a cabeça no encosto do sofá. O dia seria longo e aquele brunch então, nem se fale.
Todos os convidados estavam sentados em mesas redondas dispostas por todo salão de festa da casa. Na mesa que se localizava no centro estavam as famílias Granger e Potter. Harry, Hermione e seus pais.
- É a hora do show, John. – James sussurrou para que apenas os membros da família ouvissem.
- O discurso fica com você. – John pediu esfregando as mãos nervosas. Harry e Hermione se entreolharam tensos. Não tinha como voltar atrás. Suas mães olhavam para seus pais com raiva e decepção. Era uma grande farsa.
- Ok. – Aceitou de maneira orgulhosa e se levantou com uma taça de cristal em mãos. – Pessoal, atenção aqui por favor. – Ele pediu à todos, que se calaram imediatamente como se até as pessoas estivessem inclusas naquela mentira.
Todos se levantaram ansiosos. Harry foi até o lado de Hermione e pôs uma das mãos em seu ombro. Ela pode sentir seus dedos gélidos. Ele também estava nervoso.
- É uma alegria e honra muito grande para nós das famílias Potter e Granger ver a união de nossos queridos filhos. Harry, Hermione, esse é um tempo de maturidade na vida de um casal. – Naquele instante Harry se impressionou. Seu pai mentia tão bem. Suas palavras convenciam qualquer um e aquilo não era bom em totalidade. - O casamento tem lá seus desafios, mas é através dele que formamos uma família. Estamos muito alegres por unir as duas famílias tão queridas. Agora é sua vez, filhão. – Disse se virando para o rapaz e lhe lançando um olhar significativo. Apenas faça.
- Ham... – Ele pigarreou e procurou no bolso do paletó uma pequena caixa. A abriu e nela tinha um anel. Seu pai gastara dinheiro desnecessário apenas para fazer uma grande festa. A empresa não estava falindo? Não deveriam mudar suas prioridades? Depois resolveria isso.
O de olhos verdes se virou para a morena e lhe olhou. Um olhar apreensivo, retribuído da mesma forma. Nunca vira Harry Potter se sentir tão incômodo. - Hermione, quer casar comigo?
- Er... – Sua mente dizia milhares de "não" numa fração de segundo, mas ela apenas se limitou a fazer seu papel. - Claro. – E forçou um sorriso seguido por aplausos de todos os convidados. O rapaz lhe segurou a mão e pôs o anel. Agora seria ainda mais difícil voltar atrás.
- Hermione... Posso falar com você? – O rapaz pediu lhe segurando pelo braço com leveza assim que a menina passou por um dos corredores que dava para a saída da casa. Ela se assustou, mas em seguida não resistiu. Estava ali há algum tempo, esperando para poder falar com ela a sós e tirar aquela ideia maluca de sua cabeça.
- Sim, Ron. – Sabia que não poderia ser algo bom. Não na situação que estava. Se deixou apenas levar pelo rapaz e quando se dera por notar estavam no jardim vazio atrás da casa. Se alguém os visse ali, provavelmente boatos ruins correriam.
- Acho que está bom aqui. – Ela disse parada sobre a sombra do antigo sicômoro. O rapaz se pôs na sua frente e segurou seu rosto com delicadeza. Ela apenas afastou suas mãos e se manteve séria.
- Eu não sei o que Harry ou seus pais te disseram, mas as coisas não precisam ser assim. – Ele disse se aproximando e ela se esquivou encostando na árvore. Naquele momento sentira não estar numa situação privilegiada.
- Rony, o que aconteceu entre nós acabou... – Ela tentou começar. Será que seria tão difícil assim? Não morria de amores por ele, mas gostava dele o suficiente para se chatear bastante com tudo aquilo. – Foi legal e tudo, mas passou.
- Eu não sei por que você está jogando comigo. – Ele tomou um tom de voz irritado e passou a mão na nuca impaciente. Odiava toda aquela loucura. Queria entender o que realmente acontecera. Estavam todos ficando loucos?
- Não há jogo nenhum. – Realmente não havia. Ou talvez houvesse, mas ele não estava participando. – Vamos tornar as coisas fáceis, apenas vá embora. Por favor. – Pediu com toda sua paciência. Queria que ele ficasse. Queria ficar com ele. Mas não era sobre ela que deveria pensar agora.
- Está bem. – Assentiu lhe dando as costas e saindo.
Quando a figura de Ron sumiu, Hermione notou que Harry os observava e o moreno se aproximou dela com as mãos nos bolsos e uma expressão chateada.
- Sinto muito. – Disse colocando seu paletó sobre o ombro dela. – Acho melhor entrarmos, bonitinha. Ela decidiu não se irritar com ele e apenas fez o que o rapaz havia sugerido.
