Capitulo VII

O sonho

- Adoro ver a luz do sol a bater nos teus cabelos. Parece que começam a arder – Ginny sorriu satisfeita, passando uma mão pelo peito dele e aconchegando-se um pouco mais, para receber um pouco do seu calor.

- Por mim ficava assim o resto da vida – disse Ginny olhando para ele. Ele era extremamente bonito.

- Adoro os teus olhos, o modo como olhas para mim. Têm uma grande força de vontade e uma grande bondade dentro deles.

- Obrigado – disse Ginny sorrindo-lhe, sentindo um aperto caloroso no seu coração. Gostava de estar assim, nos seus braços. Colocou a cabeça no seu peito e olhou em volta. Estavam numa pequena praia de areia branca. O mar estava calmo, com uma ligeira ondulação. O sol descia lentamente no horizonte cobrindo o imenso mar de tons de laranja e vermelho.

Ele puxou-a para mais perto de si e agarrou-a pela cintura. Ginny sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo, semelhante ao que sentia sempre que estava perto dele.

- Adoro-te – confessou-lhe, roçando os lábios pela sua orelha.

- Eu também – respondeu Ginny, esticando-se para o beijar.

Ele baixou-se ligeiramente, mas nesse momento algo puxou Ginny para baixo.

- AH – gritou Ginny, ao acordar sobressaltada. – Tenho de ir falar com a Cândida – disse levantando-se da cama, ainda com a respiração acelarada e começando a vestir-se rapidamente. Saiu de casa, pouco tempo depois, aparatando em frente à grande mansão de Cândida.

- Bom dia – cumprimentou um pequeno elfo de voz estridente, completamente vestido de preto. – O que é que a menina Weasley desejar.

- Bom dia. Eu gostaria de falar com a Cândida. Ela está?

- Sim, mas estar a dormir.

- Ainda – protestou Ginny. – Bem, não se preocupe, eu sei onde é o quarto - disse Ginny entrando dentro da mansão e começando a subir as escadas.

- Mas menina Cândida ainda estár a dormir.

- Não se preocupe – disse Ginny virando-se para o pequeno mordomo. – Eu acordo-a – e com isto continuou a subir as escadas. Depois dirigiu-se ao quarto de Cândida. Bateu à porta e, como ninguém respondeu, Ginny concluiu que esta estava mesmo a dormir, por isso entrou no quarto e dirigiu-se para uma grande janela, mesmo em frente da cama de Cândida. – Bom dia – gritou ao mesmo tempo que abria as cortinas deixando entrar brilhantes raios de sol.

- Deixa-me dormir – protestou Cândida tapando a cabeça com a almofada.

- Desculpa, Dida, mas não dá mesmo. Preciso de falar contigo.

Ao ouvir a voz de Ginny, Cândida levantou a cabeça e olhou para a amiga – Ok, deixa-me só vestir-me – disse, sentando-se na cama e esfregando os olhos. – Ah, outra coisa, quando estiver mais acordada lembra-me para eu te matar.

Não demorou muito até Cândida estar vestida.

- Celina - chamou Cândida. – Desculpa, Ginny, mas tenho de comer qualquer coisa, também queres comer?

- Pode ser – aceitou Ginny ao lembrar-se que ainda não tomara o pequeno-almoço.

- A senhora chamar? – Perguntou um elfo com um pequeno avental vestido por cima de pequeno vestido bordo.

- Sim. Podias trazer-me o pequeno-almoço, a mim e à minha amiga.

- Os teus elfos têm roupa!

- Sim têm. Eles são todos livres. Pagamos-lhes 3 Knuts por dia.

- Só 3 Knuts?

- Sim. Se lhe pagássemos mais eles ficavam ofendidos.

- Acho que a Hermione ia gostar muito mais de ti se soubesse isso.

- Porquê?

- Não interessa. Eu vim aqui porque preciso mesmo de falar contigo. Eu sei que tu tens o dom de interpretar sonhos.

- Pois, mas tu sabes que só consigo interpretar sonhos de certas pessoas…

- Sim, só de pessoas com o poder da visão. Eu não sei se tenho isso, ou o que é que tenho, só sei que nos últimos tempos ando sempre a ter o mesmo sonho.

- A repetição de sonhos pode ser um sinal que tu tenhas essa visão.

- Pois, só que eu não consigo perceber este sonho – Ginny contou o sonho que tinha tido nos últimos tempos e no final ficou a olhar para Cândida, à espera que esta dissesse alguma coisa.

- Muito obrigado Celina – agradeceu Cândida quando o elfo colocou o tabuleiro em cima da cama. – Bem, acho que és mesmo capaz de prever o futuro através dos sonhos.

- E o que é que isto quer dizer? – Perguntou Ginny, agarrando numa torrada.

- Esses teus sonhos têm sofrido algum tipo de desenvolvimento, por exemplo, em questão de pormenores?

- Sim, são cada vez maiores e eu sou capaz de me lembrar de mais pormenores quando acordo. Neste último sonho eu quase beijei o rapaz.

- E como é que é esse rapaz?

- Só sei que é loiro, que tem olhos azuis e é bastante alto. O que é que achas que isto quer dizer.

- Sinceramente acho que estás prestes a apaixonar-te. E olha que já não falta muito para que isso aconteça. Também creio que terás algumas dificuldades, problemas, alguém tentará acabar com tudo isso, por isso é que nunca o consegues beijar.

- E esse rapaz vai ser loiro e ter olhos azuis? – Perguntou Ginny, pensando que assim o poderia reconhecer quando se deparasse com ele.

- Pode coincidir, mas também podem ser características do passado.

- Do passado? Como assim?

- Cabelo loiro, pode ser facilmente confundido com cabelo branco, o que representa algo antigo, o que indica que tu já conheces essa pessoa. Esse rapaz em questão também já te ajudou em algum momento da tua vida.

- Ajudar como?

- Não sei, pode tê-lo feito de muitas formas, desde indicar-te o caminho para um café como a salvar-te a vida, ou então ajudou alguém tu gostes ou gostavas muito, nessa altura – Ginny olhou para Cândida completamente confusa. – Mas se eu fosse a ti, não me preocupava muito com isso agora.

- Pois, acho que tens razão. O que virá, virá – concluiu Ginny, levantando-se da cama.

- Então, o que é que estás a pensar fazer hoje, no último dia antes de começares a trabalhar.

- Bem, estava a pensar em ir ver casas. Quero mudar de apartamento, já que vou começar a trabalhar, a ganhar mais algum dinheiro. Quero comprar uma casa um pouco melhor, mais espaçosa e com melhor vista. Já andei a ver umas casas por aí e gostei imenso de um apartamento. Hoje vou revisita-lo e, se calhar, assinar já hoje o contrato.

- Hum, estou a ver. Bem vou contigo - Ginny sabia que aquilo não era uma pergunta.

Foram a uma agência imobiliária muggle, que as acompanhou até ao apartamento que Ginny pretendia comprar.

O apartamento ficava no último andar de um prédio novo nos arredores de Londres. Tinha dois quartos, um deles com casa de banho e uma grande sala, com uma lareira, separada da cozinha por um balcão. A casa tinha uma estrutura simples, era espaçosa e não iria ficar muito cara, mas a principal razão que levara Ginny a escolher aquela fora o terraço, de onde se tinha uma bela vista do Rio Tamisa.

- O que é que dizes? – Perguntou Ginny.

- Realmente a casa é linda – disse Cândida olhando em volta.

- Muito bem. Acho que fez uma boa escolha Sra. Weasley – disse a senhora que a acompanhara – Agora é só voltar a passar pela nossa imobiliária, para acertarmos os papéis. Deixo aqui a chave, caso queira ver a casa mais à vontade, depois basta deixa lá em baixo, junto ao porteiro – deixou a chave em cima da bancada da cozinha e saiu fechando a porta.

- Esta vista é linda – disse cândida abrindo as portas de vidro que davam acesso ao terraço e indo em direcção aos muros destes, onde se inclinou para apreciar a paisagem.

- Sim, é realmente magnífica e com um pouco de magia vou fazer disto um pequeno paraíso.

- Bom dia – cumprimentou Wendy, ao ver Ginny a entrar na sala de reuniões.

- Bom dia, Wendy. Então, mais calma'

- Sim, muito. No outro dia em que me viste, tive de ficar cá mais tempo do que aquele que tinha planeado, a Dora faltou, porque o filho estava doente, então tive de ficar a substituí-la e acabei por fazer dois turnos seguidos.

- Pois, é normal que estivesses cansada. Uma coisa que não percebi da última vez que cá estive, é o modo com funcionam os nossos turnos?

- Tu podes escolher qual dos turnos é que te da mais jeito. Eu por norma faço sempre manhã, só naquele dia é que tive de fazer noite e manhã.

- Pois, acho que também prefiro fazer manhãs.

- Então, daqui a pouco, quando o resto dos medibruxos chegarem, para te conhecer, podes informar isso.

- Eles vão cá estar todos?

- Não, só os da parte da manhã e os da noite. À tarde apresentas-te aos restantes

- Hum, está bem. Já sabem para onde é que eu vou?

- Em princípio, se não tiveres nada contra, vais trabalhar comigo na UCELM.

- O que é que é isso?

- A UCELM significa Unidade de Cuidados Extremamente Longos a Magos. É onde está a minha mãe.

- E onde é que fica?

- Já te levo lá, para conheceres os doentes. Eles estão na parte mais afastada aqui dos corredores, porque raramente recebem visitas. De facto, só a minha mãe e outra senhora é que recebem, e deixa-me dizer-te que o filho dessa senhora é lindo. Parece um anjo carrancudo. É lindo, lindo. A propósito, és comprometida?

- Não – disse Ginny sem perceber porque é que isso vinha a propósito.

- Pois, então quando o vires pensa nele como um caso a ponderar. Ainda por cima ele vem sempre de manhã – sorriu Wendy, piscando um olho a Ginny.

- Eu?! Mas porque é que tu não pensas nisso?

- Porque bem, sabes – disse Wendy levantando o dedo, mostrando um anel de noivado a Ginny – eu já sou comprometida.

- Ah, desculpa, eu não sabia.

- Ora essa, não disseste nada que já não me tenha passado pela cabeça, mas sabes, eu amo muito o Tom.

- O Tom… não sabia que o Tom e tu…

- Pois, é normal, nos aqui dentro tentamos controlarmo-nos.

- Pois, só que por vezes é complicado – disse Tom aparecendo atrás de Wendy e beijando-lhe o pescoço.

Ginny sorriu, mas sentiu uma grande amargura dentro de si. Tinha saudades de estar assim com alguém, de se sentir amada.

"Deixa-te de coisas sua parva. Tens é de ficar feliz pela Wendy e pelo Tom e feliz por estares onde estás agora. Custou muito chegar até aqui, tenho mais é que aproveitar" Pensou Ginny, olhando em volta e vendo que tinham chegado cerca de 20 medibruxos.

- Bem, penso que já devemos estar cá quase todos, e para não nos atrasarmo-nos mais, pretendo que esta apresentação seja rápida. Terão tempo de se conhecer melhor ao longo do tempo – disse uma bruxa, com alguma idade e com uns olhos amarelos, olhando para Ginny. – Bem minha querida, desde já, desejo-te as boas vindas. Eu sou a Rosetta e espero que te dês bem aqui junto de nós. Não irei apresentar os teus colegas, pois são muitos e dificilmente fixarias algum nome, por isso, apenas lhes direi o teu, que é Ginevra, se não estou em erro.

- Sim, mas prefiro ser tratada por Ginny – informou olhando para a bruxa.

- Muito bem Ginny. Não sei se já sabes onde iras ficar?

- Sim, a Wendy já me disse que iria ficar na UCELM, com ela.

- E o horário que pretendes é…

- Se fosse possível preferia de manhã.

- Muito bem. Se precisares de alguma coisa, eu estou no meu laboratório, a tratar das poções. Bem, meus caros, esta é a Ginny, com o tempo poderão apresentar-se mutuamente. Espero que lhe dêem as vossas melhores boas vindas. É tudo, podem começar a trabalhar, pois os doentes não podem esperar, ou ir para casa – disse a bruxa amavelmente saindo da sala.

- Bem, Ginny, vamos trabalhar – disse Wendy colocando-lhe uma mão sobre o ombro. – Hoje vai ser um longo dia, quero que conheças todos os nossos doentes, exactamente onde eles estão e também quero te apresentar os cantos à casa.

Wendy levou Ginny por vários corredores até chegarem ao quarto, depois obrigou Ginny a fazer o caminho de volta, coisa que não conseguiu, devido á grande semelhança entre os corredores, até que Wendy lhe mostrou pequenos sinais nas paredes que poderiam servir de guia. Quando Ginny conseguiu fazer o caminho de ida e vota, Wendy mostrou-lhe uma pequena passagem, por detrás de um grande móvel, na sala de reuniões, que dava directamente às salas da UCELM.

- Bem, eu hoje gostaria de te apresentar os doentes, mas não sei como é que preferes.

- Eu pensei em ler os processos dos doentes que iriam ficar comigo, antes de os conhecer, para os conseguir perceber melhor.

- Concordo. Nós temos cerca de 15 doentes nas quatro salas. Eu gostava de ficar na sala 1, que é onde está a minha mãe, e na sala 2 que é logo ali ao lado, sendo assim ficavas com as salas 3 e 4. O que dizes?

- Pode ser.

- Muito bem, não sei se a Violet te disse como é que poderias chamar os processos dos doentes?

- Sim, explicou - que poderia usar o sistema de resposta rápida.

- Muito bem. Então assim que tenhas obtido a informação que necessitas, vem ter comigo.

Ginny concordou com a cabeça e colocou a mão sobre uma pequena esfera preta e em seguida chamou os processos dos quartos 3 e 4 da UCELM. Passado poucos segundos, vários pergaminhos saiam das diferentes estantes e amontoavam-se em cima da mesa. Ginny puxou uma cadeira e começou a ler o primeiro processo, que era de um senhor que tinha recebido grandes doses de uma poção de amor. Em seguida começou a ler um outro processo. Este só dizia que a pessoa em questão estava extremamente debilitada física e psicologicamente, não dando qualquer tipo de informação da causa que provocara isto. Ginny olhou então para o nome no início do pergaminho. Nessa altura ficou paralisada.

- Narcisa Malfloy – balbuciou Ginny, sem conseguir tirar os olhos do pergaminho.


E passado tanto tempo, cá está mais um capítulo.

Desculpem a demora, mas estou de momento a fazer um projecto de final de curso que me ocupa muito tempo.

Mas poderia ter demorado menos tempo com o incentivo adequado, ou seja REVIEWS. Nem uma review recebi do último capítulo. lol

Espero que estejam a gostar.

Próximo capítulo chama-se Draco Malfloy, ou seja, finalmente ele vai aparecer.

Jinhos e fiquem bem. Ah, se poderem deixem reviews P.