E o grande Hades aparece! Nosso querido Sasuke-kun. 3
OBS: SASUSAKU E NARUHINA CANNON! Gente, vocês não imaginam o QUANTO eu estou feliz, meu Deus! Sarada, Bolt e Himawari são MARAVILHOSOS. *3*
Caminharam em sociável silêncio, e Sakura estudou a terra em torno delas. Estava começando a distinguir os vários níveis de trevas em ambos os lados da estrada. À primeira vista, parecia que tudo estava envolto na escuridão de uma noite sem estrelas, mas, conforme seus olhos se acostumaram com a falta de luz, percebeu que havia sombras e formas em meio ao breu. O espaço que se estendia a cada lado lembrava um pântano escuro. Podia até discernir folhagens em tons de cinza e blocos de gramíneas espessas que se agitavam, embora não houvesse qualquer vento.
Foi nesse momento que uma forma passou por elas, capturando o olhar de Sakura. Era um velho, quase dobrado ao meio por conta da idade. Ele mancou em direção à estrada, depois recuou um passo; então avançou outra vez, os olhos remelentos piscando para o vazio, na direção de Sakura.
Enquanto ela se perguntava se deveria ajudá-lo, outra silhueta tomou forma na escuridão. Uma mulher. Estava agachada na grama sombria, encolhendo-se de um agressor invisível.
O primeiro instinto de Sakura foi socorrê-la, porém a voz ecoou dentro de sua mente:
Você não pode ajudá-los. Eles são a Velhice e o Medo.
Veja... Mágoa, Ansiedade, Fome, Doença e Agonia se juntarão a eles.
Sakura assistiu a outras formas espectrais tomando forma ao lado das duas primeiras. Eram horríveis, e a simples visão delas fez seu estômago se apertar.
Elas são parte da existência mortal. Não podem ser ajudadas. Podem apenas ser superadas. Vamos, não fique plantada ai!
Sakura percebeu que tinha praticamente parado de andar, e Hinata olhava, temerosa, ao redor.
- Penso que precisamos nos apressar. Você tem um encontro com a eternidade, e eu odeio me atrasar para qualquer coisa. Acho uma falta de educação – completou alegremente conforme apertava o passo a ponto de obrigar a moça a quase correr para se manter junto dela.
Ouviu gemidos de dor e estremeceu, recusando-se a olhar para trás. Ao contrário, concentrou a atenção em vários contornos brilhantes que pairavam no caminho à sua frente. Mesmo não podendo vê-los muito bem, Sakura não sentiu qualquer perigo ou animosidade vindo deles, e sua voz interior permaneceu quieta, o que ela entendeu como um sinal positivo.
- Gostaria de saber o que são aquelas coisas ali em cima... – comentou, tentando conversar com a calada menina ao seu lado.
- Devem ser outros como eu – Hinata falou devagar.
Sakura reprimiu um calafrio.
Que diabo? Encontrava-se na Terra dos Mortos... Ela achava, mesmo, que não cruzaria com nenhum por ali? Era como imaginar que não encontraria fermento em uma padaria, disse a si própria com firmeza.
- Bem, então estamos indo na direção certa. – Sorriu para Hinata.
- Mas você sabia que estávamos no caminho certo... – respondeu a moça, sorrindo de volta com timidez.
- Isso porque tenho uma boa guia – ela replicou, o que fez o sorriso de Hinata se ampliar e seu rosto pálido se encher de cor e prazer.
Sakura tentou manter na mente o calor daquele sorriso quando se deparou como o primeiro dos espectros. Era outra moça. A jovem alma carregava um embrulho que mantinha escondido e pressionado contra o peito, e, apenas pelo formato deste, Sakura pôde afirmar que se tratava de um bebê. O olhar da mulher vagava pela paisagem escura à sua frente, e encontrou o de Hinata sem se alterar.
Mas, quando ela percebeu a presença de Sakura, seus olhos tristonhos se arregalaram, e sua expressão se animou.
- É a deusa da Primavera que anda no meio dos mortos? – indagou com a voz dominada pela emoção.
Após uma ligeira hesitação, Sakura respondeu:
- Sim... sou Perséfone.
- Santo Deus! – A morta pressionou a mão transparente contra a boca como se para conter as emoções. Depois respirou fundo e, ao se recompor, falou novamente: - Então esta jornada escura não é, assim, tão desesperadora. Não, se caminhamos na presença de uma deusa.
Pelo canto dos olhos, Sakura percebeu Hinata sorrindo e assentindo em silêncio.
Seu nome ecoou em sussurros, como uma onda suave por entre o grupo de espíritos iluminados que de repente as rodeou.
- Perséfone!
- É a deusa da Primavera!
- Ela veio iluminar nossa jornada sombria!
Um a um, os espectros se voltaram para Sakura. Eram espíritos de todas as idades e aparências: desde os velhos, já curvados com a idade, até moços que circulavam por entre os mais idosos com toda a exuberância de sua juventude. Alguns deles ainda apresentavam ferimentos, e havia outros tantos com os corpos pálidos tingidos pelo vermelho de golpes de espada. Alguns, como Hinata e a jovem mãe, não tinham qualquer cicatriz.
Porém não importava seu estado. Todos possuíam algo em comum: a expressão de prazer e esperança renovada pela presença de Perséfone.
Sakura ficou surpresa com a própria reação ao ser cercada pelos espíritos dos mortos. Não era assustador. Estava conseguindo até mesmo suportar a visão de suas feridas, desde que não as olhasse por muito tempo e se concentrasse nos olhos da pessoa. Neles ela podia ver a luz que acendia dentro de cada alma quando sorria e as cumprimentava com o que, esperava, fosse uma demonstração de carinho.
Conforme ela e Hinata seguiram pelo caminho escuro, o número de mortos ao seu redor continuou a crescer. Tsunade não tinha exagerado. Aqueles espíritos obviamente precisavam dela. Reagiram à sua presença como se ela fosse a chuva e eles, uma planície deserta. Ressequidos, eles bebiam de seus sorrisos e saudações.
Vozes sussurravam sem parar ao seu entorno, murmurando palavras em línguas que ela não devia compreender, mas compreendia.
Sentindo-se um pouco sobrecarregada, Sakura tentou não pensar na quantidade de espíritos que a seguia. Concentre-se em um de cada vez, disse a si mesma. Pense neles como clientes ansiosos, e não como um mar de mortos.
Como se pressentisse o seu crescente desconforto, Hinata se postou a seu lado, certificando-se de que ela pudesse avançar.
- Já posso ver o pântano à nossa frente – sussurrou. – Lá tomaremos o barco de Caronte, e ele nos levará pelo lago até o caminho que conduz aos Campos Elísios. O palácio de Hades fica à beira destes. Não deve demorar muito para que nós o alcancemos.
Sakura ia agradecer a moça pela animadora informação quando a trilha diante delas tremeu, e, com um rugido ensurdecedor, o mármore negro se partiu, criando uma abertura no chão parecida com a boca de um gigante.
Exclamando de medo, as almas dos mortos se espalharam, deixando apenas Sakura e Hinata sozinhas para enfrenta o buraco negro.
- Droga! Droga! Droga! – Sakura gritou, chocada demais para se lembrar de mudar para se lembrar de mudar para o italiano ao ver a terra se abrir aos seus pés. Girou os braços para não cair para a frente; em seguida, agarrou a mão transparente de Hinata e começou a se mover para trás, puxando a menina com ela. Tinha dado apenas alguns passos quando quatro garanhões cor de ébano surgiram da abertura. Expelindo fogo em uma impressionante demonstração de poder, eles convergiram para Sakura e Hinata.
- Minha deusa, ajude-me! – gritou a moça.
A voz aterrorizada da menina arrancou Sakura de seu estupor. Sem pensar duas vezes, ela largou a mão pequena e pálida, e deu um passo à frente para enfrentar os cavalos. O garanhão líder a desafiou com um relinchar agudo, as orelhas coladas ao crânio maciço. Foi o primeiro animal do qual ela se aproximou.
Cruzando os dedos mentalmente para que seu dom não houvesse ficado para trás junto de seu próprio corpo, Sakura baixou a voz e começou a falar num tom dócil, enquanto esticava a mão para o focinho ameaçador.
- Olá, garoto. Nossa, como você é bonito!
O cavalo bufou, desconfiado, mas ergueu as orelhas de modo a captar os sons que ela emitia.
Sakura sorriu. Era óbvio que seu carisma era uma parte da sua alma e não do seu corpo.
Deu um suspiro de alívio. Não importava o quanto os cavalos eram grandes ou ferozes. Eram apenas cavalos, e, como todos os animais, aqueles também a adoravam.
Fez um barulhinho com a língua enquanto acariciava o focinho aveludado do magnífico animal.
- Você é grande mesmo, hein? – sussurrou, amorosa.
- Quem se atreve a perturbar as almas dos mortos e a tocar os temíveis cavalos de Hades?!
O clamor desceu como um chicote sobre ela, e Sakura puxou as mãos do focinho macio, olhando, culpada, na direção da voz grave. Engoliu em seco. Que idiota! Ficara tão fascinada com os garanhões que não havia nem sequer olhado além deles.
O homem tinha cabelos negros e brilhantes, e estava de pé em uma biga prateada, da cor do luar. Segurava uma lança dupla em uma das mãos e grossas rédeas de couro na outra, com o corpo maciço envolto numa túnica azul-noite. Um manto escuro ondulava ao seu redor e, sob a luz fraca emitida pela deusa, as dobras deste cintilavam em tons roxo e azul-royal.
Os olhos de Sakura se desviaram para o rosto moreno, de um tom exótico. A pele, uma mistura de ouro e bronze, dava-lhe a aparência intimidadora de uma estátua viva. Um par de olhos escuros e faiscantes a fitava de cima dos traços fortes, do queixo bem definido, e do nariz aquilino. Ele parecia zangado, irritado.
Mas era magnífico.
Nossa, Sakura pensou, entorpecida. Ele parece o Batman! Só faltam a máscara e o Batmóvel.
- Perdão – murmurou, nervosa. – Eu não queria perturbar ninguém. Os mortos ficaram felizes em me ver e...
Um dos "temíveis cavalos", obviamente irritado com sua falta de atenção, bufou fumaça em seu rosto, obscurecendo-lhe a visão.
No mesmo instante, ela o repreendeu com um estalo de língua e o acariciou no focinho.
- Mais uma vez você se atreve a tocar meu feroz corcel... – Desta vez, a voz profunda soou mais confusa do que zangada.
Sakura teve que afastar a enorme cabeça e espiar por baixo do pescoço do cavalo.
- Pelo visto, ele não percebe que é um animal tão feroz. – Sorriu para o garanhão, carinhosa, e este lhe lambeu o ombro. No mesmo instante, os outros três começaram a esticar as cabeças para ela, ansiosos por sua cota de atenção. – Bem, não é exatamente assim... A verdade é que eu tenho essa "coisa" com os animais. Eles gostam de mim. Muito. – Alcançou outro focinho e o acariciou. – Tenho certeza de que estes corcéis ainda são bastante perigosos... Apenas não neste momento.
Foi então que sua mente registrou as palavras do homem. Ele havia dito "os temíveis cavalos de Hades"!
Sakura se encolheu por trás do animal mais próximo. Merda! Aquilo significava que o Batman, ali, era o deus do Submundo!
Fechou os olhos e contou até três. Respirou fundo e se afastou dos animais que ainda demandavam de carinho.
- Eu sinto muito. Foi muito rude da minha parte não me apresentar. Sou Perséfone, filha de Deméter. Ela mandou avisá-lo de que eu estava vindo para uma visita.
Os olhos do deus se arregalaram de leve, porém ele não respondeu.
Sakura prosseguiu:
- Eu não quis perturbar os mortos, verdade. Peço desculpas se fiz algo que não devia ter feito.
Ele permaneceu em silêncio, e o estômago de Lina se contraiu.
- Você deve ser Hades. Espero não ter chegado em um momento inconveniente?
- Eu a reconheço agora, deusa – ele falou, sério. – Recebi o aviso de sua vinda.
Sakura sentiu uma ponta de surpresa. Ele a reconhecera? Não esperava que Hades conhecesse Perséfone. Deméter não havia mencionada nada sobre isso.
- Não fez mal algum – ele prosseguiu, seco. – Acontece que o Submundo não é normalmente visitado por imortais. Os mortos não estão acostumados com a presença de outros deuses.
Sakura tentou sorrir, embora o olhar penetrante de Hades fizesse com que ela tivesse vontade de se encolher.
- Foi ideia de minha mãe. – comentou e se arrependeu no mesmo instante.
Droga. Parecia uma adolescente. – Também achei que seria bom eu sair um pouco – acrescentou depressa.
Hades ergueu uma sobrancelha escura, assim como o Batman teria feito.
- Minha mãe me disse que o Submundo é cheio de magia e beleza – ela repetiu, sincera. – Fiquei com vontade de ver por mim mesma.
- Há muitas maravilhas no meu reino que passam despercebidas pelos imortais lá de cima – ele falou devagar.
- Então não se importa que eu as visite?
O deus a estudou com olhos escuros e impenetráveis. Antes que desse uma resposta, contudo, e, com um relinchar, arreganhou os dentes para a silhueta clara que se aproximara dela.
Com um grito, Hinata saltou para trás.
No mesmo instante, Sakura se pôs à frente do cavalo, fazendo com que o enorme animal desistisse de seu ataque.
Com as mãos nos quadris, ela o repreendeu:
- Que coisa feia! Hinata estava apenas chegando perto de mim, ela não ia fazer nada de errado... E vocês já assustaram as outras almas. Deviam ter vergonha!
Contrariado, o cavalo abaixou a cabeça e piscou para ela com olhos tristes.
Sasuke observou a jovem deusa repreender seu corcel, incrédulo. O que ela havia feito com Órion? Lançado algum feitiço sobre ele?
Olhou os outros três garanhões, os quais balançavam a cabeça e olhavam, fascinados, para Perséfone. Que tipo de magia possuía a deusa da Primavera? Ele a tinha visto umas poucas vezes em suas raras incursões à superfície. E o que observara fora uma deusa jovem, bela e fútil, à qual ele dera tanta atenção quanto ao restante dos imortais.
A mulher diante dele, no entanto, parecia muito mais centrada e dona de um inconfundível ar de maturidade. E ela encantara suas montarias.
Sasuke balançou a cabeça, inconformado. Que sentimento era aquele que Perséfone despertara nele? Curiosidade?
Eras haviam se passado desde a última vez em que se sentira levemente curioso a respeito de outro ser.
Que coisa intrigante! O simples pensamento de ter considerado a deusa da Primavera interessante o fez ter vontade de rir às gargalhadas. Tomou uma decisão e se obrigou a falar antes que mudasse de ideia.
- É bem-vinda ao Submundo, Perséfone.
Sakura piscou, surpresa. A voz do deus tinha mudado, assim como sua expressão sombria. Agora ele a fitava com uma intensidade quase tangível. Seus olhos não pareciam mais distantes e ilegíveis. Eles brilhavam com uma ponta de curiosidade e, ela quase podia jurar, com humor, se não soubesse que ele era o deus do Submundo.
Hades se parecia, mesmo, com o Batman. Aliás, com o Batman sexy, num daqueles dias em que o Coringa não o apoquentava. Ele era tão másculo que irradiava poder. A descrição apressada que Tsunade fizera dele definitivamente não a preparara para a presença daquele deus.
- Obrigada, Hades. Agradeço sua hospitalidade. – murmurou, um pouco ofegante. - E por favor, me chame de Sakura. Gosto de ser chamada assim.
- Então peço que me chame de Sasuke. - Ele não reprimiu um sorriso de canto, ainda mais repleto de curiosidade em relação à deusa a sua frente. - Venha, então. Vou lhe mostrar meu palácio. – Ele fez um gesto magnânimo e abriu espaço ao seu lado na biga.
Sakura desviou o olhar para os cavalos.
- É melhor eu me despedir deles primeiro, Sasuke...
Sasuke notou quando, sem qualquer hesitação ou medo, a deusa retornou para o meio dos gigantescos garanhões e foi cercada por eles. Uma pequena e estranha esfera de luz a seguia, fazendo com que a pelagem escura dos animais brilhasse, ao mesmo tempo que encerrava a moça em um círculo iluminado e deixava seu rosto claramente visível. Ele pôde vê-la sorrindo como uma menina enquanto acariciava um cavalo por vez e se perguntou: onde estava a fútil e egocêntrica deusa da Primavera? Aquela Perséfone, ou melhor Sakura, madura e amante dos cavalos não era o que ele esperava.
- Vocês são todos umas gracinhas, meninos. Não fiquem tristes. Não estou mais zangada.
Sasuke custou a acreditar, contudo seus apavorantes corcéis acariciavam e relinchavam feito pôneis.
Rindo, Sakura finalmente saiu do meio deles. Sentiu que o deus ainda a observava e sorriu para ele.
- Adoro cavalos. E você?
A expressão radiante no rosto dela fez o estômago de Sasuke apertar. Que deusa olhara para ele daquele modo antes?
Sentiu a boca seca e soltou o ar, contrariado.
- Eu também.
Sakura se perguntou como podia se perder diante de apenas duas palavras pronunciadas por aquela voz grave e profunda. Por algum motivo ridículo, sentiu o rosto quente e se virou rapidamente para acarinhar o pescoço liso de um garanhão.
Que diabo havia de errado com ela? Precisava se controlar. Era uma mulher adulta. Não tinha razão para ficar com os joelhos fracos e os olhos estatelados apenas porque Sasuke acabara se revelando tudo, menos um sujeito aborrecido ou um troll... um daqueles gigantes do folclore escandinavo.
Olhou para ele.
Senhor! O homem a deixava nervosa.
Recluso e sombrio..., pensou, cínica. Tsunade devia ter adicionada "deslumbrante" à descrição.
Merda! Precisava começar a pensar nele como nada mais do que um... executivo de nível superior.
Um executivo de nível superior incrivelmente poderoso.
Negócios, Sakura. Esta viagem é apenas de negócios. Lembre-se disso!, falou a si mesma com firmeza.
- Estou pronta. – Endireitou os ombros, deu no cavalo um tapinha final, e começou a se aproximar de do deus Hades.
Parou.
Droga. Tinha acabado de repreender os cavalos por mau comportamento, e lá estava ela, reagindo à presença de um homem bonito como uma adolescente idiota e se esquecendo dos bons modos.
- Hinata! – chamou, afastando-se da biga para que pudesse enxergar a alma que permanecia, nervosa, pouco atrás dela. – Vamos... Sasuke vai nos dar uma carona.
Os olhos da menina continuaram arregalados de medo.
- Sasuke? - Ficou confusa, até que reparou que Sakura se referia ao deus do Submundo. Ela era realmente incrível. - Oh, não, senhora. Eu não poderia ir com... – ela começou, então calou-se impotente.
Sakura suspirou. Hinata parecia uma corsa pálida e assustada.
- Querida, eu jamais continuaria sem você. Afinal , foi uma guia maravilhosa e uma boa amiga. – Ela se voltou para o deus. – Seu palácio não fica no caminho para os Campos Elísios?
Ele anuiu em silêncio.
- Há algum problema se Hinata for conosco?
Em vez de responder a ela, Sasuke voltou sua atenção para a pequena alma:
- Não tenha medo, criança. Pode se juntar à sua senhora.
Sua voz tinha mudado outra vez, Sakura notou. Agora ela parecia um pai persuadindo a filha tímida. Sua expressão também suavizara, e o olhar intenso com o qual a havia estudado se fora. Parecia gentil e, repentinamente, muito mais acessível e compreensivo.
De algum modo, também parecia mais velho do que antes.
- Como quiser, meu senhor – Hinata respondeu com voz doce. Conseguiu até mesmo ensaiar um sorriso enquanto tentava contornar os quatro garanhões para se juntar a Sakura.
- Não precisa mais se preocupar – Sakura afirmou, obrigando-se a desviar os olhos do rosto de Sasuke para acenar em direção aos animais. – Eles vão se comportar.
Hinata lançou um olhar nervoso para os corcéis e tomou o cuidado de manter a deusa entre eles, mesmo que os cavalos não dessem nenhum sinal de que iriam atacá-la. Encontravam-se ocupados demais adorando a deusa Perséfone.
O chão da biga ficava bem acima do solo, e, agradecida, Sakura aceitou a ajuda de Sasuke para subir. A mão grande e quente envolveu a sua, e Sakura ficou surpresa ao sentir a aspereza de calos contra a palma lisa de Perséfone.
Perguntou-se qual era o trabalho do deus Hades, e o que ele fazia com as mãos, porém não teve tempo para continuar. Tão logo puxou Hinata para cima do veículo, Sasuke gritou um comando, e a biga arrancou, fazendo uma volta fechada e mergulhando na abertura que se formara na terra.
Olhando por cima do ombro, Sakura avistou a fenda se fechando atrás deles. Engoliu em seco e puxou Hinata para a frente, agarrando-se à borda lisa do carro e prendendo a moça dentro do círculo de seus braços para que ela não caísse.
A esfera de luz se manteve acima de seu ombro direito, porém sua iluminação já não era necessária. Tochas brilhavam de arandelas de prata, iluminando as paredes altas e lisas do túnel escuro através do qual eles voavam.
- É como a Batcaverna!
Lina percebeu que tinha falado em voz alta quando Sasuke se voltou na sua direção, lançando-lhe um olhar inquiridor.
- Eu estava me perguntando se havia morcegos nesta caverna... – Ela disfarçou, sem graça.
- Sim, muitos.
Sakura desviou o olhar para a capa que voava atrás dele.
- Aposto que são morcegos grandes – falou, irônica.
Sasuke bufou, soando como um de seus apavorantes corcéis.
- Tem medo de morcegos, Sakura?
- Nunca pensei sobre isso – ela respondeu com sinceridade, se arrepiando ao escutar a voz dele soltar seu nome. – Na realidade, não sei muita coisa sobre eles.
- É normal ter medo do que não conhecemos – ele observou.
Seu tom era ainda paternal e um pouco condescendente, Sakura concluiu.
Levantou uma sobrancelha. Se ela pensasse daquela maneira, os acontecimentos do dia a teriam paralisado.
- Não considero que isso seja normal, e sim um sinal de imaturidade – afirmou com segurança.
Sasuke bufou mais uma vez, e Sakura se viu irritada com tal comportamento.
- Assim nos diz uma deusa muito jovem...
- A maturidade nem sempre pode ser medida em anos – ela retorquiu, irritada. Ele podia ser o "Mister Mundo do Inferno", ou ser parecido com o Batman, mas teria uma surpresa se tentasse tratá-la como uma jovenzinha estúpida.
A única reação de Sasuke foi um olhar penetrante. Em seguida, gritou outro comando para os cavalos, e estes aumentaram a velocidade, tornando qualquer conversa impossível.
Sakura concentrou-se em se agarrar à biga e ter certeza de que não perderia Hinata em uma daquelas guinadas.
Quando começava a achar que suas mãos criariam garras de tanto segurar com força o veículo, o deus Hades levantou a lança de duas pontas para o teto. Um facho de luz explodiu das ponteiras, fazendo a passagem subterrânea se abrir e o chão se inclinar para cima.
Com um barulho ensurdecedor, a biga saiu da passagem aberta e, em meio a uma impressionante chuva de faíscas, causada pelos cascos dos cavalos, deslizou até parar.
Sakura olhou ao redor, emudecida. O primeiro pensamento que a atingiu foi que não estava mais escuro. O céu acima deles era claro e, embora não houvesse nenhum sol, brilhava como uma paleta de lindas cores pastéis, as quais variavam do mais suave violeta, passando pelo azul-turquesa do Caribe, até o amarelo dos ranúnculos. Pôde ouvir o canto lírico das aves, e a brisa que acariciava seu rosto trazia consigo um aroma doce e familiar.
Respirou profundamente. Onde tinha sentido aquela fragrância maravilhosa antes?
Seus olhos se desviaram da beleza sutil do céu sem sol, e sua pergunta foi respondida. Árvores altas e imponentes, que ela reconheceu como ciprestes ladeavam o caminho e, em vez de terem crescido em um terreno pantanoso coberto por musgo ou lama, a área sob elas estava forrada de flores. Flores enormes, da cor do luar, que ela soube identificar de pronto.
- Narcisos! – exclamou, surpresa.
Sasuke a fitou.
- Sim, o narciso é a flor do Submundo. – Ele respirou fundo. – Não me canso de seu doce perfume.
Sakura nada disse, porém sua mente refletiu sobre quão irônico era Deméter ter usado a flor do Submundo para trocar sua alma com a de Perséfone. Então a deusa da Colheita tinha apenas respondido à sua invocação? Queria apenas ajudá-la com a padaria porque era uma espécie de "Boa Samaritana do Olimpo"? Não possuía nenhuma missão secreta como, por exemplo, mandá-la para o inferno no lugar de Perséfone?
Olhou para o deus a seu lado. Ele não parecia disposto a saltar sobre ela e estuprá-la. Mas também não era o ídolo que a deusa da Colheita descrevera. Em muito pouco tempo Hades fora intenso, sexy, intimidador e gentil. Estava muito distante de ser um deus aborrecido, assexuado e sem interesse pelos mortos.
O que Deméter pretendia?, perguntou-se Sakura. Ela não era uma menina tola, que acabara de deixar as fraldas.
De qualquer forma, manteria os olhos abertos e a guarda alta, afinal tinha um trabalho a fazer, e só voltaria para casa depois de cumprí-lo.
YEEEY! Parece que Sakura está ficando abalada com a presença do Sasuke, vulgo Batman. E ele não está muito atrás em relação a ela... AHAHAHAHAAH
Biahcerejeira: Ele apareceeeeeeeeeeu! E com muito estilo! *-* Em relação ao mangá, também estava triste até... O TIO KISHI FAZER NOSSA ALEGRIAAAAA! Como eu AMEI esse fim do mangá, nossa!
Andressa Martins: Agora finalmente nosso Hades, ou querido Sasuke-kun, apareceu pra abalar as estruturas da Sakurinha! E eu é que agradeço por você estar lendo! *-*
Bem gente, aqui está o capítulo! Espero que tenha gostado!
Beijos,
Uchiha Lily!
