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O final de semana foi cruel comigo. As horas pareciam não passar, o dia parecia ter mais de 24 horas e nada que eu fazia parecia ocupar minha mente o suficiente para não recordar a noite de sexta-feira.
Cabeça vazia, oficina do diabo...
Foi difícil acordar na manhã seguinte quando eu desejei que tudo aquilo fosse apenas um sonho. Muito bom, diga-se de passagem. Assim que o sol nasceu meus olhos abriram e fitaram o teto do quarto silencioso e permaneceram fitando por algumas horas. Eu sentia como se acordasse com a maior ressaca do mundo: minha moral estava no chão, despedaçada, eu sentia vergonha, minha barriga roncava de nervosismo e minha garganta estava seca.
Era a mesma sensação de beber várias doses de tequila de vez e acordar desejando que nada aquilo tivesse acontecido. Na hora era maravilhoso, divertido, você pensa "Não existe nada mais gostoso do que isso", mas com o tempo as coisas tornam-se imperceptíveis, sua memória falha e você acorda com o arrependimento estraçalhando a mente. Eu estava comparando aquele beijo com um porre, quanto drama!
Mas eu me sentia assim, arrependida. Pensei que esse lance de encarar os medos e aceitar as conseqüências fosse mais fácil, menos doloroso, mas não era nem um pouco. Eu odiava me sentir assim. Sabia que aquele beijo foi só o início de um ciclo vicioso de mau gosto, parte do seu joguinho de sedução barato. Edward não queria nada sério comigo, eu muito menos com ele. Ele só utilizou aquelas frases feitas de filme romântico para me conquistar, era uma maneira de amaciar a presa para depois atacá-la. Novamente eu me questionei: por que eu?
Revirei-me na cama desconfortável e peguei minha bolsa ao lado de minha cama procurando pelo meu maço de cigarros. Acendi um e o trago me fez relaxar mais um pouco. Esse estresse que ele me causava já estava começando a afetar até minha saúde física, como se não bastasse a minha mental.
- Minha garganta está seca, minha cabeça tem uma bomba-relógio preste a explodir, minha moral está no nível negativo e eu quero morrer. – Katy disse abrindo a porta do meu quarto com a mão na cabeça.
Isso sim era ressaca. Ela deitou na minha cama de solteiro ao meu lado e encostou a cabeça na minha barriga. Eu acariciei seus cabelos embaraçados e coloquei meu cigarro inteiro no copo de vidro em cima de meu criado-mudo.
- Qual o nível de arrependimento? – eu a perguntei.
- 10. – ela respondeu gemendo. – Eu nunca mais vou beber dessa forma.
- Se eu ganhasse um dólar para cada vez que eu escutasse isso... – comentei baixo.
- Mas o Jacob me sacaneou ontem à noite. – Katy disse sentando na cama. – Como ele pode me deixar no bar sozinha? Ele sabe que eu não tenho autocontrole suficiente com bebidas quando estou triste...
- Mas a pergunta seria: o que você fez para o Jacob se irritar dessa forma? – eu perguntei e percebi que ela havia pisado na bola novamente quando ela mordeu o lábio inferior.
- Eu falei sobre o... Tyler. – ela respondeu e eu revirei os olhos. – Mas ele me provocou. Ficou dizendo que me vestido era curto demais, que todo mundo ia olhar para minhas pernas no bar. Ai eu disse que o Tyler não ligava para minhas roupas quando nos saiamos.
- Katy, você sabe como o Jacob é ciumento em relação aos seus ex-namorados, ainda mais sobre o Tyler que é o cara que tirou sua virgindade. – eu disse sem acreditar que ela ainda insistia em falar sobre aquilo. – Evita brigar com ele, coitado.
- Bella, ele me deixou em um bar sozinha! Eu voltei bêbada pra casa! – ela disse se fazendo de vítima.
- Katy, você não é mais criança, ouviu bem? – eu finalizei a conversa com um tom materno na voz.
- Chata! – ela disse levantando-se da cama, mas parou um instante com um sorriso maroto nos lábios. – Eu estava bêbada demais ontem ou vi o Edward aqui?
- Talvez... – eu respondi desviando o olhar dela, mas Katy não se deu por vencida.
- Bella Swan, sua safada! – disse se jogando na cama novamente. – Você tá pegando o Edward, não é?
- Katy! Pegando? Que linguajar é esse? – eu falei abismada. – E não, eu não estou pegando o Edward.
- E o que ele estava fazendo aqui ontem de noite, hein? Vocês dois sozinhos...
- Ele veio ver como eu estava, conversar comigo... – eu respondi ficando vermelha ao me lembrar do que aconteceu. – E a gente acabou se beijando, nada demais.
- Nada demais? Você é uma cachorra mesmo, viu? – ela disse me dando um tapa na perna.
- E você é péssima, Katherine Warburg. – eu disse me levantando da cama e entrando no banheiro.
Katy não desistiu de me ter como alvo de piadas o final de semana inteiro, nem mesmo quando eu quase me ajoelhei pedindo que ela parasse, e não parou de falar sobre o Edward o tempo todo. Eu tentava em vão me concentrar em outra coisa, na minha entrevista para o Jornal, por exemplo, mas ela sempre aparecia do nada com perguntas idiotas como:
- Ele beija bem?
- Ele tem a pegada?
- Ele te ligou depois do beijo?
Não, Katy. Ele não me ligou depois do beijo e eu não estava me importando com isso. Já estava gravada em minha mente a seguinte mensagem: "Edward Cullen não quer nada com você, Bella Swan" e eu me conformei com aquilo. Ocupei com muita leitura a minha mente para tentar tornar aquilo algo banal na minha vida.
Segunda-feira chegou e eu não havia terminado o que pretendia fazer no final-de-semana. Encarei a aula de Literatura sem coragem alguma, cansada e com sono, nem mesmo me tocando que Mike sentou ao meu lado.
- Você tá bem, Bella? – ele me perguntou preocupado.
- Tô morta de cansaço. – respondi bocejando. – Li mais de mil páginas esses últimos dois dias e ainda tem mais.
- Faculdade é assim mesmo, Bella. – Mike disse tentando me animar. Bela forma! – Quando chegar à época de provas piora.
- Muito obrigada por me lembrar isso, Mike. – eu disse sarcasticamente e ele riu.
Quando a primeira aula terminou, eu já estava um pouco mais acordada, mas mesmo assim meus pés praticamente me guiaram até o refeitório. Encontrei Katy e Jacob – em paz novamente - sentados em uma mesa e eu joguei minha bolsa na cadeira com força, me atirando sobre a mesa em seguida.
- Me acorde quando o almoço terminar. – pedi fechando os olhos.
- E se o Edward aparecer, eu digo o que? – Katy me provocou.
Mostrar meu dedo do meio foi a única resposta perfeita para aquele momento e eu voltei a dormir, fingir pelo menos. Escutar o nome dele me despertou rapidamente, mas eu não poderia dá esse gostinho para Katy. Fingiria até o final.
Precisei tomar um copo de café bem forte para conseguir não dormir na aula de História Política e outro copo ao final dela como recompensa por ter sobrevivido sem feridas maiores. O único momento do dia que me manteve alerta foi durante a entrevista para trabalhar no jornal da faculdade. O editor-chefe era um sujeito grosso, último ano de Jornalismo, e disse que entraria em contato comigo até o final da semana para dizer se eu trabalharia ali ou não. Ao final da entrevista eu queria socá-lo, mas mantive um sorriso para não estragar tudo.
Carregava dois livros pesados no braço direito, o copo de café na mão esquerda e escutava Queens of the Stone Age no meu iPod enquanto me dirigia até meu carro quando eu parei no meio do estacionamento observando aquela cena. Edward estava encostado no meu carro com dois copos de café na mão e seus óculos escuros escondendo seus olhos cheios de más intenções. Meu queixo caiu levemente, mas eu consegui recuperar minha postura a tempo de ele não perceber que eu estava chocada.
- Vejo que me atrasei um pouco em relação ao café. – ele disse quando eu me aproximei.
- Você sabe o que eles dizem: café nunca é demais. – eu disse com um sorriso nos lábios. Não iria ceder aos seus charmes. – Qual o motivo da visita?
- Vim te lembrar que hoje você tira os pontos da testa. – ele disse tomando um gole de um dos copos.
- Obrigada, post-it humano. – eu brinquei o fazendo rir.
- Podemos ir então? – ele perguntou desencostando do carro.
- Para onde, posso saber? – eu perguntei sem entendê-lo.
- Para o hospital. Eu vou te levar.
Edward era muito convencido para achar que eu iria com ele para o hospital tirar meus pontos da testa. Essa desculpa de cuidado excessivo com minha saúde já estava começando a encher meu saco, ele estava precisando de uma nova para me entreter em seu joguinho.
- Eu vou dirigindo. – respondi abrindo minha bolsa para pegar a chave do meu carro.
- Não é um convite, é uma intimação. – ele disse pegando meu pulso, que sumiu em sua mão grande, e me forçou a caminha pelo estacionamento.
- Edward, eu não posso deixar "Purple Rain" aqui na faculdade. – eu disse olhando meu carro se afastando.
- Quem? – ele perguntou sem parar de andar.
- Meu carro. – respondi timidamente.
- Você deu um nome pro seu carro? – ele parecia se divertir ao perguntar aquilo.
- Foi, qual o problema? – eu perguntei o encarando.
- Nenhum. – ele respondeu rindo. – Amanhã você pega.
- E como eu vou vir pra faculdade amanhã? – insisti.
- A gente resolve depois. – Edward respondeu soltando meu pulso.
Paramos ao lado de seu Volvo e ele o destravou, abrindo a minha porta. Eu me sentei no banco de couro vencida mais uma vez e coloquei meus livros no meu colo. Eu não deveria estar ali, dentro daquele carro, sozinha mais uma vez com ele, sentia que faria besteira novamente, mas Edward sempre contornava a situação com suas gentilezas. Droga!
- Como foi seu final-de-semana? – ele perguntou ligando o som do carro.
- Cansativo. – eu suspirei me recostando no banco. – E o seu?
- Idem. Fiquei no hospital com meu pai. – ele respondeu sorrindo. – Eu faço isso de vez em quando, tenho certa vantagem por ser filho do coordenador. Por isso não te liguei.
- E por que você deveria me ligar? – perguntei antes mesmo de pensar.
- Bella, você ainda pensa que eu sou esse tipo de cara não é? – Edward me fitou por alguns segundos. – É claro que eu iria te ligar se não tivesse tão ocupado e cansado.
- Certo... – eu disse fingindo que aquela informação não era importante.
- Seu café vai esfriar. – ele disse se referindo ao copo cheio preso no porta-copo.
Peguei o copo e tomei um gole daquele café forte e morno. Ele já me conhecia demais pro meu gosto, sabia demais sobre minha vida em pouco tempo. Meu número de celular, meu endereço, meu vício por café, meus autores favoritos, meus pais, tudo isso ele já conhecia e eu não sabia absolutamente nada sobre sua vida. Não queria ser a vítima sempre, precisava brincar de predador um pouco também.
- Então. Você já sabe muita coisa sobre minha vida. – eu disse me ajeitando no banco para fitá-lo. – Agora é sua vez de contar sua história.
- O que você quer saber? – Edward perguntou me encarando quando sinal fechou.
- De onde você é? Daqui de New Jersey mesmo?
- Não. Eu nasci no Alasca, mas quando meus pais me adotaram eu fui morar em Washington.
- Você é adotado? – eu perguntei rapidamente.
- Sou. – ele respondeu rindo com minha expressão de espanto. – Carlisle me encontrou em um hospital quando minha mãe e eu estávamos com tuberculose. Ela morreu em poucos dias, eu também quase morri, mas Carlisle cuidou de mim e me adotou em seguida. Minha mãe, Esme, sempre me diz que eu era um bebê muito lindo para deixar outra família adotar.
- Sinto muito pela sua mãe. A verdadeira... – eu disse meio triste com a história.
- Não precisa. – ele disse com um sorriso frouxo. – Minha mãe verdadeira é a Esme, que me criou. Eu não lembro nada da minha outra mãe, então não sinto falta dela.
- E seus outros irmãos são adotados?
- Mais ou menos. Rosaile e Jasper são filhos de Carlisle e Esme mesmo, mas Alice e Emmett são meus irmãos de verdade, filhos de minha mãe que morreu. Eu só os conheci há cinco anos, mas meus pais gostaram tanto dos dois que os convidaram para morar com a gente quando eles também passaram em Princeton.
- Vocês todos moram juntos? – perguntei com a sobrancelha levantada tentando entender aquela história. – Mas seus irmãos não... Namoram? Quer dizer, eu já vi Alice beijando seu irmão loiro...
- Minha família é assim mesmo. – Edward respondeu sorrindo com minha expressão. – Rosaile namora o Emmett e Alice namora o Jasper. Eu fui meio que o cupido para os casais. Meu pai não gostou muito da idéia do namorado de sua filhinha morar na mesma casa, mas com o tempo acabou se acostumando com a presença de Emmett. Hoje em dia é como se todos nós fossemos de uma família só.
- Uau, isso é... Diferente. – eu disse rindo.
- Diferente, estranho, nojento... Cada um diz uma coisa sobre nós.
Queria saber mais sobre sua vida, mas quando eu percebi já estávamos no estacionamento do hospital. Edward segurou minha mão enquanto caminhávamos pela recepção e eu senti-me estranha com aquilo. Ele estava jogando bem, fingindo que gostava de mim e se importa comigo, mas eu já havia entendido tudo para não acreditar naqueles gestos que deixariam outra garota derretida. Minha muralha não iria desmorona fácil assim.
Eu me sentei em uma poltrona e esperei enquanto ele conversava com uma enfermeira. Já começava a ficar nervosa, não por causa de Edward, mas por causa dos pontos. Tive experiências o suficiente com dores ao tirá-los para minhas mãos começarem a suar e minha perna direita balançar freneticamente.
- Meu pai está fazendo uma cirurgia, mas o Dr. Sloan vai te atender. – ele disse sentando ao meu lado. – Tá nervosa com o quê?
- Eu sei que vai doer... – eu respondi torcendo minhas mãos. – Eu realmente não gosto de sentir dor, de nível algum.
- Bella, para de fazer uma tempestade. – ele disse segurando minha mão. – Você não vai sentir nada, eu prometo.
Levantei meus olhos, com um olhar que lembrava o Gato de Botas do filme Shrek, e Edward sorriu pra mim me acalmando. Ele acariciou minha mão devagar e se aproximou, colando sua testa na minha. Meu coração acelerou debilmente com nosso contato.
- Relaxe, Bella Swan. – disse antes de me beijar delicadamente.
Eu tinha vergonha de beijar em público, especialmente em um local onde todo mundo o conhecia e seu pai poderia aparecer a qualquer momento, mas aquele beijo me fez esquecer qualquer vergonha que eu poderia sentir. Um clichê, mas eu era assim.
- É isso aí, Edward. – uma voz masculina disse me assustando.
Dr. Sloan estava parado em nossa frente com uma prancheta na mão e um sorriso orgulhoso no rosto. Ele era o médico mais lindo que já havia visto na minha vida, e olha que eu sou bastante experiente com médicos. Era alto, loiro, olhos verdes, barba cerrada, ombros largos e seu sorriso era perfeito. Meu rosto queimou de vergonha e Edward levantou para cumprimentá-lo.
- E ai, Mark? – ele perguntou o abraçando. – Tudo bem?
- Comigo sim e vejo que com você também. – Dr. Sloan respondeu dando um soco de leve no braço de Edward. – Minha paciente?
- É. Essa é Bella Swan. – Edward disse me puxando pela mão. – Bella, esse é Mark Sloan.
- Muito prazer. – eu disse estendendo minha mão para cumprimentá-lo.
- Vamos? – Dr. Sloan nos disse.
Entramos em uma sala vazia e Edward me indicou a maca, onde eu deitei. Dr. Sloan entrou em seguida com a bandeja de instrumento. Engole em seco ao ver a tesoura ao meu lado, a lembrança da dor passeando na minha mente. Edward percebeu que eu estava nervosa e segurou minha mão, abrindo um sorriso que me acalmou.
- Como vai a faculdade, Edward? – Dr. Sloan perguntou enquanto analisava meus pontos.
- Cansativa, mas indo muito bem. – Edward respondeu também analisando meus pontos. – Estou dando uma olhada nos estágios disponíveis, já pensando na residência.
- Se você quiser, eu te indico alguns médicos que precisam de estagiários porque, se eu conheço o Carlisle bem, ele não vai querer trabalhar com você.
- Ele já me disse isso. Falou que não seria certo de sua parte favorecer o filho. – Edward disse rindo. – Mas eu também não quero trabalhar com um cirurgião geral, estou querendo algo na área de Neurocirurgia.
- Vou falar com o Stuart então, com certeza ele te aceitará. – Dr. Sloan comentou pegando a tesoura na bandeja. – Pronta, Bella?
- Não... – eu choraminguei fechando os olhos e apertando a mão de Edward.
Tirar os pontos doeu mais do que fazê-los, eu podia sentir minha pele rasgando com a ajuda da tesoura, mas apertar a mão de Edward com força transferiu minha concentração e aliviou um pouco a dor. Dr. Sloan recomendou que eu utilizasse esparadrapo microporos por mais uns dias para cicatrizar melhor e eu o agradeci com um sorriso sem-graça nos lábios.
- Doeu tanto quanto você imaginou? – ele perguntou quando entramos em seu carro.
- Um pouco menos, mas doeu assim mesmo. – eu respondi passando os dedos no local.
- Dramática... – ele comentou sorrindo e eu ri.
O convidei para subir quando ele me deixou em casa. Eu queria ficar mais um pouco na sua companhia, conversar mais, saber o resto de sua história. Me acalmei com o passar do tempo ao seu lado, conseguindo até mesmo achar que ele realmente gostava de ficar comigo. Quem sabe, se nada desse certo, nós poderíamos ser amigos no futuro? Edward era uma pessoa que eu não me importaria em de perder tempo conversando bobagens.
- Katy? – eu gritei tirando meu casaco quando entramos no apartamento silencioso. – Alguém em casa?
- Parece que estamos sozinhos... – ele comentou caminhando para sala.
- Parece... – eu disse ainda procurando por Katy. – Então, vai querer algo para beber?
Parei em sua frente com os braços cruzados na altura do estômago e o encarei enquanto ele coçava o cabelo na nuca. Edward me fitou por alguns segundos e abriu um sorriso que eu não conseguia distinguir o que ele queria expressar.
- O que foi? – eu perguntei sorrindo também.
- Eu só queria tentar uma coisa... – ele disse me segurando pela cintura e colando nossos corpos.
Edward me beijou com um desejo inigualável. Seus avanços eram selvagens, suas mãos subiam pela minha cintura com rapidez e eu não sabia como agir direito. Ele forçou meu passo para trás e nos tombamos no sofá com violência, minhas costas doendo com a pancada. Senti sua mão subindo por minha barriga arrepiada dentro de minha blusa, meu corpo arqueando automaticamente. Eu não podia estar fazendo aquilo, mas o desejo expresso pelo seu toque me impedia de raciocinar direito, de cogitar pará-lo. Minhas mãos apertavam seu cabelo com força sentindo seus lábios descer pelo meu pescoço e sua mão acariciando minha perna. Seu peso sobe meu corpo não importava mais, eram seus beijos que comandavam as minhas atitudes, era o prazer que ele me concedia. Edward pousou sua mão sobre o botão da minha calça e o abriu, um arrepio cortando minha espinha. Então era isso que ele pretendia? Todas nossas conversas, o cuidado que ele tinha por mim culminariam em sexo? Sexo... Mais uma vez complicando minha vida.
- Edward... – eu disse sem fôlego sentindo seus dentes se fechando contra minha pele.
Ele não parou de morder meu pescoço quando escutou seu nome sendo chamado e eu estava fraca demais para impedi-lo apelando para a força. Seus beijos desceram por meu colo junto com suas mãos levantando minha blusa vagarosamente e eu corei com aquele ato. Ele estava avançando e eu não sabia como impedir, mesmo precisando. Não poderia ser tão fácil como ele imaginou.
O barulho da chave destrancando a porta o fez parar o que fazia e me encarar assustado. Levantei-me rapidamente o empurrando contra o sofá, de forma que Katy não o visse ali, e ele fez menção em dizer algo, mas o calei com minha mão.
- Oi Bella. – Katy disse entrando no apartamento cheia de sacolas do supermercado.
- Oi Katy. – eu respondi ofegante enquanto ajeitava meu cabelo em vão.
Ela olhou para minha expressão com a boca levemente aberta, como se quisesse dizer alguma coisa, e olhou ao redor como se procurasse por algo. Eu rezava em silêncio para ela não perceber nada, mas eu conhecia Katy o suficiente para saber que ela entenderia rapidamente o que estava acontecendo antes dela chegar. Katy deu dois passos em direção da sala e eu quase pulei do sofá para impedi-la, mas ela parou com um sorriso nos lábios ao perceber meu desespero.
- Oi Edward. – ela finalmente disse virando a cabeça levemente, tentando vê-lo no sofá.
Edward respondeu com um aceno de mão surgindo ao meu lado. Katy abriu a boca para dizer algo, mas eu implorei com os olhos que ela se calasse e disse baixo que explicava tudo depois. Com um sorriso nos lábios, Katy entrou na cozinha e fechou a porta, me deixando sozinha com Edward.
Ele sentou no sofá ajeitando o cabelo bagunçado e eu fechei o botão da minha calça jeans com o rosto queimando de vergonha. O que dizer depois daquele momento? Eu queria me enfiar debaixo do sofá para não ter que encará-lo, mas alguém precisava dizer alguma coisa para quebrar aquele silêncio constrangedor e eu, com minha pressa, fui a primeira a falar.
- Isso não poderia ter acontecido. – eu disse o encarando.
- Também acho. – Edward disse rindo. – Nós poderíamos ter ido para seu quarto, evitado esse constrangimento todo...
- Não, você não entendeu. – eu o interrompi. – Nós não podemos transar, é isso.
- Por... Quê? – ele perguntou calmamente.
- É complicado demais para explicar...
- Bella, se você for virgem eu entendo. – Edward disse segurando minha mão. – Não é nada fora do comum, quer dizer, ainda existem garotas como você...
- Eu não sou virgem e o problema é esse. – eu disse respirando fundo.
Edward me encarou sem conseguir entender como aquilo poderia ser um problema, mas eu não sabia como explicá-lo. As feridas ainda eram recentes demais para serem mexidas, talvez ainda sangrasse, eu não tinha certeza. Desde que tudo ocorreu, eu não comentei aquele assunto com ninguém com medo de me machucar novamente, mas ao mesmo tempo em que eu não queria falar sobre aquilo, eu não queria deixá-lo sem uma explicação plausível. Contar aquela estória mexeria com um passado que eu precisava esquecer. Tive a sensação de que uma bola de boliche estava pressionando meu peito, me forçando a contar tudo a ele.
Nós precisamos conversar. – eu disse me levantando do sofá.
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