–Ai mãe! Gritou Kikyo enquanto Ritsuko lhe apertava os laços e dava os toques finais nos cabelos e vestido da filha.
Kikyo usava os mais belos trajes: seu vestido era branco como o de uma noiva, a saia rodada escondendo várias camadas de renda e tule, o topo ia somente até um pouco abaixo da lateral dos ombros, destacando o colo branco como as pérolas da moça, em contraposição ao cabelo negro como a noite, além de marcar a cintura fina do corpo esbelto da filha mais velha. Seu cabelo tinha apenas uma tiara que rodeava a cabeça, no centro dela, um pingente em forma de lua, de modo que parecia que Kikyo tinha uma lua crescente no meio da testa.
– Você não estar bonita, tem que estar linda! Será a principal atração de hoje. Resmungou a rainha finalmente deixando a filha livre.
A moça quis pedir mais detalhes sobre o que a mão falava mas Ritsuko se limitou a borrifar seu perfume de jasmim na princesa e sair para ver o progresso das outras filhas, que arrumavam umas às outras. Kikyo olhou-se longamente no espelho, satisfeita com a própria imagem; ia e voltava do quarto das irmãs, nervosamente, ajudando nas tranças e apertando os laços que decoravam as moças, mas logo parava e ia novamente mirar-se no espelho, apavorada com a possibilidade de desarrumar um fio do trabalho da Rainha. Por fim, olhou-se uma última vez, beliscou as bochechas e mordeu os lábios; logo seu alvo rosto estava rosado com o de uma boneca ela estava pronta para descer ao salão.
Kagome sacudiu as mãos ao terminar os cachos de Rin, sua última tarefa. Olhou para as irmãs, feliz ao ver como estavam lindas a cada dia. Rin estava crescendo uma menina linda, parecida com ela mesma em vários aspectos e Sango tinha o corpo cheio de belas curvas, capazes de tirar a atenção de qualquer homem, ainda que a pobre moça fosse muito tímida.
Levantou-se e mirou-se no mesmo enorme espelho que Kikyo tinha usado para checar a aparência tantas vezes naquela noite, queria ver se as outras princesas tinham deixado-a tão bonita como ela tinha trabalhado nelas. Tinha os cabelos negros cheios de ondas, com as laterais puxadas para trás prendidas em uma pequena joia de esmeralda; o vestido era de um verde bem claro, marcado abaixo da linha dos seios e que tinha no centro de todo o comprimento da saia, outro tecido de cor dourada, decorado com leves desenhos de flores, costurados com linhas de ouro; a parte do busto seguia a mesma linha da saia: as laterais eram do mesmo tecido verde em contraposição com a parte central, sendo que desta vez, o tecido era branco e cortado por finas linhas verdes, prendendo uma lateral a outra; por fim, as mangas eram de uma tecido transparente, que dava uma visão aos braços claros de Kagome, também decorada com o bordado sutil de flores. Estava linda! Olhou emocionada para as irmãs que, com exceção de Kikyo, tinham o mesmo desenho de vestido, com a diferença das cores, rosa para Sango e Laranja para Rin, e outros detalhes como mangas não transparentes e outros bordados.
Pouco depois de se olharem com felicidade por estarem tão belas, a mãe as chamou: estava no hora de reencontrar os convidados.
Inuyasha se arrastou pelo salão. Tinham chegado na noite anterior, depois de uma viajem em que tiveram apenas duas paradas e ele mal tinha dormido tão nervoso se sentia, mas agora se arrependia da decisão, estava exausto e esperava que aquela festa acabasse rapidamente para que fosse descansar propriamente, pelo o que pai dissera, iam ficar um bom tempo naquele reino e ele poderia conhecer muito bem qualquer uma das meninas, até mesmo os criados se quisesse! Mas logo após esse pensamento lhe veio outro, que sempre afastava o sono e dava lugar a ansiedade, a uma vigília interminável: Kagome. Só de lembrar que iria reencontrá-la depois de tanto tempo um calafrio lhe subia a espinha e seus pés começaram a se mover ansiosamente, tinha medo de algo dar errado, e se tivesse se esquecido dele? Logo começava a tentar pensar em outra coisa e conversar com Miroku, mas seus pensamentos acabavam sempre no mesmo lugar.
Em dado momento, o pai lhe chamou lhe instruiu, "sem palavrões ou qualquer coisa inadequada na frente no Rei, da Rainha e de suas filhas, se curve quando cumprimenta-las e seja educado durante todo o momento!". Inuyasha resmungava e se recusava a seguir todos aqueles padrões, se aquelas pessoas tinham que gostar dele, que o fizessem por ser quem ele era e não um almofadinha educado! Percebia que aquelas instruções eram particularmente para ele, nem Miroku nem Sesshomaru preocupavam tanto o pai, porque ele não sabia dizer.
A musica que tocava, uma bela ópera, parou subitamente e Inuyasha levantou os olhos para ver o motivo, um casal saia de detrás das cortinas e o palácio vibrava a sua imagem, Inuyasha sabia quem eram e os assistiu descer as escadas lentamente, percebendo em seguida as quatro belas criaturas que os seguiam, não precisou procurar muito, ao ver o rosto de Kagome, ainda mais belo do que imaginara, o corpo agora desabrochado em uma mulher, sentiu como se um murro o atingisse, e uma tontura passou por todo o seu corpo, embaçando seus sentidos.
A família do rei desceu e se demorou alguns instantes falando com outros convidados, outros reis e outras rainhas até que se dirigiu ao clã dos Taishos.
– Inu no Taisho! – começou o rei alegremente – quanto tempo, não? Reconhece minha senhora e nossas filhas? Ah sim, o tempo cresceu todos os nossos bebes, e pensar que há alguns anos eles brincavam nessa mesma sala... há há há – riu balançando a barriga gorda e arrancando um sorriso de Inu no Taisho, sorriso o qual, Inuasha pensava, era só por educação.
– Então estes são seus filhos? Deuses como cresceram, Sesshomaru agora é um homem, lembro de como era quando rapazinho, e o mais novo, onde esta?
Inu no Taisho empurrou o filho mais novo à frente do rei. O senhor deu-lhe um longo olhar, estudando e rapaz de cima a baixo enquanto Inuyasha era capaz somente de fazer a mesura, envergonhado de tal modo que lhe era difícil até se concentrar nas pessoas ao redor dos dois.
– Ora, como está grande! Um homem de fato! – falou o rei abrindo o sorriso, mas Inuyasha percebeu algo a mais dentro dos olhos do homem – Senhores, quero que conhçam minhas quatro filhas, Kikyo, Kagome, Sango e Rin.
Os olhos de Kagome e Inuyasha finalmente se encontraram depois de tantos anos e tantas angustias naqueles jovens corações, nada mais importava, nem ninguém, a voz do rei se tornou um mero murmúrio enquanto Inuyasha e Kagome exprimiam, com os olhos, a falta que um tinha feito no outro, mesmo depois de tanto tempo ainda não tinham se esquecido, como se algo mais intenso os mantivesse unidos, algo que o homem não compreende e não pode destruir. O rapaz não esqueceu nenhum passo, saudou Kagome com uma profunda mesura e dela recebeu um cumprimento de igual importância. Assim que ia lhe dizer as primeiras palavras, que nem sequer sabia, começaria dizendo como estava bela? Ou como fizera falta nesses longos anos?, foi cortado por Inu no Taisho:
– Inuyasha essa é a Kikyo, falou fazendo com que o rapaz prestasse atenção na outra moça. Kikyo era muito bela, mas faltava nela algo que só Kagome tinha para Inuyasha, algo que não estava na aparência física, algo que dependia dos sentimento de Inuyasha para existiram. Saudou-a com uma mesura, não tão apaixonada como a de Kagome e voltou-se a procura da outra moça para lhe falar tudo o que estava engasgado mesmo que não soubesse ao certo. Mas a moça tinha se afastado junto com a mãe e as irmãs, seu olhar, agora triste se encontrou com o de Inuyasha uma última vez e o rapaz sentiu o pesar, junto com a mão de seu pai, arrastando-o para baixo, a fim que sentasse à mesa com o rei e Kikyo.
O resto da noite passou como um borrão ao olhos do príncipe, seu pensamento estava Kagome, nos seus alvos braços e seus cabelos escuros como a noite, mal conseguia esconder a irritação e o tédio de estar naquela mesa, as vezes tentava se concentrar na mesa e recebia um sorriso cheio de amor da princesa mais velha mas logo desviava os olhos, quase que com raiva, sentindo como se estivesse traindo Kagome, percebia que a outra moça estava cada vez mais magoada mas não conseguia mudar, estava tão magoado quanto ela, viera de tão longe para rever Kagome e agora estava separado dela, impotente, sem poder correr e abraçá-la como devia. Como seus sentimentos tinham evoluído e mudado! As sementes daquele tempo tinham desabrochado e seus sentimentos infantis de amizade tinham evoluído em algo que fazia o coração bater descompassadamente e o ar faltar na sala.
Depois de horas percebeu que os convidados se retiravam para seus aposentos lentamente, embriagados pelas bebidas e pelo sono, não pode evitar agradecer aos deuses quando o rei e sua filha seguiram tal -se com um boa noite, o rei se demorou mais um pouco na despedida com o pai de Inuyasha, projetando o amanhã, mas a moça correu paras as escadas e Inuyasha sentiu remorso, provavelmente era ele o motivo pelo qual estava tão magoada, mas logo sentiu o copo ficar pesado e se recostou na cadeira aliviado, a visão da moça indo nervosa para a escada, escondendo o rosto já desaparecendo e seus olhos dançaram cansados até Inu no Taisho, mas logo seu corpo ficou tenso de novo, conhecia a expressão do pai, ele não estava feliz.
O quarto das princesas estava um caos. Ritsuko percebeu que a noite fora um um fiasco pela forma como as filhas estavam
–Mamãe porque você trouxe aquele homem aqui? – perguntou Rin com raiva – eu me lembro daquele filho dele e eu o odeio! Como papai pôde? E logo depois deitou na cama virando o rosto na parede, era inaceitável que a mãe continuasse protelando as explicações.
– Eu nem pude passar um tempo com Inuyasha, senti que tínhamos tanto para conversar! –falou Kagome para Sango enquanto desfazia o penteado da irmã, o rosto abatido com o resultado da festa que ela esperara por meses.
– Miroku me falou que eles ficarão por um bom tempo, vocês terão bastante tempo para se conhecer, Miroku é tão engraçado! Você sabia que ele... – mas Kagome não conseguia escutar mais, estava cansada e magoada, mas já planejava o dia de amanhã, se o que Sango lhe disse era verdade então tudo estava bem, nada melhor que um dia após o outro. Logo depois desligaram o abajour e foram dormir, cada uma com seus pensamentos, menos a mais velha.
– Ele nem sequer olhou para mim! Você disse que eu estava linda! Ah mãe, como isso pôde acontecer? – Kikyo se lamentou enfiando o rosto, antes corado e belo agora desfigurado pelo choro no colo da mãe. – eu não ligo mais pra ele, eu nem quero mais vê-lo! – falou decididamente mas no fundo do seu coração sabia que a sentença eram apenas palavras e ela continuaria pensando nele, tanto como nos dias anteriores, Ritsuko, como uma mãe que conhece seus filhos também sabia, e lançou um olhar triste para a filha
– Ah minha filha, tão pura! Se eu pudesse protege-la... os homens, a culpa é deles! Metendo nossos corações e corpos em brigas pessoais, como eu queria que você não sofresse minha filha – e não obstante, acho que sofrerá ainda mais no futuro, completou em pensamento,tristemente.
– O que quer dizer mãe, chega de desviar! Não sou suas filhas mais novas e se tem algo haver com homens e algo assim, falou ainda confusa com as palavras da mãe, tenho direito de saber! Isso concerne a mim!
– Você tem razão Kikyo, não é mais uma criança, deve saber que seu coração não será respeitado como parte das decisões desse reino, quer Inuyasha a ame ou não, quer você seja feliz ou não. Falou e se levantou mirando o lugar acima de si, procurando força na luz na lua para o momento de agora e no futuro, que pressentia, seria obscuro. – Kikyo, você se casará com Inuyasha.
