Regina estava de fato mudando. Era fácil notar isso quando ela deixou Emma ficar um tempo com Henry enquanto conversava com a sua filha. Geralmente ela fazia de tudo para afastá-lo de Emma, mas algo a fez mudar de opinião em relação a isso.

O fato era que a prefeita agora se preocupava com uma coisa: ter sua filha de volta. Talvez esse fosse o motivo para que ela deixasse Emma e Henry um pouco mais livres. Talvez agora Regina entendesse como Emma se sentia em relação ao seu filho, pois sentia o mesmo agora por Morgana. Agora que encontrara sua filha iria fazer de tudo para tê-la, assim como Emma fez – e ainda estava fazendo – por Henry.

- Espero que ela não volte – disse Morgana.

- Não vai ser tão fácil assim – disse Regina, olhando para a porta por onde a mulher saiu. – Ela não é de desistir.

- Eu não quero voltar com ela.

- Você não vai, querida – disse Regina, envolvendo a garota em seus braços. – Eu não vou deixar que ela faça isso de novo.

Foi sentindo aquele abraço que Morgana lembrou-se de como desejou aquele momento.

Ela estava nos estábulos, pronta para cavalgar, quando sua avó apareceu.

- O que pensa que está fazendo? – perguntou.

- Vou cavalgar um pouco, vovó. Não posso?

- Sem sela? Você não cavalga como uma dama deve – deu um suspiro de desagrado. – Você é tão problemática quanto sua mãe foi.

- Minha mãe não era assim!

- Como você pode saber? – retrucou Cora. – Ela abandonou você. Eu sou a única pessoa que te ama.

Morgana notou que aquela conversa não iria para frente, então fez o cavalo dar meia-volta, mas quando começou a andar, sentiu algo puxando-a violentamente para trás.

- Nunca vire as costas para mim, sua insolente!

Morgana estava agora suspensa no ar, prestes a bater com a cabeça no teto.

- Ta bom – disse, por fim, quase sem fôlego. – Eu vou obedecê-la.

Mas ela sabia que aquelas palavras que acabara de dizer eram da boca para fora. A última coisa que queria no mundo era obedecer a sua avó.

Ao lembrar daquilo, Morgana apertou mais o abraço em Regina, querendo que o tempo parasse naquele instante. Ela acreditava que tudo que sua avó dizia era mentira e agora estava tirando a prova de que estava certa.

- Se quiser eu posso ficar aqui com você hoje – disse Regina. Morgana balançou a cabeça num sim.

"Então espere um pouco aqui. Tenho que fazer uma coisa."

Ao deixar a garota, Regina foi até fora do hospital, onde encontrou Henry abraçado a Emma, e notou que era assim que ela estava se sentindo em relação a Morgana. Por um momento Regina se pôs no lugar de Emma.

- Henry – chamou. O garoto sobressaltou-se e largou Emma. – Acho que já está na hora de ir para casa – então virou-se para Emma. – Eu vou ficar aqui essa noite. Se importa de – ela sentiu-se contrariada a dizer aquilo, mas fez forças para falar – levar o meu filho para casa?

Emma pareceu ter levado um susto muito grande, pois ficou sem ter o que dizer. Não estava acreditando no que acabara de ouvir.

- Amanhã pela manhã estarei em casa – disse enquanto entregava as chaves a Emma. – Espero encontrá-lo sozinho – Regina sabia que não podia dar toda essa liberdade para Henry, pois ele queria mais que tudo livrar-se dela e isso a machucava, mesmo sabendo que a felicidade dele estava relacionada a estar com Emma.

Quando Emma e Henry chegaram a casa da prefeita, ele ainda suplicou para que a mãe não o deixasse sozinho.

- Não, Henry! – disse Emma. – É melhor deixarmos assim por enquanto. Se desobedecermos a Regina, talvez ela não me deixe sequer te ver! E eu tenho que ajudá-la com a Morgana!

- Mas ela te deu as chaves! Você pode sair antes dela chegar!

- Henry, por favor... Vamos deixar como está por enquanto. Pelo menos ela me deixa ficar com você, sei que não o tempo todo, mas é mais do que antes.

- Tudo bem – disse Henry, por fim, conformado. – Te vejo amanhã, então?

Emma abafou uma risada.

- É claro.

A noite se passou mais rápido que Regina poderia imaginar. A prefeita acordou na manhã seguinte com alguém mexendo no seu ombro.

- Prefeita – chamou uma voz. – Prefeita – chamou novamente. Então Regina abriu os olhos, e quando viu quem era, deu um salto na cadeira onde estava adormecida. Era Mary Margaret.

- O que está fazendo aqui?

- Eu vim ver os pacientes, como de costume – respondeu, suavemente, deixando Regina irritada com aquela simpatia enjoativa.

- Você não tem nada para ver aqui – retrucou Regina, se movendo na cadeira.

Mary lançou um olhar estranho para Regina e depois para Morgana e saiu.

- Você não gosta da Mary Margaret? – perguntou Morgana, sentando-se.

- Tenho os meus motivos – respondeu Regina, acompanhando a mulher com o olhar.

- Posso saber?

- Ela me fez uma promessa e não a cumpriu. E isso me custou muito.

Alguns minutos depois o Dr. Whale apareceu com um sorriso no rosto.

- Ótimas notícias – começou ele. – Morgana já teve sua alta e já pode voltar para casa.

A garota não pôde evitar um sorriso mais que alegre. Regina conseguiu se alegrar também.

Enquanto saíam do hospital, acabaram dando de cara com o Mr. Gold, que não pareceu nem um pouco surpreso ao vê-las.

- Olá – cumprimentou. – Como vão?

- Estamos bem, obrigada – respondeu Regina, voltando a caminhar.

- Acho que temos um acordo – disse Mr. Gold, fazendo Regina parar onde estava, começando a suar frio. – E é bom que você se lembre de que não deve deixar de cumprir sua parte.

- Sabe que cumpro.

- Mas é claro... Vossa Majestade.

Regina congelou. Era o que ela não queria que a garota ouvisse. Morgana soltou sua mão no mesmo instante e olhou com certo receio para a prefeita. Numa fração de segundo ela se lembrou de tudo.

- Majestade? – perguntou. – Então você é a Rainha Má?