6) Família
-Emmett... – Jasper falou calmamente, sentado encima do búfalo que tinha acabado de abater. – Não brinque com a comida.
Emmett revirou os olhos e finalmente jogou o urso morto no chão. Bree riu, deitada de barriga pra baixo encima de seu próprio urso já drenado. Ela e Emmett trocaram um olhar que significava que eles tinham encontrado alguma coisa em comum.
-Arre, que mau humor! O que aconteceu com você, Jazz? – Emmett perguntou, antes de terminar de drenar o sangue de seu próprio urso.
-Preciso mesmo dizer ou não está óbvio o suficiente?
Mais um instante de silêncio para Emmett terminar o lanchinho. Ele sentou no chão, encostado em seu urso e olhou para Bree, que tinha a cabeça deitada nas mãos, olhando pro lado oposto a Jasper, mas sem se concentrar em Emmett exatamente. Demorou um pouco pra ela se tocar de que Emm estava tentando fazer uma comunicação olho-a-olho com ela, mas quando ela se deu conta, imediatamente virou a cabeça para Jasper.
-Não, não está óbvio. Pode explicar, Jazz? – Ela falou quase não contendo um risinho que teimava em tentar sair do canto de sua boca.
Jasper optou por não responder. Ficaram em silencio por mais tempo depois dessa. Bree ficou passando os dedos pelo pêlo macio do urso que abatera e agora jazia embaixo dela. Matar bichinhos... Parecia tão cruel... Mas sangue de urso era bom.
Ela também experimentara sangue de búfalo e, na próxima oportunidade, Emmett jurara que ela iria com ele e Alice pra matar alguns leões. Bichinhos fofinhos iam virar comidinha, ah... Ela brincou consigo mesma, fazendo um biquinho como quem finge que se importa.
Depois de um certo tempo, Bree se levantou, sentando ainda encima do urso, arrumou o cabelo de qualquer jeito e acariciou o focinho do urso distraidamente. Olhou de Emmett para Jasper pensativa, tentando organizar as perguntas em sua mente. Ela queria saber muitas coisas; como isso de "vegetarianismo" funcionava, como eles eram uma família, por que a humana estava entre eles, onde estava Riley – apesar dessa ultima ela ter uma pequena noção da resposta. Ainda sem ter decidido exatamente, a primeira pergunta saiu pela sua boca.
-Onde está o Riley?
Emmett e Jasper franziram a testa igualmente.
-Que Riley? – Emm perguntou.
-Bem... – Bree começou meio confusa. – Foi ele quem me transformou e tudo mais...
-Hum... – Jasper murmurou. – Ele estava lá? Na luta, quero dizer. – Ela apenas assentiu com a cabeça. – Então ele está morto. Você é a única que sobrou.
É, ela já imaginava. Mas mesmo assim sentiu seu coração silencioso apertar um pouco contra o peito. Ela gostava de Riley. Brigava com ele, mas gostava dele. Ele a transformara, ele lhe dera a dádiva da eternidade. E agora ele mesmo tinha perdido essa dádiva. Irônico, não? Logo Riley, que prezava tanto por tudo isso de viver pra sempre... Bree teria que seguir sozinha.
-Você segue conosco agora, pirralha. – Emmett falou, despertando-na.
É mesmo, a família Cullen.
-Como funciona essa coisa de família? Quer dizer, vocês moram juntos e vivem entre os humanos... E a humana vive com vocês! Isso é tão impossível e absurdo.
-Oh, sim...
-Viver em família é saudável, Bree. – Emmett disse num tom grave. – Nós criamos vínculos muito fortes, quase impossíveis de serem quebrados. Assim, como se fossem parceiros. E nós estamos sempre aí um pro outro.
-É por isso que a Bella está conosco. – Jasper completou. Bree manteve sua expressão de pura confusão. – Ela é a parceira do Edward, vamos transformá-la depois do casamento. – Explicou.
-Oh... Mas como vocês descobriram a menina assim?
-Longa história. – Jazz disse, num tom de quem não se interessa de verdade.
-Peça pra ele contar. Eu não me meto nessas coisas. Até porque a Bells é obtusa de mais, só o Edward a entende de verdade.
Bree sorriu. É, o tom de Emmett realmente mostrava que ele não era nem um pouco interessado no assunto. Tudo bem, ela não ia perguntar mais.
-Você vai ver, Bree. Quando estiver pronta pra estar no meio deles, vai se divertir um bocado. Os humanos são previsíveis e engraçados. Você vai ver. – Emmett piscou pra ela.
-Não duvido...
Mais um pouco de silêncio, Bree se mexia minimamente, apenas considerando se tinha mais alguma coisa pra perguntar. Ela estava meio perturbada com essa coisa de entrar pra um clã, não sabia o que fazer, como lidar... Todos eles pareciam tão interligados, harmoniosos, como ela mesma pensara na primeira vez que os observou com mais atenção. Não sabia se era capaz de entrar em sintonia com eles.
Aquilo foi deixando-na desesperada. A idéia do novo era assustadora e...
-O que... – Murmurou quando começou a sentir uma calma anormal.
-Aff, detesto quando ele faz isso. – Emmett falou, colocando as mãos na cabeça.
-Você está entrando em pânico, Bree. Fique calma. – Jasper disse numa voz tranqüilizadora que, para Bree, não combinava nem um pouco com ele.
-O que você está fazendo? – Ela perguntou tentando ficar desesperada, sem sucesso.
-Você precisa se controlar.
-Eu não quero me controlar. – Falou, dando ênfase em cada palavra e, de repente, todo o seu drama estava lá de volta.
-Valeu, garota! – Emmett vibrou.
Foi a vez de Jasper ficar desesperado.
-O que você está fazendo?
-Você não pode me obrigar a ficar calma!
-Ah, claro que posso.
-Não pode!
-Você é que não pode me fazer sentir o seu desespero!
-Ninguém manda você ser sensível aos outros!
-Ninguém manda você ser problemática!
-Isso não significa que você pode ficar interferindo nos meus sentimentos!
Emmett revirou os olhos.
-E isso não significa que você pode anular o meu poder!
-QUE TIPO DE PODER É ESSE? – Perguntaram juntos.
-Eu é que pergunto! – Bree rebateu.
-EU é que pergunto. – Jasper disse bravo, avançando alguns passos até ela, que mantinha uma posição defensiva em cima do urso. Emmett resolveu que era hora de intervir e ficou entre os dois.
-Tá ok, já chega. Acho que é hora de irmos pra casa. – Jasper e Bree não desviram o olhar um do outro nem se moveram. – É sério, dá pra se mexer? – Emmett pediu entediado, movimentando as mãos.
Eles descongelaram praticamente ao mesmo tempo, ainda sem desviar o olhar. Bree saiu de cima do urso e ficou atrás de Emmett. Quando já se sentia protegida o suficiente por uma muralha, deu com a língua para Jasper, que bufou frustrado.
-Nossa, to percebendo que vocês vão render boas brigas. Vou ter que avisar a Alice que estamos perdendo o nosso posto.
-Cale a boca, Emmett.
-Eu vou mesmo. Mas só o tempo suficiente pra chegar em casa. Bella já deve ter ido embora. – Ele segurou na mão de Bree e começou a arrastá-la por entre as árvores. – Vamos, pirralha.
Emmett soltou Bree e saiu em disparada pela floresta.
-Eu não sou pirralha! Tenho dezoito! – Tentou protestar, mas Jasper passou voando por ela.
-Vai esperar perder o rastro? – Falou. – Estou torcendo pra isso.
Bree cerrou os olhos com o desafio e disparou atrás deles. Se era pra entrar nessa de família, então que fosse de cabeça. E sem dificuldade, logo os alcançou. Seguiram por cerca de cinco minutos, correndo numa velocidade insana, meio que apostando, mas ela ficaria mesmo pra trás por não saber o caminho.
Depois desses cinco minutos, Emm e Jazz começaram a desacelerar e, aos poucos, o cheiro dos outros Cullens ficou mais evidente. Diminuíram o passo a uma caminhada e logo as árvores se abriram numa grande clareira, no qual uma casa majestosa era sustentada, tão linda, tão transparente, tão cheia de imponência. Foi impossível manter o queixo no lugar.
-Bem-vinda ao lar, pirralha. – Emmett disse, colocando uma mão nas costas dela e empurrando-a de leve pra que ela prosseguisse.
N/A: Ain, nem tenho o que falar, gente '-'
Obrigada a todo mundo que comentou, não vou poder agradecer individualmente agora, mas obrigada a cada um do fundo do heart (h)
Comentem, oks? :D
Sem mais,
BL
N/B: HUIEHEHUIEHUIEHE, eu morro com a Bree e o Jasper, fato! Ameeeei, By, a fic fica melhor a cada capítulo! *-----------* Quero o próximo logo pra rir mais do Jazz e ver como a Bree vai se adaptar aos humanos. :O Comeeeentem, gurias, porque a Bib mais que merece! o/
Beijos,
Lú.
