Capítulo 7 - Uma previsão para Kakashi
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Já fazia pelo menos meia hora desde que haviam recomeçado a jornada para a vila da Bruxa. Sakura carregava a estátua:
- Oeee, sensei... Podemos dar uma parada?
- Aguente mais um pouco, Sakura... Sinto cheiro de água mais a frente.
- Hai!
Dez minutos de caminhada depois, eles encontraram um rio que ficava sob um enorme barranco. Sakura, cuidadosamente, tratou de largar a estátua no chão. Enquanto ela, Sai, Sasuke e Kakashi desciam até o rio para se refrescarem, Naruto continuou na parte de cima, vigiando a estátua.
Olhando com desdém para a estranha bola preta, começou a cutucá-la com o pé, esperando que ela se movesse, o que não aconteceu. Irritado, repetiu o movimento com mais força. Nada. A bola simplesmente não se movia. Aquilo estava lhe agoniando, lhe corroendo por dentro. Ele só queria brincar com ela enquanto esperava. Queria uma distração. Porque? PORQUE? PORQUE ELA NÃO SE MEXIA? Estava ficando cada vez mais nervoso com aquilo. Queria atirar aquela porcaria fora. Ou melhor... Ele só queria que ela se movesse um milímetro. Bufando de raiva, começou a pular em cima da bola: "PORQUE, VOCÊ, NÃO, SE, MOVE?". Um pulo, dois pulos, três pulos... "ANDA!" Sete pulos. Sentiu-se afundar. Olhou para o chão e sorriu. A bola havia afundado um pouco. Não se mexeu como ele queria mas, se mexeu. Dava pulos e mais pulos de felicidade, quando, escutou um barulho estranho. Arregalou os olhos. O chão estava... rachando?
- MINNAAAAAA, CUIDADO!!! – foi o que deu tempo de o loiro gritar.
Sasuke vira-se para trás e se depara com um monte de terra vindo na direção deles. "O QUE AQUELE IDIOTA FEZ?" Todos saíram em disparada.
Um belo desabamento, foi o que Naruto arranjou. Não existia mais um barranco e, muito menos, um rio. Era tudo barro. Kakashi saiu correndo na direção de Naruto.
- Cadê a estátua? – Kakashi olhava para todos os lados, procurando por qualquer sinal da bolinha.
-Ehehehehe... – o Uzumaki coçou a cabeça, sem jeito. Essa era a resposta que Kakashi não queria ouvir.
Como pode ser tão estúpido? Todos no time eram suficientemente responsáveis para cuidar da estátua, menos Naruto. E ele, TINHA que deixar o objeto valioso nas mãos dele. O ninja mais atrapalhado, o mais irresponsável. O número um em imprevistos. Mas a culpa não era de Naruto. Era de Kakashi, óbvio.
- Naruto... – Naruto sentiu um calafrio sinistro percorrer-lhe a espinha ao ouvir a voz macabra da sua querida Sakura-chan. Ao virar-se para ela, encontrou uma áurea negra pairando sobre a garota que estralava os dedos furiosamente.
E, então, um estrondo. Naruto foi acertado.
Kakashi olhava pesarosamente para aquela montanha de barro. Sai e Sasuke já começavam a procurar pela estátua perdida. "Que barro, trabalheira desnecessária..."
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Fim de tarde. Dois adolescentes conversavam calmamente:
- Então, se você não fosse porteiro, seria o que? – o moreno de olhos azuis perguntou enquanto colocava os pés sobre uma bancada, preguiçosamente.
- Jogador de futebol! – o loiro de orbes escuras exclamou contente.
- Sério?
- Claro! Seria tão bom quanto Pelé... – disse, convencido.
- Pufff... Chegar no nível do Pelé é moleza! Quero ver você ser tão bom quanto o Maradona. – o outro retrucou desdenhoso.
- Do que está falando, Kenshin??? Pelé é centeeeenas de vezes melhor que o Maradona!
- Ryu, você é louco! Maradona é gênio!
- Pras cucúias o Maradona, Pelé é rei!
- Maradona tem muuuuito mais técnica que o Pelé, e além disso... – o garoto, repentinamente, para de falar. Permance estático, com os olhos arregalados.
- O que foi, Kenshin? AAAAh, percebeu quem é o melhor não é? – Ryu falou com soberba. O outro apenas balança a cabeça negativamente e aponta para as costas do amigo.
- Zu-zu-zu-zumbis...
- Hã? Zumbis? – Ryu vira-se para trás e se depara com um grupo de... zumbis? – AAAAH MEU DEUS! – arrastou o colega, que ainda estava em estado de choque, e foram para trás da bancada. – Se-será que eles estão vindo pra cá, pra vila?
- SHIUUU! Quer que eles te ouçam? - o outro susurrou.
- Olhe! Um deles parece meio capenga!
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- Eu estou imunda, com barro até os ouvidos, cansada, com fome, com sede... EU NÃO AGUENTO MAIS ANDAR COM ESSA COISAAAAAA...
- Acalme-se Sakura, já chegamos!
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- SUJOU! ELES ESTÃO MESMO VINDO PRA CÁ!
- CALA A BOCA!
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- OEE, sensei, ali estão os porteiros da vila, dattebayo!
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- PUTS!
- VIRAM A GENTE!?
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- Minha nossa, Naruto, ninguém percebeu!
- CALA BOCA, SEU ANÊMICO!
- Calem-se vocês dois.
- Oh, a bixinha do Sasuke também vai rodar a baiana!
- Como disse?
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- O-o que eles estão fazendo?
- Sei lá... Eles estão brigando entre eles?
- Estamos salvos!
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- Eu vou atirar isso na cabeça de vocês!
- Ai... Quando vocês vão crescer?
- Te faltam esses olhos pra você me enfrentar, anêmico.
- OOOO, essa briga vai ser boa, dattebayo!
- Ai, a audácia da Filombeta: "Te faltam esses olhos pra me enfrentar!". E o que te falta é vontade de deixar de ser biba.
- GRRR, O QUE FALTA EM VOCÊS É...
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- CÉREBRO! ELES QUEREM NOSSOS CÉREBROS!
- Temos que avisar à Iole-sama!
- Yoooo! Vocês devem ser os porteiros da vila...
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHH!
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHH!
- OEEE, PORQUE ESTÃO GRITANDO?! – perguntou o copy nin assustado.
- SAI PRA LÁ, COISA RUIM! – Ryu tirou de baixo de sua blusa um amuleto em um formato redondo, enquanto Kenshin se escondia por de trás dele.
- CALMA, CALMA, NÓS SOMOS OS NINJAS DE KONOHA, VÊ? – Kakashi aponta para a própria bandana.
- NÃO VEJO NENHUM SÍMBOLO DE KONOHA, SEU CAOLHO DEMONÍACO!
- Hã? – Kakashi retira a bandana e passa a mão sobre a parte metálica. – Aqui ó! Vila Oculta da Folha. – Kakashi sorriu. Os porteiros, ainda um tanto ressabiados, se aproximam de Kakashi para verificar o haitate.
- OOOh, ninjas de Konoha! Eu sabia que eram vocês! – gritou Kenshin.
- QUE? – gritou o outro. Gota geral. – Você estava apavorado!
- Foi só pra pregar uma peça em você, e você caiu direitinho!
- Ora, seu mentiroso!
- Errr, com licença mas, poderiam nos ajudar? Nossa companheira está carregando aquela estátua pesada a horas, poderiam nos levar até Iole-sama? – ao verem a tal "companheira", a dupla de porteiros imediatamente corre até Sakura.
- OOOOH! Perdoe bela dama! – disse Kenshin.
- Você deve estar exausta!
- Como esses monstros podem deixar uma dama como você, carregar uma coisa tão pesada quanto esta? – Kenshin olha de canto para o grupo de shinobis. Kakashi coçava a nuca, sem jeito pelo comentário. Sai apenas assistia a cena e Sasuke e Naruto estavam de cara fechada.
- Deixe que nós carregamos isso pra você! – disse o moreno.
- Errr, agradeço a gentileza mas, acho que vocês não vão conseguir e...
- OOOh, como é o seu nome, senhorita? – falou Kenshin.
- Sakura... Haruno Sakura.
- Oh, Sakura-chan, assim você nos deixa chateados. Por favor nos deixe carregar essa coisa pra você já que, seus companheiros não foram capaz de fazê-lo. – Naruto se preparava para avançar no pescoço de Kenshin mas, foi impedido por Kakashi.
- Tá bem. – Sakura deu de ombros. Kenshin se adiantou e estendeu as mãos para Sakura. Ela largou levemente a estátua e, quando os dedos do porteiro estávam quase para serem prensados contra o chão, ela a pegou de volta.
- Kenshin, você me envergonha! – gritou Ryu.
- É-é muito pesada! – o outro disse, surpreso.
- Por favor Sakura-chan, me deixe tentar. – Sakura fez uma cara de tédio. Mal sentia os próprios braços e ainda tinha que aguentar as tentativas de galanteios de dois idiotas. Passou a estátua para Ryu. Por um instante, considerou em deixar os dedos do porteiro serem esmagados, mas não... Seria muita maldade.
- Não te disse, metido? – Kenshin deu um sorriso sarcástico para o companheiro.
- Tá tudo muito bom, tudo muito bem, todo mundo já pegou a bolinha divertida, agora será que você podem nos levar à algum lugar em que eu possa largar essa coisa? – Sakura disse, nervosa.
- C-claro!
- Baachan está esperando por vocês! – disse Ryu.
- Baachan? – indagou Naruto.
- Sim, Iole-sama é minha avó!
Iole era a mulher mais velha da vila, e também considerada a mais sábia. Em suas andanças, Kakashi já ouvira muitas histórias sobre ela e a Vila da Bruxa. Dizia-se que era um povo muito místico, cheio de crenças cabalísticas. Reza a lenda de que a velha senhora teria o dom de ver o futuro, através de consultas feitas aos astros.
A atrapalhada dupla de porteiros conduz os shinobis imundos até uma enorme casa, que ficava praticamente, do outro lado da vila. Em um vasto jardim, cheio de belas flores e um gramado bem cuidado, estava a velha Iole, regando suas plantas.
- Baachan, - Ryu fez uma pequena reverência, seguido por todos os outros. – os ninjas de Konoha estão aqui.
- Oh, mas o que aconteceu com vocês? – Iole indagou ao ver o estado deplorável do time 7. Todos estávam completamente embarrados.
- Err, um dos pequenos contratempos que tivemos durante nossa viagem. – o Hatake coçou a cabeça, sem jeito.
Iole riu divertida.
- Vejo que deu bastante trabalho! Pode soltá-la, querida. – disse, dirigindo o olhar para a Haruno.
Sakura solta um suspiro aliviado e larga a pedra no gramado, com cuidado.
Iole se aproxima do objeto e coloca a mão sobre ele.
- Por acaso a estátua entrou em contato com a água? – perguntou séria.
Os ninjas engoliram seco.
- Sim... Nós tivemos um pequeno acidente no percurso... – disse Kakashi.
- Ótimo! – comemorou a mulher. – A pedra já está purificada! Agora é preciso que vocês a levem ao templo.
Naruto sentiu um alívio inexplicável por não ter feito nada de errado.
- Onde fica o templo?
- No alto daquela montanha!
- Alto...
-... daquela...
- MONTANHA?
Os ninjas quase caíram para trás ao ver a montanha apontada por Iole. Uma montanha enorme... Se estivessem sem a tal estátua, chegariam até o topo em uma hora, no máximo. Mas o peso daquele estorvo até agora, só havia lhes causado atraso.
- OEE, IOLE-BAACHAN! – gritou Naruto. – VOCÊ É LOUCA? ESSA MERDA PESA MAIS DE TROCENTOS QUILOS!!! – Kakashi deu um cascudo na cabeça do loiro enquanto Sakura choramingava algo.
- Acalmem-se! – Iole disse aos risos. – Por favor, não tenham pressa em ir embora de nossa vila. Vocês ficarão em minha casa!
- É muita gentileza, mas...
- Que bom, eu tô louco pra tomar um banho, dattebayo!
- Naruto! – bronqueou, Kakashi. – É muita gentileza, Iole-sama, mas precisamos estar de volta a Konoha amanhã.
- Então vocês tomem um banho, descansem, comam alguma coisa e então, levamos a estátua.
- Levamos?
- Sim, eu irei acompanhá-los.
Sem dar tempo de Kakashi recusar, Iole já empurrava o grupo para dentro de casa, incluíndo Kenshin, e Ryu, seu neto.
Quase que instantâneamente, ao ultrapassarem a soleira da porta, Sasuke solta um espirro bastante escandaloso.
- Saúde! – Kenshin grita na proporção do barulho do espirro.
A casa tinha uma decoração bastante rústica, porém, cheia de enfeites hippies, velas, estátuas de animais, incensos...
- Fiquem a vontade! Venha mocinha, - ela pegou Sakura pelo braço. – vou te levar até o banheiro.
- ATCHIM!
- Saúde!
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Nos corredores do prédio da Hokage, Shizune carregava atrapalhadamente uma enorme pilha de papéis.
- Essa é, sem dúvida, a maior pilha que eu já carreguei na vida. – a kunoichi pensava em voz alta quando, de repente, choca-se em algo que a faz cair no chão.
- Shi-Shizune-san, me desculpe! – disse Yamato com a voz trêmula. – Tentei desviar, mas você fez uma curva pro mesmo lado!
A preocupação do ex-ANBU a fez rir:
- Eu já disse a você que não precisa me chamar de Shizune-san. – disse num tom descontraído enquanto juntávam os papéis do chão.
- Desculpe, é o hábito. – disse, levemente ruborizado.
Continuaram a catar os papéis em silêncio quando, ambos esbarram a mão sobre o mesmo papél. Numa atitude infantil, recolhem as mãos e ficam completamente encabulados.
- Me desculpe, Shizune-chan... – Shizune cora violentamente.
- N-não precisa se desculpar por isso...
Eles se encaram por um momento e, quando Yamato se preparava para falar algo...
- Awwww... Se fosse um filme, eu diria, "minha nossa, que clichê!". Mas como são vocês, é tão bonitinho!
- ANKO! – gritaram os dois em uníssono.
- E ai, crianças! – falou Anko, com um sorriso rasgado. - Coincidência eu e vocês, de novo não é? Muita sorte. – disse, irônica. – Que bagunça vocês fizeram aqui, hein?
- N-não é nada disso que você está...
- Escuta, eu já sei demais, não quero ouvir mais nada. – interrompeu com um sorriso sarcástico. – Tsunade-sama está te chamando.
- T-tudo bem, obrigada. – disse Shizune, voltando a recolher os papéis.
Anko passa pela dupla desviando-se do "campo minado" :
- Eu até ajudaria, mas o Yamato já é suficiente pra você, não é Shiz?
- ANKO! – gritou a médica, completamente vermelha de vergonha enquanto a amiga mostrava a língua e saia correndo.
- N-não ligue pra o que ela diz!
- Tudo bem... – respondeu Yamato, com um sorriso bobo no rosto.
Caminharam até a sala da Hokage, em silêncio, cada um com uma pilha de papéis. Yamato carregava a maior.
- Shizune! Que demora! – vociferou Tsunade.
- Sinto muito, Tsunade-sama, é que...
- Tudo bem, tudo bem, ouça... – interrompeu a Godaime, sem o menor interesse nas explicações da assistente. – Tenho uma tarefa pra você.
- Hai!
- O Festival das Estrelas está se aproximando, e eu gostaria de fazer algo diferente.
-Diferente?
- Sim. – Tsunade tinha um pequeno sorriso no rosto. – À fantasia!
- É uma ótima ideia, Tsunade-sama! – gritou Shizune, empolgada.
- Será como um carnaval! – disse Yamato.
- Ótimo, dê um jeito de espalhar a notícia.
- Hai!
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Na sala da casa de Iole, seguia-se uma discussão acirrada e sem hora para acabar:
- TEEEEME, É ÓBVIO QUE O PELÉ É MUITO MELHOR DO QUE O MARADONA, DATTEBAYO!
- É isso ai, Naruto! – gritou Ryu, com o punho erguido.
- ATCHIIIM! Dobe... Snif... Baradona é um gênio.
- Dane-se o gênio! Reis são melhores do que gênios! – disse Naruto.
- Maradona tem técnica! – gritou Kenshin.
- Técnica, técnica... – falou o loiro, impaciente. - OEE, Sai... Quem é o melhor, Pelé, ou Maradona?
- Eu não sei quem são essas pessoas... – Naruto revirou os olhos.
- Kakashi-sensei! Quem é o melhor, Pelé, ou Maradona?
- Hum? – Kakashi desviou o olho do livro.
- Pelé ou Maradona?
- Os dois jogam bem...
- Jogam bem? Jogam bem? – Naruto explodiu com a indiferença de Kakashi. – Sensei, um deles é o melhor!
- Não faz diferença...
- Hunf... Não liguem pra ele, ele se acha o bonzão e acha tudo o que os outros fazem "normal", dattebayo. – desdenhou o loiro.
- ATCHIIIIIM!
Nisso, Sakura surge na sala com um enorme roupão azul emprestado por Iole:
- Muito bem, que é o pró... AAAAH MEU DEUS, SASUKE-KUN, O QUE ACONTECEU COM VOCÊ?
- ATCHIIIIM!
Parece que Sakura foi a primeira a perceber o estado de Sasuke. Seu rosto estava bastante inchado, os olhos vermelhos e lacrimejando (não, não era por conta do Sharingan), o nariz fungando...
- Teme... Você está bem? – falou Naruto preocupado.
- Eu dão be sinto norbal... Ahh.. Ahhh... ATCHIIIIIIM!
- Sasuke-kun, - a médica-nin se aproximou. – me parece que você está tendo uma reação alérgica...
- Eu dão tenho ale... aahh... aahhh... ATCHIM! Alergia.
- Acho que você tem sim, cara... – disse Kenshin, impressionado com o inchasso do rosto de Sasuke.
- Acho belhor eu ir tobar um banho...
- Isso mesmo!
- OEEE, PORQUE VOCÊ TEM QUE IR PRIMEIRO?
- NARUTO! – berrou Sakura. – NÃO ESTÁ VENDO QUE O SASUKE-KUN ESTÁ MAL?
- Tá bom, tá bom... – amuou-se o loiro.
E assim, Sasuke partiu para um refrescante banho. Só que não voltou nem um pouco melhor... Na verdade, ele parecia mais inchado.
- Acho que são os incensos... – disse Iole.
- Os incensos...? – Sakura ficou pensativa. Realmente, os incensos eram o único fator que poderiam estar provocando uma rinite no Uchiha.
- Que seja! Eu vou tomar banho, dattebayo! – gritou Naruto, indo na direção indicada por Iole.
- Iole-sama... Que aroma é esse incenso?
- Você deveria saber, Sakura-chan!- a senhora falou enquanto aproximava de Sakura, um incenso já apagado. - É cerejeira.
O sorriso de Iole se desfez ao ver o olhar perdido de Sakura. Um silêncio significativo tomou conta do lugar. Todos pareciam sentidos.
- Há, - gritou Sakura, forçando um sorriso. – pelo menos o resto do time não tem alergia a sakuras!
"Tsc, teme... Você faz merda até quando não quer." – pensou Naruto, chateado, enquanto ouvia a conversa no meio do corredor.
Sasuke estava... sem reação. Seu rosto manteve-se impassível, porém, por dentro... Ah, muitas coisas passavam por sua cabeça agora.
Como que seu corpo poderia sentir repulsa por algo que ele considerava tão... tão belo. Era irônico. Porque, logo, cerejeira? Ele gostava das cerejeiras, sobre tudo de apreciá-las. Sempre lhe traziam uma sensação boa. Sentia-se renovado quando estava perto de uma, sentia-se feliz. Talvez fosse por que elas lhe lembrassem alguém tão especial.
Aquela era como se fosse uma prova concreta de que Sasuke rejeitava Sakura. O olhar triste e o sorriso decepcionado no rosto da Haruno fizeram o Uchiha tremer.
Aquele sentimento de impotência deixou Sasuke enjoado. Por Deus, o que estava acontecendo com ele? Suava frio, estava nervoso, o coração estava apertado... O que era aquilo, afinal? Era o aroma de sakura ou era... a Sakura?
- Aqui, filho, beba isto. – Iole ofereceu uma bebida quente à Sasuke que a tomou sem questionar.
Logo, sentiu o torpor causado pelo estranho líquido e acabou adormecendo.
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- Prontos?
- Hai!
- Sakura, você fica.
- Mas, sensei...
- Iie, iie... Você já carregou a estátua por bastante tempo. Além disso, alguém tem que ficar com o Sasuke.
Kakashi, Sai e Iole dirigiam-se para fora da casa, onde já estava escuro. Antes de juntar-se a eles, Naruto falou à tristonha Sakura:
- Sakura-chan... Não se preocupe. Logo, logo o teme vai desinchar e voltar ficar com aquela cara de idiota cada vez que está perto de uma bela cerejeira, dattebayo!
O Uzumaki não deu tempo de Sakura questionar o que ele queria dizer com aquilo.
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- Isso, é o que eu chamo de ironia cruel. – Kakashi falou com a voz rouca, enquanto carregava a estátua junto a Naruto. – Os dois membros do grupo de maior força física, ficaram lá embaixo.
Cinco horas. Era o tempo que estavam naquela subida exaustiva. Se não fosse as dicas de Iole, certamente teriam demorado mais, muito mais. Ela conhecia muito bem a montanha, as áreas mais íngremes, mais pedregosas...
- Só não entendo por que o idiota do Sai não desenhou aqueles passarinhos dele e não nos trouxe direto.
- Naruto, - Sai explicou calmamente, já acostumado com os modos de Naruto. – meus desenhos não aguentam o peso dessa estátua.
- Animem-se garotos! – gritou Iole. – Já chegamos!
Foi então que eles repararam na majestosa construção. O templo ficava sobre colunas reluzentes de ouro e pedras preciosas. A medida que se aproximavam, puderam ver que o teto era de marfim polido e as portas de prata. Uma obra perfeita.
- Esse é o Templo ao Deus Sol e à Deusa Lua! Entrem meninos... Coloquem a estátua naquele pedestal, lá no fundo.
Iole acendeu algumas tochas que ficavam grudadas a parede do templo. Se o lado de fora era algo fora do normal, o lado de dentro não ficava por menos, concluíram os shinobis.
Na parede do fundo, uma grande figura chamou a atenção de Naruto:
- Oe... Parece o Rasengan!
- Esse, é o Caos. – disse Iole. – Antes de serem criados o mar, o céu e a terra, todas as coisas apresentavam esse aspecto. Uma massa de peso morto. Tudo misturado. Até que Deus e a Natureza puseram fim a essa discórdia, separando-os.
A imagem da parede esquerda, representava o dia, a da direita, a noite. Em cada uma delas estavam, mar, céu e terra. No mar, as ninfas se divertiam nas ondas, penteavam e secavam seus cabelos, figuras que Kakashi apreciou bastante. A terra mostrava as cidades, florestas e rios. Dominando tudo a imagem do glorioso céu. Por fim, nas portas de prata, os símbolos dos doze signos do zodíaco.
- Para ajudar a organizar a Terra, Deus colocou seus dois filhos, Sol e Lua, para cumprirem a tarefa. Cada um passa metade do tempo vigiando os seres humanos e todos os outros tesouros do pai.
- É uma bela história. – Kakashi sorriu.
- É a história do Universo. É isso que o templo conta. – concluiu Iole.
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Acordou num susto. Sasuke olhou em volta, atordoado. Enfim, lembrou-se que estava na casa de Iole. Viu Sakura, dormindo na cadeira ao lado. Aproximou-se da rósea e a chamou quase num susurro:
- Sakura...
Sakura abriu os olhos e se assustou ao ver a proximidade que o Uchiha mantinha dela.
- Sa-Sasuke-kun...
- Onde estão os outros?
- Já foram, há muito tempo. Pelo menos há umas seis horas. – disse, olhando no relógio.
Sasuke ficou impressionado com o tempo que dormiu.
- O que faz dormindo nessa cadeira, toda torta? Devia estar no quarto.
- Eu sei, eu sei. Ryu insistiu pra que eu fosse me deitar mas eu queria ficar, caso você acordasse perdido. Ah, você está bem melhor! – constatou olhando para o rosto do garoto. – Sakuras realmente não te fazem bem... – disse, dando uma riso forçado.
- Não diga bobagens. – falou sério. – Sakuras só... me deixam... perturbado.
- O que quer dizer? – perguntou, receosa.
- Não sei ao certo. – ele sorriu.
De alguma maneira, Sakura entendeu que aquilo era uma coisa boa. Sasuke sorrindo, claro que era bom! Chegou a sentir um tremelique.
- Bom, então eu... Vou me deitar. – levantou-se rapidamente, ainda meio atordoada com aquela proximidade e aquele sorriso. – Se você se sentir mal de novo, me chame!
- Sakura... – Sasuke a pega pelo braço.
- S-sim?
Ele aproxima seu rosto do dela, olhando fixamente no par de olhos esverdeados, tão inquietos. E a beija. Um beijo doce e carinhoso. Leve. Um simples toque. Perfeito.
- Cerejeiras me perturbam de um jeito que eu não consigo explicar mas... Elas não me fazem mal. – novamente sorriu, enquanto soltava o braço da garota.
Sakura dava passos para trás, ainda com a boca entreaberta. Não conseguiu dizer nada, apenas seguiu caminhando de ré para o quarto, até Sasuke sumir de sua vista. Estava sentindo um comichão inxplicável, uma alegria, uma vontade louca de rir e chorar ao mesmo tempo.
Entrou no quarto, pulou na cama, pôs o travesseiro na cara e começou a berrar, rir e gargalhar. Ah, certamente não dormiria mais. Começou a dançar pelo quarto até parar na frente do espelho. Ficou parada, olhando para a própria boca por, sabe-se lá, quanto tempo.
O sorriso dele não saia da sua cabeça. "Ah, ah, ah..." As palavras mal saiam nos próprios pensamentos. Era engraçado. Não conseguia pensar em nada, absolutamente nada. Só no sorriso dele e no que estava sentindo agora. E no beijo, claro! A sensação mais incrível que teve desde que Sasuke decidira voltar pra casa. Será que ele havia reconhecido o amor que ela tinha por ele? Ou melhor ainda... Será que ele descobrira o amor que sentia por ela? ERA BOM DEMAIS PRA SER VERDADE!
Mas aí... Espera. Será, mesmo? Lembrou-se do remédio estranho que Iole deu a Sasuke. E agora? Será que ele não estava meio grogue? "AAAAAAH, NÃÃÃÃO!"
É, agora, a Haruno não dormiria de jeito nenhum.
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No templo, Kakashi continuava a observar as imagens nas paredes, enquanto todos dormiam.
- Sem sono, Kakashi-kun? – perguntou a sorridente Iole.
- É... Pensei que a senhora estivesse dormindo. – retribuiu o sorriso.
- Sou velha mas tenho muita energia! – ambos riram. – Gosta delas? – perguntou referindo-se as ninfas que Kakashi observava.
- É uma bela pintura. – Iole riu da esquiva de Kakashi.
Ficaram em silêncio por um instante.
- Eu conheci o seu pai, Hatake Sakumo.
Os olhos de Kakashi voltam-se para a velha vidente, pasmos.
- Ele prestou um grande serviço pra nós. Nossa, isso já faz muito tempo. – disse de maneira nostálgica.
Kakashi se mantinha em silêncio, apenas sorria.
- Diga, filho, você é virgem?
- Err, olha, Iole-sama...
- Estou falando do signo.
- AAAAAAh, sim! – disse, extremamente envergonhado de seus pensamentos maliciosos.
- Sabe, quando seu pai esteve aqui, ele deixou que eu fizesse uma previsão para ele. Deixe-me fazer uma pra você também.
- Agradeço muito, Iole-sama, mas...
- Hum, um cético.
- Não, não é bem isso...
- Quer deixar mais interessante? Te darei uma previsão sem cartas ou bolas de cristal, o que acha?
O copy nin tentou ser espirituoso:
- Tudo bem.
- Sente-se.
Iole colocou as mãos, uma sobre a cabeça e outra sobre o peito de Kakashi.
- Uma moça...
- O que? – Kakashi se surpreendeu com a rapidez do processo. A previsão já tinha começado?
- Uma moça! – disse impaciente. – Mais do que isso... Uma paixão.
Ok, aquilo era realmente muito estranho. Kakashi bem que estava tentando levar numa boa mas, parecia que Iole estava querendo lhe pregar uma peça. Quer dizer que, só encostando nele, ela poderia ver o seu futuro? Aquilo era ridículo!
- Como a senhora está...
- Shiu, quieto! – bronqueou. – Amor. Eu vejo amor! Ah, Kakashi-kun... Cederás por essa mulher. Ficarás cego de amor por ela. E ela por ti. Não admitirá tão cedo, e quando o fizer, virá junto de uma grande decepção que você deve escolher se irá, ou não, perdoar.
- A senhora sabe o que eu vou escolher? – desafiou.
- Não se diz o futuro ao homem para que ele não se descuide do presente.
Kakashi já estava ficando impaciente. Se não se diz o futuro, qual era o significado daquilo afinal?
- Como a senhora faz? – Iole riu da descrença do Hatake.
- Ah, eu não revelo os meus segredos para céticos. Você só precisa saber que eu vejo o tempo de um ângulo diferente.
Kakashi se conformou. Sempre fora indiferente àquele tipo de coisa, não seria agora que se torturaria com as palavras de Iole.
Sai e Naruto já estavam acordados. Era hora de descer.
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Geeeeeeeeeeente!
Meldels, peço mil desculpas à vocês, primeiro:
Por demorar demais. To atolada de trabalhos da facul e estava finalizando outra fic.
Segundo, pela bizarrice desse capítulo desproporcional com pouca coisa de ÚTIL. Eu sei que sou uma ogra por ter colocado tanta coisa de uma vez só, até pensei em dividir mas ai: PRA QUE? Ai seriam dois capítulos inúteis! ¬¬ Melhor colocar de uma vez!
Ah, vamos comemorar galera, meu primeiro SasuSaku! /estoura a champanhe
Vamos brindar! \o/
Por ser a primeiríssima vez que escrevo sobre eles, não sei se ficou bom, na verdade duvido MUITO, mas prometo me esforçar pra melhorar.
Yey, era isso aí!
Beijosmeliga!
Tô tão carente de reviews :~
