CAPÍTULO 7
Exposição retumbante (3.460 palavras)
A noite de Londres estava fresca, e bastante agradável, era possível ver todas as estrelas, e a lua reinava no topo do céu. A rua era barulhenta como era esperado de um grande centro, e ele andava incerto, ainda preso em pensamentos controversos e emoções estarrecedoras.
Com as mãos nos bolsos, Merlin se aproximou da entrada da boate, até ali ele não vira sinal de nenhum dos amigos, tentava manter o júbilo à deriva no seu coração ainda apoiando-se nos momentos vividos com Arthur, mas como Merlin era Merlin, era mais fácil que momentos tão fabulosos pudessem ser interpretados como um simples amasso corriqueiro. Na verdade foi um boquete e tanto, puta que pariu!, ele lembrou sorrindo, mas rapidamente seu rosto voltou à máscara de autodesprezo, achando que talvez Arthur nem aparecesse. E por que ele viria? Quantos caras, tão melhores do que Merlin, Arthur poderia encontrar? Passando os olhos rapidamente pela fila de entrada, Merlin pôde mensurar: vários.
Engolindo toda a insegurança como se fosse um bolo alimentar muito mal mastigado, Merlin se muniu de um misto de esperança e coragem, e rumou diligente para a porta principal, apresentou ao segurança o cartão VIP que Gwaine deixara mais cedo em sua mesa, e entrou rapidamente.
Uma vez dentro da boate, o som e a luz do local permitiram que seu ânimo melhorasse consideravelmente, ele ficou parado por alguns minutos absorvendo a atmosfera, todos os seus membros relaxando gradualmente, olhando em volta, Merlin tentou reconhecer os amigos em algum lugar provável, a esperança crescente de que nesta noite as coisas poderiam se encaixar, de alguma forma.
No entanto o que Merlin viu, acabou funcionando como um soco no estômago.
Alguns metros à frente, Merlin identificou Gwaine conversando com Mithian, e de costas para Merlin, Arthur ria deliciado com a cabeça jogada para trás enquanto um homem alto, muito mais alto do que Arthur segurava-o com um braço serpenteando pelas costas sobre os ombros do loiro. Um braço incrível, largo e forte como o tronco de um carvalho, o homem virou de lado e aproximou os lábios do ouvido de Arthur, sussurrou algo que fez o loiro parar um momento para recuperar o fôlego, depois ria novamente. Mithian observava os dois com expressão curiosa, enquanto Gwaine estava definitivamente emburrado.
Aquilo não soava bem para Merlin, ele relaxou os ombros e deu meia volta em busca da saída.
– Merlin... MERLIN!
Ele deu alguns passos em frente, porém uma mão segurou-o com força, o puxando pela jaqueta, ele virou e deu de cara com uma pequena mulher, morena de cabelos encaracolados e olhos cativantes, Gwen sorria como louca, uma bebida colorida na mão.
– Merlin, eu estava justamente tentando enviar uma mensagem para você... Meu Deus... pensei que você me deixaria aqui sozinha! - Ela disse já abraçando Merlin, com cuidado para não banhá-lo com o conteúdo do copo.
– Olá Gwen... eu... - Ele começou incerto, querendo poder sair dali sem se sentir ainda mais humilhado pelo que vira.
– Ah Merlin, vamos encontrar os outros, Lancelot está pegando bebidas, você pode ficar com um refrigerante extra que eu pedi... venha... - ela o puxou pela mão, mas Merlin estava fixo no piso. - Merlin? O que há? Vamos...
Ele tentou resistir, mas num debate interno silencioso, resolveu que seria melhor encarar a situação de frente e sair disso tudo de queixo erguido. Aceitou o puxão de Gwen e se deixou arrastar pelos metros que o separavam da mesa onde os outros estavam.
Quando Merlin chegou, sendo literalmente trazido pela mão por Gwen, ele pôde sentir que Arthur ficou tenso por alguns instantes, o homem de cabelos muito curtos, e braços expostos numa camiseta sem mangas cinza, o observou com olhos amáveis, Merlin ficou impressionado por gostar do homem no mesmo momento, e por mais que parecesse estranho, foi impossível não sorrir de volta, Merlin achava que o conhecia, mas não tinha certeza de onde poderia ser.
– Vejam quem eu encontrei - cantarolou Gwen, chamando a atenção para Merlin, Arthur se levantou automaticamente, abrindo espaço entre ele e o outro homem para que Merlin se sentasse. O moreno ficou confuso por um momento, mas passou por Arthur, não sem antes sentir seu estômago se contorcer e sua garganta secar. As bochechas de Arthur tinham uma leve coloração avermelhada, mas Merlin podia deduzir que fora de rir momentos antes.
– Guinevere encontrou você, Merlin? Eu já estava pensando que não viria... - começou Arthur, mas fora interrompido por Gwaine.
– Hey, não comece a monopolizar o cara, Princesa. - E dizendo isso se virou para Merlin. - Pensei que eu teria de ir até seu flat, Merlin... Mas obtive informações de fontes seguras que você viria...
– Obteve...? - Merlin começou, ele não queria pensar em como Gwaine obtivera alguma informação. Gwaine já o interrompia novamente. Ele não conseguia ficar dez segundos quieto.
– Este é Percival, não sei se você já o conhece, ele é o nosso chefe de segurança. - Ele disse apontando o homem que fazia Arthur rir minutos antes.
O moreno se muniu de um sorriso amigável, sim, os olhos eram familiares realmente... ele se lembrava de ter visto o homem algumas vezes na recepção, mas como ele estava com muito mais roupa e um boné com o logotipo da empresa, Merlin nunca poderia ter feito a ligação. Ele aceitou a mão que Percival esticava, e quase ficou ofuscado pelo sorriso do homem. Repentinamente Merlin pensou algo horrível.
– Você... há câmeras de segurança no prédio, certo? - Merlin perguntou, um misto de pânico e vergonha banhando seu rosto em vermelho, se Deus quisesse ninguém perceberia, pois ele escolheu uma camiseta da mesma cor.
– Certamente, milhares, eu creio, mas não lido diretamente com elas, em geral temos uma escala para observá-las. - Percival respondeu educadamente, observando o rosto de Merlin sempre. - Devo dizer que nas salas pessoais não há vigilância, apenas nas salas comuns e de reuniões, nos corredores, e no salão do terraço. - Ele informou em um tom profissional, mas sorrindo.
– Oh, hum, bem foi apenas uma curiosidade passageira. - Merlin fingiu descartar o assunto displicentemente, olhou de lado para Arthur, que admirava a mesa e sorria onisciente, o hipócrita arrogante!, Merlin praguejou mentalmente, e erguendo a voz para sufocar o próprio embaraço, falou para Gwaine. - E você? Parece chateado... nenhuma... ah... diversão hoje?
– Eu sempre me divirto Merlin, sou simplesmente irresistível, não é? - Ele falou, mas o sorriso não convenceu Merlin.
– Não ligue para ele, Merlin. - A voz de Mithian soou alegre. - Percival e eu estávamos justamente contando a Arthur que Gwaine agora tem prioridades de conquista, veja bem!
– Céus, eu diria prioridades de morte! - Arthur gargalhou, mostrando o pomo de Adão de um jeito característico que apenas Arthur fazia, o som que ele fez, deixou Merlin tão inebriado que esquecera completamente tudo o que vira quando pôs os olhos em Arthur, há poucos minutos.
Então eles estavam rindo de algo relacionado a Gwaine, e nada havia entre Arthur e Percival, Merlin sentiu o rosto enrubescer por ter sido tão tolo.
– Eu que o diga, estive lá o tempo todo e vi! Gwaine está destinado a morrer queimando lentamente, enquanto é obrigado a se alimentar com Chardonnay e salmão grelhado! - Lancelot chegava com algumas bebidas, Gwen o ajudou distribuindo as cervejas, apanhou um refrigerante entregando para Merlin.
– Eu posso ser refinado se eu quiser, sabiam? - Gwaine jogou o cabelo para trás num rodopio e encarou Lancelot com desdém fingido. Lance sorriu e foi puxado por Gwen, para sentar entre ela e Mithian. - E você Princesa, não vai beber nada?
– Não agora... talvez Merlin divida comigo... acho que ainda posso estar com sede. - Ele disse avaliando Merlin com uma sobrancelha arqueada e sorriso torto indulgente.
Estava tudo escrito no olhar e no sorriso de Arthur, Merlin sentiu que qualquer um poderia saber o que eles fizeram mais cedo, na sala de Merlin. Ele sem pensar empurrou a lata para Arthur.
– Você pode... er... se quiser... - Ele olhou apressadamente para os outros, todos distraídos por um momento, então Merlin arriscou outro olhar para Arthur, o loiro sorria de volta, apanhou o canudo, não sem antes se encaixar no ouvido de Merlin.
– Se eu quiser, Mer–lin? Você quer? - O hálito aquecido de Arthur lançou um arrepio que percorreu toda a espinha de Merlin, neste momento ele agradeceu por estar sentado, e por falta do que fazer, tomou a lata de Arthur e sugou um gole razoável de refrigerante, por um momento permitiu que as bolhas de gás brincassem na sua boca, e o líquido gelado descesse friamente pela garganta, uma tentativa desesperada de se acalmar. Arthur pegou a lata de volta e tomou um gole também, os olhos azuis cintilantes nunca abandonando Merlin.
Merlin olhou para os outros, pensando se estavam fazendo algum papel ridículo ali, mas aparentemente todos estavam ocupados. Gwaine estava distraído observando Mithian ir até Percival; Lance e Gwen conversavam sobre a bebida dela, ele passou a mão no cabelo de Gwen, colocando uma mecha do cabelo encaracolado atrás da orelha dela, ela o olhava hipnotizada, Merlin desviou o olhar para Arthur que começava a roçar a coxa contra a de Merlin sob a mesa. Ele notou o quanto suas mãos estavam suadas, se levantou, pedindo licença e se dirigiu, quase correndo, ao banheiro.
Quando Merlin saiu do banheiro, já com o rosto resfriado pela água gelada, e as mãos lavadas, ele foi barrado por uma muralha de cabelos loiros, vestindo camiseta preta colada ao corpo.
– Hey, você! - Ele chamou de forma genérica, quando Merlin retesou os ombros, Arthur sorriu em deleite, deixar Merlin ligeiramente nervoso estava virando um novo prazer secreto.
– Ah, olá Arthur... - Merlin tinha as bochechas coradas, a jaqueta escura, ajustada aos ombros, e a camiseta vermelha que destacava o cabelo preto pecaminoso; seus olhos azuis ardentes, francos; os lábios cheios, convidativos. O conjunto da imagem fez Arthur gemer internamente.
– Bem, eu... ah, gostaria de... - disse apontando para a pista - dançar, sabe? Mexer um pouco, algo assim.
– Oh... sim, claro... bem, não quero atrapalhar você. - Merlin disse e virou de costas para Arthur, dando um passo à frente.
– Não, você não me atrapalha! Eu gostaria de dançar... na verdade eu gostaria de dançar com você. - Arthur disse e sorriu, se sentindo um pouco estúpido, Deus, isso soa realmente muito estúpido.
– Você... veio até aqui procurar por mim? - Merlin disse de forma tão carente, que Arthur quis chutar a si mesmo.
– Por que eu estaria na porta do banheiro masculino, se não fosse para procurar por você, Mer-lin? – Arthur respondeu com irritação teatral.
– Arthur, você não precisa... não por causa das coisas que aconteceram... está tudo bem. -Merlin riu baixinho, porém o desprezo era alto e claro - olhe só... você não tem que fazer o que não quer, por causa de alguns amassos, isso é tudo. - Ele cuspia as frases nervosamente, frieza pendurada em cada palavra.
Empertigado, Merlin passou por Arthur e andou agilmente em direção à saída da boate, o estômago de Arthur despencou, e ele precisou de um momento para se reorganizar.
– Merlin... não - ele tomou uma respiração profunda, aquilo poderia ser mais difícil do que ele esperava - você não entende... eu... você é lindo... eu realmente quero estar com você... - Arthur o alcançou muito próximo da porta.
Merlin virou a cabeça tão rápido que poderia ter distendido o pescoço, por um longo momento observou Arthur com os olhos azuis escuros, arregalados em perplexidade. Ele exalava em cada poro incredulidade suficiente para fazer o coração de Arthur doer no peito, será que Merlin não entendia?
– Você é sexy em qualquer lugar. - Ele disse simplesmente, as mãos um pouco trêmulas, se sentindo levemente quente. - Aqui, na sala de reuniões, no Pub, no flat... na calçada...
– Isto é abstrato - a voz de Merlin era opaca, desdenhosa, porém os olhos brilhavam e sua respiração oscilava suavemente, e isto deu uma coragem extra para Arthur.
– Eu não penso assim - disparou pretensioso, e munido de toda sua perseverança, Arthur chegou bastante perto, dizendo brandamente - Você é incrível, eu realmente acho... Deslumbrante. Uma tentação masculina absoluta. Você realmente não entende?
As palavras ardentes soaram indecentes e promissoras, Merlin corou fervorosamente de antecipação. Ele admirou por alguns instantes os próprios pés e pensou em o quanto era insano ouvir isso de Arthur, entre todas as pessoas do universo, era Arthur Pendragon que dizia, Lord Impressionante... mas por quê?
– O que você quer de mim, Arthur? - O pensamento e a dúvida escorreram entre seus dedos subitamente, pois quando ergueu o olhar para Arthur o encontrou próximo demais.
– Francamente Mer–lin, nem mesmo você consegue ser tão idiota. - Arthur lambeu os lábios, o nervosismo dando lugar ao doce anseio. – Volte e dance comigo - ele disse indicando com o queixo a pista de dança -, apenas por alguns minutos e vamos embora, eu tenho uma promessa a cumprir.
Arthur apontou dois dedos para seus próprios olhos, e depois os apontou para Merlin, deixando claro as suas intenções. Ele o queria. Ele faria o que fosse necessário para tê-lo, porém Merlin não se entregaria tão fácil. Ou pelo menos ele tentaria bancar o idiota... maldita atração, e mil vezes maldita insegurança.
Arthur deu as costas, e saiu andando em direção à pista de dança, deixando para Merlin a decisão de segui-lo, a Merlin só restou respirar fundo, e acompanhá-lo.
Arthur se posicionou logo abaixo de um globo de luzes, ele começou a se mover lentamente, no ritmo da música, hiperconsciente de tudo o que era capaz de fazer com o próprio corpo, a luz o deixando ainda mais deslumbrante, ele mexia os quadris e os ombros suavemente, o cabelo dourado resplandecia e o sorriso era predatório, ele olhava diretamente para Merlin, ergueu a mão para tomar a do moreno, o incitando a se juntar a ele.
Merlin não poderia resistir, se perder ali era uma agradável opção, ainda um pouco embriagado pela visão que tinha, ele segurou a mão oferecida de Arthur, foi puxado e se chocou contra o peito do loiro, repentinamente eles dançavam juntos, os quadris em sintonia, Arthur se arqueou e roçou deliberadamente a virilha na coxa de Merlin, todo o calor que emanava de Arthur atravessou o jeans e foi direto para o pênis de Merlin, o deixando desnorteado por um momento, aproximou o rosto de Arthur e lambeu a mandíbula já suada do loiro.
Arthur sentiu a pressão suave das mãos de Merlin atrás do seu pescoço, e a umidade que a língua dele deixava, como um rastro até o seu queixo, ele arriscou um passo de dança mais elaborado, girando e ficando de costas para Merlin, tudo na verdade apenas consistia em enlouquecer Merlin e a ele mesmo. Merlin afundou o nariz nos cabelos de Arthur, um cheiro amadeirado e refrescante que fez o pênis latejar deliciosamente, a música ficou mais calma e Arthur voltou a ficar de frente para Merlin, eles se encararam por alguns instantes, ainda se movendo ao som da música, Arthur segurou o rosto de Merlin com ambas as mãos e o puxou para um beijo.
Ele deixou os dedos entrarem profundamente no cabelo sedoso do moreno, o bagunçando ainda mais, ele o beijou lentamente, não o beijo desesperado de desejo das outras vezes, agora era um beijo calmo, sorvendo aos poucos o sabor que Merlin oferecia, as línguas se conhecendo como se fosse o primeiro beijo. Merlin virou o rosto e aprofundou o beijo, Arthur pôde sentir um pouco de impaciência nesta atitude, mas ele revidou unindo os corpos e dançando ainda mais juntos, provocativamente, nunca soltando o cabelo de Merlin. Ele deslizou do beijo por um instante e começou a provar o suor que escorria pelo pescoço do moreno, a pele de Merlin era pálida mesmo sob a luz psicodélica da boate, o cheiro, que agora Arthur já sabia reconhecer, era de pinho e algo suavemente doce. Arthur o beijou novamente, ele agora sofria de um magnetismo crônico pela boca de Merlin, Arthur o queria para si, queria se saciar dele por inteiro, quanto mais o provava, mais ansiava para tê-lo, uma certeza crescente a cada instante.
O beijo desarmou Merlin completamente, toda a insegurança escoada pelo afeto que Arthur expunha tão propriamente com um simples e retumbante gesto, sem palavras. Ele beijou de volta tentando prolongar o tempo, enaltecido pelo sentimento de ser querido, um sentimento ainda não dito, mas gritante, e cada mergulho de língua na boca um do outro era uma comprovação de o quanto ansiavam para que se tornassem um só, o quanto desejam que completassem um ao outro.
Quando a terceira música iniciou, Arthur puxou Merlin através da multidão, em direção à saída.
- X -
Já na rua, os cabelos de Arthur reluziam com a parca iluminação de um poste na calçada, ainda embevecido com os sentimentos que o assaltavam, Merlin sabia que eles precisavam conversar, mas ele queria se perder por mais alguns momentos naqueles lábios quentes e alucinantes que Arthur oferecia. O loiro passou a mão pelos cabelos dourados, os arrepiando e deixando a testa completamente exposta, respirou fundo mostrando também um lado dele completamente novo para Merlin, um lado frágil.
– Sabe, eu não sei bem como dizer, mas eu sinto sua falta, não tenho palavras para dizer o quanto tenho tentado me aproximar de você, Merlin... mas você parece que fecha todas as portas...
– Eu não entendo Arthur... naquela noite, quando você saiu, eu achei que não havia significado nada... masturbação mútua, diversão... nada relevante...
– E achei que poderia ser isso... mas... há algo sobre você, Merlin... não sei o que acontece, quando você me tocou, foi... eu não sei como, só sei que algo mudou...
– No entanto você não me procurou mais. – Merlin disse acusadoramente, e se arrependeu no instante em que a frase terminou. Arthur tinha os olhos brilhantes e voltados para o chão.
– Eu sei, Merlin, me desculpe, eu só... não conseguia entender, precisei de um tempo para pensar, e fiz... eu pensei.
– Arthur... eu... eu também tenho pensado, para dizer a verdade tenho pensado mais do que seria saudável para um homem da minha idade, e é isso que me assusta.
– Me assusta também, nunca senti algo assim, não dessa maneira... já me envolvi com pessoas, mas nunca ansiei tanto por alguém... Merlin, eu... eu fiz coisas... sinto coisas que saíram do meu controle, agora cada minuto que não estou com você é como se fosse uma vida inteira no vácuo. E isso dói, entende? Porra, dói o tempo todo... não ter você, não ouvir sua voz... eu sinto falta de algo que nem mesmo cheguei a ter.
– Eu não podia imaginar...
– Claro que não, seu idiota... eu sou o observador aqui, não é? Observei você todo esse tempo... sorrindo para Lancelot, amigável demais com Gwaine, rindo à vontade com Mordred... Jesus, essas coisas foram me enlouquecendo aos poucos...
– Oi! Você não pensou que eu estava saindo com algum deles, não é? – Ao ver as sobrancelhas de Arthur erguidas exageradamente, Merlin deu um bufo indignado. – Meu Deus, Arthur... Lance e Gwaine são meus amigos!
– Desculpe se eu fiquei um pouco louco, acho que é justamente sobre isso que estamos falando.
– Tudo bem, Arthur, mas eu só não entendo uma coisa: Por que eu? Sério, há vários caras, melhores em todos os aspectos... por que eu?
– Merlin, você tem um problema de insegurança, certo? Eu realmente quero você. No início pensei que era apenas uma conquista, mas você já era algo que me enlouquecia, você realmente não tem ideia... e depois daquela noite, no seu flat... Deus... eu não posso parar de pensar em você um minuto... eu... é tão ridículo...
Arthur deu um passo à frente, eliminando o espaço que os separava, segurou o rosto de Merlin, juntando suas testas, e de olhos fechados, falou com a voz muito baixa e rouca.
– Você não me quer Merlin? Se não quiser, saímos desta como amigos e voltamos às nossas vidas sem ressentimentos, mas se você me quiser, eu juro que vou fazer valer a pena cada minuto.
Merlin sentiu o poder de cada palavra, os dedos de Arthur firmes nos seus cabelos, e os corações de ambos batendo freneticamente. Arthur certamente falava sério, e Merlin o queria, tanto que chegava a doer.
– No seu flat ou no meu?
– Seu pervertido... – Arthur sorriu lentamente, soltando todo o ar que tinha nos pulmões - no meu, é mais perto. Dez minutos de caminhada, duas quadras para a direita.
Merlin pegou Arthur pela mão e saiu na direção indicada.
– Espere, Merlin! Isso... isso foi um sim?
– Quem tem problemas de insegurança agora? – Merlin sorriu desafiadoramente, segurando firme a mão de Arthur, o arrastando pela rua, concentrado em chegar ao destino.
