Cap. 6: Coisas Que um Anjo Não Deve Fazer

_Hey, Cas... – apareceu sorrindo, vestindo o vestido vermelho com brilhos que tinha visto na loja, uma semana atrás. – Ta a fim de fazer uma loucura? – e riu safado, pegando na mão do anjo, os olhos verdes brilhando em expectativa.

_O que você quer dizer com isso? – e tombou a cabeça para o lado, deixando os olhos pousados nas mãos juntas, sentindo o coração começar a bater mais forte.

_Ah, sei lá. – e deu de ombros, sorrindo de um jeito que fez o anjo encarar seu rosto, como se nunca tivesse realmente olhado para ele. – Vamos sair, pra um bar ou uma... Como é que eles dizem? – disse animado. – Balada! – respondeu a si mesmo.

_Está tarde, Dean. – disse olhando para fora e vendo o preto no céu.

Lembrou-se do que Sam dissera, enquanto Bobby estivesse fora, ele e Cas deveriam cuidar de Dean, não deixá-lo sair desacompanhado, tinham feito até mesmo ronda, para ver se o loiro não escapulira a noite, mas ele sempre dormia feito um anjo.

_Ah, Cas! – e jogou-se no sofá emburrado. – Eu preciso sair um pouco, não quero ficar enfurnado aqui dentro! Não tem nada pra fazer, e como o Sam precisou sair eu pensei que talvez você quisesse dar um volta, porque eu sei que eu sou um porre... Só preciso... Sair. – disse, os olhos verdes encarando o anjo, um pedido mudo para que Castiel o levasse para se divertir.

Dean tinha os braços cruzados, o vestido vermelho tomara-que-caia combinava com a pele branca e um pouco sardenta dele, os cabelos loiros compridos estavam ondulados e, Castiel não sabia como ele tinha conseguido fazer, mas, Dean estava maquiado, e bonito!

_Bem, – e levantou, entortando um pouco o pé por causa do salto preto, mas logo recuperando a postura. – então vou ter que ir sozinho. – e deu de ombros, passando a mão pelo vestido brilhante e logo arrumando o cabelo. – Não me espere antes das três.

Castiel ficou com medo do que quer que fosse, que estivesse passando pela cabeça de Dean e achou melhor acompanhá-lo.

_Espere, eu vou com você. – disse, ainda receoso, vendo o sorriso de Dean aumentar.

_É isso aí... Eu já tenho um lugar em mente! – e sorriu ainda mais, a boca vermelha e carnuda se angulando de um modo sedutor que fazia o anjo sentir suas pernas cederem.

Se arrependeu amargamente de ter concordado com aquilo ao ver o neon rosa mostrando a forma de uma mulher beijando outra. Arregalou os olhos azuis ao ver Dean dar mais uma olhada no espelho do carro para então abrir a porta do Impala e sair.

_Vamos mesmo entrar aqui? – perguntou receoso, olhando para os lados, vendo vários casais de mãos dadas, casais gays.

_Claro, tem que ter alguma coisa boa em estar no corpo de uma mulher. – e piscou, pegando na mão do anjo e indo até a boate.

Esperaram na fila por uns dez minutos até que chegou a vez deles, Dean segurava forte a mão do anjo, sentindo a palma calejada dele em suas mãos femininas e macias agora.

_Quanto é a entrada? – perguntou, sorrindo para o segurança.

O homem moreno e enorme sorriu para Dean em resposta, molhou os lábios carnudos e mexeu na corrente grossa que tinha um cifrão.

_Mulheres é meia, mas como você é muito linda... Eu sou obrigado a te deixar passar sem pagar.

_Obrigado. – e então se corrigiu. – Obrigada. – tinha que se acostumar a passar as palavras para o feminino, pelo menos por enquanto.

Puxou Castiel com ele, mas uma mão morena segurou o peitoral do anjo.

_Homem é R$ 15,00. – disse ele e Castiel arregalou os olhos, não tinha dinheiro, afinal, não usava.

_Eu não tenho dinheiro, Dean. – disse.

O loiro colocou a mão no meio dos seios e tirou de lá uma nota de vinte reais, deu para o segurança e disse que não precisava troco. Sorriu, piscou e puxou o anjo.

Castiel se sentia completamente deslocado ali dentro, era tudo tão... Confuso. As pessoas se misturavam lá dentro e ele praticamente não conseguia distinguir quem era quem ali. Era guiado apenas pelas mãos do caçador.

Seu olhar desceu pelas costas dele, mesmo que não fosse tão claro ali, podia distinguir a pele branca com sardas pequeninas, os pelos aloirados que pareciam brilhar quando os flashes de luzes se concentravam no loiro.

Olhou para o lado, vendo algumas mulheres olharem com interesse para a loira baixinha que tentava passar pela multidão, algumas apontavam com os dedos e outras apenas faziam sinais.

Dean não parecia atento a isso e Castiel tentou não dar nenhuma importância, embora algo queimasse em seu estomago.

_Vamos nos sentar ali? – o loiro tinha se virado de repente e apontava para o bar, a boca bem perto de seu ouvido por causa do puxão que tinha dado para que o anjo ficasse, pelo menos um pouco mais baixo.

Castiel respirou fundo, tentando sentir mais daquele cheiro bom que parecia emanar da pele do outro e impregnar tudo ao redor. Concordou, sem nem mesmo olhar para o local que ele apontava.

Andaram a passos curtos, Dean empurrando quem quer que estivesse na frente, arrastando o anjo a tiracolo, como se fosse um bagagem. Se certificava sempre que ainda era a mão do moreno que estava segurando, não queria perdê-lo, e isso não se aplicava somente aquele momento.

Dean não queria perde-lo nunca.

Castiel puxou a banqueta para que o loiro sentasse e viu as bochechas dele se avermelharem, mordeu os lábios e deu um mini sorriso, aquilo estava ficando tão frequente que Castiel por um momento temeu, mas ao ver que o outro lhe retribuía o sorriso, deixou que os lábios se repuxassem mais e mostrou os dentes brancos, num sorriso completo.

_Puxa, Cas... Assim você me mata! – disse muito baixo, mas o anjo ouviu.

_O que Dean? – e tentou expressar confusão, colocando a mão no ouvido, como se não tivesse escutado o que ele tinha dito.

_Ahhh... Nada não! – respondeu alto, agradecendo a música ensurdecedora.

O anjo sorriu de volta e Dean se virou para o atendente, engolindo em seco por deixar aquilo escapar tão... Como ele poderia expressar? Tão normalmente, sim essa era a palavra.

Limitou a pedir uma cerveja e Castiel pediu o mesmo, surpreendendo o loiro, já que nunca tinha visto o anjo beber. O barmen logo trouxe os pedidos e Dean se surpreendeu de novo ao ver o moreno entornar a bebida, como se fosse água. Castiel pediu mais uma.

Um humano, normalmente, sente os efeitos do álcool depois do oitavo copo, Castiel se perguntava internamente, quantos copos ele deveria tomar para começar a sentir, quantos copos deveria entornar para ter coragem de fazer aquilo que sua mente lhe acusava de querer tanto.

Pensou em Sam, viu o moreno alto em sua cabeça, dizendo-lhe para cuidar de Dean.

Pensou por um momento se não era errado aquilo, se não estava traindo a confiança de Sam, por estar querendo o irmão dele, mas estas perguntas evaporaram de sua mente ao ver o loiro morder os lábios vermelhos e colocar uma mecha do cabelo loiro para trás da orelha, fios loiros brilhantes que não demoraram a voltar para onde estavam, ignorando o comando anterior.

Castiel sentiu a garganta secar e ele tomou mais um gole de cerveja, desejando ficar bêbado o mais rápido possível, mesmo sabendo que isso não era possível, embora pudesse sentir alguns dos efeitos. Nunca ficaria bêbado completamente.

Estava a ponto de dizer ao loiro para irem fazer outra coisa quando uma ruiva alta, pele muito branca e de olhos muito verdes chegou junto deles, Castiel sentiu-se incomodado ao ver o modo como ela olhava para Dean. Como se quisesse come-lo vivo.

_Oi, linda. – ela sorria para Dean. – Você já veio aqui antes? – perguntou, escorando quase em cima do loiro.

Ela estava de costas para Castiel e o anjo teve vontade de dizer que Dean não estava interessado, mas e se ele estivesse? Sentiu o coração acelerar com a possibilidade e tratou de prestar atenção na conversa.

_Não, não... Na verdade é a minha primeira vez. – e sorriu, cruzando as pernas, vendo o olhar da ruiva se focar em suas coxas. Aquilo era divertido. – E você?

_Bem, podemos dizer que eu sou... – e passou a língua pelos lábios. – Assídua.

_Você é muito linda... – comentou, pronto para continuar e dizer que ela não era o tipo de mulher que estava procurando.

_Obrigada. – ela cortou. – O que acha da gente dançar? Ou dar uma volta lá fora? – e sorriu mais uma vez.

Dean olhou por cima dos ombros dela, Castiel tinha os olhos arregalados na direção deles, podia ver escrito na face do anjo o desespero dele, como se pudesse desintegrar a moça se Dean ao menos pensasse em aceitar aquele convite.

_E então? – ela perguntou, esperando uma resposta.

_Hmm? Ah... – e mordeu os lábios, sabendo que ia se arrepender depois. – Eu acho que ainda está muito cedo, me desculpe. Eu vou beber mais algumas cervejas e aí quem sabe?! – e encolheu os ombros, tentando se expressar o mais parecido com uma mulher.

Seus olhos verdes voltaram para a face de Castiel e ele parecia entre aliviado e satisfeito, a mulher disse um 'Tudo bem' e então saiu. Dean tomou mais um pouco de cerveja e viu Castiel encarando o copo.

_O que foi Cas? – estava curioso.

_Você queria ir dançar com ela Dean? – mas não olhava para ele enquanto perguntava.

_Ahhh, Cas! – e deu de ombros. – Não tem importância.

Sentiu as mãos suarem e tirou o sobretudo e o paletó, afrouxou um pouco a gravata, tudo sob os olhares atentos de Dean. Tomou mais um gole da cerveja e levantou.

_Vamos dançar? – perguntou e a boca de Dean se abriu, Castiel era surpreendente.

_Claro. – e sorriu, também levantando.

Sentiu a mão de Castiel pousar em seu quadril enquanto o guiava para a pista de dança. As bochechas pareciam queimar de vergonha, mas tentou ao máximo se manter firme, com certeza precisava de mais cinquenta copos de cerveja para que aquela vergonha passasse.

Pareceu obra do destino, mas assim que se encaixaram no meio de toda aquela gente, uma musica lenta começou a tocar e o DJ anunciou que aquela música era especial para o namorado dele, dizendo que estavam juntos a mais de quarto anos e que ele nunca tinha sido tão feliz antes, disse que Roberto (o namorado dele), era a pessoa mais especial do mundo e que queria passar o resto da vida com ele, disse que o amava.

Dean sorriu enquanto encostava a cabeça no peito largo de Castiel, fechou os olhos e discordou do DJ. A pessoa mais especial do mundo estava ali, com ele nos braços, o abraçando e se embalando (meio desajeitado) no ritmo da música.

Não pareceu durar tempo suficiente para eles, e Dean sentiu que uma parte sua o estava deixando quando a música parou e o anjo se afastou minimamente, perguntando se ele queria voltar para o bar ou ir embora. Dean não queria, nem voltar nem ir embora, queria ficar dançando com Castiel, sentindo seu corpo perto do dele.

_Vamos voltar. – disse por fim e seguiu o anjo que dessa vez ia abrindo caminho, as mãos puxando as de Dean.

Sentaram-se e Dean pediu mais bebida, Castiel dessa vez recusou. Estavam conversando quando um homem loiro de olhos verdes e boca carnuda chegou ao lado deles, pedindo uma cerveja. Dean ainda esperava Castiel lhe responder, mas de repente os olhos do anjo não estavam mais fixos em sua face, parecia que outra coisa tinha roubado a atenção dele.

Castiel parecia encantado e Dean fechou a cara ao ver o homem parado atrás de si, que era para onde os olhos do anjo tinham ido. O loiro estava escorado no balcão, sorria e soltava piadinhas aleatórias para os dois barmens que estava ali e eles sorriam de volta, tão enfeitiçados quanto o anjo.

Ele era muito parecido com Dean, o modo de se comportar, o sorriso safado sempre presente, não conseguia desviar os olhos dele, mesmo sua mente o acusando o tempo todo de estar confundindo tudo. Aquele ali não era Dean, o caçador estava na sua frente, no corpo de uma mulher, mas Castiel sentia falte delE.

Arregalou os olhos e sentiu as bochechas pegarem fogo, os olhos dele, aqueles olhos incrivelmente verdes estavam sobre si, o olhando e então o sorriso, aquele simples angular de lábios que não dizia nada, mas dizia tudo, como se fosse misterioso demais para ser desvendado.

Castiel sorriu para ele, baixando os olhos em seguida, sentindo-se enfartar naquele receptáculo.

_Oi. – a voz forte fez Castiel levantar os olhos. – Eu vi você aqui... Está sozinho?

_Não, eu... – e apontou para Dean.

_Ah sim, sua amiga? – e beijou os dois lados da face de Dean, que continuava com cara feio para o homem. – Eu sou o Ian e você?

_Castiel. – disse.

_Hum, que diferente. Eu gostei. – e sorriu. – Você quer uma bebida? Eu pago para você.

Olhou para Dean, mas o loiro estava encarando o copo, queria pedir para ele, queria ver se Dean o deixava tomar uma cerveja, mas não tinha como ver a face dele, os cabelos loiros compridos, não deixavam que ele visse.

_Acho melhor não. – respondeu e viu o sorriso de Ian murchar.

_Hum, ok! – disse e então pegou uma caneta e anotou alguns números no guardanapo. – Me liga! – e entregou o papel para o anjo. – Quando quiser... Eu gostaria muito de te conhecer, muito mesmo. – enfatizou e Castiel fez que sim com a cabeça.

Dean pareceu irritado depois que Ian saiu dali, não respondeu a nenhuma das perguntas do anjo, estava a ponto de levantar para ir embora quando uma morena sentou-se ao seu lado e encarou sua face.

_O que é? – perguntou, franzindo o cenho.

_Nada! – ela respondeu, dando de ombros e então pegou o copo de Dean, tomando um pouco da cerveja dele. – Você já veio aqui antes?

_Olha, já me passaram essa canta...

_Quer ter um orgasmo hoje? – ela foi direta.

Dean arregalou os olhos e Castiel levantou da banqueta, o corpo tenso ao pensar na possibilidade do loiro dizer sim.

_Eu adoraria. – disse olhando para o anjo e então depois se concentrando na morena.

_Então vamos. – e desencostou-se do balcão, pegando Dean pelas mãos.

Castiel olhou exasperado para a morena que puxava Dean, que estava tirando o loiro dele. Foi atrás, pegou no pulso do loiro e o puxou fazendo com que ele parasse de andar e se virasse para encará-lo.

_Dean... Eu não quero que vá com ela. – disse segurando o pulso dele.

_Por quê? Eu preciso curtir isso... Pelo menos tem uma coisa boa em estar num corpo feminino. – disse, ainda irritado.

_Tá, mas... Eu... Você...! – e baixou os olhos. – Esquece.

_Não, Cas... O que foi? Eu e você o quê? – perguntou encarando os olhos baixos dele.

_Você me machuca fazendo isso, Dean, eu sinto... Como se... – e mordeu os lábios, balançando a cabeça negativamente. – Por favor, não se importe com isso... Vá com ela.

_Como acha que me senti quando você estava conversando com aquele Ian? Hein? – acusou e Castiel arregalou os olhos lembrando-se do homem loiro.

_Me desculpe, Dean.

_Não Cas, eu não desculpo! Porque você me trocou por ele lá!

_Mas eu não...

_Não importa, eu não quero saber! – e cruzou os braços.

A morena olhava de um para o outro, sem entender o que estava acontecendo, afinal, ali era uma boate gay, geralmente casais héteros não frequentavam a boate, aquela parecia ser uma exceção, porque com certeza eles eram um casal.

_Dean...! – sussurrou. – Me desculpe. Eu vou voltar para casa, se o Sam chegar eu invento alguma coisa. – e virou as costas.

Se ainda tivesse seus poderes teria sumido dali, mas não podia, então simplesmente abaixou a cabeça e se pôs a andar, estava alcançando a porta quando sentiu mãozinhas segurarem em seu sobretudo, virou-se e viu a cabeleira loira dele, o corpo magro e pequeno chocar-se no seu, abraçando-o.

_Eu quero ir pra casa com você Cas. – ouviu ele dizer e sorriu.


N/a: Oie gente! *acena igual doida* esse capitulo é pra Lia Collins, espero que tenha gostado, deixem review e até o próximo. Beijão.

PS: Prometo tentar não demorar no próximo, mas sacomé né?!