Capítulo 6
Edward estacionou em frente a uma loja de aspecto acolhedor. Nem bem girara a chave da ignição, Bella pulou do carro e foi olhar uma vitrine cheia de camisetas das mais variadas cores e tamanhos. Edward juntou-se a ela e então começaram a andar de mãos dadas.
Sendo filha única, Bella nunca tivera irmãos ou irmãs com quem brincar enquanto seus pais passeavam de mãos dadas. Sempre se sentira muito só. Até aquele momento, porém. E como estava feliz agora!
Bancos se alinhavam ao longo das calçadas, junto aos velhos postes. Edward fora sábio ao sugerir aquele passeio. Bella precisava mesmo sair do bar um pouco, não apenas para descansar como também para escapar da tensão sexual que parecia estar sempre à tona.
Em Cave Cove, havia todo o tipo imaginável de lojas para turistas. E lá, ao ar livre, ela podia relaxar, aproveitar o dia, e também aproveitar a companhia de Edward sem pressão e audiência.
A cidade estava vazia por causa da hora, cedo demais. Sendo, assim, as ruas e as lojas eram só pra eles. Na esquina havia uma pequena joalheria, com as jóias bem-arrumadas na vitrine. Bella parou para ver.
— Vamos continuar andando — disse Edward, puxando-a suavemente pela mão. — Há dezenas de lojas iguais a esta nestas ruas.
— Mas aqui estão oferecendo trinta por cento de desconto.
— Todas as lojas dão esses trinta por cento. — Edward riu. — Competição, minha cara. Qualquer negócio se mantém graças a isso. É o segredo para convidar as pessoas a entrar.
— Então vamos entrar aqui — Bella insistiu.
— Se você quiser... Mas lembre-se de que há muitas lojas que você não terá chance de visitar se passarmos o tempo todo nesta.
— Quer dizer que já está cansado de ver vitrines?
— Eu disse isso, por acaso?
— É bem sabido que homens detestam fazer compras.
— Uma estatística da qual tenho orgulho de fazer parte. Mas não hoje. Venha. — Ainda de mãos dadas, eles entraram na loja.
Bella tremia, emocionada. Edward percebeu e passou o braço em volta de sua cintura. Uma estranha sensação, que ela não saberia descrever, apoderou-se dela. Se acreditasse em auras e premonições, diria que atingira o momento crítico de sua vida, diria que qualquer decisão que tomasse naquele momento influenciaria pelo resto de seus dias. Ridículo, pois não acreditava nessas coisas.
Afastando o pensamento, começou a examinar as jóias, em especial os anéis. Um chamou sua atenção. Era de prata, cravejado de turquesas.
— Viu alguma coisa de seu gosto? — uma vendedora lhe perguntou.
Como Bella não respondera nada, Edward chamou-lhe a atenção:
— Querida?
Bella assustou-se pelo fato de Edward, ao chamá-la de "querida" assim em público.
— Ah, desculpe, eu estava distraída. Aquele anel é lindo — ela respondeu à vendedora.
— É lindo, de fato — a balconista repetiu. — Vendo com freqüência anéis desse tipo para noivos como vocês. O nome dele é "Beijo".
Como Edward não corrigira a vendedora por confundi-los com noivos, Bella decidiu falar:
— Nós não somos...
— É claro que vamos comprar — disse Edward, interrompendo-a. Assustada, Bella fitou-o atentamente. O olhar dele era sincero, calmo, apaixonado.
Apaixonado!
Ela teve vontade de sair correndo da loja, em pânico. E teria de fato feito isso se Edward não houvesse colocado a mão firmemente em seu braço, sussurrando-lhe ao ouvido:
— Esta semana é para fantasias. Deixe-me ter esse luxo.
Bella não sabia se devia rir ou chorar.
Por causa da indecisão momentânea, a vendedora falou:
— Você pode ter certeza de que, usando esse anel, seu casamento durará para sempre. Cada casal que o comprou terá condições de testemunhar a veracidade do fato.
— O que a faz pensar que somos noivos? — Bella resolveu perguntar. Estava curiosa.
— Reconheço os sinais. A proximidade — a vendedora prosseguiu, apontando para a mão de Edward pousando possessivamente sobre o ombro de Bella. — O modo como ele a olha quando você não está olhando, o modo como você se encolhe toda junto dele... Duas metades fazem um todo.
— Você não tem o aspecto de uma cartomante — murmurou Bella, fazendo com que Edward risse alto.
— Ora, Bella. Quer o anel ou não quer? — Sem esperar pela resposta, ele pôs a mão no bolso e tirou da carteira um cartão de crédito. Bella lançou uma olhada rápida e conseguiu ler o último nome, "Cullen", antes de Edward passá-lo para as mãos da satisfeita vendedora. Então Cullen era o último nome dele, pensou, armazenando a informação com o resto de suas lembranças.
— Com licença — Bella disse à vendedora —, espere um segundo antes de ultimarmos a compra.
E ela conduziu Edward a um canto da loja.
— Sobre o anel...
— Mudou de idéia, Bella?
— Não, mas...
— Quer experimentá-lo, antes? Eu devia ter pensado nisso.
— Não... É que... — Bella não queria ofendê-lo, mas sabendo que ele era um barman e que... — Você nem perguntou o preço!
— Não seria necessário. Vi o brilho em seu olhar no instante em que avistou o anel.
— Mas, Edward...
— Temos trinta por cento de desconto — ele a lembrou. — Quanto poderá custar? Deixe-me fazer isso para você, Bella.
Encarando-o, Bella pôde ver o quanto aquilo significava para Edward. Não poderia desapontá-lo. Se ao menos o anel não lhe servisse... Teria uma desculpa para recusá-lo sem ofendê-lo. Voltando ao balcão, ele apanhou o anel e disse:
— Sempre que tocar neste anel, pense em mim.
Antes que Bella pudesse protestar, ele colocou o anel no dedo da mão esquerda e beijou-a. Serviu com perfeição, como se tivesse sido feito por encomenda. Ela não sabia mais onde a fantasia terminava e a realidade começava. Mas, enquanto Edward a abraçava, a tocava e a beijava, enquanto a tratava como se a amasse, não se importaria em saber.
— Obrigada — sussurrou.
— Meu prazer. — Ele ergueu-lhe a mão. — Ficou lindo em você. Pronta agora para seguirmos viagem?
Olhando para o homem ao seu lado, para o homem generoso dentro do corpo sexy, ela concluiu que Edward a encantava. Podia não saber detalhes quanto ao modo como ele vivia, mas começava a pensar que o conhecia no que considerava importante.
— A que distância estamos da taberna? — perguntou.
— Mais uma meia hora. Por quê?
— Porque estou faminta.
— Não pode estar faminta de comida. Acabamos de comer.
— Do que mais se pode estar faminta? — Bella riu.
Mas, quando deparou com o olhar apaixonado de Edward, o riso morreu em seus lábios. Deu-se conta do que ele desejava, e seu próprio corpo entendeu e reagiu. Um formigamento no ventre, um aperto nos seios, e uma necessidade crescente no coração.
— Carlisle deixou um chili na geladeira do bar. Você prefere bem apimentado? — Edward perguntou.
— Prefiro.
— Sabe o que eu mais adoro em você, Bella?
— Meu grande coração?
— Não, seu estômago ainda maior.
Rindo, Bella disse:
— Ninguém pode viver sem comida.
— Eu sei.
Bella esperou que ele assinasse o comprovante de compra e colocasse o cartão de crédito no bolso. Em seguida foram para o carro, ela com o anel no dedo e a mão na dele.
Quando estava com Edward, sua felicidade era completa. Mas sabia que aquela felicidade não duraria muito... Por isso precisava se lembrar o tempo todo de que a vida deles, um ao lado do outro, não passava de uma fantasia.
Bella estava atrás do balcão do bar, preparando os aperitivos para a noite. Já era sábado. O tempo corria rápido.
A última noite fora uma típica sexta-feira da taberna. Casa cheia. Bella não se queixara, apenas trabalhara até o fechamento enquanto Edward passara a noite observando-a. Ela nem ao menos tivera tempo de trocar de roupa.
Não sabendo se Bella estava ou não de sutiã, Edward se preocupava. Os freqüentadores do bar não eram cegos e ela era nova no local. Só isso seria um motivo de interesse maior. Ele se perguntava se eles também observavam os movimentos dos seios dela subindo e descendo enquanto trabalhava. Ele passara metade da maldita noite enxugando o suor da testa e tentando se lembrar de que prometera a si mesmo ter controle.
O que não era fácil, levando-se em consideração que Bella roçava nele cada vez que passava por perto. E mesmo que não o fizesse, o aroma de morango do seu perfume predileto era inconfundível.
Na véspera, Bella dormira antes de ele subir para o quarto. Após uma noite de insônia, Edward acordara perto do meio-dia no sábado. Bella ainda dormia. Por isso ele aproveitara a oportunidade para ir a seu balneário. Voltou ao Hungry Bear a tempo de abri-lo.
Bella não fizera perguntas sobre sua ausência e ele não se sentira obrigado a explicar. Outra característica dela que Edward descobrira: confiança incondicional e compreensão. Perguntava-se de que modo ela receberia a verdade sobre quem ele era, quando a revelasse.
Bella o perdoaria? A mulher cansada, que aparecera no bar de repente, o perdoaria? A mulher sensível que confiara nele, a mulher com fortes sentimentos e valores familiares que lhe causara profundas impressões, o perdoaria? Não que ele se esquecera das curvas daquele corpo sensual sob suas mãos, ou do modo como correspondia a seus agrados. Mas, muito mais do que o corpo perfeito, a personalidade de Bella o atraía agora.
O passeio da véspera fora um erro. Em vez de ficar longe dela, aproximara-se ainda mais. A cada instante em que se virava lá estava Bella... Ela se encontrava também em seus pensamentos, em seus sonhos e... Em seu futuro?
Durante toda a noite da véspera, sentira a aproximação de Bella – ora as pernas longas roçando nas suas, ora o aroma de morango envolvendo-o. Como manter distância se ela continuara com o roçar inocente, com a risada suave, com as perguntas sobre como se portar com fregueses que lhe contavam piadas íntimas?
Edward achava que não podia agüentar aquilo nem por mais um minuto. Quando ela chegou perto, segurou-a pela cintura.
— Oh! — Bella deu um pulo. — Não se esgueire perto de mim desse jeito.
— Por que não? Foi o único jeito que encontrei de falar com você.
Imediatamente ela abraçou-o e se corrigiu:
— Tudo bem, tudo bem, pode me abordar como quiser.
— Telefonei para Tânia que me declarou ser impossível vir trabalhar esta noite.
— E daí? — Perguntou, pegando uma azeitona e colocou-a na boca de Edward.
Ele mordeu-lhe a ponta do dedo. Uma mordida suave, mas o suficiente para que os olhos dela brilhassem de desejo. Edward sorriu e disse:
— Quer dizer que ainda estou sem ajudante.
Bella estendeu-lhe ambas as mãos.
— E o que é isto se não duas mãos desejosas de ajudar? — E ela deslizou as mãos sob a camisa de Edward, pousando-as no tórax firme. Bella sentia-se mais à vontade depois dos acontecimentos da véspera.
— Você está de férias — ele insistiu. — Não é justo que trabalhe.
— Diga-me o que são férias.
— Uma interrupção na rotina, alguns dias em que se faz apenas o que dá prazer.
— Exatamente. Trabalhar neste bar é uma interrupção de meu trabalho das nove às dezessete horas em minha vida real. — Bella levantou a camisa dele e pressionou os lábios no peito rijo. — E tocar em sua pele é algo que adoro fazer. A menos que você não goste disso...
Ela perguntava como se não soubesse, Edward pensou. Aquela mulher estava dificultando o cumprimento da promessa que fizera a si mesmo a cada minuto que passava. Não sabia até quando manteria suas mãos longe dela.
Se o bar não estivesse para abrir, Edward perderia o que lhe restava do autocontrole. Mas o caso era que desejava que a primeira vez fosse em algum lugar melhor do que numa mesa de bar do Hungry Bear. Tinha em mente que queria uma cama macia e muito tempo disponível.
Satisfez-se então com um beijo. Apenas um beijo.
E então alguém bateu à porta.
— Por Deus, Edward. Abra esta porta! — Era Carlisle que gritava. — Perdi minha chave.
Bella corou.
— Vou subir para me arrumar um pouco — disse. — Voltarei logo.
Edward deu um tempo para ela desaparecer antes de abrir a porta.
— Um momento. Estou indo, Carlisle — ele gritou. — Acontece que ainda estamos com a casa fechada, mesmo para você.
Carlisle entrou, ignorando o que Edward dissera.
— Conheço você há anos, Cullen. Não venha com essas desculpas pra cima de mim.
Apesar de aquele velho ter-lhe sido quase um pai, Edward achava que ele não tinha direito de interromper sua vida sexual, deixando-o quase louco. Contudo, a taberna pertencia a Emmett, o que dava ao velho mais direito de estar lá do que a ele – Edward.
— Por onde anda sua amiga? — Foi a primeira coisa que Carlisle lhe perguntou.
— Você a assustou e ela fugiu.
— Ah, talvez tenha criado juízo e ido a um hotel.
— Se quer saber melhor, pergunte a ela, Carlisle.
— Deixe de conversa, Edward. Por onde anda sua amiga?
— Subiu.
— Foi o que pensei. Seu pai não lhe ensinou nada? Primeiro o idiota de meu filho perde a cabeça por causa de uma mulher, e agora você também?
— O que fiz de errado? — Edward indagou.
— No meu tempo, um homem casava-se com uma mulher antes de levá-la para a cama. Sei que as regras mudaram. Mas que diabos, meu rapaz, que tal um pouco de romance antes de dormir com a moça?
— Não dormi com ela.
Ainda. Quer dizer, dormira ao lado dela, porém Carlisle tampouco aprovaria isso. Afinal, ele tinha trinta e cinco anos já e seu pai morrera havia doze. E Carlisle continuava aparecendo sem ser convidado, guiando cada um de seus passos.
Edward não se lembrava de lhe ter pedido conselhos. Mas respeitava o velho o bastante para ouvir o que ele tinha a lhe dizer.
— Não preciso de detalhes — Carlisle prosseguiu —, posso ver o suficiente sem eles. E limpe esse batom de seus lábios. Parece um tonto. Insisto que você pense com a cabeça e não com... Bem, sabe o que eu quero dizer.
— Sei.
— E então, ela é boa?
Edward soltou uma gargalhada.
— Este é o Carlisle que conheço.
— Ela deve ser boa, se você ainda não desistiu.
— Cavalheiros não beijam e vão para a cama logo depois. Sua regra. — Edward comentou.
— Não minha, essa regra é de seu pai. Eu vou em frente logo. O único meio de eu segurar a mãe de Emmett, foi destruindo sua reputação. Já revelou à Bella sua verdadeira identidade?
— Não. Ela é de Nova Jersey — observou Edward, como se isso explicasse alguma coisa.
Pela primeira vez, Edward pensou seriamente sobre o fato de que não apenas Bella partiria em alguns dias como também que possuía no Leste uma vida e uma família que necessitava dela. Um vazio estranho dominou-o, não ignorando que precisaria logo conviver com isso.
— Conheci essa mulher há menos de quarenta e oito horas — Edward declarou e surpreendeu-se ao se dar conta do fato, pois tinha a impressão de que a conhecia havia anos.
— E daí? Por que não lhe contar a verdade? Tem medo de que ela fuja quando souber que você é rico demais para meros mortais?
— Na verdade, tenho mais medo do contrário.
— Ah, entendo. Por isso você ainda não pegou uma das bonecas do spa? Mas não é desculpa para não me apresentar a uma delas. Quando Bella vai embora?
— Logo. — A menos que ela mude de idéia. — Mas esqueça este assunto.
— Esqueço, se você me prometer fazer o mesmo quando ela se for.
Edward ia responder, quando ouviu o som de passos descendo as escadas.
Para não embaraçá-la, Edward amassou o guardanapo de papel manchado de batom e jogou-o no cesto. Carlisle riu.
Bella ficou ao lado dele. Usava uma blusa rosa e uma echarpe na mesma tonalidade, amarrada na cintura. Seus cabelos caíam soltos pelos ombros e ela esboçava um sorriso suave.
Com essa visão, Edward se deu conta de que estava terrivelmente apaixonado.
N/A: Espero que gostem!!... comentem! bjus especial pra quem tem deixando reviews... vcs me animam meninas!
