Parte VII – Renascidos
Acordei. Não estava claro como antes. Respirei fundo e percebi não ter mais dificuldade com isso. Olhei para o lado direito e mamãe sorria pra mim. O quarto estava cheio de flores e doces. Uma enfermeira entrou no quarto.
-Oh, ela acordou. Quanto tempo será que fica desperta dessa vez? – Mamãe riu. – Tudo bom, Srta. Cullen? Se sente bem?
-Sim. E pode me chamar de Nessie. – Ela sorriu.
-Certo Nessie. Sou a enfermeira Stanley.
-Cadê a...? – Comecei a perguntar, mas a enfermeira apontou algo do meu lado esquerdo. Olhei automaticamente e lá estava ela. – Oh... Dê ela pra mim.
-Claro.
A enfermeira tirou Halo do bercinho ao lado da minha cama e me entregou. Finalmente. Ela estava acordada, prestando atenção em tudo. Era tão pequenininha... Olhei pela janela e parecia fim de tarde.
-Que horas são? – Perguntei.
-Quase 18h. – Mamãe respondeu.
-Oh, mas...
-Não se preocupe. – A enfermeira falou com uma voz tranqüilizadora. – Nós temos banco de leite, não vai precisar amamentar tão logo. – Ela se aproximou e passou a mão carinhosamente sobre a minha. – Você tem um belo bebê, Nessie.
-Ela não é só minha. – Respondi quase sem pensar. – Ela tem pai.
-Claro que tem. – Ela concordou. – Posso pedir uma coisa, Nessie? – Balancei a cabeça positivamente. – Agora que você acordou, dê um tempo, depois vá caminhar um pouco. É bom andar depois que se tem um bebê, sabe?
-Sei. – Sussurrei. Vovô tinha me falado sobre isso uma vez. – Pode deixar.
-Depois eu volto. – Ela disse já se encaminhando pra porta.
Fiquei só olhando pra minha filhinha em meus braços. Eu não sabia se ela ainda tinha pai, não sabia o que tinha acontecido naquela delegacia depois que eu desmaiei. Mas, de certa forma, Jacob estava vivo ali, na minha menina apressada. Mamãe sentou na cama toda quieta. Ela queria me falar alguma coisa.
-Ela é realmente linda. Por que escolheu esse nome? Duvido que seja por causa dos quadrinhos¹. – Eu ri.
-Não, não é. Apesar do Jacob, com certeza, conhecer. – Mamãe suspirou. – A rebelião... continua?
-Não. – Respondeu simplesmente. Fiquei esperando ela prosseguir. – Houve um sobrevivente. Falou, por fim.
-Um?
-Isso, um². Uma vitima que sobreviveu.
-Só uma? – Ela balançou a cabeça que sim. – Quem?
-Não falaram o nome. Mas trouxeram pra cá, está no andar do seu pai. – Balancei a cabeça assimilando o que minha mãe dissera.
-Não sabem quem é, então.
-Não quiseram dizer.
Eu não sabia o que pensar, minha mente estava vazia. A bebê em meus braços parecia inerte a qualquer coisa além de mim, seus olhos estavam fixos em meus cabelos.
-Nessie... Eu não sei o que falar. Pode ser qualquer um.
Desviei os olhos de Halo para olhar a mesinha de cabeceira. Lá estavam todas as cartas das universidades que chamaram Jacob. Senti um aperto no peito, um nó na garganta. Mamãe me abraçou.
-É injusto, eu sei. – Sussurrou pra mim. – Nós sabemos o quanto o Jake é bom. Mas se prepare para o pior, querida. Deus tinha um plano, filha, é ele quem move todas as coisas. – Ela me soltou e segurou meu rosto. – Seja quem for, vamos orar por ele, né? Porque os planos de Deus se fizeram verdadeiros nessa segunda chance.
Balancei a cabeça concordando. Não é que fossemos religiosos, mas cresci no protestantismo como todo estadunidense que se preze. Era uma herança dos meus avós³, o único que não acreditava era o papai. E não custava nada orar por uma vida salva. Salva como a minha e da minha pequena Halo.
Salva como a do sobrevivente desconhecido.
Salva.
Mamãe me deu um beijo na testa e murmurou algo sobre ir buscar alguma coisa pra comer. Assenti.
-O papai já veio? – Perguntei antes que ela saísse.
-Não.
-A cirurgia...?
-Acabou. Mas nem eu o vi ainda.
-Oks... – Murmurei e mamãe saiu.
Depois de um tempo, Halo dormiu em meus braços. Ela era tranquilinha, isso era bom. A enfermeira voltou, colocou-a no bercinho e me ajudou a sair da cama. Eu era meio vip por ser filha do cirurgião chefe e neta do obstetra mais respeitado de Nova York, então até minha camisola descartável era mais top. Acho isso inválido, mas tudo bem.
Andei devagar pelo andar da maternidade, fui até o elevador e subi pro andar da cirurgia. Eu ia falar com o meu pai e, se possível, daria uma olhada no desconhecido.
Assim que as portas do elevador se abriram, pude observar no corredor principal da cirurgia quieto e sem movimento. Dois internos do meu pai estavam na frente de um dos quartos. Fui até eles.
-Srta. Cullen! – Um deles, Mike, me cumprimentou. – Soubemos do bebê, parabéns.
-Obrigada. Meu pai está aí?
-Estava na sala dele até pouco tempo. – Eric respondeu. Aquiesci.
-E o sobrevivente da rebelião, vocês sabem alguma coisa?
-Se sabemos? – Eric respondeu animado. – Angela conseguiu entrar nessa cirurgia! Disse que foi incrível. O cara tinha levado um tiro, mas a bala ficou entre os órgãos. Entre um e outro, dá pra acreditar? Exatamente entre o pulmão esquerdo e o diafragma. Ele também estava com a escápula deslocada, mas, mesmo assim, teve a frieza de se concentrar em molhar um cobertor e se cobrir com ele, evitando de se queimar. Muito esperto, o cara. Ela disse que o pior problema foi a fumaça que ele inalou. Mas dá pra acreditar?
-E diz que o Abeas Corpus do cara saiu hoje também. – Mike completou a tagarelice de Eric. – Muita sorte pra um sujeito só. E foi seu pai quem fez a cirurgia.
-Oh... – Foi a única coisa que eu me vi capaz de dizer sobre tudo isso. – Qual quarto ele está?
-O único com um policial na frente. – Brincou Mike. – 107.
-Valeu. Vou tentar falar com meu pai. Até mais, rapazes.
-Até, Pequena Cullen. – responderam.
Segui devagar rumo à sala do meu pai. O quarto 107 ficava no caminho e logo avistei o guarda à porta. Se o cara tinha um Abeas Corpus, então era um dos presos, mas se tinha um policial... Devia ser perigoso, né? Mas existiam as possibilidades do "perigoso para os outros" e "perigoso pra ele". Continuei me aproximando, sem pensar exatamente no que fazer. Antes que me desse conta, estava parada na frente do policial.
-Pois não, senhoria?
-Ahm... – Pigarreei procurando o que falar. – É esse o sobrevivente?
-É sim.
Respirei fundo. Eu estava sentindo coisas demais ao mesmo tempo.
-E... eu posso vê-lo?
-Quem a senhorita é?
-Eu, bem... – Chacoalhei a cabeça de leve. – Também estou internada, queria orar por ele.
Eu sabia – e o policial também – que poderia fazer isso no meu próprio quarto, mas mesmo assim, tive a passagem concedida.
(N/A: Ouçam a música – http:/ /www. youtube. com/ watch?v =l_twDLd9TQs)
A maçaneta da porta parecia absurdamente assustadora naquela hora. Ponderei zilhões de vezes num único segundo e estendi a mão até ela, virando-a e empurrando a porta devagar. Depois que já estava dentro, decidi que não queria olhar, não queria descobrir que não era Jacob quem estava deitado naquela cama, então encarei o chão.
Me flagrei apavorada. Eu não podia confirmar, eu não sabia como seguir sem Jacob. O que ia ser de mim?
O estranho fez um som qualquer que fez meu coração dar um salto. Me concentrei no barulho das maquinas, o som ritmado de seu coração batendo. Ritmado. Fechei os olhos.
-Obrigada, Deus. – Sussurrei. – Obrigada por salvar essa vida. Obrigada porque o Senhor faz milagres em nossas vidas. Obrigada. Obrigada...
-Ne... Nessie...
Parei, abri os olhos encarando o chão. Pronto, eu tinha ficado louca.
-Renes... mee...
Devagar, levantei os olhos sem focalizar nada em especial. Eu só estava levantando os olhos. Pisquei, para enquadrar o quarto em que me encontrava e não absorvi a pessoa deitada na cama. Precisei de mais alguns segundos pra processar e entender, pra que meu coração voltasse a bater.
Era ele. Com o braço imobilizado e um corte no supercílio, olhando pra mim com um sorriso torto cansado nos lábios. Sorri de volta e elas vieram. Uma enxurrada de lagrimas, que estavam guardadas pra esse momento.
-Minha Nessie.
Abstraí os pontos da cesárea e corri até ele, sentando na cama do seu lado direito e enchendo-o de beijos.
-É você, é você quem está vivo! – Ele riu, parecia meio dolorido.
-Sim, parece que eu nasci de novo. – Jacob falou baixinho, passando a mão livre nos meus cabelos e olhando nos meus olhos. – Não chore.
-Como eu não vou chorar? Eu estou explodindo!
Beijei-lhe novamente, mas ele me afastou. Parecia ter lembrado de algo. Com a testa franzida, ele olhou para minha barriga. Entendi tudo.
-Ela nasceu. – Sussurrei e ele voltou a olhar em meus olhos. – Ontem, aquela apressadinha.
-Sério? – Ele perguntou com um sorriso enorme. Confirmei com um aceno de cabeça. – Me conta sobre ela?
-Oh... Ela é tão linda, Jake... Tem a sua covinha do queixo e... Você tem que vê-la! Vou buscá-la.
-Não precisa.
Parei na metade do movimento de levantar e olhei para trás. Papai estava à porta com um embrulhinho rosa nos braços. Ele baixou os olhos pra Halo novamente.
-Nunca pensei que diria isso, mas presenciei dois milagres nas ultimas vinte e quatro horas. – Ele falou, se aproximando. – Essa coisinha pequenininha nascer e... – Os olhos verdes dele encararam os meus, depois os de Jacob. – E o único sobrevivente da rebelião, aquele da minha mesa de cirurgia, ser o único que eu queria que fosse.
Olhei para Jacob e sorri, recebendo outro sorriso de volta. Papai me entregou a Halo e deu um beijo na minha testa, depois de um tapinha no ombro do Jake.
-Cuide bem delas, rapaz.
-Não se preocupe. Obrigado, doutor.
Meu pai sorriu e saiu. Dei um selinho demorado em Jacob antes de voltar minha atenção para o embrulhinho que se mexia impaciente em meus braços, ela tinha acordado. Jacob passou os dedos no cabelo dela.
-Você errou, ela tem os seus olhos.
Ele riu e o inesperado aconteceu: ela riu de volta – infantil, desajeitado, mas riu. Duas covinhas se evidenciaram em suas bochechas.
-Oh! Mas tem as suas covinhas.
-Tem mesmo...
-Tão linda... Você deu um nome?
-Dei, espero que goste... – Falei. – É Halo. – Ele ergueu uma sobrancelha.
-Halo? Tipo auréola?
-Não. Halo tipo graça. – Levou alguns segundos pra ele entender, mas logo a expressão dele havia suavizado em entendimento. – Achei válido.
-Também achei. Super válido. – Ele concordou.
-Que bom.
-E o que mais eu perdi? – Jake perguntou sem tirar os olhos de Halo. – Fazia o maior tempo que eu não via você...
-Oh, eu estava tão enrolada na faculdade! E você não sabe, o resultado! Eu vi! Quase caí dura!
-Fui muito mal? – Ele perguntou, olhando pra mim e fazendo careta.
-Ta brincando? A sua nota foi a mais alta do país! To falando bem sério! – Completei antes dele falar qualquer coisa. – As cartas estão no meu quarto, na maternidade. Depois eu trago pra você ver.
-Cartas?
Sorri. A cara dele de desentendido era impagável.
-Não falei que as melhores Universidades iam se estapear por você?
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¹ Pra quem não sabe, existe uma heroína dos quadrinhos chamada Halo.
² Delegacia, lembram? Pequeno, poucas pessoas.
³ Não estou sendo puxa-saco da minha religião, estou apenas usando os elementos que Steph nos deu. Dúvida? Lua Nova, capítulo 2 "Sutura".
N/A: Aí todo mundo fica feliz e fim, Q
Demorou, mas saiu. E a culpa também é da beta, faz quase uma semana que ela está com o capíluto, lixa*
Enfim, ultimo capítulo D; E eu finalmente consegui escrever o epílogo, está com a beta ;D
Enquanto isso, qtau comentar? =D
E, é claro, obrigada Renesmee Cullen Silva, Júlia, Ingrid F., Srt. Black e Mari, que comentaram *-*
Conto com vocês e até o próximo *-*
xoxo
BL
N/B: OUnnnnn *____________________*
Tá, eu estava precisando de momentos gays e quase chorei aqui. Acho que estou no meu período fértil –Q Mentira, ainda não.
Enfim!
Ounnn, foi tão lindo! Tá, eu sabia que era o Jake, maaaaas... ainda assim é lindo quando a gente lê *-*
Enfim, pessoas felizes, não me matem. Eu demorei, eu sei.... mas eu esqueci *se bate*
Comentem aí, mano... se não eu dou uma voadora em todas vocês. É.
Beijos gelados,
JMcCartyC
