Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Sheila é uma criação minha em homenagem a Margarida, que a partir dessa história, tornou-se um personagem oficial da saga.


Boa Leitura!


Capitulo 7: Quando tudo parece perdido.

I – De preto.

Aquele dia amanhecera triste e sombrio para si. Os óculos escuros cobriam os orbes verdes que agora jaziam vazios e opacos, sem o brilho apaixonado de dois dias atrás.

Dirigia sem pressa pela Interlagos, logo encontrou um desvio na Avenida das Nações Unidas, pelo mapa que lera antes de sair era só encontrar um retorno para a Washington Luiz e seguir reto, estaria logo lá.

Poucos minutos se passaram quando mal passando o cruzamento entre a Avenida Guido Caloi e a Guarapiranga, encontrou a placa de indicação para seu ultimo destino, antes de voltar para casa.

Mais alguns quilômetros à frente e o tempra alugado adentrava os portais do Parque das Cerejeiras. Encontrou muitos carros já estacionados, provavelmente aqueles que estiveram ali durante a noite.

Viu ao longe pessoas se movimentando em fila indiana, seguindo um cortejo. Já estava na hora; ele pensou, descendo do carro, procurando manter uma certa distancia do grupo.

Respirou fundo, fechando alguns botões do paletó, deixando apenas uma pequena sombra da gravata na gola. Os passos eram pesados como se fosse ele a caminhar pelo corredor da morte.

O Parque das Cerejeiras era um lugar bonito para se descansar as lembranças daqueles que achavam que a vida acabaria ali, embaixo da terra e entre as quatro paredes do caixão de ébano que era levado por amigos e familiares, no caminho repleto de grama.

As flores rosadas moviam-se com a brisa suave daquele lugar, que embora o momento fosse de dor, transmitia a todos uma certa paz.

Parou embaixo de uma arvore, vendo todas aquelas pessoas ali reunidas despedindo-se, chorando. Clamando aos céus, sobre o porque de não ter sido diferente, da mesma forma que ele também fazia.

Se perguntava a cada segundo, desde que entrara no carro, jogando as malas no porta-malas e guardando as passagens dentro do bolso interno do paletó, sobre o porque as Deusas do Destino tinham de ser tão cruéis?

-A culpa não é delas; uma voz suave soou a seu lado.

Virou-se surpreso, deparando-se com o olhar calmo de uma jovem de cabelos castanhos, vestindo um vestido preto básico e óculos escuros. Extremamente parecida com a Sheila.

-Quem? –Aioros perguntou, confuso.

-As Deusas do Destino; Amanda respondeu, com um olhar sereno. –Acho que a paixão dela por mitologia acabou me contaminando; ela completou, com um meio sorriso, postando-se ao lado dele.

Embora ela tivesse uma aparência serena, era obvio que também havia chorado. A face levemente rosada não deixava duvidas; ele concluiu.

-Você deve ser a irmã...;

-Mais nova da Sheila, sim; ela o cortou.

Uma brisa suave passou por eles, parecendo abraça-los. Mesmo ocultos pela sombra daquela arvore, conseguiam ver que a frente algumas pessoas já se afastavam, embora um rapaz ainda estivesse ali e se recusasse a partir.

-Aquele é o Leandro; Amanda falou, vendo o olhar do cavaleiro cravar-se sobre o rapaz. –Ele é o-...;

-O namorado dela; Aioros a cortou, sentindo as palavras saírem ásperas por sua garganta.

-Não, ex; a jovem o corrigiu, chamando-lhe a atenção. –A menos de um mês eles deram um tempo, mas pra mim isso é o mesmo que terminar. Enfim...; Ela falou, gesticulando displicente. –Sheila dizia que tinham objetivos distintos e que estava esperando por algo;

-Como? –o sagitariano perguntou confuso.

-Isso pode soar piegas, mas minha irmã não era como as outras pessoas. Como dizia minha avó. O pior cego é aquele que não quer ver. E meus pais, sempre se negaram a isso; Amanda falou com pesar, ajeitando os óculos escuros sobre os olhos. –Desde pequena ela demonstrou ter uma sensibilidade maior que a das outras pessoas. Via coisas que os outros não viam e isso acabava a isolando da família. Você sabe, cidade pequena, parentes desocupados morando por perto, entre outras coisas; ela completou num murmúrio.

-Ela era muito especial; o sagitariano falou, num sussurro.

-...; A jovem a seu lado apenas assentiu. –Não vai se despedir?

-...; Aioros negou com um aceno. –Ainda vamos nos encontrar de novo; ele completou.

Sabia que isso não era uma despedida, um dia se encontrariam, sem importar o resto. Não diria 'Adeus', sabia que se o fizesse, estaria admitindo que as Deusas do Destino venceram, mas jamais faria isso. Era um cavaleiro, que nascera para proteger aqueles que amava e mudar o destino se assim fosse preciso.

Elevou seu cosmo, fazendo um arco dourado surgir em suas mãos...

-O que é isso? –Amanda perguntou surpresa.

Não respondeu a pergunta, seus gestos foram alem do que qualquer palavra poderia descrever. Retesou a corda, direcionando a ponta da flecha para o céu. Fora apenas um disparo e um feixe dourado cortou o céu, indo explodir em algum lugar alem do alcance do olhar humano.

Uma chuva de estrelas cobriu o caixão, numa despedida muda dos sentimentos que surgiram em seu coração e seriam enterrados junto com a jovem que os despertada, até o dia que se reencontrassem...

O arco desapareceu junto com a aura que o envolvia. Com um breve menear de cabeça, despediu-se da jovem deixando-a com um olhar surpreso para trás.

Agora só lhe restava retornar ao santuário para sua antiga vida, que jamais seria como antes.

II – E a vida continua...

Um ano depois...

Deixou-se cair relaxado no banco de concreto da arquibancada, seu coração batia agitado e sentia gotas grosas de suor caírem por sua testa. Suspirou aliviado, finalmente acabado.

-Deve estar orgulhoso dele? –alguém perguntou, sentando-se a seu lado.

-Sem duvidas; Aioros respondeu, voltando-se sorrindo para Garahn.

-Mestre Aioros, tenho notado que anda bastante preocupado e que isso não é só pela luta de Aiolia pela armadura; o amigo de longa data falou, fitando-o criticamente.

-Não é nada, só não ando dormindo bem esses dias; o sagitariano tentou justificar, embora a verdade fosse bem distinta.

-Se o senhor diz; Garahn falou, notando que ele não queria falar sobre isso ali. –É uma pena que nem todos estejam aqui; ele murmurou.

-...; Aioros assentiu, lembrando-se que pouco depois que voltara do Brasil há um ano atrás, houve a cerimônia de sagração de Afrodite, Guilherme e Aldebaran.

Justamente naquele dia, recebera a noticia da morte de Alister, que não só abalara toda a ordem dos cavaleiros, como também a amazona de Carina. Embora as brigas entre os dois houvessem sido constantes enquanto conviviam juntos, intimamente sabia que a linha estreita entre amor e ódio fora transpassada e em meio a gritos e ofensas que ambos desferiam um ao outro, existiam muito mais significados e sentimentos.

Poucos meses depois Saga desaparecera. Ele, Shaka e Shura rodaram toda Atenas procurando por ele, mas nada. Nenhum vestígio do cavaleiro muito menos de seu cosmo.

E há pouco tempo Shura havia retornando a terra natal, despedir-se de Miguel.

-"Mais um amigo a deixar esse mundo"; Aioros pensou, dando um baixo suspiro.

Quantos mais teria de ver partir, enquanto continuaria apenas esperando o momento de cumprir sua missão? –ele se questionou, tendo a imagem da jovem de melenas castanhas novamente a povoar seus pensamentos.

-Aioros; Garahn chamou, passando a mão em frente a seus olhos.

-Uhn? –Aioros murmurou, voltando-se para ele.

-Você parecia longe, algum problema? –ele perguntou, com o cenho franzido.

-Não, eu só...;

-MANO; Aiolia berrou, jogando-se sobre ele.

-Ai; Aioros gemeu, sentindo-se comprimido no banco, pelo irmão trajando a pesada armadura.

-Aiolia, sai de cima dele; Garahn falou, tentando socorrer o sagitariano.

-Eu to bem; Aioros falou, tossindo.

-Desculpe; Aiolia falou, com um sorriso matreiro.

-Porque será que eu tenho a leve impressão de que você fez de propósito? –o sagitariano falou, vendo o sorriso dele se alargar.

-Então, como ficou? –o leonino perguntou, exibindo com um sorriso vitorioso a armadura dourada.

-Ótima, só quero ver por quanto tempo você agüenta o peso dela, magrelo desse jeito? -Aioros provocou.

-Hei; Aiolia resmungou emburrado, mas logo abriu um largo sorriso. –Pelo menos agora não vou mais ter de ficar polindo a sua;

-Não se empolgue rapazinho, ele ainda é seu mestre. O que quer dizer, que se ele mandar, você obedece; alguém falou atrás dele, fazendo Aiolia amarrar o bico e Aioros rir ainda mais do irmão.

-Palavras sabias, mestre Shaka; Garahn falou rindo, quando o virginiano se aproximou.

-Palavras sabias; Aiolia resmungou;

-Aiolia; Aioros falou em tom de aviso.

-Deixa, um dia ele aprende a respeitar os mais velhos; Shaka brincou, vendo o leonino mostrar-lhe a língua de maneira infantil.

Balançou a cabeça levemente para os lados, dando um suspiro. Às vezes não sabia o que era pior, Aiolia tentando bancar o responsável, ou sendo o garoto sorridente e brincalhão que tinha como seu irmão mais novo.

-Certas coisas não devem mudar Shaka; Aioros falou, levantando-se.

-Viu; Aiolia falou em tom de provocação.

-Bem... O Ares pediu para avisar que o Grande Mestre quer falar com você; Shaka avisou.

-...; Aioros assentiu, já sabia sobre o que seria essa reunião. Pelos cálculos do mestre, seria aquela noite que iria busca-la. –Bem, vou lá falar com ele e Shaka, acompanhe Garahn e Aiolia até Leão, por favor. Ah e de preferência, não o deixe destruir o templo antes de se mudar; o sagitariano brincou.

-Hei! –Aiolia reclamou.

-Vamos logo; Garahn falou, vendo que o leonino pretendia ralhar.

-o-o-o-o-

A barra da túnica branca deslizava pelo chão com suavidade, enquanto andava calmamente pelo vilarejo. A noite caia calma e tranqüila para os moradores daquela vila simples, mal sabendo a preciosidade que dormia num berço singelo em uma daquelas casas.

Retirou de dentro de uma das mangas da túnica um pedaço de papel que Shion lhe entregara, ergueu os olhos em direção a uma das casas logo a sua frente. Sentia seu cosmo, ela lhe chamava e o guiava. Nem que não tivesse endereço algum, saberia como acha-la.

-Estou indo; Aioros sussurrou, enquanto aproximava-se da porta da casa.

Antes mesmo que pudesse bater, a porta abriu-se. Uma luz tênue e bruxuleante saiu de dentro da casa, quando a imagem de uma bela mulher de longos cabelos lilases e olhos verdes apareceu.

Franziu o cenho ao vê-la ali, ainda mais por ela estar lhe lembrando demais uma outra pessoa.

-Entre Aioros, ela esta lhe esperando; a mulher avisou, dando-lhe passagem.

-Mestra, pensei q-...;

-Eu sei; ela o cortou, com um meio sorriso. -Mas sempre a tempo para uma ultima missão; Eraen completou, indicando-lhe o caminho.

-...; Apenas assentiu, decidindo que não faria perguntas, não agora.

A casa era tão simples por fora, como por dentro. Atravessaram a pequena sala, entrando num cômodo mais simples ainda, se não fosse por um pequeno berço. Mal se aproximou e uma luz dourada cintilou de dentro dele.

Um meio sorriso formou-se em seus lábios, vendo os braçinhos delicados de uma garotinha mexerem-se, chamando-lhe a atenção. Aproximou-se, segurando delicadamente uma de suas mãos, ouvindo-a rir. Um riso cristalino e suave. Tão inocente.

-Ela é linda; Aioros murmurou, vendo a criança abrir os olhos. Eram verdes.

Fitou o pupilo longamente, Shion estava certo quando disse que Aioros seria o melhor cavaleiro para leva-la ao santuário, seus instintos sempre lhe disseram que seu pupilo seria capaz de cometer milagres.

Um meio sorriso formou-se em seus lábios ao ver o olhar encantado dele sobre a criança de melenas lilases no berço.

-É melhor leva-la; Eraen falou, colocando a mão sobre o ombro dele.

-...; Aioros assentiu, dando um baixo suspiro, enquanto abaixava-se e pegava a garotinha que mexia-se alegremente no berço, erguendo os braços para alcança-lo. Pegou-a no colo...

A garotinha aninhou-se nos braços dele, agarrando-se na túnica com uma mão e com a outra, levou um dos dedinhos até os lábios, caindo rapidamente no sono.

-Para onde vai agora, mestra? –Aioros perguntou, arrumando a manta sobre a criança.

-Vou voltar para casa; Eraen respondeu, com um brilho triste no olhar, que normalmente era tão seguro. –Mas antes de ir, me diga, como esta Shion e seu pupilo? –ela perguntou interessada.

-Bem, Shion logo ira para Star Hill e Mú assumiu seu lugar na primeira casa; ele respondeu, seguindo com ela para a saída.

-"Mú"; Eraen pensou, fitando o nada com um olhar vago.

-Até algum dia, mestra; Aioros despediu-se, com uma respeitosa reverencia.

-Até; a jovem de melenas lilases falou, vendo-o sair pela porta desaparecendo rapidamente no caminho que ligava a casa ao santuário.

III – Visões.

Dois meses depois...

Caminhava calmamente por um vale de belas flores. Ergueu os olhos para cima, vendo que a noite já caia, fazendo aos poucos uma por uma das pessoas cair em sonhos. Não sabia que lugar era aquele, apenas que estava sonhando. Novamente...

-Aioros;

Virou-se rapidamente ouvindo alguém lhe chamar, sentiu o coração falhar uma batida ao vê-la. Os longos cabelos cacheados esvoaçavam com o vento e o vestido branco moldava-lhe o corpo, enquanto ela aproximava-se calmamente.

-Sheila;

Ouviu seus lábios sussurrarem e dos da jovem, um doce sorriso se formar. Há quanto tempo não ansiava por isso; ele pensou.

-Ainda não é hora Aioros; ela falou, parando a poucos passos de distancia.

-O que? –o cavaleiro perguntou confuso.

-Lembra do que lhe pedi? –a jovem perguntou, fitando-o atentamente.

-Proteger Athena; ele sussurrou, lembrando-se das ultimas palavras da jovem, palavras das quais jamais entendera o significado.

-Agora mais do que nunca, preciso que cumpra essa promessa; ela falou, acabando com a distancia entre eles.

-Não entendo, porque me pede isso? –Aioros perguntou confuso.

-Logo você vai entender...; ela sussurrou, tocando-lhe a face ternamente.

Tudo ficou escuro e no momento seguinte sentia o coração se agitar ao ver imagens de coisas que jamais ousou imaginar, ou cogitar a possibilidade de vir a acontecer.

Deu um pulo da cama, sentindo o coração bater cada vez mais rápido. Puxou o lençol de cetim que tinha sobre o corpo, jogando-o para fora da cama, enquanto sentava-se.

-Droga; Aioros murmurou, passando a mão pelos cabelos, sentindo gotas grosas de suor escorrerem pelo corpo.

Novamente sonhara com aquilo, premonição ou não, noite após noite, desde que trouxera Athena para o santuário, sonhava com ela lhe lembrando sobre a promessa que fizera, mas dessa vez o sonho fora alem.

Ela lhe mostrara alguém tentando matar Athena. Provavelmente algum louco que conseguia driblar a segurança de Ares no ultimo templo e chegar até o bebe.

Ouviu batidas fortes na porta do quarto e gritou um 'entre', ainda tentando colocar os pensamentos em ordem.

-MANO; Aiolia abriu a porta num rompante, correndo até ele com lagrimas nos olhos.

-O que foi? –Aioros perguntou, sentindo o coração falhar uma batida.

Aiolia não era de chorar por qualquer coisa e vê-lo nesse estado lhe deixou aflito. Abraçou o irmão, como fazia quando ele era pequeno e abria um berreiro por ralar o joelho.

-Mestre Aioros; Garahn chamou, aproximando-se e parando na porta.

Apenas acenou, dizendo que ficaria tudo bem. Sabia que o amigo surpreendera-se com a entrada repentina de Aiolia no templo, mesmo porque, aparentemente o santuário estava calmo.

-O que foi? –Aioros perguntou, afagando-lhe os cabelos. Era difícil vê-lo como um cavaleiro igual a si, quando em momentos como esse, o via apenas como seu irmãozinho.

-Sonhei que você tinha nos deixado; Aiolia respondeu, deitando a cabeça sobre o colo do irmão, chorando agarrado a um travesseiro.

Entreabriu os lábios, sem saber o que responder. Desde que se tornara cavaleiro, jurara proteger Athena e aqueles que lhe eram mais queridos, mesmo sua vida passando por todas as reviravoltas que passou, isso jamais mudara.

Embora todo cavaleiro estivesse preparado para morrer a qualquer minuto, ainda lhe partia o coração saber que algo poderia acontecer a si ou ao irmão, que os obrigasse a ficarem separados de alguma maneira.

-Não importa como... Sempre vou estar com você; Aioros sussurrou, tentando acalma-lo.

Momentos depois, Aiolia dormia tranqüilamente. Cobriu-o com um lençol, deixando abaixo da cabeça dele, um travesseiro no lugar de seu colo. Levantou-se da cama, deixando o quarto.

Encontrou Garahn na cozinha, em frente ao fogão. Provavelmente preparando um chá.

-Como ele esta? –Garahn perguntou, vendo-o se aproximar da mesa.

-Dormindo; Aioros respondeu, puxando uma cadeira para se sentar.

-Mestre Aioros, o que esta acontecendo? –ele perguntou, voltando-se para o cavaleiro, que pareceu tremer.

-Não sei Garah, mas vou eliminar quem quer que esteja ameaçando a vida de Athena; o sagitariano respondeu, levantando-se em um rompante, com uma chama começando a arder em seus olhos.

-Mas...;

-Cuide de Aiolia pra mim; Aioros pediu, enquanto deixava o templo de Sagitário.

IV – O Pedido.

Deixou a túnica perfeitamente alinhada sobre a cama, enquanto colocava uma outra igual sobre o próprio corpo. Ouviu alguns toques na porta e com um breve 'entre' ela se abriu.

-Estou aqui; Ares respondeu, fitando atentamente o irmão.

-Obrigado por ter vindo; Shion agradeceu, enquanto terminava de fechar os botões da gola.

-Vai partir para Star Hill agora, irmão? –o cavaleiro perguntou, lembrando-se que após Mú assumir o primeiro templo, Shion partiria, mas não pensou que fosse tão rápido.

-Vou, por isso preciso que faça algo para mim; o ariano falou, fitando-o com ar sério.

-O que é?

-Preciso que cuide de tudo por mim, enquanto eu estiver fora; Shion falou.

-Claro, mas...; Ares balbuciou, apontando para a túnica.

-Você sabe que ninguém jamais viu quem é o cavaleiro por baixo da mascara; o ariano começou, sentando-se na beira da cama. –Então, preciso que se passe por mim, enquanto eu estiver em Star Hill. Não sei quanto tempo vou ficar lá, por isso preciso de alguém de confiança para junto do Aioros cuidar de Athena; ele explicou.

-Entendo; o cavaleiro murmurou, com ar pensativo. –Mas e Aioros, quando vai anuncia-lo?

-Assim que souber o paradeiro de Saga, tem uma energia estranha rondando o santuário, por isso preciso descobrir aonde ele esta; ele explicou.

-Está certo; Ares falou, começando a vestir a túnica. –Para todos os efeitos eu sou o Grande Mestre agora; ele comentou.

-...; Shion assentiu. –Qualquer cosa avise Aioros sobre isso, ele pode lhe ajudar em qualquer coisa;

-Não se preocupe, avisarei assim que encontra-lo pela manhã;

-Bem, agora tenho de ir; o ariano avisou, com certo pesar em ter de se despedir.

-Que os deuses estejam com você; Ares falou, abraçando-o.

Logo Shion desaparecera, deixando-o sozinho ali. Durante alguns minutos que jurou serem longos, observou a mascara inexpressiva de bronze sobre a cama. Era estranho, mas sentia-se como Felipe ao vestir a mascara de ferro.

-o-o-o-o-

Já era madrugada no santuário, resolvera fazer mais uma ronda pelo templo, antes da manha chegar e trocar de lugar com Aioros, suspirou pesadamente, sentindo o ar quente chocar-se contra a mascara e voltar contra sua face.

Ficou imaginando como era difícil para o irmão ter de usa-la em vários momentos. Esconder-se do mundo e de todos por causa da missão que recebera da deusa.

Um novo suspiro saiu de seus lábios, faltava pouco para chegar ao quarto de Athena, quando ouviu algo mover-se atrás de si, mal virou sentiu algo transpassar seu abdômen e tudo ficar escuro.

V - O Grande Prólogo.

Caminhava a passos calmos pelos corredores internos do ultimo templo. Os archotes nos corredores pareceram reduzir ainda mais a luz quando passava. A túnica violeta esvoaçava levemente, com seu andar.

–Minha pequena Athena, antes de me despedir de você, devolva-me o meu coração... Não, não adianta, pois o meu coração... Já não pertence a mim...

Ergueu parcialmente a mão, fazendo com que parte da manga da túnica escorresse pelo braço, deixando ainda mais evidente, os dedos longos e refinados, que envolviam a adaga dourada.

–Neste momento, eu o deixarei em suas mãos...

Mais alguns passos e viu-se diante de um cômodo rústico, onde jazia encostado a uma parede, uma cama adornada de colchas douradas. Ao lado da cama, dois archotes iluminavam a pequena preciosidade adormecida.

–Antes de partir... Não, não somente isso...

Um brilho triste passou por seus olhos, ocultos pela mascara usada durante séculos por aqueles sagrados como Grandes Mestres, destinados a estarem acima dos 88 cavaleiros em nome de Athena.

Fitou o bebe de melenas lilases dormindo tranqüilamente no leito dourado, a face rechonchuda, levemente rosada pelo calor do local.

–Ouça a minha promessa...

Ele sussurrou, erguendo a adaga na altura do peito, adornado por belas jóias. Uma luz avermelhada acendeu-se em seu olhar.

–Você é minha vida, eu te amo...

Embora tal confissão tenha soado de maneira doce vinda de seus lábios, sabia o quão amargo era o gosto de pronuncia-las, por saber precisamente o que viria depois.

-O que pretende com essa espada?

Virou-se rapidamente ao ouvir e sentir a chegada de alguém. Não era possível que alguém houvesse descoberto seus planos e se achasse capaz de impedi-lo.

-Aquela que dorme diante de você é Athena, o símbolo da paz entre nós, cavaleiros;

Um jovem de melenas douradas surgiu, vestindo uma túnica simples, entretanto, isso não queria dizer nada, mediante sua posição na ordem dos cavaleiros.

-Apontar a espada para essa inocente criança... A encarnação que tanto esperávamos... Não parece ser uma atitude digna do Grande Mestre do santuário!

-Aioros;

A voz saiu vacilante, definitivamente não esperava que justamente ele estivesse ali.

–Pretende me deter, Sagitário?

A pergunta não soou como um desafio, poderia dizer que fora até como um pedido. Um pedido a aquele que sempre confiara, para que usasse dessa ultima oportunidade para fugir ou mata-lo, libertando-o daquela existência vergonhosa que teria, se sobrevivesse.

–A espada que carrego, não é vontade minha! Tudo isso... É vontade do grandioso Deus...; Ele falou, perdendo o controle sobre si mesmo, novamente.

-Deus? –Aioros perguntou, arqueando a sobrancelha, incrédulo quanto ao que ouvia.

–Não são permitidos obstáculos diante da vontade de Deus...

Raios cortaram o céu, uma tempestade iniciava-se, caindo sobre o solo sagrado do santuário, como se anunciasse o pior.

–Deus preparou um destino para esta menina... A morte. Ouça o que digo. Ninguém pode contrariar essa vontade.

A voz saiu mais grave em tom de sentença. Ergueu a espada, pronto para desferir o golpe final contra o bebe adormecido de maneira tranqüila no leito, quando um feixe de luz cortou o espaço, jogando espada e mascara para longe.

-EU NÃO ACEITO; Aioros gritou, pegando o bebe entre os braços, distanciando-se o máximo que pode, daquele que fora corrompido pelo mal.

Mal virou-se para trás, sentiu o coração falhar uma batida, não era possível. Justamente ele.

-Grande Mestre... Você é o...?!

–Você viu... Agora também morrera... Todos que se envolvem com Athena acabam nas profundezas das trevas... A alma dessa menina está tingida de negro... Assim como eu...;

-Se a morte é o destino de Atena; Aioros sussurrou, sentindo uma lagrima solitária pender dos orbes verde-azulados. –Eu farei com que esse destino mude, mesmo que a minha alma seja engolida pelas trevas; ele sentenciou.

Os orbes cintilaram com confiança, jamais permitiria que o mal se espalhasse pelo santuário e aquele ser corrompido que um dia chamara de amigo, destruísse o símbolo que unia a todos em um único objetivo. A Paz.

-Nós cavaleiros de Athena, existimos apenas... Para protegê-la a todo custo!

Continua...


Domo pessoal

Antes de qualquer coisa, tenho algo a comentar. Essa ultima parte 'V – O Grande Prólogo', é parte de um trecho retirado do mangá, Episódio G, volume 1 de Masami Kuramada e Megumu Okada.

E o tópico 'IV – O Pedido', é a resposta para a grande, não, imensa lacuna do Kuramada, sobre quem morreu primeiro. Ares ou Shion. Como minha mente perversa, me impede de escrever algo sem justificar o porque, então, eu lhes explico.

Em dado capitulo da fic "Ilyria' é retratado os últimos momentos de Shion em Star Hill, antes de Saga mata-lo, isso a exatos dois meses após a sagração de Mú, quando ele avisara dessa viagem. Então, esse tópico "IV", é para explicar o que aconteceu antes. Como Ares 'irmão' morreu e Saga assumiu seu lugar, tentando matar Athena e sendo impedido por Aioros.

Particularmente o tópico 'III' foi um dos mais difíceis de escrever, gente, quem leu os últimos volumes do manga G, onde o Shura se recorda sobre o pós morte do Oros, sabe o quanto é difícil falar sobre isso. Ver todo o sofrimento do Leo, o que ele passou na mão de um monte de gente por ser considerado 'irmão do traidor', enfim, escrever uma cena como essa, já imaginando o que vem depois, me parte do coração.

Mas mudando de assunto, Margarida e Flor de Gelo, fico muito feliz que tenham gostado do ultimo capitulo e espero que todos tenham gostado desse também.

Em breve epílogo, pra fechar de vez essa parte da saga.

Um forte abraço a todos e obrigada novamente pelos reviews

Kisus

Já ne...