Disclaimer: Saint Seiya não me pertence. Pode não parecer, mas é verdade. Nhé.
SIDEWAYS
Sideways serão fics ambientadas no universo de Sui Generis, auto-conclusivas ou não. Mas não se preocupem, eu tentarei deixar claro para vocês quando for cada caso. E nenhum dos meus outros projetos de StS serão afetados, eu prometo.
Assim como Sui Generis, elas não serão fics yaoi. A princípio, quero dizer.
E o título da fic não tem nada ver com o filme homônimo (Sideways - entre umas e outras), que é bem interessante. Quem já viu sabe, quem não viu está convidado a ver!
E este capítulo é um presente de aniversário para o Mu, aniversariante do dia 27/03. E eis que mais uma vez entrego o presente atrasado, mas eu tive meus motivos... Mas não é por isso que o tibetano mais querido do universo de StS não vai ganhar sua fic! Taí, Mu, teu presente de aniversário! É simples, mas é de coração!
E a fic também homenageia o Grande Mestre do Santuário por... bem... algumas centenas de anos, e que aniversaria em 30/03! Parabéns pra você também, Shion! É simples mas é de coração!
E a música incidental (é, peguei mania de escrever fics ouvindo música) é I don't wanna dance, de Eddy Grant. Espero que gostem!
VII
Linhagem
Início de tarde no Santuário, onde Shion e Dohko compartilhavam uma agora habitual xícara de chá vespertina.
Era até engraçado ver os dois agora rapazes sentados numa cabana próxima à arena, local onde o Grande Mestre costumava observar os treinos, e conversando sobre amenidades. Isso porque o teor da conversa destoava completamente da aparência dos dois, que agora pareciam quase tão jovens quanto os cavaleiros de bronze. Mas essa primeira impressão era para os desavisados. Naquela sala, somando-se os anos vividos pelos dois, estavam mais de meio século de vida.
Parando para se pensar, era muita coisa.
- Shion, amigo, eu não consigo concordar com essa alteração na lei canônica do Santuário. Como pode isso de cavaleiro poder se relacionar com outras pessoas, me explique?
- E que outra opção eu tinha? - O agora novamente Grande Mestre deu de ombros. - Não é todo dia que se recebe uma petição com a assinatura de oitenta e seis cavaleiros pedindo todos uma coisa só. Ademais, não é como se antes essa regra fosse respeitada por todos.
- O fato de que uma regra seja constantemente quebrada não deixa o erro menos absurdo. - Dohko voltou a protestar. - Aliás, quem foi o outro cavaleiro que não assinou a petição?
- Shaka. - Shion tomou mais um gole do chá de jasmim que tanto gostava. Acompanhado de biscoitos amanteigados; um hábito da Deusa Atena que ele aprendeu a apreciar porque, bem, os ditos biscoitos eram deliciosos.
- O Shiryu assinou? - Dohko espantou-se. - Eu vou falar com esse menino. Não pode isso, Shion, não pode. Cavaleiros não foram talhados para terem relacionamentos, famílias...
- Mas não foi você que criou uma filha? Adotiva, mas é filha do mesmo jeito. - Shion tomou outro gole do chá depois de mastigar umas bolachinhas. - Sinceramente, não vejo o motivo de tanto drama. E, ademais, se Atena não vê problema...
- Ora, Shion, não vá me dizer que você concorda com isso.
- Bom... Concordar, assim, de tudo... Não. Mas não vejo assim tanto problema.
- Hunf.
- Então você está emburrado agora porque o Shiryu assinou a petição? - Shion abafou um risinho. - Heh, devia ter ensinado melhor seu discípulo, hein...
- Olha quem fala. Até onde me consta, se o Shaka foi o único além de mim que não assinou a tal petição, isso quer dizer que o Mu também assinou.
- Deixe de bobagens. - Shion acenou com a mão, num muxoxo. - Ele só o fez porque foi coagido pelos colegas. Ou elem pensam que eu não sei que os que mais burlavam a lei eram justamente seus colegas de rango? Hunf.
- Isso é bem capaz, sim. - Dohko ponderou. - Porque até onde eu sei, ele realmente se manteve fiel ao preceito de que deveria se dedicar ao cargo de corpo e alma. Isso eu tenho que admitir.
- Mas é claro que ele se manteve fiel a esse preceito. - Shion fez outro muxoxo. - Porque ao contrário dos seus outros colegas de rango, o Mu é um rapaz cioso dos seus deveres. Obediente, dedicado, cordato, um orgulho para o Santuário e para a nossa linhagem.
- É. - Dohko deu a mão à palmatória. - Mas olha só a paga que ele recebe pelo seu bom comportamento. Vai ter seu comportamento nivelado pelo dos outros. Hunf.
- Como assim?
- Ora, como assim como, Shion? Ele agora não está, hum, liberado para namorar também?
- É, ele está, mas...
Súbito, uma ideia cruza a mente do Grande Mestre do Santuário, e lhe corta a frase no meio com uma expressão pensativa no rosto.
- Shion? - Dohko manteve a xícara nos dedos, esperando uma reação do colega.
- Mas... É claro! - Shion abriu um sorriso. - E eu não tinha parado para pensar nisso antes!
- Pensar no quê?
- Ora, Dohko, nisso que você acabou de falar!
- Nisso o quê?
- O Mu agora pode ter uma companheira!
- E?
- Como assim, 'e'? Você não percebe? - Shion levantou-se, enlevado pela ideia que se plantou em sua cabeça. - É uma ótima solução!
- Solução para quê?
- Dohko, nós poderemos continuar nossa linhagem! E eu que dava a linhagem dos lemurianos por perdida...
- Mas o q... - Dohko cortou seu momento de confusão para então olhar fixamente para o colega, com um olhar grave no rosto. - Shion...
- Mas é claro! Eu já estava um tanto conformado com o fato de que nossa linhagem estaria condenada... Afinal, os últimos lemurianos que restaram calhavam de ser cavaleiros. Mas agora... Agora o problema pode ser resolvido!
- Shion...
- O Mu pode ter uma companheira! O Mu pode se casar e ter uma família nos moldes de nossos antigos costumes! E nós poderemos continuar nossa linhagem!
- Shion...
- É isso! Eu vou começar a procurar uma companheira que sirva! Afinal, é minha responsabilidade enquanto membro mais velho do que restou do clã dos lemurianos!
- Shion! - Dohko levantou-se de golpe. - Eu não sei, mas acho que você não está percebendo a falta de lógica do que está dizendo...
- Por que falta de lógica? - Shion parecia realmente não compreender por que o amigo estava tão apreensivo. - É uma ótima solução. Nossa raça pode ser preservada, nossas características serão passadas adiante... Todos ficarão felizes! Não vejo onde falte lógica nisso.
- Você está pensando em arranjar um casamento para seu pupilo com uma pessoa que ele nem conhece E você não vê a falta de lógica? - Dohko quase exasperou-se. - Pelos Deuses...
- Ah... - Shion ladeou a cabeça. - Ah, isso?.. Mas o Mu não vai se opôr. Claro que não...
OOO
Enquanto isso, a outra parte interessada na ideia que florescia insistentemente na cabeça de Shion seguia trabalhando nas armaduras para restauração.
Mu estava agora junto à fornalha, moldando bronze, prata e pó de estrelas para criar uma liga resistente aos combates que poderiam vir. E suava em bicas, o pobre coitado.
Era verdade que o clima estava um tanto mais ameno do que o costume para o Santuário; mas ainda assim a fornalha quente onde amolecia os metais que moldava faziam o ambiente quente o suficiente para que ele se sentisse incomodado com a própria transpiração.
É certo que Mu trabalhava já há um certo tempo, posto que tinha um tantinho de serviço acumulado; e por isso mesmo não podia negligenciar suas obrigações. Mas uma vozinha em sua cabeça lhe atentava, dizendo que ele já tinha trabalhado bastante no pé daquela fornalha, e bem que merecia um bom banho e um descanso.
Bem que Mu resolveu ouvir a voz que lhe instava a sair de seus afazeres para descansar um pouco. Ele merecia, também era filho de Zeus. Saiu para um banho demorado e frio, enquanto ouvia Kiki rindo e brincando nos fundos do pequeno jardim da casa de Áries.
O menino era incansável. Nem ele, quando recebeu a incumbência de treinar o menino então recém-saído das fraldas, imaginava que pudesse ser assim aquele pequeno órfão, um dos últimos representantes de sua raça e, segundo as estrelas, destinado a também ser cavaleiro e forjador de armaduras. O menino pulava e brincava o dia inteiro, e estava sempre tão contente que isso às vezes chegava a exasperá-lo um pouco. Ele mesmo não fora uma criança assim tão ativa, tinha certeza disso; apesar de que talvez Shion discordasse um pouco. Até que se lembrava do antigo mestre reclamando de suas parcas peraltices, e pensava que até nisso tinha tido pouca sorte; já que, embora fosse uma criança até bastante calma e obediente, o mestre era naquele tempo um homem já idoso, e razoavelmente ranzinza.
Falando no antigo mestre, sentiu uma vibração característica em sua mente enquanto terminava de se vestir; sinal de que ele o chamava.
Deu de ombros e foi ao encontro dele, depois de avisar Kiki que se ausentaria um pouco e alertá-lo para que não pusesse a casa abaixo enquanto ele estivesse fora.
Foi despreocupadamente a seu encontro, saudando um ou outro cavaleiro que estava em seu caminho enquanto ele passava, para então chegar até uma cabana nas adjacências das arena, onde Shion gostava de vir tomar chá mais sossegadamente enquanto acompanhava os treinos. Lá encontrou o antigo Velho Mestre, agora um rapaz que aparentava até menos idade do que ele.
Mas os olhos de Shion não enganavam. Ainda eram os olhos do homem que o treinou. E isso, para Mu, era suficiente para lhe inspirar o mesmíssimo respeito dos velhos tempos.
- Chamou, Mestre?
- Ah, Mu, você chegou! - Shion o recebeu com um tom efusivo, ligeiramente fora de lugar. - Vamos, fique à vontade.
- Ah... - Mu entrou, um tanto reticente. - Sim senhor.
- Aceita um chazinho? É de jasmim, você gosta!
- Ah... Não senhor, obrigado.
- Tem biscoitinho de manteiga também. Vamos, coma um...
Mu não pôde evitar de sentir-se apreensivo.
Conhecia Shion, e conhecia muito bem; melhor até do que muitos outros cavaleiros de ouro. O tinha como um mestre justo e amoroso, mas severo o suficiente para impôr respeito quando necessário e durante seu treinamento.
E aquela solicitude de Shion era extremamente rara em seu comportamento.
Ela só aparecia quando Shion queria alguma coisa. Alguma coisa problemática. Bem problemática.
- Senhor... - Mu empurrou delicadamente a xícara de chá fumegante que já fora colocada diante de si. - Em que eu posso lhe ajudar?
- Bem... - O agora jovem Grande Mestre respirou fundo, imprimindo um tom grave a sua voz. - Eu o chamei aqui porque precisamos ter uma conversa.
Mu ficou calado e deixou o outro continuar.
-Pois bem... - Shion não se fez de rogado. - Você sabe que agora, depois da mudança nas leis do Santuário, vocês cavaleiros podem ter... bem... uma vida social mais... ativa, não sabe?
Mu sentiu os pelos de sua nuca se eriçarem. Detestava conversas patronais a esta altura de sua vida, e imaginava que, fosse qual fosse o motivo, não iria gostar daquela.
Sabia que sua vida social não se enquadrava em nenhum padrão que a colocasse como 'ativa'. Ainda mais no sentido em que Shion queria colocá-la.
E seria só o que faltava: Ter com seu mestre remoçado uma conversa 'de pai para filho' sobre assuntos de sua tão bem guardada intimidade.
- Ah... - Mu sentiu as orelhas quentes. - Sei.
- E... Como anda a sua? - Shion levantou um dos pontos que lhe serviam de sobrancelhas.
- Bem... - Mu sentiu as orelhas ainda mais quentes. - Ah...
- Bem... - Shion tomou a palavra para si. - Imagino que, como cavaleiro exemplar que eu o criei para ser, você tenha cumprido à risca suas obrigações, inclusive no sentido de ter se mantido... afastado... de certas.. coisas do mundo civil.
Mu assentiu, sentindo as orelhas ainda ardendo.
- ...Mas agora, filho, você não precisa mais se privar disso! - Shion completou com um tom efusivo. - Você pode ter uma vida plena e feliz, até mesmo nesse sentido!
- Ah... - Mu estacou. Por algum motivo, o rumo dessa conversa estava começando não só a desconcertá-lo. Ela estava o deixando preocupado. - ...É?
- Sim, claro! E, inclusive, essa é uma bênção que você recebeu, sabia?
- Eu?
- Sim! Mu, você já parou para pensar que você tem a chance de continuar nossa linhagem?
- Quê?
- É! Continuar nossa linhagem, Mu! Agora que você não está mais preso ao voto de celibato pelo serviço de cavaleiro, você pode ter uma boa esposa, ter filhos! Uma boa família para continuar a tradição de Lemúria!
Os olhos de Mu viraram nesse momento duas bolas verdes e arregaladas.
Tradição de Lemúria? Filhos? Esposa?
- Veja bem: Quantos anos você tem agora, filho? Pela minha conta, vinte e dois, certo(1)? - Shion continuava, animado. - Você já tem idade para casar! Arrumaremos uma boa moça com a devida ascendência lemuriana, que tomará conta de você, de Kiki e de sua família por vir! Estamos em tempos de paz e assim continuaremos, é muito justo que você tenha a oportuni...
- O QUÊ? - Mu levantou da mesa num golpe.
Shion piscou, um tanto desconcertado. Sentia a apreensão do pupilo, e por um momento as colocações de Libra a respeito de uma certa resistência por parte de Mu lhe voltaram à mente. Desanuviou o pensamento, pensando que o discípulo não teria por que dizer não.
- Mu... Você está em idade de casar. Pelas nossas tradições, se você não fosse um cavaleiro já poderia se casar há algum tempo; e agora, com essa mudança na lei, não há mais motivos para que fique sozinho. E cabe a mim, como membro mais velho de nossa linhagem, arrumar para você uma moça de boa família, que possa continuar nossa raça e nossas tradições...
Shion nem chegou a terminar a frase. Mu simplesmente desapareceu diante de seus olhos. E Shion se deu um tapa mental por não ter tido essa conversa no Salão do Grande Mestre, de onde Mu não poderia se teleportar.
OOO
Enquanto isso, nas proximidades de uma das recém inauguradas áreas burocráticas da Fundação Graad no Santuário de Atena...
- Thetys, querida, aconteceu alguma coisa?
A 'querida' suspirou, enfadada. Ao extremo.
Mas não podia, e nem queria, dar uma resposta grosseira ao seu chefe.
- Não, Julian.
- Ah... - O jovem magnata deu de ombros. - Você está um pouco estranha por esses dias.
É sim, ela estava.
Lá estava ela, de novo, em visita ao Santuário de Atena; o que nos últimos tempos não era nenhuma novidade. Devido aos atuais acontecimentos e a uma, bem, recente e estreita amizade entre Saori Kido e seu senhor imediato, Thetys agora se via naquele lugar com muito mais frequência do que o desejado.
E não, ela não tinha nenhuma simpatia por aquele lugar. E nem aquele lugar tinha simpatia por ela, a começar pela Deusa Atena em pessoa, que não podia vê-la sem fazer cara de pouquíssimos amigos.
- Impressão sua. - A loira respirou fundo, numa tentativa de 'desanuviar' um pouco. - Eu estou ótima.
- Hum.
- Aliás, eu vou sair pra dar uma volta. - A sereia jogou o cabelo para trás. - Antes que a ba... A Saori chegue e eu fique aqui segurando vela.
- Ei, eu e ela não...
- Julian, por favor, vai. - Thetys cortou o outro. - Pra cima de mim? Nem vem que não tem.
- Ih, estamos mau humorados hoje?
- Fui, Julian! - A loira fechou a porta atrás de si com um bufido, para sair em caminhada pelo Santuário.
OOO
Mu teleportou-se de volta aos arredores das doze casas, e imediatamente se pôs a caminho de Áries para colocar em prática seu plano de contingência.
Não dava para dizer que era a primeira vez que ele abandonava o solo sagrado do Santuário por motivos de força maior. E ele não admitiria comparações entre a situação atual e a anterior em que foi obrigado a deixar sua casa. Era uma situação tão emergencial quanto.
Conhecia Shion, e como conhecia.
Chegou num pulo e começou a juntar seus pertences em suas malas velhas, tinha que sair dali o mais rápido possível.
- Mestre Mu, você já voltou? - Um Kiki sujo, suado e com uma caçarola na cabeça surgiu em sua frente, aparentemente pego de surpresa em uma estripulia mais pesada.
- Kiki! - O mais velho virou-se para o pupilo, totalmente despreocupado do fato de que o menino trazia uma panela na cabeça e as roupas totalmente sujas de barro. - Menino... Foi um prazer te conhecer e...
Pensou melhor.
Kiki era, como ele, um dos últimos de sua raça. E era bem capaz de que, quando crescesse, Shion tivesse uma ideia semelhante para ele.
- E? - Perguntou o menino, piscando os enormes olhos azuis.
- E arrume suas coisas em UM segundo, que nós vamos sair.
- Sair? E pra quê arrumar as coisas?
- Nós vamos embora, Kiki!
- Ah, não! - O menino fez bico. - Eu gosto daqui! Eu num quero ir embora!
- Mas vai! - Mu não estava disposto a perder tempo. - Arruma logo suas coisas, que a gente vai se mandar daqui é já!
- Mas...
- Mu? - A voz de Shion se fez presente na antessala de Áries. - Ei, onde você está?
- Droga! - Mu chiou. Estava encurralado.
- Mu? - Shion entrou na sala, para encontrar o ex-pupilo com Kiki. - Ah, você está aí! Por que saiu assim tão de repente?
- Por quê? POR QUÊ? Eu não sei, mas eu tive a impressão de que você estava discutindo comigo os termos do casamento que você ia me arranjar! ARRANJAR, em pleno fim da década de oitenta! Ou eu estou errado?
- Mas claro que não, Mu! Ninguém está falando nisso, é lógico que não vai ser um casamento arranjado... - Shion tentou argumentar. - Veja bem, você vai conhecer a moça primeiro, a gente vai ver se a moça é uma boa escolha, mas se não for de seu agrado...
- ...Que não seja do meu AGRADO? VOCÊ FICOU DOIDO? BATEU A CABEÇA AONDE, HEIN?
- Mestre Mu, o que é uma moça de seu 'agrado'? - Kiki seguia tentando entender o que acontecia.
- Não é NADA NÃO, Kiki, é desvario da cabeça desse velho! - Rosnou Mu, bravo como há muito não ficava.
- Olha o respeito, Mu! - Shion empertigou-se. - Eu não admito que você me trate desse jeito!
- E EU não ADMITO que você disponha de minha pessoa pra casar com uma moça pra dar continuidade a linhagem nenhuma! Tá me achando com cara de quê? Cavalo reprodutor que sai por aí cobrindo as éguas? Mas essa é boa! Quer tanto assim dar continuidade a linhagem, CASE VOCÊ com a boa moça que você arranjar!
- Mas eu não posso, eu sou Grande Mestre do Santuário! Já pensou a complicação que seria? Do ponto de vista legal, moral, trabalhista... Uma eventual família minha seria de responsabilidade de quem, do Santuário?
- Tá, sendo por isso eu sou cavaleiro! Dá na mesma!
- Ah, não. - Shion meneou a cabeça negativamente. - Não dá na mesma, porque no caso de vocês cavaleiros, eu já tomei providências legais para que cada um se vire pra prover as crias que puser no mundo...
- Ei, espera aí, o Mestre Mu vai casar? - Kiki espantou-se com o que começava a entender.
- EU NÃO VOU CASAR COISA NENHUMA, KIKI! - Rugiu o outro. - NÃO CASO, NÃO CASO E NÃO CASO! Ouviu bem, Mestre Shion?
- Ah, Senhor Mestre Shion, mas ele não vai querer casar mesmo. - Kiki balançou a cabeça. - Até porque aquela mocreia já enfeitiçou ele.
- Hein? - Shion imediatamente olhou para Kiki, enquanto Mu quase engolia o menino com os olhos.
- É sim! A mocreia já enfeitiçou ele, agora não tem mais jeito. - Kiki agora se sentia satisfeito pela atenção recebida. - Foi o Hyoga que disse que o mestre Mu só pode ter ficado en-fei-ti... enfeitiçado pela mocreia! Porque eu contei pra eles o que aconteceu da última vez que ela encontrou meu Mestre Mu e foi isso que ele disse!
- O QUÊ? - Mu quase desfaleceu de raiva. E dessa vez ele iria matar o pupilo de Camus. Ah, se ia.
- Mas quem é... Mocreia? - Shion coçou a cabeça. - Pelo nome não me parece uma coisa boa, não.
- Mas não é! - Kiki adicionou, indignado. - Ela é uma bruxa! Boba e chata! Até tentou me matar!
- Como assim? - Shion seguia perguntando, e Mu não sabia onde enfiava a cara.
- Ela 'teve aqui com aquele... aquele... Ah, o lá do Reino Submarino que toca flauta! Veio aqui porque queria se vingar de mim! Quase me matou aquele dia, aquela bruxa!
- Como é? - Shion ergueu um dos pontinhos que lhe serviam como sobrancelha. - Mas que história é essa? Mu, por acaso você anda se envolvendo com esse tipo de gente? É por isso que você está renegando suas origens?
- Mas pelos deuses, eu não estou me envolvendo com ninguém! - Mu quase gritou, exasperado. - E é assim que eu quero continuar, antes que alguém tenha mais alguma ideia esquisita!
- E quem é essa tal Mocreia, pelos deuses? - Shion estava um tanto confuso. - Nunca ouvi falar de ninguém que vivesse por estas bandas e que tivesse um nome como esse. De um tanto de mau gosto, até.
- Mocreia não é uma pessoa, tonto! - Mu, em sua raiva, quase esquecera de sua pressa em sair dali. Quase. - É uma palavra pejorativa que esses moleques de bronze andaram ensinando pro Kiki, e que ele pelo visto andou aprendendo MUITO BEM! Quantas vezes eu já não disse que NÃO É pra falar das pessoas assim?
- Eu não disse? Ela enfeitiçou o mestre Mu! Com seu canto de se... sere... se...
- Sereia! - Mu completou, irritadíssimo. - E vê se pára de falar bobagem, moleque!
- Sereia? Que sereia? - Shion tentava entender; afinal, seria mais fácil convencer Mu a fazer o melhor para a linhagem lemuriana se ele tivesse todos os fatores do problema atual diante de si.
- Não tem sereia nenhuma! - Mu já estava se complicando: Entrara numa discussão infrutífera com Kiki, e ele mesmo já estava se esquecendo do problema inicial. - Não tem sereia, não tem noiva, não tem nada! Aliás, deixa eu sair daqui que eu ganho mais!
- Mu, volte aqui, nós ainda não acabamos de conversar! - Shion saiu atrás do ex-pupilo, que já saía pela entrada de seu Templo para poder se teleportar em segurança, arrastando um agora surpreso Kiki pelo braço.
- Eu já acabei essa conversa, eu estou saindo fora! Só volto a pisar nesse templo quando meus interesses pessoais voltarem a valer alguma coisa!
- Mu... - Shion foi novamente cortado pelo sumiço repentino do ex-pupilo, e por um Dohko que chegava pelo local e terminava de ver a cena que acabavam de protagonizar.
- Eu disse, Shion. - O chinês assentiu, pesaroso. - Eu avisei que ia dar nisso.
OOO
Enquanto isso, Thetys caminhava distraída, e muito pouco admirada pela paisagem pedregosa do Santuário. Para ela era um verdadeiro sacrifício acompanhar Julian até lá, mesmo porque ela sabia que ele só estava sendo tão assíduo daquele local devido a sua... amizade com a herdeira Kido. O que também lhe desgostava, já que ela sinceramente nunca entendera o que ele viu naquela moça sem graça.
Mas enfim, a ela restava apenas distrair-se e esperar que Julian resolvesse voltar até a sede das Empresas Solo.
Mas durante sua caminhada, Thetys foi quase atropelada por um Mu que simplesmente se materializou em sua frente, trazendo pela mão direita o menino Kiki.
- Dá pra você parar de interferir no meu teleporte, Kiki? - Um Mu exasperado quase gritava com o menino. - Ou você não está entendendo que nós precisamos sair daqui?
- Mas eu não quero ir embora, Mestre Mu! - O menino seguia fazendo bico, inconformado com a ideia de deixar o Santuário. - Ainda mais por conta dessa história de que você não quer casar por conta da mocreia.
- Kiki, pelo AMOR QUE VOCÊ TEM AOS DEUSES, CALE ESSA BOCA! - Mu perdeu as estribeiras. - Eu NÃO VOU CASAR, e não tem nada a ver com ela! E PARE DE CHAMAR A MOÇA DE MOCREIA, que isso é MUITO RUDE!
- Mas... O que é 'rude', senhor Mestre Mu?
- Do que é que você está falando, molequinho insolente? - Nenhum deles percebeu a aludida 'mocreia' bem em sua frente, até que fosse tarde demais. - Já está aí me xingando de novo? Pois é agora que eu te pego, seu moleque!
- AAAAAH! - Kiki deu um gritinho agudo. E Mu sentiu as orelhas arderem de novo ao ver diante de si a Comandante Marina de Poseidon em pessoa, exatamente naquele momento.
Sentiu a língua travar, de novo.
Não que houvesse muito o que discutir, no momento: Thetys estava novamente furibunda com seu pupilo, e pelo olhar em seus olhos o clima tinha tudo para pesar. Kiki intuiu que a outra viria para cima dele, e então começou a usar o próprio mestre de escudo.
Mas, aparentemente, a visão do cavaleiro de Áries na frente do menino fez com que a sereia parasse seu avanço por um momento.
- Mu de Áries... - Thetys batia o pé direito no chão e mantinha os braços cruzados, diante do embaraçadíssimo cavaleiro aludido. - E agora, tem algo a dizer sobre o péssimo comportamento do seu pupilo?
O outro abriu a boca, sentindo as palavras de novo emboladas na garganta. Mas precisava dizer alguma coisa, porque dessa vez até que Thetys tinha sua razão.
Não teve tempo, porém, de vencer seus bloqueios.
- Sua BRUXA! - Kiki gritou a plenos pulmões. - Bruxa feia, boba, horrorosa! Pois fique sabendo que você não vai mais enfeitiçar meu Mestre Mu! Nunca mais!
- Hã? - Thetys desfez a cara brava por outra de surpresa, e Mu sentiu o sangue fugir de seu rosto.
- Isso mesmo! - Kiki estufou o peito ameaçadoramente para a sereia. - Porque o Mestre Shion vai fazer o meu Mestre Mu casar com uma moça muito, muito, MUITO melhor do que você, sua MOCREIA!
- Como é? - A loirinha não entendia nada, enquanto o tibetano simplesmente sentia o ar lhe faltando de tanta vergonha. - Mas...
Mu virou-se devagar para o pupilo, com os olhos faiscando de raiva; e com a firme ideia de arrastá-lo dali, ou teleportar-se sozinho para qualquer outro lugar. Não teve tempo: Shion apareceu ali também, seguindo o cosmo dos outros dois, com Dohko em seu encalço enquanto tentava enfiar um pouco de senso na cabeça dura do amigo.
- Mas o que está acontecendo aqui? - Perguntou Shion, ao ver a Comandante Marina diante de um Mu que servia de escudo para Kiki. - Senhorita Thetys?
- O que está acontecendo? - A aludida sentiu a raiva em si mais uma vez. - O que está acontecendo é o pupilo do Cavaleiro de Áries aqui dando mais um show de educação e finesse!
- Kiki... - A voz grave de Shion ganhou um tom autoritário.
- Mas é ela que é a bruxa, senhor Mestre Shion! - Kiki balançava freneticamente os braços na tentativa de se explicar, enquanto apontava para a sereia com o dedinho duro. - É ela a mocreia que está enfeiti...
- CALA ESSA BOCA! - Mu finalmente desatou o nó em sua garganta, mas era isso ou o moleque falar mais do que devia, de novo.
- Kiki, mas como que você a chama de... Oh. - Shion rapidamente toma pé da situação. Dá um passo a frente, para analisar cuidadosamente a moça à sua frente.
Era bonita, sem dúvida alguma. Agradável aos olhos,sim. Tinha o temperamento um tanto combativo para seus padrões ideais de moça; mas, bem, não era disso que os rapazes gostavam agora? Além do que... Tinha ouvido falar que ela era nascida na Dinamarca; mas para ele, que tinha olhos treinados, a moça tinha traços que denunciavam sangue atlante.
E sangue atlante podia ser uma ótima notícia.
- Senhorita Thetys de Sereia... - Shion espigou a coluna, adotando uma postura formal, o que fez com que Mu assumisse uma postura de alerta. Bem que ele sentia que devia bater em retirada, mas algo o mantinha ali. - Perdoe a falta de modos do menino. O que a traz aqui ao Santuário de Atena?
- O de sempre. Vim acompanhar Julian Solo.
- Hunf. - Shion fez uma careta, pois a ele também desgostava as cada vez mais constantes visitas do jovem magnata à Deusa Atena. Sua alma experimentada não gostava nada daquilo. Mas voltou seu interesse ao alvo original. - E a senhorita, como anda?
- Eu? - Thetys estranhou um pouco. - Vou bem. Obrigada...
- Que bom. - Shion lançou um olhar inquisitivo ao ex-pupilo, enquanto Dohko lançava para ele mais um olhar exasperado. - E então me diga, já conhece o Mu, não é?
- É. - Thetys respondeu, olhando para Kiki e fechando a cara. - Conheço.
- Ah, claro... - O jovem Grande Mestre assentiu. - Até mesmo Mu tem dificuldades para controlar o menino. É muito peralta, você sabe...
- Ah.
- Mas me diga, mocinha... De onde você é?
- Ah?
Mu olhou para o antigo mestre, já assombrado. Sabia que o outro estava 'especulando' a jovem atrás de informações, mas se recusava a acreditar que ele tivesse a cara-de-pau de fazer isso na sua frente.
- É. De onde você é?
- Ah... Eu nasci na Dinamarca, mas minha família tem origem atlante, mesmo. Tem uma colônia deles por lá... Que aumentou de tamanho agora, com a queda dos pilares, você sabe...
- Ah, tem? - O jovem Grande Mestre ergueu um dos pontinhos que lhe serviam de sobrancelhas. - Bom saber que existem colônias de seu povo na superfície, já que os atlantes são como nós. Um povo isolado, rarefeito pelo mundo, com dificuldades de manter suas características, seus costumes...
- Shion... - Dohko já percebia onde o amigo queria chegar, enquanto que o jovem cavaleiro de Áries parecia querer assassiná-lo pelo olhar.
- ...E inclusive temos uma origem em comum, sabia? - Shion não parecia se incomodar com Mu, ou com o cavaleiro de Libra. - É, pouca gente sabe... Mas existe uma origem comum entre nossas linhagens.
- Shion... - O tom mais incisivo de Dohko e o cosmo ligeiramente alterado do ex-pupilo finalmente chamaram a atenção de Shion. - Mas o que há? Eu só estou fazendo uma observação...
Mu soltou um bufido irritado, mas que era um nada perto da irritação real que sentia. Saiu pisando duro, deixando para trás uma Thetys um tanto embaraçada, um Shion ainda empertigado, um Dohko exasperado e um Kiki meio confuso.
E, enquanto andava, conseguia praguejar contra sua má sorte.
Conviver com pessoas lhe era complicado. Não só pela sua aparência incomum, mas porque ele não se sentia bem rodeado de gente. E outra: tinha suas manias, tinha seu jeito de viver, e tinha dificuldades de se adaptar ao mundo e o mundo teria dificuldades de se adaptar a ele. Nesse ponto, a habilidade de ler pensamentos deveria lhe ajudar, mas só atrapalhava: Não era sempre que conseguia manter os pensamentos dos outros longe de sua mente, aliás isso costumeiramente lhe consumia algum esforço em locais mais densamente povoados.
Além do que era um rapaz tímido, e tinha plena consciência de sua timidez. Não sabia se ela era própria dele, ou fruto de seus anos isolado do mundo em seu exílio voluntário, mas ela era um fato. Não se incomodava muito com a timidez enquanto era um cavaleiro comprometido ao voto de celibato, até porque alguma eventual atração que sentisse por garotas não poderia ser consumada de qualquer jeito; então por que se dar ao trabalho?
Mas agora, as coisas ficaram diferentes.
Não só ele poderia se relacionar com garotas, como Shion deu de colocar na cabeça que ele deveria se relacionar com garotas. E não hesitaria em lhe aparecer na porta de sua casa com candidatas a noiva para perpetuar a linhagem, como ele mesmo disse. Nem que para isso esmiuçasse sua vida, atropelasse sua vontade, ou mesmo tomasse a decisão por ele.
Agora mesmo lá estava seu ex-mestre interrogando Thetys de Sereia para saber se ela seria uma boa candidata.
E só esse pensamento já o encheu de raiva.
- Er... - Ouviu a voz feminina de Thetys atrás de si. - Mu?
Voltou-se para ela, calado, mas a pontinha de raiva em si parecia lhe deixar mais confortável para falar.
- Ah... - Thetys percebeu a animosidade no olhar do outro, e tentou se aproximar com cuidado. - Oi.
-...Oi. - Respondeu o tibetano, com alguma dificuldade.
- Bem... - A sereia hesitou um pouco. - Dohko me pediu para vir até aqui, atrás de você.
Mu assentiu com a cabeça, desviando o olhar para a paisagem.
- Você vem? - A moça perguntou, atrás de si.
- Não. - O outro respondeu num murmúrio quase inaudível, ainda olhando para a paisagem.
- Ah... Tudo bem. - A moça deu de ombros, mas não conseguia conter sua curiosidade. - Mas... Me desculpe a curiosidade, mas... Eu posso te fazer uma pergunta?
Mu olhou de canto para a moça de olhos curiosos e azuis, para depois cravar os olhos no chão. A garganta embolou de novo, mas ele fez um sinal afirmativo com a cabeça.
- O Kiki... Olha, me desculpe, mas é que aquele menino é uma peste. Mas você já deve saber disso, não?
Mu meneou a cabeça, com um bufido seco que Thetys tomou como uma constatação afirmativa.
-...Mas não é bem isso que eu queria perguntar, desculpe. O que eu queria perguntar é... é... Desculpe, eu nem sei como perguntar isso... - Thetys olhou para o outro, que agora olhava para si. Respirou fundo, para falar em seguida. - Mas é que... Eu não entendi bem o que o Kiki me disse. Aquilo de dizer que você vai se casar com uma moça melhor do que eu...
A raiva de ver o assunto trazido à baila desembolou a garganta do cavaleiro de Áries.
- Não... Não se preocupe com isso. - Mu olhou de novo para a paisagem, praticamente forçando a garganta a falar as palavras que ele queria que saíssem. - Era mais uma besteira do Kiki, não tinha nada a ver com você, não. Coisa dele, só isso...
- Oh. - Thetys olhou para o chão, um tantinho decepcionada. E por um milésimo de segundo ficou contente de que o outro estivesse tão concentrado na paisagem pedregosa a seu redor.
Mas, depois de um momento de silêncio, Mu ouve de novo a voz da sereia.
- Mas... E que história é essa de casamento? - Thetys perguntou de novo, vacilante pela intromissão deliberada em um assunto que não era dela. - Me desculpe se eu estou me metendo onde não sou chamada, mas...
- Isso... - Mu se virou para a moça, dando um suspiro exasperado. - Não é nada disso. Não. Shion achou de enfiar na cabeça que quer achar uma moça com quem eu me case.
- Sério?
- É.
- Mas... Vocês cavaleiros não tinham que 'se dedicar à deusa de corpo e alma'? Pelo menos em teoria...
- A lei... Ela mudou na última assembléia que teve.
- Ah.
- Mas eu não vou casar. - Mu balançou a cabeça em negativa, resoluto. - Claro que não. Imagina se eu vou me submeter a uma coisa dessas...
- É um absurdo! - Thetys concordou. - Isso é coisa do século passado!
- Mas então. O Shion é do século retrasado, até que ele tá com ideias avançadas pra idade dele, já... - Mu soltou um riso seco, admirado com a péssima qualidade da própria piada e com o fato de que, apesar disso, ela tivesse conseguido arrancar risos da moça diante de si.
- Mas... - Thetys parou de rir um pouco. - Então agora os cavaleiros de Atena não precisam mais ser celibatários, é.
- É. Mas nem por isso eu vou casar. Ainda mais com uma moça que o Shion me arranje.
- Isso é. Melhor escolher, não?
- É. - Mu voltou os olhos de novo para um ponto perdido no meio da paisagem.
- Então... - Thetys puxou assunto, de novo. - Você não volta pra lá, mesmo?
- Melhor não. - O outro baixou os olhos. - Ainda tô com a história entalada...
- É. E... Ah... Olha, eu sei que você mal me conhece, mas... Eu tô contigo. Tipo, precisando pode contar comigo.
- Ah... Obrigado.
- Não tem de quê. E... Foi um prazer conversar com você, Mu.
E então que Mu finalmente percebe que ele efetivamente conversou com a garota. Inclusive conseguiu fazer uma piadinha. Infame, mas piadinha mesmo assim.
- O prazer foi meu, Thetys.
E, enquanto a Comandante Marina das tropas de Poseidon se afastava, Mu deixou um sorrisinho pequeno lhe aparecer no canto da boca.
OOO
...Continua?
03/04/2012
1 - Mais uma vez aqui seguimos o mesmo esquema de idades de Sui Generis.
UFA.
Mais um capítulo IMENSO de Sideways pra vocês. Não sei nem o que dizer do atraso, mas sério, mil perdões. Espero que pelo menos o tamanho compense, para os que gostam de linguiça cheia :DDD.
Enfim, o beijo e os agradecimentos para as fiéis leitoras: RavenclawWitch, Stella de Aquário, Cristinangelolima, Suellen-san, Needy, Alana, Juliana, e todos os outros que curtiram o capítulo do Afrodite. As que tem conta no FFnet recebem, como sempre, meu carinho via MP, e as que eu tenho agora o email de contato (ahahahaha, quem procura acha!) recebe meu carinho na caixa de entrada do seu email.
Anyway, beijos pra todos vocês que leram, gostaram, deixaram uma review (ou não; os que só leram também ganham meu carinho :3).
E não pensem que eu esqueci Sui Generis, o capítulo dela sai em MUITO BREVE.
Pra não perder o costume: Stay tuned!
