Disclaimer: Inuyasha pertence à Takahashi Rumiko.

-o-o-o-

She's a Lady

"Well, she's never in the way

Always something nice to say, oh what a blessing

I cant leave her on her own

Knowing she's okay alone, and there's no messing..."

-o-o-o-

Sesshoumaru nada disse, apenas arqueou uma sobrancelha. Fiquei com aquele sorriso idiota na cara até me tocar que, oh meu deus, eu ainda estava com aquele sorriso idiota - e abraçada à Sesshoumaru.

Me desvencilhei dos braços dele totalmente desajeitada, enfiando uma mecha do cabelo atrás da orelha. O encarei deixando meu queixo erguido, num sinal de que eu não estava envergonhada ou sem jeito, embora fosse mentira. Estudei-o atentamente, desde os olhos dourados fixos em meu rosto numa intensidade que me fez ficar corada até o terno slim italiano que exaltava como os ombros dele eram largos e como o tórax devia ser definido.

Ok, eu realmente gostaria de virar um avestruz pra enfiar a cabeça dentro do chão neste momento.

- O que você faz aqui? - Questionei, cruzando os braços. Eu não sabia o que fazer com eles quando estava nervosa.

- O que se faz numa adega, fazendeira? - Ele me respondeu, a voz grave soando levemente divertida, embora ele permanecesse sério como nunca.

Arqueei uma sobrancelha.

- Essa foi uma resposta desnecessária. - Ralhei.

Vi uma sombra de humor passar pelo rosto de Sesshoumaru, mas antes que ele pudesse me responder, uma moça ruiva surgiu no corredor, sorridente, embora seu sorriso tenha murchado consideravelmente ao me ver ali. Ela tinha os cabelos divididos em dois, presos lado a lado da cabeça, sendo que em um dos elásticos que mantinham o penteado havia uma florzinha roxa encaixada.

Observei em silêncio ela passar por mim e parar ao lado de Sesshoumaru, lhe mostrando uma garrafa de vinho empoeirada. Eu ia me retirar para lhes dar privacidade, mas de repente ela começou a falar e me vi incrivelmente interessada no assunto, já que eu não conhecia nada de vinhos.

- Sesshoumaru-sama, essa é uma das poucas garrafas que temos do vinho que o senhor pediu. Acredito que seja a última. É um clássico Sauterne Château d'Yquem, vinho branco perfeito para sobremesas, safra de 1949, permanece saboroso até os dias de hoje. - Ela disse, e então girou a garrafa entre as mãos. - O que acha?

- Perfeito. - Sesshoumaru observou a garrafa por alguns segundos, e então encarou a garota ruiva. - Obrigado, Ayame. Pode embalar, vou levá-lo. A encontrarei daqui a alguns minutos para negociarmos o valor. - Decretou, numa expressa ordem de que queria privacidade.

A garota chamada Ayame apenas maneeou a cabeça, corada, e se retirou. Por alguma razão, arqueei uma sobrancelha encarando as costas dela. Por que diabos ela tinha ficado tão corada?

- Rin. - De repente tive consciência de que Sesshoumaru me encarava. - Você tem algum compromisso hoje?

Repentinamente minha boca ficou seca.

- Eu... - Pisquei, algo gelado em meu estômago. -... Não, na realidade. Mas você deve ter. - Não evitei comentar, e quando vi sua sobrancelha se arqueando, amaldiçoei o fato de que minha língua era extremamente mais rápida que meu cérebro. - Digo, por causa do vinho. - Me expliquei, coçando a nuca.

- Sim, tenho um compromisso. Com você, especificadamente. - Ele disse, e minha boca se abriu de surpresa. - Gostaria de jantar comigo hoje?

Meu coração se agitou no mesmo instante que um sorriso extremamente grande tomava meus lábios. Oh meu Deus, Sesshoumaru me convidou para jantar. Sesshoumaru me convidou para jantar!

- Sim. - Respondi, sem fôlego, e só percebi que tinha juntado as mãos diante do corpo quando as balancei sem querer.

Sesshoumaru pareceu achar esse gesto cômico ou algo assim, já que um discreto e quase imperceptível sorriso de canto tomou os lábios finos dele.

- A que horas devo passar para buscá-la?

- Às oito. - Falei, sem pensar.

- Ótimo.

- Onde vamos?

- Você verá.

- Me conte! - Pedi, animada.

- Não.

- Por que não?

Ele me olhou como se eu fosse uma criança.

- Você é mesmo muito curiosa.

Fechei a cara.

- E você é mesmo um metido.

Sesshoumaru continou me olhando de forma impassível - aquela expressão de quem estava pensando seriamente se devia ligar pro sanatório.

- Vamos tomar vinho? - Questionei de novo, e quando o vi arquear uma sobrancelha, me defendi. - O que? Parecia um vinho ótimo, oras.

- Não sei se é seguro, no seu estado normal você fala demais. Seria difícil aguentar uma fazendeira bêbada.

- Eu jamais ficaria bêbada, e eu não sou tagarela! - Eu estava ultrajada.

- Então admite que é uma fazendeira.

Apertei os olhos.

- Você é um trapaceiro, seu cara de lua boboca.

- Sempre delicada. - Havia sarcasmo na voz grave de Sesshoumaru.

- Agora não irei mesmo tomar esse seu vinho idiota. - Eu sabia que estava sendo infantil e boba, mas ele me irritava.

- Veremos. - Sesshoumaru deu alguns passos em direção ao caminho que a garota ruiva havia tomado, e então parou ao meu lado, a mão de dedos longos segurando uma mecha solta do meu cabelo entre os dedos. Estava tão perto que eu podia ver como o dourado de seus olhos era vívido ou como seus lábios pareciam atrativos. Deus, estou mesmo virando um caso perdido. - Até mais tarde. - Dito isso, ele deslizou a mão pelo meu rosto numa suave carícia, colocando a mecha que segurava atrás da minha orelha enquanto continuava seu caminho.

Fiquei parada ali com um sorriso bobo na cara até ele sumir pelo corredor. Quase suspirei, parada ali olhando o nada, até que me liguei na razão que havia me levado até ali.

- A lista de Kagome. - Balbuciei, arrancando a listinha do bolso.

Como ela havia me pedido, procurei alguém na adega para confirmar a lista de bebidas e ver se de fato estava tudo ok. Para meu alívio, tudo estava nos conformes. Fui para casa e lá liguei para uma Kagome extremamente agitada com os convites. Quando soube que a questão das bebidas estava confirmada e fechada, ela suspirou, como se alguém tivesse tirado um peso enorme das costas dela. Antes que alguma ordem mais fosse dada, avisei que tinha um compromisso à noite com a editora e ouvi um muxoxo no outro lado da linha. Minutos depois eu estava esparramada no sofá, encarando o teto e me questionando se devia esconder de uma de minhas melhores amigas a questão toda com Sesshoumaru.

Me recordei do quanto ela havia surtado num encontro com um desconhecido. Se ela soubesse que eu tinha um encontro com Sesshoumaru...

Saltei do sofá num pulo e fui caçar algo para comer, eu não tinha almoçado. Enquanto fuçava meu armário em busca de alguma coisa, cheguei à conclusão de que não havia razão para me sentir culpada. Eu queria a liberdade e privacidade de ter um encontro com alguém que havia me convidado e que não era um completo estranho que eu nunca tinha visto na minha vida.

Com esse pensamento, fiquei em paz comigo mesma. Almocei macarrão com queijo e me ocupei, pelo resto da tarde, em tentar escrever alguma coisa do meu livro. Até saiu alguma coisa, mas em determinado momento em simplesmente tirei o óculos de grau que usava o deixei sobre a mesinha de centro, esfregando os olhos. Não estava sendo um dia produtivo, e quando bati as horas no relógio quase pulei - já eram seis horas. Dado o fato de que eu não era uma pessoa que tinha o hábito de me produzir, era bom correr.

Dito e feito, tomei um banho relaxante, e só me liguei que estava extremamente nervosa quando me vi diante do espelho, o cabelo enrolado numa toalha, encolhida dentro do meu roupão enquanto tentava pensar no que usar. Do nada minhas mãos começaram a tremer drasticamente.

- Ok, é só um encontro idiota. - Repeti a mim mesma, vendo meus olhos castanhos no espelho brilharem e meu rosto ruborizar na altura das maçãs do rosto de uma forma que eu jamais havia visto na vida.

Ok, definitivamente não era "só" um encontro coisa nenhuma. Era com Sesshoumaru! O que significava que minha vida amorosa e social, depois de tanto tempo em coma, tinham dado algum sinal de vida - embora essa última envolvesse minha pessoa sempre fugindo ou cercada de mutantes numa boate que se assemelhava ao inferno.

Respirei fundo e me ocupei de esquecer isso da melhor maneira que pude. Abri meu guarda roupa e fitei aquela variedade absurda de roupas, me sentindo uma formiguinha. Timidamente comecei a procurar entre tantos tecidos algum que me atraísse o suficiente para ser usado. Francamente eu não tinha me embrenhado muito ali desde que Kagome dera seu toque "Kagomelístico", afinal era Kagome - ela tinha jogado minhas calcinhas fora e isso era um bom argumento pra ter receio de abrir seu próprio guarda-roupa.

Mas todo meu receio foi embora quando puxei uma peça e analisei que eu poderia, quem sabe, ficar... Bonita, com ela. Minhas sobrancelhas se arqueram com a perspectiva de eu, logo eu, Rin, usar algo como aquilo. Puxei a peça e caminhei vagarosamente até o espelho, encaixando-a sob o tecido felpudo do roupão que usava no momento.

Sorri, surpresa e feliz de ter gostado da ideia. Minutos depois, eu estava de volta ao mesmo lugar, mas agora trajando um vestido vinho frente única que se amarrava à minha nuca num laço firme, consequentemente deixando parte das minhas costas em evidência. Ele era justo na cintura, ficando solto e rodado nas pernas, lembrando muito os modelos que eu via em filmes antigos dos anos 60. Dei uma voltinha e sorri feito uma boba, pelo menos até bater os olhos no relógio.

Soltei um palavrão no ar e corri para secar meus cabelos. Como infernos eu tinha demorado tanto fazendo só aquilo? Bufei, sem querer pensar a respeito. Deixei meu cabelo solto pelas costas, e me admirei de notar como um corte resolvia tantos problemas. Agora ele ficava sedoso e liso sem que eu precisasse lutar muay thai apenas para deslizar um mísero pente entre as mechas.

Arqueei a sobrancelha mais uma vez na noite, passando os dedos pelo cabelo agora perfeitamente desembaraçado e macio. Uma ideia me passou pela cabeça e eu sorri quando notei que era capaz de concretizá-la. Me vi fazendo uma traça lateral rapidamente, minha franja ficando solta. Felizmente eu tinha habilidade naquilo, já que desde criança aquele era o único penteado que eu sabia fazer. Era rápido, fácil, meu cabelo era comprido e eu era apegada demais à ele para cortá-lo - um apego que se estende até os dias de hoje, aliás.

Por fim, terminando o que provavelmente deveria entrar para o Guiness Book como a maior produção da história que eu já fiz em mim mesma, coloquei um par de brincos medianos que com certeza havia sido obra de Kagome, junto com uma sandália de salto alto preta. Tive que dar umas voltinhas dentro do meu próprio quarto até me acostumar e parar de rezar a cada passo que dava, pedindo a Deus que não me deixasse cair igual uma melão podre. Me senti mais segura depois de uns minutinhos pra lá e pra cá, mas continuei orando em pensamentos. Baseando-se em meu histórico, era sempre bom contar com ajuda divina.

Como minha habilidade com maquiagem era quase igual a zero, limitei-me a fazer uso de um lápis de olho simples e gloss. Tive sucesso quando consegui terminar as duas tarefas sem enfiar nada no meu globo ocular ou me parecer com o bozo.

Só aí, então, suspirei e me olhei diante do espelho. Eu quase não me reconhecia. Estava tão... Bonita. Eu nunca havia me considerado uma garota bonita. Desde cedo, acho, sempre foi assim. Não havia espaço para eu pensar naquilo, estava sempre tão ocupada me escondendo do mundo, ou das pessoas ou... De mim mesma. Não que agora eu quisesse me exibir. Pelo amor de Deus, de maneira alguma. Mas eu sentia uma auto estima antes ausente crescendo gradualmente dentro de mim, porque agora eu sabia que estar bonita era legal. Não porque eu tinha um encontro ou queria atenção dos homens, mas porque eu me sentia bem comigo mesma. Não era uma obrigação, ou uma tarefa, ou mesmo uma forma de provar algo a alguém. Eu não tinha de provar nada à ninguém. Mas eu me sentia bem em gostar do reflexo que via no espelho, gostava da leveza que era estar segura de mim mesma e continuar sendo exatamente quem eu sempre fui, apesar da minha aparência ter mudado um pouco. Era bom e saudável não se sentir inferior à alguém, ainda que o físico ou aparência não definam nada sobre as pessoas.

Tive meus devaneios filosóficos interrompidos quando a campainha tocou. Eu nem havia me ligado que já havia dado o horário, e quase derrapei no corredor quando fiz uma manobra radical para não me desequilibrar e sair rolando pelo corredor igual um kibe cru. Quando abri a porta, nervosa, me deparei com um Sesshoumaru impassível no corredor.

Por um segundo senti que o tempo congelou. Não importava quantas vezes eu o visse, sempre ficava absolutamente inebriada na beleza dos olhos dourados, ou em como ele estava sempre tão elegante, mesmo quando não estava usando terno e gravata - não pude deixar de observar, curiosa, como Sesshoumaru ficava extremamente bonito com uma simples camisa social dobrada na altura do cotovelo e calça num tecido escuro que não pude identificar, tamanha era a descrição. As mãos estavam nos bolsos e percebi que seus olhos estavam fixos em mim quando finalmente o encarei, minhas bochechas ficando vermelhas ao me dar conta que eu não havia sequer dito um oi.

Como se pudesse adivinhar o que eu havia pensado, ele se manifestou.

- Boa noite Rin.

Levei uma das mãos à cintura, sem conseguir esconder o sorriso.

- Agora tenho nome.

- Se quiser posso chamá-la de fazendeira.

Apertei os olhos.

- Rin, por favor.

Sesshoumaru deu ombros.

- É um hábito.

- Hábitos podem ser quebrados.

- Hm. - Os olhos intensos dele se fixaram no meu rosto, e senti algo gelado no meu estômago. - Está muito bonita. - Ele mudou totalmente o rumo da conversa.

- Obrigado. - Eu sorri timidamente, sem graça.

- Está pronta?

- Yeah. - Pisquei um dos olhos, animada.

Depois daquilo, tranquei a porta e ao lado de Sesshoumaru, me dirigi ao elevador do meu prédio. Fiquei abismada de ver que mesmo de salto alto eu não chegava nem perto de ficar ao menos na altura do ombro dele e resmunguei sobre isso quando chegamos ao carro dele.

- Sua altura faz jus à sua idade mental. - Sesshoumaru limitou-se a comentar, dando partida na BMW. O motor do x6 rosnou, bravo.

- A sua também. - Dei um sorrisinho.

- Eu não tenho altura de uma criança de cinco anos. - Os olhos dourados se fixaram no meu rosto rapidamente antes de seguirmos rumo ao ponto de parada da noite.

- Exatamente, você tem a altura de um velho rabugento se formos comparar altura à idade mental. - Dei ombros, encarando-o.

Sesshoumaru me olhou seriamente, naquela expressão impassível, antes de voltar a dirigir. Comecei a rir.

- Ora, Sesshy...

- Do que me chamou? - Pela primeira vez vi algum sentimento além de frieza na voz grave.

- Você ouviu.

- Diga que foi alucinação esse apelido ridículo.

- Foi alucinação esse apelido ridículo. - Não pude evitar.

- Você tem realmente cinco anos.

- Você quem pediu. - Me defendi.

- Se eu pedir que você pare de me chamar assim novamente, suponho que vá fazê-lo também, então.

- Isso é trapaça.

- Estou apenas afirmando o que você mesma disse.

O olhei feio. Sesshoumaru manteve-se impassível. Girei os olhos e pelo resto do caminho trocamos mais algumas farpas amigáveis até eu começar a ficar seriamente curiosa sobre onde íamos. Ele desviou do assunto até eu me cansar e observar que havia vários CD's no compartimento da porta.

Me choquei quando vi Chopin, Eric Clapton e David Garrett.

- Rock em violino? Quem diria, de Chopin à Garret. - Sorri, examinando as músicas.

Sesshoumaru olhou-me rapidamente antes de responder.

- Ele é original para um violinista.

- Sim. Embora eu goste muito de Lindsey Stirling também. - Comentei, distraída.

Ele não me respondeu. O olhei e vi que observava alguma coisa do lado de fora. Quando me liguei, vi que estávamos parando em frente a um luxuoso restaurante e que havia um manobrista vindo em nossa direção, para buscar o carro. Só ali me livrei do cinto de segurança e ao lado de Sesshoumaru, parei na entrada do local, encantada. Não era um simples restaurante, era um prédio inteiro perfeitamente moldado com piscas-piscas, parecia natal e raminhos no que pareciam ser grades de proteção.

Sorri, achando lindo, até que um súbito contato me fez "voltar" a terra. Me toquei que estava sendo conduzida para dentro do restaurante quando senti minha mão ser envolvida por outra muito maior. Corei, sem jeito, quando vi que os dedos de Sesshoumaru estavam entrelaçados aos meus.

- Onde estamos indo?

Ele me olhou de relance antes de chamar o elevador. Sua mão era morna contra a minha.

- Vamos ver como é um jantar na cidade, fazendeira.

Arqueei uma sobrancelha, mas não pude deixar de sorrir.

- Não tem medo de passar vergonha trazendo uma fazendeira num lugar assim? - Zombei.

Num leve movimento que me fez ficar mais próxima a ele, Sesshoumaru me puxou suavemente pela mão, e como num passe de dança dei um passo automático em direção a ele, vendo mais de perto como o dourado de seus olhos era vívido.

- Essa é a última das minhas preocupações.

Borboletas e mais borboletas voaram no meu estômago. Eu ia responder, mas nesse momento o elevador chegou e tudo o que pude fazer foi manear a cabeça. Enquanto atravessávamos os andares, ficamos frente a frente.

- Não vá brigar comigo depois.

- Estou contando que se comporte.

Eu ri, ao passo que via um sorriso quase imperceptível surgir nos lábios finos. Quando pensei em responder, entretanto, o elevador chegou ao andar indicado e eu fiquei maravilhada demais para falar.

Era um terraço, totalmente a céu livre. A iluminação era feita por lâmpadas japonesas, cujo brilho e beleza dividia atenção com os delicados raminhos de folhas recheados de piscas piscas que envolviam as grades de proteção que eu havia visto anteriormente, uma tentativa do restaurante de mesclar a simplicidade à sofisticação.

Bem, deu certo. Eu ainda estava boquiaberta quando o maître veio nos recepcionar.

- Feche a boca, fazendeira. - Sesshoumaru sussurrou em meu ouvido, e eu pisquei, estremecendo, ao me dar conta que ele estava atrás de mim, uma das mãos na minha cintura.

Fiquei sem reação enquanto era conduzida por Sesshoumaru e pelo maître. Voltamos a dar as mãos até nos sentarmos na mesa, frente a frente.

Ali eu não consegui me conter.

- Sesshoumaru, esse lugar é tão lindo. - Falei, um sorriso tomando meus lábios.

Ele me olhou parecendo satisfeito e, pela primeira vez, acho, vi algo parecido ternura nos olhos dourados.

- Que bom que gostou.

Sorri, genuinamente feliz, e dali em diante só posso dizer que tive um dos melhores jantares da minha existência. Era tão absurdamente fácil conversar com Sesshoumaru quando ele deixava aquela barreira de frieza um pouco de lado e permitia que alguém visse algo além daquela expressão impassível. Falamos de tudo um pouco, desde economia até constelações. Quando ele pediu que trouxessem o vinho que ele havia comprado aquele dia, não pude deixar de relembrá-lo algo sobre "tagarela" e "não me aguentar".

- Você é uma ótima companhia... - Ele disse, e eu sorri, agradavelmente constrangida. -... Para uma fazendeira.

Murchei o sorriso ao passo que via Sesshoumaru dar uma leve risada. Ele nunca me deixaria em paz. Voltamos a conversar, apreciamos o jantar, a sobremesa e a companhia um do outro. Foi só quando as mesas ao redor começaram a ficar vazias que nos levantamos para ir embora também. Felizmente eu não estava bêbada nem nada do gênero, o vinho era delicioso e graças a alguma divindade não sofri efeitos a tal ponto - talvez eu estivesse leve, mas eu não sabia se era por causa de Sesshoumaru ou se era o vinho.

Caminhamos ainda conversando, e daquela vez não houve constrangimento quando entrelaçamos as mãos. Achei que íamos esperar o carro na porta do restaurante, mas na realidade na hora de ir embora as chaves foram entregues à Sesshoumaru. Descemos em silêncio até o estacionamento, também iluminado por lâmpadas japonesas e parcialmente vazio por conta do horário.

E foi então que aconteceu. Estávamos próximos à BMW preta quando Sesshoumaru segurou minha mão, me impedindo de continuar a andar. Me virei para ele a ponto de notar que na semi escuridão do estacionamento tudo o que eu via era o rosto de traços harmoniosos e o quanto o corpo masculino irradiava calor, estando tão próximo de mim. Lentamente deixei que minhas mãos parassem sob os ombros largos enquanto sentia que um dos braços de Sesshoumaru envolvia minha cintura.

Eu não sei o que havia naqueles olhos dourados, mas quando me dei conta nossos narizes estavam se roçando enquanto mantíamos o contato visual. Os dedos longos de Sesshoumaru afastaram algumas mechas da franja do meu rosto ao passo que minhas mãos, pequenas, tomavam seu rosto puxando-o em direção ao meu. Nossas respirações se cruzaram pouco antes dos nossos lábios se encontrarem num beijo.

O que era inicialmente um simples roçar de bocas gradualmente evoluiu para um beijo profundo e intenso. Quando me dei conta, as mãos de Sesshoumaru tinham envolvido minha cintura, tornando a proximidade entre nossos corpos abrasadora. Entre o corpo dele e o carro só havia eu, no lugar que naquele momento era o melhor do mundo. Eu me sentia totalmente envolvida e inebriada, o calor e o sabor de Sesshoumaru embrigavam meus sentidos. Quando fizemos uma leve pausa para recuperar o fôlego, não pude deixar de sorrir antes de ter meu lábio inferior mordiscado numa prévia do beijo seguinte.

Se antes o calor e o sabor de Sesshoumaru estavam me fazendo perder a cabeça, não posso dizer que recuperei minha lucidez quando suas mãos macias deslizaram por minhas costas nuas, causando um arrepio que circulou meu corpo por inteiro. Ali deixei que minhas mãos deslizassem pelos ombros largos, o abraçando enquanto retribuía, esquecendo de qualquer coisa ao meu redor.

Não sei ao certo quando foi que afastamos nossos lábios, mas sei que quando trocamos um último beijo, diante do meu prédio, eu me sentia feliz como nunca. Havia algo muito bom voando em meu estômago, e meu coração parecia decido a acelerar cada vez que eu pensava naquela noite.

Foi quase automático quando girei a chave na fechadura, entrei e suspirei, me jogando no sofá.

Fosse o vinho, fosse Sesshoumaru ou a mistura de ambos, naquela noite eu adormeci com um sorriso nos lábios.

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N.A: Hááá, adivinhem quem voltou com capítulo quentinho saído do forno? Muahahaha! E aí people, o que acharam? Gostaram? Eu sinceramente fiquei receosa de ter feito algo muito açucarado, mas no ponto em que a história se encontra acredito que não tenha ficado exagerado. Gostaria muito que vocês deixassem reviews dizendo o que acharam pra que eu saiba se a coisa tá indo num ritmo legal, ok?. Então por favor comentem! Já passamos da metade da história e aguardem porque vamos ter fortes emoções futuramente, mwhahaha. Meu muito obrigado a quem comentou, yay! Me incentivaram com toda certeza a escrever esse capítulo! Thaaanks! \o/

Beijooos!