Casais: Jensen/Jared, Chad+Daneel, Daneel+Jensen
Classificação: Slash, AU, Darkfic
Nota: Baseado no filme de mesmo nome.
Sangue e Chocolate - Capítulo seis
O beijo foi lento e profundo. Jared sempre tentava deixar os olhos abertos para conseguir ver as íris douradas de Jensen, fascinado com a mudança de cor. Mas as sensações eram fortes demais e ele logo fechava os olhos, suspirando e gemendo dentro do beijo.
Num gesto rápido e habilidoso Jensen virou seus corpos e prensou-o contra o chão. O casaco que usava servia como algo para que pudessem deitar sem entrar em contato com a sujeira do local. Seus olhos dourados brilhavam na penumbra do local, analisando aquele corpo abaixo de si, cada contorno e machucado. Ele abaixou-se e lambeu os cortes no abdome e peito de Jared, sentindo o gosto do sangue seco, entrando em comunhão com a pele do artista. Seu gemido misturou-se aos gemidos de Jared.
- Jensen...
O loiro ergueu o rosto e sem desviar o olhar começou a abrir a calça jeans que Jared usava, a última peça de roupa que ficara entre os dois. Jared o encarava sem pudor e ele podia sentir aqueles olhos claros percorrendo cada centímetro do seu corpo. Logo aquela mão tocou sua coxa, que estava enfaixada onde Daneel havia lhe mordido.
- Seu machucado...
- Logo sara. – sussurrou Jensen, finalmente abrindo o zíper e botão da calça do outro – Nós nos curamos mais rápido.
Jared sorriu com isso e ergueu os quadris para Jensen deslizar sua calça e sua boxer por suas longas pernas. Jensen jogou a peça de roupa para trás e deslizou seus dedos por aquelas pernas, subindo pelas coxas, até que pode deslizar por aquele quadril definido. Jared arqueou as costas e agarrou Jensen pelos cabelos, puxando-o para um beijo lento e desesperado.
- Achei que ia morrer...que nunca mais ia te ver... – murmurou Jared entre beijos.
- Nunca ia deixar que te matassem...nunca. – rosnou Jensen, mordiscando e se deliciando naquela boca.
- Jensen... – gemeu Jared, entreabrindo as pernas, enlaçando-as em volta do corpo do loup-garou, puxando-o mais perto.
Jensen gemeu algo parecido com um rosnado, em outra língua, e logo puxou Jared pelos cabelos, aprofundando aquele beijo. Nunca sentira tanto desejo, tanta vontade de possuir e marcar alguém. E Jensen sabia que a sensação era quase como encontrar seu par, como encontrar aquele que seria seu para o resto da vida.
Nunca imaginara que encontraria em um humano. Em alguém como Jared.
Eles rolaram no chão e Jared ficou por cima, sentando em seu colo. Jensen ergueu-se, encostando-se contra a parede e logo estavam na posição de quando haviam começado tudo aquilo. Jared pegou uma de suas mãos e deslizou por seu próprio rosto antes de deslizar dois dedos dentro de sua boca, chupando-os com vontade. Jensen grunhiu, lambendo os lábios. Jared sorriu, ainda se deliciando com o gosto daquela pele. Jensen aproximou-se e começou a beijar Jared, suas bocas e línguas se entrelaçando com seus dedos, deixando-os lambuzados de saliva. Logo Jensen retirou-os da boca de Jared e retomou o beijo, possuindo aquela boca com fervor. Sua mão deslizou pelas costas trabalhadas e sinuosas de Jared até tocar em suas nádegas. Jensen usou a outra mão para separá-las e logo deslizar seus dedos úmidos contra a entrada de Jared. O artista, por sua vez, gemeu em incentivo, usando uma mão para segurá-lo pelos cabelos e outra para se apoiar contra a parede, arranhando o concreto quando sentiu os dois dedos invadi-los de uma vez.
- Anda... – grunhiu dentro do beijo, rebolando contra aqueles dedos.
Jensen apenas acenou com a cabeça e aproximou-se mais, suas ereções entrando em contato direto pela primeira vez. Ambos gemeram e começaram a se esfregar um contra o outro com urgência. Jensen retirou sua mão das nádegas de Jared e deslizou por aquela coxa torneada, apertando-a e arranhando-a.
Jensen engoliu o gemido alto de Jared quando enfiou um terceiro dedo, sentindo a mão em seus cabelos apertar por alguns segundos antes de relaxar a pegada e apenas lhe acariciar.
Logo aqueles dedos não eram suficientes para Jared. Ele interrompeu o beijo quente com um ofego, mordendo os lábios quando sentiu Jensen tocar naquele ponto dentro de si que fazia seu corpo tremer.
- Jen...sen...
Jensen ergueu os olhos dourados e concordou com a cabeça, retirando os dedos do interior do outro, um por um. Jared ergueu-se mais, segurando a ereção de Jensen em uma das mãos, manipulando-o, sentindo-o pulsar. Calmamente ele guiou a cabeça para sua entrada e desceu os quadris lentamente, sentindo Jensen lhe preencher centímetro por centímetro.
Quando finalmente Jensen estava por inteiro dentro de si, Jared por um momento paralisou seus movimentos. Ele encarou Jensen, seus dedos deslizando por aquele rosto perfeito, os olhos dourados brilhando como chamas de uma vela. Seu dedão tocou aquela boca carnuda, inchada pelos beijos trocados. Jensen sorriu, seus dentes parecendo mais afiados que o normal. Jared levantou os quadris lentamente antes de se abaixar, seus olhos não deixando os do loiro.
Logo um ritmo cadenciado foi criado por ambos. O artista sentiu quando as mãos de Jensen lhe agarraram pelas nádegas, trazendo-o mais perto. Seu membro roçou contra aquele abdome definido. Ele encosto sua testa na do outro, seu corpo pedindo por um ritmo mais rápido, mais urgente.
- Jensen...me... – ele lambeu os lábios – transforma...
- O que...? – ofegou Jensen, sua cabeça rodando de prazer.
- Eu quero ser seu...pra sempre. – sussurrou Jared, ainda movendo-se pra cima e pra baixo, sentindo o membro de Jensen lhe tocar na próstata repetidamente, sem perdão.
Jensen rosnou e puxou-lhe pelos cabelos, inclinando sua cabeça, roçando os lábios na junção do seu ombro e pescoço.
- É isso mesmo que quer? Se tornar um loup-garou como eu? Ser meu...para sempre?
Jared inclinou ainda mais a cabeça, gemendo mais alto.
- Sim.
- Há décadas não há uma transformação de um humano. – sussurrou Jensen, lambendo aquela pele, sentindo suor, excitação e o gosto único de Jared – Mas por você...eu quebro todas as...tradições.
- Então...me morda. Me transforme.
Jensen beijou aquele pele bronzeada, sua mão soltando o cabelo de Jared e se fechando em volta da sua ereção, masturbando-o no ritmo que aquele corpo subia e descia. Jared socou a parede que apoiava uma de suas mãos, gemendo rouco.
- Jensen...!
- Quando estivermos longe daqui... – sussurrou Jensen, trazendo-o mais perto – Quando tudo isso acabar, eu vou te transformar. E então...vou possuir e marcar cada pedaço seu como meu.
E antes que Jared pudesse dizer qualquer coisa em resposta, Jensen lhe beijou com paixão, sua mão movendo rápida em sua ereção. Jared moveu-se mais rápido, quase beirando ao desespero. Suas línguas se entrelaçavam com fome, os gemidos se misturando e ecoando naquele local deserto. O dia começou a clarear, o sol surgindo no horizonte, os primeiros raios tímidos invadindo a fábrica abandonada pelos vidros quebrados.
Jensen sentiu o calor do amanhecer percorrer seu corpo nu e abriu os olhos dourados, apaixonado pela imagem diante de si: o corpo de Jared movia-se com fervor, sua pele bronzeada e molhada de suor brilhava com o sol que nascia. E seria sua. Aquele pele, aquela boca, aquele corpo, aquele homem seria seu.
O loiro, com o coração na boca, deslizou os lábios na bochecha de Jared e mordiscou o lóbulo de sua orelha, apenas o suficiente para Jared sentir a ardência da mordida.
- Goza pra mim. – veio o sussurro rouco.
Jared gemeu mais alto, aquelas palavras fazendo seu sangue ferver, quase borbulhar. Ele encostou sua testa contra a de Jensen, sentindo seu corpo todo se retesar. As palavras de encontro ao seu ouvido foram a gota d'água; ele sentiu seu corpo todo tremer quando finalmente alcançou o orgasmo, seu membro pulsando, lambuzando seu abdome e o de Jensen. Ele mal podia ouvir com o som do seu coração batendo tão alto, mas pôde sentir quando Jensen alcançou o ápice também, gozando dentro de si, preenchendo-o. Ele abriu os olhos, encarando Jensen, quase intoxicado quando o loiro lhe encarou de volta, seus olhos brilhando como chamas, o dourado sumindo até que as íris verdes lhe encaravam com paixão e desejo, aquelas mãos agarrando seu quadril com força.
Seu corpo parou de se mexer, jogado contra o colo do outro, sentindo ainda aquele membro dentro de si. Suas bocas se encontraram com pouca urgência, o beijo calmo, lento e profundo, como que tentando passar em gestos o que palavras não conseguiriam dizer.
O sol nasceu, brilhando e esquentando os dois corpos unidos como um.
George, um dos loup-garou mais leais da alcatéia, se aproximou com uma gaze e panos limpos, ajoelhando-se em frente à Daneel. A mulher mal o encarou enquanto ele molhava o pano em uma bacia de água quente e limpou seu torso nu, uma marca de mordida visível em sua pele bronzeada. George limpou o local eficientemente antes de usar o segundo pano limpo para secar o local. Ele então pegou a gaze e enrolou em volta do abdome de Daneel, prendendo-a no fim.
- Está limpo, líder.
Daneel levantou-se, seu corpo nu brilhando com o sol que nascia. Matthew, irmão gêmeo de George, entrou no local, carregando um sobretudo. Ele ajoelhou-se ao lado do irmão e estendeu a roupa.
- Líder.
Daneel arrancou a roupa das mãos do homem, seus sentidos lupinos ainda aguçados. Ela rosnou enquanto colocava o sobretudo, cobrindo seu corpo. Rafe e os três seguidores de Chris entram na sala.
- Ele escapou, como pode? É a primeira vez que um humano faz isso!
- Mas podemos ainda rastreá-lo!
- Temos que achá-lo, a morte de Chris não pode ser em vão.
- Silêncio.
Todos à sua volta de calam. Ela senta-se novamente, arrumando os cabelos avermelhados atrás da orelha. Daneel sente que tem a atenção de todos e rosna.
- O humano não conseguiu escapar sozinho, ele teve ajuda.
Ela deixa o murmúrio em volta de si percorrer cada membro da alcatéia por alguns segundos até erguer a mão, pedindo silêncio.
- E quem o ajudou foi Jensen. Mesmo que para isso ele ferisse um membro de sua família.
E então ela abriu o sobretudo, mostrando o abdome enfaixado, a gaze se manchando de sangue. As pessoas a sua volta rosnaram em fúria.
- Jensen fez isso com você? – perguntou Rafe, suas mãos fechadas em punhos.
Daneel fechou o sobretudo novamente, acenando positivamente com a cabeça. Ela suspirou e voltou a se sentar onde estava antes de todos entrarem.
- Me dó dizer isso, mas após esse gesto de traição de Jensen, ele não é mais um de nós. Por isso...se vamos achar o humano e fazê-lo pagar pela morte de Chris, significa que iremos caçar Jensen também.
A alcatéia gritou e uivou em concordância. Daneel ergueu a mão novamente e todos se calaram.
- Dessa vez, a busca será por toda Praga. Quero os dois, vivos, na minha presença. Eu mesma irei executar a sentença. Vão.
Todos uivaram uma última vez antes de saírem do local. Daneel ficou a sós com George e Matthew, um sorriso maldoso percorrendo seus lábios vermelhos, ainda manchados do sangue que arrancara de Jensen.
- Eu o machuquei, ele não deve ter ido muito longe com o humano. Vão.
Os gêmeos acenaram com a cabeça e saíram do local como uma só pessoa. Daneel recostou contra a poltrona. Estava tão entretida em seus planos que não viu alguém nas sombras sair do local silenciosamente.
Ele adentrou na fábrica abandonada com cuidado, seu nariz coçando pelo cheiro de nitrato de prata do local. Ele foi caminhando entre as máquinas envelhecidas e pedaços de materiais de escritório.
Foi quando um cheiro diferente capturou sua atenção.
Sexo, suor, sangue e êxtase.
Ele sorriu divertido enquanto caminhava na direção do cheiro, seguindo como quem vê uma trilha a sua frente. Ele logo encontrou o que procurava:
Jensen estava encostado na parede, seus olhos fechados e face serena, quase o deixando anos mais novo. Entre suas pernas, recostados a si, estava Jared, sua cabeça adormecida no peito nu de Jensen. O sobretudo que Jared usara antes era a única coisa que os cobria, mas não servia para muita coisa; suas pernas entrelaçadas eram visíveis, pois a peça de roupa apenas chegava até o início das coxas de Jared.
Ele se aproximou, cauteloso, observando a cena com humor e um pouco de melancolia nos olhos. Mas quando estava há menos de um metro de distância, Jensen abriu os olhos, as íris douradas e flamejantes. Em um gesto ele rosnou, abraçando Jared para mais perto de si, protetor.
- Se veio atrás dele Chad, vou avisar que vai ter que passar por mim primeiro.
Chad ergueu a sobrancelha, enfiando as mãos no bolso da calça jeans.
- E vai lutar comigo como, com esse machucado e essa nudez toda?
Quando Jensen simplesmente continuou a rosnar para si, Chad suspirou. Com a comoção toda, Jared acabou despertando, e arregalou os olhos ao ver o loiro a sua frente.
- Jensen...
- Calminha garoto. Eu não vou machucar você...e nem o Jensen.
Jensen arregalou os olhos ao ouvir isso. Ele e Jared se desvencilharam e Jensen entregou a calça para o moreno, ficando na frente dele para que se trocasse.
- Eu...não entendo.
- Jensen. – Chad suspirou – Eu prometi a sua mãe, minha irmã, que se algo acontecesse com ela, eu sempre cuidaria de você. E parece que agora devo cuidar de você até mesmo da Daneel.
- Mas...o Jared atravessou o rio, ele atravessou a fronteira!
- Será que não entende? Você a rejeitou Jensen! Rejeitou a chance de ser par da líder por um humano. Ela se sente humilhada e não vai parar enquanto não destruir vocês dois.
Jensen rosnou, colocando o casaco.
- Isso não é justo.
Chad sorriu amargo e jogou um pacote para ele. Cotinha suas roupas dentro.
- A justiça abandonou essa alcatéia há algum tempo.
Jensen acenou com a cabeça e colocou a calça e camiseta que Chad havia trazido. Surpreendentemente, havia roupas que serviam Jared dentro do pacote também; logo estavam protegidos do frio matutino. Chad se aproximou e tocou no ombro de Jensen.
- Você tem que sair de Praga. Vá até a cidade velha, Sophia estará te esperando. Você sabe onde encontrá-la.
Jensen tocou na mão em seu ombro.
- Obrigado.
Chad sorriu e olhou para Jared por alguns segundos antes de encarar Jensen.
- Você teve mais sorte que eu com o seu par.
Jensen sorriu e abraçou o loiro, a única figura familiar que tivera desde que sua família fora morta. Ele terminou o abraço e puxou Jared pelo pulso.
- Vamos.
Antes de irem, Jared tocou no ombro de Chad.
- Eu...sinto muito por Chris.
O loiro sorriu amargo.
- Cada um arca com as conseqüências de suas ações. E Chris...acabou arcando com as dele.
Não era um perdão e nem uma aceitação. Mas era o suficiente. Ele sorriu tristemente para Chad mais uma vez antes de acompanhar Jensen para fora da fábrica. Precisavam chegar à cidade velha antes do anoitecer.
CONTINUA.
