Título: Peccatori.
Autora: Kuroyama Izumi
Beta: Hikari Kaoru
Classificação: M
Disclaimer: Naruto pertence somente ao Sasuke, que por sua vez já pertenceu ao Itachi, mas atualmente é restrito ao seu loirinho. O Itachi pertence a todas as boas almas que lerem isso aqui e deixarem reviews e a mim. O resto pertence ao Kishimoto :D.
Well it's hard to explain
Bem, é difícil explicar
But I'll try if you let me,
Mas vou tentar, se você deixar
Well it's hard to sustain
Bem, é difícil de sustentar
I'll cry if you let me.
Vou chorar, se você deixar
Angels Cry – The red jumpsuit apparatus.
Um Sasuke de nove anos brincava com um cavalinho de madeira nos jardins da grande mansão Uchiha. Ao seu lado, Sai analisava uma folha caída. Era verão e o próprio ar estava tão quente que ficar dentro de casa não era uma opção e o melhor lugar para duas crianças entediadas se ocuparem era nos jardins, sob as sombras das árvores.
- Sasuke-kun...
- Oi?
- Onde está o Itachi-san?
- Mamãe disse que está com Kakashi, estudando. Ela não me deixou falar com ele – suspirou enfadado.
- Entendo...
O pequeno Uchiha primeiramente lançou um olhar curioso e repleto de ingenuidade para o amigo para em seguida se aproximar dele e depositar em seus lábios um pequeno selinho.
- Sasuke-kun, já disse que beijar a boca dos outros é tarefa para marido e mulher. Ademais, se seus pais virem, vão lhe mandar para um internato.
- Nem – Contestou o Uchiha, inflando as bochechas de maneira infantil – O nii-san me dá beijos na boca.
- Mas eu não sou o nii-san.
- Não, mas ele sempre me beija quando eu estou triste, para me animar! – Sorriu – E você me parecia tão triste ainda agora que eu queria que se animasse um pouco.
Um pequeno sorriso sincero brotou nos lábios do pequeno aspirante a coroinha.
- Obrigado, Sasuke-kun.
- De nada, Sai – respondeu o outro, dedicando-lhe um grande sorriso.
Sai e Sasuke agora caminhavam nos corredores da mansão. Sasuke, como de costume, estava animado pelas aulas de seu irmão estarem próximas do fim, pois, assim, ele teria mais tempo para brincar. Sai caminhava em silêncio e de cabeça baixa, apenas ouvindo o outro. Assustou-se quando Sasuke freou bruscamente, o que causou um forte choque de Sai contra as costas do Uchiha menor.
- Boa tarde, Orochimaru-sama! – Disse o outro animadamente.
A figura delgada que, do nada, surgira ali retribuiu o cumprimento com um leve aceno com acabeça. Na opinião de Sai, aquele homem era suspeito, mas ele não sabia ao certo por quê. Talvez fosse algo em seu olhar combinado ao jeito de falar, coisa do gênero.
- O que os dois fazem dentro de casa em uma tarde tão agradável como esta? – Inquiriu.
- Estamos esperando a aula do nii-san terminar, bispo – respondeu Sasuke – para ele brincar conosco.
- Oh, sim? E em quanto tempo termina?
- Acho que em uma hora!
- Já vejo... Sai-san, Mikoto-san estava a sua procura.
- Ok – disse o jovem coroinha, ainda estranhando o comportamento do bispo – Sasuke-kun, volto em um instante, não desapareça até eu retornar – Avisou, recebendo um assentir por parte do Uchiha menor.
Orochimaru observou Sai afastar-se e quando este sumiu de vista, voltou às atenções para Sasuke.
- Sasuke-san, vamos brincar enquanto Sai e Itachi-san não voltam?
- Ta! Eu vou pegar os meus brinquedos então e...
- Não, não, deixe-me mostrar uma brincadeira diferente.
O garoto inclinou a cabeça para o lado, como se perguntasse que tipo de brincadeira. O padrinho abriu uma das portas de um dos diversos quartos vazios da mansão e guiou o menino até dentro do aposento. Sasuke não entendia que brincadeira poderia ocorrer em um lugar escuro e vazio e, ao virar para perguntar o que era exatamente que pretendia o bispo, surpreendeu-se ao ver o padrinho trancando a porta do quarto. Súbita e inconscientemente, suas pernas começaram a tremer.
- O-Orochimaru-sama? P-Por que o senhor trancou a porta?
O homem caminhou insinuantemente em direção à criança que retrocedia à medida que o outro avançava. Mas houve um ponto em que a parede o impediu de continuar e o pequeno se viu prensado contra o concreto e o padrinho.
- Para podermos brincar em paz.
O maior segurou ambos os pulsos do afilhado com apenas uma das mãos, prendendo-os sobre a cabeça do menor e iniciou uma sucessão de mordiscadas pela extensão do pescoço do menino, fazendo com que ele entrasse em pânico.
- Pa-pare com isso, Orochimaru-sama!
Mas tudo que o homem fez foi intensificar a força das mordidas, arrancando um grito de Sasuke.
- Não! Pára, por favor!
O bispo tornou a ignorar o apelo do Uchiha e, já sem saber o que fazer, o pequeno chutou a canela do maior e afastou-se para o outro canto do cômodo quando teve a chance. Orochimaru mirou-lhe com raiva. Apesar de pequeno, Sasuke era forte. Caminhou pesadamente na direção do menino, que se encolheu no canto em que estava sussurrando ora o nome de seu irmão ora o nome de Sai.
Com violência, novamente prendeu-o pelos pulsos e, sob protestos e apelos, todos em vão, do menor, tirou sua camisa sem cerimônias, abocanhando um dos pequenos botões rosa do afilhado. Após aplicar uma série de mordidas e lambidas no peito do menino, dirigiu-se para sua boca, onde depositou-lhe um beijo lascivo sem qualquer piedade.
Completamente assombrado e com várias lágrimas descendo pelo seu rosto, Sasuke procurou defender-se e mordeu com toda a força que conseguiu os lábios de seu padrinho. Orochimaru jogou o menino para o lado após muita luta para fazê-lo soltar. Sentiu algo escorrer em demasia pelo seu queixo e ao delinear os próprios lábios com o dedo, surpreendeu-se com a quantidade de sangue ali presente.
Sasuke já estava de pé novamente, em posição defensiva. Em seu rosto já havia vários caminhos feitos pelas incessantes lágrimas.
- Moleque insolente – sibilou, aproximando-se do Uchiha e aplicando-lhe um forte bofetão no rosto.
O Uchiha caiu no chão e aproveitando o fato, Orochimaru iniciou uma série de chutes e pontapés no pequeno.
- P-Pára! – Chorava – Socorro Itachi! Itachi! - ele repetia, com a voz trêmula
- Seu irmão não vai te salvar, pirralho – Disse o maior, lambendo o sangue que não cessava de escorrer de sua boca – ninguém virá.
A cabeça de Sasuke girava e doía e aos poucos, seus sentidos esvaíam-se.
- I... ta... chi...
- A senhora e o senhor não estão em casa, pequeno Sai – Disse uma das encarregadas da limpeza – Só retornam ao anoitecer.
O pequeno de cabelos negros não alterou a expressão fria em seu rosto, mas agradeceu à moça e pediu licença para dali se retirar correndo. Ao chegar ao local em que vira Sasuke e Orochimaru pela última vez, alarmou-se por perceber que não havia ninguém ali.
Foi então que ouviu gritos abafados.
Não eram entendíveis, mas percebia-se que seu emissor estava por perto. O problema era achar a porta certa dentre as inúmeras ao longo do corredor. De porta em porta, Sai girava a maçaneta, mas os dois primeiros cômodos encontravam-se completamente vazios. Ao girar a maçaneta do terceiro, notou que a porta não abria. Estava trancada.
Os gritos haviam dado lugar a um fraco gemido, o que fez com que Sai constatasse que havia alguém ali dentro e logo sua mente caiu em Sasuke. "Não..." Desesperou-se. Tentou de toda maneira abrir a porta, bateu e bateu, mas ninguém respondia. "Itachi! Preciso achar Itachi" Pensou e correu em direção ao local onde estava o irmão mais velho de Sasuke.
Abriu a porta com violência, sem qualquer cerimônia e adentrou o aposento onde Itachi e Kakashi estavam. Ambos, em um canto oposto de uma mesa quadrada e baixa, olharam-no assustados.
- Pois não, Sai-kun? – Disse Itachi, levantando-se, um tanto preocupado.
- Sasuke... Ele... Orochimaru... – Ofegou – Eles estavam ali no outro corredor e depois sumiram... Então ouvi gritos e... Pensei que...
Não foi necessário que o coroinha terminasse a frase. Itachi já havia saído em disparada do local.
- Agora, pequeno Uchiha, você será meu e, quando todos pensarem que alguém entrou aqui e fez isso com você e eu o salvei, meu plano estará quase completo - Sibilou o bispo para o corpo que jazia inerte sobre si.
Quando Orochimaru iniciou o processo de retirada da parte de baixo da roupa do pequeno, ouviu um forte estrondo atrás de si e a porta foi arrombada.
Não eram necessárias palavras para descrever o assombro de Uchiha otouto estava desmaiado com Orochimaru sobre si, o bispo tinha as intenções claras demais. Aquela cena já dizia tudo.
- DESGRAÇADO! – Urrou.
- I-Itachi-san – Disse o outro, afastando-se em um rápido movimento do menor – Pensei que estivesse estudando...
- E QUE ASSIM PODERIA SE APROVEITAR DELE? MISERÁVEL!!!
O Uchiha maior partiu para cima do bispo e pôde ser notado o medo no rosto de Orochimaru. Porém, quando o punho de Itachi estava prestes a acertar o rosto do outro, ele disse, mesmo que vacilante:
- B-Bata-me agora e sofra as conseqüências.
- O quê?
-Seu pai jamais acreditará em você, moleque. É sua palavra contra a minha. Um bispo influente contra um adolescente revoltado que não obedece nem as demandas do pai. – Disse o outro, ganhando mais confiança.
Itachi cerrou os punhos com força. Aquele maldito tinha razão. Ao reparar na hesitação do Uchiha mais velho, Orochimaru não pôde evitar um sorriso de escárnio.
- Devo confessar que estou realmente irritado. Você estragou meus planos, pirralho.
- Eu deveria te matar – rosnou.
- Vá em frente. O problema é seu.
- Itachi? Onde você está? – Ouviu-se a voz de Kakashi.
- Humpf, mais intrusos – disse o bispo, olhando na direção da porta e, sem qualquer explicação, se retirou dali. Dois minutos depois, Kakashi apareceu na porta.
- Itachi, você est...
O homem de cabelos prateados não conseguiu terminar a frase, pois a cena que se seguiu não lhe permitiu: Itachi segurava Sasuke em seus braços, o pequeno estava desacordado, sem camisa, o que permitia perceber que seu corpo estava coberto por pequenas feridas, no colo de seu irmão.
- Ele fez isso? – Engoliu seco, enquanto sinalizava para a porta por onde Orochimaru saíra minutos antes. Itachi não respondeu. Mantinha a seriedade e seu silêncio só foi quebrado por um apelo:
- Ajude-me a cuidar dele, por favor.
O tom da voz do Uchiha maior era quase de súplica, embora seus olhos estivessem completamente inexpressivos. O professor nada pôde fazer, senão assentir, consternado. Sai vinha chegando, mas Kakashi o mandou procurar algo para fazer, porque Itachi e ele estariam ocupados. O maior ajoelhou-se para ficar à altura do outro e lhe pediu para que não comentasse com ninguém sobre o acontecido daquela tarde. Assentindo com convicção, o moreno observou enquanto os dois mais velhos e Sasuke se afastavam.
- Sasuke-kun?
Silêncio. O garoto entrou no cômodo mal iluminado com uma bandeja com comida e um copo de água;
- Trouxe seu almoço.
O mesmo silêncio. Aproximou-se um pouco mais, a ponto de ficar bem ao lado da grande cama de casal na qual o corpo do outro jazia inerte.
- Vamos, sei que está acordado. Itachi quer que você coma – Pediu em tom sereno, afagando os cabelos negros do Uchiha.
Mas ele insistiu em não reagir. Sai suspirou. Aquele não era o Sasuke que conhecia. Não mesmo.
Resignado, pegou um punhado de comida com a colher e enfiou sem cerimônias na boca de Sasuke.
- Não ouse cuspir – Ameaçou em tom ríspido, ao perceber que o Uchiha mais jovem se preparava para por aquilo voluntariamente para fora. Para evitar o ato, cobriu a boca dele com as mãos e o forçou a engolir.
- Bom menino.
- Maldito. – Grunhiu – Me dá logo isso aqui, não vou ficar comendo na boquinha.
- Toda sua. – Disse, entregando o prato com comida – Mas, por via das dúvidas, vou ficar aqui e te esperar terminar – Concluiu, sentando-se ao lado do amigo.
- Arrume suas malas, vamos viajar. – Disse apoiado na porta.
- Pra onde? – Contestou, sem se dar ao luxo de levantar da cama.
- Não sei. Papai não disse.
Sasuke suspirou e, somente então, se levantou. Remexeu as gavetas em busca de roupa, jogando sobre a cama algumas camisas, roupas de baixo e calças. Itachi assistia tudo em silêncio. Raramente, desde o incidente, trocara palavras decentes com o irmão. Raramente ele saía do quarto.
Então, o mais velho virou-se e saiu.
Naruto engoliu seco e não encarava Itachi, nem Sai. Olhava para as próprias mãos, abrindo e fechando-as em sinal de nervosismo. Queria falar alguma coisa, mas não tinha palavras. Simplesmente não tinha.
Era angustiante saber o que Sasuke passara, mas, ao mesmo tempo, aquilo fazia com que o loiro se sentisse mais íntimo, como se fosse uma parte do moreno. Queria abraçá-lo, queria confortá-lo. Mas ele não estava lá para isso e quem sabe talvez nem desconfiasse de que Naruto já tinha ideia de seu passado.
Ou talvez sim.
A porta foi aberta, lentamente. Apenas Naruto virou-se alarmado.
Sasuke mantinha um olhar distante, coberto pela franja comprida. Não olhava para ninguém. O loiro o encarou, atônito, e se propôs a levantar, ficando apoiado em apenas um dos joelhos.
- Sa...Su...Ke...
Trocando olhares, Itachi e Sai levantaram-se.
- Vamos para um local mais seguro, para vocês poderem conversar melhor. – Disse Itachi.
- Para onde você sugere? – Perguntou Sai.
- Conheço um lugar aonde ninguém vai nos perturbar.
O local era uma pequena taberna, a única fonte de luz de uma rua escura e soturna. Tratava-se de um casarão velho com a frente larga. Tinha dois andares, sendo que, no segundo, contavam-se umas dez janelas estando algumas com vidros quebrados. Em algumas, também se viam luzes acesas. No letreiro acima da porta de entrada, lia-se Akatsuki.
A atmosfera lá dentro não era das melhores. Era marcante um cheiro de bebida alcoólica misturada com suor masculino e cigarro, este produzia uma espécie de fumaça que dominava todo o local. Várias mesinhas redondas, com capacidade para até quatro pessoas, ficavam espalhadas pelo salão, geralmente próximas à janela. O teto continha alguns buracos e um lustre central havendo também candelabros pendurados nas paredes descascadas. No canto esquerdo, havia uma mesa de sinuca, cercada por vários homens que gritavam. Alguns faziam suas apostas, outros xingavam os jogadores quando estes erravam e assim por diante. Ao fundo, havia um grande balcão, onde muitos outros homens divertiam-se com a embriaguez. Também ao fundo, mas ao canto direito, havia uma estreita escadinha de madeira podre, que dava acesso ao segundo andar.
Itachi dirigiu-se até um homem loiro que trabalhava no bar, limpando copos. Ele trajava uma estranha capa preta com nuvens vermelhas, assim como seus outros dois companheiros, um ruivo e um sujeito de máscara laranja.
- Itachi-san, o que te traz aqui hoje, hun? Faz tempo que não te vejo.
- É.
O loiro arqueou a sobrancelha pela ausência de resposta do outro.
- Então, o que vai querer hun?
- Um quarto e nenhuma interrupção.
O homem chamado Deidara entregou-lhe uma chave, com um sorriso meio pervertido no rosto.
- Então, é aquele seu moreno de novo, hun?
- Não, é meu irmão – Respondeu e se retirou de lá, deixando o loiro um tanto desnorteado pela resposta.
Caminhou até Naruto e lhe entregou a chave na mão.
- Amanhã de manhã venho buscá-los. – Disse, antes de virar-se para Sasuke e sussurrar em seu ouvido – Acho que já é hora de superar esse trauma, otouto.
- Até mais, Naruto-kun, Sasuke-kun – Disse Sai, indo atrás de Itachi, que já havia saído.
Como o Uchiha não tomou qualquer iniciativa, Naruto respirou fundo, apertando com força a chave, e seguiu em frente. Ficou feliz em constatar que Sasuke fizera o mesmo.
O número desenhado na chave indicava o quarto 120. Seguiram pelo corredor vazio, sob os constantes sons de gemidos, os quais fizeram Naruto corar. Nunca havia estado nesse tipo de lugar.
Chegaram ao último quarto do corredor. Naruto destrancou a porta e entrou, dando também espaço para que Sasuke fizesse isso.
O aposento era pequeno e com poucos móveis: apenas uma cama de casal ao centro, coberta por um lençol remendado, dois criados-mudos,um de cada lado da cama e uma mesinha quadrada de madeira com duas cadeiras próxima à janela, que dava vista apenas para uma parede de tijolos.
Sasuke mantinha-se de olhos fechados e braços cruzados, apoiado na parede.
- Então, eu...
- Desculpa.
- O quê?
- Por não ter te dito antes. Sobre o Orochimaru, sabe...
- N-Não, que isso! – Disse, sacudindo as mãos, nervosamente – Não era sua obrigação e...
- Tem mais uma coisa que eu quero te contar.
- Huh?
O moreno caminhou até a cama e se sentou, olhando para o chão. Naruto manteve-se de pé, ainda mais nervoso que antes.
- Sabe, minha família e eu viajamos uma semana depois do incidente. Claro, eles não sabiam a respeito dele. Não sabem ainda. – Acrescentou de maneira desconfortável. – Na verdade, até hoje não sei bem por que fizemos aquela viagem, mas o fato é que fizemos. Fomos para uma pequena cidade do interior, onde papai tinha uns negócios com um amigo, e ficamos hospedados na casa dele. Eu não tinha perspectivas de continuar ali, estava realmente deprimido. Na verdade, nessa época, eu havia arquitetado um plano para... Bem, para me suicidar. Eu não agüentava mais. E então, me apareceu a oportunidade perfeita.
"Todos haviam saído, me deixando sozinho em casa. Aproveitei a deixa para ir à cozinha, procurar algo para realizar o que pretendia. Achei uma faca para cortar carne, que achei ser uma boa. Contudo... Não tive coragem para fazer aquilo e fiquei arrasado. Era terrível conviver com aquela agonia que me afligia e mais terrível ver que poderia não ter fim."
"Então, saí correndo. Não sabia para onde ir, mas corria. Não conhecia nada daquela cidadezinha e, quando me dei conta, estava perdido. Fiquei desesperado, imaginando Orochimaru sair de cada beco, de cada porta. Estava chovendo e logo fiquei encharcado e com frio, mas resolvi continuar andando."
"E, então, topei com um garotinho. Um garotinho caído no meio da rua, sujo de lama e tão encharcado quanto eu. Esse garotinho... Imagino que você saiba quem seja."
- Eu... – Disse o loiro, rouco – Você era aquele menino...
Sasuke assentiu e prosseguiu.
- Eu não podia te deixar daquele jeito, então resolvi verificar se estava tudo bem. Foi então que você acordou. Confesso que me assustei com a maneira com que você me olhava.
"Perguntei se estava tudo bem com você e você sorriu tão de uma maneira tão doce para mim que me assustei. Então, essa parte eu acho que você lembra, não? Dei-lhe um bombom e ganhei em troca um terno beijo na bochecha. Na verdade, se não fosse pela sua ajuda, jamais teria achado o caminho de volta para casa. E eu nunca agradeci por isso. Obrigado."
Sasuke esperou uma resposta, que nunca veio. Olhou para Naruto e viu que seus olhos estavam marejados.
- Era você, eu sabia. Eu sabia.
Levou as mãos ao rosto, limpando as lágrimas, e correu, jogando-se em cima do moreno, que enrubesceu de leve. Os dois caíram deitados na cama, Naruto por cima, agarrado a Sasuke e a soluçar.
- O-O que...
- A primeira pessoa que foi gentil comigo... Eu não sei por quê, mas, naquele dia, eu percebi que gostava daquele menino, talvez como um amigo, na época, eu queria ser amigo dele. E, quando te vi, quando te vi na igreja... Lembrei-me dele. De como vocês eram iguais, tinham o mesmo olhar...
- N-Naruto...
- Eu te amo, Sasuke – Disse, escondendo a cabeça em seu peito – Demais. E eu não sei o que fazer com isso, simplesmente não sei.
O moreno surpreendeu-se com a intensidade daquele gesto, daquelas palavras. Então, retribuiu o abraço. Sentiu o aroma dos cabelos do loiro que, embora estivesse misturado a um leve cheiro de cigarro, ainda não perdera aquele cheiro típico de Naruto.
Passou as mãos pelas costas do loiro, por debaixo da sua camisa. Então se encararam. Seus olhos, azul e negro, dia e noite, encaravam-se com tanta intensidade e paixão que não eram possíveis palavras para descrever com exatidão seus sentimentos.
Sasuke tomou a iniciativa, selando ambos os lábios. Apertou o loiro contra si ao mesmo tempo em que introduzia sua língua na boca do outro. Ele sabia que estavam pecando, sabia que haveria conseqüências. Mas, se não fizessem naquele momento, poderiam nunca chegar a fazer, eles sabiam muito bem disso.
- Essa noite, Sasuke... Não pare por nada. – Disse o loiro. Suas bochechas tinham uma leve tonalidade cor de rosa.
- Eu sei. Não vou.
O moreno tornou a tomar os lábios do loiro, dando-lhe um novo beijo de língua. Enquanto isso, suas mãos acariciavam todo o corpo do outro, centímetro por centímetro, sobre a roupa. A iniciativa para se despirem veio do próprio Naruto que, com as mãos trêmulas, começou a desabotoar a camisa de Sasuke. O moreno nem ajudou, nem impediu aquilo, apenas permitiu que o loiro agisse por conta própria. Quando ele, por fim, despiu o torso de Sasuke, fez o mesmo consigo. As camisas dos garotos foram atiradas para fora da cama. Naruto se jogou sobre Sasuke, beijando-o novamente. As mãos do outro percorriam as costas do loiro, ora arranhando de leve, ora acariciando, até que Sasuke resolveu pará-las no traseiro de Naruto e apertá-lo sugestivamente, o que fez com que Naruto corasse até as orelhas.
- T-Teme!
Tudo o que o loiro recebeu foi um meio sorriso do outro.
Sasuke se impulsionou e, em um rápido movimento, ficou sobre Naruto, prendendo seus pulsos contra a cama para dar alguns leves chupões ao longo de seu pescoço. O loiro entendia e não entendia muito bem aquilo tudo. Sabia o que estavam fazendo, mas não sabia como fazer. Apenas deixava-se guiar por seus instintos e, claro, por Sasuke. O mais estranho era que seu baixo-ventre estava reagindo de uma maneira esquisita, em sua opinião. Doía, mas, ao mesmo tempo, era uma dor prazerosa, que o fazia necessitar de mais, muito mais. Naruto também sentia uma incrível necessidade de aliviar aquela região, mas não tinha muita idéia de como fazer isso. O oxigênio pareceu fugir de seus pulmões quando sentiu algo duro ser pressionado contra o seu próprio volume escondido por sua calça. Descobriu que era aquilo que lhe satisfazia: aquele contato, entre a sua ereção e a do Uchiha mais jovem lhe causava alivio e prazer.
Não queria perder tal contato, então começou a empurrar seu próprio corpo contra o de Sasuke, como se pretendesse fundir ambos os corpos. Ao perceber o desespero por prazer por parte do loiro, o Uchiha não pôde evitar sorrir.
- Espera, deixa eu te ajudar. - Disse, levando as mãos ao cós da calça do outro. Rapidamente, desabotoou-a e despiu o loiro das peças de roupa restantes.
Naruto sentiu extrema vergonha por estar tão exposto assim perante aquele que amava. Cobriu o rosto com as mãos, esperando que Sasuke não o olhasse e percebesse seus sentimentos.
- O que foi? Por que você está escondendo seu rosto?
- Não quero que me veja!
- Por quê?
- Por que não!
- Não seja besta. – Disse o moreno, retirando as mãos do outro de sua cara. – Você está lindo.
O loiro sentiu o rosto arder e um calor começou a se espalhar com mais intensidade por todo seu corpo. Sasuke, então, direcionou suas mãos até o membro já acordado de Naruto.
- O que você vai... Ahh... – O loiro gemeu ao sentir o moreno envolver sua região mais excitada com uma das mãos.
Sasuke começou um movimento de vai e vem que, à medida que foi se intensificando, fez com que o loiro arqueasse seu corpo e aumentasse a altura e freqüência dos gemidos até finalmente não conseguir mais se segurar.
- Desculpa. – Murmurou sem graça ao ver as mãos de Sasuke meladas por uma estranha e aparentemente pegajosa substância. Em retorno, ele apenas sorriu, lambendo os dedos para limpar os resquícios daquele liquido dali.
- Quer mesmo continuar? – Perguntou. – A partir de agora vai ser bem parecido com aquela vez do Sai e... – O Uchiha foi interrompido pela mão do loiro cobrindo sua boca.
- Está tudo bem. – Ele disse com um terno sorriso. – Eu confio em você, Sasuke.
Retribuindo o sorriso, o Uchiha beijou-lhe os lábios romanticamente. Em seguida, apoiou as pernas do loiro uma em cada ombro seu, deixando completamente expostas as partes íntimas dele. Nervoso, Naruto apoiou-se sobre seus cotovelos e viu o exato momento em que o Uchiha se posicionava para algo – que minutos depois compreendeu ser bastante doloroso.
- AHH... – Gritou. A dor era ridícula de tão forte e a sensação era de estar sendo rasgado em dois.
- Desculpa.
Tentando normalizar a respiração, Naruto fez um gesto para que o Uchiha prosseguisse. Não iria desistir ali de maneira alguma, seguiria até o final junto com Sasuke.
Aos poucos e com muito cuidado, o moreno foi iniciando as estocadas, que foram ficando mais freqüentes e rápidas à medida que os gemidos entrecortados de Naruto preenchiam o silêncio do aposento. Aquela dor cortante inicial fora substituída por um desejo que o loiro jamais imaginara existir. Aquele desejo fazia com que ele pedisse por mais contato entre os corpos. Agarrou-se a Sasuke, como se sua vida dependesse daquilo, abraçando-o e empurrando seu corpo contra o do moreno.
- Na... Naruto... – Grunhiu de maneira sensual, na opinião do coroinha.
- Sasukeee... Ahhh...
Uma estranha e prazerosa sensação se apoderou do corpo do loiro. Sentia algo percorrer seu interior ao mesmo tempo em que não pôde mais segurar a segunda ejaculação, responsável por sujar ambos os abdomes dos garotos. Com um grande alívio tomando conta de si, deixou-se cair sobre o Uchiha, apoiando-se em seu tórax e recebendo, em retorno, um terno e carinhoso abraço.
Não fazia idéia de o quão cansativo aquilo tudo era. Mas também não fazia idéia de o quão bom podia ser. Contudo, sabia que só era bom porque era com Sasuke.
- Eu te amo, Sasuke. – Sussurrou, com os olhos semicerrados pelo cansaço.
- Eu também te amo, Naruto. – Respondeu o Uchiha, depositando-lhe um carinhoso beijo na cabeça.
P. Que pariu, que capítulo gigante (pelo menos pros meus padrões)!! Não imaginei que eu fosse capaz de tal proeza! E aí, o lemon, o que acharam? Bonito, feio, marromeno, não foi pouca merda? Confesso que eu não estava láaa muito inspirada, principalmente porque minha cabeça está uma confusão só. Tenham idéia de que eu estou com um milhão de idéias pra novas histórias e simplesmente não as consigo passar pro papel / PC e afins. Para os que achavam que o Orochi estuprava o Sasuke, nãao! Ele é virgenzinho do fiofó. Mas eu acredito que um quase estupro seja bastante traumático pra muita gente o.o' Principalmente vindo de um cover do Michael Jackson viciado em cobras...
PS: Espero realmente que agora tudo se normalize e eu possa voltar a atualizar com mais freqüência -_-
