- Mamãe? – a criança puxou a manga da blusa de Hermione. – Por que eu não tenho um papai?

- É complicado meu amor. - Hermione Snape fechou os olhos e suspirou.

- Mas onde está o papai? Eu também quero um papai! Todos os meus coleguinhas tem um. – a menina choramingou.

- Eu sei, Filha. Venha aqui. – disse Hermione estendendo o braço. – Eu prometo que um dia você vai conhecer seu pai. - A menina franziu o lábio inferior enquanto pensava.

- você jura Mamãe? – disse a menina um pouco mais alegre.

- sim. Meu amor, eu juro.

- Eu vou poder falar com todo mundo que eu também tenho um papai. - Sorriso forçado de Hermione caiu imediatamente.

Hermione abriu os olhos imediatamente. Seu coração estava acelerado e sua respiração descompassada. Fazia dias que ela estava sonhando com essa menininha. E em todos os sonhos ela queria conhecer o pai. Por mais que fosse um sonho isso estava mexendo com ela de forma assustadora. Estava profundamente angustiada. Passando a mão pelo rosto percebeu que estava chorando novamente. E se esse sonho se tornasse realidade? Embora a menina fosse linda, ela não queria que a criança sofresse dessa maneira.

Tentando não pensar sobre isso ela lembrou-se das características que sua filha tinha em seu sonho. O nariz pequeno. A boca rosada, os olhos eram negros. Cabelos castanhos escuros muito lisos, iguais de Severo.

Na manhã seguinte, ela estava cansada. Totalmente esgotada. Ela ainda estava muito abatida. Mas também não era pra menos, com o que foi forçada a passar já era esperado.

- Hermione, tem certeza que você esta bem? Você olhar mais abatida que o normal, querida.

- Eu vou ficar bem.

- Aquele sonho de novo, num é? - ela olhou para a xícara fria de chá, em seguida, passou os olhos para a sogra.

- Como sabe? – sussurrou tristemente.

- Apenas deduzi. Mas não se preocupe com isso. É apenas um sonho. – disse Eileen.

- Bom, acho que esta na hora de começar a encaixotar as últimas coisas.

- Parece que sim. Precisamos pegar terminas antes de escurecer. A transportadora chegará logo.

- Esse é o único ponto negativo de morar em um bairro trouxa. – disse com um pequeno sorriso. – Se não fosse pra manter as aparências seria bem mais fácil mudar.

- Isso eu concordo minha querida. Ninguém deveria passar por isso. É nessas horas que a gente ver o tanto de coisas desnecessárias que temos.

Suspirando, Hermione pegou sua varinha e organizou a mesa do café da manhã. Ela levantou-se para começar a endireitar os quartos principais.

Horas mais tarde

- Essa é a ultima caixa. - Hermione forçou a parar de chorar e se afastou, mas Eileen a puxou e a abraçou. - Sinto muito, eu vou acabar molhando o seu manto.

-Oh, querida. Eu sou uma bruxa se esqueceu? – disse divertida. Com um aceno de varinha o manto estava seco. - Hermione, olhe pra mim. Nós vamos começar uma vida nova agora e, acredite, na minha idade é algo surpreendente. – Hermione obrigou-se a sorrir como ela tinha tantas vezes no passado. – Eu vou levar essa caixa para o carro. Você tem certeza que sabe dirigir aquela coisa?

- Sim. Claro que eu sei. – disse num sorriso triste. - Só vou buscar minha bolsa que esqueci lá em cima. – Parou e olhou ao redor. – Parece que foi ontem que eu entrei por essa porta.

Flash Back On

- E então o que achou? – disse Severo com expectativa.

- Essa casa é linda Severo. Eu nunca imaginei que sua casa seria assim tão...

- Tão clara pra um velho morcego das masmorras? – cortou antes dela terminar de falar.

- Claro que não seu bobo. Tão organizada e bem decorada. Achei que os homens não ligassem pra essas coisas. – disse sorrindo.

- Os homens que você conviveu não servem de exemplo, Hermione. – disse ele com um olhar sedutor.

- Certo, talvez não sirvam mesmo. Mas não deixe que eles saibam disso. – disse ela se aproximando da janela. – Meu Merlim, esse jardim é lindo!

- Bom, então acredito que você não vá se incomodar de jantar lá fora. – disse ele um pouco hesitante.

- Jura? Eu vou amar, Severo. – ele foi a encaminhando para o jardim. – Seus outros convidaram ainda não chegaram? – Hermione perguntou.

- Talvez eu tenha esquecido de chamar os outros. – disse com um sorriso sedutor.

- Então somos só eu e você? – perguntou Hermione sedutoramente e ele assentiu. – E eu achando que essa noite não poderia ficar melhor. – completou ela com seu melhor sorriso.

Flash Back Off

- Hermione? Você ta bem?

- Descupa, Eileen. Eu acho que acabei me perdendo nas minhas lembranças. – disse melancólica.

- É compreensível, querida. Te espero lá fora.

Alguns minutos haviam passado e Hermione ainda não tinha saído. Eileen achou que ela precisava de um tempo para se despedir do lugar que morou por tanto tempo. Mas por precaução, resolveu olhar. A casa parecia silenciosa demais. Subiu as escadas e foi em direção ao quarto. A porta do banheiro.

- Meu Deus! Hermione! Querida fala comigo. – gritou desesperada.

Sua nora estava caída no chão do banheiro. Sua boca suja de sangue. E a testa ensanguentada. Mesmo desesperada, ela conseguiu reunir todo cuidado do mundo para levitar Hermione até a lareira. Pegou um punhado de pó de flúor e falou seu destino. Mas falhou miseravelmente, foi quando ela lembrou-se que devido à mudança a rede de flúor seria bloqueada na casa. Foi só nesse momento se recordou da chave de portal que tinha guardado pra visitar Severo.

- Maldição. – praguejou Severo. – Isso é ridículo. Não tem praticamente nada de útil nesses livros. Pedaço sangrento de lixo. - Severus murmurou, ele permaneceu no seu assento folheando os outros livros que estavam sobre a mesa.

- Boa noite, Severo. – disse o ex-diretor quebrando a concentração do Mestre de poções.

- Ao que devo a honra, Albus. - ele respondeu, enquanto erguendo a cabeça para encontrar os olhos do mago mais velho.

- Eu só estou aproveitando que estou em Hogwarts para pegar alguns livros para passar o tempo. Só fiquei surpreso em te encontrar aqui, Severo. Você sempre preferiu seus aposentos para fazer suas pesquisas.

- Eu só quero levar o que eu vou precisar de fato. E, claro, aproveitar que os pestinhas foram para casa. – disse olhando para o mago mais velho. - Para alguém que já não vive aqui, você não acha que gasta tempo demais nesta escola, Albus? – O ex-diretor gargalhou.

- Ah, meu filho. Você deveria saber melhor. – disse com um sorriso. – Eu realmente gosto de estar aqui.

- Percebe-se. – disse bruscamente.

- Severo, eu gostaria de conversar com você. Não hoje. Estou vendo que estar muito ocupado. Amanhã talvez. –continuou ele. - Isso é, naturalmente, a menos que você tem planos, Severo.

- Não, Albus, eu não tenho nenhum plano. - Severo pensou sobre isso por um momento e depois falou novamente – E o assunto seria?

- O assunto é sua esposa! – respondeu seriamente.

- Foi o que pensei. – contemplou.

- Então até amanhã Severo. – Snape apenas acenou com a cabeça.

Quando Albus saiu da biblioteca ele decidiu guardar os livros e ir para seus aposentos tomar uma poção pra sua dor de cabeça. Essas dores estavam ficando cada vez mais forte.

Eileen foi parar com Hermione em frente aos portões principais de Hogwarts. O ar estava fria, mal dava pra enxergar um palmo em sua frente. Ela enfiou as mãos no fundo do seu bolso, mas não conseguiu achar sua varinha.

- Não pode ser, minha varinha!- Eileen tirou seu casaco e tapou Hermione - Alguém por favor? - gritou. – Alguém ajude! – tentou novamente.

Com muita dificuldade, Eileen tentou pegar Hermione para tentar leva-la em direção ao castelo, mas não obteve sucesso. Para seu alivio, os portões se abriram. Alguém a tinha ouvido.

- Aqui! - Exclamou chamando atenção.

- Senhora Prince! - Hagrid franziu a testa ao vê-la.

- Hagrid! Ela precisa ir pra ala hospitalar agora. - seus olhos se arregalaram quando viu o corpo ensanguentado de uma mulher.

- Hermione! - então correu para Eileen e pegou Hermione em seus braços e correu para o castelo.