Músicas: Ramble On e The Lemon Song (Led Zeppelin)
No Limite
Capítulo VII
Leaves are falling all around, It's time I was on my way
(As folhas estão caindo por toda parte, é hora de pegar o meu caminho)
Thanks to you, I'm much obliged for such a pleasant stay
(Graças a você, eu sou muito grato, por essa estadia agradável)
Todos olharam para Zetsu quando ele surgiu na porta do galpão. Por isso ele parou de andar, manteve as baquetas que agitava em uma posição estática e encarou-os de volta. Ficou algum tempo assim, esperando que lhe dissessem o que tinha feito desta vez. Os outros integrantes da banda estavam amontoados em frente a uma televisão portátil em cima do amplificador da guitarra de Kisame.
- O que foi? – perguntou Zetsu.
- ...Você ainda não sabe? – Konan foi a única que teve coragem de dizer alguma coisa. Diante da angustia da garota, foi forçado a assumir seriedade.
- Sei o quê?
Ela fez um sinal com a mão, convidando-o a se aproximar, e apontou a televisão. Zetsu receou por um instante antes de avançar para ver o que eles assistiam tão gravemente. Abriram espaço para si, ela girou a televisão, e os olhos amarelados do homem bicolor arregalaram. A sua única reação às imagens do noticiário foi levar uma mão à cabeça e puxar os fios de seu cabelo.
Madara tinha sido preso.
- O que você vai fazer, cara? Hm? – Deidara pôs a mão sobre seu ombro.
- Você está muito encrencado – completou Sasori.
Eles esperaram por alguma reação por parte dele. Zetsu continuava olhando para as imagens do moreno sendo jogado dentro da viatura policial, rugindo xingamentos e ameaças para as câmeras. A sua resposta foi apenas uma: largou as baquetas no chão e correu o mais rápido que pôde. Estava muito encrencado.
But now it's time for me to go
(Mas agora é hora de ir)
The autumn moon lights my way
(A lua do outono ilumina meu caminho)
For now I smell the rain, and with it pain, and it's headed my way
(Pois agora eu cheiro a chuva, e com ela a dor, que está caminhando em minha direção)
Já não estavam mais tocando desde aquela notícia. Devido isso, a porta sendo arrastada para cima de uma vez espalhou um barulho realmente alto por todo o espaço. Todos olharam imediatamente na direção da entrada. Nenhum deles entendeu o que significava aquela expressão assassina que estava no rosto do homem que entrava.
- Kakuzu? – Kisame tirou a guitarra dos ombros e deu alguns passos para frente. – O que você está fazendo aqui?
Mas Kakuzu passou direto por si, indo na verdade atrás daquele rapaz pequeno de cabelos pretos que estava de pé mais distante, apoiando os dois braços em sua guitarra vermelha, cuja alça estava em torno de seus ombros. Itachi só teve tempo de olhar para ele, de se perguntar porque vinha em sua direção, e de não gostar nada daquilo. Kakuzu levantou o punho cerrado e jogou-o com força contra o rosto dele; Itachi cambaleou, mas não caiu. Os que estavam sentados rapidamente levantaram, e Sasori depressa tratou de afastar-se do Uchiha e daquele moreno furioso.
Quando Itachi levantou o rosto um novo soco furioso atingiu-o, desta vez conseguindo atirá-lo ao chão.
- O que você está fazendo?! – gritou Kisame, correndo para deter Kakuzu, que agarrava a camisa do menor e puxava-o para cima.
- Você vai pensar duas vezes antes de dormir com o namorado dos outros, Uchiha!
Itachi apenas arregalou os olhos e tentou se soltar. A mão de Kakuzu descia outra vez na direção de sua face, mas desta vez não a acertou. Kisame segurou o braço do moreno e laçou sua cintura por trás, puxando-o a se afastar dele. Kakuzu jogou aquele olhar furioso na sua direção.
- Me larga, Kisame! Eu vou ensinar uma lição para esse imbecil.
- A única coisa que você vai fazer é parar esse barraco e dar o fora daqui!
- Agora você vai defendê-lo?
- Sim, eu vou. – Kisame o puxou com força brusca. Forçado a recuar, Kakuzu repeliu os braços daquele que insistia em chamar de seu namorado e continuou a olhá-lo imerso em cólera.
O Uchiha arrastou-se pelo chão por alguns metros e se pôs de pé, a uma distância segura daquela confusão; sangue escorria de seu nariz.
- Kakuzu – a fala de Kisame fora quase um roscar. – Saia daqui.
- Não antes de me acertar com o Uchiha.
- Kisame dormiu com Itachi? – exclamara Hidan, fazendo com que todos os olhares fossem para ele. A surpresa rápido fugiu de seu rosto, e o platinado começou a rir. – Caralho, vocês tem sérios problemas de fidelidade.
- Cale a boca, Hidan! – Kakuzu e Kisame gritaram quase ao mesmo tempo.
- Isso tudo é culpa sua, pra começar – rugiu Kakuzu.
- Se você quer bater em alguém, devia começar por ele – disse Kisame. – Por que, segundo a sua teoria, não foi Hidan quem te seduziu tão fortemente que não conseguiu dizer "não" para ele?
- Vocês não deviam estar resolvendo isso em particular? – Konan tentou se aproximar, mas parou ao ter carrancas hostis viradas na sua direção.
- Então ele fez o mesmo com Kakuzu, hm? Esse filho da puta também tentou agarrar o meu danna! – o loiro avançou na direção de Hidan, que recuou dois largos passos e levantou os braços para se defender, mas Sasori segurou-o.
- Isso não tem nada a ver com a gente, Deidara.
- Você também dormiu com Sasori? Você esteve transando com Sasori esse tempo todo, Hidan?
- Não! Não, eu não transei com ele! – Hidan estendeu as palmas e arregalou os olhos. – Eu só fiz uma tentativa, só uma, mas...
- Você vem aqui querer bater no Itachi-san porque nós dormimos juntos, você vem aqui querendo me convencer de que podemos continuar esse namoro, e quer explicações por seu amante estar transando com outra pessoa?! – ele quase gritava. Kisame empurrou o peito de Kakuzu com força, tentando a todo custo não socá-lo. – Você é um filho da puta, Kakuzu!
- Acho... Acho válido ressaltar que eu não dormi com o Hidan – aproveitando-se do breve silêncio que se formou, Sasori murmurou-o.
- Porra! Foi algo mais ou menos assim que aconteceu na minha outra banda.
- Hidan, se você não calar essa sua maldita boca eu vou enfiar seus dentes goela abaixo. Você não sabe o quanto eu estou me segurando para não bater em você!
- Kisame, escute – Kakuzu tentou pôr a mão em ombro, mas foi bruscamente repelido. – Eu... Eu sinto muito pelo que aconteceu. Quero ficar com você, não com ele.
- Você teve a sua chance, e jogou ela fora da maneira mais estúpida possível. Kisame é meu agora.
- Seu Uchiha filho de uma...! "Seu" coisa nenhuma, ele ainda é meu namorado.
- Vocês querem PARAR com essa merda?! – o grito agudo de Konan fez todos estancarem. Kakuzu parou com a mão no ar, pronto para agarrar Itachi, que por sua vez estendia os braços em uma tentativa de manter distância. – Não percebem o que estão fazendo com o Kisame? Não é assim que a coisa funciona, vocês não podem simplesmente disputar quem grita mais alto e o vencedor leva ele.
Pela primeira vez desde que Kakuzu chegou ao galpão, todos ficaram em completo silêncio.
Kakuzu manteve seu olha fixo no chão, e então olhou para Kisame. Aquela terrível sensação que não sabia como nomear, e que tanto sentia nas últimas semanas, se abateu sobre si mais pesada do que nunca. Vendo o modo como ele apertava as mãos com força, olhava para os próprios pés, e como os olhos negros ficavam marejados de lágrimas por tudo o que estava acontecendo, Kakuzu entendeu. Era remorso – por ter feito aquilo com ele.
Apertou os dedos em volta das palmas e tornou a encarar o chão.
- Nós podemos pelo menos conversar? – perguntou baixo, de modo que apenas ele ouviria, se o galpão não produzisse eco.
- Talvez – Kisame respondeu no mesmo volume. – Mas não aqui, e não agora.
- E eu, Kisame? – o olhar do Uchiha parecia aflito mesmo para aqueles que não o conheciam tão intimamente quanto seu melhor amigo.
- Você também Itachi-san. Mas eu... Eu vou para algum lugar onde me deixem em paz. Não me procurem, eu procurarei vocês.
Ele pegou a sua guitarra e saiu do galpão, sem olhar para nenhum deles.
- Eu pensei que a gente tinha um lance, não é? – disse Hidan. – Você me beijou.
- Eu sei, Hidan – o moreno deu um longo e audível suspiro. – E isso foi um erro. Você pode ir para casa na moto se quiser, eu vou dar uma volta a pé mesmo.
Kakuzu lhe jogou um molho de chaves, onde estava a chave do apartamento e a da moto. Sem dizer mais nada, ele saiu. Os olhares se mantiveram sobre as portas abertas do galpão por um tempo, até que Itachi levantasse de cima do amplificador onde tinha sentado e saísse pela porta dos fundos. Hidan ainda ficou um pouco mais, apertou as chaves em sua mão, encarou a todos individualmente e deixou-os com um sorriso vazio na face debochadora. Não levou o seu baixo.
- Dá pra acreditar nisso, hmmm? – Deidara dizia indignado. – E ele é apenas o baixista! Quer dizer, ele, hm... Ele toca baixo!
Sometimes I grow so tired
(Às vezes estou tão cansado)
But I know I've got one thing I got to do
(Mas eu sei que tem uma coisa que preciso fazer)
A casa estava quieta. Konan imaginou que estivesse vazia. Foi até o quarto, trocou de roupa, e voltou para a sala para vê-lo sentado no sofá. Embora tivesse um livro nas mãos, não olhava para o objeto, mas sim para o nada. Estava profundamente pensativo.
- Nagato? – chamou-o.
Ele pareceu tomar um susto ao ser chamado. Encarou-a parecendo ainda desligado, e ao finalmente tomar consciência do olhar preocupado de Konan fechou o livro e sorriu para ela.
- Oi querida.
- Onde você estava?
- Eu fui buscar uma coisa que tinha encomendado – respondeu simplório e fez um sinal de mão desdenhoso. Konan tinha certeza que ele estava escondendo alguma coisa. – E você?
Essa pergunta a fez pensar em dar uma trégua momentânea. Suspirou pesado, andou até mais perto do sofá e cruzou os braços.
- Estávamos procurando Zetsu. Madara foi preso, e ele sumiu depois que soube.
- É, eu sei – Nagato tornou a abrir o livro.
- Sabe? Sabe como?
- Eu fiz a denuncia – ele não olhava para ela, portanto não viu como aqueles olhos castanhos ficaram perigosos. – Há alguns dias atrás. Eles até demoraram a começar a agir.
- Você fez o quê, Nagato? Você denunciou os nossos amigos?
- Eles não são meus amigos – disse firme, tornando a fechar o livro. – Que tipo de amigo te deixa preso por meses e sequer dá as caras para tentar se explicar?
- Isso tem a ver com as suas drogas, não tem?
- ...O quê? – suas sobrancelhas arquearam.
- Você fez isso porque Zetsu se negou a vender a você, e porque estava atrás de expulsar as pessoas que estão vendendo? Você esteve comprando drogas de Orochimaru, não é? Sabia que ele também foi preso?
- Sim, é claro que eu sei, eu mesmo dei a dica que Orochimaru estava...
- Eu não posso mais fazer isso – ela cortou-o. Os olhos em circulo de Nagato se abriram e ele precipitou o corpo para frente, mas nada disse, apenas ficou olhando para ela a sacudir negativamente a cabeça. – Não posso, desculpe.
- Mas eu não estou...!
- Já estou farta de suas mentiras, Nagato. Eu sei que você está tentando, mas... Mas só tentativas não são o suficiente. Eu acho que mereço mais do que isso, sei que mereço. Gosto de você, você sabe que eu gosto, mas, depois de tudo isso... Acho que nós estamos presos a ideia de um relacionamento que não existe mais.
- Konan, por favor, não faça isso – o disse como se implorasse, e havia súplica em sua face.
- Desculpe – ela esfregou ambas as mãos abertas pelo rosto. – O que nós tínhamos já acabou há muito tempo.
- Eu juro para você que estou completamente limpo.
- E o que aconteceu com a nossa cafeteira? E o seu celular? Eu notei que a sua carteira está sempre vazia agora.
- Eu posso explicar...
- Não, você não pode. Você quer, mas não pode. E depois disso que você fez, denunciar os nossos amigos, denunciar o meu chefe! – sua cabeça continuava sacudindo para os lados freneticamente. – Você não é mais o Nagato com quem eu costumava namorar. Você não é mais daquele jeito há anos.
Os olhos dela estavam vermelhos. Konan fungou, esfregou as costas da mão pelo nariz e voltou-se ao chão da casa. Não podia continuar olhando para o rosto dele, aquele para o qual olhava todos os dias há mais de sete anos, e que tinha medo por não reconhecer mais. Eles ficaram naquela sala, em silêncio, por tempo que pareceu durar muito mais do que realmente durou.
- Me desculpe, mas acabou – disse Konan, e saiu.
Nagato ficou olhando para ela deixá-lo pela porta da frente, com os olhos arregalados e a boca escancarada. Quis gritar para que ela voltasse, no entanto, depois de tudo o que Konan disse, pensou que ela merecia algo melhor. O livro caiu de suas mãos. Nagato tirou do bolso aquela aliança a qual passou as últimas semanas se esforçado para conseguir terminar de pagar. Era simples, dourada, delicada como o seu anjo era. Mais tarde, ele a jogou na pia da cozinha.
I should have quit you, long time ago
(Eu deveria ter te largado, há um bom tempo atrás)
Oh yeah, long time ago
(Oh, sim, há um bom tempo atrás)
I wouldn't be here, my children
(Eu não estaria aqui, minha criança)
Down on this killing floor
(Largado neste chão de matanças)
As costas dele foram a primeira coisa que viu quando entrou no apartamento. A primeira coisa que pensou foi em correr até lá e abraçá-lo, e realmente andou rápido até ele, mas não o abraçou. Seu corpo estancou por completo ao ver que ele estava fazendo a sua mala. Kakuzu fechou a boca, que abrira para exclamar o seu nome, e baixou a mão que vinha estendida para tocá-lo. Engoliu em seco.
- Você...
Kisame já tinha ouvido a porta da frente abrir e fechar, mas só se virou ao ouvir aquela voz. Aquela voz grave, autoritária, que muito raramente lhe dizia o quanto gostava de sua companhia, e então lhe deixava vermelho. E ele lhe beijava. Nenhum desses pensamentos estava lhe ajudando agora.
- Você está indo embora? – ele enfim perguntou.
A única resposta que Kisame lhe deu foi olhar para as roupas dentro da mala. Ele ficou assim por um tempo, sem olhar para ele, e voltou a arrumar suas coisas.
Os braços dele furtivamente passaram sob os seus e lhe puxaram contra seu peito aberto. O corpo dele era quente, amplo, e ele afundou o rosto na dobra de seu pescoço. Kisame sabia que devia empurrá-lo, mas deixou. Fechou os olhos e permitiu-se ficar um pouco mais naquele pedacinho do paraíso que eram os braços dele. Kakuzu apertou o abraço, beijou o seu rosto, espalmou a face em seus cabelos.
- Eu não vou deixar – murmurou em sua orelha. Um arrepio subiu pela espinha de Kisame, que mais do que nunca queria beijá-lo. Kakuzu empurrou de leve o seu rosto para o lado, numa delicadeza que não era de seu feitio, e seus lábios roçaram uns contra os outros. Quando Kisame não os entreabriu, Kakuzu forçou a entrada. Ele correspondeu breve àquela língua contra a sua, mas logo parou.
Era apenas a sua imaginação, mas a boca de Kakuzu tinha um gosto diferente. Era... Amargo.
Ele parou ao notar que seus esforços não estavam sendo correspondidos. Deixou um novo beijo no rosto azul do maior, mais demorado, e afastou-se dele. Ficou a olhá-lo com as duas mãos na cintura enquanto voltava a pôr as camisas dentro da mala. Kisame não olhou para si.
- Se tem alguma coisa que eu possa fazer...
- Você já fez demais.
- Não acha que está sendo muito duro comigo? – Desta vez, ele olhou diretamente para si. – Eu estou praticamente me arrastando aos seus pés. O que mais quer que eu faça para ver que estou verdadeiramente arrependido?
- Qualquer coisa que você faça não vai mudar o que você fez – Kisame fechou o zíper da mala e a pôs de pé sobre a cama. – Eu não consigo nem mesmo... Nem mesmo tocar você sem lembrar daquilo.
- Eu te perdôo por ter dormido com o Uchiha. Acho que ficamos quites, então.
- Obrigado, mas não é assim que as coisas funcionam – deu um sorriso irônico para tentar esconder o quanto aquilo estava sendo difícil. – Você se lembra de quando começamos a namorar de verdade? Sem serem apenas as saídas informais.
- Quando você veio morar aqui?
- Bem, sim. – Kisame segurou a alça da mala e apertou os dedos ali. – Poucos dias depois eu me encontrei com a sua ex na rua. Aquela que tinha te chutado no dia em que nos conhecemos no bar. Ela me disse o que tinha acontecido de verdade, o que você nunca quis me contar. Que ela te pegou na cama com um cara. Ela me disse que foi assim que descobriu que você também gostava de homens. Eu pensei que isso não ia acontecer comigo porque, bem, eu sou homem, e você sempre pareceu levar tão a sério o nosso relacionamento.
- Mas eu levo – cortou-o. – É claro que eu levo você a sério, Kisame.
- Eu não estou com raiva de você – ele ergueu a cabeça e sorriu para o moreno. – Estava, mas não estou mais. Na verdade, eu estou bastante triste. Por você, Kakuzu, não por sua causa. Você simplesmente não consegue, não é? Você vê uma coisa bonita, e você quer transar com ela. Você nunca vai se contentar em ter apenas uma pessoa na sua cama, não é? Cedo ou tarde, sempre vai ficar entediado. É por isso que eu fico triste por você. Imagino se um dia vai achar alguém que seja... Suficiente. Sinto muito por eu não ser esse alguém. Gostaria de ter sido.
Kisame deixou um silêncio para que ele o usasse para dizer alguma coisa, qualquer coisa, mas Kakuzu deixou aquele silêncio no ar. Ele parecia estar procurando algo com o que retrucar, e parecia assustado por não encontrá-lo.
Kisame largou a alça da mala e o abraçou. Os braços dele demoraram a também fechar em volta de seu corpo. Eles ficaram assim por um longo instante, pensando em todos os abraços que vieram antes daquele, até que Kisame se afastasse e tornasse a pegar a alça da mala.
- Eu vou tentar guardar uma boa lembrança de você – aquele largo sorriso estava em seu rosto azul e molhado. – Espero poder me lembrar de você com carinho.
- Nós... Nós não podemos...
- Não, não podemos.
Foi inusitado para Kakuzu que a sua garganta estivesse tão fechada e que sentisse seus olhos úmidos. O som da porta se fechando foi a coisa mais horrível que se lembrava de já ter ouvido na vida.
- Mas você não está se esquecendo de nada? – ele murmurou no apartamento vazio, e caiu sentado na cama. – ...Aishiterumo, Kisa.
Mine's a tale that can't be told, my freedom I hold dear
(A minha história que não pode ser contada, minha liberdade eu guardo com apreço)
How years ago in days of old when magic filled the air
(Como nos anos passados, em dias de outrora, quando a magia enchia o ar)
T'was in the darkest depths of Mordor, I met a girl so fair
(Foi nas profundezas mais obscuras de Mordor, que eu conheci uma garota tão atraente)
But Gollum, that evil one, crept up and slipped away with her
(Mas Gollum, o maligno, se aproximou sorrateiramente e fugiu)
- Eu pensei... Pensei que tivéssemos um lance – foi o que Hidan disse ao chegar e ver suas malas feitas na entrada do apartamento.
Kakuzu não respondeu. Ele estava sentado na cama, com os cotovelos apoiados nos joelhos e a cabeça entre as mãos. Puxava os próprios cabelos e apertava os olhos com força. Desejava, em vão, abri-los e ver que tudo estava de volta ao lugar.
- Então você me fode e me manda de volta pra casa? É isso?
Abriu os olhos. Ainda estava no meio da bagunça, tentando se lembrar de como diabos as coisas tinham ficado tão feias.
- Eu não posso namorar você – disse Kakuzu.
- Por que não?
- Porque você é... – a frase perdeu-se por trás do suspiro que ele deu. – Isso não daria certo. Os únicos momentos em que não quero quebrar a sua cara são quando estamos na cama, e se namoros fossem construídos em cima disso todas as putas que conheço já estariam casadas.
Foi a vez de Hidan ficar calado. Kakuzu não sabia que ele podia calar a boca, e pensar nisso lhe fez sorrir. Já a expressão que estava no rosto pálido dele quando ergueu a cabeça, essa lhe deixou ainda pior. Hidan nunca achou que fosse ficar tão magoado com um simples fora de um cara que conhecia há poucas semanas.
Ele baixou a cabeça e esfregou uma mão pelos olhos. Kakuzu levantaria para ampará-lo, mas sabia que seria pior, então apenas assistiu ao rapaz começar a chorar.
- Eu pensei que você fosse uma máquina de sexo que não se apegava a ninguém.
- Caralho, então nós dois estamos surpresos – Hidan respondeu com a voz embargada, forçando um riso devido à piada, mas aquele sorriso perigoso não fazia nem sombra em seu rosto molhado. Ele não era o único de coração partido naquele flat.
- Quer que eu te leve até o aeroporto?
- Não, eu vou pegar um táxi.
- Espere.
Ele se encheu de esperanças quando o ouviu. Parou, voltou, e observou a Kakuzu levantar e ir procurar alguma coisa na prateleira dos fundos. O maior voltou com um disco, que estendeu em sua direção. Não era exatamente o que Hidan esperava. Pegou-o, Led Zeppelin II, e manteve-o abraçado junto ao seu peito. Kakuzu deixou um beijo em seu rosto, Hidan deixou o gosto salgado de suas lágrimas nos lábios dele. Saiu do apartamento abraçando aquele disco com tanta força que seus dedos doíam.
Gonna ramble on, sing my song, gotta keep-a-searching for my baby
(Vou perambular, cantar minha canção, preciso continuar procurando minha garota)
Gonna work my way, around the world
(Vou forçar o meu caminho, ao redor do mundo)
I can't stop this feeling in my heart, gotta keep-a-searching for my baby
(Não consigo parar este sentimento em meu coração, preciso continuar procurando pela minha garota)
I can't find my bluebird
(Não consigo encontrar meu pássaro azul)
Seguiu todas as instruções que vieram com a mensagem. Pegou todo o dinheiro do galpão, como também as suas reservas pessoais, e jogou-as no porta-malas do carro. Dirigiu. Para bem longe. Para aquele posto de gasolina onde às vezes se encontravam no passado, quando as coisas estavam feias e precisam conversar sobre o que fariam. Não sabia como ele iria lhe encontrar, mas Madara prometeu que daria novas instruções quando estivesse lá. Zetsu acreditou nele. Zetsu sempre acreditava nele.
Em algum momento nas últimas horas agitadas entendeu o conteúdo daqueles beijos ironicamente românticos. Madara lhe amava. No meio de todo o pavor que veio com aquela afirmação, Zetsu aceitou que sentia o mesmo, e que por isso nunca o deixou. Nunca o traiu, em momento algum, e não o trairia agora.
Estacionou nos fundos e desceu do carro. Ele lhe mandou esperar perto dos telefones públicos. Zetsu receou ao ver dois carros policiais parados abastecendo, mas apenas pôs o capuz do moletom sobre a cabeça e andou até lá.
Não precisou esperar muito para ouvir um dos telefones tocarem. Atirou-se sobre ele, desesperado.
- Zetsu-san? – Aquela era, sem dúvidas, a voz dele.
- Oh, Madara-sama... – suspirou. – Onde o senhor está?
- Pegou tudo o que eu pedi?
- Sim, tudo.
- Tudo o que era seu?
- Sim, estão no porta-malas, como pediu. Onde o senhor está?
- ...Foi divertido.
Nenhum dos dois disse nada por um tempo.
- O quê? – Zetsu não entendeu.
- Atrás de você.
Gelou. O modo como ele o disse, não parecia estar anunciando algo bom. Zetsu olhou para trás. Lá estava ele, Madara, com um celular na orelha e algemas em seus pulsos. Orochimaru estava ao lado dele, sem as algemas, sorrindo para si. Policias apontavam armas na sua direção. Apenas entendeu o que estava havendo quando viu Kabuto algemado dentro de uma viatura. Sentiu-se estúpido.
- O senhor... – a sua voz quase não saía. – O senhor armou para cima de mim, Madara-sama?
- Eu disse, Zetsu-san. Disse que teria lhe dado se tivesse pedido, mas ninguém brinca comigo. Foi divertido.
- O que estão esperando para prendê-lo? – Orochimaru disse aos guardas.
Zetsu não resistiu, deixou que as algemas ferissem seus pulsos, que fosse atirado contra o capô, revistado, e jogado dentro da viatura ao lado de um Kabuto aos prantos. Olhou para fora e procurou Madara, chamou o seu nome ao vê-lo ser liberto das algemas alguns metros adiante. Madara olhou para si e, por um momento, Zetsu achou ter sido inteiramente enganado. Foi um momento breve, encerrado depois que viu aquele olhar de súplica que ele lançava. Ele não mentiu para si, mas, naquele jogo, era daquele jeito que as coisas funcionavam.
Ele saiu do posto em seu cadillac azul novo, com as quatro lanternas perfeitas e Orochimaru no banco do carona. Zetsu e Kabuto saíram algemados dentro daquela viatura, pensando no conteúdo daqueles beijos irônicos que eles lhes davam e no quando eles eram, de fato, ironicamente românticos.
I should have quit you, baby
(Eu deveria ter te largado, baby)
Such a long time ago
(Há um bom tempo atrás)
I wouldn't be here with all my troubles
(Eu não estaria aqui com todos os meus problemas)
Down on this killing floor
(Aqui embaixo neste chão de matanças)
Era triste ver aquele lugar vazio daquele jeito.
O silêncio tomava conta dos quatro cantos do velho galpão onde um dia eles foram Akatsuki, ensaiando e se divertindo.
Itachi pôs sua guitarra nas costas e ajudou Sasori a levar a bateria de Zetsu até a caminhonete de seu comprador. Eles não tinham espaço para guardar aquela coisa, e depois do que aconteceu, decidiram que o melhor a fazer era vendê-la.
Sasori pôs no banco traseiro de seu carro o teclado, os microfones e um amplificador. Kisame tinha apenas a sua guitarra.
- Eu cheguei a pensar que isso ia realmente dar certo – Konan confidenciou para eles enquanto fechavam as portas enferrujadas e barulhentas.
- Não só você – disse Kisame.
- Levando em conta tudo o que aconteceu, nós não podíamos ter feito nada para impedir. Você vem conosco, Kisame?
- Ah, sim, eu vou. Até mais Konan, Itachi-san.
- Tchau, hmm. Apareçam qualquer dia desses.
Kisame se espremeu no banco traseiro do carro do Akasuna junto com o equipamento e eles saíram, deixando apenas Konan e Itachi sozinhos na calçada, onde ficaram por pouco mais do que cinco minutos antes de tomarem caminhos opostos para suas respectivas casas.
Ramble on and now's the time, the time is now, to sing my song
(Perambular, e agora é a hora, a hora é agora, para cantar minha canção)
I'm going around the world, I got to find my girl, on my way
(Estou indo ao redor do mundo, preciso encontrar minha garota, pelo meu caminho)
I've been this way ten years to the day ramble on
(Eu ando desta maneira há exatos dez anos perambulando)
Gotta find the queen of all my dreams
(Preciso encontrar a rainha de todos os meus sonhos)
Aquela ponte era um lugar bastante movimentado durante o dia, mas a noite, e principalmente às onze horas, estava sempre completamente deserta. Era bonito ver as estrelas refletidas nas águas calmas. Não havia estrelas no céu naquela noite, e a lua mal aparecia por trás das nuvens. Aquela ponte já teve noites mais bonitas do que aquela.
Mesmo assim, Itachi sabia que ele estaria lá. Era para onde ele sempre ia quando não tinha para onde ir. Atravessou a ponte duas vezes, olhando para as margens, até achar contornos familiares sentados na grama perto do lago. Desceu as escadas da praça, pulou a cerca e andou até onde ele estava. Ele olhou de relance para si, não sabia se o fizera para ver quem era, ou para afirmar que já tinha lhe visto. De qualquer maneira, sentou ao lado de Kisame na grama.
Nenhum dos dois disse nada por um longo tempo.
- Então... – Itachi achava que aquela quietude devia ser quebrada. – Como você está?
- Como acha que eu estou?
- Imagino que não do jeito que eu gostaria.
Silêncio. Itachi desviou a atenção do lago e olhou para o homem ao seu lado. Ele abraçava as pernas junto ao corpo e olhava para o céu cinzento.
- E como gostaria que eu estivesse, Itachi-san?
- Sinceramente?
- Sinceramente.
- Apaixonado por mim.
Kisame olhou para si. Era difícil enxergar o seu rosto no escuro que estava a sua volta, Itachi nem mesmo tinha certeza de que ele olhava na sua direção, mas sentia que aqueles pequenos olhos negros encaravam os seus.
- Isso é um pouco egoísta, sabia?
- Você disse que queria que eu falasse sinceramente – argumentou. – Mas se quer um conselho de amigo, eu diria que, se realmente gosta tanto dele, devia lhe dar outra chance.
- Mas você não gostaria disso.
- Não, eu sinceramente odiaria isso.
Ele de uma risada curta e espirituosa, daquelas que no fundo não tem nenhum significado, são apenas para quebrar longos silêncios e climas estranhos.
- Esse seu conselho de amigo é pra valer? – Kisame perguntou.
- Bem... – o Uchiha expeliu uma grande quantidade de ar pela boca. – Sim, é o que penso. Vai voltar com Kakuzu?
- Não. Eu ainda gosto dele, mas eu sei que já acabou. Não dá pra explicar isso para você. – Kisame soltou os joelhos e estendeu as pernas sobre a grama. Jogou as mãos para trás e usou-as para apoiar o corpo. – Na verdade, eu estava pensando em seu conselho de outro jeito. Talvez seja um bom conselho, talvez seja um conselho de merda. Mas não é aplicável para Kakuzu, por mais que...
A frase ficou em aberto até que morresse no silêncio da noite. Era o tipo de coisa que se começa a falar e não sabe como aquilo irá terminar, porque não é fácil pôr tudo o que a implica em palavras. Kisame desistiu de explicar, e Itachi não perguntou.
- O conselho. – O amigo olhou para si, confuso. – De que maneira estava pensando em meu conselho?
- Ah, estava pensando nele de uma maneira que você gostaria. Estava pensando que, talvez, se eu gostar realmente de você, poderia te dar uma chance. Ou então poderia te dar uma chance e descobrir se realmente gosto de você.
Kisame imaginou que ele diria alguma coisa depois disso, mas Itachi não disse, o que lhe levou a descer a cabeça, que encarava o céu cheio de nuvens, e olhar para o Uchiha que lhe acompanhava naquela conversa. O único foco de luz caia em seu rosto, então por mais que Itachi não conseguisse ver o rosto de Kisame, Kisame podia ver o seu nitidamente. Ele podia ver todo o contentamento que cresceu dentro daqueles olhos inexpressivos, e que seria inexistente para qualquer outro que não conhecesse cada mínimo traço de expressão de Itachi como ele conhecia como a palma de sua mão. Itachi meneou a cabeça afirmativamente duas vezes.
- Eu não posso te prometer nada – Kisame deixou claro.
- Não me importo.
O Uchiha se arrastou sobre a grama para mais perto do maior, saindo do único foco de iluminação que tinham, e ficando junto com ele no escuro. Kisame não podia mais ver as expressões escondidas por trás daqueles olhos negros vazios, mas sentiu-o lhe puxar de leve enquanto deitava-se na grama. Deitou-se sobre ele, os braços finos enlaçaram sua cintura, suas pernas se entrelaçaram e seus narizes roçaram muitas vezes até que seus lábios finalmente acariciassem uns aos outros, e beijassem.
For now I smell the rain
(Pois agora eu cheiro a chuva)
And with it pain, and it's headed my way
(E com ela a dor, que está caminhando em minha direção)
Sometimes I grow so tired
(Às vezes estou tão cansado)
- Tadaima.
- Okaeri Kisame, hm!
Apenas Deidara lhe cumprimentava quando chegava, apesar de que Sasori também estava ali, sentado com ele no sofá. Nos primeiros dias isso o incomodou, achou que não fosse bem-vindo, mas depois notou que era apenas o jeito dele. Estava morando com Sasori e Deidara agora, habitava o quarto de hóspedes do apartamento do ruivo. Era aquele um belo e espaçoso apartamento.
- Você trouxe as compras? – perguntou Sasori.
- Estou indo deixá-las na cozinha agora mesmo.
Passou por eles em seu caminho até a cozinha. Nos primeiros dias, o relacionamento deles também lhe incomodou. Agora não mais, Kisame gostava de vê-los juntos. Sasori estava deitado no colo de Deidara no sofá, e o loiro lhe acariciava os cabelos vermelhos. Apesar da apreensão em seus rostos, Kisame achava aquela cena doce. Eles estavam assistindo ao canal de notícias, naquele dia esperavam que a qualquer momento a sentença de Zetsu fosse anunciada.
Terminou de pôr as compras no armário e foi para o seu quarto. Não lhe interessava saber o veredicto, tinha certeza de que cedo ou tarde Madara o tiraria dali. Nenhum deles via Madara desde que toda aquela confusão aconteceu, apesar de que Kisame estava convencido de que ele apareceria.
Leaves are falling all around, it's time I was on my way
(As folhas estão caindo por toda parte, é hora de pegar o meu caminho)
Thanks to you, I'm much obliged
(Graças a você, eu sou muito grato)
O seu celular vibrou no bolso da calça. Apanhou-o para ver que era um aviso de duas mensagens perdidas. Os dois nomes que apareceram na tela lhe fizeram coçar o sobrolho violentamente.
Ele abriu a de Kakuzu. Houve um aperto em seu peito.
"Sinto saudades suas..."
Kisame apertou o celular em sua mão, baixou a cabeça, mordeu o canto do lábio. Não sabia se devia responder que também sentia a dele. Antes de decidir, abriu a segunda mensagem. Era de Itachi.
"Ainda vem hoje à noite?"
Um sorriso leve nasceu no canto de seus lábios. Apertou em "responder" e digitou:
"É claro". Enviar.
Voltou para a de Kakuzu. Seu dedo parou sobre "responder", mas findou apertando-o. Kisame digitou uma resposta breve, apenas quatro letras, e novamente receou sobre o "enviar".
O celular vibrando e o alerta de uma nova mensagem surgindo na tela lhe pouparam de fazê-lo agora. Era a resposta de Itachi, a qual imediatamente abriu.
"Que filme quer ver?"
Responder. "Qualquer um, você escolhe". Enviar.
Voltou para Kakuzu. Desta vez, Kisame não pensou duas vezes. "PARE", era o que sua mensagem dizia. Não teve tempo para refletir sobre nada, a resposta de Itachi à sua mensagem anterior veio rápida.
"você... vem pra passar a noite? toda? o_o"
Itachi usava emoticons em SMS. Kisame nunca tinha percebido isso. Ele riu, porque era algo verdadeiramente estranho vindo dele.
Responder. "Eu não sei, talvez ". Enviar.
Esperou pela resposta, que não demorou a vir.
Abrir. "Então escolherei algum filme chato"
Responder. "Ora, por que? O-o". Enviar.
Abrir. "Porque se você vier passar a noite toda não vamos querer prestar atenção no filme "
Kisame riu.
Responder. "Sim, faz sentindo" Enviar.
E pensou um pouco...
Responder. "Talvez nem precise escolher um filme...". Enviar.
Desta vez, a resposta demorou um pouco mais para chegar. O celular vibrou, Kisame abriu a mensagem com o nome de Itachi que aparecia na tela, e riu.
".\\\\."
Era tudo o que ela dizia.
For such a pleasant stay, but now it's time for me to go
(Por essa estadia agradável, mas agora é hora de ir)
The autumn moon lights my way
(A lua do outono ilumina meu caminho)
[...]
N/A
E CHEGAMOS AO FIM! Espero que tenham gostado :3
A primeira vez que pensei nessa fic foi quando tava assistindo Closer: Perto Demais, então já era premeditado que todo mundo ia se foder no final -Q
Aliás, acho que a única pessoa que ficou feliz com como a fic acabou foi o Itachi xD A Veronica me disse que chorou lendo a parte do Hidan e ficou com raiva de mim, mas acho que isso foi exagero dela u-u
Ah, um aviso: eu provavelmente ainda vou postar mais uma coisa dessa fic. Não é um capítulo, não realmente, eu chamei de "Do Prólogo ao Epílogo", e o título é auto-explicativo. A parte do prólogo tá pronta, falta só o epílogo.
Um agradecimento a "todos" que leram até o final, e até a próxima!
