Desclaimer: Jared e Jensen não me pertencem, o que é uma pena, e escrevo essa fic apenas para a minha diversão e para a diversão de quem vai ler e sem nenhum fim lucrativo.


Titulo: Refuge
Beta-Reader: EmptySpaces11
Fandom:
Supernatural / RPS
Classificação: M/NC-17/Slash.
Avisos: Universo Alternativo, Repostagem.

Sumário: Jared Padalecki resolve seguir seu sonho e viajar pelo mundo com uma mochila nas costas. Jensen vive uma pacata vida nas montanhas como um caçador. E se conhecem graças ao bondoso e maquiavélico Jeffrey. Padackles - AU.

Fanmix: http : / br4 . in / aVrxS ; Por Draquete. Obrigada querida, você sabe o quão importante foi essa fanmix pra mim.

Capa: http : / br4 . in / ubp7o ; Por EmptySpaces11. Obrigada amor. Você me surpreendeu quando me mandou. Amei muito ela.


Capítulo VII


O olhar de Jensen queimava sua pele, sentia-o mover o quadril sob o seu, enquanto lhe beijava avidamente, suas mãos faziam o contorna das costas dele, sentindo os músculos e decorando-os com a ponta dos dedos. Sentir seu tórax contra o dele era delirante parecia que a lareira estava acessa dentro do quarto e não mais na sala.

Se Jared gostava de jogos, também não ficaria atrás. Ele lhe fez falar o que queria, mas seria ele a torturar e ser torturado por aquele maldito jogo, pois a cada movimento de seu quadril, sentia o contato do pênis dele em sua entrada.

Sua boca não parava um único segundo, a pele de Jared era vicíante, os braços dele envolviam sua cintura, forçando-o para baixo, requerendo mais contato. Era difícil travar uma batalha com ele, alem de grande ele era forte, muito forte. E a cada nova investida ele conseguia ir um pouco mais fundo.

— Era você que estava pedindo para eu me apressar, e agora... – Escutou Jared soltar um longo gemido. Não deixaria que ele falasse, então investiu sobre ele, sentindo o membro dele adentrar lentamente sua entrada. – Você é muito mal! – escutou ele dizer, e novamente levantou um pouco o quadril e moveu para baixo, sentindo-o entrando novamente dentro de si.

Doía, mas o prazer que Jared expressava a cana nova investida era bom o suficiente para fazê-lo esquecer da dor. Não conseguia se lembrar de quando fora a ultima vez que havia sentido tanto prazer. Talvez nunca tivesse se sentido assim.

Jensen ficou contente, embora a palavra não fosse apropriada para descrever seus sentimentos. Jamais se sentira não valorizado. Não só desejado, mas também valorizado. Os lábios e as mãos de Jared faziam com que ele se sentisse único. Especial. Sentia como se ele não pudesse fazer aquilo com nenhuma outra pessoa, só com ele. Sentiu os lábios de Jared contra o seu, e o beijou com sofreguidão.

— Chega de jogos! – escutou Jared dizer em um fio de voz, enquanto invertia novamente as posições. E foi naquele momento em que o sentiu por completo.

— Não se mexa – murmurou Jensen, com a voz entrecortada.

— Jensen?

Jensen estava com os olhos fechados e lentamente os abriu. Viu refletir nos naqueles belos olhos esverdeados o que estava sentindo. Amor. Sabia que era absurdo. Ele e Jensen se conheciam somente há três dias, sob condições incomuns. Não haviam conversado muito, nem partilhado idéias sobre o passado ou futuro e muito menos sobre o presente. Contudo, o sentimento estava ali. Jamais sentira algo parecido antes... O desejo incontrolável de lhe agradar, de lhe fazer sorrir e estar ao seu lado.

Não saberia o que fazer se Jensen lhe colocasse para fora da cabana, mas com certeza. Sentiria no mínimo feliz, pois havia conhecido o amor verdadeiro.

Jensen buscou seus lábios e moveu o quadril de encontro ao seu. Ele era apertado e deliciosamente bom. Sabia que se ele pedisse para parar naquele instante, ele pararia e deixaria seu clímax de lado somente para agradá-lo, mas ele enlaçou sua cintura com as pernas, movendo os quadris e a musculatura interna, prendendo-o ainda mais e tirando-lhe o fôlego. E ouvia de sua boca pedir para ir cada vez mais rápido.

Ergueu a cabeça de Jensen que estava sobre o travesseiro absorto nas sensações que lhe era provocada, procurou os lábios dele e esqueceu tudo a não ser o prazer intenso de provocá-lo com a língua. Curvando a cabeça, saiu completamente de dentro Jensen, e depois entrou. Repetiu em ritmo lento, acelerando à medida que recebia resposta dele.

A cada penetração, os dois ficavam mais excitados ainda. E em uma dessas estocadas, Jensen sem nem ao menos ser tocado novamente, atingiu o clímax. Sentiu-se preso, exprimindo em seu interior, e com mais algumas profundas estocadas, o seguiu.

Por um instante pensou que tinha morrido e ido diretamente para o paraíso, e podia ver pelo que o mesmo acontecia com Jensen. A respiração saia rápida e profunda assim como a de Jensen, que não movia nenhum músculo. E ficou imensamente feliz por não ter morrido, pois se tivesse, não estaria presenciando aquela magnífica visão.

Com suavidade Jared deslizou para fora de Jensen, mas antes que ele pudesse dizer qualquer coisa em protesto, o abraçou puxando-o para perto de si, envolvendo-o por completo. Jensen permanecia com os olhos fechado, suspirou saciado. Sentindo o cheiro másculo de Jared adentrar em suas narinas, se não estivesse saciado, ficaria excitado novamente somente por aquele cheiro.

— Isso foi... – Jared começou a dizer, mas fora interrompido por Jensen.

— Tão bom! – O moreno concordou, selando os lábios de Jensen com um suave beijo.

— Foi mesmo. – escutou Jensen rir pela primeira vez, e olhou para o rosto dele. O sorriso dele alcançava os olhos, fazendo com que eles ficassem semi-serrados, e era lindo. E não pode deixar de acompanhá-lo.

Antigamente Jensen esticaria o braço para apanhar um cigarro, e manteria uma distância segura da pessoa com quem dividia a cama, mas naquele momento não. Havia conseguido parar com o maldito vicio e a única coisa que queria era permanecer ao lado de Jared, sentindo sua pele e calor. Era o que mais queria.

— Talvez devêssemos brigar mais vezes. – disse Jared arrancando Jensen de seus devaneios. Viu o olhar inquisitivo de Jensen, e o puxou colando mais seu corpo ao dele. – Se terminarmos sempre na cama, bom... Vou adorar brigar com você todos os dias! – e novamente Jensen teve que rir.

Jared estava adorando fazer Jensen rir e sorrir abertamente, era como se apenas aquele sorriso o completasse. Gostaria de fazê-lo feliz, arrancá-lo daquela vida monótona em que ele vivia, ver ele somente ler seu livro, acender a lareira, cortar madeira, caçar e fazer lanches não era uma vida, ou pelo menos achava que não.

— Ainda continuo achando que você tem sérios problemas mentais! – disse Jensen ainda sorrindo. – Você não acha melhor virmos para a cama sem brigar?

Jared não se agüentou com aquela pergunta, levou as mãos ao rosto de Jensen, segurando-a e beijou-lhe os lábios.

— É... – o moreno pensou, e gargalhou, beijando-o novamente. – Com certeza é bem melhor! – então Jared o olhou nos olhos, com a pouca luz que a lareira ainda lhe fornecia e perguntou: – Mais cedo achei que não me queria por perto.

— Jared, era totalmente o contrario. – Jensen disse se aconchegando ainda mais ao lado de Jared. – Eu o queria por perto, bem perto.

— Mas então por que...

— Como disse mais cedo, isso me da medo. Pensei que tinha a vida toda traçada, e aí você chegou e atrapalhou tudo.

— Sei o que quer dizer!

— Sabe?

— Sei, não me importo em viver sozinho. Tipo, sem um relacionamento, as vezes é melhor ficar sozinho do que muito mal acompanhado! – disse Jared rindo.

— Parece que aquele tal de Tom lhe fez muito mal!

— E se fez! – disse Jared virando de frente para Jensen, enlaçando as pernas dele as suas. – Não só física, como emocionalmente! – viu as sobrancelhas de Jensen se levantar ao comentário e teve que rir. – Tom tem quase a mesma altura que eu, e em muitas das nossas brigas, saiamos com um corte no lábio ou com uma costela quebrada.

— Nossa, o amor é lindo mesmo! – Jensen ironizou.

— Eu o amava! – respondeu Jared secamente. – Eu precisava dele e ele bom, abusava da minha boa vontade.

— Como assim?

— Eu tinha acabado de terminar a faculdade de jornalismo, e ido para New York. Não tinha onde cair morto, depois da morte dos meus pais em um acidente de carro. – Jared falava com a voz fraca, pois mexer em seu passado ou só de falar dele machucava, mas ao sentir uma das mãos de Jensen fazendo uma leve caricia em seus cabelos, se sentiu protegido. Como se nada de ruim pudesse acontecer novamente. – Então quando fui fazer uma entrevista de emprego, Tom estava passando e me viu. Logo se interessou pela minha aparência. Quando fui contratado pela empresa dele, descobri que tinha sido somente porque o presidente me queria como auxiliar particular. E sim ele é o presidente. E quando dei por mim, lá estava eu morando na casa dele, com ele entrando em meu quarto todas as noites, mas meu serviço resumia em tirar informações dos colaboradores e dos jornais concorrentes.

— Estilo um espião? – Jensen sorriu levemente, e viu que Jared concordou.

— Não sei como, mas as pessoas têm uma facilidade de confiar na minha pessoa. – Jared disse sorrindo ao ver o rosto de Jensen se contorcer. – Com você foi diferente, mas tudo bem. Então ficava fácil fazer isso.

— Odeio jornalistas! – Jensen disse somente ainda olhando para Jared. – Mas você não fez nada a respeito ou você era recompensado pelas informações?

— Percebi! – Jared respondeu e continuou: — E não, eu não fui recompensado, e quando dei por mim que Tom ficava mais e mais rico por muitas das informações que eu conseguia. Percebi que ele estava me usando, e foi quando me demiti. – Jared suspirou, era muito cansativo dizer tudo o que estava dizendo. O único que sabia de toda a historia era Jeffrey. – Então voltei para minha casa no Texas, mas tudo lá me lembrava minha mãe, meu pai e a Meg, mas não consegui ficar muito tempo lá, então voltei para New York. Consegui um bom emprego no Times, pois a influência de ter trabalhado diretamente com o Tom Welling fez com que eles me quisessem. Estou lá até hoje.

— Nossa! – Jensen expressou. – Tento manter distancia desse tipo de pessoa, pessoas como o Tom.

— Você é muito esperto!

- É isso ou fraco. Ainda não decidi um. – Jensen disse dando um pequeno sorriso.

— Fraco? – perguntou Jared, puxando o corpo de Jensen pata perto do seu. – Isso aqui não me parece nem um pouco fraco.

— Não físico, mas psicologicamente. – disse Jensen e viu Jared gargalhar.

— Por isso mesmo falo que é forte, não sei se eu conseguiria me excluir assim do mundo. Sem telefone, sem internet e tudo o que uma cidade grande tem. - Jared disse e parou para pensar. – Com certeza não são todas as pessoas que conseguem viver bem consigo mesmas por muito tempo. Muitas delas piram! – e riu, aquele comentário havia sido o pior que teria feito, mas não importava, pois Jensen o acompanhou rindo também. – E digamos que eu estou na porcentagem que piraria.

— Não tenho certeza de que estou tão bem assim. Afinal ataquei você na primeira oportunidade. – disse Jensen beijando-o.

— Eu é que estou com vontade de te atacar novamente! – disse Jared rolando o corpo para cima de Jensen.

— Eu ia falar a mesma coisa, mas... – Jensen olhou para o lado – Achei que iria pensar que eu estava somente atrás do seu corpo.

Jared não se agüentou e teve de rir, não antes de capturar rapidamente os lábios de Jensen. Esse Jensen ele não conhecia, o Jensen tímido. E apreciou muito esse momento.

Pressionou seu corpo sobre o de Jensen, fazendo sua leve ereção roçar na dele. E tomou os lábios dele novamente.

— Se for assim eu poderia dizer o mesmo, mas acho que não é só isso! – disse Jared roçando os lábios nos de Jensen.

Seus corpos já se moviam freneticamente em busca de mais contato.

Jensen não imaginaria que aquele homem que entrou pela porta de sua cabana, todo cheio de lama e com um enorme machucado nas costas estaria na sua cama naquele momento, e compartilhando todo o seu ser com ele.

Ouvia Jared dizer coisas desconexas, mas que sabia que eram obscenas em seu ouvido, e sorriu. Tinha desistido de procurar um amor, mas o amor tinha vindo até ele.

A temperatura do quarto havia aumentado drasticamente novamente. O barulho da chuva do lado de fora poderia ser ouvida, mas ali naquele momento eles só se preocupavam com seus gemidos e as palavras desconexas que um falava para o outro. Antes que Jared pudesse tomar as rédeas, rolou o corpo para cima do dele, e sorriu ao escutar ele reclamar.

— Nunca tive coragem de fazer isso! – Jensen disse envolvendo a ereção de Jared com uma das mãos e guiando para sua entrada. – Mas morria de vontade.

Então quando sentiu o pênis fazendo pressão, sentou, sentindo ele lhe adentrar no seu mais profundo. Poderia jurar que havia sido tocado na alma, se isso fosse possível.

— Oh Jen... – Jared arfou, havia ficado impressionado, pois aquele gesto era uma forma de demonstrar a confiança que Jensen tinha nele, mas aquele pensamento não durou muito, pois sentiu Jensen o contraindo, e o puxando para dentro de si.

Jared levou as mãos ao quadril de Jensen ajudando-o a se mover. Jensen levantava totalmente o quadril fazendo com que ele quase saísse e voltava afundando-o novamente em seu corpo. Era magnífico estar ali. Seu currículo não era assim tão recheado, mas estar com Jensen estava sendo totalmente diferente.

Movia seu quadril de encontro ao dele, escutando-o gemer, e estava amando ver as expressões de Jensen quando era tocado naquele ponto em especial, que sempre o fazia gemer e urrar chamando-o.

— Jare... – Jensen repedia o nome de Jared como um mantra e com a voz embriagada de prazer.

Não estava tão diferente. Sentia seu corpo tremer, as mãos de Jensen espalmadas em seu tórax provocavam choques elétricos quando entravam em contato com seus mamilos. Tudo estava... Tão fodidamente bom. Literalmente falando.

Se soubesse que a sensação de cavalgar era tão boa teria feito antes, mas estava agradecendo por não ter feito, pois aquele momento estava sendo especial. Jared era especial.

Parecia loucura, mas não conseguia pensar de outra forma, melhor dizendo, nem conseguia pensar naquele momento. Jared o tocava na próstata repetidas vezes. Sentia seu corpo tremer a cada nova investida. E como se uma onda elétrica atravessasse seu corpo por todos os lados possíveis e imaginais, gozou. Como nunca havia gozado na vida. Jared o puxou para um beijo, abafando boa parte de seus gemidos.

Jared rolou para cima de Jensen, sentindo as gotículas de suor escorrer entre seus corpos no processo, era delicioso estar dentro de Jensen, e a forma como ele o puxava para dentro de si, estava o deixando descontrolado. Continuou a penetrá-lo agora com ele em baixo de si, e não demorou muito e explodiu.

Jensen sentiu outra onda de prazer atravessar seu corpo quando sentiu o liquido quente e de Jared dentro de si, e não pode impedir que outro gemido escapasse por sua garganta. Sentia-se completo, repleto de Jared.

Jared o chamou, enquanto tinha os últimos espasmos de seu prazer. Com toda a certeza, aquele foi o momento mais maravilhoso de sua vida. Se da primeira vez achava que tinha morrido, dessa vez tinha ido para o inferno depois para o céu, para voltar para aquele lugar e enxergar Jensen corado e com um pequeno sorriso de satisfação. Deixou-se desabar em cima dele, vencido pelo cansaço.

Ficaram imóveis, somente sorvendo o máximo que podiam daquele momento que estava sendo único para ambos. Estavam ofegantes e saciados. Haviam entrado em um estado de transe, como se a vida lá fora não existisse mais. O que importava naquele momento era somente eles, Jared e Jensen e aquela cama.

O momento só acabou quando Jensen se remexeu e disse:

— Cara você é pesado! – Jensen estava ofegante e sorria.

— Pura gostosura! – disse Jared saindo levemente de Jensen, que se arrependeu do que disse, pois estava sentindo-se estranho pela falta de contato. O que não durou muito, pois Jared se aconchegou do outro lado da cama o puxou para que ele se acomodasse em seu peito.

Podia escutar o coração de Jared ainda bater acelerado, por sua causa, e não pode de depositar ali um leve beijo.

— Você é insaciável? – Jared perguntou tirando Jensen de seu tal pensamento. – Eu ainda não me recompus para você me instigar dessa forma!

— Cala a boca, Jared! – disse Jensen se aconchegando melhor nos braços de Jared. – Você acabou comigo e ainda fica pensando que eu estou instigando você!

— Olha quem fala! – disse Jared bocejando. – Foi você que acabou comigo. – apertou seus braços em volta de Jensen.

— Nos acabamos. – disse Jensen com a voz embriagada de sono.

—X—

Jared acordou com o som das gotas de chuva no vidro da janela. Lutava para abrir os olhos, eles teimavam em permanecer fechados, pois ali, naquela cama estava tão aconchegante e quente que dava vontade de voltar a dormir naquele instante, mas foi no momento em que tentou levantar os braços e se viu impedido, e lembrou o que havia acontecido naquela noite, e um enorme sorriso brotou em seus lábios.

Puxou o corpo que estava ao seu lado, querendo sorver mais daquele contato. A mínima claridade que vinha do lado de fora o deixava notar as muitas e pequenas sardas que continha nas costas daquele com quem dividia a cama, e com leves beijos começou a contornar uma por uma.

Sentia Jensen se mexer levemente a cada novo beijo, então que daria um belo bom dia a ele. Continuou contornando cada sarda dele não comente com beijos, mas com leves mordidas. Deixando pequenas marcas avermelhadas.

Sentia os pelos do corpo dele se arrepiarem a cada novo beijo e sorriu vitorioso, pois contatou que até dormindo Jensen se sentia atraído por ele, Jared. Levou a mão que fazia leves caricias na barriga de Jensen ao membro dele e contatou o quão desperto ele se encontrava, e começou a instigá-lo. E ele gemeu ao contato.

— Bom dia Jensen. – disse ao pé do ouvido do loiro, depositando ali uma leve mordida.

— Hmm. – foi somente isso que escutou do loiro, mas o corpo dele correspondia a cada nova caricia. O quadril dele mexia lentamente no sentido contrario da sua mão.

— Vamos acorde. – disse Jared intensificando a caricia e parando bruscamente o que fazia quando contatou que Jensen sorria. – Filho da...

— Estava tão bom! – disse Jensen sem olhá-lo. Esperou por alguma resposta, mas não recebeu nenhuma. Virou o corpo de frente para Jared, e a cara que ele estava fazendo, era digna de uma foto.

Ele estava com os braços cruzados no peito, e os olhos perdidos em um ponto qualquer da parede e um leve bico de nos lábios.

— Bom dia Jared! – disse Jensen segurando o rosto dele entre as mãos e depositando um leve beijo naquele bico que estava pedindo para ser beijado. Aproximou os lábios do ouvido dele e sussurrou: — Acho que precisamos de um banho.

E não pode segurar a risada quando o bico se transformou em um enorme sorriso malicioso.

— Concordo com você! – disse Jared envolvendo a cintura de Jensen o puxando para um novo beijo.

—X—

Jensen estava preparando o café quando Jared entrou na cozinha. Ele tinha ficado com a parte de arrumar o quarto, pois a pequena festinha que tinham feito havia acabado com os lençóis.

Sentou-se em sua cadeira, e ficou a observar Jensen preparar o café. Viu ele caminhar até o pequeno freezer e tirar de lá pães congelados, pronto para assar. Então descobriu de onde ele tirava pão todo dia pela manhã. E sorriu, mas estava com um pensamento em mente que não o deixava quieto.

Seu olhar atento sobre Jensen, tentando em vão descobrir algo, mas se não perguntasse não teria a resposta, mas não estava certo se poderia fazer uma pergunta daquelas.

— O que foi Jared? – Jensen perguntou ainda de costas, enquanto colocava os pães para assar no forno.

— Nada! – respondeu Jared.

— Se não fosse nada, você não estaria batendo esse maldito pé no chão e mexendo tanto no cabelo! – Jensen disse e virou-se para olhá-lo.

Jared estava passando as mãos pelo cabelo naquele momento, e parou de bater o pé no chão no mesmo instante. Desde quando Jensen sabia suas manias? Ele o observava tanto assim?

— Toda vez que você quer me perguntar alguma coisa e não pergunta você fica assim, e isso me da nos nervos, por que não sei o que está pensando. – Jared mordeu o lábio quando escutou o que Jensen disse, e sorriu envergonhado.

— É que eu estava aqui pensado... – como iria fazer uma pergunta daquelas, só para saciar sua curiosidade. – Você disse que mora aqui há quatro anos, certo?

— Sim, e?

— Como são as pessoas? – Jensen não sabia onde Jared queria chegar com aquela pergunta. – As pessoas são bonitas? – e após essa pergunta não entendeu mais nada. E Jared notando que Jensen não o entendia, resolveu ser mais direto. – Você já se relacionou com alguém?

Jensen teve que rir. Todo aquele rodeio por aquilo?

— Ah, esquece... – Jared disse se levantando. – Lógico que você se relacionou, você não de ferro e não...

— Jared... – Jensen o cortou. – Você é a primeira pessoa com quem eu transei nessa cabana, se é isso que quer saber!

Jared suspirou aliviado, soltado o peso sobre a cadeira. E Jensen riu novamente. Notou o sorriso de Jensen e se sentiu o maior idiota do mundo, mas não ligava, Jensen estava sorrindo, para ele.

Não pode deixar de notar na mudança de Jensen desde que ele percebeu que o motivo dele estar ali era tudo culpa de Jeffrey, e também a outra mudança depois de que eles passaram a noite juntos.

Jensen estava o deixando se aproximar. Estava sorrindo, não estava mais se reprimindo. E se sentiu o homem mais sortudo do mundo. No primeiro dia havia prometido a si mesmo que iria arrancar dele tudo o que poderia, e estava conseguindo o que queria e mais um pouco. Notou que Jensen ainda o olhava e sorriu, verdadeiramente.

Quando lembrou de Jeffrey não conseguiu encontrar a raiva que estava sentindo antes. E teve que gargalhar.

— Você tem...

— Problemas mentais... Eu sei! – Jared cortou Jensen e gargalhou mais ainda, mas logo Jensen iria entender. – Nesse exato momento, pense no Jeffrey!

Jensen levantou uma das sobrancelhas, não estava conseguindo entender Jared. Aquele moreno era difícil de entender, ele nunca falava as coisas por completo. Parecia que ele não conseguia falar mais que meias palavras. Teria que aprender a interpretar o que ele dizia, ou a comunicação ficaria difícil.

— O que sente? – Jared perguntou, pois Jensen ainda continuava com o olhar inquisitivo.

— Nada, por que deveria sentir... – foi então que Jensen entendeu. – Filho da mãe!

— Era isso que eu queria dizer... Não tem raiva, vontade de matar nem nada do gênero. – e Jared voltou a gargalhar, quando já estava lacrimejando de tanto rir, disse quase sem fôlego: — Ele é um filho da puta desgraçado que faz as coisas tudo meticulosamente pensadas!

— Com ou sem vontade de matá-lo eu vou fazê-lo mesmo assim! – Jensen disse seguindo o exemplo de Jared e começou a rir.

Não se lembrava de quando havia rido tanto assim na vida. Jared o fazia falar mais que o normal, o fazia se expressar mais que o normal e o fazia rir também. Ele era impossível.

Sempre achava uma forma de fazer graça com as coisas, mesmo que as tivessem graça para as outras pessoas, mas somente de ouvir ele sorrir, gargalhar já era motivo o suficiente para querer acompanhar.

Talvez ele estivesse ali para fazer ver que a vida não era só ficar de cara fechada espantando tudo e todos, e concordava mesmo com ele, Jeffrey era mesmo um desgraçado e dos bons, se é que podia dizer assim.

Ambos começaram a sentir o cheiro do café e escutaram suas barrigas clamarem por comida. Jared ainda tentava se recuperar de seu ataque de riso, e Jensen que não chegava nem perto de ter tido um ataque, mas também estava com a barriga doendo resolveu que já havia passado da hora de tomarem café.

Retirou os pães do forno e os colocou sobre a mesa, com bacon e ovos mexidos, apanhou a cafeteira e trouxe também para a mesa e começou a se servir, sendo acompanhado por Jared.

— Enquanto dormia, eu resolvi dar uma volta, e vi que o tempo deu uma melhorada. – Jensen disse, e logo em seguida mordeu seu pão, e tomou um belo gole de seu café preto. Assim que terminou de mastigas disse: — O que acha de dar uma volta?

— Agora vai me deixar sair? – Jared perguntou com sarcasmo.

— Bom, pelo que vi ao lado das minhas botas, do quarto, você já tem as suas, e pelo que sei Jeffrey lhe preparou bem para o que lhe esperava, então trouxe um casaco, não?

— Uhum. – Jared respondeu com a boca cheia.

— Então acho que está apto a dar uma volta pela mata.

Jared sorriu, pensou que teria que passar aqueles sete dias enfurnados, dentro daquela cabana, mas já estava tão acostumado a ficar ali que nem tinha pensado em sair, e foi um grande alivio saber que poderia ver o céu, mesmo que ele estivesse preto por conta da chuva.

Mal acabaram de tomar o café e já estavam se arrumando para sair. Jensen havia lhe dito que iria lhe mostrar como passava o tempo, quando não tinha nada para fazer. E assim que saíram pela porta, sentiu o frio cortante que estava fazendo do lado de fora da casa. Ainda bem que estava protegido com aquele enorme casaco que Paul havia lhe presenteado no ultimo natal.

Seguiram o caminho para o lado de trás da cabana, e foi só então que percebeu que atrás da cabana tinha um pequeno galpão. Jensen entrou primeiro e o seguiu. Quando ele acendeu a luz, foi então que viu o que Jensen fazia com suas horas vagas. O lugar estava repleto de pequenas maquetes e varias miniaturas de madeira.

— Vi em sua estante alguns livros sobre esculturas em madeira, mas nem cheguei a imaginar que realmente fazia. – Jared disse pegando um pequeno cavalo de madeira nas mãos.

— Quando se tem tempo de sobra, consegue-se aprender até grego. – Jensen disse.

— Latim, no seu caso! – Jared o corrigiu e Jensen concordou. – Isso é que ter habilidade com as mãos! – Jared disse e sorriu malicioso.

E não pode deixar de notar que Jensen havia corado, as bochechas deles ficaram um tanto avermelhadas, o que ressaltou a pequenas sardas que ele tinha no rosto, e teve uma vontade insana de beijá-lo, mas seu pensamento foi impedido por Jensen.

— Essa maquete aqui é da minha cabana e de como era a cabana do Jeffrey. – Jared espantou aqueles pensamentos e se aproximou da maquete, e então olhou de uma cabana para a outra. A de Jeffrey era bem maior.

E como ele havia dito antes, ela tinha dois andares e era muito maior que a de Jensen, mesmo em miniatura. Jensen lhe mostrava o restante das maquetes, e ficava cada vez mais impressionado.

— Você deveria fazer disso uma profissão! – Jared disse enquanto olhava uma, que Jensen havia lhe dito que era o pequeno e único mercado da cidade.

— Mas é! – Jensen respondeu encostando-se a mesa. – Esse é uma encomenda para o mercado. E aquela... – Jensen apontou para outro. – É para a prefeitura.

Com certeza Jensen tinha talento com as mãos. E iria ver o quão abeis elas poderiam ser mais tarde, mas pensaria nisso depois. Quando terminou de ver as maquetes e as miniaturas, Jensen lhe chamou para ir o seguir.

E lá estavam eles fazendo um tour mata adentro, a chuva continuava a cair, mas era ela que estava dando um toque especial para toda aquela caminhada, via a copa das arvores balançarem com as gotas da chuva, e estava se sentindo um próprio homem do mato. Estava olhando para cima quando Jensen lhe avisou que haviam chegado. Quando olhou para frente, avistou o enorme lago.

— UOOOU. – foi à única coisa que conseguiu pronunciar.

Quando Jeffrey lhe disse sobre o lago, havia pensado em um laguinho, mas não um senhor lago. Só de olhá-lo dava vontade de se livrar das roupas e entrar nele, mas não faria isso, com certeza a água estava gelada, muito gelada.

— As pessoas da cidade fazem a festa no lago quando é verão! – Jensen disse tirando Jared de seus pensamentos.

— Imagino... Eu com essa chuva tive vontade de entrar, imagina no calor. Definitivamente deve ser uma delicia.

— Não te aconselho a fazer isso! – Jensen disse rindo. – Fiz isso uma vez e quase morri de hipotermia!

— E depois sou eu que tenho sérios problemas mentais! – Jared ironizou.

— Mas tem!

— Não só eu!

Ficou imaginando como seria estar ali no verão, se ficasse ali até o verão, mas conforme as coisas estavam indo com o Jensen, com certeza estaria ali para nadar com ele.

Olhou para ele, que olhava para as pequenas ondas que as gotas da chuva faziam na superfície do lago. Então se aproximou vagarosamente, e o enlaçou pela cintura, mas não foi uma coisa totalmente boa, estavam com os casacos molhados, e eles eram tão grossos que nem dava para saber onde o casaco acabava e onde Jensen começava, mas mesmo assim permaneceu naquela posição.

Permaneceram assim por um tempo, apenas abraçados. Tudo parecia tão normal. Era como se estivessem juntos há anos. Jensen que nunca tivera um relacionamento duradouro durante toda a vida estranhava, mas estava tão... Perfeito. Não conseguia encontrar uma palavra melhor, mas ainda sentia medo.

Estava gostando de ter Jared ao seu lado, e não saberia o que fazer caso ele resolvesse ir embora, mas era bom não pensar naquilo naquele momento.

— Sabe... – escutou Jared dizer tentando o abraçar mais, mas aqueles malditos casacos não deixavam. – Eu pensei que sua vida se resumia em comer lanche, ler seu maldito livro de latim e dormir, mas percebi que com um lugar como esse, existe varias coisas que podem ser feitas.

— E a caça é uma delas! – Jensen o lembrou.

— Mas não estamos na temporada de caça agora! – Jared também o lembrou e os dois riram.

— Aqui é um ótimo lugar para uma pessoa que quer ter uma vida pacata e sossegada. – Jensen virou de frente para Jared e o olhou nos olhos. – O que é o meu caso. Eu não largaria essa vida para voltar à cidade grande, só deixaria Hampshire para voltar para o Texas. – Jensen disse sem se dar conta.

— Texas? – Jared perguntou. Estava surpreso, Jensen não havia lhe dito que era texano.

— Sim, Texas – Jensen disse se dando conta da burrada que havia feito. – Sou de Dallas.

— Você não tinha me dito que era texano! – Jared afirmou olhando nos olhos de Jensen.

— Você não perguntou! – Jensen respondeu rindo.

— E mesmo se eu tivesse perguntado, você não iria dizer! – Jared murmurou, e viu Jensen contrair os lábios, pois ele sabia que era verdade.

— Bom, digamos que não iria falar, não antes, mas falei agora!

— Antes tarde do que nunca! – disse Jared puxando-o mais contra o seu corpo.

Logo no inicio descobriu que com Jensen ele teria que confiar na pessoa para falar alguma coisa sobre si, e que ele tinha o seu tempo para fazer as coisas. Esperaria o tempo que fosse preciso para que ele lhe contasse sobre sua vida.

Ele já sabia quase tudo sobre a sua vida, mas também, se não tivesse contado, teria que ficar de baixo de chuva ou dentro do seu carro atolado. Não gostava muito de contar sobre ela, mas tudo bem, contar para Jensen era diferente.

— Vamos voltar... – disse Jensen tentando se livrar dos braços de Jared, mas parecia ser impossível. – Se ficar muito tarde, a chuva vai piorar e não vamos conseguir caminhar de volta para a cabana!

— Sim, senhor guia! – Jared zombou, mas mesmo assim não soltou Jensen que continuou olhando-o.

Estava se segurando para não beijar Jensen desde a hora em que ele ficou todo vermelho no galpão, mas estar ali abraçado com ele, em frente aquele imenso lago não pode se segurar.

Aproveitou o momento em que Jensen iria falar alguma coisa, que naquela hora não iria importar, e tomou os lábios dele em um beijo intenso, que fora respondido com a mesma intensidade.

No caminho de volta para a cabana fora tranqüilo, assim como a ida. Conversavam sobre como funcionavam as caçadas, e Jensen explicava como e onde colocava as armadilhas. Ficava fascinado com Jensen entendia muito bem das coisas que fazia, mas também, não era para menos, tinha que aprender a se virar em meio à mata.

Assim que entraram na casa, se livraram das botas e das jaquetas, correram para a cozinha. Estavam famintos, mas também não era para menos. Haviam andado muito. E como sempre Jensen apareceu com dois lanches para que eles comessem, mas não reclamou. Estava mesmo faminto.

Assim que terminaram de comer, seguiram para a sala, não estavam falando muito, pois palavras não eram necessárias. Era como se um entendesse a necessidade do outro. Jared foi para o quarto e apanhou seu laptop, e o levou para sala, sentando no sofá com ele em seu colo, e Jensen fez o mesmo em sua poltrona e com seu livro de latim.

Já havia virado uma rotina, logo após o almoço/lanche que faziam, iam para sala e ficavam em silêncio. Se os vissem, e soubessem que na noite anterior tinham se tocado e se amado, mas durante o dia era como se suas vidas fossem as mesmas, mesmo com pequenas mudanças.

Os olhares continuavam, mas quando um olhava o outro no desviavam, se só paravam quando Jared caia na gargalhada. O que não era muito difícil de acontecer.

— É estranho! – Jensen disse assim que os olhares se encontraram novamente.

— Eu sei! – Jared respondeu, sabendo exatamente o que ele estava pensando.

— Eu estava pensando, o que vamos ser? – Jensen o indagou meio incerto.

— Não sei, mas faço idéia do que quero ser! – Jared disse batendo a mão no sofá para que Jensen se aproximasse.

— E o que é? – perguntou Jensen levantando-se e caminhando até ele.

— Cara, vai parecer meio piegas e muito gay, mas... – Jared disse, mas Jensen o interrompeu.

— Nós somos gays! – Jensen disse rindo, e vendo que aquilo não ajudou em nada então reformulou: - Bi?

E Jared deixou o tom e a cara séria de lado e caiu na gargalhada. Como Jensen conseguia fazer aquelas coisas? Normalmente era ele quem estragava com o clima sério das coisas, mas toda vez que tentou parecer sério. A segunda vez que tentou parecer sério naquele dia, Jensen havia feito ele rir.

Não sabia o porque, mas gostava de arrancar gargalhadas de Jared. Era como se elas ecoassem em seu interior e o fizesse sentir coisas estranhamente boas – como diziam em filmes de comédia romântica para meninas – sentia borboletas dançarem em seu estomago.

— Eu não sei como falar... – Jared disse deixando o laptop de lado. – Sabe, Jen, você é especial... Ontem quando eu tava com você, foi especial... Eu nunca tinha sentido isso com ninguém, até ontem!

— Eu te entendo Jared. – Jensen sentou ao seu lado.

— Mas eu ainda não... – Jared começou a dizer, mas fora interrompido.

— Sei o que estou sentindo... – Jensen concluiu a frase e Jared concordou com a cabeça.

— Era exatamente isso o que eu ia dizer! – ele sorriu e encostou-se no sofá, olhando para o teto, Jensen o seguiu e fez o mesmo.

— Eu nunca tive um relacionamento sério verdadeiro! – Jensen confidenciou, e suspirou.

— Tirando minha ex-namorada Genevieve, com quem namorei da sétima até o final do colegial, e o Tom que foi um desastre, e não um relacionamento. Não tive mais nenhum!

— Pelo menos teve, os que eu tive foram somente por conta do meu... – Jensen se pegou dizendo o que não deveria novamente, mas dessa vez conseguiu se frear. – Esquece.

— É difícil falar de você, não é? – Jared perguntou, passando os braços em volta de Jensen, e puxando-o de uma forma que ele não precisasse olhá-lo.

— É complicado, não difícil! – Jensen disse se aconchegando e permanecendo assim. Pois o silencio que se instalou após aquele comentário parecia mais um silêncio fúnebre.

Permaneceram, assim calados durante um bom tempo, a mão de Jared não parava um único segundo fazendo uma leve caricia nos cabelos. Sentia uma paz anormal quando sentia os braços de Jared o envolvendo.

— Eu gosto de doces. – escutou Jared dizer do nada, remexendo-se e virando Jensen de frente para si.

— Como?

— Eu disse que gosto de doces. – ele repetiu rindo. – Sua vez.

Jensen sorriu. Jared era espontâneo, e nunca imaginaria um assunto daqueles. Seria um jogo, e achou interessante então logo respondeu.

— Gosto de café. – Jensen disse vendo Jared sorrir então completou: - Forte e sem açúcar.

— Cachorros são maravilhosos!

— Adoro acordar tarde, mas depois que vivi três anos tendo o pai do Jeffrey como vizinho, não consigo mais o fazer.

— Odiei o caminho da cabana dele até aqui! – Jared disse fazendo uma carranca. – Pareceu que andei uns trezentos quilômetros e ainda cheguei na casa de um caçador antipático! – Jared riu com gosto, ao ver a cara de Jensen.

— Primeiro: a distância entre as cabanas a são apenas duzentos metros. Segundo: Com essa tempestade, ninguém em sã consciência sairia de casa para bater em minha porta, ainda mais de noite. Terceiro: Ver um cara de três metros de altura, todo sujo de barro e falando que conhece seu amigo, só poderia ser pegadinha.

— Mas não era! – Jared disse puxando Jensen.

— O que é uma maravilha! – Jensen sorriu, e seu sorriso foi capturado pelos lábios de Jared, o que não achou nem um pouco ruim.

—X—

Jensen rolou na cama sentindo falta de algo, e esse algo seria uma pessoa grande, forte e quente ao seu lado. Tateou o lado que Jared costumava dormir e então se descobriu só na cama. Estava cansado de mais para conseguir levantar da cama, mas ficar sozinho nela não parecia nem um pouco confortável. Era confortável, mas não tão quando ele estava ao seu lado, com ele era aconchegante. E afundou o rosto no travesseiro que Jared usava para dormir, podia sentir o cheiro dele impregnado neles.

Rolou de um lado para o outro ainda tentando dormir, mas era impossível. Pensou em ir aonde Jared estava somente para puxá-lo novamente para a cama, para que assim pudesse dormir, mas sentiu um cheiro bom, muito bom vindo da cozinha, e escutou seu estomago roncar. Precisava comer, precisava de vitaminas, pois o homem com quem estava dividindo a cama o deixava desidratado, e sorriu com o pensamento. Levantou vagarosamente da cama e apanhou suas roupas e uma toalha. Não teria jeito, teria mesmo que levantar.

Estranhou a porta do quarto estar fechada quando notou que ela estava fechada, mas ao abri-la entendeu o porque. Escutava os acordes de uma música qualquer vindo da cozinha. Não se lembrava da ultima vez que havia escutado musica dentro da sua casa, ou melhor, nunca tinha escutado música ali.

Tomaria seu banho e depois daria uma olhada no que Jared estava fazendo em sua cozinha, se estava fazendo o café ou se estava destruindo-a.

Quando acordou, viu Jensen dormindo ao seu lado e teve pena de acordá-lo. Ele estava com um semblante tão calmo, tão leve. E como ele havia lhe dito que gostava de dormir até tarde, deixaria que ele acordasse a hora que quisesse. E foi preparar o café, logo depois de seu banho.

Mesmo depois daquela cena toda sobre a cozinha, e tal. Não pensou duas vezes em invadi-la novamente, pois agora sabia que as circunstâncias eram diferentes. Ele e Jensen estavam juntos. Não sabia se estavam namorando, ou só dando uns pegas por esporte, enquanto a chuva não parava, ou se era só uma aventura de férias, mas pensar sobre isso o deixava meio angustiado, não queria pensar sobre isso, de talvez se afastar de Jensen. Só de pensar em se afastar dele, já sentia saudade.


Continua...