Capítulo 7 – Amor ou Ódio ?
- Chefe... sua mulher deseja vê-lo.
- Kagome?! Chame-a agora! – disse o líder dos youkais lobos, Kouga.
- Hai!
- Kouga-kun?!
- Kagome... o que houve? Porque está chorando?
- Ele nunca me amou Kouga-kun. Nunca!
- O que aconteceu? Não chore Kagome. Quem fez isso?
- Inuyasha... ele mentiu pra mim.
- Eu sabia que aquele maldito tinha algo a ver com isso. Fique calma... você está segura aqui!
O lobo envolveu a garota em um abraço e devido ao cansaço e a frustração dos últimos acontecimentos, a menina adormeceu.
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O sol penetrou na caverna e os olhos da jovem colegial foram se abrindo aos poucos. Viu Kouga ao seu lado, admirando-a.
- Dormiu bem?
- Tirando alguns pesadelos, dormi sim.
- Está acordado a quanto tempo?
- Eu não dormi.
- Por quê?
- Esses seus pesadelos... eram com ele, não eram?!
- Sim... – ela respondeu triste – Como sabe?
- Você chamou o nome dele durante toda a noite.
Ele voltou a fitá-la... de um modo perdido e profundo.
- O que foi?
- Estou olhando.
- O quê?
- O quanto você é bela. Mesmo triste, não perde nenhum de seus encantos.
Ela então fitou o youkai lobo que havia desviado sua atenção para o chão. Ela sentiu uma onda de calor invadir seu corpo e foi aproximando sua face da face do youkai. Quando seus lábios estavam quase se tocando, ele se afastou.
- Kagome... não!
- Por quê?
- Você não quer isso!
- Eu quero!
- Não... você não quer. Está fazendo isso porque está com raiva daquele Inukkoro. Você irá se arrepender mais tarde, eu sei disso. – e saiu correndo do local.
- Droga! – praguejou a menina socando o chão – O que foi que eu tentei fazer?! Eu sou uma idiota!
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Kagome havia voltado para o vilarejo. Durante o caminho lembrou da carta de Miroku e resolveu ir falar com Kaede.
- Kaede-obaa-chan, o que está escrito?
- Deixe-me ver... – ela olhou atentamente o pergaminho. – Esse recado é pra você Kagome.
- Pra mim? O que Miroku disse?
- "Kagome... acabou. Vá embora. Seu lugar não é mais aqui nessa Era". Ele está certo Kagome... está na hora de partir.
- Por que todos querem que eu vá embora? E os fragmentos?
- Inuyasha dará um jeito nos fragmentos.
- Até você Vovó Kaede? Também quer que eu vá ?
- Seu lugar nunca foi aqui... vai embora! – ela disse alterada.
Kagome a olhou assustada, pegou sua mochila e saiu dali. Todos pareciam odiá-la... todos queriam que ela fosse embora, mas por que isso? Por que com ela? Nunca entenderia.
Alterada e desolada, a menina correu floresta adentro talvez em busca de respostas para suas diversas perguntas ou até mesmo sem algum motivo concreto; provavelmente por ser algo exaustivo e que por alguns segundos a fazia esquecer do mundo enquanto recuperava o fôlego que por diversas parecia não existir.
A única certeza que a jovem garota tinha no momento é que não tinha certeza de mais nada e isso, sem dúvida, era torturante.
Isso tudo se tornou até cômico. Por que toda vez ela corria? Talvez isso se devesse ao fato de que sua vida era recheada de roteiros... todos fugitivos.
Ah... esse amor; doce como vinho e corrosivo como veneno. Até onde ela agüentaria? Eis que surgiu mais uma dúvida para se esclarecer.
Kagome encontrou um clarão e quando já achava que a cota de lágrimas derramadas em um único dia já havia se esgotado, eis que seus olhos lhe pregaram uma peça, deixando todo molhado o delicado rosto que há poucos segundos estava apenas úmido.
- NÃO!! – ela gritou a plenos pulmões – Eu juro, por esta terra que caminho hoje, que vocês irão me pagar pelas dores dessa traição ! Eu odeio vocês dois. ODEIO!!!
E rapidamente se retirou dali, deixando que o beijo apaixonado de seu agora odiado hanyou e de sua agora ex-melhor amiga terminasse sem mais interrupções.
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- EU ODEIO VOCÊ INUYASHA. Maldita hora em que quebrei o encantamento da Kikyou. Você deveria estar selado à Goshinboku até hoje! Mas calma... ainda está em tempo de consertar meu erro.
As palavras fluíam de maneira falsa, afinal, nada disso era realmente verdade. Kagome apenas estava tentando encontrar uma maneira de matar seus sentimentos por Inuyasha. Estava ferida; muito, muito ferida. A ilusão do ódio era um ótimo caminho; pena que por mais que ela tentasse, não conseguia segui-lo.
De repente uma flecha cortou o ar. Um pequeno filete de sangue se formou no rosto da colegial no rosto da colegial.
- Cale-se! – Das sombras surgiu a miko Kikyou.
- Ki-Kikyou? O que está fazendo?
- Vamos... acorde!
Outra flecha foi lançada, fazendo agora um corte no braço direito de Kagome.
- Ficou louca?
- Vamos Kagome... você é mais esperta do que isso menina. Você é minha reencarnação. Como pode ter sido enganada tão facilmente? Onde estão os poderes que você herdou de mim?
Mais uma flecha foi lançada perfurando a perna esquerda da jovem colegial.
- AAAH. – ela gritou enquanto o fluido rubro escorria. – Do que está falando Kikyou?
- Será que você não reparou nada a sua volta garota? Foi só Inuyasha, Inuyasha e Inuyasha.
- Reparar em que Kikyou? Pare com isso! Você está me assustando.
- Você é fraca Kagome... deixou-se enganar.
A miko mirou outra flecha agora no peito da menina.
- Kikyou... o que está pensando em fazer. Por que atirou essas flechas em mim e por que está com mais outra em mira? – disse Kagome ensangüentada devido as flechas já atiradas.
- Você não conseguiu se libertar Kagome. Deixou que te prendessem dentro de si mesma. Deixou que seu amor te traísse e te aprisionasse em toda essa ilusão. Que deprimente. Mas isso já passou dos limites! Chegou a hora menina...
- Ho-hora de quê? – perguntou assustada.
- Hora de se libertar...
Kikyou atirou a flecha, que perfurou o peito da colegial.
Kagome caiu no chão tentando conter a dor. Aos poucos sua visão foi ficando turva, mesmo assim viua miko se aproximar.
- Não seja relutante Kagome. Feche os olhos... chegou a hora de partir.
Sem mais forças, ela seguiu as palavras de Kikyou e pouco a pouco seus olhos foram se fechando.
- Eu te amo Inuyasha... – ela sussurrou as últimas palavras e então fechou os olhos definitivamente.
Tudo ficou escuro.
E nesse ponto em que as coisas haviam chegado, o teatro de Kagome fechou as cortinas.
