7º Capítulo: Crime e Castigo

7º Capítulo: Crime e Castigo.

Hermione e a Sra. Weasley não pouparam esforços para desgrudar os dentes de Ron, mas dali uns minutos o efeito sumiu e ele as empurrou com um grito de impaciência:

-Mamãe, eu estou bem, OK!

Enquanto ele massageava o rosto, a fúria da senhora virou- se contra Abssy:

-E quanto a você? Que os meus filhos façam essas brincadeirinhas ridículas eu engulo, mas você não. Eu a acolhi aqui em casa como a alguém da família e como você retribui?Associando- se aos meus filhos mais endemoniados.

-Mamãe!- os rapazes gritaram em protesto.

-É isso mesmo!- cortou Molly.- E como castigo, não apareçam por aqui até eu permitir. Fiquem no quarto e não saiam.

-E o jantar?- perguntou George, preocupado.

-Sem jantar.- ela disse, simplesmente.

Entretanto, Ab já não ouvia mais nada, porque corria escadas acima, chorando. Entrou no quarto e jogou- se na cama, afundando o rosto no travesseiro. Poucos minutos depois, Fred e George abriram a porta e ela correu enxugar as lágrimas.

-Ab?- um deles chamou no tom mais doce que pode utilizar.

Ela não respondeu; estava chateada, frustrada e furiosa. Abssy estava brava com eles por terem- na posto naquela situação, sem lembrar que no começo gostara da idéia. Tudo em que ela conseguia pensar era nas palavras de Molly que ainda ecoavam na mente dela.

Viver naquela casa lhe parecera tão divertido e acolhedor e ela se sentira tão parte do resto das pessoas que se esquecera que não passava de uma estranha; hoje a Sra. Weasley tivera de lhe mostrar a verdade.

E logo a Sra. Weasley que era o mais próximo de uma mãe que ela já tivera. Sua mãe verdadeira não era atenciosa ou amorosa, vivia estressada e achava tudo um fardo sobre os ombros. Uma mãe, no sentido mais real da palavra, lhe agrada porque quer ver seu sorriso, cuida de você mesmo quando você não precisa; jamais se comporta como se você fosse um fardo e Molly agia exatamente assim com os próprios filhos e qualquer pessoa que precisasse viver ali.

Então, por uma brincadeira, Ab jogara tudo para o alto!

-A mãe de vocês ficou brava mesmo, né? Estou tão chateada!- ela contou.

-Ah, por isso?- fez Fred- Mamãe é assim mesmo, amanhã estará tudo bem!- ele garantiu.

-Talvez para vocês que são filhos dela! Mas eu não sou ninguém, na verdade. E o pior, estou de favor aqui!- ela exclamou.

-Não diga isso, Ab!- pediu George.

-Mas é verdade!- ela rebateu.-Ouçam, nunca mais me metam nas suas brincadeiras!- disse, brava.

-Opa, você participou de livre e espontânea vontade, muita boa vontade, na verdade!- retrucou Fred, erguendo a voz irritado.

-Talvez, naquela hora, mas agora digo que não participo nunca mais!

-Vem, George, vamos dormir, já que temos que ficar trancados aqui com ela!- Fred falou para o irmão

George parecia mais sensato que o outro e olhou penalizado para a garota, então, deitou- se na cama, enquanto Fred deitava na outra com um muxoxo. Lentamente, mesmo que o sangue ainda fervesse nas vaias dela, Ab caiu no sono e mergulhou num sonho confuso.

Horas depois, a garota despertou atordoada, estranhando que já fosse noite, mas feliz porque, afinal, estava convencida de que as discussões haviam sido parte de seus sonhos. Ergueu- se e procurou a maçaneta da porta.

-Se eu fosse você não poria o pé para fora!- disse uma voz que acelerou- lhe o coração.

-Por quê?- perguntou, virando- se e fitando dois vultos deitados nas camas.

-Porque mamãe não nos quer lá embaixo.- disse George.

-Oh, eu estava certa de que fora um sonho toda aquela briga.- gemeu ela tristemente.

-Antes fosse...- devaneou Fred.

-Estou morto de fome- reclamou George.

Depois destas palavras sobrou um vazio silencioso, pois todos lembraram- se da pequena discussão entre ela e Fred. No silêncio ouviu- se um ronco alto e Ab perguntou:

-Quem fez isso?

Passaram- se segundos de silêncio, até que Fred concedeu de má vontade:

-Foi meu estômago, saco!

Escondida pela escuridão que reinava, Ab permitiu- se um sorriso e anunciou:

-De fome é que não morreremos.

Foi até suas sacolas e pegou de dentro de uma delas dois pacotes de bolacha, um frasco de suco industrializado e uma barra de chocolate.

-Tenho aqui estas coisas...são trouxas, mas servem, eu acho.

-Oh, abençoada, tem horas que menos é mais e pouco é o bastante!- exclamou George, saltando da cama e acendendo uma lamparina mágica pendurada no teto.

Fred aproximou- se de má vontade e nem olhou para ela, mas, junto com o irmão, comeu e bebeu. Em dez minutos, os dois pacotes de bolacha tinham acabado e meia garrafa de suco fora consumida, mesmo quente. A barra de chocolates os três resolveram deixar para depois.

O silêncio que reinava era muito constrangedor, por isso cada qual voltou para sua cama e tentou fingir que dormia; ela agora não estava mais brava, só chateada porque acabara dizendo uma ou duas coisas desagradáveis para Fred e logo para ele! Ele sequer a estava encarando e isso só piorava tudo.

Definitivamente, aquele fora um dia azarado para ela que acabara tendo problemas com quase todo mundo que realmente importava. Molly devia estar decepcionada, Hermione brava, Ron chateado; Fred estava irritado com ela e, ao que parecia, apesar de George não estar, iria acabar ficando do lado do irmão, o que era compreensível.

Lentamente, os sons na casa foram silenciando até ficar claro que todos haviam ido dormir. Tão silenciosamente quanto possível, ela abriu a porta do quarto e esgueirou- se para fora, descendo as escadas com o mínimo possível de barulho.

Chegou à sala e sentou- se no sofá; depois de toda a tarde e parte da noite trancada no quarto, precisava espairecer e queria privacidade. Ela já não estava com os ânimos muito inflamados, a raiva passara e a tristeza também; no momento, ela não sentia quase nada, só remorso.

Foi com surpresa e receio que Ab ouviu passos na escada, chegando até a sala. Um instante depois, Molly perguntou, com a varinha na mão:

-Quem está aí?

Preocupada por ter descido, a garota levantou- se e iniciou uma retirada lenta, nas pontas dos pés, esperando conseguir dar a volta e alcançar a escada, mas a mulher ordenou:

-iLumus/i!- e uma luz se acendeu na ponta da varinha, flagrando Abssy em sua lenta e teatral fuga.

-Oh!- ela deixou escapar quando a luminosidade atingiu seu rosto em cheio.

-Ah, é você.- constatou a Sra. Weasley.

-É, eu já ia subir, juro! Desculpe! É que estava difícil ficar lá em cima!- ia dizendo Ab.

-Olha, diga à Fred e George que amanhã todos os três podem descer para o café da manhã que será reforçado. Não adianta insistir em brigar com eles e se você pretende seguir o mesmo rumo, não posso fazer nada. Está melhor assim, querida?- perguntou Molly, amavelmente.

-A sen- senhora está nos desculpando- a outra perguntou incrédula.

-Ao que parece estou sim!- sorriu a mulher.

-Agradeço muito, mesmo!- a garota exclamou e subiu as escadas com algumas lágrimas de alegria querendo escorrer.

Entrou no quarto fungando um pouco e Fred recebeu- a "amável":

-O que foi agora?

-Você não dorme, não?- ela questionou, surpresa e, então, acrescentou: Sua mãe manda dizer que podemos descer para o café da manhã e que este será reforçado.

-Você a encontrou por aí?- ele perguntou, esquecendo- se de trata- la mal.

-Ela nos desculpou?- completou George, sentando- se na cama.

-Você também não dorme!- ela constatou- Aham, desculpou.

-Eu não disse!- exclamou Fred.

-Somos gato escaldado nesse assunto.- afirmou o outro.

Os ânimos dos três pareciam ter se renovado e todos deitaram- se despreocupados e, enfim, adormeceram. Ab estava segura de nunca mais desrespeitaria Molly; porém, até quando?