Disclaimerfma não me pertence.
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Quando, após a guerra de Ishbal, ela começou a trabalhar com ele, teve certeza de que aqueles olhos a acompanhariam pelo resto de sua vida. Agora, essa certeza não estava mais presente. Sentia que ele podia deixá-la a qualquer momento, e então ela ficaria sozinha, sem ninguém em que depositar seus sonhos e esperanças.
Era nisso que Riza pensava a dias, sempre observando Mustang. Por que, de uma hora para outra, sentia que aquele homem era parte fundamental de sua existência?Como tinha perdido o controle sobre si mesma naquela hora?...Como havia chegado aquele ponto?
Era nessa parte em que ela interrompia sues pensamentos, com a desculpa dos remédios e ferimentos do coronel, trabalho suficiente para longos minutos.
Essa era uma rotina repetida todos os dias desde que tudo havia acabado. O médico aparecia de vez em quando, mas era ela quem fazia a maior parte do trabalho.
No começo, a situação parecia estranha, dividir tanta intimidade como uma casa com seu superior. Mais estranho ainda lhe parecia a nova situação do coronel, será que ele se recuperaria depois de tudo?Suas febres e delírios rendiam-lhe dose extra de preocupação e premiava-lhe com longas noites de insônia. Certa vez (no mesmo dia da chegada da licença) pensou tê-lo sentido vagando pela casa.
A noite brilhava escura, o silencio chegava aos poucos e lhe relaxava por completo, faltava pouca coisa finalmente se render ao sono. Ao abrir os olhos pela ultima vez, teve a nítida impressão de um vulto, se locomover pelo quarto. Estava cansada, e parecia tão difícil se manter acordada... Alguns ruídos terminaram por afastar o seu sono, e ela se sentiu obrigada a levantar. A casa estava escura, iluminada somente pelas luzes que vinham de fora. Ao cruzar com a cama onde Roy dormia, teve a sensação de vazio, como se ele não estivesse mais lá. Riza sentia-se entorpecida pelo sono, não pensou em ver melhor.
Um arrastar de passos trouxe a tona lembranças indesejáveis, fazendo se coração disparar. Inúmeras possibilidades passaram rapidamente pelo seu cérebro, onde estava o coronel?Ele estava doente, não podia se defender.
Procurou sua arma na cômoda e saiu em busca de respostas. Revistou cômodo por cômodo, sem sucesso. Os sinais variavam, as vezes leves arrastar de passos, outras simples sombras fugitivas. As imagens de Roy delirante andando pela casa invadiam seus olhos e se perdiam em meio as lembranças dos últimos acessos doentios sofridos por ele.
Talvez fosse apenas impressão dela, perturbada pela insônia freqüente, o fato é que Mustang estava lá, queimando em febre. Não teve muito tempo para pensar em suas alucinações, ele começava a delirar e seu ferimento a sangrar.
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Algum tempo depois ele acordou. Sempre dopado pelos remédios, sem muita consciência. Riza cuidava atenta e carinhosamente dele, estava sempre pronta para qualquer coisa.
-Como está se sentindo hoje?-ela perguntou ao aparecer pela primeira vez aquele dia.
-Tão bem quanto ontem-ele retrucou, amargo.
A mulher se aproximou, deu-lhe a dose diária a que ele tomou sem pestanejar.
-Preciso sair e comprar umas coisas. Não vou demorar muito. Tem certeza de que vai ficar bem?
-Não se apresse por minha causa. Pode demorar o quanto quiser.
Ela saiu em silencio. Realmente precisava fazer compras urgentemente, estava sentindo falta de muitas coisas.
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Sozinho na casa silenciosa, Roy se questionava. Tinha conseguido cumprir muitos de seus objetivos, acima de tudo. Por que então se sentia como se algo estivesse sendo escondido?Ainda não sabia exatamente o andar das coisas, Hawkeye não parecia disposta a mudar a situação, o que ela estava fazendo ali, afinal?Ajuda nenhuma havia sido pedida, e aquela falta de palavras e movimentos o perturbava.
Uma folha caiu de cima do criado-mudo. O timbre do governo que ela carregava chamou-lhe a atenção. Será que conseguia pega-la?Não custava nada tentar.Se arrastou ate a beirada da cama,inclinou-se. O ombro repuxou automaticamente, fazendo-o pensar melhor.
-Droga... Estou ficando invalido desse jeito...-Respirou fundo e se inclinou novamente, dessa vez com mais cuidado.O bendito papel parecia ter andado sabe-se lá quantos quilômetros, cada vez mais Roy sentia vontade de se esganar por não conseguir pega-lo.
Decidido a ignorar a dor cada vez maior, Mustang ficava em uma situação perigosa, a qualquer momento seu braço deixaria de responder, entregando-o a própria sorte.
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Com as compras na mão ela caminhava pausadamente, receosa do possível esquecimento. Para alguém que nunca havia se preocupado com coisas de 'mulherzinha', começar a cuidar do lar de uma hora para outra era no mínimo embaraçoso.
A casa se aproximava cada vez mais, e ao avista-la Riza tratou de apressar seus passos, estava procupada com ele. Agora era assim, uma ausência,por mínima que fosse, era sempre recheada de receios e medos, frutos de suas ultimas descobertas 'interiores'.
Procurou em um dos pacotes o molho de chaves onde estava afinal?Demorou um pouco para encontrar, e quando finalmente o achou, teve a infelicidade de constatar seu engano na hora de inserir na fechadura. Uma procura mais atenta e nervosa localizou finalmente a chave, abrindo a porta do seu alivio.
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-Só mais um pouco... Consegui!-gritou de felicidade, mostrando o papel como se fosse um troféu entregue pela primeira vez a uma criança.
Os movimentos terminaram por desequilibra-lo e minutos depois ouviu-se um sonoro baque por toda a casa. Roy, pego de surpresa, não pode fazer nada a não ser sentir seu ombro se despedaçar ao bater em cheio no canto do criado-mudo, antes de cair sobre ele.
Hawkeye deu um suspiro de alivio ao entrar em casa. Tudo parecia estar bem, ele devia estar dormindo. Súbito, o silencio foi interrompido por um estrondo surdo, algo parecia estar caindo. As compras foram abandonadas no chão, e em milésimos de segundo ela já estava lá, não queria pensar no que podia ter acontecido.
O silencio foi suficiente para revelar a situação para ambos, Riza sentiu um ódio por tudo, vindo de repente sabe-se lá de onde, apenas o olhava, como se seu olhar fosse suficiente.Roy não falou nada se estivessem no quartel ela normalmente faria uma observação, mas o porem é que não estavam lá. A tenente andava estranha ultimamente, tinha certeza de que vinha uma bronca das feias, e o silencio dela era apenas uma prova disso.
Súbito, Riza quebrou a tensão, explodindo, colocando tudo para fora:
-COMO VOCE CONSEGUE FAZER UMA COISA DESSAS COMIGO?!Não era para sair da cama!
Ele não falou nada, apenas deu alguns gemidos de dor.
Os olhos dela se encheram de lagrimas, era difícil evitar o medo.
-Será que... É tão difícil assim ficar parado?... Você trabalhou tanto, e nem mesmo agora consegue descansar... Não entende que precisa disso?
Roy não respondia, não sabia o que falar. O ombro doía terrivelmente, sangrava. Não pediu ajuda dela, achava injusto o que havia feito. Riza tinha razão, tinha lhe dado trabalho todo esse tempo, e ele jogava tudo fora por mera curiosidade.
Ao vê-lo tentando se levantar, ela se deu conta e saiu correndo ajudar. Procurou por curativos na cômoda, e se preparou para usa-los.
Na... Não precisa-ele disse decidido.
-Deixa que eu faço isso-Riza se esqueceu completamente da sua magoa ao vê-lo sofrendo.
E as coisas voltaram ao normal, mesmo que por poucos minutos.
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Desculpem-me a demora, não foi proposital. Mas é que ultimamente eu não ando muito inspirada.
