07: Lugares ideais

Sobre naturalidade

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Eu havia criado um monstro.

Não que eu reclamasse muito desse fato, mas às vezes Reita vinha com algo absurdamente inusitado ou irrealizável. Como na vez em que ele sugeriu que fizéssemos amor debaixo da cama.

Isso era impossível!

Mal cabia um ali embaixo, imagine dois transando.

Tudo bem, ele estava bêbado quando sugeriu isso, mesmo assim por um instante eu achei que ele tinha falado sério.

Afinal Reita tinha desenvolvido uma espécie de apreciação por lugares diferentes desde o pequeno incidente no banheiro do avião. E eu não entendo por que já que aquele episódio foi no mínimo desastroso.

Então eu resolvi ser pragmático e discutir com ele quais os lugares ideais. E não, a varanda do nosso quarto não estava incluída nisso.

- Vamos fazer uma lista e pregar na geladeira. Assim evitamos problemas.

- Ruki, você quer fazer uma lista de onde vamos fazer amor e deixar na geladeira pra todo mundo ver?! – ele revirou os olhos, cruzando os braços em sinal de irritação. – Além do mais a graça é que aconteça naturalmente e não de forma pré-determinada. Tira isso da cabeça.

- Estou tentando ser organizado – respondi dando de ombros.

- Você quer organizar o modo e lugar onde vamos transar?! Por céus, chibi. Eu nem sei se fico exasperado ou se acho engraçado.

Foi a minha vez de revirar os olhos, largando na mesinha de centro o papel e caneta que eu tinha em mãos.

- Olha só, dá última vez quase formos pegos na escada de emergência da PSC, porque você muito naturalmente teve vontade de me prensar contra a parede – apontei querendo que ele acompanhasse minha linha de raciocínio.

- Não ouvi você reclamando.

- Eu estava ocupado gemendo, você sabe – ele riu baixo, assentindo e me fitando sacana.

Ignorei o arrepio que tomou conta do meu corpo ante as lembranças e o sorriso que Reita me direcionava.

- Então... Se toda vez deixarmos nos levar pela sua naturalidade não duvido nada que qualquer dia desses estaremos estampando alguma manchete escandalosa, como você mesmo disse uma vez.

Reita arqueou uma sobrancelha como se ponderasse, mas quando mordeu o lábio inferior, vi que ele não estava levando em consideração o que eu havia dito.

Já estava pronto pra resmungar durante horas, quando Akira se inclinou na minha direção, selando nossos lábios, me fazendo deitar parcialmente no sofá.

- Posso tentar convencer você que a minha naturalidade pode ser extremamente vantajosa pra nos dois, chibi – murmurou, os lábios colados aos meus e eu só pude fechar os olhos, deliciado com as sensações que já me acometiam por ter Reita tão próximo.

- Nada vai me fazer mudar de idéia, Rei-chan – consegui responder, contendo um suspiro quando ele deslizou a boca pelo meu rosto, alcançando um ponto atrás da minha orelha.

- Você é sempre tão precipitado, pequeno – e ao terminar de falar senti suas mãos tocarem minha pela por debaixo da camisa, me fazendo arfar baixo mesmo com o toque suave de seus dígitos.

Já tinha visto aquele filme, mas nunca me enjoava. Ele me puxaria contra seu corpo, me fazendo enlaçar sua cintura com as pernas, as mãos pressionando firmemente minhas coxas.

Eu seria jogado contra a parede, mesa ou chão... Qualquer lugar que ele pudesse me apoiar e me prensar, me fazendo sentir sua excitação e murmurar coisas obscenas enquanto pedia por mais.

Mas eu não iria reclamar. Ao invés disso me deixaria levar pelos toques de suas mãos e lábios, assim como pelas palavras que ele sussurrava próximo a minha orelha. Ah não, eu nunca reclamava quando Reita escolhia os nossos lugares ideais assim ao acaso. Não na hora.

Depois eu soltaria alguns impropérios a respeito disso, reclamando que podíamos ter sido pegos por alguém e que ele devia ser mais responsável.

E naquele momento a história da lista de lugares pré-determinados já estava devidamente esquecida.

Nem sequer havia notado que me encontrava no chão, com a cabeça ao pé da mesinha de centro, Akira desabotoando vagarosamente minha camisa e murmurando contra meus lábios o quanto me amava.

Não importava mais que estivéssemos na sala de descanso da PSC e que qualquer um podia entrar pela porta e nos flagrar.

Mas todo o encanto desapareceu quando Reita se afastou, sentando ao meu lado e acariciando meu abdômen exposto.

Pisquei os olhos algumas vezes sem entender e o fitei incrédulo, indagando:

- Reita...?

Ele sorriu sacana novamente, antes de responder.

- Aposto que a sala de descanso não ia entrar na lista de lugares ideais.

- O quê... Você parou pra me dizer isso? – arqueei uma sobrancelha ainda sem entender e ele riu baixo ao assentir.

- Você mesmo disso que eu não podia agir com naturalidade e quando tivesse vontade.

Revirei os olhos irritado e sentei, fitando-o da forma mais assassina que conseguia.

- Certo, Reita, você me convenceu que estabelecer lugares pode ser uma grande porcaria! – resmunguei, buscando minha camisa largada no chão e tentando a todo custo ignorar o volume que começava a se formar entre as minhas pernas.

Reita riu novamente e me abraçou, fazendo com que eu voltasse a deitar no chão, colando nossas bocas e me pegando de surpresa mais uma vez.

E lá íamos nós dois, nos perdendo no chão da sala de descanso, esquecendo que o intervalo do ensaio já devia estar terminando. Eu estava muito mais preocupado em tentar livrar Reita da calça jeans.

Nem registrei de imediato quando ele se afastou uma segunda vez ao ouvir a porta sendo aberta com brusquidão.

Ainda deitado, apenas me dei ao trabalho de inclinar a cabeça para trás e ver Aoi completamente pasmo e incrédulo ao me encontrar largado no chão, ofegante e sem camisa, com Reita parcialmente deitado sobre o meu corpo.

-... – ele ainda permaneceu uns cinco segundos como se quisesse entender o que acontecia até finalmente corar e começar falar rapidamente, atropelando as palavras. – Sóvimavisarqueoensaiocomeçou.

- Cai fora! – gritei e mais do que depressa ele fechou a porta.

Eu estava terrivelmente excitado e tinha que ir para a droga do ensaio.

Akira ao contrário de mim estava calmo e apenas sorriu levantando-se e ajeitando sua roupa amassada.

- E no final nem transamos...

- Vai se fuder, Reita – praguejei, levantando e vestindo a camisa.

E quase exalei mau-humor por todos os poros com a resposta maliciosa e atrevida que recebi.

- Ah, eu gostaria de fazer isso em você. Mais tarde, chibi...