Reação de Coragem

Conceitos básicos e necessários:

Doenças auto-imunes: O nosso corpo tem uma defesa natural que sabe o que é do nosso corpo (órgãos e todo o resto que temos dentro da gente) e o que não é e pode nos fazer mal. A doença auto-imune ocorre quando o nosso sistema de proteção começa a atacar o próprio corpo como se fosse uma coisa ruim. Em cada doença ele ataca de uma forma diferente.

Lúpus:O Lupus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença crônica de causa desconhecida, onde acontecem alterações fundamentais no sistema imunológico da pessoa, atingindo predominantemente mulheres. Uma pessoa que tem LES, desenvolve anticorpos que reagem contra as suas células normais, podendo consequentemente afetar a pele, as articulações, rins e outros órgãos. Ou seja, a pessoa se torna "alérgica" a ela mesma, o que caracteriza o LES como uma doença auto-imune. (retirado do site: lupusonline)

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Capítulo 6: De volta ao começo.

"Life is a lot simpler without all the clutter. (a vida é bem mais simples sem toda a bagunça.)" – Kellie Martin, atriz.

Bella POV.

Edward queria conversar. É, não tem mais como fugir mesmo.

- É. Precisamos conversar. – assenti. – Você quer ir lá para casa ou...

- Eu falei com seu pai. – me interrompeu. - Vamos dar uma volta, Bella. Emmett me liberou mais cedo hoje.

- Tudo bem. Não agüentava mais essa prisão mesmo. – olhei para meus pés.

- Vem. Vamos caminhar por aí. – sorriu para mim. Senti saudades desse sorriso.

Edward POV.

- Bella... – comecei assim que estávamos longe do hospital. – Eu quero te pedir desculpas.

- Desculpas?

- É. – me sentei em um banco que tinha em frente ao lago para onde estávamos andando. Ela fez o mesmo. – Eu não podia ter feito o que fiz com você.

- Como assim, Edward? Não estou entendendo... A errada aqui não sou eu?

- Bella, eu... – procurei as palavras certas. – Eu sempre te amei. – notei ela enrijecer, mas continuei igual. – Mas eu nunca demonstrei isso.

Ela arregalou os olhos surpresa.

- Como assim nunca demonstrou? Edward, eu posso ter me intoxicado com uma alta quantia de gás, mas eu lembro muito bem do que você me disse na sua casa. – olhou para as mãos.

- Sim, Bella. Eu disse, mas nunca fiz nada para te mostrar isso. – levantei seu rosto delicadamente. – Nem sempre as palavras dizem tudo.

- Edward, você nunca fez nada de errado. Eu que sou o problema aqui. – suspirou.

- Não. Você precisa de mim. Você precisa que eu te entenda, que te suporte e eu nunca fiz isso. Pelo menos não quando você realmente precisava. – me levantei e fui até a beirada do lago que não ficava muito longe. – Bella... Nós dois cometemos erros demais e por isso estamos onde estamos agora. Foi por isso que você quase morreu e...

- Mas eu não tentei me matar! – me interrompeu com a voz um pouco exaltada.

- Eu sei disso. – me virei para ela, porém sem me aproximar. – Que tal começarmos do começo? Sem erros e medos? Apenas o incerto de um futuro.

Bella pareceu hesitar. Seu olhar ficou distante e já estava quase desistindo quando ela colocou um sorriso nos lábios e veio ao meu encontro.

- Olá. – disse. Levantei uma sobrancelha, confuso. – Prazer, Isabella Swan, mas me chame de Bella apenas. – esticou a mão para mim. Sorri ao entender o que ela queria dizer.

- Edward Cullen. – apertei a sua mão. – O prazer é meu.

- Acho que já ouvi falar de você. – colocou a mão no queixo como quem estivesse lembrando. – Você não é estagiário no Chicago Memorial Hospital?

- Sim. Ah claro! – joguei os braços para cima teatralmente. – Você também trabalha lá, não é?

- Sim. – sorriu. – Vamos nos sentar e nos conhecer melhor. – indicou banco em que estávamos antes.

Nos sentamos e ela que começou.

- Então? Família?

- Eu sou filho único... Meus pais vivem viajando e, bem, eu mal falo com o meu pai para falar a verdade. – engraçado, é claro que Bella já sabia disso, mas me senti na obrigação de contar tudo de novo.

- Você deve se sentir muito sozinho. – declarou me olhando profundamente. Me arrepiei com aquilo, ela nunca havia se importado com isso.

- Na verdade sim. – fui sincero. – Mas eu gosto de ficar sozinho. Só às vezes.

- Eu tenho medo da solidão. – declarou. Outra vez me surpreendi. – Deve ser porque eu sou muito sozinha.

- Sozinha por escolha ou por falta de oportunidade? – isso era um tipo de coisa que não perguntaria a ela, contudo não me senti mal por fazer isso agora.

Bella pareceu hesitar.

- Acho que por escolha... – passou as mãos nos cabelos freneticamente. – Na verdade, eu nunca parei para pensar se eu tinha alguém na minha vida. Eu acho que eu sempre me preocupei demais em mostrar que eu sou independente, que não preciso de ninguém e acabei por me acostumar a fazer tudo sozinha e não pedir ajuda. – largou tudo de uma vez.

- Wow. – deixei escapar. Essa coisa de se conhecer novamente está começando a ficar interessante.

Ela riu diante da minha reação.

- Acho que você esta conhecendo uma nova Bella, não? – o seu tom era divertido, por incrível que pareça. Ri também, concordando com a cabeça. – Edward... – começou a falar séria. Parei de rir. – Por que você não me procurou quando estava se sentindo sozinho? Digo... Apesar de tudo, eu ainda sou a sua melhor amiga.

Tomei outro susto com essa pergunta sincera.

- É... – gaguejei. – Bem, é complicado. – suspirei.

- Acho que eu entendo bem de complexidades, certo? – sorriu para mim.

- O que aconteceu com você? – deixei escapar de repente.

- Eu estou tentando voltar para o começo, Edward. – fitou o lago, já estava anoitecendo. – Sabe, eu passei os últimos dois dias ouvindo que eu sou louca, que eu sou capaz de acabar comigo mesma, que mesmo eu sendo a filha ilegítima eles me amam e agüentando a minha irmã grávida de alguém que até a pouco eu não tinha nem idéia de quem era o pai. – olhou para mim novamente. – Eu fui parar no hospital, porque eu estava transtornada pensando na quantidade de erros que eu cometi. Eu estava ocupada demais me martirizando e acabei quase morrendo. – riu sem humor. – Sabe aquela história de que quando as pessoas passam por uma experiência de "quase morte" elas voltam à vida com mais vontade de viver? – assenti. – Pois é, talvez tenha sido isso que aconteceu comigo. – deu de ombros.

- Sabe, eu posso conviver com essa nova Bella. – comentei e agradeci mentalmente por termos pulado o assunto "solidão do Edward".

- Eu espero que ela continue aqui. – sorriu fraco.

Antes que se pudesse falar mais alguma coisa, o celular dela tocou.

- Alice? – atendeu. – Você esta chorando? Como assim?? – pediu nervosa. – Tudo bem... Calma... Respira... Eu estou indo para ai, ok? – desligou o telefone e se colocou de pé.

- O que houve? – me levantei também.

- Alice precisa de mim.

- Alice? Desde quando você a ajuda?

- Desde quando eu percebi que ela faria o mesmo por mim.

- Eu te levo. – disse.

- Obrigada. – sorriu.

O caminho para a casa de Bella foi feito em silencio. Sempre que podia olhava rapidamente para o seu rosto e nele encontrava uma mulher cheia de novas perspectivas.

Ela sorria com mais facilidade essa noite e disse coisas que não deveria ter confessado nem para si mesma antes, quem dirá para mim.

Quando chegamos ao nosso destino me surpreendi ao ver o carro de Jasper parado lá também.

Descemos do carro e quando Bella foi abrir a porta de casa, a voz alterada do nosso amigo chamou a nossa atenção.

- VOCÊ SABIA E NÃO ME DISSE NADA! –gritou com um olhar acusador diretamente para ela.

Bella POV.

Me virei e encontrei um Jasper completamente fora de si. Alice deveria estar dentro de casa talvez, já que não havia sinal dela ali.

- Jazz... – comecei tentando me aproximar dele.

- Jazz... – murmurou com desdém. – Você sabia Isabella! Sabia que Alice esta grávida e não me contou!! – ele cuspia as palavras.

- Jasper... – tentei me aproximar de novo, ele deu um passo para trás. – Jasper, eu não sabia que o filho era seu. Me desculpe. – fui sincera.

- Foda-se! Você sabia da gravidez e sabia que tinha um rolo com a Alice! Você tinha que ter me contado!! Eu sou seu amigo, poxa!

- Me desculpe...- coloquei minha mão no seu ombro, mas ele a retirou bruscamente se afastando mais um passo.

- Isso era o mínimo que você poderia ter feito, Bella. Se Alice não te contou quem era o pai, você deveria ter suposto que era eu!

- Mas eu nem sabia que vocês estavam juntos agora! – retruquei.

- Claro que não! Você estava ocupada demais contando quantos passos dava ou pensando em uma forma de se matar. E diga-se de passagem que nem isso você conseguiu!! – disse de modo irônico. Aquilo me pegou desprevenida.

- Jasper, para com isso. – era Edward que interveio quando viu que eu fiquei sem palavras.

- O que é? – encarou Edward. – Você também sabia e não me contou? Ah! Claro que não! A Bella te engana também, né? – fechei meus olhos tentando não ouvir o que ele falava. – Aliás, essa família toda é um bando de dissimulados! – gritou para casa.

- Alice! – abri meus olhos rapidamente. – Ela esta aqui dentro? – pedi preocupada.

- Sim. – deu para sentir toda a magoa na voz de Jasper. – Vai defender ela agora? A irmã que sempre te odiou, Isabella? É... – deu de ombros e foi indo em direção ao seu carro. – Talvez você goste de ser maltratada mesmo. – dito isso bateu a porta do carro e deu a partida.

- Jasper! – Edward caminhou até o carro, mas ele arrancou. Edward ainda conseguiu dar um tapa na traseira do carro. – JASPER! – suspirou e olhou para mim que continuava parada no mesmo lugar. – Então ele é o pai?

- Bingo. – murmurei.

Quando finalmente destranquei a porta para entrarmos – pedi para Edward ficar mais um pouco. Eu sabia que ainda ia vir muito chumbo essa noite. – ouvimos a buzina do carro de meu pai. Agora fudeu de vez.

- Bella! – chamou Renée quando nos viu ali.

Olhei para ela com o meu melhor sorriso.

- Oi mãe... – ela não gostava de ser chamada pelo nome. Um dia eu faria ela entender que é maior que eu o fato de não conseguir chamá-la de mãe.

- Vocês só chegaram agora? – dessa vez era o meu pai Charlie enchendo o saco.

- Pai... Não enche. – revirei os olhos e entrei em casa seguida por todos.

- Ué! Onde está Alice? – perguntou a minha madastra.

Meus olhos percorreram o andar de baixo e nem sinal dela. Fui para a cozinha e, acreditem, meu pai e minha suposta mãe foram atrás como se eu fosse colocar fogo na casa.

- Ahhh! Por favor! Parem com isso, ok? Já disse que não tentei me matar porcaria nenhuma e se vocês não acreditam... Porque não testam me deixando viver sozinha novamente? Se eu for suicida não paro só nessa tentativa. – ouvi o riso abafado de Edward que estava logo atrás.

Nada de Alice na cozinha. Subi as escadas e me dirigi ao quarto dela. Os três me seguindo novamente.

Renée só faltava esconder as coisas que ela julgava perigosas pelo caminho que eu passava.

Suspirei. E abri a porta do quarto dela. Nada.

Quando me virei para seguir meu caminho dei de cara no peito de meu pai que estava grudado atrás de mim. Foi a gota d'água.

- Caralho! Vocês não vão largar do meu pé, não? Eu só estou procurando a filha de vocês! – falei exasperada.

Resolvi ir para o meu quarto. Sei lá onde Alice estava, mas em casa parecia não estar.

Quando abri a porta do meu quarto (com os meus guarda costas logo atrás) me deparei com a minha meia irmã atirada na minha cama chorando. O legal foi que eu não fui a única a ver essa cena.

- Filha! – Renée entrou no quarto já indo abraçá-la. Alice levantou a cabeça e me olhou com um olhar questionador.

- Desculpa, mas eu sou uma suicida que não pode andar sozinha. – disse cinicamente e mais uma vez o riso abafado de Edward. Ele estava mesmo achando graça disso tudo?

- O que aconteceu? – indagou meu pai. – Bella... Você sabe de alguma coisa? – tudo bem. Sobrou para mim.

- Eu não sei de nada, pai. – dei de ombros, tentando parecer convincente na mentira. – Eu era uma intoxicada por gás de cozinha até dois dias atrás, lembra? – funcionou. Ele esqueceu de mim e voltou a atenção para a cena de mãe e filha abraçdas. Alice soluçava alto.

- Me conte... – sussurrava Renée. – Me conte o que aconteceu...

- P-ai, M-ãe... - gaguejou. – Eu preciso contar uma coisa para vocês. – limpou as lágrimas.

- Eu acho que vou indo. – disse Edward baixinho ao meu ouvido. Agarrei seu pulso.

- Nem pense nisso. – sibilei no mesmo tom.

- Bella... Poderia nos dar licença, por favor? – pediu Alice chorosa.

- Certeza?

Ela apenas concordou com a cabeça. Saí fechando a porta.

- Daqui a 15 segundos vamos ouvir um 'BELLAAAA' de mais uma pessoa indignada por eu não ter lhe contado da gravidez. – declarei me sentando com Edward no sofá da sala, no andar de baixo. – E olha que o filho nem é meu!

Ele riu. De novo.

- Você realmente está achando graça disso tudo, não é? – indaguei, colocando as pernas para cima do sofá.

- Desculpa. – se conteve. – Mas você está encantadora com esse humor ácido.

- Eu foco o meu melhor. – sorri prepotente, arrancado lhe mais risadas. – Eu acho que eu vou engravidar também. Talvez aí briguem com a Alice ao invés de brigarem comigo. – brinquei.

- Se quiser ajuda... – sorriu malicioso. Dessa vez eu que ri.

- Não pensaria em pedir ajuda a outra pessoa.

Rimos juntos.

Logo o bipe de Edward tocou.

- Dr. McCarty. – disse. – Alguma emergência no hospital.

- Quer que eu vá junto?

- Nem pensar! – protestou se levantando. – Mais dois dias em casa, Dona Bella. – tocou a ponta do meu nariz, revirei os olhos.

- Claro. – resmunguei abrindo a porta.

- Tchau. – beijou o topo de minha cabeça e saiu, mas parou antes de chegar ao seu carro. – Foi um prazer te conhecer, Bella! – gritou para mim.

Sorri.

- O prazer foi meu! – respondi.

Fiquei assistindo o seu carro partir até sumir do meu campo de visão.

Suspirei.

- BELLLAAAAAA! – Renée berrou do andar de cima.

É, ninguém disse que ia ser fácil começar tudo de novo.

Nobody said it was easy (ninguém disse que era fácil) / No one ever said it would be so hard ( ninguém nunca disse que seria tão difícil) / I'm going back to the start (eu estou voltando para o começo.) – The Scientist ( Coldplay )

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Oiiii!

Então? Gostaram de mais esse capítulo?

Ele vai ser o começo da metamorfose da Bella. A partir de agora ela vai tentar viver mais e de uma forma melhor... Claro que nem tudo será tão fácil assim, não é mesmo?

IMPORTANTE:

Capitulo passado (Dias como esse) eu pus uma parte em que Edward atende uma paciente com AIDS. No capitulo, eu coloquei como se a AIDS fosse uma doença auto-imune, mas a BabyLizzie me fez o favor de corrigir esse meu erro, já que ela tem mais conhecimento do que eu.

Ela disse que aprendeu na faculdade de medicina que a AIDS é uma doença infecto-contagiosa e não auto-imune como eu tinha citado. Vou colocar abaixo a explicação dela sobre a doença:

"No caso da AIDS, aprendi que se trata de uma síndrome (conjunto de sinais e
sintomas) causada por um vírus, o HIV. Esse vírus infecta células
(linfócitos T), que comandam o sistema imunológico, as destruindo, por isso
compromete a função imunológica, ou seja, causa uma imunodeficiência.
Dessa forma, o corpo fica mais suscetível a outras doenças, chamadas
oportunistas, como a tuberculose, pneumonia, candidíase, toxoplasmose e muitas outras. [...]Por isso a AIDS é considerada uma doença infecto-contagiosa. E não é
exatamente o sistema imune que ataca o próprio corpo, mas sim a sua
deficiência que ocasiona a infecção por outras doenças e seus sintomas.
As doenças auto-imunes são imunodeficiências, só que a AIDS é uma
imunodeficiência adquirida."

Ela ainda explicou sobre o tratamento e tudo mais.

Bem, como eu já expliquei, eu sou apenas uma menina de 16 anos que pesquisa sobre essas doenças e sonha em dia ser uma médica, então, por favor, não se acanhem em me corrigir como a BabyLizzie fez, porque eu ando vendo que muitas pessoas estão lendo a fic e aprendendo junto com o que eu coloco aqui, então é importantíssimo que as informações estejam o mais corretas possível.

Respostas reviews:

Giio: Muito obrigada, querida! Seja muito bem vinda sempre! ;*

Clara Quadros: Muito obrigada pelos elogios,flor! E sim: é uma baita de uma pesquisa sempre, mas eu gosto. ^^ Beijossss!

Maríllya: Muito obrigada por acompanhar! ^^ Simm!! O Jazz é o pai sim! =D Beijosss!

Sunshine: Postei! Muito obrigada por ler! ^^ ;*

Lane: Muito obrigada a você, querida! Seja muito bem vinda sempre, viu? É uma prazer escrever essa fic para vocês! ;*

O resto respondido por e-mail! =D

Beijossssss!!

Isa