A separação
N/A:
Laarc – Que bom que está gostando! Estou escrevendo essa fic com todo carinho!
Neo Serenity Eternal – Aguarde os próximos capítulos, essa história tem muitas reviravoltas.
A separação
– Acho que elas estão tentando trazer alguém do mundo inferior! – Afirmou Setsuna.
– Mas quem? – Perguntou Serena, assustada com a revelação.
– Eu não sei dizer – Respondeu calmamente Setsuna –, só posso dizer que é isso o que parece.
– Então é muito grave! – Sentenciou Rei.
– Precisamos ficar atentos a qualquer movimentação delas. – Ponderou Seiya.
– Nós? – Questionou Serena.
– Você sabe que pode contar sempre comigo, Bombom. E, depois, eu gosto de boas batalhas. Não ia perder essa por nada.
Ao dizer tais palavras, Seiya olhou diretamente para Serena, como se não mais houvesse ninguém naquela sala. Todos notaram e compreendiam bem os sentimentos dele, até mesmo Darien, que tentava não se impacientar com aquela atitude.
A jovem, por sua vez, respondeu-lhe com um sorriso sincero. Seiya sempre fora um bom amigo e não podia deixar de ficar aliviada por saber que ele estava disposto a acompanhar as sailors em mais esse desafio.
Assim, com essa troca de olhares, encerrara-se a conversa. Todos, inclusive Darien, foram para suas casas, com exceção de Serena, que queria conversar um pouco mais com Rei, e Seiya, que estava hospedado no templo.
Para ele, não foi difícil perceber que havia algo de errado se passando no coração de Serena.
– O que você tem, Bombom? Você parece...
Como Seiya conseguia notar dessa forma a revolução que se operava dentro dela? Por que ele conseguia ler em seus olhos tal qual estivesse diante de um livro aberto?
Ele sempre fora tão leal a ela, tão amigo... Ele talvez pudesse ajudá-la. Confiava nele o suficiente para confiar-lhe seu segredo.
– Então é isso... Enquanto eu não descobrir o que esses sonhos significam, eu preciso me afastar dele! – Concluiu a jovem, após explicar o motivo de sua angústia ao amigo.
Seiya ainda esboçou um sinto muito, mas seria tão falso, que resolveu não pronunciá-lo. Se Darien não pudesse estar ao lado dela por qualquer motivo que fosse, ele estaria lá.
Nunca a deixaria.
– Eu estarei com você no que precisar.
– Eu quero vocês dois comigo. Eu... tenho medo de não conseguir...
– E quando vai ser? Quando vai terminar com ele? – Perguntou Rei.
– Ainda hoje. Antes de ele ir embora, eu marquei um encontro com ele na minha casa no fim da tarde.
O coração de Seiya deu um salto. Tão rápido? Sua Bombom seria livre naquele mesmo dia?
Ele sabia que as etiquetas sociais mandavam que ele se condoesse da situação de Serena, mas um fio de esperança adentrou em sua alma e abria caminho para um sorriso, que se formou involuntário em seus lábios.
– Você vai sempre contar comigo, Bombom! – Disse ele, envolvendo-a num forte abraço.
Rei apenas observava a cena. Não precisava de seus dons de sensitiva para perceber que tipo de energia, ou melhor, sentimento, emanava ali. Seiya sempre demonstrara seus sentimentos com bastante veemência e apenas Serena não parecia se dar conta disso.
Até agora.
Os três, então, seguiram para a casa de Serena a fim de esperar a chegada de Darien.
Quando o rapaz finalmente tocou a campainha, Rei e Seiya se retiraram para deixar que os dois conversassem a sós. Só apareceriam se tivessem algum tipo de sinal, que os convidasse a intervir.
– Oi, Serena! – Darien já se aproximava para beijar a noiva, quando esta desviou o rosto já fazendo uma cara séria.
– Nós precisamos conversar.
– Sobre a batalha?
– Não, não é sobre a batalha. É algo muito sério. É sobre nós dois.
– O que foi?
– Sentimentos mudam, pessoas mudam...
– Serena...
– Eu te amei tanto... E lutei para que continuasse assim... Eu me agarrava a você com aquela força porque no fundo não queria ver o sentimento que eu tinha por você ir embora. Mas não consegui. E o amor tão grande que eu guardava no meu coração como um bem precioso se foi! – Serena buscou a maneira mais convincente de dar a sentença final.
– O que você está dizendo?
– Acabou tudo, Darien! – Disse ela, retirando o anel de noivado do dedo e entregando-o a ele.
– Serena! Mas...
– Não torne isso mais difícil! Eu simplesmente não gosto mais de você... Com a proximidade do casamento, eu percebi que você, afinal, não é o meu amor eterno.
– Eu não acredito nisso, Serena! Não depois de tudo que passamos juntos! O que está havendo? Por que está fazendo isso?
– Pare com isso, Darien!
– Serena, nós temos um...
– Um o quê? Futuro? É por isso que devemos continuar juntos? Estou cansada dessa bobagem de vida passada e de vida futura! Por que eu tenho que me casar com você? Só por causa de coisas que não me lembro direito e de outras que ainda nem aconteceram? Eu não aceito isso! Eu tentei, eu queria que tudo fosse como naquele mundo de sonho, mas eu não te amo mais.
Eu preciso ser forte.
Não posso deixar ele perceber.
Darien estava em estado de choque. Não podia acreditar nas palavras que estava ouvindo.
– Por favor, me explica o que houve... É por causa das inimigas? Daquelas bobagens que elas disseram?
– Eu já disse o que houve! Não tem nada a ver com elas! Se você não é capaz de entender o que estou explicando, isso não é problema meu! Eu não me importo com o que os outros dizem, só me importo com o que eu sinto! E, nesse caso, não sinto mais... aquele amor... Por favor, respeita isso.
Darien tentou tocar no rosto dela e se aproximou, mas foi reprimido por um violento tapa de Serena.
– Eu já disse que não quero mais nada com você! Fora daqui!
O olhar de Serena era de ódio. Ele não podia compreender que aquele sentimento, apesar de bem real, não era dirigido a ele, mas a si própria pelo que estava fazendo.
Me perdoa, Darien...
Eu preciso ser forte...
É para o seu bem.
– Tudo bem, Bombom? – Chegou Seiya na sala, guiado pelo tom de voz mais elevado que Serena usou.
A jovem protamente deu sua mão para que Seiya a segurasse e forçou seu melhor sorriso para o amigo.
Darien engoliu em seco. E voltou seu olhar diretamente para Serena.
– Acho que entendo agora! – Disse ele – Não se preocupe... Não vou... insistir.
E retirou-se.
Quando Darien bateu a porta atrás de si, Serena parecia estar congelada, o olhar estático na porta.
– Você está bem, Bombom?
Serena segurou com firmeza na manga do casaco de Seiya. Seu grito de dor não saiu. Ela o controlou, e Seiya não sabia a que custo.
– Darien... – Ela sussurrou, ainda segurando-se em Seiya para não correr atrás dele.
Logo Rei também estava na sala.
– Calma, Serena.
– Eu... Eu não consigo...
A jovem soltou Seiya e foi desesperadamente na direção da porta, mas Rei a segurou.
– Darien, me perdoa! Eu... – O olhar da jovem revelava um desespero profundo, enquanto lutava para se livrar das mãos de Rei.
– É para o bem dele, Serena! Você não pode se esquecer disso.
Serena assentiu com a cabeça e, aos poucos, Rei sentiu o corpo dela amolecer.
A princesa da Lua agora estava de joelhos no chão.
