Joe olhava boquiaberto para o rapaz de cabelos longos, parado na chuva. Não sabia o que fazer. Obviamente o anel era uma prova incontestável de que se tratava de Sam; o pequeno Sam que ele tirara das garras daquele filho da puta, tanto tempo atrás. Foi até ele, mal se importando com a chuva, e o abraçou com força.
- Sam, há quanto tempo! O que você faz andando perdido pela rua?
O moreno apenas balançou a cabeça e abraçou Joe com mais força.
- Venha, temos que sair dessa chuva! Estou fechando o bar, mas vou te servir algo pra aquecer a garganta.
Sam o acompanhou pela porta dos fundos do bar, se sentindo extremamente aliviado. Era tão estranho ser chamado de Sam novamente. Ninguém o chamava assim em anos, mas ouvir seu nome na voz de trovão de Joe era reconfortante. Despertou de seus pensamentos com Joe sacudindo-o de leve.
- Hey, Sam, você tá legal?
- Sim, estou sim, Joe. Estava só lembrando da última vez que nos encontramos.
- Poxa cara, nem me fale! Foi o pior dia a minha vida, vendo aquele monstro abusando de você, mas não vamos falar nisso e trazer tudo à tona novamente, me desculpe. Você precisa trocar de roupa, está ensopado! Aliás, nós dois precisamos. Venha, tem um quarto aqui nos fundos do bar onde deixo umas peças de roupa.
Sam o seguiu por um corredor estreito e acompanhou Joe até o quarto que, apesar de pequeno, era organizado e limpo. Era difícil para Sam, que convivera com John, acreditar que um homem conseguisse manter um quarto daquele jeito.
- Tome, foi o que eu achei, mas são confortáveis, pelo menos. – disse Joe, entregando a ele uma calça de moletom e uma camiseta de algodão, provavelmente partes avulsas de pijamas, além de uma toalha para que se secasse antes de se vestir.
Sam não fez cerimônia e tirou a roupa ali mesmo, se secou e vestiu as roupas de Joe, que fez a mesma coisa. Ele tentou desviar o olhar enquanto Joe se despia, mas o homem conversava com ele e Sam obrigou-se a olhar. Pouca coisa mudara na fisionomia de Joe com o passar do tempo, apenas um pouco de branco nos cabelos, que continuavam ondulados e longos, umas poucas rugas ao redor dos olhos e o cavanhaque curto, que substituiu o que um dia havia sido uma barba longa. Joe devia ter uns 40 anos, mas seu corpo aparentava ser muito mais jovem: não fazia o tipo de dono de bar barrigudo e desleixado. Seu abdômen e peitoral eram definidos, com apenas alguns pelos esparsos; suas coxas...
- Desculpe, o que disse?
- Disse que você está bem crescido! Quem diria que você iria virar esse homenzarrão!
Sam riu, levemente corado. Esperava que Joe não houvesse reparado nos seus olhares. Não é como se fosse um pervertido nem nada do tipo, mas sabia reconhecer um homem bonito quando via um.
- E você não mudou quase nada! O que foi que você fez? Dormiu no formol todos esses anos? Confesse!
Joe seguiu rindo pelo corredor e Sam o acompanhou. Foram até o balcão do bar. Sam reparou no bar pela primeira vez: era do tipo frequentado por roqueiros e motociclistas, com decorações de rock clássico e um pequeno palco para apresentações ao vivo. Era extremamente aconchegante.
Joe ficou de frente para Sam no balcão e sorriu.
- Não, Sam, não durmo no formol! Tenho um mar de rugas na cara e meus cabelos estão ficando brancos!
- Exagero seu! Não são tantas rugas assim, e o branco nos seus cabelos o deixa charmoso, garotão! – disse Sam, dando um tapa no antebraço forte de Joe e enrolando os cabelos com o dedo, o que fez ambos caírem na gargalhada.
- Bondade a sua, minha linda dama! – disse Joe, ainda rindo, enquanto servia uísque em dois copos.
Joe ergueu o copo para brindar.
- A você, Sam. E ao nosso reencontro inesperado.
- A você e sua bondade, Joe. Sempre me acolhendo quando eu mais preciso.
Ambos brindaram e tomaram a dose de uma só vez, ao que Joe serviu novamente os copos, dessa vez tomando apenas um pequeno gole.
- Você quer me contar por que estava andando na rua, de madrugada, debaixo de chuva? – os olhos castanhos de Joe refletiam as luzes baixas do bar e não deixavam os de Sam nem por um momento.
- Eu... Eu...
- Desculpe, talvez não seja da minha conta.
- Não, de forma alguma. É que é tanta coisa pra contar... Você me acolheu, me salvou. O mínimo que posso fazer e te contar minha história. Toda ela. Mas não hoje. Já está tarde, preciso achar um hotel pra ficar e...
- Pode parar com isso. Você pode ficar lá em casa. O tempo que for. E não pense que só porque te ajudei você me deve qualquer explicação. A história de cada um é muito pessoal, e não cabe a mim te forçar a falar sobre o que quer que seja. Eu gosto muito de você, Sam. Quando te conheci, naquela noite desgraçada, percebi que você era um garoto forte, que já tinha passado por experiências terríveis com sua pouca idade.
"Agora, olhando pra você, essa sensação é ainda maior. Não sei se foi correto te deixar com a Esmeralda. Na época me pareceu o certo a se fazer, mas pensando melhor, não era o ambiente para uma criança".
- Não, Joe. Esmeralda foi como uma mãe pra mim, e, se tenho algo de bom, algo que se salva em meio a tanta podridão, é graças a ela e a você. Vocês dois são as únicas pessoas nesse mundo que me ajudaram quando precisei, e minha dívida nunca poderá ser paga.
- Confesso que quero conhecer a sua história, Sam. Pelo menos daquele dia em que te deixei com Esmeralda até a noite de ontem, mas não precisa falar nada por enquanto. Hoje você só precisa descansar. Só quero que me conte quando, e se, achar apropriado.
Sam sorriu, deu a volta no balcão e abraçou Joe com força.
- Você é um anjo, sabia? Só pode ser.
Joe retribuiu o abraço e afagou os cabelos do moreno.
- Vamos? Vou fechar o bar e te levo pra minha casa.
-:-
Joe dirigia um Mustang 68 preto, que deixou Sam fascinado.
- A última vez você dirigia um caminhão, alguém aqui se deu bem na vida, hein! – brincou Sam.
- Uns dois anos depois daquela noite eu resolvi deixar a profissão de lado. Queria algo mais tranquilo, sabe? Pode não parecer, mas ser dono de um bar cheio de marmanjos cabeludos e barbudos é mais tranquilo de lidar.
Sam sorriu e concordou.
- Se todos eles forem um terço do que você é, tenho certeza que sim.
- Bondade a sua, Sam. Mas voltando ao carro, sempre tive queda por carros antigos. Vendi o caminhão, comprei o carro e parei com a vida nômade.
- Você mora sozinho?
- Não.
- Então não acho uma boa ideia eu ir pra sua casa no meio da...
- Tenho um cachorro, o Anúbis – disse Joe, rindo.
- Joe! Quando você disse que não morava sozinho achei que fosse me dizer que era casado!
- Não, só com meu cachorro – riu Joe.
- Aliás, por que será que o nome do seu cachorro não me surpreende? – disse o outro, sorrindo.
O carro passava agora por uma estrada bem pavimentada que levava até a parte rural da cidade, uma área com muitas árvores e casas que iam rareando cada vez mais.
- Poxa, você se esconde, hein?
- Um homem velho merece um pouco de paz, meu filho – brincou, imitando a voz cansada de um velhinho.
Viraram à direita e prosseguiram por um caminho em que o pavimento dera lugar a grama bem cuidada, e então o carro parou defronte a uma cerca branca, com um bonito portão de madeira da mesma cor.
- Poxa, é lindo!
- Você tem que ver isso pela manhã, Sam. É ainda mais bonito!
Joe desceu do carro e abriu o cadeado com a corrente que fechava o portão, voltou ao carro e passou pelo portão. Dessa vez Sam se ofereceu para fechar o portão e em seguida voltou para dentro do carro. Depois do portão havia uma estradinha serpenteante que levava até o chalé de Joe. Tinha estilo rústico e era muito bonito.
Joe estacionou o carro na garagem ao lado e levou Sam até o interior da casa.
- A casa é sua, Sam. Acho que aquela chuva não vai te fazer bem, é melhor tomar um banho, venha.
Sam o seguiu até um quarto grande, com uma cama maior ainda. Notou o dobermann negro deitado na cama e olhou para Joe.
- Fique tranquilo, ele é dócil. Anúbis, hey garotão! Venha conhecer o Sam!
O cachorro se sentou na cama e olhou para Sam, que foi até ele, receoso, e acariciou a sua cabeça.
- Ei, Anúbis, prazer em conhecê-lo! Como vai?
Assim que Sam parou de acaricia-lo, Anúbis começou a lamber sua mão. Joe riu, satisfeito.
- Parece que ele gostou mesmo de você! Agora venha, Sam, o banheiro é aqui – disse, abrindo a porta. – Tem toalhas na bancada da pia, fique à vontade. Eu já levo uma muda de roupas pra você.
Sam agradeceu e foi até o banheiro. Era espaçoso e bem iluminado. Foi até o box, que era de vidro transparente, abriu-o e ligou o chuveiro. A sensação da água quente pelo seu corpo era maravilhosa e reconfortante. Pensou em tudo o que acontecera desde o início daquele dia, em que acordara nos braços de Dean, até aquele momento. Fora um dia realmente longo, sentia-se magoado e desorientado, mas encontrar Joe tinha sido a melhor coisa que poderia ter lhe acontecido. Sentia algo bom quando estava na presença dele, talvez fosse seu instinto protetor que o agradava tanto.
Ouviu batidas na porta e em seguida viu Joe adentrando o banheiro e depositando as roupas na bancada da pia. Agradeceu, sorrindo.
- Não precisa agradecer. Quer que eu prepare algo pra você comer?
- Não, Joe, eu agradeço, mas estou completamente sem fome.
- Tudo bem, se mudar de ideia é só avisar. – e dizendo isso saiu do banheiro, fechando a porta com cuidado.
Sam sorria. Joe era uma pessoa incrível. Não fazia ideia de como alguém como ele não conseguira se casar. Tinha certeza que falta de mulheres afim dele não era o caso. Depois de uns minutos terminou o banho, se secou e vestiu as roupas que Joe lhe dera, tão confortáveis quanto as que vestia antes.
Saiu do banheiro e viu que Joe estava deitado na cama, assistindo um filme qualquer na tv defronte a cama. Anúbis assistia também, com a cabeça apoiada no colo do dono. Ficou encantado com a cena, olhando os dois por um longo tempo, até que Joe notou sua presença e sorriu.
- Anúbis adora assistir tv comigo! – disse, afagando o cachorro. – Não se importa em fazer companhia pra ele? Vou tomar um banho também.
- Imagina, sem problema nenhum, já estamos nos dando bem, não é, garotão?
Deitou no lugar de Joe e começou a assistir o filme que passava. Era um filme bem interessante, tratava-se de um renomado cirurgião plástico, que achava que um adolescente havia estuprado sua filha. Sequestrou o rapaz e fez uma mudança de sexo nele. O filme era carregado de drama, tinha um enredo e um elenco fantásticos. O final foi surpreendente, e Sam se pegou chorando feito um garotinho.
Joe havia terminado o banho e adentrou o quarto pouco depois do final do filme. Viu que Sam tentava disfarçar os olhos vermelhos e foi até ele no mesmo momento.
- O que foi, Sam? Aconteceu alguma coisa?
- Não, Joe. – Sam sorriu, enrubescido. – Foi o filme, só isso. Sou um idiota, eu sei.
- Ah tá! – Joe suspirou aliviado. – É um filme ótimo, eu já havia assistido. É realmente emocionante, não tem porque se envergonhar. Está com sono?
Sam se sentia uma pilha de nervos quando saiu do hotel, mas agora estava completamente relaxado. Parecia que os problemas haviam ficado o lado de fora da casa de Joe. Ainda assim não se sentia cansado ou sonolento, e foi o que disse a Joe.
-Certo, mas pode continuar deitado aí, se quiser. Olha, como moro sozinho, nunca vi necessidade pra dois quartos nessa casa e acabei usando o outro quarto como biblioteca. Você dorme aqui e eu durmo no sofá, certo?
- De jeito nenhum! Eu é que durmo no sofá! A casa é sua, você dorme na sua cama!
- Nem pensar, Sam! Eu nunca deixaria uma visita dormir no sofá, ainda mais se tratando de você!
- Então nós dois dormimos na cama, pronto! Espaço tem de sobra, não é?
- Tem certeza, você não se incomodaria?
- Por que eu me incomodaria?
- Não sei, talvez por ter um velho de cabelos brancos dormindo ao seu lado.
- Seu bobão, pare com isso!
- Não vá reclamar depois, hein! – riu Joe, provocando.
Sam deitou na cama e deu palmadinhas ao seu lado.
- Venha cá, garotão. – disse, dando uma piscada e caindo na gargalhada.
- Poxa, depois desse convite, tem como não ir?
Joe apagou a luz e deixou apenas a luz fraca do abajur iluminando o quarto, em seguida deitou ao lado de Sam, encarando-o.
- Joe, mais uma vez, muito obrigado por me acolher tão bem. Nem sei como agradecer.
- Ora Sam, não tem que agradecer nada, já disse, gosto muito de você.
- E eu de você. – sorriu e levou a mão até o rosto de Joe, acariciando, mas retirando a mão em seguida. – Desculpe...
Joe pegou a mão de Sam e a colocou no seu rosto novamente, acariciando também o rosto do outro.
Sam se surpreendeu, mas continuou o carinho, aproximando-se um pouco mais de Joe. Ambos ficaram em silêncio por um tempo e dessa vez foi Joe quem se aproximou um pouco mais. Ambos mantinham o contato visual, e seus narizes estavam quase se encostando.
- Joe?
- Diga, Sam.
- Por que você é tão bom comigo?
- Porque eu gosto de você, Sam. Porque não importa quanto tempo passe, sempre vou te ver como um garotinho desprotegido, e sempre vou ter vontade de te reconfortar.
- Posso te pedir uma coisa?
- Qualquer coisa desse mundo.
- Posso te beijar? – de repente era como se ele realmente fosse um garotinho. Estava com aquele familiar medo da rejeição com o qual aprendera a conviver por tanto tempo.
Joe sorriu, voltando a acariciar o rosto de Sam.
- Desculpe Joe. Acho que me precipitei, eu...
- Shh – fez o mais velho, levando o indicado até os lábios de Sam num gesto de silêncio, mantendo o sorriso no rosto. – Só quero ter certeza que não estou sonhando.
Joe então levou a mão até a nuca de Sam e o puxou para um beijo lento, mas voraz, passando em seguida a lamber e beijar seu pescoço.
Sam adorou a sensação daquela barba curta roçando em seu pescoço e causando arrepio por todo o seu corpo. Tirou a camisa que vestia e fez o mesmo com a de Joe, deitando sobre ele e voltando a beijá-lo intensamente. Sentia o volume na calça de moletom que Joe vestia e levou a mão até lá, apertando de leve e arrancando um gemido baixinho do mais velho.
Levou a língua até um dos mamilos de Joe, continuando a apertar de leve o volume em sua calça. Levou a mão até seu membro, passando o polegar pela glande e notando que estava úmida. Não pode aguentar. Despiu Joe completamente e levou seu membro até a boca, engolindo-o em movimentos de vai e vem. Joe delirava, gemendo e agarrando os cabelos de Sam, comandando os movimentos. Estava quase chegando ao ápice quando Sam parou repentinamente, beijou seus lábios com voracidade e falou baixinho em seu ouvido:
- Quero você dentro de mim, Joe. Quero ser seu.
Joe quase foi à loucura com esse pedido, mas manteve o autocontrole.
- Sam... Eu não quero te causar dor. Você já... sofreu tanto! Não quero que isso aconteça novamente.
Sam o encarou, com um sorriso nos lábios.
- Joe, esqueça aquela maldita noite. Fui forçado a fazer algo, a situação era completamente diferente. Já não sou mais criança. Somos dois homens e queremos a mesma coisa. Eu quero, preciso de você, Joe. Não me faça implorar.
Joe deitou Sam de bruços na cama e separou suas pernas. Seu toque era delicioso e causava arrepios em Sam, que estava completamente entregue. Depois de afastar as pernas do mais novo, Joe passou dois dedos cheios de saliva pela sua entrada. Sam achava que sabia o que ele faria a seguir, mas se surpreendeu quando sentiu a língua de Joe, quente e deliciosamente úmida. Por incrível que pudesse parecer, não fez nenhuma relação com a noite, anos atrás, em que aquele caminhoneiro havia feito isso, pois era completamente diferente. Joe era carinhoso, falava palavras gentis e não o machucaria por nada nesse mundo.
Sam gemia, adorando sentir a língua de Joe, além de sua barba áspera em si. Queria mais e mais, se pudesse estenderia aquele momento de prazer à eternidade. Joe fez sua parte, prolongando aquele momento por vários minutos, adorando dar prazer ao mais novo.
Depois de mais alguns minutos levou novamente os dedos até aquela entrada que tanto desejava e os introduziu lentamente, até que Sam se acostumasse. Depois de mais alguns instantes, levou-os até a boca e os encheu de saliva, tornando a introduzi-los no mais novo. Sam estava a ponto de implorar quando finalmente sentiu os dedos darem lugar ao membro de Joe. A dor foi grande no começo, mas Joe foi gentil e teve calma. Quando Sam já estava habituado, começou a dar estocadas lentas, que arrancavam gemidos de ambos.
Sam ficara de quatro e Joe aumentava o ritmo das estocadas enquanto masturbava o mais novo no mesmo ritmo. Sam não durou muito tempo e enquanto ainda se derramava na mão dele, sentiu que Joe também gozava dentro dele. A sensação foi indescritível.
Ambos desabaram na cama, exaustos e suados. Sam arfando, com a cabeça encostada no peito de Joe, que subia e descia rapidamente.
- Ah Joe, você é perfeito, cara. Nunca ninguém me tratou com esse cuidado.
Joe beijou a testa suada do mais novo e começou a acariciar seus cabelos.
- Você não tem ideia da atração que exerce em mim, Sam. E você sabe que não falo só de sexo. Quero, sim, te dar muito prazer, como fiz hoje, mas quero também, e acima de tudo, te fazer feliz. Quis isso desde aquele dia, que você era só um garotinho. Não a parte do sexo, é claro. Refiro-me a te fazer feliz, a te proporcionar momentos infinitos de felicidade. O que vi aquela noite em seu rosto me deixou inquieto e desesperado por fazer algo a respeito, por isso te levei até Esmeralda. Ela era a pessoa mais gentil que eu conhecia na época. Agora que nos reencontramos, você já é um homem feito, mas ainda vejo dor e tristeza nos seus olhos. Quero poder te ajudar!
Sam estava com os olhos ardendo, e abraçou Joe com força. Quando falou, sua voz estava embargada.
- Essa é a coisa mais bonita que alguém já disse em toda a minha vida.
- Eu só quero mudar o que vejo em seus olhos, Sam. Você, mais do que qualquer um, merece ser feliz. Me deixa te ajudar nisso?
- Só se você me permitir fazer o mesmo, Joe. – Sorriu Sam, beijando o mais velho.
- Temos um acordo! – disse ele, voltando a abraçar Sam e a acariciar seus cabelos.
Sam sorria, abraçado a Joe, sentindo seu calor. Ouvia a chuva, que agora caía ainda mais forte. Pensou em Roxanne e sua história, que, ao que tudo indicava, estava sepultada. Agora ele era Sam novamente, apenas Sam, e deixar Roxanne para trás parecia ser um peso tirado das costas. Adormeceu rapidamente, ainda com um leve sorriso nos lábios.
