Sai dirigindo que nem um louco pra minha casa. Em um sinal percebo que havia ficado com seu celular. Que se dane também!
"Dá um banho nela.. quente.. já estou chegando..." – depois de carregar meu celular um pouco no carro, meto meu pé no acelerador rumo ao meu apartamento.
Estaciono o carro de qualquer jeito na garagem e corro para o elevador.
"Cheguei..." – joguei tudo no chão de casa e sai correndo até o seu quarto – "amor?"
"Ela não para de reclamar.." – Claudia diz com ela no colo.
"O que foi, amor?" – me aproximo dela e a coloco entre meus braços.
"Dói..." – ela chorava desesperadamente.
"Você deu algo a ela?" – falo verificando a hora.
"Não.. não sabia o que dar.."
"Me arranja um casaco.." – digo apontando pro armário dela.
~.~
"Interfona pro apartamento 900" – digo quase invadindo o apartamento.
"Ninguém está atendendo.." – o porteiro diz com a maior calma do mundo.
"Tenta mais..." – quase gritei com ele.
"Calma Lea... não deve ser nada.. você vai pegar seu celular e.." – enfim a porta abriu.
"Esse maluco que sai com o celular dos outros por ai.." – apertei no botão dos 2 elevadores esperando qual viesse mais rápido.
~.~
"Que vocês tão fazendo aqui?" – pergunto quando a porta do elevador abre e os dois entram.
"Meu celular.." – disse passando a mão no cabelo dela. – "como ela está?"
"Chorando.. com dor.." – ele diz saindo no estacionamento – "seu celular está no meu carro..."
Fui seguindo-o até ele abrir a porta do carro.
"Claudia pega ela.." – ele a entrega e ela começa a chorar ainda mais.
"Paiii.. não.." – ela reclama se mexendo.
"Eu dirijo Cory.." – me propus me aproximando deles. Ele olha pra ela, olha pra mim e logo me dá a chave do carro.
"Eu vou no meu carro.." – John diz saindo dali.
~.~
Sento atrás com Emily no meu colo, Claudia vai na frente com ela.
"Que hospital vou?" – ela pergunta saindo da garagem.
"Não sei..." – respondo ligando pro medico dela – "bom.. vai pro São Matheus..."
"Ok.."
Abracei a minha filha com força e fiquei passando a mão de leve por seus cabelos.
"Amor?" – falo levantando sua cabeça. – "está doendo onde mesmo?"
"Aqui.." – ela põe a mão no lado direito do corpo.
"Esta sentindo a barriguinha mal? Vontade de vomitar?" – levanto sua camisa e começo a passar a mão de leve por sua barriga.
Ela sinaliza que sim com a cabeça.
"Já estamos chegando.." – Lea fala de repente.
~.~
A cara dele era de dar pena. Olhava às vezes pelo retrovisor e cortava o meu coração. Ela não parava de chorar e eu via que não podia fazer nada porque não tinha muita intimidade, ou o que fosse, para lidar com isso tudo.
Descemos do carro e ele quase que saiu correndo me deixando ainda estacionando o
carro. Sai do carro e fui procurar a ala infantil onde o encontrei recostado a recepção.
"5 minutos atendem ela.." – a enfermeira diz na maior calma do mundo.
"Quero ver se são 5 minutos mesmo.." – ele diz se afastando e se sentando em uma cadeira.
"A chave.." – disse me sentando ao lado e entregando a ele.
"Obrigado.." – ele diz passando a mão no rosto dela de leve.
"Em..." – falo me atrevendo a me aproximar um pouco.
"Dói tia.." – ela diz toda manhosa.
"Já já o medico cura.." – falei segurando sua mãozinha.
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"Acho que irei rápido no banheiro.. você pode ficar com ela rapidinho? É super rápido mesmo." – digo sentindo minha bexiga apertar.
"Eu fico com ela.." – ela diz estendendo os braços. Emily vai sem reclamar. Me aproximo e lhe dou um selinho.
"Papai já volta.."
Fui direto ao banheiro, lavei meu rosto e passei uma água no cabelo. Voltei no mesmo pé e encontrei Emily um pouco mais calma, chupando um dedo e segurando uma mecha de cabelo da Lea.
"Vou apressar ali.." – disse voltando a recepção. – "vai demorar?"
"Não.." – a enfermeira diz me entregando um papel – "terceira porta a direita, pode entrar."
"Vamos.." – disse chamando-as.
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"Onde dói?" – o medico pergunta colocando a mão em cima da barriga dela. – "aqui?" – ele apertava e ela negava com a cabeça – "aqui?"
"Aiiii.." – ela grita enchendo os olhos de água.
"Ela estava com falta de apetite? Vontade de vomitar.. algo assim?"
"Sim.." – Cory fala nervoso como se tivesse a ponto de avançar em cima do médico.
"Vamos fazer uns exames, mas já suspeito que possa ser uma crise de apendicite..."
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Sai um pouco dali quando escutei a voz de John, deixei eles mais a sós. Não queria invadir o espaço entre pai e filha assim.
"Que ela tem?" – John pergunta desligando seu celular.
"Parece ser apendicite.." – digo procurando algo para beber.
"Ixe.." – ele me acompanha – "vai operar?"
"Capaz..." – digo pegando dinheiro ao achar uma maquina de refrigerante.
"Você vai ficar aqui? Ou vai pra casa?" – ele diz pegando também um para ele.
"Não sei.." – respondo dando um gole – "e você?"
"Queria ficar, mas amanha acordo super cedo..."
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"E quando operam?" – pergunto vendo a enfermeira tirar a roupa dela.
"Agora, se possível.." – o medico diz me entregando uns papeis.
"Ok.." – respondo escutando uma batida na porta – "ok.. está certo.. pode ser... então.."
"Com licença.." – Lea entra acompanhada de John.
"Ela é a mãe?" – ele logo pergunta e eu viro para encará-la.
"Não.." – ela sorri sem jeito – "sou amiga.. da família.."
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"Eu posso ir junto?" – ele diz se aproximando dela.
"Não é necessário.." – o medico diz administrando algo nela.
"Ok.." – logo eu me aproximo e coloco uma mão em seu ombro.
"Eu vou precisar ir agora.." – John diz e Cory somente acena.
"Valeu.. por ter vindo.." – ele diz abraçando-o e separando-se. – "obrigado Lea..." – ele se aproxima e também me abraça.
"Eu não vou agora..." – digo encarando-o – "amanha não preciso acordar cedo..."
"Obrigado.." – ele me agradece mais uma vez.
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Ficamos em uma sala em outro andar onde não tinha quase ninguém. Dispensei Claudia, mandei ela ir descansar porque já sabia que precisaria dela mais tarde. Sento-me em uma cadeira e Lea senta ao meu lado folheando algumas revistas. Não falamos nada. Nada mesmo. Não trocamos uma palavra. Eu fiquei na minha me entupindo de café enquanto ela mexia no seu celular e continuava a folhear todas as revistas da sala.
"Ta demorando.." – falo me levantando pela enésima vez.
"Já deve estar acabando.." – ela finalmente fala colocando a revista de lado.
"Quer um gole?" – pergunto me sentando de novo.
"Melhor não.." – ela olha pro copo e logo para mim. Eu sei que as vezes ela evitava tomar café demais tentando evitar que aquilo se tornasse um vicio ainda maior.
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Ele logo recosta sua cabeça na parede e fecha os olhos. Eu aproveito e o encaro um pouco. Bem que eu queria poder nesse momento colocá-lo no colo e...
...paaaaaaaara Lea!
"Ta cansado?" – pergunto apoiando uma mão em sua coxa.
"Não..." – ele mente e continua de olhos fechados. – "eu sou um irresponsável.. que não presta atenção na própria filha.."
"Cory não começa com isso.. era algo que não tinha como adivinhar.." – digo sem tirar minha mão dali.
"Sei.." – ele diz abrindo os olhos – "mas podia ter ido logo.. e você sabe.." – ele toma um gole de seu café.
"Acontece.." – o encaro – "acontece sempre nas melhores famílias.."
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"Da próxima vez pode me puxar pelos cabelos.." – sorrio finalmente olhando bem para ela – "pra me fazer reagir.."
"Não farei isso.." – ela sorri ainda com a mão na minha perna.
"Eu sei que posso ficar careca.." – aponto pra cabeça – "mas uma puxadinha de vez em quando faz mal mão..."
"Continua um pouco sadomasoquista?" – ela diz batendo de leve na minha coxa.
"Às vezes.." – eu pisco fazendo-a sorrir - "Obrigado de novo.. por ter ficado.." – falo colocando minha mão sobre a dela.
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"Pra isso que são os amigos, não?" – ela pisca igualmente para mim.
"Depois lhe farei um jantar.. de recompensa.." - ele sorri sem jeito passando a outra mão pelo cabelo.
"Jantar?" – pergunto surpresa.
"Aprendi umas coisas na arte da culinária.." – ele torna a piscar – "que você deveria experimentar.."
"Espero que não seja aqueles seus macarrões grudentos.."
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"Que você amava, né?" - nós dois começamos a rir.
"Na fome qualquer coisa é lucro.." – sorrio respirando fundo.
"Então.." – eu tiro a minha mão de cima da dela – "quando você puder.."
"É só você chamar.." – ela também tira a mão de minha perna.
"E o 'Dylan'?" – viro o rosto ao escutar um barulho na porta – "se quiser.. levá-lo..."
"Ok.." – ela responde com uma voz num tom quase inaudível. – "você que sabe.. e Cory?"
"Que?" – me viro olhando de novo pra ela.
"Você não esta ficando careca.." – ela sorri passando a mão pelo meu cabelo, baguçando-o. – "mas continua despenteado como sempre.." – ela da um salto da cadeira e vai até o outro lado da sala aonde um medico abria a porta.
~.
Fiquei observando Lea dormindo toda 'torta' na cadeira ao lado. Não, eu não me atreveria em acordá-la. Me fazia falta ficar parado assim, feito um bobo somente observando-a. Vi a maneira que o seu cabelo caia sobre o seu rosto. Ela de vez em quando fungava ou resmungava alguma coisa. Apesar das circunstâncias, não sei porque, ficar assim parado, em silencio, observando-a me trazia uma calma.. diferente.. estranha...
"Cory Monteith...?" – uma voz masculina de repente me tira do meu transe.
"Sim.." – me levanto num salto.
"Sua filha já está indo para o quarto.."
Quando eu iria me virar para acordar Lea, ela por si só já estava ao meu lado piscando forte e se espreguiçando.
"Bom Dia.." – sorri para ela.
"Dormi quanto tempo?" – ela procurava o relógio.
"Não sei.. uma meia hora.." – comecei a acompanhar o médico. – "olha se você.."
"Cory... eu posso ficar.." - ela disse não acabando a frase – "você não disse que teria que ficar mais de 24 horas até ela ter alta?"
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"Sim.." – ele responde parando o passo – "mas você.."
"Já vi minha agenda.. deixa eu te ajudar.." – toco o seu braço e vejo que seu olhar se devia, encarando minha mão.
"Obrigado.." – acho que foi já o sexto agradecimento dele da noite.
Ele recuou um pouco antes de entrar e eu pus a minha mão em seu ombro, sinalizando que eu estava ali. Ele sorriu de volta e entrou no quarto vendo-a uma agulha enorme (pra mim era enorme.. ela era tão pequena..) em sua mão de onde vinha o soro.
~.~
O medica já havia explicado tudo o que tinha que fazer nesses dias. Hoje em especial ela não poderia comer nada. Por mais que pedisse ou chorasse, nem água podíamos lhe dar. Gradativamente ela ia poder fazer a ingestão de líquidos e em poucos dias já poderia desfrutar de sua dieta normal.
"Mas ela esta bem, verdade?" – falo me aproximando e lhe dando um beijo na testa.
"Sim.. tudo correu bem.. bom, qualquer coisa chame a enfermeira.."
Só sei que nem percebi quando saíram do quarto. Tinha outra cama do lado da dela, uma poltrona e um sofá de canto.
"Pode dormir se quiser.." – digo olhando pra Lea.
"Não.. não precisa.." – ela se aproxima da cama e fica em silencio encarando-a.
"Será que dói muito?" – pergunto a Lea que não desviava o olhar dela.
"Não sei.." – ela ajeita o cabelo de Emily – "deve doer um pouco.."
"Se você quiser pelo menos ir em casa se troca.. tomar um banho.. ela demorará a acordar.."
"Acho que.." – ela olha pro relógio – "farei isso.. posso trazer algo para você.. pedir pra alguém separar algo.."
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"Toma.." – ele diz me dando umas chaves. – "vá no meu carro.. ai qualquer coisa tem a chave do meu apartamento.. pede pra fazerem uma mala com roupas dela.. pede pra colocarem uma boneca... um urso.. e uma roupa pra mim.."
"Esta certo.." – falo pegando a chave – "mais algo? Você ficara bem?"
"Ficarei.." – ele sorri se afastando.
"Pois.. então.. volto em uma hora.. por aí.."
Fui rumo a seu carro e decidi ir primeiro a minha casa tomar um banho rápido. Procurei algo básico. Jeans e uma camisa larga. Ajeitei minha bolsa com algumas coisas. Sim eu sabia que não precisava ficar com ele o dia todo, mas não custava nada.. enfim. Liberei a empregada e comi qualquer coisa que ela já havia preparado. Antes de tudo, caprichei num sanduíche para ele e fui rumo ao seu apartamento.
O porteiro nem perguntou nada. Entrei com o carro e fiquei olhando o molho de chaves tentando descobrir qual a que abriria a porta.
"Deve ser essa.." – na terceira tentativa a porta abriu.
"Ola?" – falei algo vendo se tinha alguém lá. Não obtive resposta. Olhei pra um recado da babá dizendo que havia saído para comprar algumas coisas que estavam faltando.
Recostei a porta e logo coloquei minha bolsa em uma cadeira que ficava próxima a porta. Sai andando pela sala recolhendo umas bonecas e fui direto para o quarto dela.
"Boneca.. roupa.." – tentei me lembrar de algo e procurei alguma bolsa para por as coisas. Abri o armário, separei uns três vestidinhos, duas roupas de dormir e umas duas camisetas. Acho que estaria de bom tamanho. Coloquei umas três calcinhas na bolsa e fiquei me questionando se aquilo era suficiente.
"Acho que levarei o Barney.." – disse pegando um urso pequeno e uma boneca que estava em cima da cama – "hum.. acho que esta bom.."
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"Ela ta bem?" – Chris perguntou do outro lado da linha.
"Ainda não acordou.. mas esta bem.." –disse ainda sem se mover do seu lado.
"Você esta sozinho?"
"Minha mãe me telefonou lamentando não poder estar aqui e a Lea estava aqui comigo mas logo voltará.. foi em casa descansar um pouco.." – finalmente me sentei um pouco no sofá.
"Eu mais tarde apareço também.."
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Entrei no quarto dele receosa. Seria invasão demais entrar aqui?
Bom, ele disse que eu poderia entrar...
Andei uns passos e olhei ao redor. Seria conveniente eu pegar mesmo as suas coisas? Mas se eu não pegasse, quem faria isso?
Andei recuei. Meu peito acelerou. Como sou idiota. Fui em direção ao seu closet e abri a porta procurando o que pegar. Procurei rapidamente uma camiseta e um casaco. Seria melhor, mais confortável. Será que pego algo de frio para Emily? Acho que seria bom..
Calça? Ele já esta de calça não precisa. Cueca? Cueca? Meu Deus. Como eu ia pegar cueca dele? Isso nem era o problema. Onde ficava as cuecas?
Aquele closet tinham mil gavetas fora as da televisão, as do criado mudo. Fui abrindo uma por uma procurando as malditas cuecas. Nada, nada. Parei por um segundo e olhei ao redor vendo uma foto nossa antiga. "Nossa". Nós e mais outros colegas de elenco. Não sei porque sorri que nem uma idiota olhando pra foto. Coloquei ela de volta no canto e abri mais uma gaveta achando finalmente suas cuecas. Hum... elas eram grandes... enormes.. também ne?! Levo uma ou duas?!
~.~
Só sei que cai no sono e tive uns sonhos pra lá de esquisitos. Acordei num salto e já vi Lea sentada num canto folheando uma revista.
"Já.. que horas são?" – pergunto me ajeitando na cadeira.
"Quase 8.." – ela diz sorrindo.
"Quando você chegou?" – me ajeitei melhor ainda e a encarei.
"Não tem muito tempo.. não quis acordá-lo." – ela sorriu de volta. Meu Deus.. como era bom acordar e deparar com o seu sorriso.. – "esta com fome?"
"Um pouco.." – digo me levantando.
"Trouxe algo para comer..." – ela se levanta também e a sua bolsa – "posso pegar algo para você beber.."
"Tem no frigobar.." – digo apontando para ele e ela sorri.
"É mesmo.." – me aproximo dela pegando o sanduíche.
"Obrigado de novo.."
"Trouxe umas coisas.." – ela aponta para o lado – "acho que era isso que você queria.. trouxe o Barney.."
~.~
"Trouxe o certo.." – sorri pegando uma latinha de suco do frigobar.
Sentei-me e logo devorei o sanduíche. Não falávamos muito mais nossos sorrisos eu acho que já diziam tudo.
Um tempo passou e mais uma vez ela cochilou. Fiquei novamente acordado e finalmente ouvi Emily começar a resmungar algo.
"Shhh.." - digo pondo uma mão sobre seu bracinho – "papai ta aqui.."
"Hmm.." – ela mal abriu o olho e já fez cara de choro.
"Não chora.." – digo tentando fazer algo. Ela levanta sua mão para tocar na outra e eu impeço no meio do caminho – "não bebê.. não pode... tem que ficar com isso.. pra ficar boa logo.."
"Não quero.." – ela finalmente falou começando a chorar.
"Mas.." – eu não sabia o que falar ou fazer. – "não pode.." – digo passando a mão de leve no seu rosto.
~.~
"Shhh...que foi?" – eu me aproximo ouvindo-a chorar. Ele se vira me olhando um pouco atordoado, meio que suplicando que eu o ajudasse.
"Não queroo.." – ela não falava nada alem disso.
"Ta doendo?" – pergunto passando a mão de leve em seu braço.
"Ta.." – ela responde chorando um pouco menos.
"Cory melhor chamar o medico não?" – olho para ele que logo aperta num botão na cama.
"Pronto.." – ele diz se aproximando ainda mais dela – "papai ta aqui.. se doer algo fala.. papai fará o que puder.. doerá um pouco.. mas você é forte.. sim? Não é a menina do papai?"
"Sim.." - ela diz parando de chorar um pouco. Levo minha mão ate o seu rosto e pego um pedaço do lençol, secando suas lagrimas.
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"Sua boneca e seu Barney vieram pra ficar com você.." – digo pegando-os e colocando na cama, ao seu lado.
"Eles também tão dodói?" – ela diz já fechando um pouco os olhos de novo.
"Tão.." – olho pra Lea que fazia cafuné em Emily.
Logo o medico apareceu, avaliou ela e mandou uma enfermeira administrar algum medicamento.
O dia correu assim. Alguém nos visitava, eu insistia pra Lea que ela podia ir embora. Emily acordava, chorava e tornava a dormir quase que no mesmo instante.
"Se mover o braço vai machucar.." – observo Lea conversando com ela e passando a mão de leve em seu braço.
"To com sede.." – ela diz e Lea logo olha pra mim. Aqui cortava meu coração.
"Pode passar algodão com água ne?" – Lea pergunta e eu me levanto um pouco.
"Pode.." – digo me aproximando e pegando.
"Deixa.. comigo?" – ela olha pra mim e logo lhe entrego.
Cruzei meus braços e fiquei na minha observando a cena. Emily novamente chorava, mais um pouco mais calma agora.
"Já já quando você perceber já vai poder ir pra casa.." – eu tentava acalmá-la.
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Passei de leve o algodão na sua boca e ela me encarava não muito satisfeita com aquilo.
"Água.." – ela choramingou mais um pouco.
"Não pode, amor.." – falo com meu coração cortado.
"Por favor.." – ela levantou a mão e tocou meu braço – "quero água mamãe.."
