Itachi passara os últimos oito meses paparicando Hinata. Comprou todo o enxoval do filho, ou filha, eles ainda não sabiam, as ele já amava a criança com todas as suas forças. Sasuke visitava o casal de vez em quando, sempre com lembrancinhas para o novo membro da família. Sabia que o irmão não cabia em si de contentamento e isso o deixava muito feliz. Itachi merecia um pouco de felicidade e Hinata certamente era a única que o fazia sorrir daquela forma. Hanabi contara para a escola toda que teria um irmão. Chegava da igreja mais cedo todos os dias e ajudava a irmã a bordar, cantarolando para a barriga proeminete da irmã para que o bebê escutasse.
Hinata passava os dias deitada. Sua aparência ficava pior com o tempo. Olheiras profundas marcavam o olhar distante e cansado, que lhe davam uma apaência fantasmagórica devido à palidez extrema. A respiração ficava ruidosa e o cansaço tomava conta de si ao menor esforço. O médico fazia visitas regulares para saber o estado dela e da criança e passara alguns remédios para a moça.
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Itachi chegou em casa no começo da noite de quinta-feira, trazendo um broche de pérolas e ouro branco para Hinata. Percebeu que algo estava errado quando encontrou-a recostada à pia da cozinha, respirando com dificuldade e com os olhos fechados. Itachi correu até ela e a abraçou.
-Vou chamar o médico. Fique deitada para não fazer esforço, está muito fraca!-ele disse, levando-a com cuidado até a sala, onde o ar circulava com maior liberdade e ela poderia recostar o corpo. Ajeitou algumas almofadas sob ela e fechou-lhe os olhos.-Volto rápido, não se movimente.
Itachi parou a primeira carruagem que viu passando na estrada e foi até o médico, o desespero se infiltrando por suas veias como veneno.
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Chegou em casa com o médico e encontrou Hanbi ajoelhada ao lado da irmã, que arfava e parecia estar com dor.
-Papai Itachi, que bom que chegou! Hinata está tendo o bebê! Ajude-a, por favor!-ela implorava, olhando do rapaz para o médico, as lágrimas correndo silenciosamente por suas bochechas.
-Calma, Hanabi.-disse Itachi, observando o médico ir até a morena e começar a preparar o parto enquanto murmurava algo para ela.-Sua irmã esá em boas mãos.
Os dois aguardavam o fim do parto na cozinha, escutando os gritos roucos de Hinata, que não tinha forças nem para respirar. A cada grito ou inspiração mais profunda, uma crise de tosse a possuía. Itachi queria poder estar ali com ela, mas não poderia deixar Hanabi sozinha, com medo. A pequena rezava fervorosamente, sentada à mesa, implorando que sua irmã ficasse bem e a criança nascesse bem. Aproveitando a distração de Hanabi, ele foi até a sala com o coração apertado.
Hinata estava sentada no sofá, as pernas apoiadas em uma pequena mesa de madeira, a bacia de água quente e as toalhas estavam ao lado dela. Na mão direita, um lenço que ele lhe dera estava completamente sujo de sangue e Hinata estava de olhos fechados. Ignorando o fato de que, ao sentar no sofá, seu terno ficaria manchado para sempre, ele segurou sua mão e apertou levemente. A jovem abriu os olhos e suas pérolas faíscaram.
-Estou aqui com você, Hinata. Só mais um pouco de força! Eu estou aqui para te dar forças!-ele disse, beijando-lhe os lábios e encostando sua testa na dela.
A moça respirou fundo e ele tocou sua barriga de nove meses.
-Vamos lá, meu filho, ajude sua mãe!-ele disse, lágrimas brotando de seus olhos, o medo de perdê-la dominando-o por inteiro.
Hinata suspirou e fez mais um pouco de força.
-Vamos, senhorita, a cabeça do bebê está vindo!-disse o médico.
Ela forçou mais um pouco e não conseguiu mais fazer esforço. O médico conseguiu sgurar o bebê pelos ombros que ainda iriam sair e puxou-o com cuidado. Hinata buscou ar e Itachi encostou a cabeça da morena em seu ombro, abanando o seu rosto.
-Como vai se chamar o bebê, senhor Uchiha? É um menino.-disse o médico.
-N-n-ne-j-ji.-Hinata disse, com esforço.-O bebê... Neji.
-O nosso filho se chamará Neji!-Itachi disse, sentindo a moça sucumbir ao cansaço.
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O moreno contratou uma ama de leite para Neji e passava os dias e as noites ao lado de Hinata. escobrira que ela estava com tuberculose e que a doença estava em um estado avançado. Colocava um copo com água para que ela tomasse quando a moça abriu os olhos.
-Itachi?-ela chamou, a voz fraca, porém clara.-Sente-se aqui um pouco.
O Uchiha foi até a cama e lhe entregou o copo de água. Ajudou-a e beber e depositou o copo sobre a cômoda.
-Está se sentindo melhor hoje, querida?-ele perguntou, afagando o rosto da jovem.-Está até mais corada!
Hinata tentou sorrir e segurou-lhe a mão.
-Itachi, prometa que, se algo me acontecer, cuidará de Hanabi e de Neji!
O moreno a olhou surpreso e sorriu.
-Claro que cuidarei dos dois, Hinata, são nossos filhos!-ele respondeu.
-E prometa que tentará ser feliz com outra mulher, caso se apaixone.-ela disse, fechando os olhos e dando um profundo suspiro. Abriu-os novamente. Itachi a olhava.
-Isso não posso prometer!-ele disse.-Não me peça para amar outra ou ser feliz com outra mulher. Nenhuma delas será a minha Hinata! Nenhuma outra terá e mesma expressão, o mesmo olhar... Sabes que é o anjo que me salvou da tristeza, não sabes?-Ele sorriu tristemente.
-Tu é que me salvastes, Itachi. É o único anjo que vejo aqui! Se estou feliz, sentindo que sou amada e que cada pedaço de mim está completo, é por tua causa.-ela passou as mãos delicadas pelo longo cabelo negro do rapaz.-Amo-te.
-Amo-te mil vezes mais!-ele disse, inclinando-se a unindo os lábios delicadamente. Separou-se dela e a olhou. Parecia cansada.
-Itachi, pode pegar o véu que me destes e entregar-me, por favor?-ela pediu. Itachi baixou uma caixa vermelha do guarda-roupas e retirou o véu, guardando a caixa em seguida.
-Aui está, Hinata!-ele estendeu-lhe o véu, sentando-se na cama.
Mas a jovem não abriu os olhos para pegá-lo. Não esboçou nenhum sorriso com o gesto do moreno. Não viu a expressão de Itachi mudar e ele procurar por um sinal de seu coração ainda batia. Não viu as lágrimas que ele derramou ao se deitar sobre seu colo, implorando que ela voltasse. Não viu ele cobrindo seus cabelos negro-azulados com o véu, para que seu anjo fosse bem recebida onde quer que estivesse indo.
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Três anos depois...
-Papai, papai, olha o meu desenho!-disse Neji, estendo um papal com traços coloridos.
-E quem são as pessoas do desenho, Neji?-perguntou Itachi, colocando o filho sentado em seus joelhos. Hanabi entrou na sala e sentou-se no sofá, espiando o desenho de Neji.
-Esse é o senhor, -ele indicou um rabisco com giz de cera preto.-essa é Hanabi,-ele indicou um rabisco verde.-esse sou eu,-um rabisco marrom.-e essa é a mamãe!-ele disse, tocando o rabisco azul com os pequenos dedinhos.
Hanabi e Itachi trocaram olhares e sorriram um para o outro. A garota levantou-se, tentando esconder as lágrimas que caíam.
-Onde a mamãe está agora, papai?-Neji perguntou. Itachi o levou no colo até a janela e olharam para o céu noturno. Apontou paa uma estrela que brilhava bem acima de suas cabeças.
-Ali, naquela estrela.-ele disse, olhando para o filho.-A mamãe mora naquela estrela, como eu lhe contei, lembra-se?-Neji fez que sim com a cabeça.
O pequeno possuía os olhos prateados e o jeito doce da mãe, mas as expressões era idênticas às do pai. O pequeno observou o céu pormais um tempo e quis descer do colo do pai. Antes de sumir em seu quarto, ele se virou.
-A mamãe virou um anjo, não foi, papai?-Itachi olhou o filho, enxergando Hinata em cada gesto do pequeno.
-Sim, Neji. Mamãe virou um anjo e sempre cuida de nós.
Neji sorriu e correu para o quarto, o desenho firme em suas mãozinhas. Itachi caminhou até o quarto e abriu o guarda-roupas. O paletó manchado de sangue estava guardado em uma caixa, junto com uma foto que ele encontrara quando haviam acabado de se mudar. O moreno tocou a foto. Hinata o olhava com suas pérolas, sorrindo, agarrada em seu braço. Ele a olhava bobamente, como se estivesse mergulhado em seus olhos. Uma lágrima caiu em seu colo.
-Um anjo. Meu anjo!
E se deixou adormecer na cama onde ela deitou pela última vez.
Chegou ao fim! Essa fic foi inspirada no livro "Lucióla", do José de Alencar, mas nao sei se ficou muito inspirado, porque, bem..., eu perdi o livro aqui no meu quarto. =) E o fim pode ter sido diferente do esperado, mas é que hoje eu tive um dia forte e o final que saiu espontaneamente foi esse.
Me digam o que acharam! Beijos. ;)
